Estany de Malniu

05/07/17

Em Agosto nós relaxamos um pouco e acabamos não fazendo trilhas originais. Repetimos algumas pequenas, até chegamos a dromir em um refúgio aberto, mas não havia nada de muito novo para contar. Até que na última terça resolvemos fazer uma caminhada pequena, mas nova, até o Estany de Malniu, só para aquecer e nos prepararmos para um grande plano que temos, de passar 2 dias e meio em trilha. Acontece que, como de costume, passamos do Estany e seguimos caminhando um tanto a mais, e tivemos que adiar nosso grande projeto porque nossas pernas não resistiriam… De qualquer jeito, acabamos fazendo uma boa caminhada em um local inusitado!

Começamos o dia um pouco tarde, já que não tínhamos nada planejado e acabamos fazendo isso pela manhã. Fomos com o carro até o Refugi Malniu, que fica a uma distância pequena do lago homônimo. A distância entre eles é de não mais do que 2,5 km de trilha, com uma subida leve. Este trecho estava bem movimentado, sendo constante a presença de pais e mães com suas crianças, deixando claro a facilidade do caminho. Contornamos o lago pelo lado oeste e começamos a subir novamente em direção ao Prat Fondal, uma área plana um pouco acima do lago. A trilha oficialmente acabaria aí, mas nós vimos a chance de subir a encosta mais alta, que divide a Catalunha da França. Tomamos coragem e, saindo da trilha demarcada, começamos a nossa escalada.

O caminho a partir deste ponto foi lento e bastante inclinado. Nós procurávamos a cada 50 ou 100 metros alternativas viáveis para a passagem, pois às vezes nos encontrávamos de frente com paredões de pedra imensos, brejos lamacentos ou vegetação volumosa demais para passarmos. Eventualmente chegamos em um local mais plano e, para nossa surpresa, o que achamos que seria o fim da trilha era na verdade a metade da subida. Não querendo desistir já tendo subido tanto, paramos para descansar um pouco e logo continuamos o caminho. Neste ponto, fomos surpreendidos por um barulho incomum, alguma coisa grande se movendo por perto. Porém não havia som de motor. A Ju avistou antes um imenso planador passando sobre nós, e da segunda vez que ele passou eu percebi que ele vinha acompanhado. Os dois planadores rodaram sobre nossas cabeças por algum tempo e depois desapareceram… Logo alcançamos uma passagem que dava uma vista melhor, e vimos que o resto da subida seria ainda pior. Só tínhamos uma alternativa, porque o vale a nossa frente era extremamente inóspito, e então contornamos a borda mais próxima de nós, que era menos escarpada. Depois de um trecho que oscilava entre caminhada e escalada, alcançamos o topo!

Para a nossa surpresa, quando conseguimos vista do topo, o local não era uma cadeia estreita de picos, como geralmente acontece. Demos de cara com um platô gigantesco e levemente ondulado, onde trechos de um pasto duro e áreas de pedra bruta se alternavam no terreno. Eu sabia onde nós estávamos, aproximadamente, e achei que seria proveitoso andar até a ponta oposta do platô, pois ali havia um imenso vale, já na França. Neste ponto, a vista aberta do local me enganou um bocado, e eu achei que as distâncias eram muito menores do que na realidade. No meio do caminho achamos um riacho tão limpo quanto frio, e aproveitamos para encher a garrafa, que já estava quase vazia (a Ju tinha uma segunda, mas ainda assim).

Durante esta parte toda pudemos apreciar manadas de vacas e cavalos, que eu imagino que estando ali fiquem fora do alcance dos fazendeiros da região, além de bandos de cervos selvagens. Assim que o Picot percebeu estes animais, saiu correndo o mais rápido possível atrás deles. Sendo a vista aberta, achei que não teria problema deixá-lo exercer seus instintos, sabendo que ele não alcançaria nada! Depois de muita corrida, ele voltou exausto, com um olhar satisfeito! Também vimos alguns locais onde pequenas flores vermelhas se alastravam pelo chão, formando vários pequenos núcleos coloridos ao nosso redor.

Ao chegarmos na ponta norte do platô, pudemos dizer que o esforço foi recompensado. A vista do vale é surpreendente, com uma pequena cadeia de picos dividindo-o no meio. Dali conseguimos ver duas cidades francesas e os caminhos que levam delas à área selvagem de Andorra, pela Portella Blanca. Neste ponto, tivemos o diálogo mais incomum do ano, sobre um helicóptero que passava voando a mais de 1km de altura abaixo de nós, de tão alto que estávamos. Descansamos um pouco neste local, apreciando a vista e o frio que fazia ali, antes de iniciar nossa volta.

Seguimos em direção ao lado catalão mais uma vez, passando por uma vaca morte, da qual só restava o couro e os ossos. Foi um pouco mórbido, mas nos mostrou como o local realmente é inóspito. Ao chegarmos nas escarpas do lado sul, demoramos um pouco para achar um ponto adequado para a descida. Mas eventualmente encontramos um caminho que se não foi fácil, também não foi impossível. Atravessamos depois da descida uma região dominada por grande pedras, sobre as quais tivemos que pular, para o desespero do Picot que muitas vezes não dava conta de escalá-las. Mas ele sempre achava um caminho alternativo e nos alcançava. Atravessamos alguns riachos que passavam por dentro de pedras e cavavam túneis no solo, de onde nós ouvíamos mas não víamos a água. Eventualmente chegamos de novo ao Prat Fondal e, desviando de algumas vacas, voltamos até o Lago. Dali, seguimos o mesmo caminho de volta para o carro.

Apesar do cansaço ter nos impedido de fazer a maior caminhada planejada até agora, que seria neste fim de semana, nós já traçamos outros planos e pretendemos fazê-la até o fim dom mês. E também não podemos dizer que não aproveitamos a trilha que nós mesmo inventamos!

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La Seu – Refugí Malniu

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Aproximadamente a trilha que fizemos

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Estany de Malniu

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Início da subida de fato, no Prat Fondal

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Ache o planador na foto!

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Nessa foto é possível reparar que o lado esquerdo, pelo qual subimos é menos escarpado e cheio de pedras, enquanto o direito é um paredão de areia, impossível de subir

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Atrás da pedra grande é possível ver a parede lisa e inclinada

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O grande platô

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Ache a cidade no vale lá em baixo! Era sobre ela que voava o helicóptero

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A descida foi em meio a essas pedras

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Picot vigiando a fronteira

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Só couro e ossos

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Vista dos lagos lá de cima

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Descemos esse paredão aí

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Bezerro no pasto ou “boi da cara branca”

 

Ortedó

09/05/17

Primeiramente, peço desculpas pela demora em escrever esse texto, que devia ter saído semana passada. Mas como eu tinha certeza que essa semana a gente não caminharia, por causa de um acidente que tive, acabei postergando. Dito isso, vamos à trilha!

Eu sugeri dessa vez um caminho mais próximo da cidade, no qual não precisaríamos do carro. Resolvemos ir um pouco além de Alàs, onde costumeiramente passamos perto. O que não sabíamos era o quanto a trilha se estenderia.

Saímos de La Seu com um pedaço de queijo e umas frutas só, e seguimos o caminho de Alàs pela beira do rio, como sempre. Até próximo da vila, foi tudo certo, mas para chegar lá foi necessário pegar uma subida. Sofremos muito no processo, pensamos inclusive que estávamos fora de forma. Mas ao chegar a Praça da cidade, achamos uma fonte e nos refrescamos, e aí percebemos que era calor mesmo. Estamos os dois num ponto em que 25°C já está extremamente abafado, acho que morreremos no verão!

Seguimos até a Ermita de la Mare de Déu de les Peces, no topo de uma colina, e lá observamos a construção, bastante antiga. Pensamos muito sobre quem construía essas igrejas e sobre como eles deveriam estar entediados…

Dali seguimos montanha acima, por um caminho longo, onde paramos diversas vezes para tentar espantar o calor. Quem menos sofria era o Picot, que achava poças de lama pra se refrescar! Passamos por um lugarejo chamado Banat e, mais acima, achamos uma estrada asfaltada, já quase no topo.

Neste ponto a trilha ficou plana e o vento ficou forte. Isso ajudou muito a manter o ritmo. Andamos mais rápido até chegarmos na vila de Ortedó. É uma vila bem cuidada, num ponto com uma vista incrível pro vale de La Seu. Tiramos poucas fotos, pois a Ju não levou a Go-Pro, e só tínhamos o meu celular pra isso.

Agora precisávamos decidir se voltaríamos pela vila de Cerc ou por um ponto indicado no mapa como Bell Lloc. Decidimos pelo segundo, e pegamos uma trilha bastante fechada, até chegarmos em um portão que dizia que era proibida a passagem. Mas a placa indicava que era proibido passar pro lado em que nós já estávamos (como fomos parar ali, não sabemos até agora…), então resolvemos passar o portão e pronto. Bell Lloc é uma fazendinha, e a única saída dali, além da que usamos para chegar, também indicava que era proibida a passagem. Nos fizemos de desentendidos e descemos a estrada.

Neste momento, o Picot já tinha 3 tipos diferentes de lama recobrindo seus pelos. Nós estávamos bastante cansados e, ao chegar à estrada que já conhecíamos eu propus a Ju que um de nós (o que perdesse em algum tipo de jogo) fosse buscar o carro pra pegar o outro, mas ela não me levou a sério!!

Ao chegar em casa, além do banho emergencial no Picot, fui também olhar o roteiro que fizemos no google maps. Descobri que andamos em torno de 25km, boa parte disso montanha acima. Isso justificou bastante o nosso cansaço.

No final, conseguimos fazer um bom exercício e aproveitar uma vista bem bacana da cidade. Sem nem tocar no carro!

 

La seu - Ortedó - Bell lloc - la seu

Percurso total de cerca de 24.7km, sendo o desnível de 459m (mínimo 672m de altitude, próximo ao rio, e 1167m no topo do morro). 

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Ermita de la Mare de Déu de les Peces

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Vista para La Seu (desculpem a (má) qualidade da foto). 

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Ortedó

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Vaquinhas lindas

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O verde da primavera tomou conta de tudo já

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Ortedó, com figuração do Picot

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Bell Lloc

(* fotos e legendas by JuReMa)

Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!

Turó de Porredon e Bastida de Hortons

26/01/17

A previsão para o dia era de clima fechado em todas as regiões próximas da Espanha, mas com um pouco de curiosidade, descobrimos que na França faria sol. Pode parecer meio estranho, já que a França está a poucos quilômetros de distância. Mas como tem uma cadeia de montanhas no caminho, parece ser frequente cada lado apresentar um clima distinto. Então nos preparamos para uma volta maior até um mina de estanho por lá, mas quando saímos de casa na manhã seguinte, descobrimos que todo o nosso planejamento foi em vão. Havia nevado tanto que as estradas que passaríamos certamente estariam intransitáveis. Para não perder a viagem, decidimos por uma trilha bem próxima e até curta e baixa, visto os obstáculos que já se apresentavam. Fizemos o seguinte caminho:

La Seu – Turó de Porredon – La Bastida de Hortons – La Seu

Saímos da cidade pela ponte que cruza o Segre e seguimos pela estrada que indicava a Bastida. Nosso plano era passar primeiro na vila e depois no Turó, mas no caminho encontramos uma placa que indicava uma trilha para a montanha e resolvemos aproveitar. Seguimos pelo lado de um canal artificial, mas a água estava toda congelada, às vezes até com neve por cima (no gelo tende a não acumular tanta neve). Era possível ver inúmeras pegadas de animais diversos tanto dentro do canal quanto fora, parece que muitos andam pela região!

Depois de aproximadamente 1km, uma ponte apareceu e a trilha, bem demarcada seguiu por uma lateral da estrada que passava por ali. Aqui começou a subida leve mas constante que se manteve até o pico. Começou também um questionamento meu sobre os motivos de subir se não veríamos muita coisa lá de cima. Mas a novidade de caminhar dentro de um bosque inteiro nevado (em outras ocasiões pegamos neve alta, mas só em descampados) acalmou minha inquietação. O frio fazia a respiração ser difícil, e parar pra descansar anulava o conforto térmico que o caminhar gerava. Não tinha muito como evitar os dois problemas simultaneamente, então alternávamos um pouco. Por várias vezes eu também assustei pensando que algum animal se movia nos arbustos, mas era apenas a neve que caía e com isso o galho, mais leve que antes, saltava.

Passamos por um pico menor, onde meu ceticismo paisagístico se desfez. Podíamos ver montanhas muito distantes por cima das nuvens baixas. No vale estava uma bruma pesada, mas passamos para cima delas e a mistura de tonalidades de branco com a imponência das montanhas foi algo para não se esquecer mais. Claro, o céu continuava nublado, mas já eram nuvens distantes. Seguindo a trilha, fomos até o pico, enquanto a paisagem lentamente se tornava mais e mais imponente.

Depois dos 500 metros de desnível entre La Seu e o pico, começamos a descida. Primeiro por uma trilha, depois por uma estrada. Houve uma pausa para construir um boneco de neve, mas a mão da Ju, mesmo de luva, começou a esfriar muito. O boneco não ficou muito completo ou bonito, mas minha esposa continua tendo duas mãos, então acho que estamos no lucro!

Chegamos rapidamente na Bastida, um povoado com casas mais imponentes que qualquer outra vila até agora, além de um cão fofíssimo que conhecemos no portão de uma dessas casas. Muita coisa na cidade também estava desabando, e eu achei particularmente curioso essa dualidade de mansões/ruínas. Dali, em vez de pegar a estrada de volta, fomos por um atalho de trilhas. Nesse trecho, o sol começou a aquecer o vale todo e podíamos ver as árvores todas pingando neve derretida e refletindo o sol. Acho que por mais que tentássemos, isso não poderia ser bem representado por fotos, já que o processo todo envolve muito movimento e imersão na cena.

O caminho de volta foi tranquilo, a nossa trilha chegou à estrada e de lá voltou até La Seu sem obstáculos. Nesse ponto já nos desfazíamos do equipamento mais pesado para neve (um beijo especial para as polainas, que evitaram que as botas se encharcassem) e caminhávamos mais descontraídos.

Acho que não haverá mais um dia de neve tão pesado quanto esse. Sinceramente, morar em local frio não é um absurdo, como se pinta por aí. Com roupas adequadas e uma casa construída com isolamento adequado, sente-se muito menos frio do que no inverno paulista, por exemplo. Fica a saudade da nevasca e a decepção por não ter sido tão assustadora quando pareceu que seria…

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O estacionamento, coberto de neve. 

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Tentando limpar toda a neve do carro

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Dentro do carro, quando percebemos que ir de carro não seria uma boa ideia, e resolvemos olhar o mapa e decidir por uma trilha próxima a pé

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Rio Segre às 8h30 da manhã 

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Essa parte reta no centro baixo da foto é uma ponte, o rio ta embaixo dela, da neve e do gelo

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Trilha a esquerda da foto, com as pegadas e rio a direita

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Mesmo com a neve a sinalização é visível, tanto em placas quanto nas árvores com faixas pintadas das cores das trilhas 

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Marcas de trilha pintadas no tronco da árvore

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Quando o sol começou a abrir, cerca de 13h da tarde

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Serra del Morral

19/01/17

Fizemos essa trilha bem pertinho da cidade pra ver de perto o que o nosso mapa indica como Torreta dels Moros e Torre de Sant Climenç. O caminho foi todo por uma serra baixa que faz a parede nordeste do vale de Castellbó, com a ida pelo lado Sul e a volta pelo lado norte. Foi uma trilha curta e sem grandes dificuldades, e as recompensas que ela trouxe foram menos exuberantes do que em outros locais como os Estanys de la Pera ou Pic Negre, mas ainda assim foi agradabilíssima e ainda fizemos algumas amizades inter-espécies no caminho! Começamos e terminamos por Aravell.

Aravell (1) – Hotel Rural Mas d’en Roqueta Pirineos (2) – Torrent de Mas d’en Roqueta (3) – Mardiscla (4) – Torreta dels Moros (5) – Torre de Sant Climenç(6).

1 – Essa cidadezinha parece quase inteiramente composta de “segundas casas”. Tudo parecia muito caro e fechado, além da presença incomum de um campo de golfe. Na verdade, pouco mais pode ser dito desse lugar, exceto que não é muito convidativo e que abundam as placas de “propiredade privada, proibido passar”…

2 – O caminho seguiu até esse hotel, que parecia ter pouco movimento na ocasião. Há quadras de tênis e outras coisas do estilo. O que realmente fez valer a pena ignorar as placas avisando para não passar foram 2 cabras muito simpáticas em um recinto de madeira!

3 – Subindo pela lateral direita do hotel, a trilha faz uma curva a direita e logo outra a esquerda. Nesta segunda, uma pequena estradinha de terra sai pelo lado. Depois de evitar vários caminhos onde as placas nos proibiam, resolvemos ignorar o aviso e passamos a linha imaginaria dessa tal propriedade (não havia sequer um arame para demarcar). O caminho então seguiu até um riachinho encoberto por uma mata alta e depois o acompanhou. Eventualmente a estrada nos obrigou a uma virada brusca à esquerda e uma ladeira inclinadíssima surgiu, como esperado pelo mapa.

4 – Depois de subir um trecho curto mas quase vertical, chegamos ao topo da Serra del Morral, e a estrada seguiu até uma casa isolada na montanha e que serve como marco na trilha. Não sei quem vive ali, mas imagino que tenha alguma habitação permanente, pois havia um cachorro que nos detectou de longe. A vista deste local é privilegiada!

5 – Quase passamos reto por aqui. Eu vi num canto afastado da estrada uma construção antiga de pedra e ao verificarmos percebemos que já era a tal Torreta. Parece bem antiga, a maior paerte dela já desabou. Também não é muito grande, até porque só serviria pra vigiar o tal vale de Castellbó, que não é assim um vale tão importante. Paramos aqui para almoçar um pouco de pão e pra eu procurar minha funda que eu tinha feito na noite anterior e já perdido. Mas achei, ainda bem! Mais na frente há uma outra ruína, no meio da neve, que parecia uma casa.

6 – A estrada bifurca algumas vezes depois da Torreta, mas mantendo a esquerda é possível dar a volta na serra. Chegamos a outra casa de grande porte, identificada como a Torre de Sant Climenç. Não vimos nenhuma torre, no entanto… Havia sim 3 cavalos soltos num pasto próximo, dois dos quais muitos dados. Vieram nos receber e ficaram pedindo carinho e nos seguindo. Mais um pouco e eu teria trazido eles para o apartamento para dormir conosco de conchinha. Mas acho que eles não conseguiriam entrar no elevador… Também havia uma igreja abandonada ali pertinho, descendo uma encosta e atravessando um rio e um espinheiro. O machado novo que levei (sim, eu comprei um machado!) quase foi útil, mas a Ju achou caminhos escondidos pelo meio dos espinhos e o meu trabalho foi em vão. Conseguimos depois de muito esforço e muitos cortes entrar na igreja, pensando constantemente em quem teria construído aquele coisa tão isolada. Dali, o caminho de volta foi só seguir pela estrada de volta até o hotel já mencionado.

Obs da JuReMa: na volta, já na cidadezinha de Aravell, enquanto andávamos na direção do carro, vi uma raposa linda, próxima a cerca do campo de golfe. Mostrei pro André e dessa vez ele viu também! (já tinha visto outra na estrada, mas como ele estava dirigindo não viu). Tentamos nos aproximar, mas no primeiro movimento ela fugiu. Foto, só as da memória! 

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La Seu – Aravell fizemos de carro. Até o Hotel Rural foi a pé. 

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O trecho em laranja o google não marca, então fiz a mão mesmo. Seguimos pelo rio, até começar a subida, como descrito no texto. O trecho em azul é mais bem marcado, como uma estrada, o que fizemos em laranja são trilhas mais fechadas. O ponto marcado como Unnamed Road é a Torre de Sant Climenç. O trecho em laranja não está contabilizado e deve ter acrescentado cerca de  1h, na caminhada, dado que é uma subida. 

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Não parece, mas essa era a ladeira quase vertical. Minhas panturrilhas ficaram cheias de lembranças desse local no dia seguinte. 

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Torreta dels Moros

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Torre de Sant Climenç

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A igrejinha em ruínas lá em baixo

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o mar de espinheiros ao redor dela que deixou lembranças

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Essa comemoração toda era por ter entrado! Ficamos um bom tempo até conseguir acessar a porta por causa dos espinheiros. 

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Trilha Solsona – Pont de la Frau

08/01/17 – Trilha por Solsona, até a Pont de la Frau

Fomos mais uma vez para uma província vizinha, agora mais ao sul, onde os picos são mais baixos e os vales mais largos. Na província de El Solsonès, o clima e a paisagem são mais amenos do que os de ALt Urgell, e por isso essa trilha foi bem fácil de completar, comparando com outras que já fizemos. O percurso foi:

Solsona – Pont de la Frau – Barranc de Pallares – Castellvell – Solsona

O caminho começa na própria cidade de Solsona, capital da província, uma cidade que não tem mais de 10.000 habitantes, mas tem um centro histórico realmente incrível! Seguimos por uma trilha que indica a Pont de la Frau dentro da própria cidade. O roteiro que tínhamos visto em casa seguiria para o camping El Solsones, mas preferimos seguir pela trilha que encontramos pessoalmente, quase margrando o Riu Negre pelo lado leste. Passamos por algumas propriedades rurais muito bem cuidadas, como um pequeno haras e alguns casarões reformados, até que a trilha entrou por um bosque mais fechado. De repente, vimos uma imensa coluna de pedra e percebemos que já estávamos embaixo da tal ponte. Ela é realmente altíssima, apesar de assustadoramente estreita. Subimos a encosta oeste do rio e chegamos até o começo da ponte, a qual não tivemos coragem de atravessar… Havia gelo em um trecho sombreado, e uma queda ali certamente seria fatal. Não vimos motivos para arriscar.

Seguimos então de volta para a cidade pelo lado oeste do rio, onde o bosque as vezes adquire uma inclinação absurda e repentina. Não tente passar por qualquer uma das ramificações da trilha, se achar um terreno dificil, volte e pegue outro caminho! Depois disso passamos por uma granja bem simples, mas com uma vista maravilhosa para o vale abaixo. Aqui o bosque acabava e atrilha seguia por plantações e casinhas isoladas. Encontramos um corajoso pai andando de bicicleta com umas 4 crianças, que se espalhavam e tentavam ir por outros caminhos com frequencia, enquanto ele pastoreava todos, ao mesmo tempo que carregava quantidades imensas de casacos. As benesses da vida em uma cidade pequena! Em um dado momento a trilha fez um cotovelo bem fechado e logo entramos em um parque meio que saído das lembranças de infância, chamado Barranc de Pallares. Havia mesinhas de piquenique pintadas como cogumelos, havia churrasqueiras no meio de bosques, um pequeno playground, tudo feito de maneira simples e cuidadosa. O local era tão acolhedor que acabamos passando reto pela curva da trilha e demoramos um tempinho para nos realocar.

Dali, a trilha segue por baixo da estrada, por um cano gigante, seguindo por uma encosta de pedra onde uma mesinha de piquenique foi instalada logo abaixo e mais um pequeno parque pouco acima desta encosta. Depois dessa breve interrupção para espaços de lazer, novamente o caminho segue por entre propriedades rurais e bosques, enquanto contorna o morro no qual está o Castellvell. Não muito longe dali, a estrada passa e leva em pouco tempo até o próprio castelo, que é uma miríade de coisas, menos um castelo. Há uma torre, um pomar, uma igreja e uma habitação que parece ser eclesiástica, mas nada é exatamente uma fortificação. De qualquer maneira, o Catellvell fica logo acima de Solsona e dá uma vista bem aberta para a cidade e para a região em volta, onde o terreno ondula mas não chega a formar montanhas ou colinas. Voltamos para a cidade por uma pequena trilha que sai do “castelo” e entra por um bairro afastado de Solsona, onde algumas casas realmente impressionantes pairam sobre o resto da cidade. Tivemos alguma dificuldade em dar a volta ali, pois poucas ruas desciam na direção que queríamos, mas eventualmente conseguimos dar a volta.

Não foi a trilha mais bonita ou mais desafiadora que fizemos, mas tivemos uma excelente sensação de estar em um ambiente mais tranquilo, mais adequado para famílias do que para aventureiros. O caminho menos acidentado e a presença de campos de agricultura dão a sensação (real) de que estamos em uma zona rural, mas não selvagem. Além do que tivemos a oportunidade de rever Solsona e aproveitar também os cuidados incisivos de alguns imigrantes que montaram um restaurante e eram os únicos que estavam aberto no domingo! Sempre procure pelos Doner Kebabs se quiser comer bem e barato!

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Pont de la Frau

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Desvio da trilha ao observar o parque 

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Chegando ao Castellvell pela estrada

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Solsona, já ao entardecer

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Na volta paramos em Organyá, só para eu tirar foto dessa árvore de natal linda deles! (by JuReMa)

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Estanys de la Pera – Trilha 6

29/12/16

Estanys de la Pera

Essa foi sem dúvida a trilha mais bonita que fizemos até agora, além de ser uma das mais fáceis também. A trilha segue da estação de esqui de Aransa (esqui nórdico, que é parecido com uma patinação) e vai seguindo próximo ao rio Molí por quase o caminho todo. O resultado é que a trilha é quase toda plana e com imagens memoráveis do processo de congelamento do rio, com caverninhas de gelo e esculturas modernistas feitas pela natureza, além da vista para as montanhas em quase todas as direções. Desta vez não vou marcar o roteiro porque só existe basicamente essa trilha pelo caminho e são poucos os pontos de identificação.

Saímos cedinho de casa e fomos de carro até a estação de esqui de Aransa. A estrada está bem limpa e preservada, não há nada com o que se preocupar. De lá, cobra-se uma taxa de 3,50 euros para fazer a trilha, justificados como manutenção de estrada e sinalização das trilhas. É possível passar por outros caminhos, mas realmente sem um gasto na preservação, as outras estradas ficam horríveis. O caminho começa um pouco mal sinalizado, mas nada que um pouco de atenção não resolva. Ele deve seguir por uma estrada mais aberta, por dentro de uma mata de pinheiros.

Eventualmente, a trilha abre vista para um vale a leste e alguns pequenos córregos cortam a estrada e se congelam. Muito cuidado para não escorregar, falamos isso por experiência própria! Mais a frente a estrada acaba, mas há uma marcação tímida indicando uma trilha que sobe para a esquerda. A subida é bem leve e pouco a frente começa o trecho em que o rio se aproxima. Ele segue junto à trilha até uma grande área bosqueada mais a frente onde é possível ver um pequeno refúgio, mesas de pedra e churrasqueiras. Claro, ninguém usa esse aparato nesta época do ano, mas voltaremos em outro momento para ver como fica sem a neve e com pessoas.

A continuação da trilha encontra com a estrada e os dois caminhos são possíveis. Eu indico fortemente a trilha, pois além de mais reservada, há momentos que a estrada não proporciona, como a aproximação de uma pequena cachoeira. A formação de uma pirâmide de gelo em volta dela é uma coisa que impressiona alguém como eu, que até pouco tempo atrás conhecia muito pouco desse tipo de clima.

Não muito depois da cachoeira é possível ver o final do vale, com as montanhas fechando o cenário em volta. Neste momento desponta o Refugi dels Estanys de la Pera no alto de um platô. É sem dúvida o mais bonito dos refugis, mas parecia estar todo trancado. De fim de semana parece que abre-se a parte principal dele para turistas. De lá, a trilha bifurca para dois pontos de Andorra, um caminho indo para o vale de Perafita, a noroeste, e outro seguindo para os picos mais a leste.

Abaixo do refugi, está o menor dos lagos. Na ocasião da nossa visita, estava recoberto de neve por sobre o gelo. Eu andei um pouco sobre o lago, mas confesso que o medo do gelo partir me fez voltar rápido. Seguimos para cima até encontrar o lago maior, também recoberto, e um pouco mais difícil de encontrar pelas montanhas em volta. Um casal que andava a nossa frente tentou seguir pra lá do lago, mas desistiu pela profundidade da neve. Nós, claro, não desistimos tão fácil e seguimos nos arrastando pela neve alta e subindo nas pedras que surgiam no caminho, como náufragos. Depois de algumas centenas de metros e muito cansaço depois, vimos que acompanhar a trilha até o pico de Perafita seria impossível. A marcação das trilhas nas pedras era visível, mas a trilha em si havia desaparecido. Cavamos nosso caminho de volta até o refugi e de lá seguimos, molhados, de volta pela mesma trilha.

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Pic Negre e Calm de Claró (ou quase) – trilha 5

25/12/16

Essa foi a primeira trilha que fizemos que não alcançamos o ponto final planejado. Também foi a primeira que fizemos em altitude superior a 2.500m e em neve funda, o que significa pra cima do joelho. Esses 2 fatos estão intimamente relacionados! O trajeto planejado foi:

La Rabassa/Naturlandia cota 2.000m (1) – Refugi de Roca de Piners (2) – Coll de Pimés (3) – Coll de Finestres (4) – Pic Negre (5) – Calm de Claró (6).

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La Seu – Sant Juliá de Loriá – Naturlândia cota 2.000m (trecho de carro)

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Não chegamos a completar a rota, fomos da primeira bandeira em baixo até um pouco antes da bandeira onde as trilhas bifurcam. E rodamos por alguns picos e elevados que não estão marcados, mas nesse trecho. (trecho à pé)

1 – Fomos de carro até o parque Naturlandia. Existem 2 núcleos, um a 1600m e outro a 2000m. É fácil saber onde parar o carro porque a estrada simplesmente acaba no segundo núcleo! A saída sendo feita já desta altitude permite começar a trilha já num ponto bem avançado da subida, mas também torna o problema da aclimatação bem sério. Não é tão simples assim respirar enquanto se sobe centenas de metros já deste nível.

O parque em si é bem simpático, com atrações típicas de neve e um pequeno zoológico de fauna local. Também comporta um tobogã imenso que desce de um núcleo a outro, mas ainda não tivemos a oportunidade de tentar a descida. As rotas são bem indicadas, mas depois de certo ponto a sinalização vai desaparecendo rapidamente. Temos a intenção de voltar aqui e aproveitar um pouco mais a região.

2 – A trilha segue até o refugi bem tranquilamente, onde há um local livre para qualquer um dormir e uma área fechada, não sabemos exatamente a finalidade. O local é absolutamente maravilhoso, mas as pessoas que parecem frequentar aparentemente não querem preservar isso. É possível perceber que a casa em si recebe cuidados frequentes, pois há lixeiras a menos de 20m e uma caixa de medicamento de uso livre, mas ainda assim há muito lixo recente pelo lugar, inclusive de forma deliberada, como um maço de cigarros atirado no teto. Uma pena que nem todos saibam preservar um bem público tão valioso assim.

3 – Seguindo pela estrada que passa por trás do Refugi, logo há uma bifurcação indicando locais realmente longes! Pelo verão imagino que o pessoal caminhe por dias nestes locais. Se nos mantivermos à esquerda, uma descida suave seguida de uma subida ainda mais leve atravessam o Coll de Pimés. Neste trecho, um rio chamado Rec de Caborreu divide Andorra e Espanha, e a neve do lado norte do vale derrete com o sol e forma poças de lama consideráveis. Apesar disso, as colinas são simpáticas e um pouco mais a frente a vista se abre do lado espanhol de maneira a revelar vales e serras ao sul.

4 – A trilha faz uma curva à esquerda e então podemos ver o tamanho da encrenca que vem a frente. Aqui começa uma subida desumana por uma estrada deplorável. Serão centenas de metros na vertical impondo escorregões, deslizamentos e muito cansaço. A trilha para jipes faz uma curva para a esquerda em um certo ponto para evitar uma subida mais íngreme, mas os pedestres podem seguir pela encosta mais inclinada. O tempo todo uma colina relativamente suave fica à esquerda e um vale acentuado à direita. As pausas para tomar fôlego podem ser aproveitadas para observar a Espanha tomando distância.

Eventualmente a estrada faz uma curva para a direita. Daqui fica difícil saber para onde ela vai nessa época do ano. A neve começa a tomar profundidade a cada passada. Contornando uma pequena colina e virando para a esquerda, desponta o Pico Negro (Pic Negre), que em outras estações parece ser definitivamente negro, mas não por agora. Neste trecho tivemos a maior dificuldade: a trilha some, e mesmo que não sumisse, acompanhar qualquer caminho aqui era desafiador. Caminhamos até a encosta oeste, à esquerda e pegamos uma boa vista do vale e um vento desumano. De lá, resolvemos arriscar (ou eu resolvi e a Ju se resignou) subir um pouco mais. (Ju falando: Com neve até às coxas e já tendo engatinhando pra sair dos buracos, eu só ouvia o André gritar: “Pro pico, vamos pro piiiiiiico! Tá perto! Olha o piiiiico!” Aí me resignei né!) O caminho foi lento, buscando as áreas mais fáceis de passar na imensidão branca. A região era relativamente plana, e ficamos ziguezagueando em busca da pouca vegetação que ameaçava brotar e indicava neve mais rasa.

Com isso, desviamos do pico negro e chegamos a uma espécie de mirante sem nome, com várias pilhas de pedras feitas por viajantes anteriores. Vimos do outro lado de um vale escarpado o Calm de Claró, um imenso platô com direito a antena em cima, e para baixo do vale vimos um trecho de Sant Juliá de Loriá. A trilha parecia seguir pelo vale do lado oriental, mas o bom senso gritou para nós que a hora de parar já havia passado há um bom tempo (Aleluia!). Assim começamos a nossa volta, que testou todas as nossas articulações ao longo do caminho.

Notas: 1 – Essa trilha teve uma série de encontros aleatórios divertidos. O primeiro foi com um ser metamorfo que em vez de se transformar em lobo, se transformava em algum tipo de cérvideo. Daí o apelido homem-cervídeo que lhe demos. O rapaz com pernas absurdamente longas e finas saltava dois metros por passada na neve (sério, eu acompanhei as pegadas!) e fez em minutos o que fizemos em horas. Enquanto subíamos, ele já voltava e desceu o vale de Coll de Finetres sem nenhum escorregão, apesar das distâncias e da abertura pélvica de seus saltos! (O homem-cervídeo é meu novo ídolo místico das montanhas! Incrível o que aquele ser fazia!)

2 – Quando decidimos descer a colina, um elemental do ar se manifestou na encosta oposta. Um redemoinho de uns 10 metros de diâmetro se formou majestosamente, percorrendo uma distância considerável até se desfazer. O barulho do vento e a visão privilegiada da formação do dito cujo fez com que a Ju pedisse permissão para regressar para os elementais que habitam a cordilheira axial dos Pirineus. (Foi o máximo! Um privilégio estupendo ver aquilo! Pense num Sací de frio gigante! Garrafa não dava conta daquele não, seu Monteiro).

3 – A estrada congelada do trecho final fez uma excelente rampa para um esquibunda na neve! Eu empurrava a Ju e logo depois me jogava, fazendo com que o trecho em que o atrito aumentava se tornar um ponto de trombada. Subimos o trecho uma segunda vez para fazer isso de novo, e se eu tenho algum arrependimento com essa trilha foi de não ter ido uma terceira vez… (o esquibunda foi A MELIOR parte! Rolei de rir! Sério pessoas, façam isso! Deixem a criança interior de vocês bricarem na neve e no gelo! A gente morre com a umidade, mas se diverte horrores!).

*(comentário em roxo são de autoria dessa JuReMa que geralmente vos fala! Que além de autora de outros posts é editora e resposável pelo layout, mapas e fotos dos posts do André)

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Crânio de algum animal que encontramos pela trilha. Parecia um cervídeo.

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Calçados para trilha

Hoje fui andar pela cidade enquanto esperava a biblioteca abrir, minha atual única fonte de internet! E fiquei toda feliz olhando para minha bota nova de neve, surpresa de não estar sentindo nenhum frio, embora estivesse de legging e com apenas uma blusa em baixo do casacão. No meio do passeio, entre terrenos lindos, com casinhas fofíssimas de um lado e o rio Segre, com o parque olímpico de remo do outro, resolvi escrever um pouco sobre vestimenta para trilhas no frio. Prometo que no próximo escrevo sobre o Parc Olimpic del Segre porque também vale a pena!

Antes de começar vale citar que por falar de roupas, calçados, etc, vou citar marcas e dar minha opinião sobre o que já usei. Não é propaganda, nunca recebemos nada por isso, pelo contrário, já gastei um bocado com esse tipo de roupa. Dado o aviso, vamos lá.

Vou começar pelo calçado, que na minha opinião é a parte mais importante para o trilheiro. Eu tive durante longos e assustadores 11 anos uma bota de trilha da Reebok, o modelo super antigo já não se encontra disponível, mas ela foi uma fiel companheira para uso eventual e descontinuado, embora intensivo. Em 2014 ela já estava mais gasta na sola que pneu de carro velho, e, embora com aspecto usado, estava em boas condições na parte superior, uma vez que eu sempre fiz manutenção, troquei o cadarço umas 3X nesses anos e alguns ilhoses também. Mas bota de trilha tem que estar com a sola em dia, a lógica é a mesma do pneu. Se as ranhuras não estiverem suficientemente profundas, você escorrega.

Troquei por uma Timberland (Chocorua Trail Mid with GORE-TEX®) que atualmente está sendo vendida por 140 euros no site da Timberland. Apesar de cara (em 2014 paguei em Brasília entre R$500-R$600) gostei muito, sempre foi muito confortável e prática e já estreei numa viagem de 15 dias de mochilão: Amsterdã – Madri – Barcelona, na qual só usei ela todos os dias. Minha experiência com essa bota foi bem diferente da anterior da Reebok, por causa do tipo de uso.

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Existem três classificações que devem ser consideradas para analisar o tipo de uso, e consequente desgaste, de um calçado: frequência, intensidade e altitude. Frequência se refere a quantas vezes por semana você usa o calçado, se for todos os dias, a frequência é alta. A intensidade diz respeito ao tipo de uso. Se por apenas 1h 0u 2h, como calçados de corrida, a intensidade é menor que os de trilha, que geralmente são usados por entre 6h a 12h em um único dia. Ainda assim, nesse exemplo ambos estão sendo usados para fins esportivos, o que exige uma intensidade alta. Caso use para trabalhar a intensidade do uso muda se você trabalha sentado ou andando, se se locomove até o trabalho a pé ou de carro, etc, quanto mais tempo de contato do calçado com o chão no seu pé e quanto maior seu esforço, maior a intensidade de uso. E a altitude é se você usa o calçado em planície ou montanha. O desgaste em montanha é bem maior.

O da Reebok, que durou 11 anos, foi usado em baixa frequência, apenas em viagens, com grande intensidade, e em altitudes variadas. O que garantiu a ele a sobrevida, além da manutenção, foi o uso eventual. O da Timberland, comprado em 2014, teve uso frequente (quase diário por 2 anos e meio), intensivo e além do dia-a-dia em planície, pegou muita montanha. Por isso já estava um tanto desgastado, inclusive na sola. Quando coloquei ele na neve, refazendo a trilha 3 (Coll Midós) com o André no meio de dezembro ele quase não aguentou. A parte frontal queimou muito, o que o deixou manchado. Culpa minha que coloquei na neve alta e fofa um calçado que não era para essa finalidade. Com isso a borracha dianteira abriu e agora e impermeabilização ficou um pouco comprometida e visualmente ele está bem velho e acabado.

Por isso fui pesquisar e comprei uma bota específica para caminhada em altitude na neve. Minha preocupação maior foi a durabilidade e a resistência, embora ela aqueça também. O uso aqui será frequente, intensivo e de montanha. No fim do inverno conto como ela se comportou. Comprei a bota de travessia Forclaz 500 Warm impermeável Quechua, disponível em preto e rosa ou azul e salmao, na Decatlhon por 54,99 euros.

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Já fiz uma trilha bem puxada com ela, e o resultado foi bom. E olha que a neve vinha até a coxa em alguns momentos. Ela parece bem bruta mesmo, e espero que seja, pra aguentar esse ritmo. No verão acho que vou ter que trocar a minha da Timberland e comprar outra.

Ainda sobre calçados, algo absolutamente fundamental para o caminhante é o fator impermeabilidade. O calçado, seja verão ou inverno, tem que ser impermeável, se o uso for intensivo. Mesmo pra quem, como eu, morou anos no cerrado e só via chuva às vezes, ainda acho que vale a pena investir na impermeabilidade do calçado de trilha. Caso você esteja na trilha e chova, ou se precisar atravessar um rio e ele for bem raso, e dê pra molhar só a ponta, tudo isso o impermeável aguenta. Caminhar com os pés (meias e parte interna do calçado) molhados é a pior opção que você pode fazer. O calçado e você perdem desempenho, o pé machuca, e você perde muito calor (o que se for inverno pode ser um erro fatal). Além disso, caminhar com o calçado molhado por dentro, além de te machucar mais, danifica o calçado mais rápido.

Existem inúmeras formas de deixar um calçado impermeável, a mais básica é utilizar borracha ou plástico por fora, como é o caso das galochas e mesmo das Melissas. Só que esse material tende a ser menos anatômico e a ter pouco agarre, assim, as botas especializadas para trilha possuem membranas com tecnologia para torná-las impermeáveis. Essas membranas atuam em 3 quesitos: transpirabilidade, impermeabilidade e corta-vento. O plástico e a borracha são impermeáveis e corta-vento, mas não permitem transpiração. Para manter os pés secos em marcha, o calçado deve permitir que a transpiração evapore, ou o pé ficará molhado com ou sem chuva depois de algumas horas de caminhada fazendo esforço na subida. E não há meia que aguente. A impermeabilidade em si é a capacidade de agua escorrer por cima sem penetrar a membrana. E o corta-vento é o poro estreito que não permite que o vento entre, embora permita que o suor saia.

O nível de impermeabilidade é medido em flexões. Geralmente se usam 3 medidas: 2000, 4000 ou 8000 flexões, que equivalem a 2h, 4h, ou 8h em marcha sob chuva intensa. O trilheiro costuma passar o dia todo em marcha, por isso eu prefiro investir em 8000 flexões embora caçados com esse nível de impermeabilidade sejam um pouco mais caros.

Existem duas marcas famosas de membranas: a Gore-TEX (que marcas famosas como a Timberland e a Salomon usam) e a Novadry (utilizada pela Quechua e produtos Decatlhon). A Gore-TEX me atendeu muito bem até hoje, e agora a Novadry tem sido excelente também. Li muitos relatos, blogs e comentários sobre elas. Há quem prefira um tipo ao outro, há quem diga que é a mesma coisa com dois nomes comerciais. A tecnologia é similar e o efeito também. Não sei ainda se a durabilidade é a mesma, mas há que se considerar a diferença de preço, que talvez compense uma mais cara por mais tempo ou dois pares mais baratos em menos tempo. Como agora, morando num clima mais temperado, vou precisar diferenciar em verão e inverno, prefiro ter dois pares com preço mais acessível e aliviar na frequência.

Também é necessário considerar o nível técnico do calçado como um todo, o número de flexões, a profundidade das ranhuras na sola, o nível de transpirabilidade e isolamento térmico. Todos esses fatores influenciam, e claro, o uso e a manutenção que cada um faz. Nunca subestime o poder da manutenção. Passar uma água por fora, nunca lavar na máquina, deixar secar bem por dentro (suor e/ou chuva) antes de usar de novo, tudo isso garante uma vida maior ao calçado.

Mesmo com toda essa tecnologia, na última trilha ainda voltamos com os pés um pouco molhados, pois a neve estava tão alta que acabou entrando entre a calça e a bota e aos poucos a água minou para dentro. O modelo de bota de neve do André (Novadry – Decatlhon também) com preço ainda mais acessível e menos níveis técnicos molhou mesmo por dentro. A minha (que segundo ele só falta fazer café) molhou só a parte superior do tornozelo, e a água não minou para dentro da bota. Ainda assim foi um pouco desconfortável na trilha de volta. Na próxima usaremos a calça impermeável para dentro da bota.

O ideal para os trilheiros e ter pelo menos 2 calçados disponíveis. Com esse tipo de uso intensivo eles arrebentam mesmo. Para viagens de 1 a 15 dias eu recomendaria levar um só, adaptado à estação do ano. Para mais do que isso eu recomendo levar 2 pares. Caso você não more próximo a uma boa loja de artigos esportivos, ou esteja em viagem, vale a pena ter no mínimo um par sobressalente. Foi o erro que cometi. Vim para La Seu com apenas a bota da Timberland, e alguns outros calçados adaptados para verão ou passeios leves em planície, ainda que na neve, como minha galocha da Hunter, adquirida na Escócia e muito popular por lá, que é ótima para uma caminhada em terreno plano, ou em charcos e pântanos, aí ela se supera!  Mas que não tem agarre e nem desenho anatômico pra montanha.

Acabamos tendo que ir até Girona para adquirir a bota de neve. Em Andorra eu poderia ter comprado outra Timberland. Mas confesso que o diferencial de preço oferecido pela Decatlhon me convenceu a ir até lá, além de ser uma ótima desculpa para viajar mais um pouco. E o valor da gasolina valeu a diferença!

Nos próximos vou comentar sobre as roupas, o sistema de três camadas e a importância de um tecido corta-vento no frio!

Sant Aniol de Aguja – Trilha 4

22/12/16

Trilha 4 – Sant Aniol de Aguja.

Essa foi nossa primeira trilha dessa série que não se passou em Alt Urgell. Fomos até a Garrotxa e fizemos a famosa trilha de Sant Aniol. Na verdade, a Juliana teve um problema com o calçado dela na neve e precisava ir comprar um novo, mas as Decathlons ficam realmente longe de onde estamos. Então aproveitamos a viagem para visitar uma série de lugares no caminho e fazer essa trilha, que eu já conhecia, mas que nunca é demais fazer de novo. O esquema da viagem foi:

La Seu d´Urgell – Ripoll – Olot – Castellfollit de la Roca – Argelaguer – Tortellà – Sardenes à Sant Aniol e volta – Pont de LLierca – Besalú – Girona – Solsona – La Seu d`Urgell.

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Mapa La Seu – Ripoll – Girona (ida)

O único trecho a pé foi de Sardenes a Sant Aniol mesmo, o resto foi todo de carro, até porque as distâncias são imensas. Mas acabamos conhecendo ou revisitando uma série de cidadezinhas no caminho!

Saímos bem cedo de casa, às 6h00. Mas só começamos a dirigir às 6h20 porque demora pra tirar o gelo de cima do carro! Uma parte da estrada até Ripoll e dali até Girona passa por trechos muito sinuosos de montanha, e foram necessárias algumas paradas pra Ju se recompor da náusea do caminho, um inferno da labirintite e da teimosia em tomar iogurte mesmo com intolerância à lactose. Paramos para ver a cidadezinha de Castellfollit quando o sol ainda estava aparecendo. Essa cidade é frequentemente citada em listas de vilas pra se conhecer, mas eu sinceramente não achei tudo isso, ela é muito mais imponente vista da estrada. Paramos novamente em Tortellà, vila pela qual eu tenho uma imensa simpatia! De lá seguimos para Sardenes e começamos a parte importante: a Trilha!

O caminho leva 4h ida e volta, mas fizemos uma volta não planejada mas bem vinda e demoramos mais. A trilha segue pelo vale do rio Llierca, então se feita corretamente não incluirá muitos desníveis. Fato é que ela não está muito bem sinalizada como costumava ser e passamos reto por um trecho onde deveríamos ter cruzado o rio por sobre umas pedras… Resultado foi que pegamos uma subida imensa em direção das ruínas de Talaixà. Antes de chegar a Talaixà, porém, a trilha bifurcou e corrigimos nosso caminho. Essa subida nos deu uma bela vista do vale e também passagem pelo terrível Salto da Noiva!

O mapa do wikiloc (recomendo fortemente para mapas de trilhas) não marca exatamente o trecho que fizemos justamente por causa do desvio, mas é bem similar. Na hora dá para seguir as placas Salto de la Nuvia caso queiram suar frio um pouquinho!

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Trilha a pé: Sadernas – Talaixá – Sant Aniol de Aguja (wikiloc)

O Salto da Noiva é um trecho de trilha onde ela estreita bem num ponto onde a inclinação da ribanceira se inclina abruptamente. Somado a isso, o paredão de pedra se protunde para fora. Felizmente o pessoal daqui teve bom senso e botou umas correntes pra quem passa poder se segurar. Mas ainda assim é um pouco assustador. Alguém colocou junto ao trecho um véu branco, referência a história do lugar e detalhe macabro para o caminho. Diz a lenda que uma noiva que ia de Talaixà para a igreja Sant Aniol para se casar se matou pulando dali. Eu pessoalmente acho bem provável que ela tenha caído mesmo, mas deixemos a noiva e suas motivações no passado.

Deste ponto em diante, a trilha desce até a Igreja. Ela estava trancada, mas foi possível ver pelas grades o seu interior escuro. A construção, como tudo por aqui, é de estilo lombardo e beira os 1000 anos de idade. Paramos para comer nesse ponte e depois seguimos para cima do Llierca, onde há uma piscina natural absolutamente maravilhosa. Apesar do frio e da falta de toalha, resolvi dar um pulo na água e até agora não sei se me orgulho ou me arrependo do feito. Mais acima do rio há um cânion que segue até uma cachoeira, onde não há mais passagem. A altura dos paredões e a cor da água impressionam nesses dois trechos.

A volta foi mais simples, achamos a trilha que havíamos perdido antes. Não é uma trilha difícil, mas também não é do tipo que todas as idades e condições físicas podem fazer. É preciso um mínimo de agilidade e mobilidade para os trechos pedregosos ou para atravessar o rio. Também a distância não é pequena, e é importante ter um mínimo de resistência física e planejamento para não terminar muito tarde.

Ao pegarmos o carro de volta, seguimos até a ponte sobre o rio LLierca, mais abaixo. A sua altura e sua construção em arco único marcam o vale. a profundidade do rio nesse trecho parece imensa, principalmente visto de cima dos mais de 20m de ponte com mureta baixa. Seguimos para Besalú, onde outra ponte imponente, com portões e seteiras, marca a entrada antiga da cidade.

Ao chegar em Girona, já estava tarde e pegamos trânsito. Muito trânsito. Acabamos não conhecendo o centro velho e nos concentrando nas compras que deveríamos fazer. Se a Ju reclamar novamente de frio no pé, eu sinceramente não sei que outro calçado ela poderia escolher. A nova bota dela só falta fazer café. Eu peguei uma bota mais simples mas também para neve, além de uma luva impermeável. Temos planos grandes para os próximos dias!!

Na volta, pegamos a auto estrada que vem por baixo das montanhas, passando por Vic. Fizemos um caminho novo que passava por Solsona. Já passava das 10h30 da noite quando, encantados com a capital da província vizinha, paramos para rodar a cidade. Solsona é uma joia bem cuidada e lapidada. As construções são maravilhosas e imponentes e a vida noturna parece bem animada, a despeito dos seus poucos habitantes. Havia também o que parecia uma fortificação em cima de uma colina. Estava bem iluminada, diferente do caminho que levava a ela. Por isso achamos melhor visita-la em outra ocasião. A volta de Solsona a La Seu foi tranquila, apesar do sono. Chegamos de volta em casa quase a meia noite e eu nem sequer lembro se tomei banho ou dormi direto.

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Girona – Vic – Solsona – La Seu (volta) 

Foi um dia cheio, com uma trilha icônica e única, conhecendo uma série de cidades tradicionais da região. Só seria necessário dois dias parados para recuperar a energia!

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Castellfollit de la Roca  – Ainda tava cedo, frio e um tanto escuro desse lado da montanha

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Catellfollit de la Roca

 

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Castellfollit de la Roca

Início da trilha a pé por Sadernes. Esse rio lindo é o Llierca:

Montanha a cima e El Salto de la Nuvia. Nas fotos não fica tão claro, mas o sufoco do Salto é que a passagem é realmente muito estreita, de um lado a montanha desce escarpada muito alta e íngreme e do outro as pedras se projetam por sobre a trilha, deixando um espaço muito pequeno pra passagem, em curva. As fotos com o tecido branco, alusão ao véu da noiva,  são um pouco abaixo do ponto exato do salto e marcam o local. As marcas coloridas na pedra são pintadas por todo o caminho, em árvores, troncos e pedras e cada cor marca uma trilha:

Chegada a Sant Aniol, ruínas, a igreja propriamente dita e o rio acima, com as quedas e o ponto final. Além de claro a comprovação do banho de água gelada em pleno solstício de inverno:

A ponte sobre o Llierca, que vale a pena parar pra ver:

Besalú e a ponte, já com pouca luz:

De Girona e Solsona ficamos devendo as fotos, nem câmera, nem celular, nem nós tínhamos mais bateria. O dia foi intenso, mas incrível!