Pic de Medecourbe

Essa foi uma trilha que fizemos eu e o Picot, já que a Ju estava em Barcelona fazendo um curso. A escolha foi feita de maneira bem simples: eu queria chegar até a divisa de Andorra, França e Espanha (em uma delas, porque há duas fronteiras tríplices dos dois países). O lado leste nós já havíamos passado perto, então decidi ir até o lado oeste.

O caminho até o início passa por uma vila chamada La Massana, que me surpreendeu pela tranquilidade, apesar da maneira como Andorra costuma ser. A vila é bem bonitinha, bem menos apinhada que a capital, que fica poucos quilômetros abaixo. Passada essa vila, chega-se a um local chamado Arinsal, onde funciona uma estação de esqui no inverno. Ali existe um pequeno estacionamento para o Parque de Comapedrosa, um dos parques naturais de Andorra. Neste estacionamento é permitido deixar o carro por até 3 dias, para quem quiser caminhar por mais tempo. O parque recebe esse nome por causa do pico homônimo, o mais alto de Andorra, sendo 30 metros mais alto que o Medecourbe, mas ele não faz divisa com lugar nenhum, não atendendo aos meus estranhos critérios de escolha… A trilha toda possui fontes em intervalos regulares, então leve uma garrafa pequena, não fará muita falta levar litros e litros de água!

O começo do caminho já mostra o sufoco que vem pela frente. Em menos de 8km de subida, o desnível chega a mais de 1.400 metros. A trilha toda segue em uma inclinação brutal, salvo por poucos momentos, como o Pla de l´Estany, um grande campo plano onde se juntam diversos córregos que descem a montanha. O tempo total de subida até o Pico foi de 5 horas, considerando as pausas para descanso, que foram várias e fartas. Durante o percurso passa-se por diversas casas, e em algumas delas umas famílias pareciam passar um dia de descanso. Não sei se são propriedades particulares ou se são alugadas, mas não há nada que impeça de passar perto delas. Não há cercas ou placas proibindo. Passa-se também pelo refugio de Pla de l´Estany, que é construído de maneira idêntica a outro refugio de Andorra, o de Perafita. Deve ser alguma diretriz dos parques. Neste ponto alguns senhores guardavam equipamentos de cozinha e brincavam com um drone. Eles subiram de carro até ali, não se com permissão, pois é vedado para veículos que não sejam do próprio parque. Mas Andorra é um país de uma elite que não conhece limites, então é difícil dizer se eles usam da posição para subir ou simplesmente desrespeitam as regras. Para além desse refúgio, não há mais construções confiáveis, somente um barraco de metal, para que ninguém morra caso se perca por ali.

Do Pla de l´Estany o caminho serpenteia montanha acima, passando por uma pequena cachoeira. Neste ponto, um grupo de mais de 20 idosos franceses descansavam, e ao me verem perguntaram avidamente sobre um lago de trutas. Não sei se eles estavam muito perdidos ou só um pouco, mas sinceramente não sei do que falavam. Ainda mais acima dessa cachoeira, finalmente estão os Estanys Forcats. São 3 lagos de água verde acinzentada, muito limpa. os dois lagos inferiores são maiores e ficam no mesmo nível, ao lado de um deslizamento de pedra imenso. Ao subir por este deslizamento é possível ver o terceiro, que fica separado do lago do meio por um paredão imenso. Este terceiro lago é menor e mais turvo. Quando ele se torna visível, a trilha simplesmente desaparece, e, para chegar ao topo do Pic de Medecourbe é preciso completar o caminho com uma escalada.

Não chega a ser uma escalada profissional, mas é um trecho que eu não vejo possibilidade de subir sem utilizar as mãos. Guardei o meu walking stick e comecei a procurar entre as pedras os caminhos mais seguros. O Picot, por sorte, é um excelente alpinista, pulando corajosamente entre as fendas. Os trechos muito verticais para ele não são problema, pois ele rapidamente dá a volta na pedra e acha outro caminho. Somente uma vez na subida toda eu tive que pegá-lo pelo cangote e puxá-lo para cima na força. Conseguimos dessa maneira nos aproximar do Pico, que se encontra em uma imensa linha de picos interligadas, formando um paredão. O ponto específico é identificável por um bastão de metal preso entre algumas pedras. Ao chegar no topo, a vista subitamente se abre para a França, de frente para um imenso vale, onde estão o Étang de Medecourbe, mais próximo, e o Étang de Soulcem, mais a frente, imenso! Também é possível manter a vista para os Estany Forcats de Andorra e para os Estanys de Baiau, na Espanha. A vista para três países, cada um com seus lagos!

Paramos para descansar e apreciar a vista. O Picot ficou encantado com o lugar, olhando fixamente para o vale abaixo. Acho que já falamos isso, mas ele aprecia genuinamente as vistas, pulando em todas as muretas que bloqueiam sua visão e já chegando até ao ponto de pedir para atravessarmos a rua só para subir em uma mureta e ver o rio de Tolouse. De qualquer forma, ele só interrompeu o seu estado contemplativo para dividir uns pedaços de queijo comigo. Quando iniciei a descida, ele ficou um pouco para trás, aproveitando os últimos momentos. O caminho de volta foi complicado pelas dores de impacto nos joelhos. Mesmo com o walking stick, a inclinação era muito acentuada e por duas vezes eu caí por pisar em falso. Foram aproximadamente 2 horas e meia de caminhada sem parada para chegar de novo ao estacionamento.

Essa trilha não é, de maneira nenhuma, recomendada para as pessoas que não tenham um bom preparo físico e experiência em montanha. Foi um dos locais mais bonitos que eu visitei na região, mas a exigência de resistência e agilidade superam quase todas as outras trilhas já descritas.

La Seu - Arinsal

Mapa La Seu – Arinsal (carro)

Arinsal - Medecourbe

Arinsal até o estacionamento do parque. O Google não marca a trilha a pé, que certamente não corresponde a esse pontilhado.

Medecourbe wiki

Busquei no wikiloc algum mapa dessa trilha, mas não encontrei nenhum que tenha feito exatamente o mesmo trecho, esse, por exemplo, faz uma trilha circular, passando também pelo Pic Comapedrosa, mas ao ler o texto e compará-lo com a foto dá para se ter uma boa ideia da trilha feita. Fonte wikiloc 

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Aiguestortes

08/09/17

Um dos locais mais famosos dos Pirineus é o Parc Nacional d’Aiguestortes, localizado no Noroeste da Catalunha, entre Val d’Aran e Pallars Subirà. A região é bastante despovoada, com menos de 20 mil habitantes entre as duas comarcas. Isso ajuda tanto na preservação da natureza quanto na sensação de isolamento, já que para chegar lá é preciso passar por imensos vales com apenas algumas esparsas vilas. Claro, durante fins de semana e dias festivos os parques são muito visitados, os catalães dão o devido valor para a natureza, sendo o excursionismo uma atividade disseminada pela região. Nós resolvemos criar vergonha e ir conhecer o local, que fica a aproximadamente 1h30 de viagem de onde estamos, e onde não havíamos ido até semana passada… O parque engloba uma série de vales profundos, regiões altas de montanha e agrupamentos de lagos de degelo. Um dos agrupamentos nós já descrevemos na trilha sobre os Colomers, mas o lago mais famoso da região é o Estany Sant Maurici, ladeado por uma cadeia de montanhas onde se encontra os famosos Encantats. Fizemos nossa peregrinação ao local, aproveitando para passar um pouco desse ponto, incluindo mais lagos na nossa visita, além de uma bela cachoeira e um “refúgio” de montanha.

A estrada até lá está muito bem sinalizada e preservada, exceto pelo trecho final, mas nada que comprometa a passagem, pelo menos no período sem neve. O acesso se dá mais ao norte de Sort, por uma cidade chamada Espot, que concentra escritórios para atividades esportivas de natureza e hotéis em sua pequena área. Dali, logo se chega a uma portaria, onde fica o carro. Seguindo a pé, o caminho é bem preservado e fácil para quem tem algum preparo físico, subindo levemente por um bosque por alguns quilômetros até o tal lago. No caminho, já é possível avistar os Encantats, uma montanha gigantesca e bastante recortada.

O lago em si é bonito, mas certamente não o mais impressionante que vimos até agora. O que colabora muito para classificá-lo como o mais famoso lago de montanha da Catalunha é o ambiente no entorno, com bosques de pinheiro e montanhas altas, enquanto os outros lagos já estão muito mais altos, em regiões acima de onde crescem árvores e muito perto dos picos. Também colabora o fato de ser muito acessível, tendo pessoas idosas e crianças feito a caminhada sem nenhum problema, além de um acesso por estrada para deficientes. Isso democratiza bastante o acesso, certamente. O lago de Certascan é muito mais bonito, por exemplo, mas o seu entorno é muito estéril e o acesso é praticamente impossível para quem não tem uma boa condição física. De qualquer maneira, o Sant Maurici é um local que merece a fama que tem, sem dúvida. Um outro ponto interessante do lago é que ele foi ampliado artificialmente com uma barragem. Nestes pontos ele é igual ao Lac Major de Colomèrs, diferindo dos lagos mais “naturais” como os de Perafita e Malniu.

Continuamos a trilha contornando o lago pelo lado norte. O caminho sobe seguindo um pequeno rio, que logo forma uma bela cachoeira, também bastante acessível. Ela não é grande, e também não chega a fazer uma queda vertical, mais deslizando pela pedra do que propriamente caindo. Mas a vista dali é de tirar o fôlego, mais do que já foi tirado com a subida até ali! É possível ver trechos do lago mais abaixo, por entre a mata. O caminho continua e logo a frente passa a linha das árvores. Isso é uma coisa muito curiosa em montanhas, há uma linha bem definida acima da qual as árvores não crescem mais. A vista fica muito mais aberta, mas tanto o sol como a secura ficam impiedosos. De qualquer jeito, segue-se por esse trajeto, contornando a estrada de montanha até o refugio de caminhantes Amitges.

Este refúgio de caminhantes não é exatamente nem um refúgio e nem de caminhantes… Muitas pessoas menos preparadas fisicamente, mas que querem curtir a altitude, pagam os jipes em Espot para serem levadas até ali. O local se converteu em uma espécie de hotel rústico, com direito a carregadores de mala que, em vez de táxis, dirigem LandRovers. Veja bem, nada contra esse tipo de turismo, desde que ele respeite o ambiente. O problema, na minha opinião, é a elitização do acesso, fazendo com que os caminhantes reais não tenham um local acessível para descansar durante as trilhas de mais de um dia. Também deixa evidente o confronto entre duas visões opostas de mundo, a visão daqueles que querem desfrutar da natureza em seu estado mais real e bruto, misturando-se a ela durante dias de estoicismo, com a visão de quem acha (e está certo) de que o dinheiro pode comprar os melhores locais, com as melhores paisagens, sem esforço ou comprometimento físico e ideológico. Fica claro qual das visões está lentamente eliminando a outra…

Passando o refúgio, chegamos logo a mais dois lagos, estes já de alta montanha. aproveitamos para nós refrescar um pouco (eu e o Picot, a Ju não!) e apreciar a paisagem antes de descida de volta. Lagos bonitos, mas nada páreo aos Colomèrs, que estavam a uma curta distância de nós neste ponto, do outro lado dos picos que nos cercavam. Para quem gosta de caminhadas longas (e, principalmente, não deixou o carro no estacionamento) essas trilhas de travessia ainda são muito bem preservadas nos Pirineus, mas dá a impressão de que já houveram dias melhores para os caminhantes. O caminho de volta transcorreu muito mais rápido, pois não precisamos parar para descansar.

No geral, eu achei que o parque merece sim a fama, que seja pelo menos por tornar acessível à todas as pessoas as belezas das montanhas. Mas se alguém quiser conhecer aquele canto único, onde quase ninguém vai, a raridade, não deposite suas esperanças aqui. Em nenhum momento ficamos plenamente sós na trilha, o barulho de conversas era constante (inclusive as nossas) e os jipes passavam com frequência por nós. A quem procura um canto reservado, minha dica é abrir o google maps, procurar os lagos mais próximos dos topos das montanhas e mais distantes das estradas, e então descobrir por conta como chegar lá!

La seu - Parking Sant Maurici

La Seu – Espot – Parking Saint Maurici

trilha Sant Maurici - refugi amitges

Estany Saint Maurici – Refugì dels Amitges (Trilha disponível para download

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O Estany de Saint Maurici

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Els Encantats

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Continuamos a trilha

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Lagos acima do Refugì dels Amitges

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Estany de Malniu

05/07/17

Em Agosto nós relaxamos um pouco e acabamos não fazendo trilhas originais. Repetimos algumas pequenas, até chegamos a dromir em um refúgio aberto, mas não havia nada de muito novo para contar. Até que na última terça resolvemos fazer uma caminhada pequena, mas nova, até o Estany de Malniu, só para aquecer e nos prepararmos para um grande plano que temos, de passar 2 dias e meio em trilha. Acontece que, como de costume, passamos do Estany e seguimos caminhando um tanto a mais, e tivemos que adiar nosso grande projeto porque nossas pernas não resistiriam… De qualquer jeito, acabamos fazendo uma boa caminhada em um local inusitado!

Começamos o dia um pouco tarde, já que não tínhamos nada planejado e acabamos fazendo isso pela manhã. Fomos com o carro até o Refugi Malniu, que fica a uma distância pequena do lago homônimo. A distância entre eles é de não mais do que 2,5 km de trilha, com uma subida leve. Este trecho estava bem movimentado, sendo constante a presença de pais e mães com suas crianças, deixando claro a facilidade do caminho. Contornamos o lago pelo lado oeste e começamos a subir novamente em direção ao Prat Fondal, uma área plana um pouco acima do lago. A trilha oficialmente acabaria aí, mas nós vimos a chance de subir a encosta mais alta, que divide a Catalunha da França. Tomamos coragem e, saindo da trilha demarcada, começamos a nossa escalada.

O caminho a partir deste ponto foi lento e bastante inclinado. Nós procurávamos a cada 50 ou 100 metros alternativas viáveis para a passagem, pois às vezes nos encontrávamos de frente com paredões de pedra imensos, brejos lamacentos ou vegetação volumosa demais para passarmos. Eventualmente chegamos em um local mais plano e, para nossa surpresa, o que achamos que seria o fim da trilha era na verdade a metade da subida. Não querendo desistir já tendo subido tanto, paramos para descansar um pouco e logo continuamos o caminho. Neste ponto, fomos surpreendidos por um barulho incomum, alguma coisa grande se movendo por perto. Porém não havia som de motor. A Ju avistou antes um imenso planador passando sobre nós, e da segunda vez que ele passou eu percebi que ele vinha acompanhado. Os dois planadores rodaram sobre nossas cabeças por algum tempo e depois desapareceram… Logo alcançamos uma passagem que dava uma vista melhor, e vimos que o resto da subida seria ainda pior. Só tínhamos uma alternativa, porque o vale a nossa frente era extremamente inóspito, e então contornamos a borda mais próxima de nós, que era menos escarpada. Depois de um trecho que oscilava entre caminhada e escalada, alcançamos o topo!

Para a nossa surpresa, quando conseguimos vista do topo, o local não era uma cadeia estreita de picos, como geralmente acontece. Demos de cara com um platô gigantesco e levemente ondulado, onde trechos de um pasto duro e áreas de pedra bruta se alternavam no terreno. Eu sabia onde nós estávamos, aproximadamente, e achei que seria proveitoso andar até a ponta oposta do platô, pois ali havia um imenso vale, já na França. Neste ponto, a vista aberta do local me enganou um bocado, e eu achei que as distâncias eram muito menores do que na realidade. No meio do caminho achamos um riacho tão limpo quanto frio, e aproveitamos para encher a garrafa, que já estava quase vazia (a Ju tinha uma segunda, mas ainda assim).

Durante esta parte toda pudemos apreciar manadas de vacas e cavalos, que eu imagino que estando ali fiquem fora do alcance dos fazendeiros da região, além de bandos de cervos selvagens. Assim que o Picot percebeu estes animais, saiu correndo o mais rápido possível atrás deles. Sendo a vista aberta, achei que não teria problema deixá-lo exercer seus instintos, sabendo que ele não alcançaria nada! Depois de muita corrida, ele voltou exausto, com um olhar satisfeito! Também vimos alguns locais onde pequenas flores vermelhas se alastravam pelo chão, formando vários pequenos núcleos coloridos ao nosso redor.

Ao chegarmos na ponta norte do platô, pudemos dizer que o esforço foi recompensado. A vista do vale é surpreendente, com uma pequena cadeia de picos dividindo-o no meio. Dali conseguimos ver duas cidades francesas e os caminhos que levam delas à área selvagem de Andorra, pela Portella Blanca. Neste ponto, tivemos o diálogo mais incomum do ano, sobre um helicóptero que passava voando a mais de 1km de altura abaixo de nós, de tão alto que estávamos. Descansamos um pouco neste local, apreciando a vista e o frio que fazia ali, antes de iniciar nossa volta.

Seguimos em direção ao lado catalão mais uma vez, passando por uma vaca morte, da qual só restava o couro e os ossos. Foi um pouco mórbido, mas nos mostrou como o local realmente é inóspito. Ao chegarmos nas escarpas do lado sul, demoramos um pouco para achar um ponto adequado para a descida. Mas eventualmente encontramos um caminho que se não foi fácil, também não foi impossível. Atravessamos depois da descida uma região dominada por grande pedras, sobre as quais tivemos que pular, para o desespero do Picot que muitas vezes não dava conta de escalá-las. Mas ele sempre achava um caminho alternativo e nos alcançava. Atravessamos alguns riachos que passavam por dentro de pedras e cavavam túneis no solo, de onde nós ouvíamos mas não víamos a água. Eventualmente chegamos de novo ao Prat Fondal e, desviando de algumas vacas, voltamos até o Lago. Dali, seguimos o mesmo caminho de volta para o carro.

Apesar do cansaço ter nos impedido de fazer a maior caminhada planejada até agora, que seria neste fim de semana, nós já traçamos outros planos e pretendemos fazê-la até o fim dom mês. E também não podemos dizer que não aproveitamos a trilha que nós mesmo inventamos!

la seu - refugí malniu

La Seu – Refugí Malniu

trilha malniu - frança

Aproximadamente a trilha que fizemos

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Estany de Malniu

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Início da subida de fato, no Prat Fondal

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Ache o planador na foto!

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Nessa foto é possível reparar que o lado esquerdo, pelo qual subimos é menos escarpado e cheio de pedras, enquanto o direito é um paredão de areia, impossível de subir

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Atrás da pedra grande é possível ver a parede lisa e inclinada

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O grande platô

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Ache a cidade no vale lá em baixo! Era sobre ela que voava o helicóptero

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A descida foi em meio a essas pedras

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Picot vigiando a fronteira

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Só couro e ossos

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Vista dos lagos lá de cima

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Descemos esse paredão aí

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Bezerro no pasto ou “boi da cara branca”

 

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Estanys de Certascan e Naorte

Estanys de Certascan e Naorte- 03/07/17

Desde antes de vir para a Catalunha que eu tinha vontade de visitar a região desses lagos, tendo visto eles no google maps e marcando com uma estrelinha, pensando no dia que eu os visitaria. Pois bem, agora nós fomos e podemos contar como foi!

Saímos cedo de La Seu, passamos por cima das montanhas que levam a Sort (esse caminho já está ficando conhecido!) e de lá seguimos o vale na direção norte até a vila de Tavascan. A cidade é minúcula, mas possui alguma estrutura para explorar as altas montanhas que a cercam, como hotéis e jipes. Passamos a cidade e entramos na estrada de terra, mas logo nossas expectativas foram frustradas, pois o caminho que subia até mais próximo dos lagos estava fechado por uma corrente e havia uma placa que dizia que só proprietários podiam passar. Sem querer desanimar, estacionamos o carro e seguimos a pé, afinal uma placa de trânsito só pode legislar sobre a passagem de veículos, mas não de pedestres!

Esse contratempo acrescentou em torno de 3h de caminhada ao nosso dia, em torno de 14km a mais de caminhada e imagino que uns 600m a mais de desnível. Isso sem contar a redução de velocidade que tivemos pelo resto do dia, decorrente da fadiga. Certamente a caminhada ainda assim valeu o dia, mas tivemos muito mais dificuldade para terminar e algumas consequencias, como lesões por impacto e queimaduras de sol.

De qualquer jeito, subimos pela estrada até chegarmos em uma cachoeira, no fundo do vale. Até agora não sei o nome dessa cachoeira! Ali, não encontramos mais o caminho (a estrada seguia para outro lado), mas sabíamos pelo mapa que o lago estava pouco acima de nós. Então perguntamos para 2 funcionários do que parecia uma companhia de energia e que trabalhavam ali se eles sabiam o caminho. Eles nos disseram que teríamos que dar uma volta pela estrada mesmo, um caminho bem longo.

Bom, nós não temos tanto apego assim pelos caminhos oficiais, e decidimos então subir pela encosta, acompanhando a cachoeira! A escalada não foi difícil, mas o terreno, apesar de inclinado, estava bem encharcado, e a Ju pontuou que era o primeiro brejo de encosta que ela via na vida! Eu molhei o pé logo no começo, o que me rendeu uma bolha bem incômoda pelos próximos dias…

Após essa escalada off trail, encontramos o caminho já no topo. Seguimos por ele até o refúgio La Porta del Cel, uma casinha muito arrumadinha quase no lago. Ali, fomos avisados para amarrar o Picot, pois o burro que ali habitava não simpatizava com cães e os atacava. E nós, que inocentemente estávamos preocupados com os ursos que habitam a região, quando o perigo real era o burro!

Logo depois disso, chegamos no que talvez seja o lago mais bonito que já vi na vida. Ele se escondia quase no topo dos Pirineus, a poucos metros da divisa com a França. As montanhas em volta eram imponentes, e a água do lago de um azul escuro surpreendentemente transparente. Podíamos ver a uma profundidade que estimamos ser de 15 metros, mesmo ainda sendo muito próximo da margem, já que o lago afundava muito rápido. A água era extremamente fria, e com isso desistimos de qualquer ideia de tentar nadar.

Não ficamos muito tempo ali, já que o atraso da estrada fechada já tinha nos custado muito, e tínhamos horário para chegar de volta na cidade… Pegamos a trilha que saia desse lago e seguia até o Estany de Naorte, menor e em terreno mais baixo. O caminho foi todo pontuado por pequenos riachos de água transparente, onde matávamos a sede e o Picot se refrescava. Ao chegar no Naorte, paramos um pouco para descansar. Esse lago fica em um local bastante curioso. Logo ao lado dele está um paredão, por onde o ponto em que a água sai dele faz uma cachoeira bem alta. A vista do outro lado do lago faz parecer que ele flutua acima do vale, ameaçando cair a qualquer instante!

Deste ponto, a volta foi pautada por uma descida interminável, onde nenhum de nós três conseguiu completá-la impunemente. O Picot se jogava em qualquer sombra que encontrava, a Ju reclamava de dores em locais variados e eu sentia meu pé rachando no ponto em que ele havia molhado. Mas no final conseguimos chegar sem graves consequências, e o caminho de volta foi também bastante tranquilo. Não fosse as imposições de uma propriedade privada em meio a uma área de preservação (o que me deixou bastante irritado, alguém ser dono de um pedaço de um parque natural) teríamos uma experiência menos sofrida para relatar.

La seu - tavascan

La Seu – Tavscan

Tavascan - Camí

Tavascan até o ponto onde tivemos de deixar o carro

Rota dos estanys

Rota aproximada (mal desenhada no paint) que fizemos a pé. O google não reconhece como trilha possível a pé (talvez por isso tenha sido tão bonita e tão dolorida hehehe)!

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A cachoeira

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O dia em que escalamos o brejo!

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Pequeno lago após a cachoeira e antes do refúgio

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Estany de Certascan

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Estany Naorte

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Walden feelings

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Ultimo estany pequeno, antes de voltarmos pra estrada (esse tem acesso bem próximo para carros, mas apenas os jipes autorizados).

(Mais fotos na fan page do Facebook!)

Roca de Canalda

29/04/17

Decidimos meio que de supetão que faríamos uma trilha, então eu procurei alguma coisa bem perto para que pudéssemos fazer uma caminhada em pouco tempo. Tivemos uma grande surpresa em perceber que algumas coisas muito próximas a La Seu são absolutamente incríveis, ainda que pouco reconhecidas!

Tem um site muito bom que dá as melhores sugestões. Pra quem gosta de caminhada e está vindo para qualquer parte dos Pirineus, vale a pena dar uma olhada (http://www.rutespirineus.cat/). Pegamos uma próximo da vila de Canalda, um lugarejo encravado no meio das serras, afastado dos vales principais de região. A estrada até lá já é uma coisa deslumbrante, passando por vistas incríveis dos vales maiores, além de algumas vilas muito bem cuidadas. A vila de Canalda é tão pequena que mesmo dentro dela desconfiávamos que era de verdade uma vila. É um aglomerado de 6 ou 7 casas, com uma igreja no meio, não mais do que isso.

O caminho começa indo da vila até um paredão ao norte, do outro lado da estrada principal que leva a Canalda. Após a aproximação do paredão, há uma pequena trilha sem sinalização clara saindo à esquerda. Claro que nós passamos reto e subimos a pedra toda antes de percebermos nosso erro. Nada de mais, pegamos uma vista boa lá de cima e arrumamos nossa rota. Ao entrar nessa pequena trilha o caminho começa a beirar o tal paredão e então, devido à proximidade, é possível ver diversas cavernas naturais pela encosta, a maioria estando entre 5 e 15 metros acima do solo. Também existem partes de ruínas de antigas fortificações feitas no local. Parte dessas ruínas são atribuídas aos Mouros, no período em que tomaram a região.

O caminho segue por uma trilha bem demarcada, mas há opções que se aproximam mais da pedra, e claro que seguimos pelo segundo. Foi possível encontrar algumas casas em ruína e uma inteira, trancada com um cadeado moderno. Não conseguimos descobrir o que havia lá dentro. Havia também uma pequena piscina natural e uma quase-cachoeira, ambas muito bonitas de se ver. Durante o caminho todo é possível observar muitos pássaros, de corvos a rapineiros, todos fazendo seus ninhos na encosta.

A trilha acaba em um pequeno zoológico, que na verdade mais parece uma granja com alguns animais da região, como esquilos, cervos e corujas. Não entramos, pois o Picot não era aceito, mas pra quem tem crianças imagino que seja uma boa experiência, pois há sessões de vôo das aves e a maioria dos animais são dóceis e podem ser tocados. Na grade, pelo lado de fora, encontramos um cervo pequenino, mas adulto (não sei a espécie exata) que encrencou com o Picot. Ele atacava a grade e bufava, enquanto a fêmea corria por detrás. O Picot tentou se aproximar e latir, mas tanto recuava com as investidas do Jão (apelido que o cervo recebeu) quanto seus latidos finos não ajudavam a impor respeito. No final, demos muita risada da situação antes de sairmos do local.

De volta a cidade, pegamos o carro e passamos por algumas cidades, como Sant Llorenç de Morunys, que nos impressionou com o tamanho (incomum pra localização) e pela beleza das montanhas e da represa em volta, e por Tuixent, que já tínhamos passado perto quando fomos a Pedraforca, mas não paramos lá na ocasião. Também vimos a estação de esquí de Port del Comte, já fechada por não ter mais neve suficiente, e um bairro de mansões que se desenvolveu ao pé da tal estação.

No total, o passeio foi bastante agradável e pudemos conhecer uma regiãozinha escondida, tão perto de La Seu e ao mesmo tempo tão desconhecida!

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Seguimos (na maior parte do tempo) a trilha verde pontilhada (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Os números marcam os pontos de interesse da trilha e sua descrição pode ser lida na foto seguinte (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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pontos de interesse da trilha (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Paredão

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É possível ver as Coves dels Moros

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Na foto não fica claro, mas as gotas caíam leves, mas em grande quantidade, formando uma espécie de cortina de água, que embaixo formavam um riacho. Parecia uma cachoeira de fadas! Na fan page do Facebook estão mais fotos e vídeos. 

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Essa era a casa que estava em melhor estado, e ainda com portas e janelas fechadas com cadeado e correntes modernos

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As “Coves” mais baixas são fáceis de entrar e explorar (as mais altas só com equipamento de escalada e vimos vários grampos presos na pedra)

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Jão, o cervo bad boy, pronto pra briga. Para quem quiser conhecer o Zoo:  Zoo del Pirineu

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Vista de Sant Llorenç de Morunys

Para mais fotos e vídeos, incluindo vídeo do Jão brigando com a grade, da cortina de água e outros, confira nossa fan page do Facebook: Fan Page Blog da JuReMa 

Pedraforca

20/04/17

Fazia tempo que queríamos ir até a famosa Pedraforca, um dos locais mais famosos da Catalunha. Mas devido a sua enorme altitude (passando de 2.500m), estávamos esperando a neve sumir para poder caminhar com mais segurança e menos esforço. Finalmente decidimos ir, num momento em que tínhamos visitas do Couchsurf em casa. Dani e Tiziana toparam ir com a gente, sem saber do perrengue que passaríamos todos juntos…

Começamos a trilha mais tarde, pois acabamos fazendo outras coisas antes de sair, e o caminho até lá também não era dos mais rápidos. Longe não era, mas a estrada passa por uma região de muitas montanhas, reduzindo muito nossa velocidade. Eu fiquei realmente impressionado com a beleza das vilas no caminho, que tinham além de uma excelente paisagem, casas muito elegantes e parques bem cuidados. Só imagino que seja proibitivo viver nessas cidades se você tem labirintite…

Chegando no Mirador Gresolet, ao lado nordeste da Pedraforca, começamos a trilha. Foi um caminho bem curto até o Refugi Lluís Estasen, onde o caminho bifurcava. Estávamos com o plano de subir a pedraforca pelo Coll de Verdet, fazendo a volta em sentido anti-horário. Fato é que muito cedo na trilha nós nos perdemos e até agora eu não consigo precisar o caminho que fizemos. Tentamos nos manter sempre o mais próximo possível da escarpa. Quando o terreno permitiu, atravessamos um grande paredão de pedra e começamos a andar em um terreno de grande inclinação, que eu imagino que era a face norte, já que a neve ainda estava bem alta, apesar de dura a maior parte do tempo. Esse trecho foi um terror para nós, mas uma alegria para o Picot, que rolava na neve com veemência!

Depois de sofrer bastante para andar uma distância bem pequena, devido ao tipo de terreno, alcançamos um pequeno lago e as inclinações amenizaram. Seguimos até um campo que dava vista para Gósol, e portanto do lado oeste da montanha. Dali caminhamos até um dos cumes, caminho que o Dani encontrou rapidamente, e pela crista seguimos mais um tanto, felizes de saber que haveria pouca subida dali pra frente. Digo um dos cumes porque a Pedraforca, como diz o nome, se bifurca, apresentando dois cumes distintos.

Ao terminar o trecho que andava pela crista, bastante acidentado e com uma vista incrível, chegamos ao meio das duas cristas da pedra, e então descobrimos como era acidentado o caminho de volta. A descida talvez tenha sido ainda mais lenta que a subida, já que cada passo era um desafio. O solo se soltava com facilidade e os locais para apoio eram pequenos e escorregadios. De certa maneira isso não seria um problema, pois poderíamos ir mais devagar. O agravante, porém, era que só nos restava 2 horas de luz solar…

Eu tentei manter um ritmo na descida, estimulando o resto do grupo. Todos já estavam muito cansados, inclusive eu, mas não havia outra opção viável. No caminho, fomos agraciados com a visão de um rebanho inteiro de o que imagino que sejam cervos. E, torno de 10 deles ficaram nos vigiando a distância, enquanto nosso grupo se recompunha. O Picot se conteve e evitou correr atrás dos animais, mas imagino que nesse ponto até ele já estava mais cansado.

Parece que durante o processo também pegamos um caminho mais longo do que pensávamos, e o tempo para descer acabou sendo absolutamente justo. Saímos da trilha pouquíssimos minutos antes da mais completa escuridão tomar conta do local. A Pedraforca faz jus a sua fama, sendo um local absolutamente maravilhoso, a vista dos cume alcançando regiões vastas. Mas também não é um local para ser explorado sem muito cuidado e preparo. Ficamos com essa lição!

mapa La Seu - Mirador Gresolet

Mapa trilha

Era para termos feito a trilha pontilhada de verde e branco, acabamos dando uma volta aproximadamente equivalente ao tracejado vermelho que fiz sobre o mapa. 

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Subida de inclinações nada suaves 

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Não é efeito de perspectiva: eu estava aqui e eles lá. Haja perna e pulmão. 

 

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Obs: mais fotos disponíveis na fã page do facebook: https://www.facebook.com/blogdajurema/

Congost de Mont Rebei

Congost de Mont Rebei – 02/04/17

Dessa vez eu vou escrever um pouco mais, mas não sem motivo. Juro!

A ideia pra essa trilha veio de fuçar a internet, mas a motivação final veio quando uma companheira de aula de catalão, quando perguntada se havia visitado o Prat de Cadí, perguntou de volta se havia ônibus para lá. Com a resposta negativa da professora, veio junto uma cara de frustração e desolamento da aluna. Eu e a Ju não nos aguentamos e a convidamos para caminhar conosco. Fizemos uma lista de locais para visitar, mas a verdade é que o mais bacana de todos e o único sem metros de neve cobrindo a passagem era o tal Congost de Mont Rebei.

Na data combinada então fomos nós dois, o Picot, a Lena (já referida) e a Marion (que também fazia aulas, mas naquela altura já tinha parado) para o Congost. Saímos às 9h e depois de uma longa viagem de 2h30 com direito a uma volta desorientada pelo Território de Aragão, chegamos ao destino. O caminho não é difícil, mas o trecho final, já perto de Pont de Montanyana (sim, escreve assim) é mal sinalizado. Quase tive um enfarte quando chegando lá o guarda da entrada perguntou se eu tinha reserva. Mas ainda haviam vagas de estacionamento livres e isso não fez diferença dessa vez.

Começamos a trilha em meio a uma multidão de gente, devido ao lindo dia de sol, ao fato de ser domingo e também por ser uma das trilhas mais famosas da região (o que, aliás, é plenamente justificado). Caminhamos por um trecho plano e aberto até termos que atravessar uma ponte de metal que cruzava um pequeno desfiladeiro. O Picot achou a ponte perturbadora, mas corajoso e disciplinado como é, atravessou sem reclamar muito.

Logo mais a trilha começou a inclinar, ate chegar a um caminho cavado na pedra, já no paredão do tal Congost. A vista dalí é um tanto assustadora, pela inclinação da queda e pelas dimensões da natureza em volta. O paredão é imenso, e ao olhar para o outro lado e ver o equivalente em outra perspectiva, a sensação de pequenez toma conta da gente rapidamente. A água abaixo é de um tom esverdeado esmeralda que reflete bem a luz do sol, quando essa entra pela abertura do cânion.

Depois de um bom tempo caminhando pelo estreito e movimentado corredor, a trilha finalmente sai do paredão e desce consideravelmente em direção ao rio. Em um trecho ensolarado e pedregoso que pensávamos que podíamos tentar nadar, paramos para comer. Depois disso o bom senso falou mais alto e procuramos um local mais seguro para o banho. Ali era fácil entrar na água, mas parecia realmente difícil de sair depois…

Seguimos a trilha convencional até uma segunda ponte, que atravessa pro outro lado do rio, território aragonês. subimos um trecho bastante inclinado e com uma pedra bastante lisa compondo o caminho. A Lena argumentou que a pedra parecia engordurada, e a Marion nos disse que se quiséssemos seguir sem ela, ela esperaria ali para não nos atrasar, sem saber ela que nós também já estávamos acabados!

Voltamos até o ponto anterior a segunda ponte, onde eu tinha visto antes um píer de madeira no final de uma trilha secundária. Lá nos preparamos pra nadar, mas a maioria do grupo só pulou rapidamente na água e já saiu para o sol, pois estava realmente gelado lá dentro (não tanto quanto na Cascada del Molí, mais ainda assim bem gelado!)

O caminho de volta foi bem tranquilo e, devido ao nosso cansaço, mais silencioso. Também pelo horário, o caminho estava muito mais vazio. Aproveitamos para dar uma última olhada nos precipícios imensos e nas variação de cor de acordo com o horário. A Marion bem observou como as árvores abaixo de nós estavam com uma tonalidade arroxeada, por exemplo. Já no carro, voltando para La Seu, eu e a Ju conversamos longamente com a Lena sobre as possíveis escolhas para o futuro (ela logo mais terá que escolher uma faculdade), enquanto a Marion tirou um cochilo invejável.

Enfim, o dia foi extremamente agradável, em um local maravilhoso e com excelente companhias. O Picot exultava de felicidade com uma matilha muito maior do que estava acostumado e acho que todos nós pudemos aproveitar fartamente o dia!

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Prat de Cadí

 18/03/17

Depois de um bom tempo sem uma caminhada original pra relatar, resolvemos seguir o conselho de um amigo e explorar a região próxima à face norte da Serra de Cadí. Achamos no nosso mapa algumas marcações que pareciam interessantes e seguimos o caminho até lá!

Pegamos a estrada até Martinet, cidadezinha que faz a divisa da Cerdanyà com Alt Urgell. De lá pegamos a estradinha para Estana. Tivemos a surpresa de cruzar com uma região de bunkers (também especificado por esse amigo), construídos ali, segundo a placa, devido ao medo que Franco tinha de uma possível invasão francesa. A sequência de fortificações e túneis parece aberto em outros dias, mas não no sábado… De qualquer jeito, é bem interessante reparar nesse trecho da história dos Pirineus.

A subida até Estana é longa e tortuosa. Dá pra sentir a temperatura caindo e o vento intensificando. A vila em si é muito charmosa, e tem uma vista privilegiada da serra. Há, no início da trilha, depois de passar a cidade em uns 700m, um estacionamento. Mas nós não sabíamos e paramos na cidade mesmo, o que foi bom, pra poder observar as casas reformadas que provavelmente servem para veraneio.

A trilha segue bem demarcada e sinalizada, apesar de ser em boa parte bem acidentada. Também é uma das mais movimentadas que fizemos até agora, junto com a dos Estanys de la Pera. São obviamente as mais famosas, não à toa, pois são também as mais bonitas. A inclinação do caminho é leve, mas constante. Só um trecho escapa disso, e a neve abundante exatamente ali fez a subida um pouco mais delicada. Vimos, na volta, um grupo de senhores e senhoras desistir da caminhada exatamente nesse trecho. Porém, não estavam com nenhum equipamento específico e apesar da disposição, não pareciam ter a mesma mobilidade de décadas atrás. Mas com exceção desse trecho, o caminho todo até o Prat é fácil, seguindo principalmente por entre bosques e só eventualmente saindo para algum trecho aberto.

A chegada ao Prat é para deixar claro porque a trilha é famosa. De repente, o campo se abre em um platô logo abaixo da Serra de Cadí, com as imensas pedras que formam a espinha tão próximas que é possível ver seus detalhes. O campo estava todo nevado, e se alguma parte já derreteu, eu não quero saber como estava antes! Não levamos equipamento adequado porque não achávamos que seria necessário. Mas afundamos até a coxa na neve, e as mãos doíam de frio ao tentar se levantar. Também tivemos neve adentrando o tênis e a meia, uma sensação desagradável, que nos fez tomar a decisão de guardar nossas polainas de proteção permanentemente no porta-malas do carro.

Algumas pessoas descansavam na lateral do Prat, enquanto outras passavam esquiando pela leve inclinação da região. O Picot ficou realmente impressionado com o fato de pessoas passarem a tal velocidade sem movimentar as pernas. Mas logo depois disso, ele se recuperou e nos ajudou a achar uma trilha para nos aproximarmos mais da Serra sem ter que atravessar a neve. Mas nosso esforço durou pouco, pois logo percebemos que pra qualquer lugar que fossemos a neve nos cercaria.

Voltamos pelo mesmo caminho, agora só na descida. Foi bastante tranquilo, exceto pelas meias molhadas. Conseguimos chegar em casa ainda cedo, não tendo nos desgastado tanto quanto em outras caminhadas. Essa trilha, além de belíssima, também é boa opção pra quem não está com todo aquele preparo físico, mesmo com seu total de aproximadamente 12km.

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Bunkers

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Vista de Cadí em Estana

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Picot rolando na neve

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Chegada ao platô

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Cadí em detalhes logo aí do lado

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A travessia do platô exigia equipamento pra neve, mas não tínhamos no dia

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Arseguel: cidadezinha onde paramos na volta para conhecer. Um charme! 

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Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!