Sons novos e meus sons

Estou pela primeira vez escrevendo dentro da minha casa nova. Nossa. De verdade. Assim, tipo, de papel passado, que nem o casamento. Eu demorei quase um ano pra conseguir chamar o André de marido sem rir, ou me sentir uma dona de casa louca dos anos 50. Será que com o apê vai ser assim também? Ainda não me acostumei com os sons. Eles quase não existem, veja bem. Mais às vezes a porta do vizinho bate e eu não sei se foi aqui ou não. Sou de novo um alien, uma estranha, uma estrangeira, mesmo dentro da minha casa.

Olho um pouco pro lado e vejo meu cão, o Picot, esparramado no sofá. Temos um sofá esparramável agora. Isso também me assusta um pouco. Percebo que o som dos meus dedos nas teclas soam altos demais. A casa está silenciosa. O som é estranho. Parece que digito com mais força que o necessário. Parece que desaprendi a escrever. Esses sons, essa falta de som, vão me deixar louca. Pauso a escrita e aperto o play. Respiro, inspiro e expiro profundamente com as primeiras notas. Enya. É clichê. Eu sei. Mas as palavras voltam a fluir junto com o Oniroco nos meus ouvidos. Já não escuto meu pescoço estralando, a borracha das botas apitando no piso azulejado ou o som das minhas teclas ou das outras, pois em outro cômodo o André também está no computador dele. Dois mundos, duas vidas. Nessa nova casa cabem muitas.

É a segunda vez que mobílio uma casa quase que de uma vez só, considerando o básico. Isso sempre me assusta. Me sinto ousada demais, comprometida demais com essa vida, esse futuro. Mas aí lembro que não é a primeira vez que faço isso. Já aprendi que as coisas, os objetos, os móveis, as roupas, eles vêm e vão, com o vento, com a vida. E a minha é dessas. Às vezes me sinto abençoada até demais, e fico com medo do que espreita na próxima esquina. Em outras lembro de tudo o que já passei, e lembro que mesmo quando a onda sobe, consigo ver claramente, por baixo das espuma branca, o verde claro, o verde escuro e o azul profundo. Sim, eu conheço intimamente aquele azul profundo. Já estive lá tempo suficiente para aprender a respirar embaixo d’água. Para aprender que tenho nos meus braços fibra suficiente para retornar, quantas vezes forem necessárias. Sobrevivo ao mar porque sou maré. Vou e venho mais que ele, vou e venho porque sou quem o faz subir e descer.

Tinha esquecido do chá. Verde com raspas de laranja. Comprei em Granada. Que cidade maravilhosa. Estou devendo os detalhes dessa mudança louca e incrível. 2005, uma mudança de casa, a da infância para o purgatório. 2009, do purgatório para a (única de verdade) casa da minha mãe. 2012, fuga cega de lá, fugindo da morte e do futuro, refúgio no porto seguro da família. 2013, minha casa de bonecas, meu mundo turquesa, branco e lilás, com pássaros em todos os cantos! 2014/2015, um mês na casa do outro, descobrindo a vida a dois. 2015, a construção de um lar a dois. Pedacinhos da minha casa de boneca se fundiram com móveis de família, coisas que já estavam lá, novo e velho e sua síntese. 2016/2017, país, cidade, praticamente mundo novo. Nada meu, nada nosso. Nenhum direito à propriedade. Muito direito à liberdade. Neve e montanhas. Queijo de cabra e chocolate. Muita introspecção e muito saco de dormir, fogareiro e lampião. 2017/2018, ufa! Uma casa para chamar de nossa. Ikea. Espaço. Quartos. Assim, no plural. O barulho do trem na janela, e todos esses outros barulhos que ainda não sei nomear. 9 casas, e contando.

Só tive cortinas, dessa que se compra na loja, decorativa, em duas delas. As duas que mobiliei. As outras ou eram muito passageiras, ou não eram tão minhas. Quando pendurei aquelas cortinas turquesa, cheias de pássaros brancos, sabia que precisava daquela luz azul filtrada, e daqueles pássaros para decorar minha pequena gaiola de 20m2. Vivi empoleirada ali o tempo suficiente para aprender a voar. E voei muito. Muito mais longe do que imaginava. Só não tinha aprendido ainda, que para levar um coco, são necessárias duas andorinhas. Talvez por isso esse novo voo seja tão longo e as distâncias tão grandes. Agora somos duas andorinhas, levando esse coco pelo mundo. Olho minhas cortinas cinza. Penso nisso. Eu, que sempre fui fã das cores, de tudo junto e misturado, das casa de boneca, dos contos de fadas, agora tenho uma casa monocromática. Preto. Branco. Cinza. Talvez aqui eu perca o medo ou me acostume com a ideia de ser adulta. Não, o fato de 31 anos ainda não me fez aprender isso.

Ao mesmo tempo que vejo nesses muitos quartos, assim, no plural, e nos tons sérios, uma vida possivelmente mais adulta e muitas possibilidades e desafios incríveis, além de oportunidades muito boas e concretas, se abrindo nesse novo horizonte, sei que o armário da cozinha continua tendo cookies e chocolate cremoso. Que a faxina continua sendo postergada ao limite. Que nós ainda fazemos fortes de travesseiros, e todas essas almofadas desse enorme sofá somadas à mesa de centro só fazem isso ficar mais fácil.

Que parte da nossa decoração, a única do momento, se constitui em mini personagens de desenho animado, de plástico colorido, que ganhamos na promoção do supermercado. Agora nossos livros de filosofia e línguas dividem a prateleira com o Capitão Cueca, o burro do Sherk e a Zebra de Madagascar. Espero que essa síntese, das cortinas cinza e do burro de madagascar cueca me ajudem a continuar crescendo, a continuar mais próxima da espuma branca do que do azul profundo. Que eu não tenha medo dele, mas me lembre bem da sua cor e da sua falta total de sons para que os sons estranhos de agora não me assustem.

Lauper canta na minha orelha e eu lembro que é parte da vida só querer diversão. Que eu me autorizo a ter 31 anos, um apartamento digno de adultos e comer chocolate cremoso por cima dos cookies enquanto assisto maratonas do netflix debaixo do forte de travesseiros. Que eu me autorizo a me sentir soterrada pela burocracia, e que a vontade de jogar tudo pra cima não é só minha. Quem sabe um  pouco de som dos 80’s dançando na sala com o cachorro e rindo do marido não façam eu me acostumar com todo esse cinza, toda essa papelada e toda essa vida concreta da mesma forma que me acostumei com a palavra marido. Perdi o medo dela, depois de revirar que nem uma bala na boca, esperando derreter, que nem doce.

Continuo com medo dos ventos que me levam por aí em busca de novos sons e novos chocolates. Mas já sei que em vez de perder casas, vou colecionando elas. E pra deixar o momento mais perfeito a Salmazo me canta sobre a palhoça dela. Acho que vou lá tirar nossa fotografia do dia, e encher essa sala dos meus sons. Desconecto o fone de ouvido do computador e salvo o texto. Vou dançar comendo chocolate cremoso.

 

Big Little Lies

Apesar do texto ir ao blog na terça, hoje é sábado. São quase 18h e eu estou atônita, olhando para a tela do meu computador depois de terminar de assistir Big Little Lies, sem saber o que pensar, o que sentir, além de que eu queria muuuuuuuuito nesse momento dar um abraço bem forte em todas as mulheres que eu conheço e dizer “Você não está sozinha! Está tudo bem!”

Eu não vou dar spoilers, e peço a gentileza que não deem, caso deixem comentários, mas recomendo fortemente que assistam! Especialmente se você for mulher. Não é um seriado leve. É forte, os temas são pesados. Mas fala muito profundamente com o âmago da realidade de ser mulher. Mesmo que seja de uma mulher linda, rica, californiana.

Esse seriado é extremamente relevante, embora possa não parecer a princípio, porque fala de algo que hoje em dia é norma: a falsa realidade, a vida aparente. Lembre-se sempre, sempre, que todas as pessoas do mundo, apesar das fotos de viagens, comidas lindas e gostosas, amorzinhos sem fim e tudo o mais que o facebook, instagram e mídias sociais representam hoje em dia, todos são humanos! E todos nós levamos uma bagagem bem pesada nas costas!

Algumas bagagens são mais violentas, outras mais amorosas, algumas mais sofridas em silêncio e outras aos berros, mas todos nós temos uma bagagem enorme. E todas as mulheres apendem desde cedo a sorrir, serem bonitas, apesar de, e justamente porquê possuem, suas bagagens.

Tratem as pessoas com amor, a gente nunca sabe o quanto o outro precisava daquele abraço, daquele elogio sincero, daquela pausa pro café, pra desabafar, pra sentir confiança em contar com o outro. E mulheres, minhas irmãs, sejam mais solidárias! A gente sabe o quanto cada uma sofre, e sabemos que por trás de cada sorriso existe muuuita bagagem! Vamos nos olhar nos olhos de forma a ir além dos sorrisos, e dar amparo à alma! É tudo que ofereço e peço!

De quebra, assista quando puder. São 7 episódios de aproximadamente 1h cada. Veja na ordem. Não veja o sétimo antes de nenhum outro. Você só respira aliviada nos últimos 10 minutos. Até lá, perceba na maldade humana o reflexo de outras maldades, e perceba que os ciclos não se rompem sem muito amor, muito apoio e muita sororidade!

Ah sim, aproveita e baixa também a trilha sonora, vale a pena!

Aproveito pra deixar aqui essa dose de amor bem nessa semana que completei meus 31 anos. Sim, eu amo ser uma mulher na casa dos 30! E sinto que ficará cada vez melhor! ❤

bll cafebll

 

The Sounds

Outro Bloquinho de 3, ainda com inspiração do Goyte. O fio conector hoje são os áudios de início e fim, e as músicas menos convencionais. São 3 que eu gosto muito, apesar de admitir que não são das mais fáceis ou suaves de ouvir.

Goyte – In the State of Art

The White Stripes – Little Acorns

The Black Keys – Fight For Air

Somebody

Pra relembrar os tempos de #bloquinhode3, um pouquinho de música nessa terça. Tenho estado ausente das minhas reminiscências, mas a mente anda louca com elas. Em breve posto textão com muitas impressões, expressões, depressões, e todo tipo de loucura mental. Mas por enquanto, música, maestro:

Estamos meio viciados nesse som do Gotye aqui em casa essa semana. Tô ligada que a letra tá longe de ser feliz, mas a música é gostosa. Já que entrei no tema, resolvi explorar as “somebody” músicas e o bloquinho de 3 vai da letra mais pessimista pra mais otimista, embora em melodia siga o caminho contrário. Enjoy!

  1. Somebody That  I Used To Know – Gotye

2) Use Somebody – Kings of Leon

3) Song For Somebody – U2

Vagabunda, anjo, mãe, filha: mulher

Fazia tempo, muuuuuito tempo que não rolava um bloquinho de 3 aqui, então vamos em homenagem à luta que é ser mulher, nos presentear com um pouquinho de música! E com mais de 3 músicas, porque eu não dou conta de tanta letra incrível e interpretações boas!

Mix up de Vagabunda e Problema Meu – Clarice Falcão

Vagabunda (completa) – Clarice Falcão

Problema Meu (completa) – Clarice Falcão

Cassia Eller – 1º de Julho

Letícia Sabatella – Geni e o Zepelim

Gypsy Heart

Meu coração é nômade e esse assunto não é novidade já existem alguns posts com a temática. Mas eis que agora me vejo novamente numa casa nova, numa cidade nova e dessa vez num país novo. Então resolvi escrever de forma um pouco mais pragmática contando sobre minhas mudanças e meu gypsy heart!

A caneca na minha mão é a mesma: NYU Sister! Ganhei do meu primo-irmão e essa já é minha quarta casa com ela! O chá varia o sabor. A vista muda bastante e até mesmo a família. Aliás, essa varia mais do que eu teria imaginado na minha vida.

Aos 15 anos fui para Rapid City, South Dakota, num intercâmbio de verão. Fiz muitas caminhadas nas montanhas e percebi que não conseguiria viver sem isso. Sem as viagens, sem conhecer lugares novos, sem estar sozinha por mais tempo do que as outras pessoas consideram normal. Foi circulando o Sylvan Lake, e conversando com uma queridíssima amiga de infância que percebi que o que eu mais queria com aquela idade era sair de casa. Não porque ela fosse ruim ou porque eu tivesse problemas com a família, muito pelo contrário, cresci numa casa cheia de amor, incentivo e liberdade, e mesmo com a parte da família mais complicada, a paterna, ouso dizer que dos 15 aos 19 foi o período de maior e melhor convivência!

A vida me segurou junto a família por alguns anos mais, os últimos que eu passaria com eles, e por isso agradeço não ter saído antes. Aos meus 18 nos mudamos da casa onde cresci, com o melhor quintal do mundo e todas as minhas memórias mais queridas, felizes, o lugar que me fez quem eu sou! Não consigo passar 1 dia sem lembrar e falar daquela casa mágica! Daquele casarão que meus avós transformaram em muito mais do que um lar, era o verdadeiro porto seguro da família, o paraíso dos netos, a terra da brincadeira, a melhor escola, o melhor clube, o melhor pomar, a melhor horta. Era nossa colônia de férias, o reforço escolar, era nossa vida! E que privilégio ter tido essa vida naquela casa! Nenhum castelo de conto de fadas faz jus! Lá era melhor!

Fomos para outra casa, ainda os quatro integrantes da família então, eu, minha mãe e meus avós maternos. Essa segunda casa, onde vivi cerca de 4 anos e meio, foi meu purgatório. Nunca gostei muito dela, tinha uma sala grande e escura, janelas grandes demais para abrir e fechar com facilidade nos quartos, a terra do quintal tinha muito plástico e restos de construção misturados, mas fizemos nossa vida da melhor forma lá. E foi morando lá que fiz minha faculdade, foi o lugar onde menos dormi. Foram anos de hospital, foi onde perdemos meus avós. Mas foi também onde meus cachorros, os meus mesmo, não da família, vieram, e foram meu alento. Desse lugar não guardo muito amor. Mas sei que foi útil e compreendo o papel daquela casa e desses anos na minha vida. Trabalhei muito, estudei muito, e tive um banheiro só pra mim pela primeira vez, um luxo muito útil nessa fase de dificuldades e horários loucos.

De lá nos mudamos para a que ficou na minha memória oficialmente como a casa da minha mãe! Como ela morou muitos anos com os pais, e quase toda a nossa vida juntas, essa foi a casa dela. Como já era adulta e já trabalhava, lá pude contribuir, e vivíamos como roomies. Foi quando pude decidir mais sobre a casa, embora não fosse ainda minha casa. É um lugar lindo e até hoje é minha casa na cidade onde nasci. Existe um carinho eterno por esse lugar, pois foi onde me tornei mulher de fato. Onde assumi oficialmente a responsabilidade pela minha vida, e muitas vezes pela dela também, onde recebi meu diploma, onde paguei contas pela primeira vez.

Além disso era uma casa de tamanho perfeito, bem menor do que as anteriores. Isso é um ponto muito curioso. Minhas casas tendem a diminuir. E não só por necessidade, mas por gosto. É o gypsy heart falando. É minha vocação pela viagem, por estar leve. O peso das coisas, as raízes, foram coisas que fui deixando aos poucos pra trás. Morei nessa casa por 3 anos e meio. Saí de lá de forma muito confusa, em meio a morte da minha mãe, e demorei muitos meses para conseguir me despedir do lugar.

Morei depois disso por 1,5 ano com meu padrinho, e recebi muito amor e carinho de todos naquela casa. Tive um quarto cuidadosamente arrumado para mim, e muita liberdade e apoio. Ficou como minha casa oficial. Mesmo depois de já ter saído de lá faz 4 anos, continua sendo meu endereço pra assuntos oficiais, pois como me mudo com frequência, sei que se a correspondência mais essencial chegar lá, serei encontrada! Cresci emocionalmente muito lá. Foi rápido e na marra.

Fui então finalmente morar sozinha. 11 anos depois daquela volta no Sylvan Lake, quando já tinha decidido isso como minha meta pessoal. Montei minha casa de bonecas, num dos menores lugares que já morei. Só não foi o menor, porque morei por 40 dias em Londres num menor ainda! Mas meu cantinho pequenino foi meu lugar de reconstrução. Foi onde mais tive coisas e posses minhas, apesar do tamanho, era tudo meu ali. Ali me recuperei, corpo, alma, mente, tudo! Mudei minha alimentação, li como nunca, trabalhei como nunca, dancei como nunca, pois de fato não tinha ninguém olhando. Lá aprendi o prazer de estar sozinha. De chorar em voz alta, berrar, de rir só, de ouvir a música que quisesse, de usar a roupa que quisesse ou nenhuma. De ficar horas calada contemplando a janela. Lá me achei como nunca. Se houve um lugar que fui JuReMa, da forma mais plena, foram naqueles 20m2.

De lá fui pra outra cidade, juntei as escovas de dente. Morei em dois apês em SP. Um por um mês e outro que foi mais que minha casa. Foi nossa casa. Bonita, arrumada, bem localizada, acolhedora. Lar dos amigos. Ali poderia ter morado o resto da minha vida.Morei 2 anos.  Bom, talvez não tanto, pois a cidade grande foi me engolindo, os gritos advindos da balada, o barulho do trânsito, o ritmo frenético da metrópole foram acordando no meu coração a necessidade de seguir andando.

Vocês já viram o filme Chocolate? Se não, vejam! Hoje! Eu sou assim, se o vento bate torto, eu tenho que segui-lo. Durante muito tempo achei que uma hora uma pessoa finalmente me faria sossegar. Quebrar minhas amarras com o passado e sossegar. Mas foi o contrário. Encontrei outra alma nômade, perdida por aí enquanto andávamos, nos procurando e procurando seja lá o que for que tanto procuramos nessas andanças.

Me casei, de papel passado, para poder viajar mais, ir mais longe. Não foi pra sossegar. Em vez de comprar uma casa e fazer uma lista de presentes, vendemos tudo o que tínhamos! Casamos para partir! E cá estou, em uma nova casa. E sabe do mais incrível. Ela já tem data marcada pra não seguir sendo nossa. Os planos ainda estão disformes, ainda existem burocracias e necessidades, mas não creio que será meu lar por mais de 1,5 ano. E assim posso dizer que em 13 anos, desde os meus 18, vivi em 8 casas, fiz mudanças grandes, mudanças pequenas, às vezes fui com a roupa do corpo e mais uma mochila, às vezes paguei caminhões e levei tudo. Uma coisa se consolidou com força e certezas inigualáveis, minha casa é onde meu coração está.

Não sou do tipo de gente que coleciona coisas ou conquistas, sou do tipo que coleciona memórias e lugares no mapa! Sou agoniada por natureza, nasci antes da hora, de 7 meses, e sinto que estou sempre assim, uns meses adiantada, uma vida atrasada! Quero poder seguir andando e ver o que esse mundão tem pra me mostrar. Quero conhecer os lugares pela inclinação do sol e as estações pelo cheiro do ar. Já não tenho problema nenhum em ter poucas coisas e quanto menos tenho, mais acho que possuo em excesso. Agora estou sonhando com uma vida ainda mais nômade. Quero poder não dormir duas noites no mesmo lugar. E assim sigo. Inquieta para os que olham de fora, mas cada vez mais segura de mim! A certeza de que essa sou eu, e que me comporto assim mesmo. E que não busco nada para substituir, apenas para ampliar.

Já achei que estivesse buscando aquilo que faltava. Hoje sei que não me falta nada, nunca faltou. Só faltava essa certeza. Sempre tive e sempre terei tudo o que preciso dentro de mim. Mas preciso continuar seguindo. Essa sensação de que o mundo todo é minha casa e de que me sinto bem e a vontade onde quer que eu vá é a melhor. Quando lugar nenhum é a sua casa, mas todos os lugares são, essa sim é minha grande conquista! Saber disso é o que me traz paz.

Há claro o período de adaptação, conhecer os eletrodomésticos novos, aprender os novos horários, descobrir os melhores mercados, e aí, quando estiver bem conhecido, rotineiro e seguro, aí a gente pega a vida e sacode, joga tudo no ar e vamos descobrir onde tudo caiu, junto e misturado, como as novas runas que indicam um novo caminho. Aprendi que essa incerteza não é triste e nem solitária, a incerteza é minha maior certeza!

Não se assuste mundo, por favor. Algumas almas são nômades. Algumas pessoas precisam ir e vir para conseguir continuar vivas. Deixar pra trás não significa não gostar, apenas o impulso de seguir que é mais forte. Sempre achei que essa minha necessidade me faria muito solitária, mas hoje, além de ter encontrado outro nômade, descobri que só coleciono amigos, trabalhos, pessoas, locais, como quem coleciona jogos americanos novos a cada primavera. Algumas coisas não mudam, outras mudam todos os dias. O sabor do chá na caneca muda sempre, essa caneca já está comigo há 4 casas! E talvez não esteja na próxima, ou talvez esteja, mas o hábito do chá certamente estará. Minha certeza hoje não está nas coisas, em nenhuma delas, está em mim!

Quem é Juliana? A menina da caneca roxa? Dos óculos vermelhos? Não ou sim. Mas a Juliana é certamente aquela que ama chá, a vegetariana, a brasileira, a que ama livros, a que faz Yôga, a que fala demais e alto demais, a que chora pela família que já se foi 1X por mês, a que gosta de viajar. E para ser assim, para ser eu mesma, posso e devo ser em qualquer lugar!

Quantas casas contabilizarei até o fim dessa década de vida que só começou? Pretendo bater meus recordes! ❤

Bela Watson

Eu cresci apaixonada pela Bela, da Disney, do filme A Bela e a Fera, de 1991. Desde que vi o filme me identifiquei profundamente. Minha barbie favorita era a Bela (versão vestido azul, camponesa), com um livro na mão. Pra mim ela será sempre a não-princesa, lembrando que ela é camponesa, que amava ler e conhecer coisas novas. Amava o pai e nunca teve medo da Fera. Pra mim ela sempre foi sinônimo de liberdade!

Nos últimos anos comecei a ver muita gente fazer a crítica e levantar a questão da Síndrome de Estocolmo, onde o sequestrado se apaixona pelo sequestrador, numa alusão de que isso era o que tinha acontecido entre a Bela e a Fera e que romantizar isso é romantizar um abuso. Essa visão sempre me incomodou um pouco, mas aceitei a crítica, achando que o incomodo poderia vir justamente da minha dificuldade em desconstruir meus símbolos de infância,  afinal, eu também cresci vendo Disney.

Ano passado a Emma Watson anunciou que faria a nova versão do filme, A Bela e Fera, também Disney, uma releitura que promete ser fiel à animação de 1991. Amei! Já sou fã da Emma pelo trabalho com Hermione, outra personagem com a qual me identifiquei profundamente na adolescência, a menina inteligente, bookworm, que não leva desaforo pra casa, e ainda luta pelas questões sociais (leia os livros e descubra a atuação dela na libertação dos elfos domésticos da situação de escravidão).

Alguns blogs e páginas que eu sigo vieram com a crítica. Que eu acho sempre válida de ser feita, especialmente para não aceitarmos o peso da influência Disney sem questionamentos. Criticaram a Emma por aceitar o papel, iludindo milhões de fãs, que já a admiram pelo papel de Hermione, no papel de Bela, a menina bonita da vila, que sequestrada pela Fera, aceita um relacionamento abusivo (a Fera além de prendê-la, grita, faz exigências e etc), em troca de uma biblioteca e da esperança que ele mude. Essa crítica me incomodou de novo. E de novo, achei que fosse porque eu precisava rever meus próprios preconceitos, machismos e me desconstruir.

Li também a crítica à Watson pelo fato dela ser a representante da ONU Mulheres no programa He for She, que busca aumentar a consciência das mulheres e homens para a questão de gênero e fazer ações concretas para melhorar a situação da mulher no mundo, especialmente superando a violência doméstica e aumentando o acesso das mulheres à educação e conhecimento, e ainda assim aceitar ser a Bela, dadas as premissas negativas do filme, a Síndrome de Estocolmo, o machismo, as mudanças de humor e a promessa irreal de mudança. De novo me incomodei e de novo achei que precisava me rever meus conceitos.

Isso ficou me incomodando, lá no fundo da cabeça, da memória e do coração. E vi um meme da Emma, com uma camiseta com uma fala da Hermione: “When in doubt, got o the library”, (quando em dúvida, vá a biblioteca), uma alusão à capacidade da personagem de solucionar os maiores enigmas da saga Harry Potter consultando livros. E foi o que fiz. Só que em vez de livro, fui rever o filme A Bela e a Fera, da Disney de 1991.

Ressalto aqui que fiz minhas reflexões sobre o filme, versão 1991. Não sobre os livros com versões do conto. E explico porque. O livro pode conter outros aspectos, mas a minha influência pessoal foi o filme, que assisti em 1991, com 7 anos de idade. Além disso, o filme 2017 com a Watson é totalmente baseado no filme de 1991 e não no livro. Acrescento que não tinha reassistido o filme nunca mais. Estava com a memória dos meus 7 anos lá guardada. Dado o parêntesis, vamos aos fatos.

Ao assistir novamente a animação ficou claro pra mim os motivos pelos quais tanto gostei em 1991 e que são os mesmos pelos quais continuo admirando a animação ainda mais hoje. Sei que sou muito Bela e muito Hermione e entendo e corroboro a Emma pela aceitação do papel. Desde a primeira fala, a primeira música, a Bela diz que quer mais do que a vida provinciana da vila. Que quer conhecer o mundo. Sua paixão pelos livros não está limitada à leitura per si, mais ao conhecimento que ela trás.  Então vamos aos fatos que o início do filme nos trás: 1. A Bela e o pai não são originalmente daquela vila. 2. Ele é inventor (busca pelo novo e desconhecido) e é visto como louco na cidade. 3. Ele quer vender a invenção na feira para conseguir “uma vida melhor” para ele e sua filha. A parte de se mudar da vila após a venda não está explicitada e é uma interpretação pessoal baseada no que falam. Ressalto ainda que dadas as premissas, eles não sofrem necessidades básicas, e ambos desejam conhecer mais, “uma vida melhor” não diz respeito à questões de renda e sim de um local onde ambos não sejam vistos como loucos, ou diferentes, por querem conhecimento.

O Gaston. Se eu já odiava essa personagem desde 1991, agora só piorou. Ele sim é a representação completa do machista. Além de se achar a criatura mais linda, gostosa e poderosa do universo, o idiota tem um mindset mais fechado que cofre de banco. Ele deliberadamente diz que quer casar com a Bela porque ela é a mais bonita, e portanto ele tem o direito de possuí-la, como um troféu, a trophy-wife, para o maior caçador da região. Isso sem nem mencionar que ele é caçador. Mas mais do que isso, ele menospreza ela, e todos os demais, homens e mulheres, e é completamente incapaz de perceber que ela jamais ficaria com alguém como ele, quiça ficaria na vila, algo que parece muito duvidável. Isso sem falar na menção aos 6 ou 7 filhos e na obrigação de cuidar dele, inclusive com massagens nos pés. E além disso, o desprezo dele pelos livros, os quais ele considera perigosos pois fazem pensar. Ele joga o livro dela na lama, põe os pés imundos em cima e despreza o que os livros representam, o conhecimento e a liberdade, tanto quanto pode.

Gaston se supera e consegue ainda um plano macabro envolvendo pagamento em dinheiro para aprisionar o pai de Bela, como maneira de “convencê-la” a se casar com ele. Sua reação quando descobre a existência da tal Fera é a de caçador, exterminamos e pronto. Quando percebe a afeição da Bela pela Fera e se sente preterido, aí torna o assunto pessoal. Gaston representa toda a intolerância com o desconhecido ao incitar a vila a matar a Fera, além de prender a própria Bela e seu pai no porão para não avisarem a Fera a tempo. Mas lidar com o Gaston é fácil, ele é o vilão. Medíocre como esperado. Violento como esperado.

E assim as críticas recaem sobre a Fera. A Fera é a personagem mais esférica, na minha opinião. Ouvi críticas sobre a inconsistência da animação pois a bruxa amaldiçoa o jovem príncipe, e diz que suas chances de voltar a ser humano acabariam no seu 21º aniversário e depois no filme os objetos/servos do castelo comentam que já estão naquela forma a 10 anos. Para mim isso não é uma inconsistência, é apenas o fato de que não envelhecem enquanto estão amaldiçoados, tanto que o pequeno Chip continua sendo uma criança pequena nesses 10 anos. Além disso há que se lembrar que ele poderia ser bem novo e ainda assim “senhor” do castelo dadas as premissas da época.

Quando foi encantado, o jovem príncipe se recusa a ajudar uma mendiga, acusando-a de ser feia e maltrapilha e por isso ela o transforma em fera hedionda, e ainda por cima faz com que a quebra do feitiço venha apenas quando alguém conseguir amá-lo apesar da forma. Por mais que eu ache que o príncipe estava absolutamente errado, e era um ser arrogante e aristocrático (características redundantes nesse contexto), a bruxa pegou pesado ao incluir no castigo todos os servos, que não tinham nada a ver com isso, e que também ficaram amarrados pelo time frame da maldição. Além de arrogante, o jovem príncipe agora vira Fera, absolutamente solitário e sem ter a menor ideia de como amar alguém ou se fazer amado. Se ele tivesse continuado igualmente arrogante o castelo seria limpo, lindo, apesar de assustador e ele seria uma Fera dominadora. Mas ao contrário do Gaston, sempre com a auto-estima no céu, a Fera duvida de si mesma e do mundo. Como um bicho acuado e seu canto, ainda que esse canto seja um castelo, e com todo o passado arrogante por trás.

Essa dualidade faz dele um ser cheio de mudanças de humor e muita dificuldade de se relacionar, com quem quer se seja, além da solidão crônica. Não acho que isso seja justificativa para seu comportamento arrogante inicial, mas certamente deve ser considerado depois de 10 anos. É fato que apesar da maldição, ele só esperava ser deixado em paz, em sua solidão amaldiçoada.

Quando o pai da Bela entra no castelo, o que não deixa de ser uma invasão, e é bem-recebido pelos servos-objetos, a Fera se torna agressiva, sim, mas como um bicho acuado. Com vergonha e medo de que o vejam, de que saibam de sua existência. E o prende não para diversão própria ou crueldade pura, mas como resultado desse medo e dessa frustração, somados à arrogância anterior.

Mas vamos a Bela. Todos falam de Gaston e da Fera, para explicar os acontecimentos, como se a Bela fosse um ser inanimado que só acompanha os homens da história, pai, Gaston, Fera, quando na verdade ela é o centro e o motivo dos acontecimentos principais. Desde o início Bela se declara enfadada com a vida provinciana e com sede de conhecimento. Ela é segura de si e muito firme, sendo muitas vezes teimosa e autoritária também.

Ao encontrar o pai no castelo ela pede para ficar no lugar dele, e se observado com cuidado, não só para salvar o pai, que como diz já está velho, mas pela mudança. Pela curiosidade. Por mais que uma vida provinciana. Claro que ela chora, e questiona as próprias escolhas, como fazemos todas. E no mesmo momento descobre que o castelo não sera sua prisão, que ela tem liberdade ali dentro e sera servida, apenas a Ala Oeste é proibida. Na primeira oportunidade ela vai até a ala, desrespeitando a regra, por curiosidade e sede de conhecimento. Ao ser confrontada pela Fera, que estava em seu direito de proibir a ida a ala, embora não no direito de aprisionar ninguém, Bela sai do castelo. E ao sair diz “sei que dei minha palavra, mas não posso ficar nem mais um minuto aqui”, e ninguém a impede, nem a Fera. Desconstruindo um pouco a ideia de prisioneira e síndrome de Estocolmo.

Sai loucamente, a noite, numa floresta amaldiçoada, e é atacada. A Fera vem em seu salvamento e quase morre. Ela podia ter seguido para casa daí, mas decide voltar. Talvez por culpa ou remorso, mas acho que também pela gratidão e pela curiosidade. Não só a curiosidade com a Fera, mas com todo o castelo, com todo aquele mundo. E lá fica, e lá descobre aquelas pessoas fantásticas, e, claro, a biblioteca dos sonhos. Nesse ponto, existe, claro, o peso da “obrigação” da Bela de ficar, mas pela palavra dada e não pela força.

Já vi muitas pessoas interpretarem como alusivas as relações abusivas, onde não há violência física, mas sim psicológica, e onde a mulher muitas vezes fica por se sentir culpada, obrigada, devedora, ou não merecedora de algo melhor e acho super importante debater tudo isso, inclusive por meio de filmes e animações para que o debate chegue até as meninas. Mas não acho que é o caso da Bela. Ela parece estar sempre no controle. Ao contrário da Fera, que é inseguro, que apesar de ter acesso aquilo tudo desconhece muito, inclusive reluta em admitir a dificuldade em ler. Enquanto Bela me parece muito dona do próprio nariz, sabendo aproveitar tudo aquilo como ninguém.

No primeiro momento em que demonstra tristeza e fala que gostaria de ver o pai, a Fera proporciona a visão, por meio do espelho, e a “libera para ir”,  lembrando que ela já tinha saído antes. E ela vai para ajudar o pai, mas claramente relutante em ir.

Mais a frente, ao chegar na vila e descobrir toda a confusão com o pai, Gaston, os planos malígnos do asilo, e ao informar a vila sobre a Fera, na tentativa de salvar o pai, e de ambos sofrerem a prisão, fala para Gaston “o monstro é você, não ele”, deixando claro como se sentia em relação à Fera (e ao Gaston).

Outra coisa que em chamou atenção ao rever o filme é que ela não sabe do feitiço, não sabe que a Fera se transformaria, nem que aqueles objetos eram pessoas. Demonstrando que seus sentimentos por todos aqueles no castelo eram genuínos.

Em geral não estou aqui pra defender a Bela e a Fera enquanto filme, embora ache que mereça, mas sim pra defender a personagem da Bela. Que é uma mulher essencialmente curiosa, que busca conhecimento, que busca o mundo e que não se rende para ninguém. Quando é para se afastar do pai pelo que considera necessário, ela tem a coragem de fazer, para conhecer, para entender. A Bela se posiciona contra os avanços bem abusivos do Gaston, contra a injustiça à Fera, contra a própria Fera. Nos primeiros momentos, no primeiro dia se recusa a jantar com a Fera e diz isso em alto e bom som. A Bela não abaixa a cabeça. E por isso acho que é diminuí-la considerar que ela foi vítima da Síndrome de Estocolmo, da sedução por relação abusiva da Fera e ficou por isso. Essa não é a Bela que eu conheço.

A Bela que eu conheço é forte, corajosa e muito curiosa! Ama o desconhecido e vê as coisas pelas suas atitudes. Responde, é teimosa, faz o que quer, quando quer, não tem medo das consequências nem das represálias. A Bela é livre! E rever a animação me devolveu a confiança no meu gosto, desde os 7 anos. Na minha visão de uma mulher independente, sonhadora e curiosa. E tenho certeza que ninguém faria melhor jus a essa personagem que a Emma Watson.

(Little Town song, The Beauty and the Beast – 1991)

(Little Town song, The Beauty and the Beast – 2017)

SP by JuReMa – Cultura

Falar de cultura em São Paulo é fácil e difícil ao mesmo tempo, justamente pela abundância. Até fiquei receosa de nomear meu post assim, mas resolvi manter e me explicar. Pra mim, no estilo SP by JuReMa a parte “Cultura” não se resume a esse post, mas à serie toda! São Paulo é daquelas cidades que você vivencia a cultura desde que esteja lá e de olhos abertos. Não precisa fazer mais nada. Agora está um pouco mais complicado, com os grafites apagados pelo Dória, numa atrocidade cometida contra a cidade. Qualquer um que olhe SP com olhos de verdade pode perceber a importância do grafite e da arte de rua pra cidade. Mas não é só isso, é ver SP não como a selva de pedra, que ela também é, mas como essa cidade viva, que respira, transpira e aspira cultura.

Existem muitas São Paulos, como em toda grande cidade. Caso você só ande de carro, só fique dentro de shoppings e restaurantes famosos, só vá aos museus conhecidos e em condomínios fechados você vai conhecer uma Sampa. Cheia de cultura e atrativos. Mas mais homogênea.

Caso você ande a pé e de transporte público, vai poder apreciar a confluência de estrangeiros, imigrantes, refugiados, migrantes internos, que fazem essa salada cultural que é São Paulo. No Centro e na Paulista essa diversidade fica mais evidente e a Paulista Aberta, aos domingos é uma excelente oportunidade de ver e ouvir muita arte de rua. O Largo do Paissandu, com a Galeria do Rock, Galeria Olido, e a Praça da República também garantem uma vivência única, além da foto tradicional onde a Ipiranga encontra a São João. Essa é menos arrumada, menos cheirosa, e bem menos tradicional que a São Paulo do guia turístico, mas é mais rica em cores, sabores, idiomas e diversidade.

SP tem inúmeras livrarias maravilhosas em shoppings e nas ruas também. Pra quem é de outros lugares é impressionante o investimento feito nas livrarias. Nunca são só lojas. São experiências. Meu destaque máximo é pra Livraria Cultura do Shopping Conjunto Nacional na Paulista. Essa Cultura não é uma loja, é um complexo. Além dos dois andares amplos e cheios de pufes e pessoas lendo, há um auditório, um cinema, uma outra loja Cultura Art, uma Cultura Geek e outros. Muitos excelentes lançamentos de livros são feitos lá, com discussões com os autores, além de outros debates com convidados conhecidos que acontecem no mínimo uma vez por mês. No fim de semana, pela manhã, também ocorrem exibições de filmes independentes ou que estão fora do circuito tradicional, com discussões após a sessão. É um dos lugares que é indispensável acompanhar a programação. De quebra tem uma Ben&Jerry’s ao lado! ❤

Outro que merece destaque é o Cine Itaú do Shopping Frei Caneca. O Itaú possui dois cinemas próximos, um de rua na Augusta, acompanhado (do outro lado da rua) de um espaço cultural, e o do Frei Caneca, que sempre exibem filmes que não estão no mainstream dos outros cinemas, além dos blockbusters de sempre. Destaco o do Shopping Frei Caneca, pois lá ocorrem as exibições extras de filmes com conteúdo social. No sábado pela manhã há a sessão Cine Direitos Humanos, por exemplo. Além disso eles possuem muitas promoções interessantes em horários pouco convencionais, preços especiais para terceira idade e outros do tipo. Também considero indispensável acompanhar a programação. Ano passado fizeram sessões de graça (ingressos limitados e filas grandes para consegui-los) dos documentários que concorreram aos grandes prêmios internacionais, como Oscar e Cannes.

Ainda na sessão filmes, destaco a Galeria Olido, no centro, ao lado da Galeria do Rock. A Olido sempre tem eventos culturais, teatro e cinema. As sessões de cinema são geralmente R$1,00 quando em festivais. Eles promovem festivais alternativos, de cinema de algum local específico, incluindo os festivais Cine Imigrante, Cine Indígena, entre muitos outros. E tem mate com açaí e bauru vegano em frente!

O Centro Cultural São Paulo, mais conhecido como Centro Cultural Vergueiro, também é um espaço imperdível e que vale a pena seguir a programação. Já acompanhei lá exposição com mesas de debate de abertura e encerramento sobre a Questão Palestina, além de exibições de filmes alternativos. O local conta ainda com muito espaço aberto livre (uma raridade em SP) onde muitos grupos se encontram e praticam dança de vários estilos, e só de assistir isso já é um show a parte. Outros grupos ocupam as mesas disponíveis para estudos, aulas, jogos. Além disso há a biblioteca, grande, ampla e iluminada. Quando a claustrofobia da selva de pedra aperta, lá é um bom local pra uma brasiliense espairecer. Ha também exibições de filmes ao ar livre à noite, em algumas épocas do ano.

O Insituto Tomie Otake também merece destaque. Sempre com excelentes exposições, um bom café, e o passeio até a região, que nos fins de semana possui muitas opções de bares a noite, ao redor do Largo do Batata e também ao redor do próprio Tomie Otake.

O Beco do Batman se tornou uma atração, embora oficialmente não seja um instituto nem nada, como o nome diz, é um beco, ou melhor, uma rua, na Vila Madalena, onde muitos grafites adornam a paisagem. O local virou um point, pois a Vila Madalena conta com muitos bares e no carnaval é um dos polos de bloquinhos de rua. Talvez lá o grafite sobreviva.

Um que para mim é um charme é a Casa das Rosas, na Paulista. É um dos últimos casarões da avenida (e da cidade) lá é possível ver as fotos de como era a Paulista no tempo dos casarões e fazer uma visita pela casa (guiada ou não) e perceber como era a vida ali no início da cidade, antes da Paulista virar a avenida dos grandes prédios e centros financeiros.  Além disso conta com um belo jardim (cheio de rosas) onde dá pra tomar um café, trabalhar, ler ou estudar em um local central e tranquilo (combinação um pouco rara na cidade), e à noite há exibições de filmes ao ar livre.

O Teatro Municipal é uma visita obrigatória! O prédio é maravilhoso e permite perceber claramente o que representou a era do café para São Paulo, com todo o dinheiro e importância que a cidade ganhou. A programação conta com opções de música clássica aos domingos pela manhã, que são com valores muito acessíveis (R$9,00, meia estudante R$4,50 e outros valores bem em conta). E ha uma vista linda de uma parte do Centro de lá, especialmente do Viaduto do Chá, que também é ponto turístico tradicional da cidade, cartão postal.

A Sala São Paulo também é imperdível e também inclui conhecer melhor o centro. Possui um ar mais moderno e também oferece opções de música clássica a preços acessíveis em diversos horários, especialmente nos fins de semana pela manhã. Há também a programação normal, com inúmeras atrações ao longo do ano.

Além desses há os centros culturais que também existem em outros estados brasileiros, como o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), Itaú Cultural, Caixa Cultural, que sempre possuem programações muito boas, não vou me delongar sobre eles pois são mais conhecidos, mas é indispensável seguir a programação deles e conhecer os prédios e localidades que também são passeios a parte, especialmente o CCBB e a Caixa que estão no centro.

Existem muitos outros centros culturais em SP e eu realmente recomendo que você procure a programação de cada um deles e descubra os que mais lhe apetecem, para a partir daí segui-los e aproveitar.