Naufrágio de estrelas no céu

Bloquinho de três é uma brincadeira de origens radialistas. Minha mãe trabalhou como radialista durante grande parte de sua vida, desde logo após meu nascimento, até sua morte. Cresci tendo o rádio como parte fundamental da vida, não somente como ouvinte, mas acompanhando produção e programação de perto. Umas das brincadeiras que minha usava para poder trabalhar e me distrair quando chegava em casa, era propor o desafio de combinar blocos de músicas que tivessem algo em comum ou que simplesmente fossem agradáveis de serem ouvidas em sequência. Após sua ida para outro universo, continuei a brincadeira, formando meus bloquinhos imaginários. Agora compartilho com vocês essa brincadeira. O desafio é que cada um descubra qual a conexão entre as músicas de cada bloco. Sempre lembrando que não há resposta correta, o gostoso é brincar, ouvir e cantar.

 

 

 

 

 

Moínho

Bloquinho de três é uma brincadeira de origens radialistas. Minha mãe trabalhou como radialista durante grande parte de sua vida, desde logo após meu nascimento, até sua morte. Cresci tendo o rádio como parte fundamental da vida, não somente como ouvinte, mas acompanhando produção e programação de perto. Umas das brincadeiras que minha usava para poder trabalhar e me distrair quando chegava em casa, era propor o desafio de combinar blocos de músicas que tivessem algo em comum ou que simplesmente fossem agradáveis de serem ouvidas em sequência. Após sua ida para outro universo, continuei a brincadeira, formando meus bloquinhos imaginários. Agora compartilho com vocês essa brincadeira. O desafio é que cada um descubra qual a conexão entre as músicas de cada bloco. Sempre lembrando que não há resposta correta, o gostoso é brincar, ouvir e cantar.

 

 

 

 

 

 

Para Bia: Feliz dia das mães

Bia microfone

Bloquinho de três é uma brincadeira de origens radialistas. Minha mãe trabalhou como radialista durante grande parte de sua vida, desde logo após meu nascimento, até sua morte. Cresci tendo o rádio como parte fundamental da vida, não somente como ouvinte, mas acompanhando produção e programação de perto. Umas das brincadeiras que minha usava para poder trabalhar e me distrair quando chegava em casa, era propor o desafio de combinar blocos de músicas que tivessem algo em comum ou que simplesmente fossem agradáveis de serem ouvidas em sequência. Após sua ida para outro universo, continuei a brincadeira, formando meus bloquinhos imaginários. Agora compartilho com vocês essa brincadeira. O desafio é que cada um descubra qual a conexão entre as músicas de cada bloco. Sempre lembrando que não há resposta correta, o gostoso é brincar, ouvir e cantar.

Esse é um bloquinho muito especial! Porque é dia das mãe, porque é domingo! Porque que é um dia 11!

Domingo era o dia da voz dela se espalhar pelo ar, e alcançar tantos ouvintes, que lhe ouviam a alma nas palavras e na música.

Hoje espalho minhas palavras e algumas músicas, em sua homenagem, ao vento. Quem sabe os pássaros não carregam essas melodias até ela! De alma para alma: Feliz dia das mãe, Dona Bia! E muito obrigada por tudo! Ser sua filha foi um prazer!

Uma Ode ao Sol: Quando resolvi ser feliz de novo

O texto de hoje é um misto de reminiscências com bloquinho de três, leiam, ouçam e aproveitem! Que essa saudação ao sol possa iluminar nossas almas!

Confesso que sou otimista. Sempre fui aquela que vê a metade cheia do copo, e mesmo que nem metade seja, uma gota de água num deserto já é considerada uma benção. Mesmo tendo passado por muitos momentos difíceis na vida, intensificados nos últimos anos, nunca deixei de fazer tudo o que era obrigação, e nem de me divertir, ainda que em alguns momentos o ânimo tenha sido somente para um livro em casa. O que, diga-se de passagem, está classificado como uma das minhas diversões preferidas!

Entretanto, desde a morte da minha mãe entrei numa fase ligeiramente obscura. Pela primeira vez na vida. Acho que foi a gota d’água no meu balde, e por fim, tive de admitir que havia uma metade vazia. Afinal vazio é a palavra que define melhor o que senti depois da ida dela. Não deixei de cumprir com uma só obrigação, e passado pouco menos de um ano comecei a me divertir de novo. Não, o vazio não parecia estar só em mim. Perdi um pouco da fé na humanidade. Eu que sempre acreditei na evolução da humanidade, no melhor do mundo, e em mais, muito mais do que isso, na plena capacidade pessoal de muda-lo, comecei a me questionar. Me senti fraca e impotente perante ao mundo.

Isso fez parte do meu luto, e acho que foi a maior prova que tive dele. Duvidar de mim mesma e do mundo foram uma tremenda de uma novidade. Questionei tudo: capacidade intelectual, motivação, futuro, continuidade. Porque e pra que? Mas segui, fazendo o que tinha de fazer. Não as grandes metas, não os sonhos, esses ficaram em stand by. Ainda estão. O que mudou então, você me pergunta. E eu digo, por enquanto nada mudou, mas eu vi luz de novo, vi esperança. Os anjos me mandaram ela na forma de música, o que me faz pensar na minha mãe de novo, afinal, ela era música, e hoje pra mim, ela é música.

Passei o dia ouvindo música, em todos momentos fora da sala de aula, como tenho feito desde que voltei a ouvir sem desabar de chorar, e eis que meu shuffle me enviou, ou entenda que foram os anjos, ou uma anjinha muito especial, três músicas muito queridas, uma que era das preferidas dela, e uma que é das minhas preferidas, o que reforça minha teoria de que mamis continua cuidando de mim.

Aparente meu período de escuridão está acabando e here comes the sun, afinal o sol ilumina a escuridão que a humanidade encerra, e uma canção é para acender o sol no coração da pessoa. Little Darling, the sun is returning to the faces, and it’s ok. Com a canção podemos reunir o céu e a terra, bairro e favela. Talvez ainda haja esperança pra humanidade. Talvez ainda haja esperança pra mim. Afinal, se eu acreditava a tão pouco tempo que podia mudar o mundo, quem sabe essa incerteza não vem da dor, que é a razão de toda dor, do medo de sentir dor. Quem sabe o sol não está batendo de novo na janela do meu quarto. E se o caminho é o sol, e se não devo mais esperar, peço, como a formiguinha, que o sol derreta a neve que prende meu pezinho, para que eu esteja livre da escuridão, e possa levar um pouco dessa luz pra humanidade. E o sol está devolvendo minha coragem roubada. E peço a ele forças para celebrar, para defender para reunir. Jogarei a loto desse ieieiê!

 

Cutucando a colmeia: o reinício da música

(texto escrito a cerca de um ano – Abril de 2013, logo depois do aniversário de Brasília)

Eu voltei a ouvir a rádio Nacional F.M. 96.1!

Esse texto é uma tentativa, depois de escrever a primeira linha já enxergo o computador meio borrado, não sei se vou conseguir terminar…

Eu cresci envolta em música, sempre todos os minutos da minha vida! Tive mãe, pai, avós, todos muito musicais, cada um à sua forma, compondo uma bela harmonia no conjunto da obra.

Apesar de nunca ter parado de ouvir música, confesso que fiquei um ano sem ouvir a Nacional, tentei várias vezes, pra mudar de estação menos de cinco minutos depois em meio a muito choro. A primeira vez que ouvi a voz dela no rádio meu impulso irracional foi correr pro estúdio da rádio, pra ver se ela estava perdida por lá. Samba também dói! Mas foi ouvindo samba de novo que percebi que samba dói! Pra mim e pra todo mundo! E foi assim, com samba, que eu resolvi cutucar a colmeia!

Sim, eu sei que o ditado é cutucar o vespeiro, mas de um vespeiro só sai dor. Da colmeia, entretanto, se você aguentar algumas picadas, pode saborear umas gotinhas de mel! Estava muito fraca para as picadas antes, mas agora começo a escrever a minha bitter-sweet symphony, e o amargo da dor se mistura com o doce da música e de todas as lembranças que me abraçam quando a escuto. Abraços de fantasma, só o espectro do que já foi, mas doces!

Charlie Haden & Pat Metheny, Beyond the Missouri Sky, o único disco do meu pai para minha mãe, com dedicatória. E como ela ouvia esse disco! Charlie Haden & Keith Jarrett, Jasmine, foi também o único disco que ela trouxe da viagem a Paris! O único! O baixo que ela tanto amava e que me ensinou a amar!

Tínhamos tantas brincadeiras que envolviam a música e a rádio! Para mim eram só brincadeiras, mas como aprendi! Ela fazia meu Memória Musical de anos em anos! Anotava tudo! A primeira vez que ela fez eu devia ter um seis anos e só consegui pedir uma música, Hit the Road Jack, Ray Charles! Amava o disco, tínhamos o vinil, e na capa tinha um coelhinho, que eu achava que indicava, portanto, ser apropriado para crianças! Pedia para ouvir o disco do coelhinho toda hora!

Ouvíamos rádio e ela me perguntava voltando do Canarinho pra casa, “Isso é Jazz ou Blues?”, “Isso é Samba ou Choro?”. Não eram fáceis, ela ria alto quando eu errava e eu ficava com medo de decepcioná-la! Mas ela ria alto quando eu acertava também, e cantava! E a chance de ouvir ela cantar era suficiente pra me fazer superar o medo de errar, era minha grande recompensa! Ela cantava poucas vezes pra maravilha que era ouvir!

Ela ouvia Pink Floyd quando queria gritar e chorar, eu aprendi a ir dormir sendo “ninada” por essas músicas. Anos e anos depois, aprendi a acordar com samba todo domingo de manhã, um samba triste que escondia as lágrimas dela, derramadas pela perda do meu avô! E ela cantava, e chorava, e ria, e choramingava.

Meu avô! My very own superman! Tom Jobim e George Gershiwn! Tamborilados na ponta do dedo enquanto ele lia o jornal, ou anos mais tarde, jogava uma paciência no computador, nas manhãs de domingo. A música que eu ouvia enquanto nadava na piscina e ele lia o jornal me vigiando. E a vovó nos trazia um suco de manga do pé, e esperávamos o resto da família chegar pro singelo almoço de mais de trinta pessoas só da família mais próxima, todo domingo! Minha infância teve cheiro de manga e jabuticaba do pé, cloro da piscina, e som de Tom Jobim e Gershwin! E dos sons da vovó, de Armstrong, e Autum Leaves! A primeira música que gravei do computador, baixado para ela, a pedidos, Autum Leaves. Eu ouvia esses sons enquanto pregava e despregava botões de um retalho toda manhã nas férias para aprender a pregar botões.

E as outras brincadeiras que minha mãe e eu fazíamos. Bloquinhos de três músicas! Bem ao estilo radialista! Ela pegava uma música que eu gostava, estava ouvindo muito na época, e me mostrava as referências originais, e ouvíamos juntas pra ver se ficavam boas juntas, se ficassem, viravam um bloquinho! Meu bloquinho preferido sempre foi Águas de Março (Tom Jobim), Reza (Elis Regina) e Sambatron (Skank). Escutem as três nessa ordem, vai fazer sentido!

E outros, vários outros! Quantos Chicos, quantas brincadeiras, quantas referências e piadinhas internas. Quantas vezes não falamos que era culpa do Ahmed (vide DVD Cidades, Chico Buarque), ou quantas vezes ela não me convenceu de que Domingo no Parque foi feito pra mim, e Beatriz pra ela! Um verão inteiro na Bahia ouvindo “to te esperando na janela, ai, ai” e tirando fotos minhas posando nas janelas, e outros, tantos outros momentos!

Tem muito mais a ser dito a respeito da minha memória musical, mas por hoje não consigo mais! Dói! Dói, mas é doce!

Para começar o dia com alegria e bençãos

Bloquinho de três é uma brincadeira de origens radialistas. Minha mãe trabalhou como radialista durante grande parte de sua vida, desde logo após meu nascimento, até sua morte. Cresci tendo o rádio como parte fundamental da vida, não somente como ouvinte, mas acompanhando produção e programação de perto. Umas das brincadeiras que minha usava para poder trabalhar e me distrair quando chegava em casa, era propor o desafio de combinar blocos de músicas que tivessem algo em comum ou que simplesmente fossem agradáveis de serem ouvidas em sequência. Após sua ida para outro universo, continuei a brincadeira, formando meus bloquinhos imaginários. Agora compartilho com vocês essa brincadeira. O desafio é que cada um descubra qual a conexão entre as músicas de cada bloco. Sempre lembrando que não há resposta correta, o gostoso é brincar, ouvir e cantar.

A reza, as águas e o samba

Bloquinho de três é uma brincadeira de origens radialistas. Minha mãe trabalhou como radialista durante grande parte de sua vida, desde logo após meu nascimento, até sua morte. Cresci tendo o rádio como parte fundamental da vida, não somente como ouvinte, mas acompanhando produção e programação de perto. Umas das brincadeiras que minha usava para poder trabalhar e me distrair quando chegava em casa, era propor o desafio de combinar blocos de músicas que tivessem algo em comum ou que simplesmente fossem agradáveis de serem ouvidas em sequência. Após sua ida para outro universo, continuei a brincadeira, formando meus bloquinhos imaginários. Agora compartilho com vocês essa brincadeira. O desafio é que cada um descubra qual a conexão entre as músicas de cada bloco. Sempre lembrando que não há resposta correta, o gostoso é brincar, ouvir e cantar.