Barcelona and more

Nossa trilha. Minha trilha. Para variar, começou com Skank, e todo o clima bom, de férias, de verão, de Barceloneta, que o Velocia me trouxe, antes mesmo de sair do Brasil. Depois passamos pelas longas distâncias, enquanto descobrindo as proximidades incríveis que parecem até de outras vidas. Vieram as cidades novas para mim, e agora virão para você também. E a cada passo vamos construindo esse caminho eterno. E não se engane, eu sempre registro nossa trilha e posso contar nossa história por meio da música, afinal, “os poetas não dizem nada que eu não possa dizer”, mas dizem com muito mais ritmo!

Para quem quiser ouvir nossa história, tem link da playlist no spotify, mas vou colocar os nomes e artistas, para quem preferir seguir de outras formas:

 

 

Aniversário – Skank (Velocia)

 

Everybody’s Free (To Wear Sunscream, Class 99′) – (Romeo and Juliet Soundtrack/ Baz Luhrmann Films)

 

Alexia – Skank (Velocia)

 

Ali – Skank (Ao Vivo MTV)

 

Macaé – Clarice Falcão (Monomania)

De Todos os Loucos do Mundo – Clarice Falcão (Monomania)

 

O Último Por do Sol – Lenine (MTV Acústico)

Por Onde Andei – Nando Reis (Ao Vivo)

Segredos – Frejat (Amor para Recomeçar)

 

Apenas Mais Uma de Amor – Lulu Santos (Toca Lulu)

Por Enquanto – Cássia Eller (MTV Acústico)

 

Seus Passos – Skank (Carrossel)

Fica – Skank (Maquinarama)

 

Telegrama – Zeca Baleiro (Pet Shop Mundo Cão)

 

Mapa Mundi – Tiê (A Coruja e o Coração)

Fotos na Estante – Skank (Multishow ao Vivo – Skank no Mineirão)

Índios – Legião Urbana (As Quatro Estações)

João e Maria – Nara Leão e Chico Buarque (20 Grandes Sucessos de Nara Leão)

Golden Slumbers – The Beatles (Abbey Road)

Can’t Keep It Inside – Benedict Cumberbach (August: Osage County Soundtrack)

Proibida pra Mim – Zeca Baleiro (Top Hits)

Comigo – Zeca Baleiro (Top Hits)

Malandragem – Cássia Eller (MTV Acústico)

Pra Alegrar meu Dia – Tiê (A Coruja e o Coração)

Soldier of Love – Pearl Jam (Last Kiss)

Black Bird – The Beatles (The Beatles)

Seja Como For – Banda do Mar (Banda do Mar)

Cidade Nova – Banda do Mar (Banda do Mar)

Te Mereço – Tiê (A Coruja e o Coração)

Longing to Belong – Eddie Vedder (Ukulele Songs)

Só Sei Dançar com Você – Tiê (A Coruja e o Coração)

Vamo Embora – Banda do Mar (Banda do Mar)

Society – Eddie Vedder (Into The Wild Soundtrack)

 

Os vídeos não são necessariamente as mesmas versões descritas por falta de disponibilidade. Espero que consigam acessar os vídeos, e a playlist completa no Spotify, mas caso não consigam, todas as músicas são conhecidas e de fácil acesso por pesquisa simples.

 

Aproveitem e vamos celebrar a vida! ❤

 

Phoebe

Eu sempre odiei esportes! Que frase forte, né?! Tão categórica. Tá, na verdade eu não odiava, tive um breve período de ódio, mas logo virou uma certa indiferença e mais tarde uma fuga deliberada. Mas deixa eu contar a história direito, porque estou pondo os carros na frente dos bois (será que essa minha “expressão de vó” ainda faz sentido?).

Quando eu era pequena, bem pequena, desde que consigo andar sozinha, eu ando. Eu odiava ficar em carrinhos de bebê, e tenho até uma história (previamente comentada aqui nos posts do blog) sobre quando luxei o calcanhar com dois anos recém completos e destruí o gesso em uma semana. O médico não quis por salto porque eu era muito pequena e cairia sem saber andar com o gesso e que deviam me deixar no carrinho de bebê, e eu fugia o tempo todo, obviamente, só andava e o plano do médico foi por água abaixo, enfim, esse meu pé esquerdo nunca foi meu melhor, talvez por isso.

Minha mãe tinha o hábito de fazer longas caminhadas e desde essa época eu andava com ela. Às vezes de bicicleta, outras a pé, às vezes levando o cachorro, às vezes sozinhas. Quando fiquei mais velha, às vezes voltava da escola a pé, e muitas, mas muitas vezes mesmo, economizei o dinheiro do ônibus e gastei minhas pernas mesmo. Inclusive eu sempre tinha um dinheirinho sobrando para fazer minhas vontades e minha mãe se perguntava de onde eu tirava “tanto” dinheiro, e um dos motivos era esse, vários ônibus economizados, e alguns almoços também. Eu fui dessas adolescentes que pulava café da manhã e às vezes até o almoço (infelizmente depois me enchia de besteiras à tarde).

Mas o que isso tem com os esportes, bem, vamos falar da definição de esportes daqui a pouco. Enquanto isso eu devia mencionar que sou a pessoa mais descoordenada que eu mesma conheço. Nem bater palmas no ritmo eu consigo. Não, isso não é charme. Não é para falar, “ah, que isso”! É apenas verdade. E hoje em dia eu fiz as pazes com essa ideia. Embora seres inanimados como a cadeira e o guarda-chuva insistam em me atacar, volta e meia, e eu acabe a semana cheia de hematomas que nem eu mesma sei de onde vieram. Essa semana mesmo o guarda-chuva me atacou e me tirou uma pelinha do dedo, só porque abri ele na chuva.

Essa falta de coordenação tão evidente sempre me fez ir relativamente mal em esportes, especialmente os em time. A pressão só me faz ficar ainda mais descoordenada. Meus melhores momentos são aqueles quando não tem ninguém olhando, e justamente por isso fica difícil argumentar que eu até consigo ser um pouco mais coordenada do que parece. Correr para mim sempre foi o pior. Sinônimo de tortura, de vexame, de humilhação. Eu fico vermelha, sem ar, perco o folego, às pernas vacilam, os joelhos falham, eu caio, tropeço no meu próprio pé, esbarro um joelho na panturrilha da perna oposta e me derrubo, é uma cena circense do tipo trágica. Ou melhor, é a Phoebe correndo no parque!

E isso, com toda certeza, não em fez a pessoa mais competente em esportes. E eu sempre soube disso. Eu preferia não estar no time do que ver o time sofrer as consequências pela minha presença. Além disso eu sempre odiei competição. Eu não gosto de necessariamente ganhar, embora o reconhecimento seja geralmente prazeroso (até certo ponto, também não gosto de chamar muita atenção por esse motivo). Por outro lado, eu amo jogos! Jogos de tabuleiro, brincadeiras de criança, eu me divirto muito com essa interação prazerosa e relaxada da atmosfera dos jogos, onde o mais importante e brincar. É muito frequente, quando eu jogo algo em que um, ou um time, ganhe, que, se meu adversário for muito competitivo, eu deixe ele ganhar. Só para acabar mais rápido, ou só para o outro ficar feliz, afinal de contas para mim ganhar nunca foi tão importante. Outro motivo é que eu adoro testar estratégias novas, explorar dimensões novas do jogo, mesmo que algumas pareçam suicidas a princípio, e muitas vezes eu acabe perdendo com elas mesmo, mas gosto de testar, de descobrir o porquê delas não darem certo, eu gosto de aprender, de conhecer e de entender, muito mais do que de ganhar.

Então eu me voltei para esportes solitários, e por toda minha vida escolar fiz natação. Eu amo nadar. Nunca perco uma oportunidade de me jogar na água, especialmente quando estou viajando e posso nadar em lugares novos. Já nadei do Lago Paranoá em Brasília, até o Sylvan Lake, em South Dakota. Já nadei no rio São Francisco, na nascente, em Capitólio- São Roque de Minas e nele já largo, em Petrolina, depois da represa de Paulo Afonso. Já nadei em muito mar, da praia do Porto da Barra em Salvador, à Barceloneta, em Barcelona. Só não me joguei no Loch Ness porque era janeiro e aí realmente seria uma estratégia suicida, e na vida não dá para testar os limites da mesma maneira que no jogo.

Outra paixão são as longas caminhadas! Eu amo sair por aí, com ou sem rumo, amo fazer as coisas a pé, me sinto tão independente do mundo, é tão bom, tão libertador, simplesmente sair de casa e andar e pronto, sem pensar em trânsito, nem vaga, nem garagem, nem preço. Muitas vezes saio sem carteira, às vezes nem levo o celular. Vou com a roupa do corpo, um headphone no ouvido. Me basto! Essa sensação vale tanto. Gosto tanto dela. Amo também andar em meio a natureza, em parques, serras, montanhas, trilhas, cachoeiras. O ideal é combinar a caminhada com a natação e ter a oportunidade de nadar em algum ponto da caminhada mais longa!

Mais recentemente na vida, eu descobri as técnicas corporais que compõe a parte prática da filosofia do Yôga. E amo praticá-las! Sinto falta de não fazer todos os dias. Me sinto leve, livre e dona do meu corpo. Me lembro um pouco da época que fiz circo, duas vezes uma na infância, quando aprendi a andar de perna de pau, e a fazer mil tipos de cambalhotas. A proximidade com o chão era maior. E outra na adolescência, quando de novo fiz circo, mais dessa vez a proximidade era com o ar, entre malabares, e a lira voando no alto, e o fogo cuspido distante. Hoje, praticando essas técnicas do Yôga, vario entre a proximidade com o chão e com o ar, de uma forma tão desafiadora e gostosa.

Depois de tudo isso eu descobri, eu não odeio esportes. Eu odeio competição, comparação e necessidade de me enquadrar em moldes pré-estabelecidos. Não acho que eles sejam errados, pelo contrário, os esportes precisam de regras, e o circo tem muito mais regras do que vocês imaginam, e o Yôga também. Na verdade, essas coisas ficam muito mais perigosas sem regras, e é preciso saber fazê-las, aprender a fazê-las primeiro e com calma. Mas eu não acabo com a moral do meu time se eu for descoordenada. No máximo me engasgo numa cambalhota na piscina, ou caio de uma posição. Ninguém se machuca, geralmente nem eu. Não assim. E o mais importante, eu me supero. Eu descubro novos limites e cada vez que isso acontece, eu “ganho”! Sem precisar me comparar com o outro, sem precisar ser melhor, sem ninguém precisar perder. Todos que fazem ganham. Seja ganhar um corpo mais saudável, novos amigos e colegas, ou uma vista bonita numa caminhada, o encontro com animais, o sentimento de frescor ao se jogar na água. São tantas as delícias!

E aprendi a ter um enorme prazer nas coisas que eu faço. Amo andar, amo nadar, amo praticar. Tudo assim, do meu jeito, do jeito Phoebe. Um pouco fora dos moldes. Às vezes as pessoas até ficam um pouco desconfortáveis, eu sei. Eu falo coisas sem noção às vezes, interrompo com minhas reminiscências fora de hora, falo demais numa hora e de menos em outras. Me atropelo e me perco no raciocínio, “pago altos micos” por aí. Mas juro, sou feliz! E aprendi a amar, em vez de odiar. Então sigo assim, no meu jeito Phoebe de ser. Sei que sou estranha, e isso sempre me gerou poucos amigos de verdade, embora as pessoas em geral me achem uma companhia agradável. Os meus amigos, e o namorado, sabem que eu não sou uma estranha qualquer, sou a estranha deles, e todo mundo se diverte (e às vezes se exaspera) com minha descoordenação feliz e animada. E aí? Vamos dar uma corridinha no parque? Sem medo de ser feliz, ok?!

Of Monsters and Men

Não conhecia essa banda: Of Monsters and Men, ouvi num site e essa música me cativou. Não são aquelas músicas que amo para filosofar, são as boas para correr, andar na rua abafando o som do trânsito invencível de SP, para dar uma motivação na hora da faxina, ou de cozinhar, de sair da cama e ver o dia, ainda que esteja frio ou chuvoso.

Deixo aqui só esse pequeno reflexo, com uma única música. Não, não é um Bloquinho de 3. Vamos explorar mais o blog nos próximos tempos e essa é a novidade que quero dividir com vocês.

O blog ganhará duas novas sessões: Viagens e Comidinhas!

Em ambas vocês encontrarão relatos e fotos! Em Comidinhas, de comidas que marcaram minha vida, inclusive algumas que não como mais, e receitas novas, do meu dia a dia atual, sempre muito focadas em saúde e sabor. E na de Viagens a pegada segue, fotos e relatos de viagens antigas, e as novas também. Alguns colaboradores aparecerão nessas duas sessões, uma vez que as receitas às vezes são de outras pessoas ou blogs, e é sempre muito importante dar os créditos, e nas viagens às vezes referenciarei outros blogs, ou contarei com meu companheiro de vida e de viagens para dividir as anteriores dele também, além das que fizemos e faremos juntos. Mas não se preocupem, esse continua sendo o Blog da Jurema, e só. Apenas divido minha vida com algumas pessoas, afinal, a felicidade não precisa ser clandestina!

Espero que recebam bem e gostem das novas sessões. Enquanto isso curtam um som de novidades que virão correndo!

Of Monsters and Men – Mountain Sound

 

 

Into the Wild

Quem me conhece (e quem lê o blog com frequência e/ou já leu os post antigos) sabe que eu AMO viajar! Meu top 5 de coisas preferidas na vida: ler, escrever, ouvir música, viajar e comer! O blog já inclui um bom tanto da escrita e da música. Pretendo ampliá-lo para as outras áreas também, então em breve começarei a incluir posts menores sobre comidas e receitas, vou fazer uma sessão para viagem e incluir relatos de viagens antigas e viagens futuras, e quiçá, quando eu puder voltar a ler em ritmo sustentável por prazer, volto a abastecer a tag de reflexos com mais resenhas de livros, filmes, peças, fotografia em geral.

Sempre quis manter o tom de diário, de auto-biografia, um quê de diário e outro de ficção literária e isso implica em mais tempo para escrever. Minha ideia agora é acrescentar alguns posts rápidos, com coisas menos profundas, como comida, mas não menos gostosas, aliás, bem gostosas!

Nessa pegada, queria compartilhar com vocês um Reflexo, uma reflexão, uma trilha. Eu sou apaixonada por Skank, minha banda preferida, e tenho algumas que nunca saem do ipod, como U2, Pearl Jam, The Beatles, entre outros. Mas se me pedissem para escolher um único álbum para ouvir inteiro, do começo ao fim, todos os dias da vida, seria Into the Wild, do Eddie Vedder.

Eu sou completamente apaixonada por esse álbum. Aliás, pelo Eddie Vedder, e por essa história. É um dos poucos casos que fico muito dividida entre o livro, o filme e a trilha, são todos maravilhoso e se você ainda não conhece a história do Alexander MacCandless, ou Supertramp, corre e assiste, ou lê, ou pelo menos ouve. De preferência TUDO!

 

Deixo aqui um pouquinho da trilha sonora da minha vida. Obrigada Eddie!

 

Durma com os anjos, sonhe comigo e não caia da cama

Por muitos anos dormi com essa frase, repetida diariamente, provavelmente desde que eu nasci. A ultima vez que ela foi dita entre nós duas foi de forma invertida. Depois de quase 20 dias de UTI, tubos e inconsciência, ela acordou por algumas horas. Sem poder falar, trocamos uns beijos, a testa melada de suor, o cheiro de remédios, o frio daquele lugar. E antes que acabasse a breve visita de 15 minutos, na nossa última troca de olhares, eu me despedi assim: “Durma com os anjos, sonhe comigo e não caia da cama”!

Feliz dia das mães!

Bennedict Cumberbatch – Can’t Keep It Inside (estou colocando os nomes agora, pois às vezes os links para os vídeos ficam indisponíveis, assim, caso acessem podem procurar a música por conta).

 

Eddie Vedder – Dream a Little Dream (estou colocando os nomes agora, pois às vezes os links para os vídeos ficam indisponíveis, assim, caso acessem podem procurar a música por conta).

 

The Beatles – Black Bird (estou colocando os nomes agora, pois às vezes os links para os vídeos ficam indisponíveis, assim, caso acessem podem procurar a música por conta).

 

Beyond the (missouri) sky

Tem tanto dentro de mim que hoje eu sou só confusão. Por isso hoje as palavras não saem. Fica a música. Ela que me entende. Ela que me liberta. Compartilho com vocês um pedacinho do meu céu, do meu refúgio. Foi o refúgio da minha mãe e hoje acabou sendo o meu.

Hoje é um Bloquinho de 3 + 10. O álbum segue completo, porque hoje não estou fazendo trocadilhos, hoje não tem samba, nem roda gigante e nem Juliana.

Hoje tem pedidos infinitos de um pouco de paz. De conexão com algo que faça sentido. Tentativas de não me perder em mim mesma, ou nesse mundo (cruel).

Tendo as primeiras notas da última música gravadas na pele, desejo a todos umas gotas de espiritualidade e paz.

E as ferramentas?

Eu sempre gostei de uma boa caixa de ferramentas. Meu avô era um verdadeiro Dr. Pardal, MacGyver e senhor buginganga. Cresci numa oficina, visitei várias. Durepox, estopa, e voltímetro faziam parte do meu vocabulário infantil. Além de perfunctório! Palavra preferida herdada do super vovô. Além do gosto por ferramentas. Meu gosto por ferramentas só não é maior que meu amor por artigos de papelaria, canetas e lápis coloridos, cadernos variados, papel colorido. Mas o gosto por ferramentas sutis ficou. Ferramentas intelectuais, ferramentas digitais, ferramentas emocionais. Eu sou daquelas que funciona bem se tiver um sistema. Adoro uma novidade. Mesmo que ela seja uma grande velharia, mas que surge para mim como uma grande e “nova” ferramenta.

A música Vagabunda, da Clarice, de excelente qualidade, vai terminando, num fading providencial. Música, é para mim, uma ferramenta. E das mais usadas. Não sei fazer música, não sei cantar, e isso não é charminho, odeio quem usa o charminho como ferramenta, é sério, sou uma negação em música. Mas é uma excelente ferramenta, em vários sentidos, uso para mudar o humor, para manter o humor, como companhia, para me exercitar, para cozinhar (cozinhar sem música é fatal), para estudar, escrever, ler, com fones, para abafar o barulho do ônibus, do trânsito, dos assédios nojentos de rua, para me manter no meu mundo de paz.

Bem no fading encaixa-se meu alarme, lembrando que é a hora do plus do remédio homeopático que estou tomando para uma queimadura de panela, feia, porém feita de forma muito idiota, fazendo pipoca e bolo. Homeopatia é para mim uma ferramenta. Não só no sentido óbvio, de ser usada como remédio e, portanto, tendo um fim claro e útil. Mas é uma ferramenta pois me permite sair do circuito convencional de saúde-doença, é uma ferramenta para o autoconhecimento, já que já passei muito mal com remédios, é uma ferramenta para fugir de efeitos colaterais.

A cozinha, essa mesma que me gerou uma queimadura fazendo pipoca e bolo, olha a criatura besta sem coordenação motora, é uma super ferramenta também. É meu instrumento de saúde, de terapia, de paz, de felicidade. É a segunda forma, além de escrever, de me compartilhar. Mudar minha alimentação, me tornar vegetariana, e, mais que isso, buscar conhecimento sobre a cozinha, sobre meu corpo, sobre as reações, compreender minhas alergias, intolerâncias, preferências orgânicas, e entender que para ser tudo que eu posso e tudo que eu quero ser, cozinhar é uma ferramenta indispensável. Não é só uma questão de comer saudável, ou seguir o nutricionista, é a minha revolução. Física, emocional, psicológica, social, ambiental.

Cozinhar é a ferramenta que me permite comprar ingredientes de verdade, e fabricar meu alimento do zero. Quase não vou mais ao mercado. Aqui é feira e cereais e farinhas vendidos à granel, comprados como matéria base. E me livrar do sistema, por mais besta que pareça, tem impactos imensos. É o que eu como indivíduo posso fazer de melhor para o meio ambiente, para meu próprio corpo, e com a vantagem de que ainda posso compartilhar isso com os outros. Seja como troca de informações, receitas, visitas, comidinhas. Dar uma fatia de bolo para uma visita é uma ferramenta para inseri-la num debate que pode se tornar muito profundo, e que pode tomar muitos caminhos, mas que é sempre revolucionário.

Ganhei um beijo surpresa do meu amor, que veio me dizer que eu sou linda porque eu estava cantando Clarice Falcão. Sim, eu canto tão mal, mas tão mal, que gera reações desse tipo, com direto ao aviso de “não precisa parar de cantar, só vim dizer que você é linda”! Naquele melhor esquema de quando você vê um bichinho muuuuuuuuuito feio e diz que é lindo de tão feio. Então: eu cantando. Entre risos, um pouco de vergonha e muito de liberdade, segui no meu esganiçado tom desconexo.

Hoje foi um dia muito bom, de muito amor. Foi um dia de extrema conexão comigo mesma. Comecei acordando naturalmente, sem alarme, as 8h30, horário incrível, nem cedo demais nem tarde. Bebi água, tomei um limão espremido, botei roupa para lavar, sempre me sinto eficiente quando a roupa está limpa, o cesto vazio, parece que eu venci a história sem fim da vida adulta. Depois taquei o EVA no chão e mergulhei na minha imensidão azul. Pratico Método DeRose, e esse possui inúmeras ferramentas que eu uso todos os dias, que me são tão caras e queridas! Não tenho como falar das minhas ferramentas sem mencionar essa filosofia que me proporcionou tantos meios de ser, plenamente.

Depois li um pouco. Ler: a ferramenta básica da vida. Inclusive compartilhei hoje um meme com esses dizeres, “ ler é a forma de instalarmos um software em nós mesmos”. Perfeita! Sempre lembro de Matrix e daquela forma de instalar habilidades com um plug na nuca. Na real, isso se faz com os olhos e a leitura. Ou com o som, e a audição, mas basicamente com a retransmissão dos conhecimentos acumulados no mundo pelas sociedades. Na sequência rolou um spa em casa, fiz minhas próprias unhas, com direito a bacia de água quente, creme esfoliante de pedra pome, e gel para pernas cansadas. Amo saber fazer minhas próprias unhas.

Almoçamos comida caseira e fresca, o que aqui em casa é a regra e ainda assim me sinto plena a cada refeição por essa constatação. Depois fui para um workshop incrível, cheio de prática, novos conhecimentos e muito amor. Da Alana Rox, do The Veggie Voice. Ela tem instagram, Facebook e etc. Cheia de ferramentas incríveis e pronta para compartilhá-las com todos. Voltei me sentindo leve, apesar de ter comido muuuito! Voltei me sentindo plena. Sentei para conversarmos sobre o dia dos dois, teve massagem no pé, acompanhada de um chá relaxante.

Sim, a vida pode ser muito boa! Quem me conhece de perto sabe que já passei por muitos momentos extremamente tristes e solitários. Quem lê o blog desde o início, ou já leu todas as reminiscências sabe também. Minha vida sempre foi cheia de privilégios, mas nunca foi um mar de rosas. E aprendi muitas lições. E nesses anos todos sempre ouvi dos amigos e familiares mais próximos que eu sou uma pessoa muito forte. Porque mesmo passando por tudo isso, sou uma pessoa “feliz”.

Garanto que tenho muitos momentos infelizes. Mas sim, no geral, posso dizer que sou feliz. E esse sentimento não vem do nada. Vem da construção diária que faço dele com todas essas ferramentas: a música (que me remete sempre à minha mãe! ❤ E também ao meu avô e ao meu pai), a culinária (que me remete à minha avó, e também à Isadora, minha cunhada-irmã-mais-velha, que me ensinou muitas coisas, entre elas o amor pela comida), o cultivo pela saúde (que me remete à minha mãe, inclusive pela forte memória dos problemas graves de saúde e peso que ela enfrentou e que até hoje são subestimados na nossa sociedade), as palavras (seja pela leitura ou pela escrita, essas me remetem à JuReMa, meu pseudônimo literário. Minha essência).

Referências existem muitas, várias que ficaram faltando, inclusive. Meu maior instrumental de vida até hoje se chama André Reis e quem o conheceu sabe que ele era um rol de ferramentas para a vida inigualável! A ele todo meu amor e gratidão. Mas além dos familiares, que todos construíram esse meu rol de ferramentas, adiciono alguns amigos, algumas personalidades, alguns professores, algumas filosofias. Todos esses mudaram minha vida de forma muito mais profunda do que conseguem imaginar.

Último alarme do plus. A queimadura está quase boa já. O álbum da Clarice já acabou e já estou no meio do da Tiê. O ventilador sopra a toalha que está no cabelo em formato de turbante. E a noite segue quente, mas feliz. E meu calor interno está resplandecente com esse dia lindo e cheio de amor próprio e pelos outros. Mas eu queria terminá-lo compartilhando um pouco de toda essa felicidade e desse amor na forma de palavras, como uma retribuição. Que todos vocês saibam, portanto, que minha felicidade não vem do nada, ela é construída, e eu uso muitas ferramentas.

Algo que permeia todas elas e que me faz me sentir incrível é a autossuficiência. É maravilhoso e totalmente empoderador saber fazer minhas próprias unhas, minha comida, arrumar meu cabelo, andar pela cidade sozinha de transporte público, me exercitar em casa, meditar, cantar (ainda que mal), ouvir o que eu quiser. Ser! Essas ferramentas todas são para que eu seja quem eu quiser, quem eu sou, na minha plenitude. E a JuReMa agradece. Ela sou eu, e além de ferramenta, ela é realização. Obrigada! ❤

Cinza

Tirei os fones do ouvido, enrolei-os meticulosamente, como todas as outras vezes, enlaçando a volta final, para que não embolem, mesmo sabendo que todas as vezes quando os pego de novo, estão embaraçados, como todos os fios de fones do mundo. Fechei o caderno depois de anotar o conteúdo dado no dia. Tomei o último gole do chá, já meio frio, na caneca. Fechei o estojo. Empilhei tudo para guardar, a caneca na mão, e depois de deixar os livros, cadernos e estojo no quarto, de guardar o fone na gaveta, coloquei a caneca na pia. Voltei para o computador, único item que foi deixado sobre a mesa, e olhei pela janela. Cinza. O dia está nublado. Talvez chova mais tarde.

Levantei e busquei os fones na gaveta de volta. Hoje preciso de música para trabalhar. Hoje preciso de cor interna para lidar com o cinza do mundo. Não é o dia nublado que me incomoda, pelo contrário, amo dias chuvosos. Sou daquelas que gosta da chuva, das xícaras de chá, dos livros e das cobertas. Amo o frio. E todo esse cenário que me leva a introspecção. Mas hoje o cinza com o qual luto não é o do céu. É o da alma.

Plim. Mensagem. Uma grande amiga. Pequenos pontos de cor e luz no meu dia. Um carinho que ganho enquanto ele passa do quarto para cozinha e me afaga, sem querer atrapalhar o trabalho. Mais um ponto de cor e luz. Entretanto o cinza persiste. Antes de tirar os fones a primeira vez, estava em aula. Conversava com um amiga e aluna. Existe um cansaço pairando no ar. Cinza. Me sinto cansada. Mentira. A energia está aqui. O que falta é motivação. Cinza. Fazer por que? Fazer pra que? Fazer com que objetivo? Tudo está cinza.

Pena que o chá já acabou. Podia tomar mais uma caneca agora. A Tiê no fone me traz um pouco de cor. E as palavras derramam dos dedos em busca de luz. E o cinza continua em frente aos olhos. Fazia tempo que não sentia essa desmotivação toda. E aí, mesmo sem chá, começam as reflexões. Que tanto de cinza é esse na alma? Já sofri saudades profundas. Elas nunca me abandonam de todo, mas estão bem no momento. E ainda assim eu queria colo. Colo, cafuné, de mãe. Daqueles que espantam o cinza da alma.

Quanto mais velha fico, mais percebo o valor da motivação. O brilho dos objetivos claros. E nesse momento sofro duplamente com essa crise metodológica, no trabalho e na vida. Na alma. Qual é o objetivo que vai me tirar de todo esse cinza? Vim para fazer o mestrado e amo muito tudo o que ele me proporciona, especialmente as pessoas e as discussões. Mas será que vou ser uma professora universitária? Será que esse é o objetivo real? Será que terei um emprego no qual me sinta feliz? Que espante o cinza?

Trabalho voluntário, representação discente, estágio. Trabalhar com refugiados, pessoas que precisam muito. Ouvir algum agradecimento. Um elogio de algum professor. De um amigo. De um aluno. Uma boa companhia. Um momento de luz. Pontos de cor. E ainda assim o cinza está lá. Já tive momentos muito piores e consegui ver as cores com mais clareza que agora. Em parte, acho que esse cinza está aí justamente porque nesse momento não tenho prazos curtos, metas imediatas, motivações cotidianas, tudo é de médio a longo prazo, e nesse intervalo o cinza se espalha, na dúvida, na incerteza.

Outro ponto é o cinza que está no mundo. Quanta incerteza estamos vivendo. Quanto impacto sobre sonhos ideológicos. A política não está favorecendo, como disse Clarice no último álbum. Cercados de ódio, vendo crescer posições intolerantes. Cinza. Cinza na alma. Notícias de violências absurdas perpetuadas diariamente. E muitos concordando. De outro lado o circo, quanta informação inútil e incerta circulando. Quanta briga por coisa pouca, quanta falta de posicionamento em coisas grandes.

E não digo em relação a política interna só. Mulheres estão sendo estupradas como moeda de pagamento por serviços de “segurança” de soldados em zonas de conflito. Crianças estão tendo que pagar sua água com sexo oral. Não, isso não é sexo, é violência. E ela está aí. Uma parte de mim pensa: mas sempre esteve e antes só não sabíamos, não era denunciado, então agora estamos na verdade melhorando, pois pelo menos a denúncia está acontecendo. E aí penso, sim, mas se a informação está chegando, o que estamos fazendo de concreto?

Cinza. Sempre tive problemas em ficar só no conceitual. Minha alma queima e quero sair por aí, fazendo justiça com as próprias mãos. Até me lembrar que serei uma das primeiras a morrer se assim fizer. Aí tudo fica cinza de novo. E tenho vontade de ir para o meio do mato. Plantar minhas batatas e por lá ficar. Bem longe de tudo e todos. E deixar que se virem. E então vem o cinza, o cinza de estar sendo egoísta e não fazer nada para mudar a estrutura. E aí vem o cinza que surge do desespero de tentar fazer algo e não conseguir. Frustração.

O cinza tem muitos matizes: a indiferença, o ódio, a frustração, o egoísmo, o medo, e principalmente, a incerteza. O dia está cinza, mas minha alma está cinza pois não sei o que fazer. Hoje não sei qual dos caminhos poderia colori-la mais. Às vezes opto por me doar, e ajudo todos que consigo. Às vezes fico egoísta, e invisto em mim mesma, quem sabe não mudamos pelo exemplo? Às vezes fico otimista, e acho que nos reinventaremos no fim do arco-íris, com todas as cores. Às vezes acho que sei o que estou fazendo.

E em outros dias, só quero as cobertas, o chá e que o tempo passe para transformar minhas incertezas em fatos e acontecimentos, para diminuir a angustia de viver. E quando acho que nada mais tem solução no mundo, que estamos condenados e que nada que eu faça pode mudar nada, aí, bem aí, eu coloco os fones e ouço música. A chaleira ferve e eu faço um chá. A máquina para e eu penduro a roupa com cheiro de lavada. O alarme soa, e eu arrumo a mochila e cumpro com as missões do dia. E a vida volta. Entre obrigações, alegrias, pequenos sucessos. E assim vamos, até a próxima onda cinza. Até que a dúvida volte.

Certeza eu não tenho de nada. Só de que não adianta se entregar ao cinza. Tá difícil sim, pra alguns mais do que pra outros. As angustias e frustrações são muitas. Mas as alegrias e conquistas também. Enquanto isso vou cumprindo com as obrigações e alimentando os sonhos. Mudando o ângulo, ficando de ponta cabeça toda noite para ver a vida de outro lado, e achar soluções na minha imensidão azul, que afasta o cinza e as incertezas temporariamente. Entre tantas dúvidas, sei que resta viver. Tiro o fone mais uma vez, olho pela janela e há um sutil amarelado do sol acima das nuvens. Ele tá lá. Sempre. O dia continua cinza, mas sei onde procurar luz.E sei que tenho que aprender a conviver com o cinza.

Eu sou problema meu

A música ta rolando no ipad no spotify “eu não sou um chapéu num armário de alguém {…} eu sou problema meu”, enquanto penduro a roupa lavada, dando graças à Deus por ela ter saído sem manchas, problema recorrente na máquina de lavar de casa. Será que foi o álcool que eu coloquei junto com o sabão? Será que foi a escolha de tecidos? Será que dei sorte? Terminando a roupa, passei pra louça, me esperando na pia, e já deixei um pudim de chia na geladeira para comer no lanche da tarde. Voltei pro computador, respondi mais uns e-mails, deixei a música rolar.

O cursor do word ficou piscando embaixo no mais novo sub-título, e a música continuava, e minha cabeça se perdeu. Na música, no mundo, em mim mesma. Leo ganhando o Oscar, a questão ambiental, a questão racial. De que “lado” ficar? Problematizar ou não? Protagonismos? E o cursor piscando. Eu tenho uma dissertação pra escrever. Aliás, é exatamente por causa dela que tenho escrito muito pouco, para não dizer quase nada, aqui no blog. Tentei reciclar uns textos velhos nos últimos tempos, mas assim, vamos ser honestos, não foi exatamente uma boa produção.

E a música já mudou, mas ainda estou com Clarice. E enquanto a música me leva, o cursor continua piscando. O e-mail para o orientador já foi. Mas a dissertação tá aqui. Me olhando. É tipo filme de terror, ela me olha mesmo quando fecho os olhos pra dormir, mesmo quando assisto um filme, mesmo quando passeio no fim de semana. E quando finalmente sento no computador, depois de passar um bom tempo lendo textos da pesquisa, e o cursor fica piscando. E agora, José? Ou deveria dizer, e agora, Sérgio?

A música acabou, mas o CD novo me garantirá 30min de devaneios. O cursor ainda pisca. Refiz a introdução. Segundo meus estudos mais recentes, que envolvem três livros diferentes de metodologia e um workshop, isso é normal. E até 2017 vou reescrevê-la muitas vezes. Será? Espero que sim? Eu já sei, com essa idade, quase 30, que a minha dissertação é um problema meu. Ninguém me mandou fazer. Eu quis. Ninguém me obrigou a querer. Se meu mestrado me persegue 30h por dia, 8 dias na semana, isso é problema meu, e, de todos os pós-graduandos e pesquisadores, que são obrigados a aprender a gerenciar seu próprio tempo, suas próprias ansiedades e expectativas.

 

A roupa na máquina é problema meu. O feijão no fogo é problema meu. A louça é problema meu. O pudim de chia é problema meu. A escolha ente pudim de chia e doce de leite é problema meu. E a verdade é essa, que todos nós, aceitando sua vida adulta, passamos a ser nossos próprios problemas. Convém lembrar que nem todos aceitamos. Alguns continuam se enganando, se enrolando. Ou resolvem pagar outros para fazer por eles, e continuam com suas babás na vida adulta. E não estou criticando per si aqueles que possuem funcionários, mas sim a lógica bizarra do nosso país, que alimenta essa estrutura, fornece essa possibilidade.

 

Alguns aceitam a vida com empregos convencionais, e claro, enfrentam todos os percalços dessa escolha, como eu já fiz, e fiz muito, foram 10 anos de carteira assinada. A gente reclama do horário, do salário, dos chefes, dos colegas, do plano de saúde, das férias, da vida. Aí você escolhe ser autônoma e pesquisadora, e vê que tudo agora é problema seu. Não existe férias, existe culpa de não estar estudando e produzindo. Não existe horário, existe demanda de cliente. Não existe salário, existem as contas para pagar no fim do mês, implacavelmente. E a certeza de que você está nessa situação não por que foi a que a vida te concedeu, mas por escolha própria, ou seja, é tudo problema seu.

 

Estando em outra cidade, sem os amigos de sempre pra choramingar no ombro, sem a possibilidade de encontrar rapidinho pra comer uma besteira, jacar, e desabafar. Tem whatsapp e Skype, e claro, tudo isso ajuda. Mas não é igual. E a saudade aperta, e sei que estou aqui não porque a vida impôs, mas porque quis, e essa saudade é problema meu. E quando os problemas surgem, e quando dá vontade de correr pro colo da mãe, quando você não sabe o que fazer de algum livro velho, porém de estimação, ou aqueles casacos de frio que você não tem onde guardar e deixa no sótão dos pais, nessas horas eu sei que não tenho mais os meus, e meus livros, meus casacos, meus problemas, são todos meus.

 

E a vida é boa, então me recompensa sempre com novos amigos, novas oportunidades, amores de vida, um companheiro inigualável, uma cidade que parecia tão terrível e me recebeu de braços abertos, me acolheu em seu seio, e me faz transitar por suas ruas com mais naturalidade do que nunca, justamente por permitir que toda minha estranheza seja natural. E nas reviravoltas da vida continuo sendo muito feliz com minhas escolhas. Cada vez mais. E ainda assim, tenho constantemente aquela vontade de jogar tudo pro alto. Virar eremita.

 

Mas se estivesse no alto de uma montanha, a busca por comida, o frio da noite, o calor da pedra ao sol, a circulação travada nas pernas em meditação, seriam todos problemas meus. A verdade, querida Clarice, é que nossa vida é problema nosso, e essa percepção é extremamente libertadora, ao mesmo tempo que joga toda a responsabilidade das nossas escolhas e ações irreversivelmente e exclusivamente em nossas costas. Então te agradeço pelos devaneios, mas tenho que tirar o feijão do fogo, comer meu pudim (porque de doce de leite já chega o fim de semana), e tenho que encarar aquele cursor piscante, porque essa vida é problema meu, eu sou problema meu, então vou lá me resolver.

 

 

Bowie

David Bowie ensinou gerações a se sentirem confortáveis na própria pele, seja essa qual fosse. Livre das amarras e esteriótipos de gênero, sexo, tempo, e muito menos convenções sociais. Faço meu tributo sugerindo que assitam a três filmes: As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being an Wallflower, 2012), para pensarem sobre a aceitação, o perdão, o se sentir confortável na própria pele, o amor doce, a violência doce de cada dia, o amor amargo de cada um. A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, 2013), também sobre uma jornada em busca do auto-conhecimento, da superação, da ação prática, da necessidade de ser. E Moulin Rouge (Moulin Rouge, 2001), um queridinho antigo, para dar toques de rebeldia e paixão, e bagunçar um pouco tudo isso depois de tanta análise. E desejo a todos muita reflexão, muita autenticidade, muito amor, muita paixão, muitas viagens. Que sejamos nosso próprios heróis, e infinitos!