Trilha Solsona – Pont de la Frau

08/01/17 – Trilha por Solsona, até a Pont de la Frau

Fomos mais uma vez para uma província vizinha, agora mais ao sul, onde os picos são mais baixos e os vales mais largos. Na província de El Solsonès, o clima e a paisagem são mais amenos do que os de ALt Urgell, e por isso essa trilha foi bem fácil de completar, comparando com outras que já fizemos. O percurso foi:

Solsona – Pont de la Frau – Barranc de Pallares – Castellvell – Solsona

O caminho começa na própria cidade de Solsona, capital da província, uma cidade que não tem mais de 10.000 habitantes, mas tem um centro histórico realmente incrível! Seguimos por uma trilha que indica a Pont de la Frau dentro da própria cidade. O roteiro que tínhamos visto em casa seguiria para o camping El Solsones, mas preferimos seguir pela trilha que encontramos pessoalmente, quase margrando o Riu Negre pelo lado leste. Passamos por algumas propriedades rurais muito bem cuidadas, como um pequeno haras e alguns casarões reformados, até que a trilha entrou por um bosque mais fechado. De repente, vimos uma imensa coluna de pedra e percebemos que já estávamos embaixo da tal ponte. Ela é realmente altíssima, apesar de assustadoramente estreita. Subimos a encosta oeste do rio e chegamos até o começo da ponte, a qual não tivemos coragem de atravessar… Havia gelo em um trecho sombreado, e uma queda ali certamente seria fatal. Não vimos motivos para arriscar.

Seguimos então de volta para a cidade pelo lado oeste do rio, onde o bosque as vezes adquire uma inclinação absurda e repentina. Não tente passar por qualquer uma das ramificações da trilha, se achar um terreno dificil, volte e pegue outro caminho! Depois disso passamos por uma granja bem simples, mas com uma vista maravilhosa para o vale abaixo. Aqui o bosque acabava e atrilha seguia por plantações e casinhas isoladas. Encontramos um corajoso pai andando de bicicleta com umas 4 crianças, que se espalhavam e tentavam ir por outros caminhos com frequencia, enquanto ele pastoreava todos, ao mesmo tempo que carregava quantidades imensas de casacos. As benesses da vida em uma cidade pequena! Em um dado momento a trilha fez um cotovelo bem fechado e logo entramos em um parque meio que saído das lembranças de infância, chamado Barranc de Pallares. Havia mesinhas de piquenique pintadas como cogumelos, havia churrasqueiras no meio de bosques, um pequeno playground, tudo feito de maneira simples e cuidadosa. O local era tão acolhedor que acabamos passando reto pela curva da trilha e demoramos um tempinho para nos realocar.

Dali, a trilha segue por baixo da estrada, por um cano gigante, seguindo por uma encosta de pedra onde uma mesinha de piquenique foi instalada logo abaixo e mais um pequeno parque pouco acima desta encosta. Depois dessa breve interrupção para espaços de lazer, novamente o caminho segue por entre propriedades rurais e bosques, enquanto contorna o morro no qual está o Castellvell. Não muito longe dali, a estrada passa e leva em pouco tempo até o próprio castelo, que é uma miríade de coisas, menos um castelo. Há uma torre, um pomar, uma igreja e uma habitação que parece ser eclesiástica, mas nada é exatamente uma fortificação. De qualquer maneira, o Catellvell fica logo acima de Solsona e dá uma vista bem aberta para a cidade e para a região em volta, onde o terreno ondula mas não chega a formar montanhas ou colinas. Voltamos para a cidade por uma pequena trilha que sai do “castelo” e entra por um bairro afastado de Solsona, onde algumas casas realmente impressionantes pairam sobre o resto da cidade. Tivemos alguma dificuldade em dar a volta ali, pois poucas ruas desciam na direção que queríamos, mas eventualmente conseguimos dar a volta.

Não foi a trilha mais bonita ou mais desafiadora que fizemos, mas tivemos uma excelente sensação de estar em um ambiente mais tranquilo, mais adequado para famílias do que para aventureiros. O caminho menos acidentado e a presença de campos de agricultura dão a sensação (real) de que estamos em uma zona rural, mas não selvagem. Além do que tivemos a oportunidade de rever Solsona e aproveitar também os cuidados incisivos de alguns imigrantes que montaram um restaurante e eram os únicos que estavam aberto no domingo! Sempre procure pelos Doner Kebabs se quiser comer bem e barato!

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Pont de la Frau

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Desvio da trilha ao observar o parque 

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Chegando ao Castellvell pela estrada

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Solsona, já ao entardecer

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Na volta paramos em Organyá, só para eu tirar foto dessa árvore de natal linda deles! (by JuReMa)

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Sant Aniol de Aguja – Trilha 4

22/12/16

Trilha 4 – Sant Aniol de Aguja.

Essa foi nossa primeira trilha dessa série que não se passou em Alt Urgell. Fomos até a Garrotxa e fizemos a famosa trilha de Sant Aniol. Na verdade, a Juliana teve um problema com o calçado dela na neve e precisava ir comprar um novo, mas as Decathlons ficam realmente longe de onde estamos. Então aproveitamos a viagem para visitar uma série de lugares no caminho e fazer essa trilha, que eu já conhecia, mas que nunca é demais fazer de novo. O esquema da viagem foi:

La Seu d´Urgell – Ripoll – Olot – Castellfollit de la Roca – Argelaguer – Tortellà – Sardenes à Sant Aniol e volta – Pont de LLierca – Besalú – Girona – Solsona – La Seu d`Urgell.

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Mapa La Seu – Ripoll – Girona (ida)

O único trecho a pé foi de Sardenes a Sant Aniol mesmo, o resto foi todo de carro, até porque as distâncias são imensas. Mas acabamos conhecendo ou revisitando uma série de cidadezinhas no caminho!

Saímos bem cedo de casa, às 6h00. Mas só começamos a dirigir às 6h20 porque demora pra tirar o gelo de cima do carro! Uma parte da estrada até Ripoll e dali até Girona passa por trechos muito sinuosos de montanha, e foram necessárias algumas paradas pra Ju se recompor da náusea do caminho, um inferno da labirintite e da teimosia em tomar iogurte mesmo com intolerância à lactose. Paramos para ver a cidadezinha de Castellfollit quando o sol ainda estava aparecendo. Essa cidade é frequentemente citada em listas de vilas pra se conhecer, mas eu sinceramente não achei tudo isso, ela é muito mais imponente vista da estrada. Paramos novamente em Tortellà, vila pela qual eu tenho uma imensa simpatia! De lá seguimos para Sardenes e começamos a parte importante: a Trilha!

O caminho leva 4h ida e volta, mas fizemos uma volta não planejada mas bem vinda e demoramos mais. A trilha segue pelo vale do rio Llierca, então se feita corretamente não incluirá muitos desníveis. Fato é que ela não está muito bem sinalizada como costumava ser e passamos reto por um trecho onde deveríamos ter cruzado o rio por sobre umas pedras… Resultado foi que pegamos uma subida imensa em direção das ruínas de Talaixà. Antes de chegar a Talaixà, porém, a trilha bifurcou e corrigimos nosso caminho. Essa subida nos deu uma bela vista do vale e também passagem pelo terrível Salto da Noiva!

O mapa do wikiloc (recomendo fortemente para mapas de trilhas) não marca exatamente o trecho que fizemos justamente por causa do desvio, mas é bem similar. Na hora dá para seguir as placas Salto de la Nuvia caso queiram suar frio um pouquinho!

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Trilha a pé: Sadernas – Talaixá – Sant Aniol de Aguja (wikiloc)

O Salto da Noiva é um trecho de trilha onde ela estreita bem num ponto onde a inclinação da ribanceira se inclina abruptamente. Somado a isso, o paredão de pedra se protunde para fora. Felizmente o pessoal daqui teve bom senso e botou umas correntes pra quem passa poder se segurar. Mas ainda assim é um pouco assustador. Alguém colocou junto ao trecho um véu branco, referência a história do lugar e detalhe macabro para o caminho. Diz a lenda que uma noiva que ia de Talaixà para a igreja Sant Aniol para se casar se matou pulando dali. Eu pessoalmente acho bem provável que ela tenha caído mesmo, mas deixemos a noiva e suas motivações no passado.

Deste ponto em diante, a trilha desce até a Igreja. Ela estava trancada, mas foi possível ver pelas grades o seu interior escuro. A construção, como tudo por aqui, é de estilo lombardo e beira os 1000 anos de idade. Paramos para comer nesse ponte e depois seguimos para cima do Llierca, onde há uma piscina natural absolutamente maravilhosa. Apesar do frio e da falta de toalha, resolvi dar um pulo na água e até agora não sei se me orgulho ou me arrependo do feito. Mais acima do rio há um cânion que segue até uma cachoeira, onde não há mais passagem. A altura dos paredões e a cor da água impressionam nesses dois trechos.

A volta foi mais simples, achamos a trilha que havíamos perdido antes. Não é uma trilha difícil, mas também não é do tipo que todas as idades e condições físicas podem fazer. É preciso um mínimo de agilidade e mobilidade para os trechos pedregosos ou para atravessar o rio. Também a distância não é pequena, e é importante ter um mínimo de resistência física e planejamento para não terminar muito tarde.

Ao pegarmos o carro de volta, seguimos até a ponte sobre o rio LLierca, mais abaixo. A sua altura e sua construção em arco único marcam o vale. a profundidade do rio nesse trecho parece imensa, principalmente visto de cima dos mais de 20m de ponte com mureta baixa. Seguimos para Besalú, onde outra ponte imponente, com portões e seteiras, marca a entrada antiga da cidade.

Ao chegar em Girona, já estava tarde e pegamos trânsito. Muito trânsito. Acabamos não conhecendo o centro velho e nos concentrando nas compras que deveríamos fazer. Se a Ju reclamar novamente de frio no pé, eu sinceramente não sei que outro calçado ela poderia escolher. A nova bota dela só falta fazer café. Eu peguei uma bota mais simples mas também para neve, além de uma luva impermeável. Temos planos grandes para os próximos dias!!

Na volta, pegamos a auto estrada que vem por baixo das montanhas, passando por Vic. Fizemos um caminho novo que passava por Solsona. Já passava das 10h30 da noite quando, encantados com a capital da província vizinha, paramos para rodar a cidade. Solsona é uma joia bem cuidada e lapidada. As construções são maravilhosas e imponentes e a vida noturna parece bem animada, a despeito dos seus poucos habitantes. Havia também o que parecia uma fortificação em cima de uma colina. Estava bem iluminada, diferente do caminho que levava a ela. Por isso achamos melhor visita-la em outra ocasião. A volta de Solsona a La Seu foi tranquila, apesar do sono. Chegamos de volta em casa quase a meia noite e eu nem sequer lembro se tomei banho ou dormi direto.

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Girona – Vic – Solsona – La Seu (volta) 

Foi um dia cheio, com uma trilha icônica e única, conhecendo uma série de cidades tradicionais da região. Só seria necessário dois dias parados para recuperar a energia!

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Castellfollit de la Roca  – Ainda tava cedo, frio e um tanto escuro desse lado da montanha

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Catellfollit de la Roca

 

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Castellfollit de la Roca

Início da trilha a pé por Sadernes. Esse rio lindo é o Llierca:

Montanha a cima e El Salto de la Nuvia. Nas fotos não fica tão claro, mas o sufoco do Salto é que a passagem é realmente muito estreita, de um lado a montanha desce escarpada muito alta e íngreme e do outro as pedras se projetam por sobre a trilha, deixando um espaço muito pequeno pra passagem, em curva. As fotos com o tecido branco, alusão ao véu da noiva,  são um pouco abaixo do ponto exato do salto e marcam o local. As marcas coloridas na pedra são pintadas por todo o caminho, em árvores, troncos e pedras e cada cor marca uma trilha:

Chegada a Sant Aniol, ruínas, a igreja propriamente dita e o rio acima, com as quedas e o ponto final. Além de claro a comprovação do banho de água gelada em pleno solstício de inverno:

A ponte sobre o Llierca, que vale a pena parar pra ver:

Besalú e a ponte, já com pouca luz:

De Girona e Solsona ficamos devendo as fotos, nem câmera, nem celular, nem nós tínhamos mais bateria. O dia foi intenso, mas incrível!