JuReMa no BPM: Andorra & Val D’Aran

Nesse domingo, dia 05/11/17 foi publicado no BPM meu post sobre turismo, especificamente sobre o Andorra e o Val D’Arran. Muitas das trilha que comentei por cima lá, temos detalhadas aqui, lembrando que temos inúmeras fotos e videos na Fã Page do Facebook e no Instagram.

Vai lá no BPM e lê o texto, que dá muitas dicas legais! Não deixe de deixar sua curtida e um comentário! Sem falar que você também pode seguir a página no Facebook do BPM e o perfil no Insta.

E aproveita e veja aqui também algumas das citadas lá, como o Pic Negre, os Colomèrs e o Val D’Aran, Pic de Medecourbe, o Aiguestortes, entre tantas outras que você pode ver no nosso menu viagens!

“Quando me mudei para uma cidade nos Pirineus, na Catalunha, fiquei muito animada com a perspectiva de estar morando nas montanhas, uma vez que no Brasil não temos uma região de montanhas do mesmo tipo e eu amo natureza e estar ao ar livre.

Minha atividade favorita sempre foram as caminhadas, também conhecidas como trekkinghiking, em inglês, e senderismo, aqui na Espanha. No Brasil, embora muito praticada, não é tão comum, mas na Catalunha, o senderismo é uma espécie de esporte nacional. A prática, embora oficialmente não seja considerada um esporte, é muito comum, e os diferentes caminhos, ou senderos, são muito bem marcados, com placas, sinalizações em forma de setas (caminho correto) ou cruzes (caminho incorreto), em diferentes cores, uma para cada sendero, em árvores e pedras, marcando o caminho até mesmo quando tudo está coberto de neve.” Para continuar a leitura, clica aqui!

 

Aiguestortes

08/09/17

Um dos locais mais famosos dos Pirineus é o Parc Nacional d’Aiguestortes, localizado no Noroeste da Catalunha, entre Val d’Aran e Pallars Subirà. A região é bastante despovoada, com menos de 20 mil habitantes entre as duas comarcas. Isso ajuda tanto na preservação da natureza quanto na sensação de isolamento, já que para chegar lá é preciso passar por imensos vales com apenas algumas esparsas vilas. Claro, durante fins de semana e dias festivos os parques são muito visitados, os catalães dão o devido valor para a natureza, sendo o excursionismo uma atividade disseminada pela região. Nós resolvemos criar vergonha e ir conhecer o local, que fica a aproximadamente 1h30 de viagem de onde estamos, e onde não havíamos ido até semana passada… O parque engloba uma série de vales profundos, regiões altas de montanha e agrupamentos de lagos de degelo. Um dos agrupamentos nós já descrevemos na trilha sobre os Colomers, mas o lago mais famoso da região é o Estany Sant Maurici, ladeado por uma cadeia de montanhas onde se encontra os famosos Encantats. Fizemos nossa peregrinação ao local, aproveitando para passar um pouco desse ponto, incluindo mais lagos na nossa visita, além de uma bela cachoeira e um “refúgio” de montanha.

A estrada até lá está muito bem sinalizada e preservada, exceto pelo trecho final, mas nada que comprometa a passagem, pelo menos no período sem neve. O acesso se dá mais ao norte de Sort, por uma cidade chamada Espot, que concentra escritórios para atividades esportivas de natureza e hotéis em sua pequena área. Dali, logo se chega a uma portaria, onde fica o carro. Seguindo a pé, o caminho é bem preservado e fácil para quem tem algum preparo físico, subindo levemente por um bosque por alguns quilômetros até o tal lago. No caminho, já é possível avistar os Encantats, uma montanha gigantesca e bastante recortada.

O lago em si é bonito, mas certamente não o mais impressionante que vimos até agora. O que colabora muito para classificá-lo como o mais famoso lago de montanha da Catalunha é o ambiente no entorno, com bosques de pinheiro e montanhas altas, enquanto os outros lagos já estão muito mais altos, em regiões acima de onde crescem árvores e muito perto dos picos. Também colabora o fato de ser muito acessível, tendo pessoas idosas e crianças feito a caminhada sem nenhum problema, além de um acesso por estrada para deficientes. Isso democratiza bastante o acesso, certamente. O lago de Certascan é muito mais bonito, por exemplo, mas o seu entorno é muito estéril e o acesso é praticamente impossível para quem não tem uma boa condição física. De qualquer maneira, o Sant Maurici é um local que merece a fama que tem, sem dúvida. Um outro ponto interessante do lago é que ele foi ampliado artificialmente com uma barragem. Nestes pontos ele é igual ao Lac Major de Colomèrs, diferindo dos lagos mais “naturais” como os de Perafita e Malniu.

Continuamos a trilha contornando o lago pelo lado norte. O caminho sobe seguindo um pequeno rio, que logo forma uma bela cachoeira, também bastante acessível. Ela não é grande, e também não chega a fazer uma queda vertical, mais deslizando pela pedra do que propriamente caindo. Mas a vista dali é de tirar o fôlego, mais do que já foi tirado com a subida até ali! É possível ver trechos do lago mais abaixo, por entre a mata. O caminho continua e logo a frente passa a linha das árvores. Isso é uma coisa muito curiosa em montanhas, há uma linha bem definida acima da qual as árvores não crescem mais. A vista fica muito mais aberta, mas tanto o sol como a secura ficam impiedosos. De qualquer jeito, segue-se por esse trajeto, contornando a estrada de montanha até o refugio de caminhantes Amitges.

Este refúgio de caminhantes não é exatamente nem um refúgio e nem de caminhantes… Muitas pessoas menos preparadas fisicamente, mas que querem curtir a altitude, pagam os jipes em Espot para serem levadas até ali. O local se converteu em uma espécie de hotel rústico, com direito a carregadores de mala que, em vez de táxis, dirigem LandRovers. Veja bem, nada contra esse tipo de turismo, desde que ele respeite o ambiente. O problema, na minha opinião, é a elitização do acesso, fazendo com que os caminhantes reais não tenham um local acessível para descansar durante as trilhas de mais de um dia. Também deixa evidente o confronto entre duas visões opostas de mundo, a visão daqueles que querem desfrutar da natureza em seu estado mais real e bruto, misturando-se a ela durante dias de estoicismo, com a visão de quem acha (e está certo) de que o dinheiro pode comprar os melhores locais, com as melhores paisagens, sem esforço ou comprometimento físico e ideológico. Fica claro qual das visões está lentamente eliminando a outra…

Passando o refúgio, chegamos logo a mais dois lagos, estes já de alta montanha. aproveitamos para nós refrescar um pouco (eu e o Picot, a Ju não!) e apreciar a paisagem antes de descida de volta. Lagos bonitos, mas nada páreo aos Colomèrs, que estavam a uma curta distância de nós neste ponto, do outro lado dos picos que nos cercavam. Para quem gosta de caminhadas longas (e, principalmente, não deixou o carro no estacionamento) essas trilhas de travessia ainda são muito bem preservadas nos Pirineus, mas dá a impressão de que já houveram dias melhores para os caminhantes. O caminho de volta transcorreu muito mais rápido, pois não precisamos parar para descansar.

No geral, eu achei que o parque merece sim a fama, que seja pelo menos por tornar acessível à todas as pessoas as belezas das montanhas. Mas se alguém quiser conhecer aquele canto único, onde quase ninguém vai, a raridade, não deposite suas esperanças aqui. Em nenhum momento ficamos plenamente sós na trilha, o barulho de conversas era constante (inclusive as nossas) e os jipes passavam com frequência por nós. A quem procura um canto reservado, minha dica é abrir o google maps, procurar os lagos mais próximos dos topos das montanhas e mais distantes das estradas, e então descobrir por conta como chegar lá!

La seu - Parking Sant Maurici

La Seu – Espot – Parking Saint Maurici

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Estany Saint Maurici – Refugì dels Amitges (Trilha disponível para download

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O Estany de Saint Maurici

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Els Encantats

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Continuamos a trilha

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Lagos acima do Refugì dels Amitges

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Val d’Aran

Val d’Aran – 17, 18 e 19 de junho de 2017.

No fim de semana do dia 17 e 18 nós resolvemos ir para o Val d’Aran. Já tínhamos lido muito a respeito e ouvido muitas coisas sobre o lugar, então achamos melhor ir checar nós mesmos. Saímos bem cedo no sábado e pegamos a estrada que liga La Seu a Sort, e de la seguimos até o Port de Bonaigua. Ao passar o fim do vale de Pallars Sobirà já era possível ver a beleza que aguardava no Val d’Aran. A primeira vista de um vale menor é impressionante, e a primeira cidade que cruzamos, Baqueira, era tudo o que eu imaginava que Andorra poderia ser, mas não foi: construções de muito bom gosto, mantendo um estilo montanhês ordenado e limpo, com muitas natureza em volta. Baqueira é uma cidade que recebe muitos investimentos, já que é considerada a sede das melhores pistas de esqui dos Pirineus, mas ainda assim o resto do vale não fica atrás, com muitas outras vilas de charme abundante, como Vielha e Bosost.

Começamos nossas caminhadas com a trilha que leva aos estanys de Colomèrs. Na vila de Salardú, uma estradinha simples segue por alguns quilometros até um balneário. De lá, deixamos o carro e seguimos a pé. Por um bom trecho é possível pegar um taxi que, inclusive, não sai tão caro. Mas estávamos com tempo e energia sobrando, além do Picot, que costuma não ser bem vindo em taxis… O caminho pode ser feito pela estrada mesmo ou por uma trilha, o primeiro é mais fácil, o segundo mais bonito.

Do ponto onde o táxi para, começa uma trilha com uma subida um pouco pesada e de terreno mais difícil, mas ela não dura muito e logo se chega no lago principal. A vista é deslumbrante, envolvendo montanhas nevadas muito próximas, uma água limpíssima do lago represado e das cachoeiras que desaguam nele (sim, no plural!) e um refúgio de caminhantes novo e bem cuidado. Aqui é um bom lugar para descansar um pouco e comer alguma coisa.

A trilha continua, subindo para o outro lado das cristas das montanhas, onde uma sequência de lagos menores aguardam. Todos eles vão se conectando por pequenos riachos, dos quais é possível beber água sem nenhum problema. Perdemos as contas de quantas pequenas cachoeiras vimos nesse processo. A volta passa de novo pelo lago principal e retorna pelo mesmo caminho. Esse foi um dos lugares mais bonitos que eu vi na minha vida…

Fomos ainda no mesmo dia ver Vielha, a capital do vale, e o Salt de Pish. A cidade é toda dedicada a esportes de inverno, ficando bem tranquila no verão, sorte nossa. As placas na cidade estão todas em 5 línguas (Aranês, Catalão, Castelhano, Francês e Inglês). O Salt é uma cachoeira muito bonita e acessível, uma estrada bem simples liga o vale principal a ela. Depois disso, fomos para o camping descansar.

Acho que é importante colocar que a maior parte do Val d’Aran fica do lado norte dos Pirineus, Em contraste com o resto da Catalunha, que fica do lado sul. Há um túnel gigantesco que liga os dois lados e faz com que o vale seja mais acessível. Antes disso, a região era bem mais abandonada pela administração catalã, além de mais pobre, pois o turismo não chegava com tanta força. A população local não se identifica, de maneira geral, como catalã, mas como ocitane, um grupo do sul da França com sua própria língua e tradições, ambas quase morrendo. O Aranês mesmo é uma variação de ocitane que ainda resiste. O turismo dos franceses é importantíssimo ali e é mais fácil cruzar com eles do que com catalães de outros locais.

No dia seguinte, Saímos para o Vale onde está a Cascada de Molières. Para chegar lá, é preciso cruzar o tal túnel gigantesco ao sul de Vielha. Paramos o carro em um refugio de caminhantes chamado Conangles e de lá caminhamos pelo vale, saindo com frequência da trilha e aproveitando para apreciar a vista fora do caminho convencional. Tentamos nadar em uma piscina natural, mas a água estava tão gelada que nem o Picot se arriscou muito… O tamanho das encostas aqui e a força da água que acabou de brotar das pedras impressiona bastante! Descansamos o resto do dia, pois caminhar 2 dias seguidos não é tão simples assim. Aproveitamos um pouco o camping para jogar pingue pongue e nadar na piscina, mais quente que qualquer outra água do Vale!

Saímos na segunda pela manhã e passamos em um parque/zoológico: Aran Park que existe ali. Fiquei impressionado com a qualidade dos recintos, apesar de terem pouca variedade animais. Isso se justifica pelo fato de que se focam na fauna local. OS predadores ficam isolados, obviamente, mas todos os ruminantes de montanha ficam soltos no recinto junto com os turistas, e parecem se importar pouco com a proximidade. Gostei bastante de uma parte no final sobre conscientização, com painéis interativos e fotos incríveis. Acho que vale a visita, eles parecem estar usando o dinheiro da entrada adequadamente.

Passamos logo depois disso em uma cidade francesa chamada Luchon, já que estávamos tão próximos da fronteira. Infelizmente, tudo na cidade estava fechado e não pudemos conhecer tão bem assim. Seguimos dali para Toulouse, nos afastando das montanhas pelo lado norte. Chegamos na cidade e aproveitamos para visitar nosso templo sagrado, a Decathlon. Depois disso fomos para o centro da cidade, estacionamos e fomos dar uma volta.

Toulouse é uma cidade grande e, como qualquer outra pela Europa, tem uma quantidade imensa de pessoas na rua. Também é um pouco suja, decorrente de seu tamanho também. Mas o tamanho do rio Garone na região, somado com um bom uso do espaço em sua margem, cria um local onde o pessoal se reúne e pode desfrutar de uma boa paisagem. Os parques do centro são bonitos, mas nada tão digno de nota, e sua catedral é muito peculiar, sendo construída com um misto de pedras e tijolos. No mais, a cidade é agradável, apesar do calor, e a juventude realmente ocupa as ruas, o que me agrada bastante!

Como o sol está se pondo muito tarde nessa época, ficamos até umas 21h30 na cidade. Quando percebemos, saímos correndo, pois ainda tínhamos uma estrada imensa pela frente. Voltamos pelo caminho que passa por Foix e Puigcerdà, chegando em casa às 1h30 da madrugada! Vale notar que as estradas da França que saem do país por essa região não são grande coisa. Ou são pesadamente pedagiadas, o que encarece muito a viagem e afasta os turistas de lá, ou são de qualidade duvidosa quando comparada as estradas catalãs. Ainda assim, a região merece mais visitas no futuro.

Muito mais fotos e vídeos na Fan Page do Facebook, Blog da JuReMa – Val d’Aran

Mapa La Seu - Vielha - Louchon - Toulouse - Puigcerda

1º dia – La Seu a Vielha (parada nos Colomèrs) / 2º dia – Passeios próximos de Vielha (cascada de Molières) / 3º dia – Bossots (Aran Park), Luchon, Toulouse e de volta a La Seu.

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Colomers

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Cascada de Molières

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Cascadas de Molières

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Vielha

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Luchon

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Toulouse

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Cervo recém-nascido no Aran Park. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimientos-2017/066/0 (Não tiramos fotos no parque a pedido da administração, a informação vem no folheto que acompanha a compra do ingresso. Como os animais ficam soltos, eles pedem para minimizarmos os barulhos desconhecidos, entre eles os de câmeras e flash. No site é possível encontrar imagens belíssimas, no parque há um museu interativo, e a melhor parte é poder observar e vivenciar presencialmente e não através das telas!).

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Os lobos cinzentos foram introduzidos no parque há apenas 5 meses, e em maio procriaram pela 1º vez, um marco para a história do parque que se foca muito em conservação. Essa lindeza aí, lobzeno, é uma fêmea, e a mais nova integrante do local. O Aran Park trabalha também com reintrodução na natureza de espécies ameaçadas a partir da procriação no parque, em parceria com universidades, institutos e fundações. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimiento-de-un-lobezno/068/0

Prat de Cadí

 18/03/17

Depois de um bom tempo sem uma caminhada original pra relatar, resolvemos seguir o conselho de um amigo e explorar a região próxima à face norte da Serra de Cadí. Achamos no nosso mapa algumas marcações que pareciam interessantes e seguimos o caminho até lá!

Pegamos a estrada até Martinet, cidadezinha que faz a divisa da Cerdanyà com Alt Urgell. De lá pegamos a estradinha para Estana. Tivemos a surpresa de cruzar com uma região de bunkers (também especificado por esse amigo), construídos ali, segundo a placa, devido ao medo que Franco tinha de uma possível invasão francesa. A sequência de fortificações e túneis parece aberto em outros dias, mas não no sábado… De qualquer jeito, é bem interessante reparar nesse trecho da história dos Pirineus.

A subida até Estana é longa e tortuosa. Dá pra sentir a temperatura caindo e o vento intensificando. A vila em si é muito charmosa, e tem uma vista privilegiada da serra. Há, no início da trilha, depois de passar a cidade em uns 700m, um estacionamento. Mas nós não sabíamos e paramos na cidade mesmo, o que foi bom, pra poder observar as casas reformadas que provavelmente servem para veraneio.

A trilha segue bem demarcada e sinalizada, apesar de ser em boa parte bem acidentada. Também é uma das mais movimentadas que fizemos até agora, junto com a dos Estanys de la Pera. São obviamente as mais famosas, não à toa, pois são também as mais bonitas. A inclinação do caminho é leve, mas constante. Só um trecho escapa disso, e a neve abundante exatamente ali fez a subida um pouco mais delicada. Vimos, na volta, um grupo de senhores e senhoras desistir da caminhada exatamente nesse trecho. Porém, não estavam com nenhum equipamento específico e apesar da disposição, não pareciam ter a mesma mobilidade de décadas atrás. Mas com exceção desse trecho, o caminho todo até o Prat é fácil, seguindo principalmente por entre bosques e só eventualmente saindo para algum trecho aberto.

A chegada ao Prat é para deixar claro porque a trilha é famosa. De repente, o campo se abre em um platô logo abaixo da Serra de Cadí, com as imensas pedras que formam a espinha tão próximas que é possível ver seus detalhes. O campo estava todo nevado, e se alguma parte já derreteu, eu não quero saber como estava antes! Não levamos equipamento adequado porque não achávamos que seria necessário. Mas afundamos até a coxa na neve, e as mãos doíam de frio ao tentar se levantar. Também tivemos neve adentrando o tênis e a meia, uma sensação desagradável, que nos fez tomar a decisão de guardar nossas polainas de proteção permanentemente no porta-malas do carro.

Algumas pessoas descansavam na lateral do Prat, enquanto outras passavam esquiando pela leve inclinação da região. O Picot ficou realmente impressionado com o fato de pessoas passarem a tal velocidade sem movimentar as pernas. Mas logo depois disso, ele se recuperou e nos ajudou a achar uma trilha para nos aproximarmos mais da Serra sem ter que atravessar a neve. Mas nosso esforço durou pouco, pois logo percebemos que pra qualquer lugar que fossemos a neve nos cercaria.

Voltamos pelo mesmo caminho, agora só na descida. Foi bastante tranquilo, exceto pelas meias molhadas. Conseguimos chegar em casa ainda cedo, não tendo nos desgastado tanto quanto em outras caminhadas. Essa trilha, além de belíssima, também é boa opção pra quem não está com todo aquele preparo físico, mesmo com seu total de aproximadamente 12km.

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Bunkers

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Vista de Cadí em Estana

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Picot rolando na neve

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Chegada ao platô

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Cadí em detalhes logo aí do lado

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A travessia do platô exigia equipamento pra neve, mas não tínhamos no dia

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Arseguel: cidadezinha onde paramos na volta para conhecer. Um charme! 

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Turó de Porredon e Bastida de Hortons

26/01/17

A previsão para o dia era de clima fechado em todas as regiões próximas da Espanha, mas com um pouco de curiosidade, descobrimos que na França faria sol. Pode parecer meio estranho, já que a França está a poucos quilômetros de distância. Mas como tem uma cadeia de montanhas no caminho, parece ser frequente cada lado apresentar um clima distinto. Então nos preparamos para uma volta maior até um mina de estanho por lá, mas quando saímos de casa na manhã seguinte, descobrimos que todo o nosso planejamento foi em vão. Havia nevado tanto que as estradas que passaríamos certamente estariam intransitáveis. Para não perder a viagem, decidimos por uma trilha bem próxima e até curta e baixa, visto os obstáculos que já se apresentavam. Fizemos o seguinte caminho:

La Seu – Turó de Porredon – La Bastida de Hortons – La Seu

Saímos da cidade pela ponte que cruza o Segre e seguimos pela estrada que indicava a Bastida. Nosso plano era passar primeiro na vila e depois no Turó, mas no caminho encontramos uma placa que indicava uma trilha para a montanha e resolvemos aproveitar. Seguimos pelo lado de um canal artificial, mas a água estava toda congelada, às vezes até com neve por cima (no gelo tende a não acumular tanta neve). Era possível ver inúmeras pegadas de animais diversos tanto dentro do canal quanto fora, parece que muitos andam pela região!

Depois de aproximadamente 1km, uma ponte apareceu e a trilha, bem demarcada seguiu por uma lateral da estrada que passava por ali. Aqui começou a subida leve mas constante que se manteve até o pico. Começou também um questionamento meu sobre os motivos de subir se não veríamos muita coisa lá de cima. Mas a novidade de caminhar dentro de um bosque inteiro nevado (em outras ocasiões pegamos neve alta, mas só em descampados) acalmou minha inquietação. O frio fazia a respiração ser difícil, e parar pra descansar anulava o conforto térmico que o caminhar gerava. Não tinha muito como evitar os dois problemas simultaneamente, então alternávamos um pouco. Por várias vezes eu também assustei pensando que algum animal se movia nos arbustos, mas era apenas a neve que caía e com isso o galho, mais leve que antes, saltava.

Passamos por um pico menor, onde meu ceticismo paisagístico se desfez. Podíamos ver montanhas muito distantes por cima das nuvens baixas. No vale estava uma bruma pesada, mas passamos para cima delas e a mistura de tonalidades de branco com a imponência das montanhas foi algo para não se esquecer mais. Claro, o céu continuava nublado, mas já eram nuvens distantes. Seguindo a trilha, fomos até o pico, enquanto a paisagem lentamente se tornava mais e mais imponente.

Depois dos 500 metros de desnível entre La Seu e o pico, começamos a descida. Primeiro por uma trilha, depois por uma estrada. Houve uma pausa para construir um boneco de neve, mas a mão da Ju, mesmo de luva, começou a esfriar muito. O boneco não ficou muito completo ou bonito, mas minha esposa continua tendo duas mãos, então acho que estamos no lucro!

Chegamos rapidamente na Bastida, um povoado com casas mais imponentes que qualquer outra vila até agora, além de um cão fofíssimo que conhecemos no portão de uma dessas casas. Muita coisa na cidade também estava desabando, e eu achei particularmente curioso essa dualidade de mansões/ruínas. Dali, em vez de pegar a estrada de volta, fomos por um atalho de trilhas. Nesse trecho, o sol começou a aquecer o vale todo e podíamos ver as árvores todas pingando neve derretida e refletindo o sol. Acho que por mais que tentássemos, isso não poderia ser bem representado por fotos, já que o processo todo envolve muito movimento e imersão na cena.

O caminho de volta foi tranquilo, a nossa trilha chegou à estrada e de lá voltou até La Seu sem obstáculos. Nesse ponto já nos desfazíamos do equipamento mais pesado para neve (um beijo especial para as polainas, que evitaram que as botas se encharcassem) e caminhávamos mais descontraídos.

Acho que não haverá mais um dia de neve tão pesado quanto esse. Sinceramente, morar em local frio não é um absurdo, como se pinta por aí. Com roupas adequadas e uma casa construída com isolamento adequado, sente-se muito menos frio do que no inverno paulista, por exemplo. Fica a saudade da nevasca e a decepção por não ter sido tão assustadora quando pareceu que seria…

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O estacionamento, coberto de neve. 

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Tentando limpar toda a neve do carro

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Dentro do carro, quando percebemos que ir de carro não seria uma boa ideia, e resolvemos olhar o mapa e decidir por uma trilha próxima a pé

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Rio Segre às 8h30 da manhã 

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Essa parte reta no centro baixo da foto é uma ponte, o rio ta embaixo dela, da neve e do gelo

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Trilha a esquerda da foto, com as pegadas e rio a direita

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Mesmo com a neve a sinalização é visível, tanto em placas quanto nas árvores com faixas pintadas das cores das trilhas 

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Marcas de trilha pintadas no tronco da árvore

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Quando o sol começou a abrir, cerca de 13h da tarde

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Pic Negre e Calm de Claró (ou quase) – trilha 5

25/12/16

Essa foi a primeira trilha que fizemos que não alcançamos o ponto final planejado. Também foi a primeira que fizemos em altitude superior a 2.500m e em neve funda, o que significa pra cima do joelho. Esses 2 fatos estão intimamente relacionados! O trajeto planejado foi:

La Rabassa/Naturlandia cota 2.000m (1) – Refugi de Roca de Piners (2) – Coll de Pimés (3) – Coll de Finestres (4) – Pic Negre (5) – Calm de Claró (6).

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La Seu – Sant Juliá de Loriá – Naturlândia cota 2.000m (trecho de carro)

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Não chegamos a completar a rota, fomos da primeira bandeira em baixo até um pouco antes da bandeira onde as trilhas bifurcam. E rodamos por alguns picos e elevados que não estão marcados, mas nesse trecho. (trecho à pé)

1 – Fomos de carro até o parque Naturlandia. Existem 2 núcleos, um a 1600m e outro a 2000m. É fácil saber onde parar o carro porque a estrada simplesmente acaba no segundo núcleo! A saída sendo feita já desta altitude permite começar a trilha já num ponto bem avançado da subida, mas também torna o problema da aclimatação bem sério. Não é tão simples assim respirar enquanto se sobe centenas de metros já deste nível.

O parque em si é bem simpático, com atrações típicas de neve e um pequeno zoológico de fauna local. Também comporta um tobogã imenso que desce de um núcleo a outro, mas ainda não tivemos a oportunidade de tentar a descida. As rotas são bem indicadas, mas depois de certo ponto a sinalização vai desaparecendo rapidamente. Temos a intenção de voltar aqui e aproveitar um pouco mais a região.

2 – A trilha segue até o refugi bem tranquilamente, onde há um local livre para qualquer um dormir e uma área fechada, não sabemos exatamente a finalidade. O local é absolutamente maravilhoso, mas as pessoas que parecem frequentar aparentemente não querem preservar isso. É possível perceber que a casa em si recebe cuidados frequentes, pois há lixeiras a menos de 20m e uma caixa de medicamento de uso livre, mas ainda assim há muito lixo recente pelo lugar, inclusive de forma deliberada, como um maço de cigarros atirado no teto. Uma pena que nem todos saibam preservar um bem público tão valioso assim.

3 – Seguindo pela estrada que passa por trás do Refugi, logo há uma bifurcação indicando locais realmente longes! Pelo verão imagino que o pessoal caminhe por dias nestes locais. Se nos mantivermos à esquerda, uma descida suave seguida de uma subida ainda mais leve atravessam o Coll de Pimés. Neste trecho, um rio chamado Rec de Caborreu divide Andorra e Espanha, e a neve do lado norte do vale derrete com o sol e forma poças de lama consideráveis. Apesar disso, as colinas são simpáticas e um pouco mais a frente a vista se abre do lado espanhol de maneira a revelar vales e serras ao sul.

4 – A trilha faz uma curva à esquerda e então podemos ver o tamanho da encrenca que vem a frente. Aqui começa uma subida desumana por uma estrada deplorável. Serão centenas de metros na vertical impondo escorregões, deslizamentos e muito cansaço. A trilha para jipes faz uma curva para a esquerda em um certo ponto para evitar uma subida mais íngreme, mas os pedestres podem seguir pela encosta mais inclinada. O tempo todo uma colina relativamente suave fica à esquerda e um vale acentuado à direita. As pausas para tomar fôlego podem ser aproveitadas para observar a Espanha tomando distância.

Eventualmente a estrada faz uma curva para a direita. Daqui fica difícil saber para onde ela vai nessa época do ano. A neve começa a tomar profundidade a cada passada. Contornando uma pequena colina e virando para a esquerda, desponta o Pico Negro (Pic Negre), que em outras estações parece ser definitivamente negro, mas não por agora. Neste trecho tivemos a maior dificuldade: a trilha some, e mesmo que não sumisse, acompanhar qualquer caminho aqui era desafiador. Caminhamos até a encosta oeste, à esquerda e pegamos uma boa vista do vale e um vento desumano. De lá, resolvemos arriscar (ou eu resolvi e a Ju se resignou) subir um pouco mais. (Ju falando: Com neve até às coxas e já tendo engatinhando pra sair dos buracos, eu só ouvia o André gritar: “Pro pico, vamos pro piiiiiiico! Tá perto! Olha o piiiiico!” Aí me resignei né!) O caminho foi lento, buscando as áreas mais fáceis de passar na imensidão branca. A região era relativamente plana, e ficamos ziguezagueando em busca da pouca vegetação que ameaçava brotar e indicava neve mais rasa.

Com isso, desviamos do pico negro e chegamos a uma espécie de mirante sem nome, com várias pilhas de pedras feitas por viajantes anteriores. Vimos do outro lado de um vale escarpado o Calm de Claró, um imenso platô com direito a antena em cima, e para baixo do vale vimos um trecho de Sant Juliá de Loriá. A trilha parecia seguir pelo vale do lado oriental, mas o bom senso gritou para nós que a hora de parar já havia passado há um bom tempo (Aleluia!). Assim começamos a nossa volta, que testou todas as nossas articulações ao longo do caminho.

Notas: 1 – Essa trilha teve uma série de encontros aleatórios divertidos. O primeiro foi com um ser metamorfo que em vez de se transformar em lobo, se transformava em algum tipo de cérvideo. Daí o apelido homem-cervídeo que lhe demos. O rapaz com pernas absurdamente longas e finas saltava dois metros por passada na neve (sério, eu acompanhei as pegadas!) e fez em minutos o que fizemos em horas. Enquanto subíamos, ele já voltava e desceu o vale de Coll de Finetres sem nenhum escorregão, apesar das distâncias e da abertura pélvica de seus saltos! (O homem-cervídeo é meu novo ídolo místico das montanhas! Incrível o que aquele ser fazia!)

2 – Quando decidimos descer a colina, um elemental do ar se manifestou na encosta oposta. Um redemoinho de uns 10 metros de diâmetro se formou majestosamente, percorrendo uma distância considerável até se desfazer. O barulho do vento e a visão privilegiada da formação do dito cujo fez com que a Ju pedisse permissão para regressar para os elementais que habitam a cordilheira axial dos Pirineus. (Foi o máximo! Um privilégio estupendo ver aquilo! Pense num Sací de frio gigante! Garrafa não dava conta daquele não, seu Monteiro).

3 – A estrada congelada do trecho final fez uma excelente rampa para um esquibunda na neve! Eu empurrava a Ju e logo depois me jogava, fazendo com que o trecho em que o atrito aumentava se tornar um ponto de trombada. Subimos o trecho uma segunda vez para fazer isso de novo, e se eu tenho algum arrependimento com essa trilha foi de não ter ido uma terceira vez… (o esquibunda foi A MELIOR parte! Rolei de rir! Sério pessoas, façam isso! Deixem a criança interior de vocês bricarem na neve e no gelo! A gente morre com a umidade, mas se diverte horrores!).

*(comentário em roxo são de autoria dessa JuReMa que geralmente vos fala! Que além de autora de outros posts é editora e resposável pelo layout, mapas e fotos dos posts do André)

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Crânio de algum animal que encontramos pela trilha. Parecia um cervídeo.

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La Seu es Seva

Estamos inciando essa semana uma série de post sobre trilhas na região dos Pirineus, na Catalunha, Espanha. Esperamos poder contribuir com as viagens de vocês e cada vez mais poderemos dar um apoio para sua viagem. Mais fotos e vídeos virão, mais mapas, coordenadas e muito, mas muito mais, trilhas! Esqui, trilha na neve, refúgios, Camping livre (a partir da primavera), road trips e muito mais!

Começamos com um breve gostinho! Espero que aproveitem!

Trilha 1 – 28/11/2016

Roteiro – La Seu – Vall de Vallira(1º) – Arcavell(2º) – Pic de Boloriu(3º) – Coll de Jou(4º) – Bosc de Pinya(5º)- Cortal de Sant Andreu(6º) – La Seu

Trilha 1 La Seu - Fargas - Arcavell.png

1° trecho – Nada de realmente interessante no vale, exceto pela catedral de Anserall, Sant Serni de Tavernoles. Muito antiga e muito bonita. É possível marcar uma visita gratuita por telefone 639 060 898. O rio em si é amigável, mas o vale é muito fundo e pelo menos nessa época do ano fica enevoado boa parte do dia, mesmo quando o sol bate nos picos em volta. É uma trilha bem plana, mas a proximidade constante com a estrada estraga um pouco.

2° trecho – Da aduana de Andorra até aqui é uma subida considerável, mas não muito inclinada. Um povoado extremamente simpático. As casas estão muito bem cuidadas, evitando o ar de abandono que outros locais passam. Os tetos de quase todas as casas são feitos de pedras chatas sobrepostas, me pareceu muito curioso! Há fontes de água com o aviso de que não é água tratada sanitariamente, mas eu bebi e estou vivo e bem. A vista é boa, e parece ter algum tipo de comércio. Não explorei essa parte…

3° trecho –  A subida de Arcavell até o pico foi confusa. É difícil saber que estrada sai para qual lado, e o serpentear constante do caminho oficial me causou uma confusão. Resultado foi que eu subi pela encosta, atravessando os pastos, na maior parte do tempo. Como essas encostas ficavam do lado norte, havia uma quantidade razoável de gelo. Nada de mais, mas as vezes escorregava um pouco. O pico em si foi, com o perdão da expressão, o ponto alto da trilha! Algumas ruinazinhas pelo caminho, um pasto com pinheiros esparsos e vacas leiteiras com bezerros ao pé se espalhavam pela encosta, e do topo é possível ver uma boa parte do vale do Vallira e até mesmo La Seu d´Urgell. Do outro lado, os picos mais altos de Andorra, com neve, criam uma paisagem incrível 360°. Havia uma casa que parecia reformada, mas não tenho muita certeza, pois não me aproximei. Imagino que seja usada por caçadores.

4° trecho – a descida seguiu por um trecho absolutamente desabitado, onde nem os picos tem nome. É uma grande mata de pinheiros, com uma estradinha que, por sorte, manteve os caminhos que eu pretendia seguir abertos. Quem quisesse ir para outros locais talvez não tivesse a mesma sorte, pois a realidade não parecia bater com o mapa. É um trecho longo, porém relaxante e pouco cansativo. A trilha dá a volta em uma bacia chamada Estremir e no final dessa parte a vista se abre majestosamente para a serra de Cadí.

5° trecho – Segue-se até um tal de bosc de Pinya, onde todas as árvores haviam sido recentemente cortadas. Pouco antes do bosque, há um pico com 1458 metros de altitude. Não há trilha até o topo, mas a encosta é limpa o suficiente pra subir assim mesmo. De lá, é possível ver Alàs, no vale do Segre, e LLirt, na serra ao lado. Ao descer do bosque, há uma casa que não parece habitada permanentemente, e a estrada é fechada por uma cancela. Achei que fosse uma entrada particular e me perdi por meia hora por causa disso. Descendo pelo trecho da cancela a estrada faz um zigue zague até o Cortal.

6° trecho – De repente, aparecem caixas e mais caixas de abelhas! Logo mais um agrupamentozinho de casas marca a trilha. Nada de mais, mas serve como referência. Um pouco mais abaixo (algumas centenas de metros) na estrada está sinalizada a saída da pequena trilha para LLirt e logo depois outra trilha sai para o Vale, indo direto até o bairro de Sant Pere, já em La Seu.

Resumo: A partir de La Seu, não requer carro ou ônibus. Uma trilha boa pra quem tem um dia livre e gosta muito de andar. Foram mais de 20km, com subidas pesadas no caminho. Tempo também é um recurso escasso, quase fiquei depois do escurecer na trilha. Na verdade, a ideia era explorar mais, mas superestimei minha velocidade. Havia trechos alagados e escorregadios que me forçavam a ir bem devagar. Por ser uma trilha circular, oferece a oportunidade de passar em mais locais e de se perder mais vezes!

Trilha 2 – 03/12/16

La Seu – Llirt – Estamariu

(Não foi possível fornecer o mapa dessa segunda, pois os pontos de referência não são localizáveis pelo google maps, mas é possível encontrar a referência em mapas físicos que podem ser adquiridos na cidade de La Seu D’Urgell).

Essa trilha pode parecer curta, mas ainda assim leva um bom tempo. Saindo de La Seu pelo bairro de San Pere, há uma trilha sinalizada até Llirt. Essa trilha sai paralela a estrada principal no vale, e não segue o pequeno rio que desemboca no bairro, aviso porque perdi um tempo aqui. Ela toda vai marcada com tinta amarela pelas pedras a cada centena de metros, aproximadamente. Mesmo assim, eu consegui me perder e acabei fazendo boa parte da subida por fora da trilha. De qualquer jeito um trecho curto essa trilha é feita na estrada.

Ao chegar em LLirt, não há muito para se ver, além da vista que já vem se formando ao longo do resto da trilha. Mesmo assim, o pouco que está lá é impressionante. Menos de uma dúzia de casas abandonadas, construções de pedra deixadas como que do dia pra noite. Essas ruínas não parecem muito velhas, comparadas com outras que já vi por aqui. Digo isso porque ainda há restos de reboco em uma das casas, e em muitas portas e janelas a madeira que sustenta a parede logo acima ainda não cedeu. Ainda assim, muito cuidado com os prédios, pois parecem estar a beira de desabar. Os espinheiros cobriram boa parte das entradas, de qualquer jeito.

A estrada segue para Estamariu. Apesar da placa em Llirt, só teria uma direção para se ir mesmo. Menos de 1km a frente, a trilha divide, mas ainda é meio óbvio que o caminho continua para leste, já que a outra opção só subiria a encosta. O problema maior vem mais pra frente, quando a estrada divide em cruz, sem nenhuma sinalização. Pelo mapa que eu tenho, me pareceu ser o caminho que virava a esquerda e mantinha a direção leste. Pois a estrada segue até uma casa de pedra em um pasto e depois se converte em uma trilha, um pouco mal demarcada. Atravessando um pequeno riacho e virando à direita, logo há uma saída para a esquerda que sobe a encosta. Foi o único caminho que tentei e cheguei em Estamariu, então recomendo! No final dessa subida, que deve levar próximo de 1km, a trilha bifurca novamente. Segui pela esquerda, e poucos metros a frente a vista se abre para um vale com Estamariu do outro lado! Foi a vista mais incrível do dia, certamente. Daqui pra frente a trilha é fácil até o final, ainda que longa.

Contornando o vale, a trilha chega a Estamariu pelo fundo. A cidade vale uma caminhada, e uma estória da cidade está escrita em um informativo turístico muito interessante, bem no caminho. A descida se dá pela estrada asfaltada mesmo, até o Vale, próximo de Alàs. Não tente sair da estrada, a encosta é bem íngreme e cheia de espinho. Mesmo! Já no vale do Segre novamente, serão mais 4 km aproximadamente de volta até La Seu. Esse trecho todo de Estamariu até La Seu é longo mas simples. Uma pena que aqui já não há nada muito mais interessante para se ver.

Ficam algumas fotos! Boa trilha!

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Cap de Boloriu, Vista norte

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Estamariu

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Entrada de Andorra

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Ruínas em Estamariu

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Estamariu

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Estamariu

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Estamariu

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Les Valls de Vallira

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Estamariu

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Sant Serni de Tavernoles

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Vale do Segre e Serra de Cadí