Dicas de Roupa

Eu decidi falar hoje de algo que entendo muito pouco, pouquíssimo, que é moda! Nunca me sinto segura para falar de algo que entendo pouco, mas não vou me fazer de blogueira de moda super entendida das trends, porque não sou. Vou fazer o que eu sei fazer, compartilhar minha experiência própria. Então já fica a dica, se você é da área de moda e acha que eu falei besteira, deixe uma contribuição construtiva nos comentário, combinado?!

Eu sempre gostei de me vestir com muito conforto, odeio usar salto, roupas muito justas e não tenho paciência para maquiagem. Também cresci com um guarda-roupa bem enxuto, composto em sua maioria de doações, aquelas roupas das primas e tias que me salvaram a infância e adolescência inteiras. Mas sempre fui fã de uma camiseta e jeans (short ou calça).

Depois comecei, até por pressão de trabalho e universidade, estágios, etc, a ter que amadurecer meu guarda-roupa. Mas a perspectiva das roupas formais sempre me assustou. Já tive terno, já usei em estágio, já usei em emprego. Pessoalmente, não gosto. Me sinto fantasiada. Tipo a “Barbie Escritório”. Mas quando tem que fazer a gente faz né.

Em outro momento me livrei do mundo mais formal e segui minha vida profissional dando aulas de idiomas, o que me permitiu manter um visual bem informal, e já tendo mais possibilidades financeiras, passei a investir em algumas roupas coloridas, já que amo cores, muitos vestidos e saias midi ou longos, para poder trabalhar mas também sobreviver no calor de Brasília, além de calças de panos leves, mais curtas, ou que ficassem bem com a barra dobrada. Enfim, roupas que pudessem ser vistas como “de trabalho” mas que eu também pudesse sentar no chão com alunos pequenos, cantar e dançar, e me manter sã no calor.

Quando fui pra São Paulo percebi que 99% do meu guarda-roupa era de verão. Muitos shorts, saias e vestidos esvoaçantes. Nada combinava com a cidade da garoa, com muita chuva, dias mais frescos e um inverno muito mais frio do que eu estava acostumada. Além disso sofri com os sapatos. Em Brasília usava muita sapatilha e tênis de tecido, estampado, coisas leves, muitas vezes com aberturas, ou seja, para um lugar onde o clima predominante é o seco e quente. Na Terra da Garoa, perdi alguns pares de sapato, ensopados de uma lama cinza-chumbo fuligem+poluição, até aprender que precisava de outro tipo de coisa.

Aí me desfiz de quase tudo e investi em um all star emborrachado, uns dois pares de Melissas e passei a usar no dia-a-dia minha galocha e as botas e casaco impermeáveis de trilha que antes eu só usava para trilha. No fim das contas, fora os dias mais quentes, que só me salvavam as Melissas, a bota de trilha virou minha melhor companheira, porque me aguentava andando o dia inteiro, pegando ônibus, indo a pé, sem sofrer, sem bolhas, sem pé molhado, sem ter que lavar o sapato da fuligem-lama-poluição no fim do dia. Virou uniforme!

Mais a alma nômade aqui não se aguenta e eis que vim parar nos Pirineus no início do inverno, com muita neve e vento frio. Apesar de dessa vez já ter me desfeito de quase todo o guarda-roupa, pra conseguir me mudar com duas malas apenas (que continham também panelas, toalhas, edredom, minha vida, etc), percebi que não tinha roupas adequadas pra esse clima. Corri para a Decathlon, em busca de uma salvação rápida e barata, pois tinha acabado de lidar com os custos todos da mudança e me virei com o que achei de menor preço.

Juntando essa história toda, minha paixão por cores, as muitas mudanças, os infinitos climas, os desapegos mais que necessários, os preços, a disponibilidade, a urgência, todos juntos, um dia entrei no elevador e ouvi do meu marido, a última pessoa que liga pra moda, um “mas você vai sair assim?”, estranhei e me olhei no espelho. Eu estava com um gorro laranja abóbora, camiseta térmica branca, casaco preto com zíper e detalhes rosa bem forte, legging cinza, meias tipo academia, daquelas que vão até o meio da canela por cima da legging rosa-choque, botas de neve com detalhes rosa forte, um cachecol azul. Tá, predominava o preto e rosa, combinação que já não é muito suave ou discreta, mas a adição de laranja, azul e até mesmo o cinza e branco, e as formas também, a legging muito justa, a meia muito longa por cima, o casaco um pouco curto, a camiseta aparecendo por baixo, bom basta dizer que podia até não estar muito feio, e estava quentinho, mas não era nada muito agradável aos olhos, que dirá fashion.

Depois desse dia parei para pensar e percebi que ao optar por roupas mais informais e esportivas, eu tinha conseguido várias peças muito confortáveis, por ótimo preço, mas que não necessariamente combinavam entre si, e que por isso, eu estava sempre me sentindo menos arrumada, como se tivesse me vestido às pressas, ou saído há pouco da academia e jogado uns casacos, cachecol e luvas por cima.

Comecei a pesquisar o que podia fazer a respeito, levando em conta minhas premissas: 1 – trabalho de casa, o que me permite me vestir informalmente, mas apresentável; 2 – faço trilhas com frequência, às vezes de dia todo, mas às vezes mais curtas, e tenho uma aula para dar antes ou depois; 3 – gosto de conforto e bom preço; 4 – queria um guarda-roupa minimalista, com menos peças, por questões ideológicas, menos consumismo, menos tralha na vida e facilidade nas mudanças.

A primeira sugestão veio do meu marido, a ideia de escolher uma a 3 cores principais e me manter nelas. Nada de ter uma peça de cada cor. Por mais que eu ame cores, essa sugestão foi uma das melhores da vida em termos de guarda-roupa até hoje e é imprescindível para um minimalista.

A segunda foi usar o pinterest e pesquisar moda por itens. Quando vemos blogs, sites e revistas de moda, o que está lá é a moda da vez, que muitas vezes não resolve o problema dos reles mortais no dia-a-dia. Mas no pinterest dá pra procurar por “botas de trilha + outfit”, por exemplo, e vão aparecer vários exemplos mais fashionable, fotos de revistas, ideias de como usar botas de trilha.

Depois de toda essa longuíssima reflexão, vamos as lições que eu aprendi, e que podem ser úteis pra outras pessoas:

1 – defina seu tipo de guarda-roupa, e quantos você precisa ter!

Ex: só posso trabalhar com roupas formais, mas amo usar jeans rasgado. Moro num local com inverno rigoroso e verão muito quente. Essas diferentes colocações vão te dar uma ideia do que é indispensável para você. Se seu guarda-roupa de trabalho e fora dele podem se misturar ou não, se você precisa de roupas para estações diferentes, ou se bastam alguns casacos, mas a base da pra manter, etc.

No meu caso eu posso usar as mesmas roupas para trabalhar, fazer trilha e minhas coisas de casa, desde que escolha bem as peças. Moro num local com 4 estações bem definidas, então preciso de 3 tipos de roupa, verão, inverno e primavera-outono.

2 – Escolha cerca de 3 cores e fique com elas! 

Essa parte é difícil, e estou numa transição porque não vou simplesmente jogar minhas coisas boas fora por conta da cor, mas o que adquirir de novo entra nesse esquema. Eu elegi o preto e o cinza como cores básicas e o azul como cor diferencial. O que me agradou nessa escolha é que tanto o cinza, mas principalmente o azul, possuem uma infinidade de tonalidades, que ficam muito bem entre-si. E mesmo que eu tenha peças que vão do azul-marinho mais escuro, ao azul-esverdeado mais claro, passando pelo turquesa, azul-céu, etc, elas combinam entre si e não preciso pensar muito a respeito.

Liberei o roxo e tons de lilás como uma cor terciária que pode aparecer com menor frequência, e alguns brancos. Amo roxo, já possuo muita coisa dessa cor, não queria desperdiçar e é uma cor que vai bem com as azuis, e aí só preciso pensar um pouquinho antes de vestir.

Ainda acho muito ruim o fato de as roupas esportivas femininas virem quase sempre com detalhes em rosa. É uma cor bonita, apesar de eu não gostar muito, mas é uma cor muito marcante e que não vai bem com todas, especialmente no tom forte, ou choque, que geralmente é usado nesse tipo de roupa. Muitas vezes tenho dificuldade em encontrar opções sem o rosa.

3 – Pare de usar roupas íntimas, meias e camisetas brancas. 

Essa acho que é uma das afirmações mais polêmicas, mas o motivo é simples, elas mancham muito mais fácil e rapidamente e exigem horas e custos extra em tira-manchas e lavagens para ficarem com aparência apresentável. Então preferi eliminar. Mantenho minhas roupas muito bem lavadas, mas não preciso ficar obcecada com manchas e nem me desgastar cuidando delas. Tenho uma bata e uma camisa de botão brancas poque são úteis no guarda-roupa minimalista e, por usar com menor frequência e não em ambiente de trilha, mancham menos.

4 – Use mais roupas masculinas. 

Essa também pode ser polêmica, mas explico. Primeiro tem essa mania das lojas, especialmente as de roupas esportivas, de colocar detalhes em rosa/laranja/amarelo berrantes em roupas femininas. Você quer um casaco preto discreto, ou um cinza, e acha, preto, cinza, azul, com todos os zíperes, elásticos e fechos em rosa/laranja/amarelo berrante. Oi??? Lojas, melhorem! Eu sou mulher e não vou deixar de ser feminina por usar uma roupa esportiva toda preta, cinza, azul ou bege, sem detalhes de nenhuma outra cor. Obrigada! E as masculinas são discretas, preto é só preto, cinza é só cinza, marrom é só marrom, ou as combinações são entre cores sóbrias e não fosforescentes.

Segundo, os bolsos são maiores, os casacos mais confortáveis, porque não são tão curtos, e se você conseguir uma loja masculina que tenha modelagens pequenas, geralmente encontra seu tamanho. Às vezes precisa de um pequeno ajuste na cintura, mas vale a pena.

Terceiro, infelizmente, muitas vezes, a roupa masculina equivalente a feminina é mais barata. A meia muitas vezes é mais grossa (do mesmo tamanho) e acomoda melhor no pé, protegendo melhor de bolhas e calos, o casaco tem mais bolsos, enfim. Experimenta e me conta depois.

5 – Dê uma atençãozinha para os detalhes! 

Muitas vezes a diferença entre uma roupa informal com cara de quem acordou atrasada e uma considerada “na moda” é um cinto, uma barra da calça ou das mangas da camiseta dobradas, uma faixa no cabelo, uma munhequeira bem colocada, a coordenação entre o formato da camiseta/alças/decote e o do top embaixo, entre outras. Para essas o Pinterest salva. Escolhe um item, mesmo que você ache que não tem nada a ver com moda, como botas de trilha, luvas de esqui e coloca lá. Vão aparecer fotos legais, com sugestões interessantes de uso.

6 – Tenha os acessórios em cor neutra!

Meias, luvas, cinto, munhequeira, faixa de cabelo, cachecol, gorro, esses itens eu hoje em dia tenho todos em preto e/ou cinza. Facilita, ninguém repara que você usa o mesmo todo dia, e combina com tudo.

Um cachecol ou outro numa das suas cores escolhidas vale também! Mas tenha o básico e se for ser minimalista à risca, só o básico.

Eu confesso que depois de fazer essas modificações, minha vida ficou mais simples, escolher roupas de manhã sem ter que pensar nas diversas atividades do dia e saber que qualquer uma vai servir para todos os casos; poder jogar na mochila quaisquer 5 camisetas e duas calças e saber que todas combinam entre-si; me sentir melhor, mais bonita e apresentável sem sofrer pra isso, são só algumas das vantagens que eu vi.

Ainda tenho algumas peças muito boas e que fogem à essas regras e uso bastante, como meu casaco impermeável vermelho, porque ele é ótimo e sou contra trocar estando bom. Vermelho e azul não ficam ruins, então vamos nessa. No dia que estragar, aí eu repenso. Essas conclusões e aprendizados vão muito além da moda, geram um pensamento em torno de sustentabilidade, meio-ambiente, e bem estar pessoal, independentemente da moda que muda toda semana. Quem sabe não te inspira também!

 

 

 

Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!

Calçados para trilha

Hoje fui andar pela cidade enquanto esperava a biblioteca abrir, minha atual única fonte de internet! E fiquei toda feliz olhando para minha bota nova de neve, surpresa de não estar sentindo nenhum frio, embora estivesse de legging e com apenas uma blusa em baixo do casacão. No meio do passeio, entre terrenos lindos, com casinhas fofíssimas de um lado e o rio Segre, com o parque olímpico de remo do outro, resolvi escrever um pouco sobre vestimenta para trilhas no frio. Prometo que no próximo escrevo sobre o Parc Olimpic del Segre porque também vale a pena!

Antes de começar vale citar que por falar de roupas, calçados, etc, vou citar marcas e dar minha opinião sobre o que já usei. Não é propaganda, nunca recebemos nada por isso, pelo contrário, já gastei um bocado com esse tipo de roupa. Dado o aviso, vamos lá.

Vou começar pelo calçado, que na minha opinião é a parte mais importante para o trilheiro. Eu tive durante longos e assustadores 11 anos uma bota de trilha da Reebok, o modelo super antigo já não se encontra disponível, mas ela foi uma fiel companheira para uso eventual e descontinuado, embora intensivo. Em 2014 ela já estava mais gasta na sola que pneu de carro velho, e, embora com aspecto usado, estava em boas condições na parte superior, uma vez que eu sempre fiz manutenção, troquei o cadarço umas 3X nesses anos e alguns ilhoses também. Mas bota de trilha tem que estar com a sola em dia, a lógica é a mesma do pneu. Se as ranhuras não estiverem suficientemente profundas, você escorrega.

Troquei por uma Timberland (Chocorua Trail Mid with GORE-TEX®) que atualmente está sendo vendida por 140 euros no site da Timberland. Apesar de cara (em 2014 paguei em Brasília entre R$500-R$600) gostei muito, sempre foi muito confortável e prática e já estreei numa viagem de 15 dias de mochilão: Amsterdã – Madri – Barcelona, na qual só usei ela todos os dias. Minha experiência com essa bota foi bem diferente da anterior da Reebok, por causa do tipo de uso.

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Existem três classificações que devem ser consideradas para analisar o tipo de uso, e consequente desgaste, de um calçado: frequência, intensidade e altitude. Frequência se refere a quantas vezes por semana você usa o calçado, se for todos os dias, a frequência é alta. A intensidade diz respeito ao tipo de uso. Se por apenas 1h 0u 2h, como calçados de corrida, a intensidade é menor que os de trilha, que geralmente são usados por entre 6h a 12h em um único dia. Ainda assim, nesse exemplo ambos estão sendo usados para fins esportivos, o que exige uma intensidade alta. Caso use para trabalhar a intensidade do uso muda se você trabalha sentado ou andando, se se locomove até o trabalho a pé ou de carro, etc, quanto mais tempo de contato do calçado com o chão no seu pé e quanto maior seu esforço, maior a intensidade de uso. E a altitude é se você usa o calçado em planície ou montanha. O desgaste em montanha é bem maior.

O da Reebok, que durou 11 anos, foi usado em baixa frequência, apenas em viagens, com grande intensidade, e em altitudes variadas. O que garantiu a ele a sobrevida, além da manutenção, foi o uso eventual. O da Timberland, comprado em 2014, teve uso frequente (quase diário por 2 anos e meio), intensivo e além do dia-a-dia em planície, pegou muita montanha. Por isso já estava um tanto desgastado, inclusive na sola. Quando coloquei ele na neve, refazendo a trilha 3 (Coll Midós) com o André no meio de dezembro ele quase não aguentou. A parte frontal queimou muito, o que o deixou manchado. Culpa minha que coloquei na neve alta e fofa um calçado que não era para essa finalidade. Com isso a borracha dianteira abriu e agora e impermeabilização ficou um pouco comprometida e visualmente ele está bem velho e acabado.

Por isso fui pesquisar e comprei uma bota específica para caminhada em altitude na neve. Minha preocupação maior foi a durabilidade e a resistência, embora ela aqueça também. O uso aqui será frequente, intensivo e de montanha. No fim do inverno conto como ela se comportou. Comprei a bota de travessia Forclaz 500 Warm impermeável Quechua, disponível em preto e rosa ou azul e salmao, na Decatlhon por 54,99 euros.

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Já fiz uma trilha bem puxada com ela, e o resultado foi bom. E olha que a neve vinha até a coxa em alguns momentos. Ela parece bem bruta mesmo, e espero que seja, pra aguentar esse ritmo. No verão acho que vou ter que trocar a minha da Timberland e comprar outra.

Ainda sobre calçados, algo absolutamente fundamental para o caminhante é o fator impermeabilidade. O calçado, seja verão ou inverno, tem que ser impermeável, se o uso for intensivo. Mesmo pra quem, como eu, morou anos no cerrado e só via chuva às vezes, ainda acho que vale a pena investir na impermeabilidade do calçado de trilha. Caso você esteja na trilha e chova, ou se precisar atravessar um rio e ele for bem raso, e dê pra molhar só a ponta, tudo isso o impermeável aguenta. Caminhar com os pés (meias e parte interna do calçado) molhados é a pior opção que você pode fazer. O calçado e você perdem desempenho, o pé machuca, e você perde muito calor (o que se for inverno pode ser um erro fatal). Além disso, caminhar com o calçado molhado por dentro, além de te machucar mais, danifica o calçado mais rápido.

Existem inúmeras formas de deixar um calçado impermeável, a mais básica é utilizar borracha ou plástico por fora, como é o caso das galochas e mesmo das Melissas. Só que esse material tende a ser menos anatômico e a ter pouco agarre, assim, as botas especializadas para trilha possuem membranas com tecnologia para torná-las impermeáveis. Essas membranas atuam em 3 quesitos: transpirabilidade, impermeabilidade e corta-vento. O plástico e a borracha são impermeáveis e corta-vento, mas não permitem transpiração. Para manter os pés secos em marcha, o calçado deve permitir que a transpiração evapore, ou o pé ficará molhado com ou sem chuva depois de algumas horas de caminhada fazendo esforço na subida. E não há meia que aguente. A impermeabilidade em si é a capacidade de agua escorrer por cima sem penetrar a membrana. E o corta-vento é o poro estreito que não permite que o vento entre, embora permita que o suor saia.

O nível de impermeabilidade é medido em flexões. Geralmente se usam 3 medidas: 2000, 4000 ou 8000 flexões, que equivalem a 2h, 4h, ou 8h em marcha sob chuva intensa. O trilheiro costuma passar o dia todo em marcha, por isso eu prefiro investir em 8000 flexões embora caçados com esse nível de impermeabilidade sejam um pouco mais caros.

Existem duas marcas famosas de membranas: a Gore-TEX (que marcas famosas como a Timberland e a Salomon usam) e a Novadry (utilizada pela Quechua e produtos Decatlhon). A Gore-TEX me atendeu muito bem até hoje, e agora a Novadry tem sido excelente também. Li muitos relatos, blogs e comentários sobre elas. Há quem prefira um tipo ao outro, há quem diga que é a mesma coisa com dois nomes comerciais. A tecnologia é similar e o efeito também. Não sei ainda se a durabilidade é a mesma, mas há que se considerar a diferença de preço, que talvez compense uma mais cara por mais tempo ou dois pares mais baratos em menos tempo. Como agora, morando num clima mais temperado, vou precisar diferenciar em verão e inverno, prefiro ter dois pares com preço mais acessível e aliviar na frequência.

Também é necessário considerar o nível técnico do calçado como um todo, o número de flexões, a profundidade das ranhuras na sola, o nível de transpirabilidade e isolamento térmico. Todos esses fatores influenciam, e claro, o uso e a manutenção que cada um faz. Nunca subestime o poder da manutenção. Passar uma água por fora, nunca lavar na máquina, deixar secar bem por dentro (suor e/ou chuva) antes de usar de novo, tudo isso garante uma vida maior ao calçado.

Mesmo com toda essa tecnologia, na última trilha ainda voltamos com os pés um pouco molhados, pois a neve estava tão alta que acabou entrando entre a calça e a bota e aos poucos a água minou para dentro. O modelo de bota de neve do André (Novadry – Decatlhon também) com preço ainda mais acessível e menos níveis técnicos molhou mesmo por dentro. A minha (que segundo ele só falta fazer café) molhou só a parte superior do tornozelo, e a água não minou para dentro da bota. Ainda assim foi um pouco desconfortável na trilha de volta. Na próxima usaremos a calça impermeável para dentro da bota.

O ideal para os trilheiros e ter pelo menos 2 calçados disponíveis. Com esse tipo de uso intensivo eles arrebentam mesmo. Para viagens de 1 a 15 dias eu recomendaria levar um só, adaptado à estação do ano. Para mais do que isso eu recomendo levar 2 pares. Caso você não more próximo a uma boa loja de artigos esportivos, ou esteja em viagem, vale a pena ter no mínimo um par sobressalente. Foi o erro que cometi. Vim para La Seu com apenas a bota da Timberland, e alguns outros calçados adaptados para verão ou passeios leves em planície, ainda que na neve, como minha galocha da Hunter, adquirida na Escócia e muito popular por lá, que é ótima para uma caminhada em terreno plano, ou em charcos e pântanos, aí ela se supera!  Mas que não tem agarre e nem desenho anatômico pra montanha.

Acabamos tendo que ir até Girona para adquirir a bota de neve. Em Andorra eu poderia ter comprado outra Timberland. Mas confesso que o diferencial de preço oferecido pela Decatlhon me convenceu a ir até lá, além de ser uma ótima desculpa para viajar mais um pouco. E o valor da gasolina valeu a diferença!

Nos próximos vou comentar sobre as roupas, o sistema de três camadas e a importância de um tecido corta-vento no frio!