BPM no JuReMa: São Paulo X La Seu

Apesar de hoje já não estar mais morando em La Seu D’Urgell, a experiência de quase um ano nessa cidadezinha de apenas 12.500 habitantes marcou minha vida. Foi uma no off, pra descansar, colocar os pensamentos e sentimentos em dia, descobrir muito sobre meus gostos e vontades, repensar a vida e o mundo, e tentar achar meu lugar nessa interseção. Dia 19/12/17, o BPM publicou meu texto com esse comparativo absurdo entre viver numa das maiores cidades do mundo e numa pequenina.

Coloco aqui algumas frases para dar o gostinho e te convido a clicar aqui e ler o texto na íntegra.

“No Brasil eu já vivi em Brasília e em São Paulo, e embora as experiências tenham sido muito diferentes, são duas grandes cidades, com inúmeras oportunidades e problemas urbanos derivados de seus tamanhos e importância econômica e política. Nem eu nem meu marido nunca havíamos morado em uma cidade pequena, apenas passado algumas férias em lugares menores, mas sem a experiência da vida cotidiana, que é sempre muito diferente.

Quando estávamos avaliando nossas possibilidades de vir para a Europa essa dúvida, entre cidade grande e interior surgiu. Fizemos algumas listas de pontos positivos e negativos, e, por fim, e pelas necessidades e conveniências da vida acabamos parando em La Seu D’Urgell, uma cidade de aproximadamente 12.500 habitantes, na fronteira com Andorra. Para quem saiu direto do centro de São Paulo, uma anomalia em termos de tamanho, uma das maiores cidades do mundo, foi um choque e tanto. Já falei aqui um pouco sobre os choques culturais da chegada, mas dessa vez queria me atrever a fazer esse comparativo tão desproporcional entre as duas cidades.”

SP by JuReMa – Cultura

Falar de cultura em São Paulo é fácil e difícil ao mesmo tempo, justamente pela abundância. Até fiquei receosa de nomear meu post assim, mas resolvi manter e me explicar. Pra mim, no estilo SP by JuReMa a parte “Cultura” não se resume a esse post, mas à serie toda! São Paulo é daquelas cidades que você vivencia a cultura desde que esteja lá e de olhos abertos. Não precisa fazer mais nada. Agora está um pouco mais complicado, com os grafites apagados pelo Dória, numa atrocidade cometida contra a cidade. Qualquer um que olhe SP com olhos de verdade pode perceber a importância do grafite e da arte de rua pra cidade. Mas não é só isso, é ver SP não como a selva de pedra, que ela também é, mas como essa cidade viva, que respira, transpira e aspira cultura.

Existem muitas São Paulos, como em toda grande cidade. Caso você só ande de carro, só fique dentro de shoppings e restaurantes famosos, só vá aos museus conhecidos e em condomínios fechados você vai conhecer uma Sampa. Cheia de cultura e atrativos. Mas mais homogênea.

Caso você ande a pé e de transporte público, vai poder apreciar a confluência de estrangeiros, imigrantes, refugiados, migrantes internos, que fazem essa salada cultural que é São Paulo. No Centro e na Paulista essa diversidade fica mais evidente e a Paulista Aberta, aos domingos é uma excelente oportunidade de ver e ouvir muita arte de rua. O Largo do Paissandu, com a Galeria do Rock, Galeria Olido, e a Praça da República também garantem uma vivência única, além da foto tradicional onde a Ipiranga encontra a São João. Essa é menos arrumada, menos cheirosa, e bem menos tradicional que a São Paulo do guia turístico, mas é mais rica em cores, sabores, idiomas e diversidade.

SP tem inúmeras livrarias maravilhosas em shoppings e nas ruas também. Pra quem é de outros lugares é impressionante o investimento feito nas livrarias. Nunca são só lojas. São experiências. Meu destaque máximo é pra Livraria Cultura do Shopping Conjunto Nacional na Paulista. Essa Cultura não é uma loja, é um complexo. Além dos dois andares amplos e cheios de pufes e pessoas lendo, há um auditório, um cinema, uma outra loja Cultura Art, uma Cultura Geek e outros. Muitos excelentes lançamentos de livros são feitos lá, com discussões com os autores, além de outros debates com convidados conhecidos que acontecem no mínimo uma vez por mês. No fim de semana, pela manhã, também ocorrem exibições de filmes independentes ou que estão fora do circuito tradicional, com discussões após a sessão. É um dos lugares que é indispensável acompanhar a programação. De quebra tem uma Ben&Jerry’s ao lado! ❤

Outro que merece destaque é o Cine Itaú do Shopping Frei Caneca. O Itaú possui dois cinemas próximos, um de rua na Augusta, acompanhado (do outro lado da rua) de um espaço cultural, e o do Frei Caneca, que sempre exibem filmes que não estão no mainstream dos outros cinemas, além dos blockbusters de sempre. Destaco o do Shopping Frei Caneca, pois lá ocorrem as exibições extras de filmes com conteúdo social. No sábado pela manhã há a sessão Cine Direitos Humanos, por exemplo. Além disso eles possuem muitas promoções interessantes em horários pouco convencionais, preços especiais para terceira idade e outros do tipo. Também considero indispensável acompanhar a programação. Ano passado fizeram sessões de graça (ingressos limitados e filas grandes para consegui-los) dos documentários que concorreram aos grandes prêmios internacionais, como Oscar e Cannes.

Ainda na sessão filmes, destaco a Galeria Olido, no centro, ao lado da Galeria do Rock. A Olido sempre tem eventos culturais, teatro e cinema. As sessões de cinema são geralmente R$1,00 quando em festivais. Eles promovem festivais alternativos, de cinema de algum local específico, incluindo os festivais Cine Imigrante, Cine Indígena, entre muitos outros. E tem mate com açaí e bauru vegano em frente!

O Centro Cultural São Paulo, mais conhecido como Centro Cultural Vergueiro, também é um espaço imperdível e que vale a pena seguir a programação. Já acompanhei lá exposição com mesas de debate de abertura e encerramento sobre a Questão Palestina, além de exibições de filmes alternativos. O local conta ainda com muito espaço aberto livre (uma raridade em SP) onde muitos grupos se encontram e praticam dança de vários estilos, e só de assistir isso já é um show a parte. Outros grupos ocupam as mesas disponíveis para estudos, aulas, jogos. Além disso há a biblioteca, grande, ampla e iluminada. Quando a claustrofobia da selva de pedra aperta, lá é um bom local pra uma brasiliense espairecer. Ha também exibições de filmes ao ar livre à noite, em algumas épocas do ano.

O Insituto Tomie Otake também merece destaque. Sempre com excelentes exposições, um bom café, e o passeio até a região, que nos fins de semana possui muitas opções de bares a noite, ao redor do Largo do Batata e também ao redor do próprio Tomie Otake.

O Beco do Batman se tornou uma atração, embora oficialmente não seja um instituto nem nada, como o nome diz, é um beco, ou melhor, uma rua, na Vila Madalena, onde muitos grafites adornam a paisagem. O local virou um point, pois a Vila Madalena conta com muitos bares e no carnaval é um dos polos de bloquinhos de rua. Talvez lá o grafite sobreviva.

Um que para mim é um charme é a Casa das Rosas, na Paulista. É um dos últimos casarões da avenida (e da cidade) lá é possível ver as fotos de como era a Paulista no tempo dos casarões e fazer uma visita pela casa (guiada ou não) e perceber como era a vida ali no início da cidade, antes da Paulista virar a avenida dos grandes prédios e centros financeiros.  Além disso conta com um belo jardim (cheio de rosas) onde dá pra tomar um café, trabalhar, ler ou estudar em um local central e tranquilo (combinação um pouco rara na cidade), e à noite há exibições de filmes ao ar livre.

O Teatro Municipal é uma visita obrigatória! O prédio é maravilhoso e permite perceber claramente o que representou a era do café para São Paulo, com todo o dinheiro e importância que a cidade ganhou. A programação conta com opções de música clássica aos domingos pela manhã, que são com valores muito acessíveis (R$9,00, meia estudante R$4,50 e outros valores bem em conta). E ha uma vista linda de uma parte do Centro de lá, especialmente do Viaduto do Chá, que também é ponto turístico tradicional da cidade, cartão postal.

A Sala São Paulo também é imperdível e também inclui conhecer melhor o centro. Possui um ar mais moderno e também oferece opções de música clássica a preços acessíveis em diversos horários, especialmente nos fins de semana pela manhã. Há também a programação normal, com inúmeras atrações ao longo do ano.

Além desses há os centros culturais que também existem em outros estados brasileiros, como o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), Itaú Cultural, Caixa Cultural, que sempre possuem programações muito boas, não vou me delongar sobre eles pois são mais conhecidos, mas é indispensável seguir a programação deles e conhecer os prédios e localidades que também são passeios a parte, especialmente o CCBB e a Caixa que estão no centro.

Existem muitos outros centros culturais em SP e eu realmente recomendo que você procure a programação de cada um deles e descubra os que mais lhe apetecem, para a partir daí segui-los e aproveitar.

SP by JuReMa – Parques e Espaços Urbanos

Ainda na vibe de dicas de SP, vou entrar no meu segundo tópico preferido depois de comida, os parques. Nos quase dois anos que passei em São Paulo, moramos no centro, próximo ao metrô e eu realmente acho que a melhor forma de se locomover na cidade é usando o transporte público. O transito de Sampa é tão famoso que dispensa apresentação e explicações, e para uma brasiliense o transporte público da cidade é um sonho, embora saiba que dada às proporções da cidade ainda deixa a desejar. É possível chegar em muitos parques usando apenas o transporte público e em alguns casos um trecho a pé, mas em outros fica mais difícil. Caso tenha tempo livre, vá mesmo assim de transporte público. Em alguns casos eu ia a pé, mesmo com distâncias mais longas, pois já aproveitava a caminhada até o parque como parte do passeio e do exercício do dia. Fica o aviso de que São Paulo não é pedestre-friendly, ou seja, esteja preparado para ter seu caminho nas calçadas barrado por carros entrando e saindo de garagens, ou só estacionados em locais que deveriam ser de pedestres, além de locais com calçadas ruins ou inexistentes. Ainda assim, eu sempre gostei de andar, então preferia ir a pé sempre que possível.

Estando no centro, entre os que mais costumava ir a pé está o Buenos Aires, também chamado de praça Buenos Aires, em Higienópolis,  Av. Angélica, s/n – Higienópolis, São Paulo – SP, 01228-000, Brasil. Esse era o mais perto de casa. É um parque pequeno, e para os corredores não é dos melhores, a trilha é muito curta, e com subida, mas pode ser uma boa opção pela localização. Em São Paulo a boa localização é a mais perto de onde você está. O Buenos Aires é muito frequentado por bebês com babás, alguns caçadores de pokemon, no auge da febre, e alguns moradores e trabalhadores da região, que se sentam em bancos pra curtir um solzinho de fim de tarde. Há também uma área só para cães. 

Também a pé e a pouca distância estava o Trianon, Rua Peixoto Gomide, 949 – Cerqueira César, São Paulo – SP, 01310-100, Brasil. Localizado na Paulista, o Trianon é maior do que parece, e mais friendly para corredores e caminhantes, embora seja muito fechado e sombreado. O excesso de árvores faz dele um oásis na Paulista, e em dias de semana, em horário de almoço é possível ver muitas pessoas com roupas de trabalho almoçando, comida de rua ou marmitas, ali. No fim de semana lota, e com a Paulista aberta aos domingos, aumenta ainda mais o fluxo de pessoas, sejam os esportistas, as famílias, ou os que só buscam um pouco de verde na selva de concreto. Outra vantagem, além da localização, do metrô tão ao lado que tem até estação com o nome, é o MASP em frente. Para quem quer turistar já é um dois em um! Recomendo também descer até a Lillóri, já mencionada no post anterior, a padaria que contempla todas as restrições alimentares e que fica uma boa andada seguindo do Trianon na direção Jardins.

Ainda próximo ao centro, o Parque Água Branca, é uma boa opção, especialmente pela feira de orgânicos, Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca, São Paulo – SP, 01156-000, Brasil. O parque tem um parquinho grande, área e equipamento para exercícios, e um clima gostoso, embora bem urbano. Também costuma ficar muito cheio nos fins de semana, mas é um bom passeio, e é fácil chegar de transporte público.

Afastando um pouco do centro, indo pra zona sul, temos o maior e mais famoso parque urbano de São Paulo, o Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana, São Paulo – SP, 04002-010, Brasil. É relativamente fácil chegar de transporte público, ônibus, embora você saia em uma das grandes avenidas que circundam o parque e tenha que andar até lá dentro. O Ibira é grande e possui outras atrações lá, como a Bienal, Museu de Arte Moderna, Oca, entre outros. É possível alugar uma bicicleta para passeio, mas se for no fim de semana se prepare para 2h de fila. O parque é amplo, mas a quantidade de gente faz com que a visita seja mais agradável durante a semana, embora no fim de semana existam outras atrações, como diversas aulas gratuitas, de inúmeras atividades físicas e outras modalidades, shows e outras atrações culturais. Há também a feira de orgânicos do Ibira. Apesar de ter estacionamento, não recomendo ir de carro, pois a chance de não encontrar vagas é grande. Algumas vezes fiz o trecho a pé, do centro até lá, e confesso que gosto da caminhada. A ida é tranquila porque é descida, a volta subida, às vezes fazia de ônibus.

O meu preferido é longe, lá onde a cidade acaba, e ir de transporte público significa dedicar um dia à ele, é o Hortoflorestal, R. do Horto, 931 – Horto Florestal, São Paulo – SP, 02377-000, Brasil. Já no pé da Cantareira, o Horto é bem amplo, e mesmo em fins de semana não dá o ar superlotado dos de mais fácil acesso. É também por onde passa a linha do Trópico de Capricórnio, o que pode ser uma atração a parte, especialmente para sua amiga capricorniana que vai querer uma foto lá! Além do lago, existe área para piqueniques, quadras esportivas, e áreas mais amplas. É comum ver muitas famílias, crianças, mais até do que os esportistas. O caminho até la de transporte público envolve metrô até Santana, ônibus até a Rua do Horto e uma caminhadinha até o parque propriamente dito. Ir de carro é furada, pois estacionar perto é quase impossível e a rua de acesso fica completamente engarrafada no fim de semana.

Coladinho no Horto, subindo a mesma rua começa o Parque Nacional da Cantareira, que já é área de preservação, é enorme e incluiu toda uma outra gama de passeios não urbanos. Mas ali na Rua do Horto está o acesso para o Núcleo da Pedra Grande, R. do Horto, 1799 – Horto Florestal, São Paulo – SP, 02377-000, Brasil, que é um passeio mais urbano e pode (e deve) ser feito no mesmo dia do Horto. Esse tem uma taxa de entrada pois é parque nacional de preservação. Quando fui a última vez estava R$9,00 por pessoa. Entrando no parque existem várias trilhas possíveis, ainda nesse Núcleo, e algumas que levam por dentro do parque até outro núcleos, como o Núcleo engordador, mas são trilhas mais longas. Algumas podem ser feitas de bicicleta. A da Pedra Grande é a principal desse núcleo, não é demorada, e embora a subida seja inclinada, a trilha é asfaltada e não é difícil. Chegando lá em cima você é brindado com uma vista incrível da cidade toda. É possível pegar água em algumas bicas e torneiras e na parte baixa do parque há espaço para piquenique. Mas lembre-se que esse é um parque nacional, e são válidas as regras para áreas de preservação. Se você for animado para uma boa caminhada, saia de casa cedinho, vá direto até a Pedra Grande, aproveite a vista quando ainda não tem muita competição para a foto lá em cima, curta a cidade. Volte até o Horto e faça seu piquenique lá. Aproveite o segundo parque e volte no fim do dia! É um ótimo passeio, e pode ser feito com crianças! Caso seja mais aventureiro, vá cedo, e planeje uma das trilhas mais longas e mais naturais do Parque da Cantareira. Sempre se planeje para sair do parque de preservação até às 17h, pois após esse horário o parque fecha.

O Parque da Juventude é dos mais fáceis de ir de transporte público, pois o metrô para na porta, R. Manuel dos Santos Neto, 23 – Santana, São Paulo – SP, 02032-010, Brasil. Esse parque é gostoso, mas também impactante pela sua história, pois ali era o Carandiru. Para quem não conhece a história do famoso presídio, sugiro ler o livro Estação Carandiru, do Dr. Dráuzio Varella, que faz uma narrativa incrível dos anos que trabalhou lá. Há também o filme. A cidade cresceu, abraçou a área antigamente afastada e, eventualmente, o presídio foi demolido. Ainda é possível ver um trecho da muralha e uma parte dos pavilhões. Em 2015 cheguei a visitar a muralha, mas em 2016 ela estava fechada para visitação, podendo ser vista apenas. Há hoje uma biblioteca, um centro de ensino técnico, e uma vasta área aberta. Além da muita grama disponível, há área para cães, uma parte próxima das edificações tomada pelos skatistas, e quadras poliesportivas mais distantes.

O Parque da Independência é também um passeio histórico, pois lá estão as margens do Ipiranga, que foi canalizado, mas deixaram um pedacinho aberto no parque para vermos o “corguinho” da independência, Av. Nazareth, S/N – Ipiranga, São Paulo – SP, Brasil. Infelizmente o Museu da Independência está fechado há anos, mas vou tratar dos museus em outro post da série. É possível ver o prédio do museu por fora, e seus jardins, que são muito bonitos. O parque também conta com gramados e não é tão cheio nos fins de semana, apesar de não ser afastado. Para os mais animados é possível aproveitar as escadas para atividade física.

Existem vários outros parques em São Paulo, como o Villa-Lobos, Aclimação, Burle Marx, Parque do Carmo, mais afastado, mas onde acontece a famosa festa das cerejeiras (cheia, mas vale a pena conhecer), entre diversos outros. Minha dica é sempre levar água e comida estilo piquenique, pois nem todos possuem infra estrutura, e São Paulo tem tanto prédio, trânsito, poluição, gente se esbarrando na rua, que quando vou para parques quero sossego, então nada melhor que um piquenique, para ver o verde e desestressar!

Além dos parques, existem alguns outros passeio em áreas urbanas que valem a pena! A Praça Roosevelt, nicho dos skatistas, com os bares e teatros à noite, é um passeio indispensável. A Estação Luz, e os jardins da Pinacoteca, a Paulista aberta aos domingos (pros brasilienses acostumados com o Eixão é um balsamo de casa), o Minhocão (elevado), que também fecha no fim de semana e é ótimo para pedalar, a Praça da República, com as feirinhas, todos os imigrantes e a confluência de culturas. O Largo do Arouche, com as flores de dia e as baladas e barzinhos à noite. O Largo do Paissandu, com a Galeria do Rock, e os melhores mates com açaí e salgados veganos.

As opções são muitas e escrevendo de longe fico com saudades. Algumas coisas são importantes ressaltar, São Paulo é uma cidade imensa. Leve sempre em consideração o tempo de deslocamento e de trânsito. Se prepare para chuva, frio, calor, tudo junto e misturado. Tenha galochas, roupas leves e blusa de frio, além da água e comida. Não ostente, guarde o celular bem no fundo da mochila e fique atento. Já presenciei assaltos, tanto em lugares ermos quanto badalados. No Centro sempre redobre a atenção, bem como na Paulista. Redobre a atenção tanto para sua segurança, como para se maravilhar com os mil sotaques, mil Brasis, os estrangeiros, migrantes, refugiados, misto de culturas, cores e sabores. Sabe aquela história de que o bom de uma megalópole como São Paulo e poder pedir comida tailandesa na tele-entrega às 4 da manhã? Isso ninguém faz, o bom mesmo é poder ver todas as tribos e todas as cores. É se entregar ao desconhecido e presenciar todos os diferentes grupos que abundam pela cidade. É ter olhos e ouvidos atentos para se esbaldar com a variedade de desconhecidos. Essa foi a São Paulo que eu conheci, e espero que continue assim, ou até mais diversa!

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Parque Nacional da Cantareira – Núcleo da Pedra Grande

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Hortoflorestal

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Parque da Independência

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Ibirapuera

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Ibirapuera

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Parque do Carmo

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Paulista Aberta

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SP by JuReMa – Comida

Estava esses dias conversando com uma grande amiga que está pensando na mudança para São Paulo. Infelizmente já não moro mais lá e teria sido muito lindo compartilhar mais uma cidade com ela, mas fica pra próxima ou pra outro momento. A questão é que enquanto falávamos e ela me pedia dicas, fui passando sites, referências e no fim me vi com um bom material em mãos, então resolvi escrever e compartilhar aqui com vocês as minhas dicas de São Paulo.

É importante ressaltar que meus quase dois anos em São Paulo foram anos de estudante, fazendo mestrado, e com isso saídas e gastos não eram minha praia. Também não sou nem um pouco baladeira, então se você procura dicas da night life não vai encontrar aqui. Mas por isso mesmo decidi chamar esse post de SP by JuReMa! Te convido a ver São Paulo pelos meus olhos, com um enfoque em parques, passeios sem custo, andanças à pé, alimentação vegetariana e tudo o que eu gosto! Essa é a parte 1 – Comida, da série, SP by JuReMa. Aos poucos vou incluindo outras sobre cultura, parques, viagens próximas, e outros temas, mas a comida merece um post próprio!

Para quem não é da cidade o primeiro passo é saber que SP está dividida em zonas: zona sul, zona norte, zona leste, zona oeste, e o centro. Cada qual tem sua peculiaridade, suas características intrínsecas, e mais do que isso, seus bairros, e se tem um povo bairrista é o paulistano. Muitas vezes as características de cada bairro são mais importantes do que a da região (zona). Por exemplo, saiba que todos os restaurantes italianos tradicionais estão no Bexiga e que vale a pena rodar lá a pé e encontrar uma cantina pra pedir uma massa. Ou fazer compra de roupas com preço de custo no Brás. Mas vamos por tópicos.

Começando pelo que importa, né: a comida! Somos vegetarianos, então não poder te ajudar se você busca o melhor steak da cidade. Minhas dicas são de feiras, orgânicos, veggies e vegans. Os restaurantes da minha lista não são necessariamente vegetarianos, mas possuem opções, no cardápio ou sob pedido.

Feiras e alimentação em casa

Minha primeira dica é: coma em casa! Eu sempre prefiro cozinhar pro dia-a-dia. Sai mais barato, mais saudável, estimula a criatividade e a responsabilidade sobre nossa própria alimentação. São Paulo é uma cidade de feiras, procure no bairro em que mora/está hospedado. Certamente achará alguma. Nem sempre são orgânicas certificadas, mas são geralmente de pequenos produtores, e a comida é mais bonita, fresca e barata do que no mercado. Alguns sites entregam em casa, e delivery em São Paulo é uma excelente opção considerando o tempo e custo de deslocamento numa cidade tão grande e tão cheia. Claro que algumas, como as Feiras do Ibirapuera e Água Branca, por serem em parques valem também o passeio.

Recomendo os sites abaixo para conhecer melhor:

Site com as feiras lives listadas pela prefeitura de SP –  http://www9.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/sdte/pesquisa/feiras/

Feira de orgânicos do Ibirapuera – http://parqueibirapuera.org/areas-externas-do-parque-ibirapuera/feira-de-produtos-organicos-no-parque-ibirapuera/

Site do AAO, onde você encontra uma listagem de onde encontrar orgânicos na cidade – http://aao.org.br/aao/onde-encontrar-organicos.php

Instituo Chão (vale a pena conhecer o trabalho) – http://www.institutochao.org/

Santo Orgânico – https://www.facebook.com/santo.organico

O Mercado Municipal (Mercadão) é mais turístico. Você encontra frutas e vegetais maravilhosos e de todos os cantos do mundo, com preços mais caros. Vale a pena ir para conhecer, o prédio, a arquitetura e comer algo, ou se quiser algum ingrediente muito específico. Endereço: da, R. Cantareira, 306 – Centro, São Paulo – State of São Paulo, 01103-200, Brasil

A Zona Cerealista é talvez minha maior paixão em São Paulo! Demorei para entender que não era uma loja, mas sim uma região. Próxima ao Mercado Municipal, muitas das lojas ficam ao longo da Rua Santa Rosa. O local é constituído basicamente de galpões que recebem os grãos de produção nacional e importados antes de redistribuí-los para mercados menores, restaurantes, etc. Algumas lojas já estão mais adaptadas para as compras no varejo e são mais limpas, organizadas, algumas inclusive com site para compra com entrega em casa. Porém são nos galpões mais simples e escondidos que encontramos os melhores preços. Tudo depende do quanto você quer se aventurar! Chia, linhaça, aveia, amaranto, todos os tipos de castanhas, temperos, arroz, feijões, favas, frutas secas, azeite, óleo e leite de coco, manteiga de amendoim, sucos de uva e maça integrais, tudo isso você encontra de excelente qualidade e com preços bem abaixo dos supermercados e lojas tradicionais.

Restaurantes

Rinconcito Peruano – esse lugar vale tanto pela comida, que é excelente e com preços muito bons, quanto pela história. Fundado por um imigrante, começou pequeno numa sobreloja do centro, na cracolândia e foi expandindo, atraindo público de todos os bairros e classes sociais. De uma simpatia única, os funcionários são quase todos peruanos. Não deixe de provar a Chicha Morada, um refresco delicioso (parece groselha) feito de milho roxo peruano. Existem duas opções vegetarianas, o espaguete vegetariano e a opção de Chaufa sem carne. O forte do lugar são os frutos do mar.  Atualmente em três endereços: Av. Viêira de Carvalho, 86 (11) 3221-5621 / Rua Serra de Japi, 696 (11) 2539-2033 / R. Aurora, 451 (11) 3361-2400.

Biyou’Z  –  é um restaurante camaronês, pequenininho e delicioso. As porções são fartas e existem duas opções vegetarianas além de muitas com carnes. A cozinheira, Melanito Biyouha cozinhou para a seleção de camarões quando vieram para a Copa em 2014 e tem fotos dela com o Eto’o nas paredes.  Fica na Alameda Barão de Limeira, 19 – Campo Eliseu, São Paulo – SP, 01202-001, Brasil.
Barão Natural – talvez meu segundo lugar preferido em SP! Restaurante 100% vegano e comprometido com a causa. No horário do almoço tem um buffet self-service variado, saudável e SUPER gostoso! Coma à vontade por R$12,00 e com + R$3,00 tenha mate caseiro gelado à vontade também! E a noite pizzas veganas, inclusive delivery. Outra maravilha de lá é o Sorvete da Sereia, vegano, sem lactose e com os sabores mais incríveis, sendo meu preferido o Hare-Hare, de framboesa, chá de hibisco e rosas! ❤ Site: http://www.baraonatural.com.br/ e em quatro endereços: B1 (o 1º e principal,d e onde deriva seu nome, almoço e noite c/pizzas): Alameda Barão de Limeira, 1090 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, 01202-002, Brasil / B2 (baraozinho – só almoço): Rua João Moura, 861 – Pinheiros, São Paulo – SP, (11) 3384-9766 / B3 (Mateus Grou – só almoço): Rua Mateus Grou, 72 – Pinheiros (11)  3938-4590 / B4 (Tatuapé – almoço e noite c/ pizzas): Rua Coelho Lisboa, 355 – Tatuapé (11) 3368-3966.
Maoz Vegetariano – restaurante de falafel, com uma pegada fast food saudável. Gostoso e barato. Bom pros dias de comer bastante, e se sujar! Recomendo o combo com as batatas rústicas!   R. Augusta, 1523 – Consolação, São Paulo – SP, 01305-100, Brasil (11) 3288-9580. 
Gopala Hari – restaurante indiano famoso na cidade. Só abre para almoço e geralmente tem uma fila grande. Não vá se estiver com pressa. Apesar disso, vale a pena. É gostoso e inclui a possibilidade de  uma experiência cultural, ao comer sentado em almofadas. Aos sábados estavam com uma opção de hamburgers vegetarianos servidos às 17h, não sei se mantiveram. Rua Antônio Carlos 429 – Consolação – São Paulo – SP (entre a Rua Augusta e a Rua Haddock Lobo), Telefone: (11) 3289-3446 Telefones do Restaurante: (11) 3283-1292 e (11) 3262-5591. http://www.gopalahari.com.br/index.php.
Prime Dog – restaurante junk food total! nada chique, tipo butecão. A vantagem é que o cardápio está disponível convencional com carnes, lacto-ovo vegetariano e vegano, ou seja, tem pra todo mundo. O que mais sai são os veganos, afinal junk food vegano não tem em todo canto. Os lanches são grandes, vá com fome e vontade de enfiar o pé na jaca e mandar qualquer dieta pra longe! https://www.facebook.com/Primedoglanchonete/ Existem algumas unidades, Ana Rosa, Faria Lima, convém procurar a mais próxima.
Estadão Bar & Lanches – http://www.estadaolanches.com.br/ Aqui são poucas as opções para vegetarianos, mas é um lugar bem tradicional, vale a pena conhecer. E tem o famosíssimo sanduíche de pernil e os costumeiros de mortadela. A vantagem localizaçaõ bem no centro e horário 24h – 7 dias! Endereço:Viaduto Nove de Julho, 193 Centro – São Paulo – SP CEP: 01050-060. Telefone: (11) 3257-7121/ (11) 3256-3700.

Rosa do Líbano – Parece um butequinho pé sujo daqueles! Confia! A comida é maravilhosa e os donos são super gentis!!! A esfilha aberta com zatar deles é de comer rezando. Também fica bem no centro e é melhor ir conhecer de dia, especialmente se você não for habituado com o centro. Av. Rio Branco, 443 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, 01205-001, Brasil, (11) 3224-8868.

Bexiga – tudo! O melhor pra mim do Bexiga é ir a pé, lembrando que as ruas são ladeiras, e ir fuçando, vendo cardápios e variando a cada vez uma cantina nova. Todas são tradicionais e todas demandam o título de primeira, original e/ou mais tradicional cantina italiana de São Paulo. A briga é grande e nós é que saímos ganhando. Quanto mais perto da Paulista mais chiques e caras são as Cantinas. O baixo Bexiga é mais escondido, mas vai ficando mais barato e gostoso como sempre. Fomos uma vez na Doceria Moscatel http://www.moscatel.com.br/ e comemos uns quiches muito gostosos e doces ótimos – Rua 13 de maio, 655 (11) 3853.0954. Mas um dos meus lugares preferidos lá é um calzone super escondido numa cantina minúscula, onde você também acha que não vai ter nada de bom, e tem uns calzones maravilhosos e baratos, nem consigo lembrar o nome, mas fica na Rua Santo Antonio, 1106 ou ao lado! rsrsrs, se quiser se arriscar, recomendo.

Apfel – é um restaurante vegetariano muito gostoso e muito aconchegante, com um estilo mimoso. O preço é fixo e está entre R$28,00 e R$36,00, sendo que o preço varia nas duas localidades e no dia da semana, comendo à vontade. Eles oferecem água e água aromatizada livre, outras bebidas são cobradas à parte. O menu é variado, com muitas opções de saladas e muitas quentes. Além das sobremesas. Tudo muito saudável! Sempre como lá mais do que deveria, mas vale a pena! http://www.apfel.com.br/2015/ Com dois endereços, um no Centro o outro nos Jardins. Casa Centro: Rua Dom José de Barros, 99 (11) 3256-7909 / Casa Jardins: Rua Bela Cintra, 1343 ligue (11) 3062-3727.

Vegacy – restaurante vegano, ficou conhecido como O Vegano da Augusta, mas agora mudou de endereço e está na Alameda Jaú, quase esquina com a Augusta. É self-service, preço por kg, no almoço, excelente qualidade e variedade. A noite oferecem lanches, hamburger, hot-dog, pizza todos veganos, além de cervejas artesanais. Gosto muito, especialmente pro dia-a-dia. Os que são preço fixo eu tendo a comer demais, pra “fazer valer”, então os por peso me ajudam nesse quesito. Alameda Jaú, 1581 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, 01420-002, Brasil (11) 3062-9989. 

Tea Connection – essa é uma pedida mais mainstream, mas como a louca do chá, não poderia deixar de fora! O preço é mais alto do que as demais dessa lista, mas o fato de terem mil opções de bebidas a base de chá e muitas opções vegetarianas no cardápio me ganha! Vale a pena naquele dia que você quer uma saída mais arrumadinha pra curtir uma boa conversa em boa companhia num lugar bonito e sossegado. Alameda Lorena, 1271 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, 01424-001, Brasil (11) 3063-4018.

Mate com açaí – isso não é um restaurante, é uma instituição! Não conhecia antes de ir pra SP e amei! Tem várias opções de local pra comprar, especialmente na região do Centro e na Paulista. Mate com Sabor, Casa do Mate, Sabor Mate, Rei do Mate, etc, no centro, na Augusta, na Paulista, são muitas as opções. Basicamente, pra quem como eu nunca tinha ouvido falar, eles batem mate gelado com açaí. Eu sei, não parece muito convidativo de início, mas é uma delícia. Especialmente no verão. Muitos desses locais oferecem também salgados, e vários deles salgados veganos! Experimente, mesmo que você não seja vegano, são deliciosos! O bauruzinho com vegarella é o melhor, com molho de tahine e pimenta! Se acabe! Se quiser um endereço vá ao Sabor Mate, Galeria Le Village – R. Augusta, 1492 (11) 3266-7822 ou à Tradicional Casa do Mate (o melhor bauruzinho vegano!) na Av. São João, 544 – Centro, São Paulo – SP, Brasil (11) 3333-2101. 

Aí claro, tem outros duzentos mil restaurantes, mas você vai descobrindo aos poucos o que gosta na cidade com facilidade. Os mais famosos, Etaly, Terraço Itália, Família Mancini podem ser encontrados em qualquer guia turístico, além das redes como Ben&Jerry’s, Starbucks, etc.  Aqui quis dar meu olhar, SP by JuReMa! Até o próximo!

São Francisco Xavier

Esse fim de semana fomos acampar em São Francisco Xavier. Dessa vez fomos com alguns amigos, e em vez de fazer as trilhas de travessia, que tendem a ser mais puxadas, pois exigem que façamos a subida com o equipamento, água e comida, para acampar no meio da travessia, optamos por ficar em um camping local, e fazer trilhas mais curtas a partir dali.

São Francisco Xavier está bem próxima de São Paulo e é um excelente destino para uma viagem curta de fim de semana, uma vez que é possível chegar lá tanto de carro quanto de ônibus, em poucas horas. De carro fizemos em cerca de 3h00. Quando fomos de ônibus, no início do mês (ver post Pico da Onça) demoramos cerca de 5h00 para chegar, mas com tempo de espera entre os ônibus. Em qualquer das hipóteses, o caminho é por São José dos Campos. Saímos da Rodoviária Tiete (nosso ponto de encontro para o grupo) no sábado às 07h30 e não pegamos trânsito até o destino final. Convém lembrar, contudo, que o trecho entre São José dos Campos e São Francisco Xavier é feito em uma estrada estreita, de montanha, onde ultrapassagens são quase impossíveis e a velocidade é baixa, então não vá com pressa. Aproveite a paisagem, esse trecho já faz parte do passeio.

Nosso camping tinha diárias das 16h às 16h, e por isso, em vez de irmos direto para lá, seguimos de São José dos Campos para o Mirante da Pedra do Porquinho, o que alongou um pouco nosso tempo de ida, uma vez que o mirante fica um pouco além da cidade de São Francisco Xavier. Esse mirante tem uma vista muito bonita, com a vantagem de chegar de carro até a base dele, e assim não há caminhada exigida. Além disso há uma escada de madeira de conduz até o topo da pedra, facilitando muito o acesso ao mirante, sendo possível fazer esse passeio com crianças. A estrada que dá acesso ao mirante é de terra e ingrime, mas nada impossível de fazer. Como toda a viagem envolve estradas de terra e estradas na serra, convém sempre ir com o carro preparado, revisado, calibrado, e, se possível, não muito pesado. No nosso caso fizemos com cinco pessoas dentro, mais equipamento de camping para todos e conseguimos, então é tranquilo.

SP Mirante porquinho

Ao lado do “estacionamento” para o Mirante da Pedra do Porquinho, há uma casinha pequena, de moradoras do local, que funciona também como uma micro lanchonete. Elas oferecem tapiocas, suco verde e bebidas enlatadas. Pagamento só em dinheiro.

mirante porquinho

mirante

De lá descemos para o centro de São Francisco Xavier, para conhecer a cidade, rodar um pouco o centro à pé, e almoçar. No grupo eramos três, dos cinco, vegetarianos, e não tivemos dificuldades em encontrar opções. Os restaurantes são voltados para turistas e o preço é equivalente ao de São Paulo.

mirante canto dos passaros

Depois de almoço, seguido de café e chá com doces e bolos em uma doceria local, fomos finalmente para o camping. Ficamos no Canto dos Pássaros (http://www.cantodospassarossfx.com/) . O local é na beira da estrada, o acesso de carro é facílimo, e o camping possui boa estrutura, embora não seja muito grande. Existe a opção de ficar em chalés, ou em barracas (leve seu próprio equipamento). Em ambos os casos, os banheiros são coletivos, externos, com água quente. Há uma cozinha equipada, com churrasqueira e fogão à gás, comunitária. Além disso há um quiosque com local para uma fogueira grande coletiva.

Atrás do local para instalar as barracas passa um rio, dentro da propriedade do camping, com mata fechada ao redor, e é possível descê-lo com boias disponibilizadas no local. Pela manhã é possível tomar café da manhã na sede, feito na hora e com muitas receitas deliciosas. Os donos são um casal, e a Tainá é nutricionista, cuida desse café muito bem, e tem um blog (https://tainagaspar.com/)  que eu adorei com várias receitas ótimas. O café tem muitas opções veganas também.

No sábado à noite curtimos o camping, com jogos e cachorro-quente veggie que eu fiz para o grupo. Dormimos ao som do rio, o que é uma delícia. Apesar de ser inverno, o tempo não estava muito frio, e não ventou à noite, mas convém levar colchão e/ou isolante térmico, e roupas adequadas para frio, ou até mesmo cobertas, caso vá de carro.

No domingo, depois do café da manhã delicioso da Tainá, desmontamos acampamento, colocamos tudo no carro e fomos para uma pousada chamada Pouso do Rochedo (http://pousodorochedo.com.br/) para fazer a trilha. A trilha completa incluí oito quedas de água do mesmo rio (algumas são pequenas, mas a maior é incrível e tem até a possibilidade de rappel, se marcada com antecedência), e quatro mirantes, na crista da serra. Para os não-hóspedes há uma taxa de R$20,00, que dá direito a acesso à trilha e uso dos banheiros (que possuem chuveiros quentes).

canto dos passaros pouso do rochedo

A parte da trilha onde estão às cachoeiras é bem leve, acompanha o rio em descida, e é dentro da mata fechada. Os mirantes estão em uma bifurcação que sobe bastante, tornando a trilha um pouco mais puxada, mas nada impossível. Depois do acesso ao primeiro mirante, os outros dois seguintes ficam próximos e na sequência da trilha. O quarto mirante, do Cruzeiro, fica mais acima, e não chegamos a ir até lá, embora fosse só mais 200m de caminhada, morro acima. A trilha toda pode ser feita em cerca de 3h00. Demoramos um pouco mais porque paramos para comer, e também para nos aventurar nas águas geladíssimas de uma das cachoeiras. O banho quente na volta foi fundamental depois da água gelada, mas valeu a pena!

De lá voltamos direto para São Paulo. Como saímos do pousada às 17h00, pegamos trânsito na volta, especialmente entre São José dos Campos e São Paulo, mas ainda assim estávamos de volta em torno das 20h00.

A viagem foi leve e gostosa. As possibilidades de trilhas e travessias em São Francisco Xavier são muitas, e a vantagem é que mesmo sendo alta temporada no inverno, em especial em julho, com as férias, a cidade ainda tem um custo menor do que Monte Verde e Campos do Jordão, que são mais famosas e procuradíssimas nessa época. De qualquer modo, se for ficar em pousada ou camping, reserve com antecedência, ou pode ser que não encontre vaga.

O ponto alto desse passeio foi estar entre amigos e compartilhar a comida, o tempo, a vista maravilhosa de todos os mirantes, o cansaço das subidas, o gelo das água de rio e a beleza das cachoeiras!

cachoeira

Pico da Onça

O Pico da Onça faz parte da Serra da Mantiqueira, no trecho que separa o Vale do Paraíba, em São Paulo, de Minas Gerais. Certamente, ele não é o mais alto da região, mas sua posição privilegiada permite que se veja os dois lados da serra simultaneamente. É um dos poucos pontos nas redondezas da cidade de São Paulo que ainda se pode acampar em um local completamente livre de tarifas (e estrutura!).

Porque fazer:

Para quem gosta de aventura mas ainda não tem a confiança para viagens mais longas, esse passeio é perfeito, pois pode-se ir e voltar em um fim de semana só, e caso surja algum imprevisto, é possível em poucas horas de descida estar de volta à civilização!

Onde:
O Pico da Onça fica entre São Francisco Xavier (município de São José dos Campos-SP) e Monte Verde (município de Camanducaia-MG), na Serra da Mantiqueira. Atinge 1.942 m de altitude.

Quando:
Apesar de poder ser visitado o ano todo, cada época tem suas vantagens e desvantagens. Durante o verão, é preciso tomar cuidado com as chuvas mais agressivas. Durante o inverno, o tempo é mais estável, mas a noite castigará com um frio rigoroso!

Como chegar:
O acesso pode ser feito pelas duas vilas. A parte interessante é que é possível fazer a travessia, caso se chegue a uma das vilas de ônibus ou carona. Claro, alguém que vá de carro pode fazer a travessia, mas a volta até o automóvel será bem cansativa…

O lado paulista pode ser acessado a partir da Fazenda Monte Verde, em São Francisco Xavier. Quem vai de carro pode parar perto da entrada da fazenda, há um local para estacionar. Quem vai de ônibus a partir da capital tem que sair do terminal rodoviário Tietê em direção a São José dos Campos e de lá pegar um outro ônibus, no próprio terminal rodoviário de São José, em direção à vila de São Francisco Xavier. Este segundo ônibus irá parar na praça da cidade, e dali até a fazenda será uma tarefa à parte! Serão 5 km, a maior parte em subida, até o inicio da trilha em si!

O lado mineiro tem um acesso mais escondido, por trás do Hotel Guanxi, em Monte Verde. Não reparei em um local específico para carros, mas a rua é bastante larga e tranquila, então isso não deve ser um problema. Para acessar a trilha sem carro por este lado é preciso sair também da rodoviária Tietê em direção a Camanducaia e de lá pegar outro ônibus para Monte Verde. Por sorte, o segundo ônibus também sai de onde o primeiro para! Em Monte Verde já, será preciso atravessar a cidade à pé, mas a caminhada aqui é plana e bem agradável.

A trilha:
Esta é composta de 2 “partes”. O lado paulista tem um pouco mais de 4 km a partir da fazenda Monte Verde, com vários pontos de encontro com rios e fontes de água. Porém, a trilha toda é inclinada, exigindo um tanto de preparação física. Importante saber (poupa ter que carregar água em quantidade) que o último ponto para abastecer os cantis fica algumas centenas de metros depois de uma pequena cachoeira. Nesta fonte, abasteça seus cantis para o resto da viagem! Quase lá no topo, há uma bifurcação. Pela direita (norte) há o lado Mineiro, pela esquerda (oeste) o fim da trilha que leva ao topo. Dali ainda restará as ultimas centenas de metros, mas já é possível se animar com a chegada!

O lado mineiro tem 4,5 km saindo do Hotel Guanxi, mas a caminhada é muito mais suave. Como Monte Verde está a uma altitude superior a São Francisco, a inclinação é bem leve. Este lado, porém, só tem 2 pontos de água, então é preciso estar mais abastecido. Também há a beleza e o inconveniente do Bosque dos Duendes, uma região da trilha com uma mudança brusca na mata, onde as árvores são mais espaçadas e o chão não é recoberto por vegetação. A possibilidade de se caminhar livremente pelo bosque combinado com uma má marcação da trilha neste ponto dificulta a localização. Sugiro atenção especial para não se perder por aqui! Claro, se você acessar a trilha por Monte Verde, ao chegar na bifurcação o pico estará para a direita!

O Pico:

Lá no topo há uma área plana, onde é possível ficar talvez umas 15 barracas confortavelmente. Em cada lado há uma grande pedra que servirá de mirante. Não há fonte de água! Além da trilha que chegará dos pontos já indicados, há uma pequena caminhada de menos de 100 metros que leva até um mirante menor com um livro de registro. Do outro lado do pico outra trilha sai para o Pico da Pedra Partida, mas a trilha é bem fechada, não se aventure sem saber o que está fazendo!

Do lado paulista, é possível, em dias abertos, ver São José dos Campos e as cidades em volta, e ao fundo a Serra do Mar. Durante a noite, é possível avistar ao norte as luzes de uma cidade entre as montanhas, que desconfio ser Campos do Jordão, e os faróis dos carros na estrada próxima. Impressiona o tamanho e a altura desse lado, e quando o vale nubla (vimos pela manhã). A visão da Serra se levantando para além dos tapetes de nuvem é grandiosa!

nascer do sol

Do lado mineiro, o a serra se estende, fazendo a variação de altura bem menor. É possível ver o que eu imagino ser um bairro de Monte Verde a frente (noroeste) e o Pico da Pedra Partida para a esquerda (sudoeste). O por do sol desse lado é digno de final de filme romântico!

por do sol

Dicas:
– Não leve nada a mais e nem a menos que o essencial! Uma barraca com bons sacos de dormir e isolantes térmicos te salvarão do frio e do vento impiedoso à noite. Comida e água (essa última pode ser coletada na própria subida) para os dias de estadia, roupas adequadas para a caminhada e uma troca para a noite completam o pacote. Lembre-se que carregar tudo isso será um martírio!

– Ao montar a barraca, pense no vento. Fixe-a bem e procure um local mais protegido. Você não vai querer encontra-la voando no vale depois de voltar dos mirantes, mesmo!

– Nós subimos por São Paulo pelo único e exclusivo motivo de poder comer fondue em Monte Verde depois da trilha (recomendo o restaurante Galinha Caipira na entrada da cidade! Preços até 40% menor que no centro). Mas devo admitir que foi um erro. Pegamos uma subida de 1.200 metros verticais para descer 500m depois. Se você ama sua panturrilha, suba por Minas!

-Chegue cedo, programando pelo menos 4 horas de luz solar para a trilha. O lado paulista será ruim de fazer a noite, o mineiro será impossível. Ouvimos relatos de um rapaz que se perdeu no Bosque dos Duendes e teve que pernoitar ali mesmo.

-Nunca é demais ressaltar a importância de um calçado confiável. Nada do tênis que comprei novinho só para a trilha. Vá com um que você já conhece!

Mapas:

Aconselho que você crie seus próprios mapas dependendo de qual via opte por fazer, e se vai de carro ou transporte público.

A duração calculada pelo google maps nesses mapas que seguem não é exata, pois as de transporte público não estão considerando o horário e dia da semana em que fizemos. Nosso trajeto durou cerca 5h da porta de casa até o centro de São Francisco Xavier, incluindo pausas para a troca dos transportes públicos envolvidos e espera pelos horários de saída de cada. de São José dos Campos para São Francisco Xavier pegamos um ônibus de linha, que passa pela serra e, em parte por estradas de terra. Embora a viagem seja “com emoção”, chegamos em 2h, sem nenhum problema nem dificuldades.

SP SJC

SJC SFX

Do centro de São Francisco Xavier até o Pico da Onça fizemos em 3h30, considerando pequenas pausas para água, comida, fotos e recuperar o fôlego (essas ficaram mais frequentes no trecho final da trilha).

SFX pico da onça

A descida do Pico da Onça, passando pelo Vale dos Duendes (onde conhecemos o Avelã, um potro lindo, vivendo solto, e sua mãe, tímida, que não saiu nas fotos) até o centro de Monte Verde durou 2h30.

pico da onça MV

De Monte Verde para Camanducaia fomos de ônibus, mas o google maps não reconhece a opção por não ser um ônibus de linha regular e sim um serviço estabelecido entre as cidades. O ônibus passa em frente ao posto de gasolina, na entrada da cidade, em horários determinados ao longo do dia.

MV camanducaia

De Camanducaia para São Paulo pegamos um ônibus de viagem, que vai de uma rodoviária à outra, e embora o google maps não tenha identificado a opção, não tivemos nenhum problema em fazer esse trecho.

Camducaia SP

Barcelona and more

Nossa trilha. Minha trilha. Para variar, começou com Skank, e todo o clima bom, de férias, de verão, de Barceloneta, que o Velocia me trouxe, antes mesmo de sair do Brasil. Depois passamos pelas longas distâncias, enquanto descobrindo as proximidades incríveis que parecem até de outras vidas. Vieram as cidades novas para mim, e agora virão para você também. E a cada passo vamos construindo esse caminho eterno. E não se engane, eu sempre registro nossa trilha e posso contar nossa história por meio da música, afinal, “os poetas não dizem nada que eu não possa dizer”, mas dizem com muito mais ritmo!

Para quem quiser ouvir nossa história, tem link da playlist no spotify, mas vou colocar os nomes e artistas, para quem preferir seguir de outras formas:

 

 

Aniversário – Skank (Velocia)

 

Everybody’s Free (To Wear Sunscream, Class 99′) – (Romeo and Juliet Soundtrack/ Baz Luhrmann Films)

 

Alexia – Skank (Velocia)

 

Ali – Skank (Ao Vivo MTV)

 

Macaé – Clarice Falcão (Monomania)

De Todos os Loucos do Mundo – Clarice Falcão (Monomania)

 

O Último Por do Sol – Lenine (MTV Acústico)

Por Onde Andei – Nando Reis (Ao Vivo)

Segredos – Frejat (Amor para Recomeçar)

 

Apenas Mais Uma de Amor – Lulu Santos (Toca Lulu)

Por Enquanto – Cássia Eller (MTV Acústico)

 

Seus Passos – Skank (Carrossel)

Fica – Skank (Maquinarama)

 

Telegrama – Zeca Baleiro (Pet Shop Mundo Cão)

 

Mapa Mundi – Tiê (A Coruja e o Coração)

Fotos na Estante – Skank (Multishow ao Vivo – Skank no Mineirão)

Índios – Legião Urbana (As Quatro Estações)

João e Maria – Nara Leão e Chico Buarque (20 Grandes Sucessos de Nara Leão)

Golden Slumbers – The Beatles (Abbey Road)

Can’t Keep It Inside – Benedict Cumberbach (August: Osage County Soundtrack)

Proibida pra Mim – Zeca Baleiro (Top Hits)

Comigo – Zeca Baleiro (Top Hits)

Malandragem – Cássia Eller (MTV Acústico)

Pra Alegrar meu Dia – Tiê (A Coruja e o Coração)

Soldier of Love – Pearl Jam (Last Kiss)

Black Bird – The Beatles (The Beatles)

Seja Como For – Banda do Mar (Banda do Mar)

Cidade Nova – Banda do Mar (Banda do Mar)

Te Mereço – Tiê (A Coruja e o Coração)

Longing to Belong – Eddie Vedder (Ukulele Songs)

Só Sei Dançar com Você – Tiê (A Coruja e o Coração)

Vamo Embora – Banda do Mar (Banda do Mar)

Society – Eddie Vedder (Into The Wild Soundtrack)

 

Os vídeos não são necessariamente as mesmas versões descritas por falta de disponibilidade. Espero que consigam acessar os vídeos, e a playlist completa no Spotify, mas caso não consigam, todas as músicas são conhecidas e de fácil acesso por pesquisa simples.

 

Aproveitem e vamos celebrar a vida! ❤

 

Procrastinação ou cansaço

Alt + tab. Mudei as telas mais uma vez. Olhei aqueles mesmos blogs, li mais um artigo muito interessante, mas não sobre minha pesquisa. Troquei do notebook para o ipad. Joguei 10 minutos de Plants vs. Zoombies. Falei para mim mesma que essa pausa de 10 minutos é saudável. Abri o Facebook. Erro mortal. Guerra para todo lado. Polarização, emoção descontrolada, pessoas descontroladas, políticos descontrolados. Ódio. Ódio em todos os cantos. Fechei. Abri um vídeo inspirador. Sentei no EVA azul. 5 minutos de concentração e respiração. Troquei a legging. 30 min de prática. Fiz um chá. Enquanto ele descansava, fiz uma vitamina. Tomei a vitamina. Lavei a louça. Levei um copo de água fresca e o chá ainda quente para a escrivaninha. O computador tinha resolvido fazer uma atualização automática impossivelmente longa sozinho. Reiniciou. Alt + tab. 5 vezes Alt + tab. Circulei por todas minhas abas. Por todas as minhas pastas. 6 e-mails novos. Limpei a caixa de spam. Deletei as fotos e vídeos velhos do celular. O chá acabou. Os últimos goles já estavam frios. Repassei em minha mente a lista de compras para amanhã. Hoje já fiz feira. Já cozinhei. Tem sopa pronta. Tem sopa para os próximos dias, e mais congelada. Tem verdura fresca, folhas verdes, muitas frutas.

Olhei pela janela. Atendi dois telefonemas. Li mais e-mails. Respondi alguns. Organizei uma nova pasta com ensaios para corrigir. Certifiquei-me se tinha respondido todos os e-mails relativos ao recebimento daqueles ensaios, confirmando-os. Um gole d´água. Repassei mentalmente todas as atividades que tenho, todos os prazos. Em sete dias tenho que entregar muita coisa. O dia parece não render. Me sinto como a última das procrastinadoras. Abrindo as mesmas abas, vendo os mesmos sites, olhando o whatsapp. Saudade dos amigos. Saudades da minha cidade por uns dias. Amo Brasília nesse início de dezembro, chove muito. Quero visitar meus primos. Dezembro é mês de visitar os primos. Mesmo ainda sem férias, é aquela época que podia fazer minhas caminhadas observando as luzes de natal nas janelas e árvores depois do entardecer. Comer um doce com cara natalina com as primas. Planejar os presentes de natal, ainda que esses fossem caixinhas feitas à mão, artesanatos, biscoitos. Visitar alguém. Faze cartões de natal caseiros.

Mas eu tenho prazos, e me sinto atrasada e inútil. Me sinto culpada. E quando paro para pensar, sem razão. Esse ano eu me mudei de cidade, em um mês estava no apartamento novo, em mais duas semanas a casa estava arrumada. Eu fiz várias pequenas viagens de fim de semana para locais que sempre quis conhecer, cidades que estavam no meu roteiro há quase quinze anos Me tornei voluntária da ONU On Line contribuindo com traduções, que inclusive foram publicadas no site. Participei de um cursinho popular voluntário. Fiz uma apostila de ensino de português brasileiro para refugiados com caráter social, juntamente com outras pessoas maravilhosas que conheci, de conhecimento autoral e livre. Está disponível para download já. Livre. Para todos. Me tornei voluntária numa ONG como facilitadora de reintegração social de refugiados. Mas essas são atividades de tempo livre. Extras.

Fiz um curso paralelo, com muita leitura, vídeo-aulas, e aumentei minha prática de Método DeRose. Aprendi muito dessa filosofia. Impulsionada pelas aulas li sobre a civilização hindu. Emagreci. Me tornei mais forte, mas centrada, mais equilibrada. Muito feliz. Viajei. Ri muito. Fiz inúmeros novos amigos. Conheci mais pessoas maravilhosas. Reforcei minha mudança alimentar. Faço compra na feira, na porta de casa. Vou até a Zona Cerealista (amor no coração) por cereais e grão a preços incríveis. Vendi meu carro. Ando muito mais a pé. Cada volta da prática à noite me rende uma caminhada deliciosa.

Não tenho funcionários, ou faxineira. Lavamos nossa roupa, compramos e cozinhamos nossa própria comida aqui em casa. As tarefas domésticas ocupam um bom tempo, e estão presentes todos os dias. Claro que tem dias que a casa fica suja, porque simplesmente temos mais o que fazer. A comida é feita a cada dois ou três dias, e vamos esquentando. Mas todo dia tem alguma coisa que não dá para deixar de fazer. Além disso, desde que me mudei já entrei num emprego, saí seis meses depois. Tive alunos particulares, estagiei. Corrijo provas, ensaios. Escrevo.

Já fiz todas as matérias obrigatórias do mestrado e quase todas as optativas. Estou adiantada nos créditos e no cronograma. Mas ano que vem tem qualificação. Mas eu tenho prazos. Mas a bolsa não saiu. Mas eu sento aqui, faltando uma semana para meus prazos finais, e Alt + tab. Me sinto procrastinadora. Me sinto culpada. Li recentemente um artigo que fala dos danos psicológicos de uma pós-graduação. Não chego a classifica-los em danos, até porque isso varia muito do emocional de cada um, dos níveis de ansiedade, exigência pessoal e capacidade de organização de cada um. Mas é fato. Esse sentimento de que não fiz nada e estou sempre devendo está ali. O relógio é acionado como cronômetro no dia da matrícula e você vê os dias sendo comidos em direção ao prazo.

E enquanto isso a vida segue. Os dias vão sumindo do calendário. Eu vou ficando mais velha. Mas a vida não para. E acho que o segredo é esse. Viver entre as metas. Não vou parar de ir à feira, nem de cozinhar. A roupa suja vai continuar se enchendo num processo louco e infinito. Vou viajar quando der. Trabalhar muito. Estudar no meio tempo. Ler no ônibus. Virar algumas noites. Dormir em outras exausta. E aprender a lidar com esse sentimento de dívida, de procrastinadora como um sentimento de fundo, tipo música de fundo. Está ali, mas não vou para a vida por isso. Tenho uma vida a viver, apesar da pós. Por causa da pós. Sou estudante, sou trabalhadora, sou de certa forma esposa, sou cozinheira, sou faxineira, sou chef, sou mulher.

Alt + tab. Leio sobre a violência e a polarização política. Meu coração encolhe. Alt + tab, planejo as compras de natal. Alt + tab, falo com os amigos sobre a ida à Brasília. Alt + tab, planejo o natal antecipado em família. Alt + tab, vejo um vídeo sobre como fazer o tradicional panetone de Milão em casa. Alt + tab, leio dois parágrafos sobre o Impeachment. Alt + tab, respondo cinco e-mails. O telefone toca duas vezes. Respondo. Aceito um trabalho. Alt + tab. Escrevo para o blog. Alt + tab. Mais cinco ensaios corrigidos. Alt + tab, meio artigo pronto. Alt + tab, ainda me sinto procrastinadora. Alt + tab, mudo a música de fundo. Fecho as abas. 5 minutos de meditação. Me sinto bem de novo. Vamos trabalhar, seja contra ou a favor do relógio.

Escrevo tudo. Ponho a alma para fora em palavras. Vejo que não sou inútil. Escrever: minha melhor terapia. Me sinto produtiva. Vejo que já fiz muito esse ano. Poderia ter feito ainda mais? Sempre! Ainda tenho alguns dias antes do fim do ano. Dá para terminar. Dá para fazer ainda mais. Tudo? Não sei. Tudo que eu puder. E vamos feliz. Sigo com um sorriso nos lábios cada vez que vejo as horas e percebo que mais um dia passou. Vou lá tirar a roupa da máquina agora. Daqui a pouco tem mais artigo para escrever. Mais ensaio para corrigir. E nesse meio tempo o telefone vai tocar. As abas do navegador vão ser alternadas mais algumas vezes. Vou me sentir procrastinadora. Vou me sentir cansada no fim do dia, e muito, mas muito feliz no fim do ano.

29

Essa semana estou completando 29 anos. Vinte e nove primaveras, já que sou de outubro. Mas não vou escrever sobre o que significa tornar-me uma mulher de vinte e nove anos. E não vou porque não sei. Não faço a menor ideia. Primeiro porque acho que cada mulher chega a esse momento de um jeito. Cada uma tem suas vantagens e desvantagens, para não dizer sua sorte e seu azar, ou suas escolhas e seus destinos. O que é fazer vinte e nove para uma mulher que cresceu na pobreza e chega a idade plena adulta com uma conquista de um emprego? O que é fazer vinte e nove anos para uma mulher que sempre teve tudo e nunca lutou por nada e está agora numa bela casa? O que é fazer vinte nove anos para uma síria recém-chegada ao Brasil, refugiada de guerra que celebra simplesmente vinte e nove anos de sobrevivência? O que é fazer vinte e nove anos para uma mulher que está casada, talvez já com um filho ou dois? O que é fazer vinte e nove anos e ser uma mulher solteira, que vive feliz seus dias em paz?

Eu não sei. Eu sou algumas dessas às vezes. Tenho meus anseios, meus receios, minhas bênçãos, minha guerra e minha paz. Enquanto escrevo, escuto os gritos animados que ecoam pelas janelas. Nos últimos nove meses tenho sido moradora de uma zona de “baladas”, na cidade grande e meus fins de semana possuem noites de muitos gritos, música, garrafas quebradas, brigas na madrugada, cantorias sem fim, e tudo isso de debaixo das minhas cobertas. O barulho não me incomoda. Meu sono é de pedra. Mas às vezes fecho os olhos e lembro dos meus grilos, da grama molhada de orvalho, dos latidos e uivos dos cachorros, e até um mugido ocasional ao fundo. Minha vida em Brasília foi, durante muitos anos, em casas afastadas.

Hoje o que eu mais gostaria, virando esses vinte e nove anos seria sentar na varanda da casa onde morei com minha mãe em seus últimos anos. Gostaria de sair do trabalho, da aula, no início da noite e ir até lá, mesmo que já não morasse lá, pois mesmo que ela estivesse viva, já não imagino que fossemos dividir a mesma casa ainda. Mas iria até lá, pelo menos uma vez por semana à noite, só para tirar os sapatos e pisar na grama molhada, fazer uma xícara de chá, abraça-la forte, e convidá-la para sentar na varanda. Ouvir os insetos, me incomodar com os pernilongos e as mariposas na luz. Suar no calor de Brasília. Secar a testa com o verso da mão, cruzar as penas em cima da poltrona, mesmo estando de vestido, olhar para ela e admira-la. Gostaria de dizer: “Mãe, hoje eu te entendo tanto. Te entendo cada vez mais”, e gostaria de pedir desculpas pelas minhas arrogâncias da adolescência e do início de vida adulta.

Eu sei que precisei negá-la, precisei contesta-la, como acho que todos os filhos precisam, para crescer, criar suas próprias opiniões e se desenvolver. Não faria nada diferente. Não quero mudar o passado. Mas gostaria de dizer que hoje ela faz mais sentido para mim. Não era perfeita, e não quero nem pretendo endeusa-la num culto pós mortem maluco. Mas hoje sinto falta da relação mãe e filha adulta. Sempre fomos muito amigas. Gostaria de poder falar para ela que agora a compreendo melhor. Queria muito ir até lá, e sem sapatos, de pernas cruzadas, ouvir suas histórias tão gostosas, ouvir suas entrevistas ainda sem edição, seus discos, conhecer um novo artista em primeira mão.

Ela acenderia um cigarro e aquilo me incomodaria muito como sempre. Mas dessa vez eu não iria brigar. Eu agora entendo. Hoje não sinto mais aquela raiva ultrajada. Hoje eu gostaria de pegá-la pela mão, e leva-la para minha aula de Yôga. Gostaria de viajar com ela, e lhe mostrar o mundo com meus olhos. Hoje eu faria um belo jantar vegetariano para ela, na esperança de que o modo alimentar que eu adotei fosse fascina-la e auxiliá-la com o problema crônico de baixo peso, e, na minha opinião, uma anorexia não diagnosticada.

E o mais importante, eu não faria nada disso para salvá-la, e nem esperaria que ela fizesse Yôga e nem que virasse vegetariana. Ela adulta, seguiria fazendo o que bem entende. Eu não ficaria com raiva, entenderia, como hoje entendo uma amiga. Eu faria tudo isso só pelo prazer de compartilhar o meu eu adulto com ela. Gostaria de mostrar para ela minhas escolhas, minhas experiências. A verdade é que com o passar dos anos eu sinto menos falta do colo de mãe e muito mais falta da minha melhor amiga.

Hoje, aos vinte e nove, órfã, mestranda, escritora e acadêmica wanna-be, louca pelo mundo, viajante, leitora ávida, eu sei que seria uma amiga ainda melhor na convivência com ela. A verdade é que sinto muita falta das minhas outras amigas e amigos de Brasília. Mas ao mesmo tempo me impressiono com tudo que São Paulo me deu nesses poucos meses. Tenho aqui já uma vida tão rica quanto a que sempre tive em casa. A verdade é que desde que perdi a casa dos meus avós, muitos anos antes de deixar Brasília, já não me sentia verdadeiramente em casa. Desci então que o mundo seria minha casa. Em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Fiz minha casa no meu coração, como diz o Skank, e tem funcionado muito bem.

Fui convidar alguns amigos para um abraço no dia desse meu ano novo, e já não sei como acomodar a todos na minha casinha. Mas estão todos já no coração. Amigos novos e antigos, familiares longe ou perto. Eu não faço ideia de como seja ter vinte e nove anos. Mas nunca me senti tão segura, tão realizada. Nesse momento eu não penso em ter filhos, não penso em casamentos formais, mas o porteiro diz para o meu namorado: “O pacote da sua esposa chegou! ”, quando recebo algo pelo correio. Não posso corrigi-lo. Tenho vinte e nove anos e moro com alguém em um relacionamento sério, monogâmico e, mais importante, feliz.

Semana passada me vi envolvida em tantos assuntos novos, registrar na Biblioteca Nacional um trabalho coletivo autoral, auxiliar um refugiado em meio ao meu trabalho voluntário na ONG, acompanhar algumas palestras internacionais e tentar aprender a publicar em periódicos internacionais de relevância acadêmica, ouvir as impressões do ministro de economia uruguaio sobre os novos rumos da América Latina, recebi muitos e muitos ensaios para corrigir. Não as provas de inglês de sempre, mas ensaios acadêmicos de graduação, que corrigirei no meu estágio como mestranda. Além disso fiz torta de maçã, do zero.

É, olho meus vinte e nove anos e os vejo como inegáveis. E como são maravilhosos. Nunca pensei que já ia ter vivido tanta coisa, e ter tanta história para contar. Mas aí eu olho para meus dedos, que batem freneticamente no teclado e vejo que as juntas dos dedos já não são lisinhas, os nós dos dedos já carregam suas marcas, e deixam minhas mãos tão incrivelmente parecidas com as mãos da minha mãe. E lembro de como eu gostaria de sentar com ela na varanda para um chá e contar tudo isso, só pelo prazer de sua companhia. Depois eu voltaria para casa, que podia até ser essa aqui em São Paulo, com a vida corrida e cheia de surpresas gostosas que tenho vivido, mas se eu tivesse um momento de poço dos desejos seria esse chá.

Os barulhos na rua estão cessando. Afinal, já é domingo de madrugada, e uma hora todos vão dormir. Amanhã levantarei cedo, tenho um artigo para escrever e uma faxina para fazer. A semana passará bem depressa, e na sexta-feira os vinte e nove chegarão. Os amigos visitarão, e a vida continuará. Mas quem sabe hoje à noite eu não sonho que estou naquela varanda, contando tudo isso para ela? Em sonho já está bom. Uma vista breve, sabe, só para ela saber como minha vida vai. Só para eu ganhar um beijo e um abraço. Só para eu me sentir um pouquinho filha e criança, mesmo com 29.

Bananas no centro de mesa e flores na parede

Os últimos meses têm sido impossíveis de tempo. Nem ler as mil mensagens do WhatsApp, nem fazer as unhas, nem mesmo escrever e me compartilhar em palavrinhas de alma, apenas aquela bolinha vermelha acusadora com um número de mais de três dígitos me encarando na tela do celular. Às vezes consigo aguar minha flor de maio. E pelo menos uma vez por mês meu momento preferido acontece: o sábado de manhã sozinha em casa! O café da manhã tomado de pijama, tarde, já para lá do meio da manhã, com música tocando. E eu posso olhar minha própria sala, e reparar no prato azul com o cacho de bananas amadurecendo em cima, tomar um gole de chá, e observar as flores de metal retorcido de Ouro Preto, enfeitando diagonalmente minha parede. A assinatura perfeita do meu conto de fadas. A flor que enfeita a primeira letra do meu Era Uma Vez.

Mesmo sabendo que ter levantado tarde me custou uma manhã sem estudar e que isso se tornará uma noite longa de estudos para compensar. Mesmo incluindo na minha manhã de paz a arrumação da baguncinha de ontem, da louça do jantar das visitas, mesmo sabendo que almoçarei tarde por tomar café tarde, vale a pena. É minha manhã de alma. Eu estou amando muito dividir casa. É muito gostoso chegar do trabalho cansada e poder conversar sobre as bobagens do dia, a melhor parte é não comer sozinha. Alguém que te espera para jantar, e muitas vezes quando você chega a comida já está pronta e quentinha. Compartilhar um ombro vendo um filme antes de dormir, ou um jogo de tabuleiro depois do jantar quando sobra uma horinha a mais, ou, mais verdadeiramente, quando ignoro os compromissos de estudo e me dou, nos dou, essa horinha de jogo ou filme, simplesmente porque não vale a pena perder essa convivência e minha cabeça pede pausa.

Mas mesmo com minhas meditações, e com as pequenas pausas do dia-a-dia, eu sou daquelas pessoas estranhas que precisa de um período que seja sozinha. Arrumar meus próprios pensamentos, ouvir minha música sem ninguém falar nada durante o processo, simplesmente olhar pela janela, ou deitar no sofá e pensar. E, quem sabe num dia de sorte, depois dessa introspecção ainda ter tempo de pegar o computador e cuspir toda essa reflexão em palavras, pedações de alma postos para fora.

Acho que hoje mesmo não vou conseguir escrever tudo o que gostaria. Já estou relativamente atrasada. Já troquei os estudos e sei que a noite será longa. Já passei a manhã de pijama, e por mais acolhedoras que as bananas e as flores na parede sejam, meus minutos de paz estão contados e a vida urge lá fora. Ruge, e pede pressa, enquanto eu só peço calma. Viver em outra cidade, e trabalhar e fazer um mestrado ao mesmo tempo, além de ter levado um relacionamento sério para outro nível de convivência, morando junto, tem castigado minha vida social. Me sinto sempre em dívida, com todos, comigo mesma. Não consigo estudar nem de longe tudo o que precisava, e vamos e convenhamos, essa é a prioridade número um, também não consigo dedicar-me quase nada ao trabalho, e na prática ele é o que mais consome meu tempo. Apesar das pausas forçadas, consigo dar menos de um quinto da atenção mínima ideal ao relacionamento. A casa nem se fala. Mercado e limpeza acontecem quando possível, às vezes de quinze em quinze dias. Às vezes nem falo…

Os amigos me consideram desaparecida. Ainda assim os dias que separo para vê-los me custam noites insones de estudos depois. E nesse malabarismo circense de tempo, me aparecem aqui e ali uma manhã de sábado abençoada. E quando respiro fundo, sentada na mesa da sala, dou o último gole do chá, sinto o cheiro adstringente das bananas ainda meio verdes, e olho as flores na parede, lembro que estou vivendo meu conto de fadas. Porque os contos de fadas reais são assim, maravilhosos, incríveis, cheios de oportunidades perfeitas, e exigem das suas personagens muito esforço, e não dão trégua nem tempo. Nos contos de fadas reais, não existe felizes para sempre, mas podem existir bananas no centro da mesa, um bolinho de mandioca com coco, feito ontem, esperando o lanche da tarde com chá, a louça do jantar com amigos lavada pingando na cozinha, uma música gostosa tocando, e flores na parede. E uma manhã gostosa de sábado entre o sem tempo de hoje e a pressa do amanhã.