A prata da casa

Nós geralmente contamos das viagens que fazemos pela Catalunha toda, e algumas vezes até além disso. Mas eu reparei que muito pouco foi dito da região próxima a La Seu. As grandes belezas naturais estão mais afastadas da cidade que a gente escolheu, é verdade, mas algumas pequenas jóias podem ser encontradas por perto, e resolvi dedicar um post para este assunto. Ainda mais com a nossa nova busca por locais adequados para banhos!

Organyà – Para começar a lista, essa cidade que a primeira vista é só uma passagem na estrada. Nela, contudo, estão alguns grupos de paraglider, o que já a torna um destino interessante. Porém, o mais valioso, para nós pelo menos, é um rio que cruza ao sul da cidade. Nele é possível encontrar pelo menos 4 cachoeiras, além de algumas piscinas naturais. O lugar, além de muito bonito, é pouco frequentado, o que torna muito agradável nadar por ali. A água é um pouco fria, mas nada perto do que encontramos em outros locais por aí. Temos ido com frequência, tentando nos refrescar no verão abafado da cidade.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

19048515_10213453771246707_1386323028_o19048609_10213453772086728_657742476_o19073281_10213453768806646_1375120331_o

Tost – Uma vila toda em ruínas, exceto pela igreja, reformada e trancada. Além da diversão de explorar uma cidade abandonada e tomada por plantas, o lugar tem também uma figueira imensa crescendo dentro de uma de suas casas. Eu estou tentando monitorar o crescimento das frutas, que devem amadurecer logo mais, para tentar fazer uma colheita!

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

Coll de Nargó – Outro cantinho bom para um banho de rio! A piscina natural daqui é maior e mais conhecida. Dividimos ela com muitos jovens e algumas outras pessoas não tão jovens assim. É bacana para quem quer realmente nadar ou socializar. Tem um poço menor um pouco acima do lago principal que é pequeno, mas muito profundo, e imagino que pode ser perigoso para crianças…

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

Camarasa – Já não tão perto assim, mas ainda possível de fazer um bate-e-volta sem cansar muito, está a praia fluvial de Camarasa. Ali, o rio Segre é limpo e volumoso, seguindo com uma forte correnteza perto de uma ponte antiga e desabada. Algumas pessoas se aventuram a pular da ponte, alguns de um trecho mais baixo, onde a pilastra desabou, outros do topo, arriscando ferimentos na perna. Há também uma região onde o rio é mais suave, mas não chegamos a explorar porque havia um pessoal com cães soltos e tentávamos evitar encrenca para o Picot.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

(obs: vídeos disponíveis na fanpage do Facebook, inclusive um muito lindo do Picot pulando que nem um cabrito na praia fluvial de Camarasa).

X Jocs Florals

Na semana passada, aconteceu aqui em La Seu D’Urgell a 10ª edição dos Jogos Florais (ou X Jocs Florals). Os Jogos Florais acompanham o dia de Sant Jordi (dia de São Jorge), que foi comemorado no domingo mesmo, e na segunda-feira seguinte, realizaram a cerimônia de premiação dos jogos. Esse evento é um dos mais famosos da cidade, e ainda que a cidade seja pequena, atraiu muita gente. Os Jogos Florais são uma competição literária, que acontece por várias partes da Europa, em especial a Espanha e a França. Aconteciam em Occitane, quando esse era falado, e tanto na França quanto na Espanha, acontecem em catalão nas regiões onde esse é o idioma cotidiano.

Além de enaltecer a literatura local, os Jogos têm o intuito de estimular e preservar a língua catalã, tornando-se, por isso, bastante importante para seus falantes. Em La Seu, esse foi o décimo ano dos Jogos e a cidade estava ainda mais animada. A Escola de  Formação de Adultos e Idiomas Oficial de La Seu – CFA La Seu, promove os Jogos e é lá que estudamos catalão.

Em março, quando eu e o André estávamos estudando essa língua há apenas 3 meses, nossa professora, Marta, nos convidou para participar, pois nessa décima edição incluíram uma categoria para iniciantes. OS Jocs Florals contam com 5 categorias: Englantina (relatos de até 3 páginas), Flor Natural (Poesia), Grandalla (Foto seguida de um título/comentário), Rosa (iniciantes) e Viola (micro contos, contos de cerca de 10 linhas). As categorias Grandalla e Rosa foram novidade.

No início estávamos bastante reticentes com a ideia de participar, pois mesmo considerando que a categoria é para iniciantes, estávamos estudando há apenas 3 meses, e a pouco mais que isso na cidade. Alguns dos nosso colegas já estão aqui há anos, ainda que estejam no nível inicial da língua catalã, uma vez que também é possível se comunicar em castelhano. Mas nossa professora insistiu, e acabamos enviando textos.

Cerca de um mês se passou, e então veio o dia da premiação. O espaço, uma antiga igreja, hoje um centro cívico e auditório, estava muito bonito, e chegamos cedo. Encontramos alguns colegas, alguns amigos da cidade e todo o evento começou. A diretora da escola e outros professores apresentaram, o prefeito teve sua fala, e uma convidada, doutora em língua catalã também. Comentaram as edições anteriores, o significado dos Jogos para a cidade e para o idioma. Trechos de poesia e literatura catalã famosos foram lidos, enfim, tudo conforme manda o figurino de um evento desse tipo.

Por fim, começaram a chamar as premiações, e faziam da seguinte forma, apresentavam um pequeno trecho do texto, e depois falavam o título e nome do autor, em seguida convidando-o para o palco e premiando-o. Cada categoria premiou 3 textos, menos a Englantina, que contemplou 4 ganhadores. OS prêmios de acesso e o primeiro prêmio. Aplaudíamos a cada nome revelado e estávamos bastante tranquilos.

Até a categoria Rosa começar. Revelaram o último prêmio acesso (equivalente ao 3º lugar), aplaudimos uma colega da outra classe. E aí, eis que reconheci na tela, desde a primeira palavra, o texto do André. Antes mesmo do nome ser revelado, eu já estava aplaudindo. Segundo prêmio acesso (2º lugar) na categoria Rosa. Fiquei emocionada e orgulhosa. Me imaginei da platéia tirando fotos dele! E antes mesmo que eu pudesse pensar nessas tais fotos ou em alcançar o celular, mudaram a tela, e li as primeiras frases do meu texto lá. Assim, na frente de todo mundo.

Pode parecer bem besta, pra quem tem um blog, ter vergonha de ver seu texto à mostra daquele jeito, mas confesso que mesmo depois de 3 anos de blog, cada publicar que eu clico vem com um frio na barriga! E ver aquela exposição pessoalmente foi um senhor desafio! Daqui eu sei que algumas pessoas me leem, mas eu não tô vendo vocês fazendo isso!

Fui receber meu prêmio, 1º lugar da categoria Rosa. Tiramos as devidas fotos oficiais. E voltei a me sentar com o coração disparado! Assistimos às demais premiações e ao final , chamaram todos os que inscreveram textos, em todas as categorias, para receber um pequeno vaso de flor (afinal, Jocs Florals, né) e tirar uma foto coletiva. Nesse ponto tive mais uma surpresa, pois logo na primeira categoria, Englantina (de relatos mais longos), me chamaram como participante. Eita! Descobri que meu texto concorreu também na outra categoria (a séria! hahahaha). De novo um disparada de batimentos, mas logo o palco encheu de gente, e eu fiquei “escondida” e mais tranquila, na multidão. Via o rosto do André lá do outro lado do palco e só pensava: “em que a gente se meteu?!”

Para encerar ouvimos a apresentação do coral local, do qual nossa professora faz parte, e foi muito bonito, e compartilhamos uns petiscos com os presentes. Voltamos pra casa incrédulos, e fomos revirar nossos prêmios, muito bons. Alguns livros, livreto do evento com os textos, o prêmio do André: duas entradas para um show de comédia, e o meu: um jantar para dois no restaurante do hotel chique local.

Ainda estamos processando. Mas a melhor parte foi ver nossa professora feliz. Me identifiquei. Agora quero poder compartilhar esse momento com meus alunos e ex(eternos)alunos. Se arrisquem! Mesmo em outro idioma! Faz um bem danado! A gente cresce, evolui, aprende! E a questão não é ganhar, mas o tempo que a gente dedicou, traduzindo, procurando palavras, corrigindo com a professora, percebendo que fizemos traduções literais e surreais de expressões em português, buscando entender como poderíamos fazer essas mesmas manobras no outro idioma.

Além da experiência de se sentir parte da comunidade local, conhecer uma tradição da cidade e fazer parte dela. Viver fora é também abraçar essas coisas, por menores ou maiores que sejam. E descobrir nos detalhes, nossas paixões.

Vou copiar os textos em catalão mesmo aqui, usem o tradutor ou mandem mensagens em caso de dúvidas!

Ambos são ficções. O do André ao estilo dele, com humor, sarcasmo e ironia. O meu, bem, como reminiscências “da menina”, histórias de Alice, de Clarice, histórias de mulher, de detalhes da vida cotidiana, de diário, de blog!

 

La cua i el drac 

André Pereira Paduan

Beowulf esperava el seu torn per ser atès, tiquet de tanda en mà. Els números avançaven, un per un, en una lentitud més aterridora que quasevol dels monstres amb què mai s’havia enfrontat. El futur en el qual de cop i volta havia despertat era molt diferent del seu temps primerenc, a la mateixa terra, mil·lennis abans. Tot eren regles, ordres i papers, molts papers. Va haver de canviar el seu mantell de pell per un abric sintètic, degut a la pressió dels defensors dels drets animals. Va haver de deixar la seva espasa i el seu escut perquè no tenia una llicència d’ús. I va haver de fer-se la documentacció perquè presentar-se com el rei de Gautas ja no era suficient o adequat. Trobava a faltar enfrontar-se a dracs i beure cervesa amb els seus soldats. Però, sobretot, sobretot, trobava a faltar no haver de fer cua.

 

El blog de la dona de ells molt bons ulls

Juliana de Almeida Reis Marra

Es van casar fa molt poc temps. El festeig havia estat molt curt. Es van conèixer en un viatge. Aviat van estar junts. S’estimaven molt. Ell era molt tranquil, no bevia, no fumava, no sortia. A l’inici, tots dos eren feliços amb poc, una pel·lícula, crispetes de blat de moro, un gos en un coixí, una xocolata compartida. Tots dos passaven molt de temps a l’ordinador. Treballaven amb l’internet. Llargues hores junts, però separats. Només el so ràpid de les tecles, d’ambdós costats. Feien passejades, viatges curts, campaments. Plaers petits i barats de la vida. Un gelat. Un posta del sol. Parlaven molt, i els temes de conversa fluien molt bé, i tot semblava tan correcte i tan simple, que no semblava real.

Un dia, a la recerca de noves lectures a Internet, ell es va trobar amb un blog fantàstic! Era el diari d’una dona aventurera. La forma descrivia el seu dia a dia el va fer somiar! A poc a poc la dona es va mostrar molt forta, independent, valenta, audaç, interessant, plena d’opinions polítiques, històries, viatges. Que increïble seria veure la seva vida! Semblava tan simple, però tan impressionant! El meravellós que seria viure la vida d’aquesta dona!

Ell va començar a somiar amb les aventures increïbles del blog i es va anar distanciant de la seva dona. Va començar a buscar a la seva pròpria vida aquestes petits coses emocionant, tot era tan bonic, però simple. On eren aquestes increïbles emocions que llegia al blog?

Un dia, sense poder-se aguantar més, va dir a la seva dona que necessitava parlar. No li havia dit res encara, però estava inquiet i necessitava saber l’autor misteriós, que amb simples paraules havia guanyat el seu cor. Ell mai l’havia vist, però l’admirava molt. Encara estimava la seva dona, però les llargues hores a l’ordinador no podien competir amb les meravelles que es descrivien al blog.

Ell va advertir-la que volia tenir una conversa seriosa, ella li va demanar uns minuts per acabar un text, feina que la va ocupar durant hores. Es va posar dreta darrere d’ella, i va llegir de dalt a baix el que estava escrivint.

En acabar, una mica espantat, ella li va preguntar a què es referia, de què volia parlar. Només li va prendre la mà i se’n van anar a menjar un gelat. Per el camí li va dir el molt que l’estimava i que mai havia conegut a ningú que veiés la vida amb tan bons ulls!

 

Pequenas caminhadas

Um dos principais motivos para viver em La Seu D’Urgell, pergunta que nos é colocada com frequência tanto aqui quanto do pessoal no Brasil, foi uma junção de preços (custo de vida) com o cenário! Estamos aqui para caminhar! Andar muito! E apesar da neve, do frio, do mês auge do inverno, fizemos um número considerável de caminhadas, essas que vocês tanto acompanham aqui pelo blog. Mas algumas semanas chove mais do que outras, o clima fecha, também temos nossos compromissos na cidade, junto à internet, e nem sempre é possível fazer uma caminhada longa. Mas não é por isso que deixamos de andar. Damos nossas voltinhas pela cidade mesmo. Os parques da cidade são muito gostosos. E há também um sem número de caminhadas menores, até os povoados próximos, de 30 minutos, 1h, ou até 2h. Às vezes apertamos uma dessas depois da aula de catalão, ou entre uma chuva e outra, um horário de almoço, etc.

La Seu conta com dois parques muito gostoso, o Valira, que é junto ao rio Valira, mais natural, com uma vista muito bonita. Às vezes vamos lá, embora seja do outro lado da cidade e por isso uns longos 8 minutos de caminhada lenta, saindo de casa. De lá, outro dia, subimos pra Castell Ciutat, e de la andamos sem parar, passando por Montferrer, vendo muitas casas grandes e pequenas, brincando com cachorros e gatos pelas frestas das cercas e portões. Descobrimos uma autêntica torre medieval convertida em pequenos apartamentos, todos para alugar, com uma vista esplêndida do vale. Procuramos uma ponte para cruzar o rio, e não encontrando, andamos entre pequenas chácaras, com muita lama e gelo no nosso caminho. Fizemos amizade com mais cachorros, alguns cavalos, e uma porca, que vivia junto de duas cadelas de guarda e possivelmente se considerava uma delas.

O outro é o Parc Olímpic del Segre, junto ao rio Segre. Ambos margeiam a cidade. O Segre segue paralelo à cidade, mas parte de seu curso foi ligeiramente desviado, formando o parque olímpico de remo, em diversas modalidades, construído para as Olimpíadas de Barcelona. A parte de remo fica aqui em La Seu, e a medalista em remo de 2016 Rio é espanhola, mora e treina aqui. O parque conta com uma infraestrutura para remo, raias de treino e áreas com corredeiras artificiais para rafting. Além disso têm uma academia, centro de treinamento, uma área aberta com parque infantil, alguns bancos, arena de cimento para assistir e é uma parte significativa da representação da cidade. Aqui o Papai Noel não tem vez, quem traz os presentes de Natal na Espanha são os Reis Magos, em janeiro. A Cavalgada dos Reis magos é esperada com ansiedade, e nas cidades grandes, como Madri e Barcelona é um evento muito importante. Em La Seu substituíram a cavalgada pelos botes de rafting. Foi um evento único assistir os 3 reis descendo nos botes, cada qual a sua maneira, entre alegre, desesperado, atrasado, com direito a um show pirotécnico no final, seguido de uma parada pela cidade onde doces eram distribuídos para as crianças. Eu tenho aproveitado muito esse lado lúdico, idílico, da cidadezinha de interior, cheia de festivais feitos à moda antiga, com papel machê, purpurina e participação das crianças e escolas locais. Para os fãs de Gilmore Girls, é meu momento Stars Hollow!

De dentro do parque do Segre sai uma via, que segue em parte calçada, mas logo vira uma trilha de terra, com alguma brita esparsa, que segue margeando o rio até Alas, um povoado bem próximo, 4km. Muitos moradores aproveitam para caminhar, correr ou passear com cachorros nessa trilha. É plana e bem próxima ao rio, mas a paisagem é bonita, especialmente com a Serra de Cadi ao fundo, imponente! Essa é uma das caminhadas que repetimos mais vezes quando o tempo está curto.

Logo atrás do Segre, seguindo pela região mais rural, com pequenas fazendas leiteiras e algumas chácaras com hortas, entre La Seu e Alas, há uma igrejinha simples e bonita, bem no alto de um dos morros menores. Num domingo de chuva escapulimos até lá, quando o tempo abriu um pouquinho. Nos perdemos na lama, encontramos cavalos, muitas vaquinhas e alguns cachorros. Entramos e saímos de propriedades, nem sempre onde deveríamos estar, mas sempre com o intuito de chegar a trilha. Enfim chegamos e subimos até a Igreja. Os arredores mostram sinais de que não são poucos os que sobem ali. Alguns dizeres revolucionários nas paredes, alguns nomes, casais e corações, alguns vestígios. Mas dentro da Ermida de Sant Antoni del Tossal, que estava trancada, dava para ver que estava tudo arrumado e bem conservado.

Num outro domingo atravessamos a estrada (por uma das passarelas, não me canso desses caprichos) e subimos à esmo o morro que dá acesso a Calbinyá, outro povoado minúsculo bem próximo, e encontramos uma pista de pouso de aeromodelismo. Algumas construções meio abandonadas, e uma parte reformada, que parece guardar os equipamentos de manutenção da pista. Voltamos pela estrada e encontramos mais cachorros e lama.

E assim vão passando os dias chuvosos. Quando tivermos mais dias de sol, mais tempo, e mais planejamento, o André volta a contar na sexta de viagens dele um pouco das nossas trilhas mais significativas.

Nessa quarta tínhamos a intenção de subir o Coll Midós de novo (post mais antigo aqui em viagens) e dormir no refugí de lá, acampados, com inverno e tudo. Mas saímos bem mais tarde do que o recomendado, e fomos surpreendidos por muita, muita, muita neve, apesar do sol. Fazia neve e sol ao mesmo tempo (casamento espanhol – finalmente entendi o ditado), a neve chegava na altura do quadril em alguns pontos, tornando a subida quase impossível, e o vento era aterrador. Em alguns momentos o vento quase me derrubou! Aí o bom senso falou mais alto e voltamos pra cidade. As intempéries foram tantas que não consegui tirar nem meia foto! :/

Mas o plano de acampar na neve ainda está de pé. Só precisamos planejar melhor! Aí a gente dá os detalhes!

Valira:

img_3492img_3496img_3498img_3499img_3503img_3505img_3544

Segre:

img_3257img_3258img_3259img_3260img_3262img_3263img_3264img_3266img_3267img_3269img_3270img_3272

Églesia de Sant Vicenç de Montferrer, rellotge de sol (inscripció): Sine Sole Solus Sole Salus

eglesia-de-sant-vicenc-de-montferrer

Ermida de Sant Antoni del Tossal:

img_3547img_3553img_3554img_3555img_3556img_3562img_3564

Turó de Porredon e Bastida de Hortons

26/01/17

A previsão para o dia era de clima fechado em todas as regiões próximas da Espanha, mas com um pouco de curiosidade, descobrimos que na França faria sol. Pode parecer meio estranho, já que a França está a poucos quilômetros de distância. Mas como tem uma cadeia de montanhas no caminho, parece ser frequente cada lado apresentar um clima distinto. Então nos preparamos para uma volta maior até um mina de estanho por lá, mas quando saímos de casa na manhã seguinte, descobrimos que todo o nosso planejamento foi em vão. Havia nevado tanto que as estradas que passaríamos certamente estariam intransitáveis. Para não perder a viagem, decidimos por uma trilha bem próxima e até curta e baixa, visto os obstáculos que já se apresentavam. Fizemos o seguinte caminho:

La Seu – Turó de Porredon – La Bastida de Hortons – La Seu

Saímos da cidade pela ponte que cruza o Segre e seguimos pela estrada que indicava a Bastida. Nosso plano era passar primeiro na vila e depois no Turó, mas no caminho encontramos uma placa que indicava uma trilha para a montanha e resolvemos aproveitar. Seguimos pelo lado de um canal artificial, mas a água estava toda congelada, às vezes até com neve por cima (no gelo tende a não acumular tanta neve). Era possível ver inúmeras pegadas de animais diversos tanto dentro do canal quanto fora, parece que muitos andam pela região!

Depois de aproximadamente 1km, uma ponte apareceu e a trilha, bem demarcada seguiu por uma lateral da estrada que passava por ali. Aqui começou a subida leve mas constante que se manteve até o pico. Começou também um questionamento meu sobre os motivos de subir se não veríamos muita coisa lá de cima. Mas a novidade de caminhar dentro de um bosque inteiro nevado (em outras ocasiões pegamos neve alta, mas só em descampados) acalmou minha inquietação. O frio fazia a respiração ser difícil, e parar pra descansar anulava o conforto térmico que o caminhar gerava. Não tinha muito como evitar os dois problemas simultaneamente, então alternávamos um pouco. Por várias vezes eu também assustei pensando que algum animal se movia nos arbustos, mas era apenas a neve que caía e com isso o galho, mais leve que antes, saltava.

Passamos por um pico menor, onde meu ceticismo paisagístico se desfez. Podíamos ver montanhas muito distantes por cima das nuvens baixas. No vale estava uma bruma pesada, mas passamos para cima delas e a mistura de tonalidades de branco com a imponência das montanhas foi algo para não se esquecer mais. Claro, o céu continuava nublado, mas já eram nuvens distantes. Seguindo a trilha, fomos até o pico, enquanto a paisagem lentamente se tornava mais e mais imponente.

Depois dos 500 metros de desnível entre La Seu e o pico, começamos a descida. Primeiro por uma trilha, depois por uma estrada. Houve uma pausa para construir um boneco de neve, mas a mão da Ju, mesmo de luva, começou a esfriar muito. O boneco não ficou muito completo ou bonito, mas minha esposa continua tendo duas mãos, então acho que estamos no lucro!

Chegamos rapidamente na Bastida, um povoado com casas mais imponentes que qualquer outra vila até agora, além de um cão fofíssimo que conhecemos no portão de uma dessas casas. Muita coisa na cidade também estava desabando, e eu achei particularmente curioso essa dualidade de mansões/ruínas. Dali, em vez de pegar a estrada de volta, fomos por um atalho de trilhas. Nesse trecho, o sol começou a aquecer o vale todo e podíamos ver as árvores todas pingando neve derretida e refletindo o sol. Acho que por mais que tentássemos, isso não poderia ser bem representado por fotos, já que o processo todo envolve muito movimento e imersão na cena.

O caminho de volta foi tranquilo, a nossa trilha chegou à estrada e de lá voltou até La Seu sem obstáculos. Nesse ponto já nos desfazíamos do equipamento mais pesado para neve (um beijo especial para as polainas, que evitaram que as botas se encharcassem) e caminhávamos mais descontraídos.

Acho que não haverá mais um dia de neve tão pesado quanto esse. Sinceramente, morar em local frio não é um absurdo, como se pinta por aí. Com roupas adequadas e uma casa construída com isolamento adequado, sente-se muito menos frio do que no inverno paulista, por exemplo. Fica a saudade da nevasca e a decepção por não ter sido tão assustadora quando pareceu que seria…

img_3585

O estacionamento, coberto de neve. 

img_3587

img_3588

Tentando limpar toda a neve do carro

img_3589

img_3590

Dentro do carro, quando percebemos que ir de carro não seria uma boa ideia, e resolvemos olhar o mapa e decidir por uma trilha próxima a pé

img_3591

Rio Segre às 8h30 da manhã 

img_3592

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Essa parte reta no centro baixo da foto é uma ponte, o rio ta embaixo dela, da neve e do gelo

DCIM100GOPRO

Trilha a esquerda da foto, com as pegadas e rio a direita

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Mesmo com a neve a sinalização é visível, tanto em placas quanto nas árvores com faixas pintadas das cores das trilhas 

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

img_3593img_3595img_3600

img_3607

Marcas de trilha pintadas no tronco da árvore

img_3608img_3609img_3610

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Quando o sol começou a abrir, cerca de 13h da tarde

DCIM100GOPRO

img_3623img_3624

La Seu es Seva – Trilha 3

Antes de falar da trilha, queria fazer alguns esclarecimentos. Estava empolgado pra descrever as duas primeiras trilhas e pulei alguns passos. É importante informar sobre o mapa que tenho utilizado. É um mapa de excursionistas de Alt Urgell, pode ser encontrado em livrarias. Pertinho da Plaza Catalunya, em La Seu d´Urgell mesmo pode-se comprar um por 6 euros e alguma coisa. As trilhas (onde só se pode ir a pé), estradas (permitem passagem de carros) e pontos de referência que uso são a partir desse mapa. Na trilha 1, por exemplo, dei como referência a altura de um pico, para melhor localização de acordo com o mapa. Tem coisas nele que não estão corretas, mas no geral tem sido extremamente útil. Dito isso, podemos dar continuidade!

mapa-la-seu

Trilha 3 – 10/12/16

Roteiro – Bescarán (1) – Riu de Bescarán (2) – Paluc (3) – Refugi del Coll de Midós (4)- Coll de Midós (5) – Coll Jovell (6)

Essa trilha começa já em Bescarán. Não acho que seja possível fazê-la em 1 dia a partir de La seu d´Urgell, a não ser que você tenha uma velocidade e resistência excepcionais e esteja andando no solstício de verão! Um carro ou uma carona serão necessários aqui.

1 – A vila de Bescarán é simpática, mas não encanta como Arcavell. Durante a manhã a cidade é sombreada pela montanha atrás dela, deixando o frio de dezembro ainda mais agudo. Algumas casas estão bem reformadas e parecem ser de quem tem o suficiente para ter uma segunda casa, mas outras estão decadentes ou reformadas sem a preservação do estilo local, o que quebra um pouco a magia. Eles tem, porém, uma torre de estilo lombardo que sobrou de uma igreja do século XI ou XII! Infelizmente eu não tenho nenhuma foto boa da torre. Um ponto interessante que pude perceber aqui é que as construções de pedra antigamente eram rebocadas. Uma das casas ainda tem restos do reboco. Parece que a intenção de expor as pedras é mais recente.

Campanar de Sant Martí.jpg

Campanar de Sant Martí – construída no ano de 914 d.C.

2 – Saindo pelo norte da cidade, a parte mais alta, há uma trilha bem marcada. Ela anda muito pouco até bifurcar, aqui o caminho da esquerda parece ir em direção a Andorra, mas meu plano estava em subir à direita. Depois disso, é só manter à esquerda por um bom tempo! O começo da trilha beira um vale bem fundo, com o som da água corrente e vista para um cachoeira do outro lado. A subida segue acentuada até uma passagem daquelas que impede a saída de gado e uma seringa para gado também. Aí sairemos em uma estrada. Mantendo à esquerda, essa estrada segue por uma boa distância, eventualmente se aproximando do Riu de Bescarán o suficiente para descer e colher água ou apreciar a vista. Do outro lado do rio há algumas casinhas bem preservadas. Quando passei, o trecho todo de estrada estava entre gelo e neve. O gelo reduz a velocidade e há um grande risco de escorregar. A neve alta só reduz a velocidade e cansa um pouco. A neve baixa é uma delícia de andar! Eventualmente, a estrada serpenteia pra cima. Eu tentei cortar caminho por fora da estrada, mas me arrependi. A neve fofa acabou com meu fôlego! Esse trecho todo até aqui é feito na encosta norte, o que significa frio!

3 – Quando a estrada contorna o Pico Paluc, a vista se abre para o sol e para os vales abaixo! Há uma casinha de pedra bem junto a estrada, quase impossível de não ver. Só não digo impossível porque eu não vi. Voltaremos nela mais tarde. Se você seguir a estrada do lado sul, eventualmente você se afastará do Pico Paluc e irá na direção de Cerdanya, a província mais a leste. O pico mesmo não tem trilha que leve a ele e imagino que seja território de caça. Ele não faz exatamente um pico, mas há uma clareira mais larga em seu topo. Eu subi pela encosta mesmo, a passagem é bem limpa e a inclinação não é um impeditivo. Fora da trilha é possível ver sinais de cervídeos, como patas na neve e fezes em síbalas. Em um trecho, foi possível perceber que uns 2 ou 3 deles estavam correndo quando passaram. Também parece haver javalis, mas ainda não sei identificar tão bem os rastros! O topo tem uma vista incrível para o sul e sudoeste, sendo possível ver até o aeroporto e Castelciutat (La Seu fica escondida atrás de uma serrinha), mas do lado norte as árvores bloqueiam a visão pras montanhas de Andorra. Ainda assim, é lindo e a neve entra no seu tênis de tão alta em alguns trechos. Aliás, vale reforçar, vá com calçados confortáveis!!!

4 – Descendo de volta até aquela casinha de pedra, temos um local perfeito pare ler Toureau ou Hemmingway. O refugi de Coll Midós estava trancado, mas sua vista para o oeste dá um panorama incrível. A construção é muito simpática e a estrutura em volta para lidar com gado cria uma imagem curiosa do que o trabalho e o isolamento deveriam ser em outros tempos, ou pelo menos no verão. Há um cocho com uma água limpíssima e, agora no fim do ano, com gelo cobrindo algumas partes da água. Num mundo paralelo perfeito, eu moro aqui com um Bernesse e trabalho de lenhador ou guarda florestal. Um excelente lugar, não interessa pra quê.

5 – A descida eu fiz fora da trilha, descendo exatamente para sul. Supostamente há uma trilha ali, mas eu não vi nada. Mas também o caminho é bem suave. Parece que tem uma trilha que desce do refugi mais para oeste, mas eu não fui checar. Saí numa estrada que faz parte da trilha de Sorri, uma trilha que se sobrepõe a essa minha algumas vezes e que é bem demarcada. Virei a direita (oeste) e segui a estrada. No mapa diz que há um Dólmen de Coll Jovell no caminho, mas eu não vi nada. Esse trecho todo é um bosque com uma estrada bem aberta, apesar de pouco usada. Depois descobri que ali é fechado pra carros (não fiz muitas perguntas quanto a ser fechado pra pedestres), mas que passam caminhões e há extração madereira. Diferente da primeira trilha, eles não devastaram o bosque todo, mas tiraram algumas árvores somente. Fiquei refletindo sobre a necessidade da geração de empregos e produtos contrapostos à exploração do ambiente. Me pareceu uma saída viável usar a área daquela maneira, mais responsável.

6 – A única bifurcação dessa estrada eu mantive à esquerda. A trilha estava com bastante neve, mas nada que atrapalhasse o caminhar. Depois de alguns quilômetros, saí exatamente onde estava a seringa para gado do trecho 2. Ali havia a placa de proibido passar, estipulando multa e tudo, e eu estava voltando “por dentro”. Mas me pareceu seriamente que isso se destinava a carros, até porque havia mais pegadas na neve nesse trecho todo (parecia de um casal, pelos tamanho, formatos e disposições). Dali tomei o mesmo caminho de antes até Bescarán, marcado como 30min a pé, pois a estrada estava sinalizada como mais 5km.

Resumindo, adorei essa trilha, caminhar pela neve foi uma experiência nova e encantadora, e a vista também foi incrível. A combinação da montanha com a neve deu uma sensação curiosa, de felicidade sem alegria. Eu não estava querendo rir, brincar, contar piadas, só estar ali, ouvindo o barulho da neve sob meus pés. As cores e os cheiros acalmavam e davam uma sensação de plenitude. Pensei muito sobre os primeiros povos a viver ali. Não à toa as primeiras deusas e primeiros deuses controlavam a natureza e seus elementos. Este final de outono também é um período interessante, a vida parece estar se despedindo do sol e preparando pra se esconder. Tudo é silêncio e recolhimento.

As montanhas e o frio sempre abrigaram seres mitológicos, mágicos. Os da montanha sempre foram trabalhadores, industriosos. Os do frio tendiam a ser perversos e sorrateiros. É possível entender tudo isso, a vida nas montanhas antes das facilidades modernas devia ser penosa, e o inverno devia colher pessoas como as pessoas colhiam as abóboras na estação anterior. Hoje, liga-se o aquecedor, move-se de carro, alimenta-se do supermercado. Ainda bem que pudemos enquanto espécie facilitar nossas vidas, mas estar em contato com esses elementos até instintivos da nossa espécie é ainda impactante.

bescaranbescaran-12

Bescaran 13.jpgbescaran-11bescaran-10bescaran-9bescaran-3bescaran-4bescaran-5bescaran-6bescaran-7

Coll de Midós.jpg

bescaran-8bescaran-2

La Seu es Seva

Estamos inciando essa semana uma série de post sobre trilhas na região dos Pirineus, na Catalunha, Espanha. Esperamos poder contribuir com as viagens de vocês e cada vez mais poderemos dar um apoio para sua viagem. Mais fotos e vídeos virão, mais mapas, coordenadas e muito, mas muito mais, trilhas! Esqui, trilha na neve, refúgios, Camping livre (a partir da primavera), road trips e muito mais!

Começamos com um breve gostinho! Espero que aproveitem!

Trilha 1 – 28/11/2016

Roteiro – La Seu – Vall de Vallira(1º) – Arcavell(2º) – Pic de Boloriu(3º) – Coll de Jou(4º) – Bosc de Pinya(5º)- Cortal de Sant Andreu(6º) – La Seu

Trilha 1 La Seu - Fargas - Arcavell.png

1° trecho – Nada de realmente interessante no vale, exceto pela catedral de Anserall, Sant Serni de Tavernoles. Muito antiga e muito bonita. É possível marcar uma visita gratuita por telefone 639 060 898. O rio em si é amigável, mas o vale é muito fundo e pelo menos nessa época do ano fica enevoado boa parte do dia, mesmo quando o sol bate nos picos em volta. É uma trilha bem plana, mas a proximidade constante com a estrada estraga um pouco.

2° trecho – Da aduana de Andorra até aqui é uma subida considerável, mas não muito inclinada. Um povoado extremamente simpático. As casas estão muito bem cuidadas, evitando o ar de abandono que outros locais passam. Os tetos de quase todas as casas são feitos de pedras chatas sobrepostas, me pareceu muito curioso! Há fontes de água com o aviso de que não é água tratada sanitariamente, mas eu bebi e estou vivo e bem. A vista é boa, e parece ter algum tipo de comércio. Não explorei essa parte…

3° trecho –  A subida de Arcavell até o pico foi confusa. É difícil saber que estrada sai para qual lado, e o serpentear constante do caminho oficial me causou uma confusão. Resultado foi que eu subi pela encosta, atravessando os pastos, na maior parte do tempo. Como essas encostas ficavam do lado norte, havia uma quantidade razoável de gelo. Nada de mais, mas as vezes escorregava um pouco. O pico em si foi, com o perdão da expressão, o ponto alto da trilha! Algumas ruinazinhas pelo caminho, um pasto com pinheiros esparsos e vacas leiteiras com bezerros ao pé se espalhavam pela encosta, e do topo é possível ver uma boa parte do vale do Vallira e até mesmo La Seu d´Urgell. Do outro lado, os picos mais altos de Andorra, com neve, criam uma paisagem incrível 360°. Havia uma casa que parecia reformada, mas não tenho muita certeza, pois não me aproximei. Imagino que seja usada por caçadores.

4° trecho – a descida seguiu por um trecho absolutamente desabitado, onde nem os picos tem nome. É uma grande mata de pinheiros, com uma estradinha que, por sorte, manteve os caminhos que eu pretendia seguir abertos. Quem quisesse ir para outros locais talvez não tivesse a mesma sorte, pois a realidade não parecia bater com o mapa. É um trecho longo, porém relaxante e pouco cansativo. A trilha dá a volta em uma bacia chamada Estremir e no final dessa parte a vista se abre majestosamente para a serra de Cadí.

5° trecho – Segue-se até um tal de bosc de Pinya, onde todas as árvores haviam sido recentemente cortadas. Pouco antes do bosque, há um pico com 1458 metros de altitude. Não há trilha até o topo, mas a encosta é limpa o suficiente pra subir assim mesmo. De lá, é possível ver Alàs, no vale do Segre, e LLirt, na serra ao lado. Ao descer do bosque, há uma casa que não parece habitada permanentemente, e a estrada é fechada por uma cancela. Achei que fosse uma entrada particular e me perdi por meia hora por causa disso. Descendo pelo trecho da cancela a estrada faz um zigue zague até o Cortal.

6° trecho – De repente, aparecem caixas e mais caixas de abelhas! Logo mais um agrupamentozinho de casas marca a trilha. Nada de mais, mas serve como referência. Um pouco mais abaixo (algumas centenas de metros) na estrada está sinalizada a saída da pequena trilha para LLirt e logo depois outra trilha sai para o Vale, indo direto até o bairro de Sant Pere, já em La Seu.

Resumo: A partir de La Seu, não requer carro ou ônibus. Uma trilha boa pra quem tem um dia livre e gosta muito de andar. Foram mais de 20km, com subidas pesadas no caminho. Tempo também é um recurso escasso, quase fiquei depois do escurecer na trilha. Na verdade, a ideia era explorar mais, mas superestimei minha velocidade. Havia trechos alagados e escorregadios que me forçavam a ir bem devagar. Por ser uma trilha circular, oferece a oportunidade de passar em mais locais e de se perder mais vezes!

Trilha 2 – 03/12/16

La Seu – Llirt – Estamariu

(Não foi possível fornecer o mapa dessa segunda, pois os pontos de referência não são localizáveis pelo google maps, mas é possível encontrar a referência em mapas físicos que podem ser adquiridos na cidade de La Seu D’Urgell).

Essa trilha pode parecer curta, mas ainda assim leva um bom tempo. Saindo de La Seu pelo bairro de San Pere, há uma trilha sinalizada até Llirt. Essa trilha sai paralela a estrada principal no vale, e não segue o pequeno rio que desemboca no bairro, aviso porque perdi um tempo aqui. Ela toda vai marcada com tinta amarela pelas pedras a cada centena de metros, aproximadamente. Mesmo assim, eu consegui me perder e acabei fazendo boa parte da subida por fora da trilha. De qualquer jeito um trecho curto essa trilha é feita na estrada.

Ao chegar em LLirt, não há muito para se ver, além da vista que já vem se formando ao longo do resto da trilha. Mesmo assim, o pouco que está lá é impressionante. Menos de uma dúzia de casas abandonadas, construções de pedra deixadas como que do dia pra noite. Essas ruínas não parecem muito velhas, comparadas com outras que já vi por aqui. Digo isso porque ainda há restos de reboco em uma das casas, e em muitas portas e janelas a madeira que sustenta a parede logo acima ainda não cedeu. Ainda assim, muito cuidado com os prédios, pois parecem estar a beira de desabar. Os espinheiros cobriram boa parte das entradas, de qualquer jeito.

A estrada segue para Estamariu. Apesar da placa em Llirt, só teria uma direção para se ir mesmo. Menos de 1km a frente, a trilha divide, mas ainda é meio óbvio que o caminho continua para leste, já que a outra opção só subiria a encosta. O problema maior vem mais pra frente, quando a estrada divide em cruz, sem nenhuma sinalização. Pelo mapa que eu tenho, me pareceu ser o caminho que virava a esquerda e mantinha a direção leste. Pois a estrada segue até uma casa de pedra em um pasto e depois se converte em uma trilha, um pouco mal demarcada. Atravessando um pequeno riacho e virando à direita, logo há uma saída para a esquerda que sobe a encosta. Foi o único caminho que tentei e cheguei em Estamariu, então recomendo! No final dessa subida, que deve levar próximo de 1km, a trilha bifurca novamente. Segui pela esquerda, e poucos metros a frente a vista se abre para um vale com Estamariu do outro lado! Foi a vista mais incrível do dia, certamente. Daqui pra frente a trilha é fácil até o final, ainda que longa.

Contornando o vale, a trilha chega a Estamariu pelo fundo. A cidade vale uma caminhada, e uma estória da cidade está escrita em um informativo turístico muito interessante, bem no caminho. A descida se dá pela estrada asfaltada mesmo, até o Vale, próximo de Alàs. Não tente sair da estrada, a encosta é bem íngreme e cheia de espinho. Mesmo! Já no vale do Segre novamente, serão mais 4 km aproximadamente de volta até La Seu. Esse trecho todo de Estamariu até La Seu é longo mas simples. Uma pena que aqui já não há nada muito mais interessante para se ver.

Ficam algumas fotos! Boa trilha!

cap-de-boloriu-vista-norte

Cap de Boloriu, Vista norte

em-estamariu

Estamariu

entrada-de-andorra

Entrada de Andorra

estamariu-2

Ruínas em Estamariu

estamariu-3

Estamariu

estamariu-4

Estamariu

estamariu

Estamariu

les-valls-de-vallira

Les Valls de Vallira

llirt-estamariu

Estamariu

sant-serni-de-tavernoles

Sant Serni de Tavernoles

vale-do-segre-e-serra-de-cadi

Vale do Segre e Serra de Cadí