JuReMa no BPM: Andorra & Val D’Aran

Nesse domingo, dia 05/11/17 foi publicado no BPM meu post sobre turismo, especificamente sobre o Andorra e o Val D’Arran. Muitas das trilha que comentei por cima lá, temos detalhadas aqui, lembrando que temos inúmeras fotos e videos na Fã Page do Facebook e no Instagram.

Vai lá no BPM e lê o texto, que dá muitas dicas legais! Não deixe de deixar sua curtida e um comentário! Sem falar que você também pode seguir a página no Facebook do BPM e o perfil no Insta.

E aproveita e veja aqui também algumas das citadas lá, como o Pic Negre, os Colomèrs e o Val D’Aran, Pic de Medecourbe, o Aiguestortes, entre tantas outras que você pode ver no nosso menu viagens!

“Quando me mudei para uma cidade nos Pirineus, na Catalunha, fiquei muito animada com a perspectiva de estar morando nas montanhas, uma vez que no Brasil não temos uma região de montanhas do mesmo tipo e eu amo natureza e estar ao ar livre.

Minha atividade favorita sempre foram as caminhadas, também conhecidas como trekkinghiking, em inglês, e senderismo, aqui na Espanha. No Brasil, embora muito praticada, não é tão comum, mas na Catalunha, o senderismo é uma espécie de esporte nacional. A prática, embora oficialmente não seja considerada um esporte, é muito comum, e os diferentes caminhos, ou senderos, são muito bem marcados, com placas, sinalizações em forma de setas (caminho correto) ou cruzes (caminho incorreto), em diferentes cores, uma para cada sendero, em árvores e pedras, marcando o caminho até mesmo quando tudo está coberto de neve.” Para continuar a leitura, clica aqui!

 

Aiguestortes

08/09/17

Um dos locais mais famosos dos Pirineus é o Parc Nacional d’Aiguestortes, localizado no Noroeste da Catalunha, entre Val d’Aran e Pallars Subirà. A região é bastante despovoada, com menos de 20 mil habitantes entre as duas comarcas. Isso ajuda tanto na preservação da natureza quanto na sensação de isolamento, já que para chegar lá é preciso passar por imensos vales com apenas algumas esparsas vilas. Claro, durante fins de semana e dias festivos os parques são muito visitados, os catalães dão o devido valor para a natureza, sendo o excursionismo uma atividade disseminada pela região. Nós resolvemos criar vergonha e ir conhecer o local, que fica a aproximadamente 1h30 de viagem de onde estamos, e onde não havíamos ido até semana passada… O parque engloba uma série de vales profundos, regiões altas de montanha e agrupamentos de lagos de degelo. Um dos agrupamentos nós já descrevemos na trilha sobre os Colomers, mas o lago mais famoso da região é o Estany Sant Maurici, ladeado por uma cadeia de montanhas onde se encontra os famosos Encantats. Fizemos nossa peregrinação ao local, aproveitando para passar um pouco desse ponto, incluindo mais lagos na nossa visita, além de uma bela cachoeira e um “refúgio” de montanha.

A estrada até lá está muito bem sinalizada e preservada, exceto pelo trecho final, mas nada que comprometa a passagem, pelo menos no período sem neve. O acesso se dá mais ao norte de Sort, por uma cidade chamada Espot, que concentra escritórios para atividades esportivas de natureza e hotéis em sua pequena área. Dali, logo se chega a uma portaria, onde fica o carro. Seguindo a pé, o caminho é bem preservado e fácil para quem tem algum preparo físico, subindo levemente por um bosque por alguns quilômetros até o tal lago. No caminho, já é possível avistar os Encantats, uma montanha gigantesca e bastante recortada.

O lago em si é bonito, mas certamente não o mais impressionante que vimos até agora. O que colabora muito para classificá-lo como o mais famoso lago de montanha da Catalunha é o ambiente no entorno, com bosques de pinheiro e montanhas altas, enquanto os outros lagos já estão muito mais altos, em regiões acima de onde crescem árvores e muito perto dos picos. Também colabora o fato de ser muito acessível, tendo pessoas idosas e crianças feito a caminhada sem nenhum problema, além de um acesso por estrada para deficientes. Isso democratiza bastante o acesso, certamente. O lago de Certascan é muito mais bonito, por exemplo, mas o seu entorno é muito estéril e o acesso é praticamente impossível para quem não tem uma boa condição física. De qualquer maneira, o Sant Maurici é um local que merece a fama que tem, sem dúvida. Um outro ponto interessante do lago é que ele foi ampliado artificialmente com uma barragem. Nestes pontos ele é igual ao Lac Major de Colomèrs, diferindo dos lagos mais “naturais” como os de Perafita e Malniu.

Continuamos a trilha contornando o lago pelo lado norte. O caminho sobe seguindo um pequeno rio, que logo forma uma bela cachoeira, também bastante acessível. Ela não é grande, e também não chega a fazer uma queda vertical, mais deslizando pela pedra do que propriamente caindo. Mas a vista dali é de tirar o fôlego, mais do que já foi tirado com a subida até ali! É possível ver trechos do lago mais abaixo, por entre a mata. O caminho continua e logo a frente passa a linha das árvores. Isso é uma coisa muito curiosa em montanhas, há uma linha bem definida acima da qual as árvores não crescem mais. A vista fica muito mais aberta, mas tanto o sol como a secura ficam impiedosos. De qualquer jeito, segue-se por esse trajeto, contornando a estrada de montanha até o refugio de caminhantes Amitges.

Este refúgio de caminhantes não é exatamente nem um refúgio e nem de caminhantes… Muitas pessoas menos preparadas fisicamente, mas que querem curtir a altitude, pagam os jipes em Espot para serem levadas até ali. O local se converteu em uma espécie de hotel rústico, com direito a carregadores de mala que, em vez de táxis, dirigem LandRovers. Veja bem, nada contra esse tipo de turismo, desde que ele respeite o ambiente. O problema, na minha opinião, é a elitização do acesso, fazendo com que os caminhantes reais não tenham um local acessível para descansar durante as trilhas de mais de um dia. Também deixa evidente o confronto entre duas visões opostas de mundo, a visão daqueles que querem desfrutar da natureza em seu estado mais real e bruto, misturando-se a ela durante dias de estoicismo, com a visão de quem acha (e está certo) de que o dinheiro pode comprar os melhores locais, com as melhores paisagens, sem esforço ou comprometimento físico e ideológico. Fica claro qual das visões está lentamente eliminando a outra…

Passando o refúgio, chegamos logo a mais dois lagos, estes já de alta montanha. aproveitamos para nós refrescar um pouco (eu e o Picot, a Ju não!) e apreciar a paisagem antes de descida de volta. Lagos bonitos, mas nada páreo aos Colomèrs, que estavam a uma curta distância de nós neste ponto, do outro lado dos picos que nos cercavam. Para quem gosta de caminhadas longas (e, principalmente, não deixou o carro no estacionamento) essas trilhas de travessia ainda são muito bem preservadas nos Pirineus, mas dá a impressão de que já houveram dias melhores para os caminhantes. O caminho de volta transcorreu muito mais rápido, pois não precisamos parar para descansar.

No geral, eu achei que o parque merece sim a fama, que seja pelo menos por tornar acessível à todas as pessoas as belezas das montanhas. Mas se alguém quiser conhecer aquele canto único, onde quase ninguém vai, a raridade, não deposite suas esperanças aqui. Em nenhum momento ficamos plenamente sós na trilha, o barulho de conversas era constante (inclusive as nossas) e os jipes passavam com frequência por nós. A quem procura um canto reservado, minha dica é abrir o google maps, procurar os lagos mais próximos dos topos das montanhas e mais distantes das estradas, e então descobrir por conta como chegar lá!

La seu - Parking Sant Maurici

La Seu – Espot – Parking Saint Maurici

trilha Sant Maurici - refugi amitges

Estany Saint Maurici – Refugì dels Amitges (Trilha disponível para download

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O Estany de Saint Maurici

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Els Encantats

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Continuamos a trilha

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Lagos acima do Refugì dels Amitges

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Val d’Aran

Val d’Aran – 17, 18 e 19 de junho de 2017.

No fim de semana do dia 17 e 18 nós resolvemos ir para o Val d’Aran. Já tínhamos lido muito a respeito e ouvido muitas coisas sobre o lugar, então achamos melhor ir checar nós mesmos. Saímos bem cedo no sábado e pegamos a estrada que liga La Seu a Sort, e de la seguimos até o Port de Bonaigua. Ao passar o fim do vale de Pallars Sobirà já era possível ver a beleza que aguardava no Val d’Aran. A primeira vista de um vale menor é impressionante, e a primeira cidade que cruzamos, Baqueira, era tudo o que eu imaginava que Andorra poderia ser, mas não foi: construções de muito bom gosto, mantendo um estilo montanhês ordenado e limpo, com muitas natureza em volta. Baqueira é uma cidade que recebe muitos investimentos, já que é considerada a sede das melhores pistas de esqui dos Pirineus, mas ainda assim o resto do vale não fica atrás, com muitas outras vilas de charme abundante, como Vielha e Bosost.

Começamos nossas caminhadas com a trilha que leva aos estanys de Colomèrs. Na vila de Salardú, uma estradinha simples segue por alguns quilometros até um balneário. De lá, deixamos o carro e seguimos a pé. Por um bom trecho é possível pegar um taxi que, inclusive, não sai tão caro. Mas estávamos com tempo e energia sobrando, além do Picot, que costuma não ser bem vindo em taxis… O caminho pode ser feito pela estrada mesmo ou por uma trilha, o primeiro é mais fácil, o segundo mais bonito.

Do ponto onde o táxi para, começa uma trilha com uma subida um pouco pesada e de terreno mais difícil, mas ela não dura muito e logo se chega no lago principal. A vista é deslumbrante, envolvendo montanhas nevadas muito próximas, uma água limpíssima do lago represado e das cachoeiras que desaguam nele (sim, no plural!) e um refúgio de caminhantes novo e bem cuidado. Aqui é um bom lugar para descansar um pouco e comer alguma coisa.

A trilha continua, subindo para o outro lado das cristas das montanhas, onde uma sequência de lagos menores aguardam. Todos eles vão se conectando por pequenos riachos, dos quais é possível beber água sem nenhum problema. Perdemos as contas de quantas pequenas cachoeiras vimos nesse processo. A volta passa de novo pelo lago principal e retorna pelo mesmo caminho. Esse foi um dos lugares mais bonitos que eu vi na minha vida…

Fomos ainda no mesmo dia ver Vielha, a capital do vale, e o Salt de Pish. A cidade é toda dedicada a esportes de inverno, ficando bem tranquila no verão, sorte nossa. As placas na cidade estão todas em 5 línguas (Aranês, Catalão, Castelhano, Francês e Inglês). O Salt é uma cachoeira muito bonita e acessível, uma estrada bem simples liga o vale principal a ela. Depois disso, fomos para o camping descansar.

Acho que é importante colocar que a maior parte do Val d’Aran fica do lado norte dos Pirineus, Em contraste com o resto da Catalunha, que fica do lado sul. Há um túnel gigantesco que liga os dois lados e faz com que o vale seja mais acessível. Antes disso, a região era bem mais abandonada pela administração catalã, além de mais pobre, pois o turismo não chegava com tanta força. A população local não se identifica, de maneira geral, como catalã, mas como ocitane, um grupo do sul da França com sua própria língua e tradições, ambas quase morrendo. O Aranês mesmo é uma variação de ocitane que ainda resiste. O turismo dos franceses é importantíssimo ali e é mais fácil cruzar com eles do que com catalães de outros locais.

No dia seguinte, Saímos para o Vale onde está a Cascada de Molières. Para chegar lá, é preciso cruzar o tal túnel gigantesco ao sul de Vielha. Paramos o carro em um refugio de caminhantes chamado Conangles e de lá caminhamos pelo vale, saindo com frequência da trilha e aproveitando para apreciar a vista fora do caminho convencional. Tentamos nadar em uma piscina natural, mas a água estava tão gelada que nem o Picot se arriscou muito… O tamanho das encostas aqui e a força da água que acabou de brotar das pedras impressiona bastante! Descansamos o resto do dia, pois caminhar 2 dias seguidos não é tão simples assim. Aproveitamos um pouco o camping para jogar pingue pongue e nadar na piscina, mais quente que qualquer outra água do Vale!

Saímos na segunda pela manhã e passamos em um parque/zoológico: Aran Park que existe ali. Fiquei impressionado com a qualidade dos recintos, apesar de terem pouca variedade animais. Isso se justifica pelo fato de que se focam na fauna local. OS predadores ficam isolados, obviamente, mas todos os ruminantes de montanha ficam soltos no recinto junto com os turistas, e parecem se importar pouco com a proximidade. Gostei bastante de uma parte no final sobre conscientização, com painéis interativos e fotos incríveis. Acho que vale a visita, eles parecem estar usando o dinheiro da entrada adequadamente.

Passamos logo depois disso em uma cidade francesa chamada Luchon, já que estávamos tão próximos da fronteira. Infelizmente, tudo na cidade estava fechado e não pudemos conhecer tão bem assim. Seguimos dali para Toulouse, nos afastando das montanhas pelo lado norte. Chegamos na cidade e aproveitamos para visitar nosso templo sagrado, a Decathlon. Depois disso fomos para o centro da cidade, estacionamos e fomos dar uma volta.

Toulouse é uma cidade grande e, como qualquer outra pela Europa, tem uma quantidade imensa de pessoas na rua. Também é um pouco suja, decorrente de seu tamanho também. Mas o tamanho do rio Garone na região, somado com um bom uso do espaço em sua margem, cria um local onde o pessoal se reúne e pode desfrutar de uma boa paisagem. Os parques do centro são bonitos, mas nada tão digno de nota, e sua catedral é muito peculiar, sendo construída com um misto de pedras e tijolos. No mais, a cidade é agradável, apesar do calor, e a juventude realmente ocupa as ruas, o que me agrada bastante!

Como o sol está se pondo muito tarde nessa época, ficamos até umas 21h30 na cidade. Quando percebemos, saímos correndo, pois ainda tínhamos uma estrada imensa pela frente. Voltamos pelo caminho que passa por Foix e Puigcerdà, chegando em casa às 1h30 da madrugada! Vale notar que as estradas da França que saem do país por essa região não são grande coisa. Ou são pesadamente pedagiadas, o que encarece muito a viagem e afasta os turistas de lá, ou são de qualidade duvidosa quando comparada as estradas catalãs. Ainda assim, a região merece mais visitas no futuro.

Muito mais fotos e vídeos na Fan Page do Facebook, Blog da JuReMa – Val d’Aran

Mapa La Seu - Vielha - Louchon - Toulouse - Puigcerda

1º dia – La Seu a Vielha (parada nos Colomèrs) / 2º dia – Passeios próximos de Vielha (cascada de Molières) / 3º dia – Bossots (Aran Park), Luchon, Toulouse e de volta a La Seu.

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Colomers

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Cascada de Molières

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Cascadas de Molières

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Vielha

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Luchon

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Toulouse

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Cervo recém-nascido no Aran Park. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimientos-2017/066/0 (Não tiramos fotos no parque a pedido da administração, a informação vem no folheto que acompanha a compra do ingresso. Como os animais ficam soltos, eles pedem para minimizarmos os barulhos desconhecidos, entre eles os de câmeras e flash. No site é possível encontrar imagens belíssimas, no parque há um museu interativo, e a melhor parte é poder observar e vivenciar presencialmente e não através das telas!).

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Os lobos cinzentos foram introduzidos no parque há apenas 5 meses, e em maio procriaram pela 1º vez, um marco para a história do parque que se foca muito em conservação. Essa lindeza aí, lobzeno, é uma fêmea, e a mais nova integrante do local. O Aran Park trabalha também com reintrodução na natureza de espécies ameaçadas a partir da procriação no parque, em parceria com universidades, institutos e fundações. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimiento-de-un-lobezno/068/0