Ferrante

Mês passado eu li a Série Napolitana da Helena Ferrante, primeira obra dela que leio. São 4 volumes que me absorveram e consumiram por completo. Ainda tô tentando digerir. Às vezes me pego pensando, me inspirando. De tudo, o que mais queria dizer é, obrigada! De tudo o que mais sou é grata por poder ler tal obra.

Os quatro volumes, que inspiram ares de uma longa saga, não poderiam estar mais distantes de todas as sagas heroicas que li e reli com tanto gosto e afinco na vida, e ao mesmo tempo nunca me senti tão inspirada por uma saga. Ferrante é mulher. Primeiro e acima de tudo! Depois é escritora, de porte e renome, e de uma escrita que só posso definir como verdadeira. Nessa obra, escrita entre 2012 e 2015, Helena nos presenteia com um relato detalhado de sua vida, já de uma perspectiva da autora idosa, podendo assim falar de começo, meio e ares de fim, numa história auto-biográfica com gostinho de auto-ficção.

Depois de terminar os quatro volumes só conseguia pensar, obrigada! Obrigada por me mostrar que ser escritora é mais que ser brilhante. Que a literatura é mais do que as sagas heroicas. Obrigada por ser mulher! Obrigada por me mostrar que ser mulher é viver uma saga heroica, digna de muitos volumes.

O estilo de escrita é ao mesmo tempo delicado, feminino, visceral, sujo, cheio de confissões, revelando medos, paixões e destinos. Helena nos mostra que ela é sim, ao mesmo tempo brilhante e como qualquer uma de nós. Nos mostra que mesmo uma ativista feminista, que escreveu e debateu sobre a situação da mulher ainda nas décadas de 1960 e 1970 na Itália, pode ser vítima de relações abusivas e más escolhas amorosas.

Helena nos mostra que criar filhas e ter uma carreira foçam a mulher a decisões dificílimas, que são tomadas sempre muito sozinha, mas cujos resultados são duramente julgados pela sociedade, pelos homens. Mostra também que “bons” homens não são necessariamente “bons” pais. Que intelectualidade não é sinônimo de inteligência emocional. E que as violências psicológicas impactam tanto a vida quanto às físicas.

Mas Helena mostra também que temos essa força para seguir a vida, a pesar, e por causa de tudo isso. E que as consequências são isso, consequências. Boas ou más é um julgamento individual, dos que conosco convivem e sofrem as bençãos e desgraças dessas consequências.

Ela nos mostra que tentar agradar é falhar. De ante mão! Sempre. E que ser “bem-sucedida” é um conceito tão vazio e vago quanto um pântano cheio de neblina. Família é um conceito abstrato, que se confunde com amizade, origens e empatia. E que ao longo da saga que é a vida de cada um de nós, as mesmas personagens assumem papeis diversos, de heróis à antagonistas, cada qual por sua vez. E aqui a protagonista não é protegida. Não existem os “bons” e os “maus”, existem nós. Todos nós.

Me chocou a violência doméstica estatizada italiana. Que incluí de estupros dentro do casamento à crianças defenestradas em surtos de raiva dos pais. Incluí também violências mais delicadas, como competições entre amigas e irmãs, desde por notas escolares e carreira profissional até namorados, maridos e amantes. A falta de sororidade é proporcional ao nível de violência machista. Acaso? Duvido, e Helena também.

Me choca também o desligamento do conhecimento acadêmico e da elite intelectual com o povo, às necessidades reais da sociedade e capacidade de comunicação bastante desgastada, se é que algum dia ela existiu de fato, entre os grupos. Seja quando ela relata a própria experiência acadêmica e a relação de desaprovação de seu trabalho em comparação inversa com a apreciação do público em geral pelo seu trabalho publicado. Seja entre os militantes partidários de esquerda bem estudados e os trabalhadores sofrendo as violências diárias nas fábricas. Seja entre o discurso do “bom moço” e suas ações práticas no trato com as mulheres.

Então, o que aprendi com Helena é que a vida é uma saga onde ninguém é herói, onde alguns conseguem tudo com pouco esforço, por nascimento ou influência e outros perdem sistematicamente tudo o que conseguem com muito esforço. Mas que no final, nem isso importa. Que se queremos algo devemos fazer nós mesmos, e que família são os amigos que construímos no caminho, assim mesmo dadas proporções. E que em meio a toda essa vasta solidão, basta amarmos a nós mesmas e seguir confiante. O não já temos, então por que tanto medo de tentar o sim?

Obrigada, Helena!

 

Road trip de Julho – parte 4 – De Volta pra Casa

Veneza foi o ponto mais distante que visitamos. Esse post engloba o que foi praticamente uma viagem de volta. Eu pessoalmente sou muito fã de roteiros circulares, já que é possível aproveitar muito mais. Então nosso plano englobou a volta por outro caminho, ampliando bastante o que tivemos chance de conhecer. Vamos à viagem!

Dormimos duas noites no camping próximo de Veneza, e o dia que passamos ali reservamos inteiramente para a Sereníssima. Não andamos o dia todo na cidade, claro, ficamos um bom tempo descansando no camping e revisando mapas, além de sofrer com o calor, claro! Este camping era especialmente lotado, com divisões de parcelas (o espaço para cada grupo) muito apertadas, para maximizar a capacidade. O resultado disso foi muito barulho e banheiros muito cheios (apesar de não sujos) e sem papel disponível (sempre, sempre leve o seu!). O público do camping também não ajudou, sendo composto de muitos jovens, o que aumenta a tendência para gritaria e músicas altas, quase sempre de péssima qualidade. Se vocês desejam tranquilidade, busquem campings familiares!

Para sair do camping e chegar na cidade foi um sufoco. Veneza é um local de acesso muito difícil, ainda mais caso se queira levar um cachorro. Tentamos pegar um ônibus, mas como qualquer coisa na Itália, o processo é tão complicado que é melhor evitar (o bilhete tinha que ser comprado anteriormente, mas não havia onde comprá-lo). Resolvemos ir de carro, mesmo sabendo que seríamos roubados pelo estacionamento. E de fato fomos, pagamos 18 euros por 3h nas ilhas… Do estacionamentos seguimos a pé até a Piazalle Roma, onde começa a Veneza de fato. Tínhamos um mapa e queríamos chegar na Piazza San Marco, passando pela ponte Rialto. Mas andar pela cidade provou-se um grande desafio, mesmo com, ou por causa de, as placas que indicavam o caminho da maneira mais imprecisa possível. A cidade conta com uma quantidade absurda de becos, turistas e lojas caras, tudo junto. Muitas vezes a velocidade de caminhada não passa do equivalente de uma procissão, e encontramos muitos locais em que a mesma direção era apontada em caminhos opostos pela sinalização. Depois de algum sofrimento, chegamos na ponte Rialto, e nos arrependemos. A própria ponte possui lojas sobre ela e o que parece ser um destacamento permanente de madames revestidas de roupas de marca bloqueia a passagem. Depois de algum tempo, alcançamos a Piazza San Marco. De lá seguimos por uma rua que contorna o sul de Veneza, aberta para o mar por algum tempo. Mas logo não aguentamos o calor e nos embrenhamos novamente para dentro das vielas. A vantagem de ter passado a Piazza é que a quantidade de turistas diminuiu bruscamente, e então podemos aproveitar melhor o passeio. Também achamos uma fonte, e com isso acabamos nos molhando inteiros para nos refrescar (inclusive o Picot!). Dali, o passeio se tornou mais agradável. Seguimos até próximo do Arsenal, onde assumimos que estávamos cansados e resolvemos voltar. Acho que andamos coisa de 10km, sob calor intenso (nosso ponto fraco!).

Passando para nossas impressões da cidade, devo dizer que foi melhor do que o esperado. A quantidade de pessoas não é algo que seja possível culpá-la, claro, mas os prédios comuns não estão bem conservados, mesmo cada lugar ali custando uma fortuna, nós vimos em imobiliárias locais (a gente adora isso!). Mas de maneira geral a cidade é bastante única, com uma história muito rica. A Piazza San Marco é incrivelmente grande, o que eu não esperava, e muitíssimo bem trabalhada. Uma somatória de prédios importantes no local deve dar para os arquitetos um espetáculo a parte, mas eu como leigo só posso admirar a riqueza de detalhes e luxo, sem consideração pelos estilos. Tanto a catedral como o palácio do Duque são dignas do poder comercial que foi a cidade, definitivamente. Uma vantagem intrínseca da cidade é a ausência de carros. Isso iguala todos os turistas, democratizando o acesso e ampliando o compartilhamento dos espaços. E principalmente, a cidade não fede, como dizem as más línguas. De maneira geral, vale a visita, mas muito cuidado para a síndrome de Paris não se estender para Veneza!

Na manhã seguinte, depois de resolvermos um sumiço de passaporte que o camping mantém como refém quando você se hospeda e depois não sabe onde guardou, seguimos para oeste, na direção de casa! Passamos rapidamente por Pádua (pedido meu, por questões familiares), somente para perceber que não havia nada para se ver na cidade além da Basílica de Santo Antônio. Mas eu fiquei feliz de ter descoberto que o nome do lugar, e consequentemente o meu, vem da antiga vila de Patavium, anterior até ao domínio romano.

Seguimos para Milão, onde chegamos ainda cedo. Aqui gastamos mais tempo, primeiro rodando seu Parco Sempione e o Castello Sforzesco, depois andando até a Catedral. Como outros locais, esse eu já conhecia, mas achei que valia a pena uma segunda visita, além de levar a Ju até um ponto em que eu garantia que valia a pena! O Parque é bastante amplo e bem cuidado e o Castelo permite a visita de muitas áreas de maneira gratuita, além de ser um excelente exemplar de construção militar antiga. A cidade prova que continua sendo o destaque econômico no vale do Pó por seu tamanho, pela qualidade dos espaços públicos e pelo nível de suas construções. Na cidade, a maioria dos locais são bem preservados e cuidados, limpos e bem planejados. Eu acho uma cidade muito boa para se passar algum tempo caminhando a esmo, já que isso sempre te levará a algum lugar agradável e bonito.

De Milão fizemos o que deveria ser uma volta rápida pela cidade de Como, para que a Ju visse pelo menos uma parte de um lago na beira dos Alpes. A cidade em si foi tranquila de passar, apesar das ruas estreitas. O problema foi na volta, quando eu errei feio o caminho por ter acreditado nas placas e acabamos perdendo um tempo precioso indo para lugar nenhum… Eventualmente nos encontramos e seguimos a estrada para Aosta. Aqui neste caminho tivemos uma surpresa desagradável. Vimos uma placa que indicava um castelo próximo da estrada, inclusive o próprio castelo era visível e muito, muito bonito. Ficamos um tanto excitados com a ideia de visitá-lo mas, depois de muitas voltas em estradinhas confusas, e de pagar muitos pedágios, chegamos lá só para descobrir que hoje ele é um restaurante ultra-chique e a visitação é proibida. Minha vontade era arrancar todas as placas no caminho, para que ninguém mais fosse enganado como nós fomos… Saindo do “castelo” entramos logo no Vale de Aosta.

Depois de mais um erro de navegação nos custando um bom tempo, no qual a Ju empatou o placar de erros comigo, encontramos a pequena estrada que levava para o nosso camping. O problema é que parecia que todos os italianos resolveram subi-la ao mesmo tempo, e pegamos um transito absurdo por entre pequenas vilas de montanha. Apesar da desordem da estrada, aqui temos que admitir que a paisagem era deslumbrante, tendo até vista para montanhas com neve eterna dos alpes. As montanhas e vales dos Alpes italianos são bem diferentes do que estamos acostumados nos Pirineus, com formatos mais acentuados e rios mais caudalosos. Ou pelo menos foi o que eu senti. Pudemos aqui aproveitar uma noite de frio, além de conhecer um canto da Itália que mais parecia a Alemanha, inclusive com um dialeto que se assemelhava a línguas germânicas.

No dia seguinte, saimos cedo e tivemos nossa penúltima decepção com a Itália no pedágio de fronteira, que custava 45 euros! O rapaz que trabalhava ali, vendo minha indignação, me indicou outro caminho, por sobre os alpes. Voltamos na estrada e tivemos a última decepção quando depois de uma curva abrupta a estrada bifurcava, não dando tempo ao motorista de escolher o lado que seguir caso não soubesse disso de antemão (claro que não havia placas antes). Rodamos por mais de uma hora para fazer o retorno e desembolsamos mais 7 euros de pedágio. Por fim, acertamos a estrada e passamos pelo Col du Saint Bernard e descemos as montanhas em direção de Bourg Saint Maurice. O ponto importante aqui é que planejávamos visitar Chamonix e o Mont Blanc, mas não havia rota não pedagiada naquela direção. Resultado é que alteramos nosso caminho para não gastar todo nosso dinheiro no pedágio, mas acabamos tendo boas surpresas do “lado pobre” dos alpes.

Bourg Saint Maurice é uma cidade de montanha francesa bem parecida com as dos Pirineus. Muito simpática e simples. Aproveitamos a visita para reabastecer suprimentos. No inverno a região deve ficar tumultuada com o turismo de esqui, imagino eu, pela quantidade de lojas de turismo fechadas. Dali seguimos para Annecy, onde aproveitamos as belezas de um lago de um azul cristalino junto as montanhas e enfrentamos um trânsito bastante parado e agressivo. Seguimos direto para Lyon, onde só cruzamos a cidade de carro, gastando tempo até demais no caminho, e seguimos a estrada até Brive la Gaillarde, atravessando um imenso vazio demográfico no meio da França. Chegamos tão tarde no camping e saímos tão cedo que o atendente da recepção se recusou a cobrar nossa estadia!

Nossa última cidade visitada foi Rocamadour, um casarão sobre um penhasco, com a cidade e a igreja construída na encosta mais abaixo. O local é fortemente frequentado por católicos, como uma peregrinação, mas eles são extremamente simpáticos com turistas e suas igrejas ficam permanentemente abertas para visitação gratuita. O cenário de pedra, com uma dose imensa de verticalidade, impressiona bastante. Mesmo cansados da viagem toda, tendo dirigido por dezenas de horas em poucos dias e tendo visto muitos locais únicos, Rocamadour foi uma agradável surpresa para terminarmos bem. É um daqueles locais que as fotos não são muito aprimoradas ou tiradas de um jeito específico para ficarem boas, o lugar é exatamente aquilo que a foto mostra! Saindo dali, pegamos o caminho inteiro até a Catalunha, onde a Ju já ficou em Puigcerdà para pegar o trem para Barcelona e resolver algumas burocracias, enquanto eu vim para casa com o Picot. Ufa!

—————————————————————————————————————————————–

Como prometido, farei uma relação de lugares da Itália que visitamos e outros locais mais bonitos e provavelmente mais baratos e acessíveis que são equivalentes. Isso por causa da chuva de críticas que fiz ao país, me sentindo na obrigação de dar alguma alternativa. Listei somente cidades que eu visitei.

Cinque Terre – No texto eu já disse que Paraty ou Trindade são melhores, mas uma opção européia é Cadaqués, com uma beleza natural e de construções superiores, um bom atrativo artístico com a presença forte de Dalí e ainda com crema catalana! (um crème brulée local)

Lucca – Apesar de seus muros convertidos em um parque serem especiais, esse talvez seja o único atrativo real da cidade. Carcassone também é murada, e ainda é fácil encontrar crepes de Nutella. Toledo ou Girona também são muradas e valem uma visita.

Pisa – Quer ver uma torre bem construída, com riqueza de detalhes, num local deslumbrante e que não entorta porque foi bem planejada? Vá para Lisboa e aproveite a Torre de Belém, aproveite para comer muitos doces portugueses!

Florença – Essa não tem substituição, admito.

Veneza – Apesar de bastante única, seu estilo não muda tanto assim de Amsterdã. Bruges também tem lindos canais, além de bons chocolates.

Gênova – A história de Gênova não pode ser substituída, mas no quesito agradabilidade e estilo, volto a sugerir Lisboa, outro porto importante com um destaque na época moderna. Também Londres, apesar de importante em diversos momentos, se superou na idade moderna e sua navegação, apesar de fluvial, foi de extrema importância.

Milão – Apesar de eu gostar muito dessa cidade, seu castelo não é melhor que o de Carcassone. Mantido o mesmo estilo, temos o de Perpignan também, feito de tijolinhos e com um grande pátio interno.

Vale de Aosta – Quando o assunto é montanha, eu sou um forte defensor dos Pirineus. O esquecido Val d’Aran é mais acessível (seu túnel não tem pedágio), mais tranquilo e incrivelmente bonito (vale conferir o post que fizemos!).

Acho que é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da viagem, e se precisarem de dicas, estamos sempre à disposição!

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Veneza (Itália)

DCIM100GOPRO

Milão (Itália)

DCIM100GOPRO

Milão (Itália)

DCIM100GOPRO

Milão (Itália)

DCIM100GOPRO

Annecy (França)

DCIM100GOPRO

Annecy (França)

DCIM100GOPRO

Lion (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

DCIM100GOPRO

Rocamadour (França)

Na fan page do blog no Facebook você pode conferir todas as fotos e vários videos sobre essa viagem completa!

Road trip de Julho – Parte 3 – Nice e Itália

20 e 21/07/2017

Saímos da região do Gorges du Verdon na direção de Nice, onde chegamos poucas horas depois. A estrada ali vai se afastando lentamente da região mais escarpada do parque e os vales se alargam conforme nos aproximamos do litoral. Essa parte da estrada só eu vi, porque saímos bem cedo e neste momento todas as passageiras dormiam profundamente! Eu faria isso também se pudesse… Chegamos em Nice no começo da manhã e rodamos um pouco a avenida junto ao mar antes de encontrar um lugar para estacionar. Passamos somente uma hora na cidade, que as meninas aproveitaram para nadar no mar e a Ju e eu utilizamos para subir em uma encosta com um mirante no topo. A vista da cidade lá de cima é bastante privilegiada, sendo possível ver toda a costa e boa parte da cidade. Também vimos o mar do alto, o que garantiu a certeza da limpidez da água, que mesmo nos trechos mais profundos ainda era possível enxergar as rochas ao fundo.

De Nice seguimos para Gênova, atravessando a fronteira. A estrada italiana era composta de pontes e túneis em sucessão, já que a região é muito acidentada, sendo o ponto de encontro dos Alpes com o mar Mediterrâneo. Com somente duas pistas e uma profusão de carros de luxo acelerando (passamos do lado de Mônaco, mas nem sequer tentamos entrar!) e caminhões obstruindo a passagem, essa estrada foi um tanto desafiadora e estressante. Mas mais estressante ainda foi chegar em Gênova e perceber que se os pedágios franceses são caros e numerosos, os da Itália os superam bastante… O primeiro pedágio nos custou coisa de 18 euros para um trecho de não mais de 3 horas.

Um grande amigo meu depois da viagem me disse que tinha adorado Gênova, e eu não duvido da experiência dele. Mas certamente tivemos outra. Paramos o carro no centro velho e pagamos outra hora de estacionamento e então fomos andar um pouco. A cidade de começo já tinha assustado pela desorganização do trânsito e pelo descuido. As fachadas todas da cidade estavam despedaçadas e a sujeira predominava. Os becos da cidade fazem com que o centro de São Paulo pareça uma maravilha. Uma crosta preta se alastrava pelas calçadas e paredes. Caminhamos novamente morro acima, por vielas malcuidadas, até chegarmos em um ponto que parecia mais bem tratado. De lá de cima, a vista da cidade não decepciona, mas a única maneira de parecer bonito é visto assim de longe mesmo. Talvez eu e meu amigo tenhamos visto partes ou momentos diferentes da cidade, imagino eu.

O plano ao sair de Gênova nos levaria até La Spezzia, onde contornaríamos a estrada e chegaríamos a Riomaggiore. Por conta dos pedágios, decidimos seguir pela estrada costeira e gratuita, aproveitando para ver outras vilas da famosa Cinque Terre. De começo já percebemos que teríamos problema ao longo de toda a viagem na Itália com as estradas, pois ou elas são pesadamente pedagiadas (preços que chegam a ser proibitivos!) ou são muitíssimo mal sinalizadas. Talvez isso seja para não destruir a tradição italiana de parar e perguntar, mas fato é que tivemos muita dificuldade para nos localizar em todos os percursos. A de Cinque Terre não foi diferente. E no caso, além de mal sinalizada, era terrivelmente conservada, com o capim em volta invadindo a pista em boa parte do percurso, isso no auge do verão e do turismo.

Descemos a encosta até a primeira cidade, onde não encontramos lugar para estacionar. A cidade estava cheia de carros de luxo, jovens vestidos na última moda e uma multidão de turistas. Não vamos reclamar muito, afinal também estávamos turistando, mas certamente seria preciso um controle mais rígido para a quantidade de pessoas para a região. Viramos o carro e seguimos viagem, dessa vez sem parar até chegarmos em Riomaggiore. Lá tivemos que esperar até o estacionamento local livrar uma vaga. Então seguimos a pé, descendo até onde a vila encontra o mar.

Eu não teria nada para reclamar caso fosse uma vila de pescadores no original, mas a cidade, mesmo recebendo hordas de turistas, não conta nem um pouco com alguma política de preservação. As casas todas estão despedaçando, um cenário que seria mais compatível com o abandono total, enquanto uma profusão de restaurantes completamente desvencilhados da cultura local se propagam. Achar um lugar para apreciar a paisagem junto ao mar é bastante difícil também, dada a movimentação. Aqui se misturam jovens mochileiros com jovens playboys, o que cada um dos grupos buscam eu não sei. Eu pensaria que o primeiro grupo procuraria autenticidade e tranquilidade, enquanto o segundo procuraria estética e luxo. Infelizmente, não encontrei nada disso ali. Riomaggiore provou pra mim o poder que a propaganda tem, atraindo tantas pessoas e fazendo-as se sentir simpáticas a um local que a meu ver não possui nenhum encanto. Melhor teria sido visitar Trindade ou Paraty, no Rio de Janeiro, que mesmo muito cheias no verão ainda preservam alguma autenticidade, além de serem mais bonitas e mais baratas!

Depois de Riomaggiore atravessamos La Spezzia, onde descobrimos que a gasolina mais barata da Itália custa 40% a mais que a média da Espanha, o que nos causou mais um aperto no coração. Dali pegamos uma estrada de montanha até nosso camping, próximo de Lucca, cidade que visitamos no dia seguinte. No camping chegamos tarde e saímos cedo, coisa que se tornaria corriqueira na viagem, portanto não vou emitir opinião sobre ele, pois seria injusto. Dali seguimos descendo uma serra que terminou por chegar em Lucca.

Lucca era uma cidade que eu já conhecia, mas que não vi nenhum problema em passar de novo. Acho que é um lugar agradável e simpático, apesar de estar desprovido da mesma fama que outros locais próximos ou de alguma beleza realmente excepcional. Paramos o carro perto da cidade murada e saímos para andar. Fizemos uma volta grande, vendo diversas catedrais em estilos diferentes e passamos pelo passeio que fica sobre as muralhas, esse último sendo o local que mais me agrada na cidade, por sua tranquilidade e pela vista privilegiada. Me chateou um pouco uma coisa que eu não lembrava em Lucca, que foi a quantidade absurda de lojas internacionais que se posicionaram no principal roteiro do centro velho. Não sei se já estavam lá quando visitei a primeira vez ou se eu que não tinha percebido, mas eu me incomodo com essa situação, que desloca os comerciantes locais e faz com que todas as cidades turísticas do mundo tenham a mesmíssima cara… Ainda assim, foi um momento agradável do dia. Seguimos de Lucca para Pisa.

Em Pisa passamos rapidamente, e sinceramente não acho que há outra maneira de passar por ali. A verdade é que a cidade de Pisa tem muito pouco a oferecer além da torre. Para quem está viajando como nós costumamos fazer, e portanto se abstém de visitar os museus e subir a tal torre, é possível completar a visita à cidade em cinco minutos. Pode-se dizer que perdemos muito não visitando esses locais, mas a verdade é que os museus eclesiásticos pelo mundo todo são bem, bem parecidos (para quem não sabe há uma imensa catedral junto à torre), e duvido muito que dentro da torre haja algo que possa valer a visita, considerando o quanto devem cobrar uma entrada em um ponto tão turístico assim. A torre, vista de fora, é até bem trabalhada, mas sua inclinação não é por motivos propositais, fossem eles de origem científica, estética ou qualquer outro (como aqui concedo algum mérito para a Torre Eiffel, que eu acho horrível, mas tinha um propósito técnico). A torre inclinou porque foi mal construída mesmo, e por algum motivo isso ficou famoso. O resultado disso é uma cidade em que se entra, tira-se uma foto e vai-se embora sem perder nada de mais.

Passada Pisa, fomos para Florença, essa sim uma cidade que merece o renome que tem. Claro, o erro foi visitá-la no verão, e por isso tivemos que nos acotovelar com grupos imensos de pessoas e máquinas fotográficas somente para poder passar no Uffizi, sem ter sequer chance de visitar por dentro. Mas Florença é uma cidade bem cuidada e preservada, de importância real na história da humanidade, com locais realmente interessantes para visitar, menos a Ponte Vecchio, que é meio sem graça e bem cheia. De qualquer jeito, essa é uma cidade que eu gostaria de ter mais tempo para explorar e conhecer em momentos mais tranquilos, mesmo sendo a segunda vez que a visitei. Acho realmente que apesar de os preços de museus aqui provavelmente serem absurdos, o que há para ver e aprender na cidade compensaria tal gasto.

Neste ponto nós nos despedimos da Clara e da Pietra, que seguiram sentido Roma de ônibus, enquanto nós fomos sentido Veneza. Seguimos por estradas vicinais, e gastamos um bom tempo cortando um caminho de montanha, através dos Apeninos, por pequenas vilas. Esse talvez tenha sido um dos meus trechos favoritos na Itália, por que pudemos ver locais que não foram feitos para turistas, com as pessoas se reunindo nos bares no final da tarde para conversar e tudo mais. Paramos para pedir informação e comprar comida e fomos recebidos com a típica cortesia grosseira italiana, uma outra vantagem desses locais que ninguém visita. Chegamos bastante tarde ao nosso camping, muito próximo de Veneza, e diferente dos campings de montanha que tínhamos frequentado até ali, pudemos sentir o calor sufocante do verão italiano…

Continuarei a descrição da viagem em um quarto post, começando com Veneza e seguindo até Rocamadour, mas por enquanto gostaria de explicar algumas coisas. Esse post deixa um pouco evidente o quanto eu fiquei insatisfeito com a Itália, e devo dizer que a Ju compartilha a minha sensação. Claro, para quem não viajou muito, ou é bastante influenciado pela propaganda, a Itália pode ser encantadora, visto os diversos filmes, livros e capas de revistas turísticas que se ambientam no local que visitamos (Sob o sol de Toscana; Comer, rezar, amar; Cartas para Julieta; Todos dizem eu te amo et cetera). Mas tanto eu como a Ju somos viajantes experientes e podemos garantir que há coisas muito melhores esperando para serem visitadas, por preços mais acessíveis e menos disputadas também. E para provar isso, no próximo post eu colocarei também uma lista de locais que nós conhecemos e que podem substituir os locais que visitamos na Itália, com a mesma qualidade ou até superior!

 

DCIM100GOPRO

Nice (França)

DCIM100GOPRO

Nice (França)

DCIM100GOPRO

Galleria Giuseppe Garibaldi, Gênova (Itália)

DCIM100GOPRO

Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

DCIM100GOPRO

Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

WhatsApp Image 2017-07-26 at 12.07.46 (1)

Lucca (Itália)

WhatsApp Image 2017-07-26 at 12.07.47 (1)

Lucca (Itália)

DCIM100GOPRO

Pisa (Itália)

DCIM100GOPRO

Florença/Firenze (Itália)

DCIM100GOPRO

Florença/Firenze (Itália)

DCIM100GOPRO

Florença/Firenze (Itália)

DCIM100GOPRO

Florença/Firenze (Itália)

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

DCIM100GOPRO

Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

DCIM100GOPRO

Templo de Diana/Atemis em Nimes.

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Parque em Nimes.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Torre romana em Nimes.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Templo em Nimes.

DCIM100GOPRO

Catedral em Nimes.

DCIM100GOPRO

Arena de Nimes.

DCIM100GOPRO

Aqueduto de Pont du Gard.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Avignon

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

mapa 1

Mais fotos e vídeos na fã page do Facebook!

 

Ariège (Parte II)

No segundo dia nosso grupo se viu reduzido, já que o Picot não tinha permissão para entrar em algumas cavernas. Felizmente a moça que nos hospedou era muito amistosa com os cães e ele ficou muito bem cuidado! Seguimos direto para Mas d’Azil, onde uma caverna de proporções absurdas serve também como túnel para acessar a vila! O complexo dessa caverna é usado desde sempre, mas alguns trechos mais isolados só foram explorados nos últimos 150 anos aproximadamente. Então é possível atravessá-la de carro, mas também entrar em uma área de exposição com um berçário de morcegos, crânios de ursos das cavernas e depósitos de ossos de rena caçadas por grupos de humanos que viveram ali uns 12.000 anos atrás!

Nessa caverna eles fizeram também um incrível jogo de luzes junto com o Réquiem de Mozart, dando um tom bem artístico para esse local. A visita certamente vale muito a pena, apesar de ser a mais isolada das cavernas que visitamos. O guia, que havia começado naquele mesmo dia, se esforçou para explicar algumas coisas em castelhano. Ele também parecia bem empolgado com o trabalho de temporada (no verão as visitas bombam!)! Fomos ao museu na vila de Mas d’Azil, mas este local é bem pequeno e com poucos artefatos. Ainda assim, o preço também é incluído na visita a caverna e não custa nada ir dar uma olhada nas miçangas mais antigas que eu já vi! Também tem algumas agulhas de ossos e eu fiquei bastante impressionado em como os humanos pré históricos eram de humanas…

Demos a volta no departamento de Ariège para pegar o tour das 13h30 na Grotte de Niaux, certamente a mais famosa de todas as cavernas. Aqui a visita é toda diferente. As proibições de não encostar em nada são as mesmas, mas a ênfase é consistentemente mais forte. Também possuem um tour por dia em inglês (não mais para não mimar os turistas!) e uma estética de visita que dá a sensação de exploração real, com lanternas para todos os visitantes e disciplina quase militar na hora de caminhar. Tudo isso é justificado pela raridade que se encontra lá dentro: Pinturas rupestres!

Uma abertura artificial foi feita nessa gruta, pois a original é muito estreita e de difícil acesso. Mas depois de um entrada semelhante a de um bunker, a caverna fica toda natural e muito, muito escura. Diferente da primeira que visitamos, essa possuía algumas estalactites, já que na primeira a água não infiltrava e nessa sim. Niaux também faz um corredor relativamente estreito, baixo e longo, quando comparada a Mas d’Azil. Depois de 800m de caminhada, com direito a passagens espremidas por sob pedras desabadas, chegamos em um salão onde se encontram as tais pinturas. São muitos bisões, cavalos e cabras montanhesas, mas curiosamente só isso. Não se sabe porque outros animais não foram representados, ou mesmo humanos, plantas, elementos geográficos ou astronômicos. Também não foram encontrados traços de habitação ou de entrerros lá dentro. Exitem teorias e tal, mas claro que eu e a Ju criamos as nossas, muito boas por sinal!

O que pensamos é que aquela caverna era específica para ritos de passagens, e as pinturas poderiam ser representações totêmicas de força, velocidade e sagacidade daqueles animais que os jovens pretendiam absorver. Exite uma distância de mil anos entre as primeiras e as últimas pinturas, e se eles fizessem isso frequentemente certamente faltaria parede! Discutimos muito sobre a constituição das sociedades antigas, o que fazia sentido naquelas tribos e os resquícios que seguem com a humanidade até hoje. Ou seja, uma conversa do nosso dia-a-dia. Depois disso voltamos para reencontrar o Picot, pois já estávamos com saudades!

No terceiro e último dia fomos de novo na caverna de Lombrives, e dessa vez pegamos ela aberta! Pegamos o primeiro tour e por causa de um trânsito massivo na estrada, fomos os únicos visitantes daquele horário. A guia também estava no primeiro dia e falava um bom castelhano, então pudemos aproveitar muito bem a visita. Para constar, o Picot tinha permissão para entrar nessa caverna e ele parece ter se divertido muito, apesar de ter ficado o tempo todo preso na coleira para não destruir o ambiente.

Essa caverna é a maior da Europa em volume, mas existem outras mais compridas, mesmo considerando os 7km dessa. A quantidade de estalactites, estalagmites e colunas supera as outras duas em peso, com formações imensas e abundantes! A proximidade do vale principal, aliado a entrada imensa da caverna, fez com que o local fosse usado diversas vezes em sua história para atividades bastante humanas, como falsificação moedas ou esconderijo de ladrões. Também houveram reuniões de cátaros, e até hoje algumas pessoas “peregrinam” até ali. No meio do tour, chegamos em um salão absolutamente gigantesco, com uma iluminação indireta muito bem feita que aumenta o esplendor do local e o assombro que sentimos ao entrar ali.

Do outro lado desse salão, escalamos umas escadas e rampas molhadas e saímos em um túnel mais elevado. As formas das pedras variavam muito e deram origem à diversas lendas daquele local. Paramos junto a um lago subterrâneo, pois a partir dali a caverna só é aberta para estudos. Fizemos 1km dos 7km totais, e só isso já me fazia ter um certo medo de que toda a iluminação falhasse. Seria quase impossível voltar por conta própria a entrada…

Essa foi nossa última visita em Ariège, e certamente a região causou boa impressão, apesar do despreparo dos franceses em receber estrangeiros… A região é rica em história de vários períodos distintos e marcantemente bonita pela natureza local. Recomendamos fortemente para aqueles que tenham a chance de dar uma passada!

Para mais sobre o que é um Urso das cavernas e sobre arte rupestre, veja os links.

DCIM100GOPRO

Entrada da Grotte du Mas d’Azil

DCIM100GOPRO

Grotta-Azil-2

Mas d’Azil (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

DCIM100GOPRO

Entrada da Grotte de Niux

DCIM100GOPRO

grotte_niaux_grand_-site__ariege

Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

Grotte-de-Niaux_510x224

Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

DCIM100GOPRO

Entrada da Grotte de Lombrives

DCIM100GOPRO

obs: com a go pro, sem flash, minhas fotos ficaram horríveis, mas coloco três delas aqui só pra vocês terem uma ideia.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

lombrives

Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

grotte-de-lombrives_4fd0a6e68d01a

Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

Lombrives-17-vestibule-2

Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

Atwood e as Handmaids

Eu comecei The Handmaid’s Tale por causa da série, que está em destaque e comecei a ver referências na minha timeline do facebook o tempo todo. Li em menos de uma semana. Devorei! Recomendo fortemente o livro, que é de 1985, um ano mais velho que eu e tão atual como nunca, infelizmente. Geralmente sou um pouco cética com livros que bombam por causa de filmes, séries, adaptações, visibilidade midiática, porque muitas vezes é feito um marketing em cima da história apenas para que a versão mais vendável e “palatável”, geralmente a visual, ganhe destaque.

Vejo isso acontecer com muitos best-sellers e por isso desanimo um pouco da leitura quando há muito bafafá sobre os subprodutos de um livro. Há, claro, exceções. As Crônicas de Gelo e Fogo, do Geroge Martin, eu só descobri graças à série, Game of Thrones, e devorei rapidamente os 5 livros disponíveis antes mesmo de terminar de assistir à primeira temporada da série. Gosto muito de ambos, livros e séries. Outras adaptações ficaram muito famosas também, como as do Tolkien, Senhor dos Anéis e O Hobbit, e as da J.K. Rowling, com Harry Potter. Não sou contra adaptações, aliás, gosto muito de observar e comparar. Apenas acho que muitas vezes a atenção dada pela mídia é apenas promoção, marketing.

Dessa vez o que me fez ir conferir o livro foi o fato dele ser recomendado pela Emma Watson (eternamente a Hermione), que possui um clube de leitura feminista do Goodreads e eu resolvi ir conhecer.

Atwood é maravilhosa. O livro me surpreendeu muito. Atwood escreve de uma forma muito feminina, descrevendo a percepção de detalhes ínfimos, como as cortinas ou uma almofada, por linhas sem fim. Mas isso não se deve apenas ao detalhismo, ou excesso de descrição, muito pelo contrário. O efeito da descrição demorada é passar para o leitor a ansiedade da espera a qual a personagem é submetida diariamente na sua vida. Conforme a narrativa se desenvolve as descrições lentas vão abrindo espaço para descrições brutas, às vezes beirando o escatológico (algo que me agrada muito para quebrar com a visão feminina equivalente a delicadeza), e a exposição à brutalidade é também uma forma de gerar no leitor a repulsa sentida pela personagem, bem como sua indiferença em outros momentos.

Assim, para todas as leitoras, existe uma identificação que vai além da mera empatia para com a personagem. Ela é uma mulher. Ela é qualquer mulher. Ela é todas as mulheres. Nesse brilhantismo, Atwood discorre usando uma distopia (cada vez mais próxima da realidade, infelizmente) para agudizar todas as brutalidades sofridas pela mulher na sociedade.

Não vou dar spoilers, mas recomendo o livro. A temática, do ponto de vista político é absurdamente necessária nesse momento, e o estilo é arrebatador, justamente pela proximidade que trás das personagens, com todas e todos nós. Nesse livro não há monstros e heróis, há pessoas, humanos, cheios de defeitos, subprodutos do sistema, cada um com seus vícios, sofrimentos, solidões, ânsias, desejos e penúrias. As consequências são sim monstruosas, mas a forma de mostrá-las, todas as personagens tão humanas, nos faz pensar menos num mundo de Batmans e Mulheres Maravilhas, e mais no nosso mundo.

Mulheres, fiquem atentas! Não podemos ceder nos nossos direitos! Homens, leiam, e façam a reflexão. Pensem nessa narrativa dessa forma humana e imagine seu papel na narrativa que queremos construir nesse mundo.

Recomendo dois textos, mas já advirto que há **spoiler** em ambos!

Tive o prazer de terminar de ler The Handmaid’s Tale no Dia do Canadá e me deparei com esse perfil feito pelo The New Yorker da Atwood, e achei brilhante. É um texto longo, mas dá pra conhecer mais sobre a autora!

Depois me deparei com esse texto da Boitempo, The Handmaid’s Tale: um aviso de incêndio para o cenário político atual, que também me colocou para pensar! Ficam aqui então as sugestões de leituras!

Deixem comentários com suas percepções! Nolite te bastardes carborundorum!

the-handmaids-taleatwoodnolite te bastardes carborundorum

Ariège

Ariège – 4, 5, e 6 de julho.

Essa foi uma viagem que, apesar de que já estava planejada há algum tempo, estava parada esperando uma oportunidade. E finalmente a oportunidade veio! Tivemos a boa surpresa de que minha mãe perderia algum dinheiro no Airbnb e por isso nos disse que poderíamos usar dentro de um prazo curto, caso quiséssemos. Veja que a surpresa foi boa para nós, não para minha mãe, claro!

Pegamos nosso pequeno projeto e botamos em prática. Encontramos um lugar mais afastado e mais barato pra ficar, em uma vila entrando pelo parque natural da região (Parc naturel régional des Pyrénées Ariégeoises), e montamos o nosso roteiro. Infelizmente a caminhada que fizemos no dia anterior exigiu muito de nós e não pudemos aproveitar tanto quanto queríamos, mas ainda assim cumprimos todos os pontos importantes da região. Pegamos a estrada que passa por Puigcerdà e de lá seguimos na direção de Foix. A primeira parada foi pouco antes de Tarascon sur Ariège, para a grotte de lombrives. Infelizmente o horário que queríamos tinha sido cancelado e decidimos voltar depois.

Fomos então para o Chateau de Montsegur, sobre o qual já tínhamos lido muito, e estávamos bem empolgados! A subida da montanha onde o castelo se encontra, aliada ao calor, derrubou um pouco a empolgação, mas ainda assim a mistura de história e de uma vista absolutamente magnífica fez tudo valer a pena. Também paramos na vila ao lado para ver o museu sobre o castelo, onde aproveitamos para fazer um lanche.

O castelo foi o último reduto cátaro a cair para a inquisição. Não é um local grande, mas é certamente bem defendido. Ainda assim, os católicos tomaram a cidade em 1244 depois de 9 meses de cerco e levaram à fogueira os habitantes da cidade em uma área conhecida como Campo dos Queimados. Tudo isso para que eles entendessem a mensagem de amor de Jesus… Ver os restos da fortificação, o caminho para chegar até lá e o campo onde ocorreu essa atrocidade foram bastante marcantes, eu fiquei imaginando as cenas de horror que já haviam passado por ali e fiquei bastante feliz que mais de 6 séculos nos separavam, apesar de saber que em muitos lugares coisas de mesmo nível ainda ocorrem…

O museu possui elementos do dia a dia dos habitantes da época, um vídeo muito interessante sobre as construções na época e como eram feitas, um casal de esqueletos com marcas de ferimentos e uma das poucas atendentes da região com um inglês de bom nível. Vale a visita, ainda mais considerando que o preço já está incluso na entrada para o castelo!

Saindo de Montsegur, passamos em Roquefixade, onde há outro castelo, mas a visão da subida nos intimidou, considerando o estado lastimável que já estávamos, e seguimos direto para Foix. Valeu a pena para ver a vila em si, que é um misto de casas cuidadosamente reformadas e ruínas desmoronando. O lugar da vila também vale a visita, junto a um paredão de pedra de tamanho colossal.

Em Foix, demos uma volta pelo centro, que é bastante cosmopolita, contando inclusive com um restaurante brasileiro chamado Beija Flor, cuidado por um soteropolitano muito simpático! Infelizmente não voltamos para provar a comida, por dificuldades com o horário mesmo. Mas o que atrai na cidade é seu castelo, também no topo de uma colina. Este está maravilhosamente preservado e conta com 3 torres cercadas por uma forte muralha. As salas dentro e sob as torres foram convertidas em locais de exposição sobre a história da região. Infelizmente, muito pouco pode ser encontrado em outra língua que não o Francês. Com essa visita terminamos o primeiro dia e seguimos para nossa acomodação.

Link para ler mais sobre a história local e o catarismo!

DCIM100GOPRO

Chateau de Montsegur

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Chateau de Foix

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Foix

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

Road trip 3 (II)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Dali até Pamplona a viagem foi rápida. Chegamos no meio da tarde e rapidamente nos localizamos. A cidade é até que grande, mas muito bem construída, de maneira que fica fácil se orientar por ela. Encontramos o hostel, onde o atendente foi absurdamente simpático. Nos explicou um pouco sobre a cidade e nos deu um mapa, além de me ensinar a falar obrigado em Basco (eskerrik asko)! Não sabia que Navarra também compartilhava a nacionalidade Basca e fiquei encantado com o quanto a língua deles é diferente, em todos os sentidos. Descansamos um pouco e tomamos um banho antes de sair novamente, o calor estava matando a gente!

(Obs da JuReMa: amamos o Hostel Xarma onde nos hospedamos em Pamplona. Além de sermos ultra super bem recebidos, ganhamos mapa, o Picot foi super bem aceito, o Hostel tem uma politica animal friendly! A cozinha pode ser usada sempre, entre 10h30 e 22h30 para preparação individual de alimentos. O café da manhã é incluso no preço e chá e café são gratuitos 24h, você só precisa esquentar sua própria água na chaleira /ou na cafeteira elétrica deles. Os quartos contam com opções coletivas, mais baratas, ou para duas pessoas, casal ou não. Pegamos uma de casal para acomodar o Picot melhor. Os banheiros são coletivos. Tudo muito limpo, charmoso e agradável, além de bem localizado!) 

A cidade de Pamplona (Iruña, em Basco) foi o ponto alto da viagem! A cidade funde o que existe de bom com o que poderia ser ruim mas acabou sendo bom também, e logo me explico. As construções das muralhas, das catedrais e de todo o centro velho se fundem com grupos imensos de jovens, idosos e adultos utilizando o espaço público. O uso da língua Basca e do castelhano se misturam em boa dose e sem presunção, respeitando o turista e o migrante ao mesmo tempo que valoriza o aspecto local. Sem presunção também são os estilos dos jovens, que não parecem se vestir necessariamente com a última moda ou para impressionar. Não é fácil encontrar pessoas super produzidas, mas é comum que cada um respeite seus gostos individuais ou coletivos. O resultado é uma mistura bastante saudável de velhos e novos figurinos que, de maneira geral, parecem feitos para agradar a quem veste, e não os outros. A cidade conta com muitas pichações e cartazes, mas todos em absoluto pedindo por mais liberdades, contra violências de todo tipo e pedindo melhorias no governo federal espanhol (notadamente a instauração de uma república – pra quem não sabe a Espanha é um reinado). As pessoas na rua param para puxar assunto sem mais nem porquê (apesar do Picot ter sido um assunto recorrente) e são agradabilíssimas. Assim, a cidade se enche de vida, de protestos, de história, de barulhos que provam que as pessoas ali tem uma vitalidade que dificilmente pode ser explicada!

Esse comportamento é condizente com a consrução da cidade, uma miríade de muralhas, passadiços, igrejas, fossos e fortes. As vezes é difícil saber pra onde se está indo, mesmo com um mapa, mas isso nunca tem problema, porque certamente o caminho será agradável. Passamos por pessoas bebendo, discutindo política, fazendo atividades circenses ou só passeando com o cachorro. Pasaamos por parques bem cuidados, um fosso transformado em granja para galinhas, patos e marrecos, por muralhas com uma vista surpreendente para o vale em volta.

Dormimos um pouco mais para recuperar nossas forças e saímos em torno das 9h30 de Pamplona. A viagem até Logroño foi tranquila. Lá, conhecemos uma cidade que parece bastante jovem. O centro velho é pequenino, mas muito bem cuidado, e a catedral é dedicada a Santiago, como tudo mais por ali. Me encantei com um parque que fica na beira do rio Ebro (nota: a palavra Ibéria vem desse rio, que os romanos usavam pesadamente) e com a Gran via deles (Juan Carlos I), uma avenida muito larga e com uma parte da calçada coberta pelos prédios, o que faz com que caminhar por ali seja muito agradável em dias ensolarados! Essa avenida me lembrou muito Lisboa, mas como já faz quase 20 anos que visitei Portugal, acho que precisarei voltar para poder ter certeza que a comparação foi boa!

O caminho para Saragoça foi quente, muito quente. Mas pior que isso foi a temperatura em Saragoça em si. Ao chegarmos, vimos o termômetro subir de 33°C para 36°C antes mesmo de parar o carro! O calor nos desaminou muito, e acabamos rodando muito menos do que gostaríamos. Vimos um pouco do centro velho, a praça em frente ao mercado onde há uma estátua de Augustus Cesar e, claro, a Catedral. Na verdade, não tem como não ver a catedral, já que ela toma conta da paisagem na beira do rio, com o seu tamanho e sua imponência. Ao tentarmos atravessar a praça, que é um grande descampado, o Picot começou a saltitar por causa do chão queimando suas patas, e tivemos que correr para a sobra com ele. A Ju até agora não se recuperou dessa cena. Entramos em turnos na catedral para poder cuidar do Picot. O que impressiona lá não é só o tamanho, mas o capricho com cada detalhe. Poucas das catedrais que eu já vi rivalizam com essa.

Ainda em Saragoça vimos um monumento em homenagem à America Latina ( o que me deixou especialmente feliz!) e uma estatuazinha de um cavalo de brinquedo, que deixou o Picot muitíssimo curioso. ele cheirava a estátua, tentando descobrir se era um animal de verdade. Um senhor parou para conversar com nós sobre como ele gostava da estátua e tudo mais, mas a Ju teve que traduzir pra mim, porque eu não entendi uma palavra do que ele disse… Dali fomos até o parque do outro lado do rio onde o carro estava e, antes de pegar a estrada de volta, tomamos um banho nas fontes, todos os três.

DCIM100GOPRO

Pamplona (inicio do passeio, recuperados do calor!)

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Catedral de Pamplona

DCIM100GOPRO

Centro de Pamplona

DCIM100GOPRO

Uma das inúmeras fortificações de Pamplona, hoje uma espécie de granja, com cervídeos, pavões, galinhas, patos, etc. 

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Dentro da Cidadela de Pamplona

DCIM100GOPRO

Não lembro o nome da cidadezinha, paramos no caminho só pra ver essa ponte! 

DCIM100GOPRO

Águas do Ébro, chegada a Logroño

DCIM100GOPRO

Ponte sobre o Ébro

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Logroño

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Igreja de Santiago

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Ponte sobre o Ébro, saindo de Logroño

DCIM100GOPRO

Zaragoza

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

A (imensa) Catedral de Zaragoza

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Memorial da América Latina 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Road trip 3 (I)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Como não estávamos em condição de caminhar devido à um acidente que eu tive com um vidro, resolvemos fazer uma viagem de carro mesmo, para não ficarmos muito parados. Como já havíamos avançado nas regiões próximas da França e também até Tarragona, o destino mais óbvio desta vez foi seguir para Oeste, conhecendo as províncias vizinhas de Aragão, Navarra e La Rioja.

O planejamento foi meio de surpresa, feito de um dia pro outro, mas acho que nós estamos ficado bons nisso, porque mesmo assim a viagem foi surpreendentemente boa, apesar do calor escaldante que enfrentamos…

Saímos em torno das 5h30 de casa e pegamos a estrada direto para Huesca, passando por Balaguer. Ali vimos algumas construções que merecem ser visitadas em outra hora, como igrejas e ruínas que, pra variar, ficam no topo de colinas.

Chegamos em Huesca ainda cedo e demos uma volta a pé pela cidade. A universidade pareceu bem movimentada, e acaba atraindo muita vida jovem para o centro da cidade. A catedral é imensa e feita de uma pedra marrom, porosa, que parece se desgastar com o tempo. Outras construções na cidade são com o mesmo material, e elas ficam com pedaços da pedra faltando, principalmente na parte mais baixa, onde a água provavelmente pega mais… O prédio da prefeitura é bastante impressionante também, e no geral a cidade me pareceu muito tranquila.

Saímos de Huesca em direção norte, passando por um pequeno vale onde está localizada a cidade de Jaca. É claro que pensamos mil vezes em como fazer o trocadilho de enfiar o pé na Jaca, mas no final resolvemos não provocar muito. Isso porque a cidade possui uma presença militar fortíssima, pela sua posição altamente defensável, pela fronteira que faz com a França e provavelmente também porque é um lugar de natureza incrível e algum general de bom gosto resolveu morar ali.

A cidade tinha uma aura de tranquilidade e vida familiar, com conjuntos habitacionais muito simpáticos e aparentemente baratos (ficamos um tempo olhando a imobiliária, como de costume!), mas a falta de variedade de estilos nos jovens (coisa muito comum na Espanha de maneira geral) somado à presença frequente de policiais me fez achar tudo muito artificial e, de certa forma, assutador. A cidade é em si muito bonita, mas preferimos sair de lá um tanto quanto rápido.

Seguimos a viagem para o oeste, e eventualmente passamos em uma represa muito bem cuidada, onde algumas vans de acampamento estavam estacionadas. Isso alimentou ainda mais nossa vontade de fazer isso também o mais rápido possível. Logo depois encontramos ruínas de uma vila romana, imensa e até que bem preservada. Havia baias para os animais, termas e uma ponte que infelizmente já caiu, mas que fica em um cenário de filme de fantasia, cruzando o final de um desfiladeiro.

(Parte II – Pamplona, Logroño e Saragoça na próxima sexta aqui no blog!)

DCIM100GOPRO

Huesca

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Jaca

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Refresco pro Picot na estrada, saindo de Jaca

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Ruínas romanas

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Se vocês repararem bem, ali na ravina, há uma ponte romana quebrada. Aliás, que ravina maravilhosa! 

DCIM100GOPRO

Detalhes da ruína romana. Daí seguimos para Pamplona (ponto altíssimo da viagem!) que vocês podem acompanhar semana que vem no blog! 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Não viaje só para tirar fotos

Post rápido, só pra compartilhar com vocês um pequeno texto que li e concordei muito.

Nas minhas andanças, muitas vezes vejo as pessoas que estão ali, naqueles locais incríveis, apenas para tirar a foto com jeito de quem bate o ponto, e sair rápido em busca da próxima selfie, do próximo destino, da próxima compra. Muitas pessoas não sabem nada sobre os locais que estão conhecendo, não leem a respeito antes, durante ou depois (eu muitas vezes prefiro ler durante ou depois, para ter uma primeira impressão “não contaminada” das visões dos folhetos e guias, mas em outros momentos prefiro planejar bem, depende da viagem), não interagem com os locais de verdade. A impressão que tenho é que algumas pessoas não querem sair da mesma vida globalizada de sempre, com as mesmas lojas, comidas, caras e roupas e apenas tirar selfies com “fundos” diferentes, como se fossem o gnomo da Ameliè Poulain.

E penso também nas pessoas que gostariam de viajar e não podem financeiramente, ou que não conseguem por questões de medo, ou insegurança, e que são muitas vezes pessoas que conhecem os lugares, por livros, guias, mais do que locais!

Então é preciso juntar essas paixões! Se você pode viajar, faça uma viagem envolvente, que te mude de fato! Leia a respeito, pesquise e vivencie o local para além das selfies clichês dos pontos turísticos e da balada famosa. O mundo ainda é muito grande e diferente.

E se você gosta tanto de ler a respeito e sonhar, vá! Tome coragem, planeje-se financeiramente e em relação ao tempo e as dificuldades da vida. Muitos viajam com pouco, comendo comida feita em casa, pegando caronas, dormindo em casa dos outros. É possível, com um pouco de esforço e planejamento!

De todas as formas, por favor, viaje muito e viaje com a cabeça aberta e volte diferente, sempre!

Não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos, postar no Instagram e voltar pra casa

“Eu sempre acreditei que, ao fazer uma viagem, o mais importante é ter a cabeça aberta.  Cabeça aberta e livre de preconceitos pra entender a cultura que você está emergindo. Pra experimentar as comidas típicas e fugir dos fast foods americanos. Pra conversar com os locais além de taxista, garçom e atendente do hotel.

 E eu te peço, não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos em frente à monumentos, postar no Instagram e voltar pra casa.

Explore os lugares que você visita. Converse com as pessoas, ande sem direção pelas cidades, mergulhe de cabeça nas diferentes culturas que você conhecer ao longo da sua vida.

Deixe o mapa de lado e se perca. As vezes é se perdendo por uma cidade desconhecida que você se encontra na vida.

Se for um país pobre, não ande com medo dos locais.

Se for um país rico, não o ache melhor que os demais países. 

Entenda e respeite as diferenças de cada lugar.

Dessa forma, você terá sempre um pouquinho de cada cultura dentro de si, e nunca andará sozinha por aí.

 Não volte de uma viagem do mesmo jeito que chegou, apenas com umas fotos bonitas a mais no celular e uns dólares a menos na conta do banco. 

Volte sempre diferente, com novos aprendizados, novos amigos, novas histórias.

O conhecido já estará te esperando em casa, pra quando você voltar.

Fuja o máximo possível dele enquanto estiver longe.

Brinque com as crianças na rua, compre comida nas feiras, ande de transporte público, se vista com as roupas típicas, saia a noite com os locais.

Se uma viagem não te desafiar a sair da sua bolha, ela não estará te agregando em nada.

Crie laços com o desconhecido, é ele que vai te levar mais longe.” 

Texto da Amanda Areias disponível no: Mochila Brasil.