Spiritual

Faz tempo que não entro aqui. Faz tempo que não me escuto. Ocupada? Sim. Mas é mais que isso, é uma agitação e uma ansiedade que me fazem evitar o contato íntimo com a minha alma. Semana passada ouvi de uma amiga e professora, uma frase que ouvia da minha mãe com alguma frequência: “Ju, você precisa prestar mais atenção na respiração!”. É incrível como quando me abalo o que primeiro sofre é a respiração. Fico desequilibrada, desconectada, física, emocional e mentalmente.

Nas últimas semanas o tempo passou, e eu não. Ou eu passei, e o tempo não. Parece que eu e o tempo estamos desencaixados, descompassados. Ele não sobra, mas também não falta, e ainda assim não consigo cumpri-lo, cumprimenta-lo, olha-lo nos olhos. Estamos em vibrações diferentes. O desejo de dormir, de apagar, de vê-lo passar sem minha participação, aumenta.

Mas quando isso acontece nos distanciamos cada vez mais, fico fora do eixo, fora de mim, fora do tempo. Hoje isso chegou num pico. Percebo meu desequilíbrio. Tive vários pesadelos. Chorei algumas vezes, por cada besteira, ao longo do dia. Agora mesmo sinto meus olhos marejarem e as letras na tela embaçam por alguns segundos. Bebo mais um gole do chá, canela e gengibre, e volto a enxergar.

E o que há de errado, você me pergunta? E eu te digo, nada! E eu me pergunto, o que há de errado, Jurema? E me respondo: o mundo! Decepções, ansiedades, prazos, a loucura das pessoas. Existe algo de muito libertador em trabalhar de casa, estudar, fazer seu horário. E existe algo de muito tedioso, brochante e carregado em expectativas frustradas e ansiedades em escrever e reescrever o mesmo texto por dois anos. Em marcar e ter aulas particulares desmarcadas, em planejar breves viagens de fim de semana e ver a chuva cair, e a mochila voltar pro armário intacta, em fazer planos e eles serem esmagados pelo dia-a-dia inescrupuloso da vida na cidade grande, a cidade que não dorme, onde ninguém tem tempo, ninguém se vê, e um simples café é remarcado 3 ou 4 vezes antes de dar certo, se é que vai dar.

O celular vibra, incessantemente, 24h por dia, 7 dias na semana. Quantas mensagens e ligações são de fato, mensagens para você? Amigos, conversas, familiares? 2 ou 3 talvez, em uma semana boa. Trabalho, negócios, prazos, congressos, eventos, discussões nulas, negociações, preços, consultas, essas ocupam as outras horas todas. Mais uma vibrada, e eis que às vezes são familiares ou amigos de verdade. Pontos de luz. Problemas que se destravam, amizades que se renovam.

Alguns dias são tranquilos, e estar em casa é estar em paz. Alguns dias são angustiantes. Alguns dias são tristes e chuvosos. Alguns dias são de picnic no parque e caminhadas que renovam o amor pela vida. O chá, sempre fiel, ajuda. E a música, essa cura, resolve, acalma a respiração, me traz pro eixo de novo. Se escrevo isso agora é só porque fiz uso do meu remédio preferido, acabei de ouvir Beyonde the Missouri Sky inteirinho de novo. Mais uma vez. Só assim pra conseguir ao menos desabafar. Já compartilhei esse remédio dos anjos mil vezes com vocês. Deixo aqui de novo, novamente, sempre, e pra sempre, a música que me acalma, me traz pro eixo, de um tanto que a tenho na pele!

Que amanhã possa ser um dia de mais eu e menos mundo!

Beyond the (missouri) sky

Tem tanto dentro de mim que hoje eu sou só confusão. Por isso hoje as palavras não saem. Fica a música. Ela que me entende. Ela que me liberta. Compartilho com vocês um pedacinho do meu céu, do meu refúgio. Foi o refúgio da minha mãe e hoje acabou sendo o meu.

Hoje é um Bloquinho de 3 + 10. O álbum segue completo, porque hoje não estou fazendo trocadilhos, hoje não tem samba, nem roda gigante e nem Juliana.

Hoje tem pedidos infinitos de um pouco de paz. De conexão com algo que faça sentido. Tentativas de não me perder em mim mesma, ou nesse mundo (cruel).

Tendo as primeiras notas da última música gravadas na pele, desejo a todos umas gotas de espiritualidade e paz.