Travessia Cap de Rec – L’Illa – Perafita – Pera – Cap de Rec

Essa travessia é uma que queríamos muito fazer desde antes de sair do Brasil. O André já tinha pesquisado muito sobre ela, mas quando chegamos aqui era inverno e essa travessia precisa ser feita em épocas sem neve, ou se torna impossível. Acabamos usando a primavera e o verão para outras viagens mais longas ou mais afastadas e por fim, agora no outono, no início de outubro, decidimos fazer finalmente essa travessia.

A preparação para essa trilha foi mais longa, pois originalmente estávamos seguindo uma trilha do wikiloc que infelizmente não encontrei agora para compartilhar com vocês, mas que saía de Viliella, passando pelo vale do Llosa, subindo o porto de montanha até o Refugí de L’Illa, no primeiro dia, no segundo ia até o Refugí de Perafita, passando pelo segundo porto de montanha e até o Refugí dos Estanys de La Pera (trilha que fizemos e pode ser conferida aqui), passando o terceiro porto de montanha no segundo dia e no terceiro descendo, passando pelo Cap de Rec e indo até Viliella. No total a trilha original tinha cerca de 48km em 3 dias, com todas essas subidas.

Por isso preparamos duas mochilas grandes, equipamento para dormir nos refúgios, muita comida enlatada, água, lanches, roupas extras para as noites fritas, comida do Picot e saímos. Resolvemos fazer um pouco diferente o caminho, deixando nosso carro no Refugí do Cap de Rec e de lá iniciar com a longa descida até o Vale do Llosa, que é um dos lugares mais lindos, e de lá seguir a trilha marcada no wikiloc.

Saímos de casa bem cedo, deixamos o carro no Cap de Rec, e saímos com tudo nas costas, preparados para só voltar ao carro na metade do terceiro dia. Desde o princípio acionei o app do wikiloc e comecei a gravar a trilha. Meu celular, entretanto, não tem a precisão de um GPS e fez uma marcação irreal de altitude no início, parecendo que tínhamos subido e descido um platô como uma chapada, mas depois passou a se comportar e registrar melhor.

A primeira parte envolveu uma descida bem dolorosa da qual meus joelhos ainda se lembravam 1 mês depois, até o Vale do Llosa, lá atravessamos o rio com muito frio, que água gelada! E seguimos rio acima. Em determinado momento meu sonho se realizou e vi uma marmota de vida livre gritando e correndo, infelizmente, fugindo do Picot. Chamamos ele apressados e ela conseguiu se esconder na toca. Apesar do susto foi um momento incrível ver a marmota.

Aí começou uma subida longa que nos acompanhou o resto do dia. Passamos por lugares muito lindos, sempre próximos aos rios, vimos alguns refúgios de caçadores, pequenos e apertados, mas que podem salvar vidas caso seja necessário se abrigar rapidamente. Paramos pouquíssimas vezes para comer e andamos muito. A última subida, depois de um vale cheio de vacas, foi sofrida, mas nos levou até um lago de barragem belíssimo, embora as nuvens o deixassem muito cinza e alcançamos o refugí de L’Illa, já em Andorra. Nesse primeiro dia andamos um pouco mais de 18km.

O Refugí de L’Illa é um dos poucos que possuem parte livre e parte paga. A parte paga era cara, cerca de 20,00 euros por pessoa somente para dormir. Com comida e banho já subia para 55,00 por pessoa, e a parte livre estava bem abandonada, mas nos instalamos na livre mesmo assim. Ali todos os suprimentos chegam apenas de helicóptero e as pessoas apenas após uma dura trilha. Descobrimos que um dos funcionários do Refugí era brasileiro, afinal estamos em todos os lugares, comemos, descansamos e tentamos nos acomodar na parte livre.

Acordamos a meia-noite quase congelando. A temperatura caiu bruscamente e deixou nossa noite muito desconfortável, impossível dormir, o corpo todo doía de frio. Acabei conseguindo fazer um fogo graças à um sachê de azeite deixado ali e umas madeiras velhas no antigo aquecedor de ferro, que nos salvou, mas foi uma noite dura, depois de um dia duro. Apesar do preço, recomendo que durmam na parte paga caso façam essa trilha.

Nosso segundo dia começou as 5h da manhã com muito frio, um novo fogo que nos descongelou de novo e esperamos o dia clarear um pouco. O sol só começou a sair às 7h e iniciamos nossa caminhada junto com  ele. O André, que sofreu um pouco mais que eu com a noite fria pois tinha levado menos roupas extras, sugeriu que andássemos mais e voltássemos pra casa direto. Essa ideia em assustou um pouco, porque faltavam cerca de 30km, e pelo menos mais 2 portos de montanha para atravessar a cerca de mais de 2500m cada.

Com isso em mente eu comecei o dia dando uma de sargento do batalhão e impus um ritmo de caminhada sofrido. Acabamos quase não tirando fotos, pois o tempo seria escasso para conseguirmos andar os 30km, com todas as variações de atitude em um dia só.

Esse segundo dia foi sofrido, os músculos estavam doídos da véspera e principalmente da noite fria, a mochila pesava e o pé reclamava, especialmente com a marcha forçada, mas avançamos por paisagens maravilhosas. Vimos vales, rios, cachoeiras e picos inacreditáveis no caminho todo! O Picot sempre com muito mais energia que nós deu ânimo por todo o dia. Alcançamos o Refugí de Perafita em torno das 13h e fiquei mais tranquila. Sabia que dalí o desafio maior era atravessar o último porto até o Refugí dos Estanys de la Pera e de lá seria só descida até o carro.

Minha bateria do celular acabou quando estávamos iniciando a subida para o último porto e com isso parou de registrar a trilha, os carregadores externos que eu levei não funcionaram, o que me deixou chateada, mas sem tempo para lidar com isso. Seguimos a subida e alcançamos o Refugí dos Estanys da la Pera às 15h, bem antes do esperado. O André até me chamou de exagerada pois com minha marcha forçada estávamos quase 2h adiantados, e acabamos não aproveitando muito o dia de trilha para apreciar as paisagens, mas meu medo de pegar a trilha no escuro tinha sido maior.

Nossa segunda surpresa foi encontrar o Refugí dos Estanys de la Pera maravilhoso, com uma parte livre aberta incrível, colchões bons, cobertores e uma lareira grande além de muita lenha acessível. Poderíamos ter dormido ali confortavelmente. O ideal teria sido fazer com bem mais calma esse trecho, chegar lá ao anoitecer e ter uma boa noite de sono reparador antes de continuar, mas como chegamos lá às 15h e ainda tínhamos cerca de 3h de sol, resolvemos seguir para o carro.

Esse último trecho, apesar de ser descida, foi excruciante, porque já estávamos muito cansados e a decida exigiu muito da minha sola do pé. A mochila nem era mais problema, mas os pés doíam muito e no último trechinho antes do carro senti bolhas estourarem e quase chorei, mas por fim, com certa ajuda do André, chegamos no carro, às 18h20.

Viemos direto para casa, onde um bom banho quente, um macarrão e uma noite de sono que durou das 20h30 às 12h do dia seguinte (que era sábado), nos colocou em forma de novo. Essa trilha é maravilhosa e recomendo a todos, mas recomendo que façam em 3 dias, durmam no L’Illa na parte paga e durmam no Estanys de La Pera antes de seguir viagem. Os pés agradecem. Não se esqueçam de confirmar se os refúgios estarão abertos e disponíveis antes de ir. Em certas épocas do ano eles fecham e em outras lotam. O ideal, além de conferir antes, é ir no meio da primavera ou no início do outono.

Não esqueçam roupas mais quentes para a noite e pares de meias extras para garantir pés quentes e acolchoados. A comida acho que vale a pena pagar no L’Illa para poder carregar menos peso, e levar só os lanches e para o jantar do segundo dia.

Foi uma experiência incrível, de superação, muito aprendizado e que valeu cada km, bolhas no pé e tudo!

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Trecho de carro, entre La Seu e o Cap de Rec. 

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Trecho que meu celular gravou, do Cap de Rec até pouco depois do Perafita. Como a rota foi circular, não fica muito difícil imaginar aí no mapa o trecho que faltou marcar de cerca de mais 22km.  

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Para mais fotos confira na Fã Page do Facebook!

Pic de Salória

Sei que durante todo o mês de outubro e agora nesse começo de novembro estivemos sem posts do André na categoria Viagens, e para explicar queria dizer que em outubro recebemos a família do André aqui e também estamos organizando toda nossa mudança da Espanha para Portugal, que começará agora dia 15/11, o que o sobrecarregou, além de outros afazeres. Por hora vou deixar vocês com esse post, sobre o Pic de Salória, que fizemos em 28/09/17 e no próximo post vou falar sobre uma travessia longa de 3 dias, que acabaram sendo 2, na qual atravessamos vários Vales e Picos!

Esse mês, portanto, teremos esses 2 posts sobre trilhas, além dos outros sobre Andorra & Val D’Aran, que foi postado pelo BPM, e repliquei aqui na terça-feira, e o outro com Dicas de Roupas.

Em dezembro estaremos nos acomodando em Portugal e duvido que sobre tempo para escrever muito, mas assim que possível voltaremos a contar nossas aventuras

Bom chega de lenga-lenga, vamos à trilha. O Pic de Salória é o mais alto da comarca de Alt Urgell, onde fica a cidade na qual moramos, La Seu D’Urgell. O Pico chega a 2789m. Mas a trilha que fizemos possui um desnível de cerca de 600m, então foi mais tranquilo do que parece!

A parte mais assustadora foi a estrada que decidimos pegar para chegar lá. Não queríamos ir de carro por dentro de Andorra, o que seria o caminho mais curto, entre La Seu e Os de Cívis, e por isso acatei uma sugestão bem duvidosa do google maps de ir por uma estrada de terra, circundando a montanha. No início passamos por umas pequenas vilas bonitinhas, mas depois que entramos na estrada de terra ela começou a ficar difícil e diversas vezes o André me questionou o porque da escolha dessa trilha em claro desuso.  Eu também me questionei, mas mantive a banca porque alguém tinha que parecer confiante, né?!

Para resumir passamos por dentro de bosques, atravessamos dois rios com o carro, o que subiu muita fumaça e assustou o Picot, e pegamos um frio que não esperávamos para final de setembro. No fim deu tudo certo, graças a habilidade do André em estradas de terra, que é grande, e dessa vez foi testada como nunca, mas após algumas derrapadas estávamos no ponto esperado. Paramos o carro e começamos nossa subida bem íngreme morro acima.

A subida não era muito longa, mas extremamente verticalizada. Chegando à crista da cadeia montanhosa andamos por sobre a trilha na parte mais emocionante, talvez uma das mais emocionantes de todas as trilhas que fizemos, pois a crista era bem estreita e os penhascos bem íngremes de ambos os lados. Tenho vídeos desse trecho da trilha na fã page do facebook, em quatro partes (1/4, 2/4, 3/4 e 4/4), ou no instagram (1/4, 2/4, 3/4 e 4/4) e vocês podem acessar e ver lá.

Achávamos que já tínhamos subido tudo, mas que nada. Foi uma boa subida já na crista até atingirmos o Pico. Tivemos que parar várias vezes para recuperar o fôlego nesse trecho, mas por fim chegamos lá! Foi uma incrível sensação de conquista!

No caminho encontramos joaninhas, grilos coloridos, aves de rapina fazendo rasantes sobre nós e uma paisagem incrível. Chegando no topo o Picot ficou encantado e passou muito tempo observando a paisagem cuidadosamente de cada um dos vales para os quais tínhamos vista! Esse cachorro é um apaixonado por paisagens e a gente fica até sem graça de ver a dedicação dele em apreciar o momento!

Depois de brincar um pouco com a ideia de que eramos o homem, a mulher e o cachorro mais altos da comarca naquele momento, iniciamos a volta. Encontramos uma trilha um pouco menos íngreme na volta, o que facilitou um pouquinho, mas continuou emocionante.

Já no carro escolhemos voltar por outro caminho, passando por Andorra, conhecemos Os de Cívis e Cívis, e passamos por uma quantidade incrível de árvores vermelhas em um dos cenários de outono mais lindos que já vi!  Não deu pra tirar boas fotos de dentro do carro, mas foi inesquecível.

Fiz a trilha marcando nosso deslocamento com o wikiloc, mas como ainda estou aprendendo a usar o app, só lembrei de gravar a rota quando já estávamos na metade da subida, mas fica a foto para vocês terem uma ideia aproximada.

Mapa ida

Mapa da ida, o trecho marcado em vermelho foi o da estrada de terra assustadora.

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Mapa da volta, o trecho em zigzag antes de Os de Cívis é o das árvores vermelhas maravilhosas de outono!

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O que eu consegui gravar com o wikiloc da nossa trilha.

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Aiguestortes

08/09/17

Um dos locais mais famosos dos Pirineus é o Parc Nacional d’Aiguestortes, localizado no Noroeste da Catalunha, entre Val d’Aran e Pallars Subirà. A região é bastante despovoada, com menos de 20 mil habitantes entre as duas comarcas. Isso ajuda tanto na preservação da natureza quanto na sensação de isolamento, já que para chegar lá é preciso passar por imensos vales com apenas algumas esparsas vilas. Claro, durante fins de semana e dias festivos os parques são muito visitados, os catalães dão o devido valor para a natureza, sendo o excursionismo uma atividade disseminada pela região. Nós resolvemos criar vergonha e ir conhecer o local, que fica a aproximadamente 1h30 de viagem de onde estamos, e onde não havíamos ido até semana passada… O parque engloba uma série de vales profundos, regiões altas de montanha e agrupamentos de lagos de degelo. Um dos agrupamentos nós já descrevemos na trilha sobre os Colomers, mas o lago mais famoso da região é o Estany Sant Maurici, ladeado por uma cadeia de montanhas onde se encontra os famosos Encantats. Fizemos nossa peregrinação ao local, aproveitando para passar um pouco desse ponto, incluindo mais lagos na nossa visita, além de uma bela cachoeira e um “refúgio” de montanha.

A estrada até lá está muito bem sinalizada e preservada, exceto pelo trecho final, mas nada que comprometa a passagem, pelo menos no período sem neve. O acesso se dá mais ao norte de Sort, por uma cidade chamada Espot, que concentra escritórios para atividades esportivas de natureza e hotéis em sua pequena área. Dali, logo se chega a uma portaria, onde fica o carro. Seguindo a pé, o caminho é bem preservado e fácil para quem tem algum preparo físico, subindo levemente por um bosque por alguns quilômetros até o tal lago. No caminho, já é possível avistar os Encantats, uma montanha gigantesca e bastante recortada.

O lago em si é bonito, mas certamente não o mais impressionante que vimos até agora. O que colabora muito para classificá-lo como o mais famoso lago de montanha da Catalunha é o ambiente no entorno, com bosques de pinheiro e montanhas altas, enquanto os outros lagos já estão muito mais altos, em regiões acima de onde crescem árvores e muito perto dos picos. Também colabora o fato de ser muito acessível, tendo pessoas idosas e crianças feito a caminhada sem nenhum problema, além de um acesso por estrada para deficientes. Isso democratiza bastante o acesso, certamente. O lago de Certascan é muito mais bonito, por exemplo, mas o seu entorno é muito estéril e o acesso é praticamente impossível para quem não tem uma boa condição física. De qualquer maneira, o Sant Maurici é um local que merece a fama que tem, sem dúvida. Um outro ponto interessante do lago é que ele foi ampliado artificialmente com uma barragem. Nestes pontos ele é igual ao Lac Major de Colomèrs, diferindo dos lagos mais “naturais” como os de Perafita e Malniu.

Continuamos a trilha contornando o lago pelo lado norte. O caminho sobe seguindo um pequeno rio, que logo forma uma bela cachoeira, também bastante acessível. Ela não é grande, e também não chega a fazer uma queda vertical, mais deslizando pela pedra do que propriamente caindo. Mas a vista dali é de tirar o fôlego, mais do que já foi tirado com a subida até ali! É possível ver trechos do lago mais abaixo, por entre a mata. O caminho continua e logo a frente passa a linha das árvores. Isso é uma coisa muito curiosa em montanhas, há uma linha bem definida acima da qual as árvores não crescem mais. A vista fica muito mais aberta, mas tanto o sol como a secura ficam impiedosos. De qualquer jeito, segue-se por esse trajeto, contornando a estrada de montanha até o refugio de caminhantes Amitges.

Este refúgio de caminhantes não é exatamente nem um refúgio e nem de caminhantes… Muitas pessoas menos preparadas fisicamente, mas que querem curtir a altitude, pagam os jipes em Espot para serem levadas até ali. O local se converteu em uma espécie de hotel rústico, com direito a carregadores de mala que, em vez de táxis, dirigem LandRovers. Veja bem, nada contra esse tipo de turismo, desde que ele respeite o ambiente. O problema, na minha opinião, é a elitização do acesso, fazendo com que os caminhantes reais não tenham um local acessível para descansar durante as trilhas de mais de um dia. Também deixa evidente o confronto entre duas visões opostas de mundo, a visão daqueles que querem desfrutar da natureza em seu estado mais real e bruto, misturando-se a ela durante dias de estoicismo, com a visão de quem acha (e está certo) de que o dinheiro pode comprar os melhores locais, com as melhores paisagens, sem esforço ou comprometimento físico e ideológico. Fica claro qual das visões está lentamente eliminando a outra…

Passando o refúgio, chegamos logo a mais dois lagos, estes já de alta montanha. aproveitamos para nós refrescar um pouco (eu e o Picot, a Ju não!) e apreciar a paisagem antes de descida de volta. Lagos bonitos, mas nada páreo aos Colomèrs, que estavam a uma curta distância de nós neste ponto, do outro lado dos picos que nos cercavam. Para quem gosta de caminhadas longas (e, principalmente, não deixou o carro no estacionamento) essas trilhas de travessia ainda são muito bem preservadas nos Pirineus, mas dá a impressão de que já houveram dias melhores para os caminhantes. O caminho de volta transcorreu muito mais rápido, pois não precisamos parar para descansar.

No geral, eu achei que o parque merece sim a fama, que seja pelo menos por tornar acessível à todas as pessoas as belezas das montanhas. Mas se alguém quiser conhecer aquele canto único, onde quase ninguém vai, a raridade, não deposite suas esperanças aqui. Em nenhum momento ficamos plenamente sós na trilha, o barulho de conversas era constante (inclusive as nossas) e os jipes passavam com frequência por nós. A quem procura um canto reservado, minha dica é abrir o google maps, procurar os lagos mais próximos dos topos das montanhas e mais distantes das estradas, e então descobrir por conta como chegar lá!

La seu - Parking Sant Maurici

La Seu – Espot – Parking Saint Maurici

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Estany Saint Maurici – Refugì dels Amitges (Trilha disponível para download

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O Estany de Saint Maurici

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Els Encantats

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Continuamos a trilha

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Lagos acima do Refugì dels Amitges

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Roca de Canalda

29/04/17

Decidimos meio que de supetão que faríamos uma trilha, então eu procurei alguma coisa bem perto para que pudéssemos fazer uma caminhada em pouco tempo. Tivemos uma grande surpresa em perceber que algumas coisas muito próximas a La Seu são absolutamente incríveis, ainda que pouco reconhecidas!

Tem um site muito bom que dá as melhores sugestões. Pra quem gosta de caminhada e está vindo para qualquer parte dos Pirineus, vale a pena dar uma olhada (http://www.rutespirineus.cat/). Pegamos uma próximo da vila de Canalda, um lugarejo encravado no meio das serras, afastado dos vales principais de região. A estrada até lá já é uma coisa deslumbrante, passando por vistas incríveis dos vales maiores, além de algumas vilas muito bem cuidadas. A vila de Canalda é tão pequena que mesmo dentro dela desconfiávamos que era de verdade uma vila. É um aglomerado de 6 ou 7 casas, com uma igreja no meio, não mais do que isso.

O caminho começa indo da vila até um paredão ao norte, do outro lado da estrada principal que leva a Canalda. Após a aproximação do paredão, há uma pequena trilha sem sinalização clara saindo à esquerda. Claro que nós passamos reto e subimos a pedra toda antes de percebermos nosso erro. Nada de mais, pegamos uma vista boa lá de cima e arrumamos nossa rota. Ao entrar nessa pequena trilha o caminho começa a beirar o tal paredão e então, devido à proximidade, é possível ver diversas cavernas naturais pela encosta, a maioria estando entre 5 e 15 metros acima do solo. Também existem partes de ruínas de antigas fortificações feitas no local. Parte dessas ruínas são atribuídas aos Mouros, no período em que tomaram a região.

O caminho segue por uma trilha bem demarcada, mas há opções que se aproximam mais da pedra, e claro que seguimos pelo segundo. Foi possível encontrar algumas casas em ruína e uma inteira, trancada com um cadeado moderno. Não conseguimos descobrir o que havia lá dentro. Havia também uma pequena piscina natural e uma quase-cachoeira, ambas muito bonitas de se ver. Durante o caminho todo é possível observar muitos pássaros, de corvos a rapineiros, todos fazendo seus ninhos na encosta.

A trilha acaba em um pequeno zoológico, que na verdade mais parece uma granja com alguns animais da região, como esquilos, cervos e corujas. Não entramos, pois o Picot não era aceito, mas pra quem tem crianças imagino que seja uma boa experiência, pois há sessões de vôo das aves e a maioria dos animais são dóceis e podem ser tocados. Na grade, pelo lado de fora, encontramos um cervo pequenino, mas adulto (não sei a espécie exata) que encrencou com o Picot. Ele atacava a grade e bufava, enquanto a fêmea corria por detrás. O Picot tentou se aproximar e latir, mas tanto recuava com as investidas do Jão (apelido que o cervo recebeu) quanto seus latidos finos não ajudavam a impor respeito. No final, demos muita risada da situação antes de sairmos do local.

De volta a cidade, pegamos o carro e passamos por algumas cidades, como Sant Llorenç de Morunys, que nos impressionou com o tamanho (incomum pra localização) e pela beleza das montanhas e da represa em volta, e por Tuixent, que já tínhamos passado perto quando fomos a Pedraforca, mas não paramos lá na ocasião. Também vimos a estação de esquí de Port del Comte, já fechada por não ter mais neve suficiente, e um bairro de mansões que se desenvolveu ao pé da tal estação.

No total, o passeio foi bastante agradável e pudemos conhecer uma regiãozinha escondida, tão perto de La Seu e ao mesmo tempo tão desconhecida!

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Seguimos (na maior parte do tempo) a trilha verde pontilhada (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Os números marcam os pontos de interesse da trilha e sua descrição pode ser lida na foto seguinte (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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pontos de interesse da trilha (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Paredão

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É possível ver as Coves dels Moros

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Na foto não fica claro, mas as gotas caíam leves, mas em grande quantidade, formando uma espécie de cortina de água, que embaixo formavam um riacho. Parecia uma cachoeira de fadas! Na fan page do Facebook estão mais fotos e vídeos. 

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Essa era a casa que estava em melhor estado, e ainda com portas e janelas fechadas com cadeado e correntes modernos

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As “Coves” mais baixas são fáceis de entrar e explorar (as mais altas só com equipamento de escalada e vimos vários grampos presos na pedra)

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Jão, o cervo bad boy, pronto pra briga. Para quem quiser conhecer o Zoo:  Zoo del Pirineu

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Vista de Sant Llorenç de Morunys

Para mais fotos e vídeos, incluindo vídeo do Jão brigando com a grade, da cortina de água e outros, confira nossa fan page do Facebook: Fan Page Blog da JuReMa 

Pedraforca

20/04/17

Fazia tempo que queríamos ir até a famosa Pedraforca, um dos locais mais famosos da Catalunha. Mas devido a sua enorme altitude (passando de 2.500m), estávamos esperando a neve sumir para poder caminhar com mais segurança e menos esforço. Finalmente decidimos ir, num momento em que tínhamos visitas do Couchsurf em casa. Dani e Tiziana toparam ir com a gente, sem saber do perrengue que passaríamos todos juntos…

Começamos a trilha mais tarde, pois acabamos fazendo outras coisas antes de sair, e o caminho até lá também não era dos mais rápidos. Longe não era, mas a estrada passa por uma região de muitas montanhas, reduzindo muito nossa velocidade. Eu fiquei realmente impressionado com a beleza das vilas no caminho, que tinham além de uma excelente paisagem, casas muito elegantes e parques bem cuidados. Só imagino que seja proibitivo viver nessas cidades se você tem labirintite…

Chegando no Mirador Gresolet, ao lado nordeste da Pedraforca, começamos a trilha. Foi um caminho bem curto até o Refugi Lluís Estasen, onde o caminho bifurcava. Estávamos com o plano de subir a pedraforca pelo Coll de Verdet, fazendo a volta em sentido anti-horário. Fato é que muito cedo na trilha nós nos perdemos e até agora eu não consigo precisar o caminho que fizemos. Tentamos nos manter sempre o mais próximo possível da escarpa. Quando o terreno permitiu, atravessamos um grande paredão de pedra e começamos a andar em um terreno de grande inclinação, que eu imagino que era a face norte, já que a neve ainda estava bem alta, apesar de dura a maior parte do tempo. Esse trecho foi um terror para nós, mas uma alegria para o Picot, que rolava na neve com veemência!

Depois de sofrer bastante para andar uma distância bem pequena, devido ao tipo de terreno, alcançamos um pequeno lago e as inclinações amenizaram. Seguimos até um campo que dava vista para Gósol, e portanto do lado oeste da montanha. Dali caminhamos até um dos cumes, caminho que o Dani encontrou rapidamente, e pela crista seguimos mais um tanto, felizes de saber que haveria pouca subida dali pra frente. Digo um dos cumes porque a Pedraforca, como diz o nome, se bifurca, apresentando dois cumes distintos.

Ao terminar o trecho que andava pela crista, bastante acidentado e com uma vista incrível, chegamos ao meio das duas cristas da pedra, e então descobrimos como era acidentado o caminho de volta. A descida talvez tenha sido ainda mais lenta que a subida, já que cada passo era um desafio. O solo se soltava com facilidade e os locais para apoio eram pequenos e escorregadios. De certa maneira isso não seria um problema, pois poderíamos ir mais devagar. O agravante, porém, era que só nos restava 2 horas de luz solar…

Eu tentei manter um ritmo na descida, estimulando o resto do grupo. Todos já estavam muito cansados, inclusive eu, mas não havia outra opção viável. No caminho, fomos agraciados com a visão de um rebanho inteiro de o que imagino que sejam cervos. E, torno de 10 deles ficaram nos vigiando a distância, enquanto nosso grupo se recompunha. O Picot se conteve e evitou correr atrás dos animais, mas imagino que nesse ponto até ele já estava mais cansado.

Parece que durante o processo também pegamos um caminho mais longo do que pensávamos, e o tempo para descer acabou sendo absolutamente justo. Saímos da trilha pouquíssimos minutos antes da mais completa escuridão tomar conta do local. A Pedraforca faz jus a sua fama, sendo um local absolutamente maravilhoso, a vista dos cume alcançando regiões vastas. Mas também não é um local para ser explorado sem muito cuidado e preparo. Ficamos com essa lição!

mapa La Seu - Mirador Gresolet

Mapa trilha

Era para termos feito a trilha pontilhada de verde e branco, acabamos dando uma volta aproximadamente equivalente ao tracejado vermelho que fiz sobre o mapa. 

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Subida de inclinações nada suaves 

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Não é efeito de perspectiva: eu estava aqui e eles lá. Haja perna e pulmão. 

 

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Obs: mais fotos disponíveis na fã page do facebook: https://www.facebook.com/blogdajurema/

Congost de Mont Rebei

Congost de Mont Rebei – 02/04/17

Dessa vez eu vou escrever um pouco mais, mas não sem motivo. Juro!

A ideia pra essa trilha veio de fuçar a internet, mas a motivação final veio quando uma companheira de aula de catalão, quando perguntada se havia visitado o Prat de Cadí, perguntou de volta se havia ônibus para lá. Com a resposta negativa da professora, veio junto uma cara de frustração e desolamento da aluna. Eu e a Ju não nos aguentamos e a convidamos para caminhar conosco. Fizemos uma lista de locais para visitar, mas a verdade é que o mais bacana de todos e o único sem metros de neve cobrindo a passagem era o tal Congost de Mont Rebei.

Na data combinada então fomos nós dois, o Picot, a Lena (já referida) e a Marion (que também fazia aulas, mas naquela altura já tinha parado) para o Congost. Saímos às 9h e depois de uma longa viagem de 2h30 com direito a uma volta desorientada pelo Território de Aragão, chegamos ao destino. O caminho não é difícil, mas o trecho final, já perto de Pont de Montanyana (sim, escreve assim) é mal sinalizado. Quase tive um enfarte quando chegando lá o guarda da entrada perguntou se eu tinha reserva. Mas ainda haviam vagas de estacionamento livres e isso não fez diferença dessa vez.

Começamos a trilha em meio a uma multidão de gente, devido ao lindo dia de sol, ao fato de ser domingo e também por ser uma das trilhas mais famosas da região (o que, aliás, é plenamente justificado). Caminhamos por um trecho plano e aberto até termos que atravessar uma ponte de metal que cruzava um pequeno desfiladeiro. O Picot achou a ponte perturbadora, mas corajoso e disciplinado como é, atravessou sem reclamar muito.

Logo mais a trilha começou a inclinar, ate chegar a um caminho cavado na pedra, já no paredão do tal Congost. A vista dalí é um tanto assustadora, pela inclinação da queda e pelas dimensões da natureza em volta. O paredão é imenso, e ao olhar para o outro lado e ver o equivalente em outra perspectiva, a sensação de pequenez toma conta da gente rapidamente. A água abaixo é de um tom esverdeado esmeralda que reflete bem a luz do sol, quando essa entra pela abertura do cânion.

Depois de um bom tempo caminhando pelo estreito e movimentado corredor, a trilha finalmente sai do paredão e desce consideravelmente em direção ao rio. Em um trecho ensolarado e pedregoso que pensávamos que podíamos tentar nadar, paramos para comer. Depois disso o bom senso falou mais alto e procuramos um local mais seguro para o banho. Ali era fácil entrar na água, mas parecia realmente difícil de sair depois…

Seguimos a trilha convencional até uma segunda ponte, que atravessa pro outro lado do rio, território aragonês. subimos um trecho bastante inclinado e com uma pedra bastante lisa compondo o caminho. A Lena argumentou que a pedra parecia engordurada, e a Marion nos disse que se quiséssemos seguir sem ela, ela esperaria ali para não nos atrasar, sem saber ela que nós também já estávamos acabados!

Voltamos até o ponto anterior a segunda ponte, onde eu tinha visto antes um píer de madeira no final de uma trilha secundária. Lá nos preparamos pra nadar, mas a maioria do grupo só pulou rapidamente na água e já saiu para o sol, pois estava realmente gelado lá dentro (não tanto quanto na Cascada del Molí, mais ainda assim bem gelado!)

O caminho de volta foi bem tranquilo e, devido ao nosso cansaço, mais silencioso. Também pelo horário, o caminho estava muito mais vazio. Aproveitamos para dar uma última olhada nos precipícios imensos e nas variação de cor de acordo com o horário. A Marion bem observou como as árvores abaixo de nós estavam com uma tonalidade arroxeada, por exemplo. Já no carro, voltando para La Seu, eu e a Ju conversamos longamente com a Lena sobre as possíveis escolhas para o futuro (ela logo mais terá que escolher uma faculdade), enquanto a Marion tirou um cochilo invejável.

Enfim, o dia foi extremamente agradável, em um local maravilhoso e com excelente companhias. O Picot exultava de felicidade com uma matilha muito maior do que estava acostumado e acho que todos nós pudemos aproveitar fartamente o dia!

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Cascada del Molí

Cascada del Molí, Viliella – 30/03/17

Desta vez temos uma trilha muito fácil e muito próxima pra apresentar. Certamente não é a mais bonita ou mais completa, mas pelo esforço reduzido, certamente é um ótimo “custo-benefício” para uma tarde ociosa ou uma visita não tão atlética (oi pai, oi mãe!)

A trilha começa na vila de Viliella, na Cerdanya, mas bem próximo de Alt Urgell. Um pouco antes de Martinet, pra quem sai de La Seu, há uma saída para Lles de Cerdanya. Depois de serpentear um tanto para cima das montanhas, as placas para Viliella começam a aparecer e, apesar das estradas não estarem um primor, também não dificultam a passagem.

A vila em si é bem pequena e desprovida de estrutura. É basicamente um assentamento rural, e isso é confirmado pela quantidade de pastos e tratores no entorno. Ainda assim tem algumas vistas bastante impressionantes dos vales ao redor, devido a sua altitude.

A estrada é sinalizada e bem fácil de achar, e a placa ainda na cidade aponta a distância de 1,5km. O caminho é quase todo largo o suficiente para passar o carro. É possível ver o rio no vale abaixo desde a estrada, e eventualmente o vale vai aproximando do caminho, até que surge uma casa abandonada mas ainda razoavelmente preservada. No caso, essa casa é o tal moinho (molí). Nesse ponto, há uma placa proibindo o trânsito de veículos, mas não se preocupe, pois pedestres podem passar à vontade! É bom prestar muita atenção nessa placa, pois eu e a Ju passamos reto e andamos mais que o dobro do necessário!

Descendo por uma trilha mais estreita agora, em 1 ou 2 minutos chega-se a uma ponte de madeira bem construída e muito recente, e dalí já se está bem perto da cachoeira. Acho que esse é o primeiro trecho onde é possível ver a cachoeira claramente, para quem vem pelo caminho tradicional. A piscina natural formada nas pedras pode ser acessada pelos 2 lados, e a água é extremamente gelada. Ainda assim, decidimos nadar e sofrer um pouco. O Picot, por outro lado, se sentiu muito à vontade na água de degelo…

O moinho também pode ser facilmente acessado e seu interior ainda preserva algumas coisas interessantes, como as rodas de pedra, o reboco da parede e alguns vãos para a água passar. Não recomendo entrar no moinho, não sem muito cuidado com os desabamentos possíveis. Ao lado do moinho também é fácil chegar nas pedras que formam a fenda onde a cascata está localizada, dando uma vista superior tanto do rio quanto do vale em volta.

Em resumo, essa foi a trilha. É bem simples mesmo, e um local aparentemente pouco conhecido. Isso pode fazer diferença pra quem procura um pouco de sossego em uma trilha mais reservada.

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Esclarecimentos by JuReMa: além das fotos fizemos vídeos nossos nadando nessa água gelada e incrível, contudo o blog não suporta esse tipo de mídia, no nosso plano atual. Contudo temos uma novidade: a recém criada página do Facebook do Blog da JuReMa ( fb.me/blogdajurema ), onde vocês poderão ver fotos extras e vídeos das viagens e andanças da Ju e do André 🙂