JuReMa no BPM: Catalunha Independente?

Esse domingo, 01/10/17, se realizou na Catalunha um referendo popular consultando sobre a vontade da população local de se tornar independente da Espanha. Eu escrevi um texto para o Brasileiras Pelo Mundo, que foi publicado no domingo. Para publica-lo na data, escrevi antes do domingo, e por isso ele tem um tom especulativo.

Hoje não posso dizer que saímos do especulativo, mas posso contar um pouquinho de como foi o domingo. Em Barcelona, principalmente, o que se viu foi a truculência da polícia espanhola, Guarda Civil, contra a população votante, e contra também bombeiros e policiais locais, Mossos d’Esquadra, que tentava proteger a população. Eu explico melhor no texto do BPM a diferença entre as polícias e os motivos para a proibição do referendo.

Aconselho algumas outras leituras, para quem quiser se inteirar melhor do que está acontecendo, além das sugeridas no texto referido. Em especial o texto em português Ricardo Alexandre, fazendo uma alusão a Sarajevo e os acompanhamentos da violência pelo Independent, com alguns exemplos como esse e este.

Aqui na minha cidade, nos Pirineus, tudo correu de forma mais pacífica. Os Mossos fecharam um colégio eleitoral, mas mantiveram os demais funcionando. A população acampou nos colégios para evitar que urnas fossem confiscadas.

Até agora estima-se que cerca de 40% da população votante catalã tenha votado e que o SIM, pela independência, ganhou. Isso, contudo, na prática não significa nada. Os processos são complexos, fazendo o Brexit parecer simples se comparado. O que podemos ter certeza é que ficou evidente a violência da polícia espanhola e o sentimento de silenciamento dos catalães ao tentarem exercer um ato democrático.

Para o meu texto no BPM, clique aqui.

Nova Colaboração: Brasileiras Pelo Mundo

Queridas leitoras e leitores,

inaugurei nesse sábado uma nova etapa, me tornando colaboradora do site Brasileiras Pelo Mundo. Para quem ainda não conhece, é uma blog maravilhoso, onde várias brasileiras espalhadas por esse nosso mundão escrevem sobre suas experiências em diversos locais e compartilham com o intuito de instruir e ajudar, além de formar uma rede de colaboração e apoio. Muitas dúvidas sobre documentação, situações difíceis, idioma, e também sobre situação positivas, novos desafios, adaptação, oportunidades e muito sobre a cultura de diversos locais podem ser encontrados lá.

Você pode simplesmente ler os textos do dia, procurar por país, por autora, por tema, etc. Recomendo conhecer e acompanhar!

Para começar, lê meu texto sobre Os Desafios de Ser Vegetariana no Interior da Catalunha lá!

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Sant Aniol de Aguja – Trilha 4

22/12/16

Trilha 4 – Sant Aniol de Aguja.

Essa foi nossa primeira trilha dessa série que não se passou em Alt Urgell. Fomos até a Garrotxa e fizemos a famosa trilha de Sant Aniol. Na verdade, a Juliana teve um problema com o calçado dela na neve e precisava ir comprar um novo, mas as Decathlons ficam realmente longe de onde estamos. Então aproveitamos a viagem para visitar uma série de lugares no caminho e fazer essa trilha, que eu já conhecia, mas que nunca é demais fazer de novo. O esquema da viagem foi:

La Seu d´Urgell – Ripoll – Olot – Castellfollit de la Roca – Argelaguer – Tortellà – Sardenes à Sant Aniol e volta – Pont de LLierca – Besalú – Girona – Solsona – La Seu d`Urgell.

Mapa La Seu - Ripoll - Girona Ida.png

Mapa La Seu – Ripoll – Girona (ida)

O único trecho a pé foi de Sardenes a Sant Aniol mesmo, o resto foi todo de carro, até porque as distâncias são imensas. Mas acabamos conhecendo ou revisitando uma série de cidadezinhas no caminho!

Saímos bem cedo de casa, às 6h00. Mas só começamos a dirigir às 6h20 porque demora pra tirar o gelo de cima do carro! Uma parte da estrada até Ripoll e dali até Girona passa por trechos muito sinuosos de montanha, e foram necessárias algumas paradas pra Ju se recompor da náusea do caminho, um inferno da labirintite e da teimosia em tomar iogurte mesmo com intolerância à lactose. Paramos para ver a cidadezinha de Castellfollit quando o sol ainda estava aparecendo. Essa cidade é frequentemente citada em listas de vilas pra se conhecer, mas eu sinceramente não achei tudo isso, ela é muito mais imponente vista da estrada. Paramos novamente em Tortellà, vila pela qual eu tenho uma imensa simpatia! De lá seguimos para Sardenes e começamos a parte importante: a Trilha!

O caminho leva 4h ida e volta, mas fizemos uma volta não planejada mas bem vinda e demoramos mais. A trilha segue pelo vale do rio Llierca, então se feita corretamente não incluirá muitos desníveis. Fato é que ela não está muito bem sinalizada como costumava ser e passamos reto por um trecho onde deveríamos ter cruzado o rio por sobre umas pedras… Resultado foi que pegamos uma subida imensa em direção das ruínas de Talaixà. Antes de chegar a Talaixà, porém, a trilha bifurcou e corrigimos nosso caminho. Essa subida nos deu uma bela vista do vale e também passagem pelo terrível Salto da Noiva!

O mapa do wikiloc (recomendo fortemente para mapas de trilhas) não marca exatamente o trecho que fizemos justamente por causa do desvio, mas é bem similar. Na hora dá para seguir as placas Salto de la Nuvia caso queiram suar frio um pouquinho!

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Trilha a pé: Sadernas – Talaixá – Sant Aniol de Aguja (wikiloc)

O Salto da Noiva é um trecho de trilha onde ela estreita bem num ponto onde a inclinação da ribanceira se inclina abruptamente. Somado a isso, o paredão de pedra se protunde para fora. Felizmente o pessoal daqui teve bom senso e botou umas correntes pra quem passa poder se segurar. Mas ainda assim é um pouco assustador. Alguém colocou junto ao trecho um véu branco, referência a história do lugar e detalhe macabro para o caminho. Diz a lenda que uma noiva que ia de Talaixà para a igreja Sant Aniol para se casar se matou pulando dali. Eu pessoalmente acho bem provável que ela tenha caído mesmo, mas deixemos a noiva e suas motivações no passado.

Deste ponto em diante, a trilha desce até a Igreja. Ela estava trancada, mas foi possível ver pelas grades o seu interior escuro. A construção, como tudo por aqui, é de estilo lombardo e beira os 1000 anos de idade. Paramos para comer nesse ponte e depois seguimos para cima do Llierca, onde há uma piscina natural absolutamente maravilhosa. Apesar do frio e da falta de toalha, resolvi dar um pulo na água e até agora não sei se me orgulho ou me arrependo do feito. Mais acima do rio há um cânion que segue até uma cachoeira, onde não há mais passagem. A altura dos paredões e a cor da água impressionam nesses dois trechos.

A volta foi mais simples, achamos a trilha que havíamos perdido antes. Não é uma trilha difícil, mas também não é do tipo que todas as idades e condições físicas podem fazer. É preciso um mínimo de agilidade e mobilidade para os trechos pedregosos ou para atravessar o rio. Também a distância não é pequena, e é importante ter um mínimo de resistência física e planejamento para não terminar muito tarde.

Ao pegarmos o carro de volta, seguimos até a ponte sobre o rio LLierca, mais abaixo. A sua altura e sua construção em arco único marcam o vale. a profundidade do rio nesse trecho parece imensa, principalmente visto de cima dos mais de 20m de ponte com mureta baixa. Seguimos para Besalú, onde outra ponte imponente, com portões e seteiras, marca a entrada antiga da cidade.

Ao chegar em Girona, já estava tarde e pegamos trânsito. Muito trânsito. Acabamos não conhecendo o centro velho e nos concentrando nas compras que deveríamos fazer. Se a Ju reclamar novamente de frio no pé, eu sinceramente não sei que outro calçado ela poderia escolher. A nova bota dela só falta fazer café. Eu peguei uma bota mais simples mas também para neve, além de uma luva impermeável. Temos planos grandes para os próximos dias!!

Na volta, pegamos a auto estrada que vem por baixo das montanhas, passando por Vic. Fizemos um caminho novo que passava por Solsona. Já passava das 10h30 da noite quando, encantados com a capital da província vizinha, paramos para rodar a cidade. Solsona é uma joia bem cuidada e lapidada. As construções são maravilhosas e imponentes e a vida noturna parece bem animada, a despeito dos seus poucos habitantes. Havia também o que parecia uma fortificação em cima de uma colina. Estava bem iluminada, diferente do caminho que levava a ela. Por isso achamos melhor visita-la em outra ocasião. A volta de Solsona a La Seu foi tranquila, apesar do sono. Chegamos de volta em casa quase a meia noite e eu nem sequer lembro se tomei banho ou dormi direto.

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Girona – Vic – Solsona – La Seu (volta) 

Foi um dia cheio, com uma trilha icônica e única, conhecendo uma série de cidades tradicionais da região. Só seria necessário dois dias parados para recuperar a energia!

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Castellfollit de la Roca  – Ainda tava cedo, frio e um tanto escuro desse lado da montanha

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Catellfollit de la Roca

 

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Castellfollit de la Roca

Início da trilha a pé por Sadernes. Esse rio lindo é o Llierca:

Montanha a cima e El Salto de la Nuvia. Nas fotos não fica tão claro, mas o sufoco do Salto é que a passagem é realmente muito estreita, de um lado a montanha desce escarpada muito alta e íngreme e do outro as pedras se projetam por sobre a trilha, deixando um espaço muito pequeno pra passagem, em curva. As fotos com o tecido branco, alusão ao véu da noiva,  são um pouco abaixo do ponto exato do salto e marcam o local. As marcas coloridas na pedra são pintadas por todo o caminho, em árvores, troncos e pedras e cada cor marca uma trilha:

Chegada a Sant Aniol, ruínas, a igreja propriamente dita e o rio acima, com as quedas e o ponto final. Além de claro a comprovação do banho de água gelada em pleno solstício de inverno:

A ponte sobre o Llierca, que vale a pena parar pra ver:

Besalú e a ponte, já com pouca luz:

De Girona e Solsona ficamos devendo as fotos, nem câmera, nem celular, nem nós tínhamos mais bateria. O dia foi intenso, mas incrível!

La Seu es Seva

Estamos inciando essa semana uma série de post sobre trilhas na região dos Pirineus, na Catalunha, Espanha. Esperamos poder contribuir com as viagens de vocês e cada vez mais poderemos dar um apoio para sua viagem. Mais fotos e vídeos virão, mais mapas, coordenadas e muito, mas muito mais, trilhas! Esqui, trilha na neve, refúgios, Camping livre (a partir da primavera), road trips e muito mais!

Começamos com um breve gostinho! Espero que aproveitem!

Trilha 1 – 28/11/2016

Roteiro – La Seu – Vall de Vallira(1º) – Arcavell(2º) – Pic de Boloriu(3º) – Coll de Jou(4º) – Bosc de Pinya(5º)- Cortal de Sant Andreu(6º) – La Seu

Trilha 1 La Seu - Fargas - Arcavell.png

1° trecho – Nada de realmente interessante no vale, exceto pela catedral de Anserall, Sant Serni de Tavernoles. Muito antiga e muito bonita. É possível marcar uma visita gratuita por telefone 639 060 898. O rio em si é amigável, mas o vale é muito fundo e pelo menos nessa época do ano fica enevoado boa parte do dia, mesmo quando o sol bate nos picos em volta. É uma trilha bem plana, mas a proximidade constante com a estrada estraga um pouco.

2° trecho – Da aduana de Andorra até aqui é uma subida considerável, mas não muito inclinada. Um povoado extremamente simpático. As casas estão muito bem cuidadas, evitando o ar de abandono que outros locais passam. Os tetos de quase todas as casas são feitos de pedras chatas sobrepostas, me pareceu muito curioso! Há fontes de água com o aviso de que não é água tratada sanitariamente, mas eu bebi e estou vivo e bem. A vista é boa, e parece ter algum tipo de comércio. Não explorei essa parte…

3° trecho –  A subida de Arcavell até o pico foi confusa. É difícil saber que estrada sai para qual lado, e o serpentear constante do caminho oficial me causou uma confusão. Resultado foi que eu subi pela encosta, atravessando os pastos, na maior parte do tempo. Como essas encostas ficavam do lado norte, havia uma quantidade razoável de gelo. Nada de mais, mas as vezes escorregava um pouco. O pico em si foi, com o perdão da expressão, o ponto alto da trilha! Algumas ruinazinhas pelo caminho, um pasto com pinheiros esparsos e vacas leiteiras com bezerros ao pé se espalhavam pela encosta, e do topo é possível ver uma boa parte do vale do Vallira e até mesmo La Seu d´Urgell. Do outro lado, os picos mais altos de Andorra, com neve, criam uma paisagem incrível 360°. Havia uma casa que parecia reformada, mas não tenho muita certeza, pois não me aproximei. Imagino que seja usada por caçadores.

4° trecho – a descida seguiu por um trecho absolutamente desabitado, onde nem os picos tem nome. É uma grande mata de pinheiros, com uma estradinha que, por sorte, manteve os caminhos que eu pretendia seguir abertos. Quem quisesse ir para outros locais talvez não tivesse a mesma sorte, pois a realidade não parecia bater com o mapa. É um trecho longo, porém relaxante e pouco cansativo. A trilha dá a volta em uma bacia chamada Estremir e no final dessa parte a vista se abre majestosamente para a serra de Cadí.

5° trecho – Segue-se até um tal de bosc de Pinya, onde todas as árvores haviam sido recentemente cortadas. Pouco antes do bosque, há um pico com 1458 metros de altitude. Não há trilha até o topo, mas a encosta é limpa o suficiente pra subir assim mesmo. De lá, é possível ver Alàs, no vale do Segre, e LLirt, na serra ao lado. Ao descer do bosque, há uma casa que não parece habitada permanentemente, e a estrada é fechada por uma cancela. Achei que fosse uma entrada particular e me perdi por meia hora por causa disso. Descendo pelo trecho da cancela a estrada faz um zigue zague até o Cortal.

6° trecho – De repente, aparecem caixas e mais caixas de abelhas! Logo mais um agrupamentozinho de casas marca a trilha. Nada de mais, mas serve como referência. Um pouco mais abaixo (algumas centenas de metros) na estrada está sinalizada a saída da pequena trilha para LLirt e logo depois outra trilha sai para o Vale, indo direto até o bairro de Sant Pere, já em La Seu.

Resumo: A partir de La Seu, não requer carro ou ônibus. Uma trilha boa pra quem tem um dia livre e gosta muito de andar. Foram mais de 20km, com subidas pesadas no caminho. Tempo também é um recurso escasso, quase fiquei depois do escurecer na trilha. Na verdade, a ideia era explorar mais, mas superestimei minha velocidade. Havia trechos alagados e escorregadios que me forçavam a ir bem devagar. Por ser uma trilha circular, oferece a oportunidade de passar em mais locais e de se perder mais vezes!

Trilha 2 – 03/12/16

La Seu – Llirt – Estamariu

(Não foi possível fornecer o mapa dessa segunda, pois os pontos de referência não são localizáveis pelo google maps, mas é possível encontrar a referência em mapas físicos que podem ser adquiridos na cidade de La Seu D’Urgell).

Essa trilha pode parecer curta, mas ainda assim leva um bom tempo. Saindo de La Seu pelo bairro de San Pere, há uma trilha sinalizada até Llirt. Essa trilha sai paralela a estrada principal no vale, e não segue o pequeno rio que desemboca no bairro, aviso porque perdi um tempo aqui. Ela toda vai marcada com tinta amarela pelas pedras a cada centena de metros, aproximadamente. Mesmo assim, eu consegui me perder e acabei fazendo boa parte da subida por fora da trilha. De qualquer jeito um trecho curto essa trilha é feita na estrada.

Ao chegar em LLirt, não há muito para se ver, além da vista que já vem se formando ao longo do resto da trilha. Mesmo assim, o pouco que está lá é impressionante. Menos de uma dúzia de casas abandonadas, construções de pedra deixadas como que do dia pra noite. Essas ruínas não parecem muito velhas, comparadas com outras que já vi por aqui. Digo isso porque ainda há restos de reboco em uma das casas, e em muitas portas e janelas a madeira que sustenta a parede logo acima ainda não cedeu. Ainda assim, muito cuidado com os prédios, pois parecem estar a beira de desabar. Os espinheiros cobriram boa parte das entradas, de qualquer jeito.

A estrada segue para Estamariu. Apesar da placa em Llirt, só teria uma direção para se ir mesmo. Menos de 1km a frente, a trilha divide, mas ainda é meio óbvio que o caminho continua para leste, já que a outra opção só subiria a encosta. O problema maior vem mais pra frente, quando a estrada divide em cruz, sem nenhuma sinalização. Pelo mapa que eu tenho, me pareceu ser o caminho que virava a esquerda e mantinha a direção leste. Pois a estrada segue até uma casa de pedra em um pasto e depois se converte em uma trilha, um pouco mal demarcada. Atravessando um pequeno riacho e virando à direita, logo há uma saída para a esquerda que sobe a encosta. Foi o único caminho que tentei e cheguei em Estamariu, então recomendo! No final dessa subida, que deve levar próximo de 1km, a trilha bifurca novamente. Segui pela esquerda, e poucos metros a frente a vista se abre para um vale com Estamariu do outro lado! Foi a vista mais incrível do dia, certamente. Daqui pra frente a trilha é fácil até o final, ainda que longa.

Contornando o vale, a trilha chega a Estamariu pelo fundo. A cidade vale uma caminhada, e uma estória da cidade está escrita em um informativo turístico muito interessante, bem no caminho. A descida se dá pela estrada asfaltada mesmo, até o Vale, próximo de Alàs. Não tente sair da estrada, a encosta é bem íngreme e cheia de espinho. Mesmo! Já no vale do Segre novamente, serão mais 4 km aproximadamente de volta até La Seu. Esse trecho todo de Estamariu até La Seu é longo mas simples. Uma pena que aqui já não há nada muito mais interessante para se ver.

Ficam algumas fotos! Boa trilha!

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Cap de Boloriu, Vista norte

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Estamariu

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Entrada de Andorra

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Ruínas em Estamariu

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Estamariu

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Estamariu

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Estamariu

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Les Valls de Vallira

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Estamariu

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Sant Serni de Tavernoles

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Vale do Segre e Serra de Cadí