Congost de Mont Rebei

Congost de Mont Rebei – 02/04/17

Dessa vez eu vou escrever um pouco mais, mas não sem motivo. Juro!

A ideia pra essa trilha veio de fuçar a internet, mas a motivação final veio quando uma companheira de aula de catalão, quando perguntada se havia visitado o Prat de Cadí, perguntou de volta se havia ônibus para lá. Com a resposta negativa da professora, veio junto uma cara de frustração e desolamento da aluna. Eu e a Ju não nos aguentamos e a convidamos para caminhar conosco. Fizemos uma lista de locais para visitar, mas a verdade é que o mais bacana de todos e o único sem metros de neve cobrindo a passagem era o tal Congost de Mont Rebei.

Na data combinada então fomos nós dois, o Picot, a Lena (já referida) e a Marion (que também fazia aulas, mas naquela altura já tinha parado) para o Congost. Saímos às 9h e depois de uma longa viagem de 2h30 com direito a uma volta desorientada pelo Território de Aragão, chegamos ao destino. O caminho não é difícil, mas o trecho final, já perto de Pont de Montanyana (sim, escreve assim) é mal sinalizado. Quase tive um enfarte quando chegando lá o guarda da entrada perguntou se eu tinha reserva. Mas ainda haviam vagas de estacionamento livres e isso não fez diferença dessa vez.

Começamos a trilha em meio a uma multidão de gente, devido ao lindo dia de sol, ao fato de ser domingo e também por ser uma das trilhas mais famosas da região (o que, aliás, é plenamente justificado). Caminhamos por um trecho plano e aberto até termos que atravessar uma ponte de metal que cruzava um pequeno desfiladeiro. O Picot achou a ponte perturbadora, mas corajoso e disciplinado como é, atravessou sem reclamar muito.

Logo mais a trilha começou a inclinar, ate chegar a um caminho cavado na pedra, já no paredão do tal Congost. A vista dalí é um tanto assustadora, pela inclinação da queda e pelas dimensões da natureza em volta. O paredão é imenso, e ao olhar para o outro lado e ver o equivalente em outra perspectiva, a sensação de pequenez toma conta da gente rapidamente. A água abaixo é de um tom esverdeado esmeralda que reflete bem a luz do sol, quando essa entra pela abertura do cânion.

Depois de um bom tempo caminhando pelo estreito e movimentado corredor, a trilha finalmente sai do paredão e desce consideravelmente em direção ao rio. Em um trecho ensolarado e pedregoso que pensávamos que podíamos tentar nadar, paramos para comer. Depois disso o bom senso falou mais alto e procuramos um local mais seguro para o banho. Ali era fácil entrar na água, mas parecia realmente difícil de sair depois…

Seguimos a trilha convencional até uma segunda ponte, que atravessa pro outro lado do rio, território aragonês. subimos um trecho bastante inclinado e com uma pedra bastante lisa compondo o caminho. A Lena argumentou que a pedra parecia engordurada, e a Marion nos disse que se quiséssemos seguir sem ela, ela esperaria ali para não nos atrasar, sem saber ela que nós também já estávamos acabados!

Voltamos até o ponto anterior a segunda ponte, onde eu tinha visto antes um píer de madeira no final de uma trilha secundária. Lá nos preparamos pra nadar, mas a maioria do grupo só pulou rapidamente na água e já saiu para o sol, pois estava realmente gelado lá dentro (não tanto quanto na Cascada del Molí, mais ainda assim bem gelado!)

O caminho de volta foi bem tranquilo e, devido ao nosso cansaço, mais silencioso. Também pelo horário, o caminho estava muito mais vazio. Aproveitamos para dar uma última olhada nos precipícios imensos e nas variação de cor de acordo com o horário. A Marion bem observou como as árvores abaixo de nós estavam com uma tonalidade arroxeada, por exemplo. Já no carro, voltando para La Seu, eu e a Ju conversamos longamente com a Lena sobre as possíveis escolhas para o futuro (ela logo mais terá que escolher uma faculdade), enquanto a Marion tirou um cochilo invejável.

Enfim, o dia foi extremamente agradável, em um local maravilhoso e com excelente companhias. O Picot exultava de felicidade com uma matilha muito maior do que estava acostumado e acho que todos nós pudemos aproveitar fartamente o dia!

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Estanys de la Pera – Trilha 6

29/12/16

Estanys de la Pera

Essa foi sem dúvida a trilha mais bonita que fizemos até agora, além de ser uma das mais fáceis também. A trilha segue da estação de esqui de Aransa (esqui nórdico, que é parecido com uma patinação) e vai seguindo próximo ao rio Molí por quase o caminho todo. O resultado é que a trilha é quase toda plana e com imagens memoráveis do processo de congelamento do rio, com caverninhas de gelo e esculturas modernistas feitas pela natureza, além da vista para as montanhas em quase todas as direções. Desta vez não vou marcar o roteiro porque só existe basicamente essa trilha pelo caminho e são poucos os pontos de identificação.

Saímos cedinho de casa e fomos de carro até a estação de esqui de Aransa. A estrada está bem limpa e preservada, não há nada com o que se preocupar. De lá, cobra-se uma taxa de 3,50 euros para fazer a trilha, justificados como manutenção de estrada e sinalização das trilhas. É possível passar por outros caminhos, mas realmente sem um gasto na preservação, as outras estradas ficam horríveis. O caminho começa um pouco mal sinalizado, mas nada que um pouco de atenção não resolva. Ele deve seguir por uma estrada mais aberta, por dentro de uma mata de pinheiros.

Eventualmente, a trilha abre vista para um vale a leste e alguns pequenos córregos cortam a estrada e se congelam. Muito cuidado para não escorregar, falamos isso por experiência própria! Mais a frente a estrada acaba, mas há uma marcação tímida indicando uma trilha que sobe para a esquerda. A subida é bem leve e pouco a frente começa o trecho em que o rio se aproxima. Ele segue junto à trilha até uma grande área bosqueada mais a frente onde é possível ver um pequeno refúgio, mesas de pedra e churrasqueiras. Claro, ninguém usa esse aparato nesta época do ano, mas voltaremos em outro momento para ver como fica sem a neve e com pessoas.

A continuação da trilha encontra com a estrada e os dois caminhos são possíveis. Eu indico fortemente a trilha, pois além de mais reservada, há momentos que a estrada não proporciona, como a aproximação de uma pequena cachoeira. A formação de uma pirâmide de gelo em volta dela é uma coisa que impressiona alguém como eu, que até pouco tempo atrás conhecia muito pouco desse tipo de clima.

Não muito depois da cachoeira é possível ver o final do vale, com as montanhas fechando o cenário em volta. Neste momento desponta o Refugi dels Estanys de la Pera no alto de um platô. É sem dúvida o mais bonito dos refugis, mas parecia estar todo trancado. De fim de semana parece que abre-se a parte principal dele para turistas. De lá, a trilha bifurca para dois pontos de Andorra, um caminho indo para o vale de Perafita, a noroeste, e outro seguindo para os picos mais a leste.

Abaixo do refugi, está o menor dos lagos. Na ocasião da nossa visita, estava recoberto de neve por sobre o gelo. Eu andei um pouco sobre o lago, mas confesso que o medo do gelo partir me fez voltar rápido. Seguimos para cima até encontrar o lago maior, também recoberto, e um pouco mais difícil de encontrar pelas montanhas em volta. Um casal que andava a nossa frente tentou seguir pra lá do lago, mas desistiu pela profundidade da neve. Nós, claro, não desistimos tão fácil e seguimos nos arrastando pela neve alta e subindo nas pedras que surgiam no caminho, como náufragos. Depois de algumas centenas de metros e muito cansaço depois, vimos que acompanhar a trilha até o pico de Perafita seria impossível. A marcação das trilhas nas pedras era visível, mas a trilha em si havia desaparecido. Cavamos nosso caminho de volta até o refugi e de lá seguimos, molhados, de volta pela mesma trilha.

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