Pasta de Couve-flor

Essa terça temos uma receitinha, pra variar. Tô tentando voltar a incrementar as diversas partes do blog.

Essa receita inventei faz um tempinho, e não tenho boas fotos do produto final, pois fiz na véspera de uma das road trips e levamos e comemos tudo, então faltou tempo pra foto. Mas comida é boa é assim, né. A gente só lembra da foto depois… mesmo nesses tempos de instagram.

Bom, essa pasta tem várias vantagens. É simples de fazer, barata e vegana! Além disso fica uma delícia no pão e é uma ótima alternativa pra manteigas e pastas mais gordurosas. Aqui em casa foi sucesso total.

Vamos a receita:

Ingredientes: 

  • Couve-flor (pode colocar 1, 2 pés ou 1 pé e 1 brócolis ninja também)
  • 5 dentes de alho (ou uma cabeça inteira se você for dos meus)
  • 1 cebola média
  • curry
  • cúrcuma (opcional)
  • pimenta-do-reino
  • sal
  • azeite
  • cheiro-verde (ou outras ervas aromáticas à escolha)
  • meio limão espremido (opcional)

Modo de fazer: 

  • Pique em pedaços grandes (não precisa de delicadeza aqui, depois vamos bater tudo) a couve-flor (e o brócolis se for colocar) e a cebola (em quartos)
  • Descasque os dentes de alho (não precisa picar)
  • Coloque o alho, a cebola e a couve-flor (e o brócolis) numa panela com água e cozinhe (pode colocar pouca água, menos do que para cobrir, eles cozinham mais no vapor do que na água, e no final vamos utilizar um pouco da água só. (Pode cozinhar direto no vapor se preferir). Cozinhe até estar tudo bem mole.
  • Coloque no liquidificador ou mixer (fiz com mixer de mão e foi tranquilo) a couve-flor(e brócolis), cebola e alho cozidos, sem a água, acrescente os temperos, menos o azeite e comece a bater. Coloque um pouco de azeite pra facilitar bater e continue batendo. Acrescente mais azeite se quiser uma pasta mais oleosa e coloque um pouco da água do cozimento se estiver difícil para bater ou se quiser um creme mais líquido.
  • Se quiser colocar mais água, pode servi-lo quente, como uma sopa, um creme. Fica ótimo também. Se quiser uma pasta para passar em pães e biscoitos, coloque o mínimo de água.

Como fiz com pouca água, e muito tempero, durou uns 10 dias na geladeira. Fiz dois potes, um levamos na viagem e outro ficou aqui esperando.

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Brócolis ninja e couve-flor psicodélica catalã

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Eu aproveito inclusive os talos, cozinho até ficar macio e bato tudo, dá mais consistência e diminui o desperdício

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Cozinhando em pouca água

Gypsy Heart

Meu coração é nômade e esse assunto não é novidade já existem alguns posts com a temática. Mas eis que agora me vejo novamente numa casa nova, numa cidade nova e dessa vez num país novo. Então resolvi escrever de forma um pouco mais pragmática contando sobre minhas mudanças e meu gypsy heart!

A caneca na minha mão é a mesma: NYU Sister! Ganhei do meu primo-irmão e essa já é minha quarta casa com ela! O chá varia o sabor. A vista muda bastante e até mesmo a família. Aliás, essa varia mais do que eu teria imaginado na minha vida.

Aos 15 anos fui para Rapid City, South Dakota, num intercâmbio de verão. Fiz muitas caminhadas nas montanhas e percebi que não conseguiria viver sem isso. Sem as viagens, sem conhecer lugares novos, sem estar sozinha por mais tempo do que as outras pessoas consideram normal. Foi circulando o Sylvan Lake, e conversando com uma queridíssima amiga de infância que percebi que o que eu mais queria com aquela idade era sair de casa. Não porque ela fosse ruim ou porque eu tivesse problemas com a família, muito pelo contrário, cresci numa casa cheia de amor, incentivo e liberdade, e mesmo com a parte da família mais complicada, a paterna, ouso dizer que dos 15 aos 19 foi o período de maior e melhor convivência!

A vida me segurou junto a família por alguns anos mais, os últimos que eu passaria com eles, e por isso agradeço não ter saído antes. Aos meus 18 nos mudamos da casa onde cresci, com o melhor quintal do mundo e todas as minhas memórias mais queridas, felizes, o lugar que me fez quem eu sou! Não consigo passar 1 dia sem lembrar e falar daquela casa mágica! Daquele casarão que meus avós transformaram em muito mais do que um lar, era o verdadeiro porto seguro da família, o paraíso dos netos, a terra da brincadeira, a melhor escola, o melhor clube, o melhor pomar, a melhor horta. Era nossa colônia de férias, o reforço escolar, era nossa vida! E que privilégio ter tido essa vida naquela casa! Nenhum castelo de conto de fadas faz jus! Lá era melhor!

Fomos para outra casa, ainda os quatro integrantes da família então, eu, minha mãe e meus avós maternos. Essa segunda casa, onde vivi cerca de 4 anos e meio, foi meu purgatório. Nunca gostei muito dela, tinha uma sala grande e escura, janelas grandes demais para abrir e fechar com facilidade nos quartos, a terra do quintal tinha muito plástico e restos de construção misturados, mas fizemos nossa vida da melhor forma lá. E foi morando lá que fiz minha faculdade, foi o lugar onde menos dormi. Foram anos de hospital, foi onde perdemos meus avós. Mas foi também onde meus cachorros, os meus mesmo, não da família, vieram, e foram meu alento. Desse lugar não guardo muito amor. Mas sei que foi útil e compreendo o papel daquela casa e desses anos na minha vida. Trabalhei muito, estudei muito, e tive um banheiro só pra mim pela primeira vez, um luxo muito útil nessa fase de dificuldades e horários loucos.

De lá nos mudamos para a que ficou na minha memória oficialmente como a casa da minha mãe! Como ela morou muitos anos com os pais, e quase toda a nossa vida juntas, essa foi a casa dela. Como já era adulta e já trabalhava, lá pude contribuir, e vivíamos como roomies. Foi quando pude decidir mais sobre a casa, embora não fosse ainda minha casa. É um lugar lindo e até hoje é minha casa na cidade onde nasci. Existe um carinho eterno por esse lugar, pois foi onde me tornei mulher de fato. Onde assumi oficialmente a responsabilidade pela minha vida, e muitas vezes pela dela também, onde recebi meu diploma, onde paguei contas pela primeira vez.

Além disso era uma casa de tamanho perfeito, bem menor do que as anteriores. Isso é um ponto muito curioso. Minhas casas tendem a diminuir. E não só por necessidade, mas por gosto. É o gypsy heart falando. É minha vocação pela viagem, por estar leve. O peso das coisas, as raízes, foram coisas que fui deixando aos poucos pra trás. Morei nessa casa por 3 anos e meio. Saí de lá de forma muito confusa, em meio a morte da minha mãe, e demorei muitos meses para conseguir me despedir do lugar.

Morei depois disso por 1,5 ano com meu padrinho, e recebi muito amor e carinho de todos naquela casa. Tive um quarto cuidadosamente arrumado para mim, e muita liberdade e apoio. Ficou como minha casa oficial. Mesmo depois de já ter saído de lá faz 4 anos, continua sendo meu endereço pra assuntos oficiais, pois como me mudo com frequência, sei que se a correspondência mais essencial chegar lá, serei encontrada! Cresci emocionalmente muito lá. Foi rápido e na marra.

Fui então finalmente morar sozinha. 11 anos depois daquela volta no Sylvan Lake, quando já tinha decidido isso como minha meta pessoal. Montei minha casa de bonecas, num dos menores lugares que já morei. Só não foi o menor, porque morei por 40 dias em Londres num menor ainda! Mas meu cantinho pequenino foi meu lugar de reconstrução. Foi onde mais tive coisas e posses minhas, apesar do tamanho, era tudo meu ali. Ali me recuperei, corpo, alma, mente, tudo! Mudei minha alimentação, li como nunca, trabalhei como nunca, dancei como nunca, pois de fato não tinha ninguém olhando. Lá aprendi o prazer de estar sozinha. De chorar em voz alta, berrar, de rir só, de ouvir a música que quisesse, de usar a roupa que quisesse ou nenhuma. De ficar horas calada contemplando a janela. Lá me achei como nunca. Se houve um lugar que fui JuReMa, da forma mais plena, foram naqueles 20m2.

De lá fui pra outra cidade, juntei as escovas de dente. Morei em dois apês em SP. Um por um mês e outro que foi mais que minha casa. Foi nossa casa. Bonita, arrumada, bem localizada, acolhedora. Lar dos amigos. Ali poderia ter morado o resto da minha vida.Morei 2 anos.  Bom, talvez não tanto, pois a cidade grande foi me engolindo, os gritos advindos da balada, o barulho do trânsito, o ritmo frenético da metrópole foram acordando no meu coração a necessidade de seguir andando.

Vocês já viram o filme Chocolate? Se não, vejam! Hoje! Eu sou assim, se o vento bate torto, eu tenho que segui-lo. Durante muito tempo achei que uma hora uma pessoa finalmente me faria sossegar. Quebrar minhas amarras com o passado e sossegar. Mas foi o contrário. Encontrei outra alma nômade, perdida por aí enquanto andávamos, nos procurando e procurando seja lá o que for que tanto procuramos nessas andanças.

Me casei, de papel passado, para poder viajar mais, ir mais longe. Não foi pra sossegar. Em vez de comprar uma casa e fazer uma lista de presentes, vendemos tudo o que tínhamos! Casamos para partir! E cá estou, em uma nova casa. E sabe do mais incrível. Ela já tem data marcada pra não seguir sendo nossa. Os planos ainda estão disformes, ainda existem burocracias e necessidades, mas não creio que será meu lar por mais de 1,5 ano. E assim posso dizer que em 13 anos, desde os meus 18, vivi em 8 casas, fiz mudanças grandes, mudanças pequenas, às vezes fui com a roupa do corpo e mais uma mochila, às vezes paguei caminhões e levei tudo. Uma coisa se consolidou com força e certezas inigualáveis, minha casa é onde meu coração está.

Não sou do tipo de gente que coleciona coisas ou conquistas, sou do tipo que coleciona memórias e lugares no mapa! Sou agoniada por natureza, nasci antes da hora, de 7 meses, e sinto que estou sempre assim, uns meses adiantada, uma vida atrasada! Quero poder seguir andando e ver o que esse mundão tem pra me mostrar. Quero conhecer os lugares pela inclinação do sol e as estações pelo cheiro do ar. Já não tenho problema nenhum em ter poucas coisas e quanto menos tenho, mais acho que possuo em excesso. Agora estou sonhando com uma vida ainda mais nômade. Quero poder não dormir duas noites no mesmo lugar. E assim sigo. Inquieta para os que olham de fora, mas cada vez mais segura de mim! A certeza de que essa sou eu, e que me comporto assim mesmo. E que não busco nada para substituir, apenas para ampliar.

Já achei que estivesse buscando aquilo que faltava. Hoje sei que não me falta nada, nunca faltou. Só faltava essa certeza. Sempre tive e sempre terei tudo o que preciso dentro de mim. Mas preciso continuar seguindo. Essa sensação de que o mundo todo é minha casa e de que me sinto bem e a vontade onde quer que eu vá é a melhor. Quando lugar nenhum é a sua casa, mas todos os lugares são, essa sim é minha grande conquista! Saber disso é o que me traz paz.

Há claro o período de adaptação, conhecer os eletrodomésticos novos, aprender os novos horários, descobrir os melhores mercados, e aí, quando estiver bem conhecido, rotineiro e seguro, aí a gente pega a vida e sacode, joga tudo no ar e vamos descobrir onde tudo caiu, junto e misturado, como as novas runas que indicam um novo caminho. Aprendi que essa incerteza não é triste e nem solitária, a incerteza é minha maior certeza!

Não se assuste mundo, por favor. Algumas almas são nômades. Algumas pessoas precisam ir e vir para conseguir continuar vivas. Deixar pra trás não significa não gostar, apenas o impulso de seguir que é mais forte. Sempre achei que essa minha necessidade me faria muito solitária, mas hoje, além de ter encontrado outro nômade, descobri que só coleciono amigos, trabalhos, pessoas, locais, como quem coleciona jogos americanos novos a cada primavera. Algumas coisas não mudam, outras mudam todos os dias. O sabor do chá na caneca muda sempre, essa caneca já está comigo há 4 casas! E talvez não esteja na próxima, ou talvez esteja, mas o hábito do chá certamente estará. Minha certeza hoje não está nas coisas, em nenhuma delas, está em mim!

Quem é Juliana? A menina da caneca roxa? Dos óculos vermelhos? Não ou sim. Mas a Juliana é certamente aquela que ama chá, a vegetariana, a brasileira, a que ama livros, a que faz Yôga, a que fala demais e alto demais, a que chora pela família que já se foi 1X por mês, a que gosta de viajar. E para ser assim, para ser eu mesma, posso e devo ser em qualquer lugar!

Quantas casas contabilizarei até o fim dessa década de vida que só começou? Pretendo bater meus recordes! ❤

Você

São meia noite e meia, quase, estou de pernas cruzadas na cama, e, ao digitar, receio que o som do teclado sendo atingindo de forma rápida, faça mais barulho do que a madrugada me permite. Não estou mais acostumada a não estar só, e por outro lado é tão estranho estar sem você. Correndo o risco de atrapalhar, fui obrigada a acender a luz, embora de porta fechada, e quebrar o silêncio sagrado da noite, pois meus dedos precisam falar. Dizem que sentimentos negativos, dor, ausência, raiva, tristeza, saudades, são os melhores combustíveis para a criação, e talvez estejam certos. O blog aqui é certamente prova de que as reminiscências ficam em baixa quando estou com você, ocupada e tenho com quem conversar. É na solidão que os dedos ficam aflitos.

Em relação à produção artística, creio que é uma questão de estilo. Para os momentos de emoções positivas, felicidade, superação, empreendedorismo, é necessária uma outra abordagem, receitas, viagens, formas de compartilhar amor e alegria com os demais. As reminiscências são para quando meus ouvintes não estão por perto. A ansiedade tem sido grande. Como sempre, recorro a várias fontes, massagens, chás, livros, séries, passeios com os cachorros, trabalho dobrado, e, imagine só, até exercício.

Nessas noites, me vem à cabeça as músicas que você me mandou. Afinal, a música é, talvez, a única que perpassa as emoções de todos os tipos, sendo útil para compor essa trilha sonora da vida, em todos os momentos. Apesar de sempre ter tido esse sono pesado e profundo, que você tanto comenta, elogia, inveja, que até mesmo te atormenta, nos momentos em que você preferia me ver desperta, eu nem todos os dias durmo tão bem assim. Uma parte é de nascença, outra de tranquilidade e rotina cuidadosamente criados ao longo da vida, mas uma parte foi você. Você tanto insistiu para que eu baixasse a guarda, deixasse minhas armas e armadura de lado, e te aceitasse, que finalmente me vejo um tanto quanto vulnerável.

Nesses últimos dois anos, senti ansiedade algumas vezes, muitas até, mas você estava ali, com o peso do seu braço sobre meu corpo, e eu não queria me mexer, para não te acordar. Eu queria aproveitar aquele momento de paz, e assim a paz vinha, e nem 5 minutos depois eu estava dormindo. Agora, nesses últimos dias percebo a falta que aquele braço me faz. Sozinha eu posso simplesmente me deixar dominar pela inquietude, acender as luzes, e, depois de rodar na cama por meia hora, simplesmente digitar furiosamente na madrugada.

Existe algo que vai além das conversar gostosas, dos valores que admiro, da companhia boa. Tem algo no cheiro, no jeito de aninhar. Alguma coisa que me fez confiar. E aproveitar esse momento, abrir minhas asas de verdade, e só deixar. Abrir mão do controle total. E você me testou e testa com isso. Com gosto. Ainda estou aprendendo essa coisa de não ter o controle. Mas tem sido bom. Com você, pela primeira vez, eu fui em lugares sem saber onde estava indo, sem perguntar o endereço antes, sem conferir todas as minhas “rotas de fuga”, sem ter tudo sobre controle. Muitas vezes não saberia voltar sozinha. Mas isso não me preocupa com você, porque aprendi que você me leva só em lugares que valem a pena ir. (Além disso, nessa de ter o controle, também aprendi a achar uma solução mesmo quando não previamente planejada, então também aprendi a confiar em mim, a ponto de saber me virar se desse errado. Quebradas ou não, essas asas tem autonomia de voo agora).

A ansiedade assusta, e os compromissos pendentes também. A incerteza se irei conseguir fazer tudo dentro dos prazos. O medo de algo dar errado. E ao mesmo tempo essa enorme emoção de estar fazendo algo que sempre quis. E que, incrivelmente, você também sempre quis, então vamos fazer juntos. Eu nunca imaginei que teria esse desprendimento todo. E não digo o material, de vender e doar roupas, sapatos, livros. Ah, meus livros quase todos! Digo a de não saber onde vou morar, deixar você escolher nossa casa, carro, vida. Claro que discutimos todos os detalhes, e eu na verdade sei, escolhi junto, vi as fotos, liguei, falei. Mas ainda assim, em outros tempos, ou em relação a outras pessoas, eu não abriria mão do controle total. Mas das minhas ansiedades todas, essa não é uma delas. Mesmo sem saber tudinho, estou tranquila, e não vejo a hora de te ver, e conhecer os novos pedacinhos que farão parte dessa nossa vida.

Sabe, temos a famosa e trágica história da cabra. Ou do cheiro de cabra, do qual fui acusada por você, nas nossas primeiras semanas morando juntos, de ter. Se sobrevivemos a isso, sobreviveremos a qualquer coisa. Mas eu nunca te falei, e, confesso, estou um pouco ansiosa pra verificar agora, depois desse mês longe, sobre o seu cheiro. Desde que te conheci você tinha um cheiro peculiar. Não acho que você vá se importar com essa descrição, depois de ter me dito que eu tinha cheiro de cabra, então vamos lá. Seu cheiro sempre foi algo entre madeira, e mato, com um quê de livro velho.

Imagine só, três cheiros que amo de paixão, mas nunca pensei encontrá-los numa pessoa. Pessoas geralmente ou fedem (me perdoem, mas somos todos mamíferos), ou tem um não tão constante cheiro de toalete refinado, xampu, sabonete, desodorante, perfume. Às vezes, e só às vezes, as pessoas tem outros cheiros, próprios ou das coisas que as cercam. Algumas pessoas tem cheiro de bolo, ou de café. Nos fins de semana meu avô tinha cheiro de graxa e metal. Sabe quando a gente mexe muito com ferro, e fica aquele cheiro metálico na mão? Para mim sempre foi tão característico. Algumas pessoas não sentem. Mas é como carro usado, cada um desenvolve um cheiro próprio. Não é necessariamente bom ou ruim (às vezes é, mas não necessariamente), mas é único.

Quando te conheci você tinha esse cheiro, de livro velho, madeira e mato. Achei que pudesse ser a viagem. Quando te encontrei de novo, vi que não era. Mas quando fomos morar juntos, com o tempo, o cheiro desapareceu. Não sei se eu que me acostumei, ou se o amaciante e os sabonetes novos mudaram isso. Mas acho que não. Nos dias de acampamento, às vezes ainda sentia. E sinto falta. Sempre foram cheiros que me acalmaram. O mato é a tranquilidade. Os livros velhos são a boa companhia. E a madeira é uma certa estabilidade, algo perene.

Antes que me acabe a madrugada, deixo aqui um pedido de desculpas por expor tanta intimidade. E deixo música, como sempre. Bons sonhos para nós. E que os próximos dias sejam leves e breves. Boa noite!

(Minha canção de ninar desde o primeiro boa noite com ela: Blackbird – The Beatles)

(Quando eu finalmente resolvi apostar em nós – Soldier of Love – Pearl Jam)