BPM – Portugal

Para quem não sabe, minha parceria com o BPM começou no ano passado, e desde então venho contribuindo com um texto mensal para a plataforma colaborativa das Brasileiras Pelo Mundo. Até janeiro desse ano publiquei lá textos sobre minha experiência na Espanha. Desde de fevereiro comecei a publicar sobre minhas experiências em Portugal. Por mil motivos, mas o principal deles, a necessidade e me organizar numa vida nova aqui, estava com o Blog da JuReMa meio parado. Agora vou atualizar e quem ainda não me leu no BPM, recomendo.

Vou colocar aqui o teaser dos textos, e o link para terminarem de lê-lo na publicação original. Assim aproveitam e já continuam por conhecer e explorar mais uma fonte deliciosa de informações, desse nosso vasto mundo!

“Cheguei em Braga, e agora?

Cheguei em Braga, Portugal,  depois de um tempo na Espanha, de algo que não era exatamente para ser, mas acabou sendo meu ano sabático, e volto a botar os pés no chão e retomar os rumos da vida. Quando meu marido veio para a Europa, fomos viver na Catalunha, e eu tinha muitos planos de trabalhar, viajar, fazer contatos, escrever, cozinhar, enfim, gosto de um planejamento com opções A, B, C, D… Z, e sonho alto.

A realidade, entretanto, nem sempre acompanha. A burocracia pode ser mais lenta do que os sonhos esperavam, e o dia a dia em um novo país demanda mais do que eu imaginava. Entre altos e baixos, meus altos incluíram muitas trilhas a mais de 2500m de altitude, muita montanha, neve, sol, lagos e mais lago, e os baixos foram lindos, com praias, cachoeiras, passeios na beira do rio, e por fim eu relaxei. Aceitei meu ano sabático, apertei os cintos e vivi de forma frugal e minimalista e deu tudo certo.

Agora viemos para Portugal. Cheguei em Braga, e agora? O primeiro passo foi tentar encontrar moradia, ou morada, como os portugueses costumam chamar… “

Para continuar a ler e saber como foi minha chegada: Cheguei em Braga, e agora?

Tudo bem

Tenho 31 anos. Sou órfã desde os 19 de pai, 25 de mãe. Nesse meio tempo perdi também meus avós, que me criaram. Quem já perdeu os pais sabe a estranha falta que é não ter ninguém que se preocupe especificamente com você. Saber que você é a preocupação maior do mundo de alguém é um tipo de cuidado e amor que só é explicado por quem cria.

Ela dizia que eu não dava trabalho. Nunca dei. Apesar de ter nascido de 7 meses, fiquei doente pouquíssimas vezes na vida, nenhuma grave. Sempre dormi 8h ou mais. Minhas notas na escola eram excelentes e ninguém precisava me mandar estudar. Eu não fiz grandes loucuras na adolescência, só umas bem pequenininhas. Na faculdade fui mais séria ainda. Me joguei nos estudos e trabalho com o afinco de uma adulta plena com família para sustentar. Ainda que não fosse o caso.

Mudei de emprego algumas vezes, mas nunca fiz dívidas. Mudei de casa muitas vezes, e pedi muito pouca ajuda. Mudei de cidade, de país, de continente, de país de novo, e cada vez precisei de menos. Vida minimalista, que cabe no bolso. Leve por opção, por propósito.

Às vezes meu irmão me pergunta se está tudo bem e eu sei que a pergunta dele é de verdade. Que ele pensa em mim e se preocupa, um pouquinho que seja, porque sabe que eu não dou trabalho, mas bate aquela pontadinha de preocupação e eu ganho um “tá tudo bem aí?” que eu sei que é de verdade. Não aquela pergunta por educação ou obrigação.

Eu não fumo, não bebo e não uso drogas. Bebi bem pouco numa fase da vida adulta que acabou logo. Sempre passei mal com menos de 2 doses. Cuido da minha alimentação. Cozinho quase tudo que como. Compro, pago as compras, corto, lavo, pico (ok, meu marido costuma picar mais que eu), mas dou conta do recado.

Essa sempre foi minha “missão na vida”, dar conta do recado. Sempre fui a forte, independente, otimista, tranquila. Nunca dei trabalho. Não precisam se preocupar comigo. Está tudo bem.

Eu sou hoje aquela pessoa independente, forte, corajosa, que desbrava cidades novas, empregos novos, dá a cara a tapa, sem nem se questionar como poderia ser diferente. Sou todinha aquela que meu avô me criou para ser, e se bobear, um pouco mais.

Eu faço Yôga, me exercito, faço trilha, caminhada, acampo, subo montanha. Passeio com meu cão, que é minha vida, todos os dias. Limpo minha própria casa. Até as plantas têm sobrevivido bem. Tenho manjericão na área dos temperos, brinco-de-princesa nas flores, e suculentas na decoração.

Medito, leio filosofia e estudo política nas horas vagas. Participo de dois clubes de leitura. Até costuro minhas próprias roupas quando rasgam ou precisam de uma bainha, luxos de ter crescido ao pé da saia da vó.

Sou consciente das minhas emoções e atenta para aprender com cada detalhe do meu dia. Para sublimar a raiva, e me alimentar de pôr-do-sol, uvas frescas e muito chá quentinho nas mãos.

De fato, eu não sei porque alguém se preocuparia comigo. Eu claramente, sei me cuidar, e me cuido bem. É claro que ninguém precisa saber da frustração de passar mais de um ano resolvendo pendência burocrática por conta das mudanças de país, ou do medo de dar algo errado que me acomete a cada semana.

Ninguém precisa se preocupar com as noites que chorei no travesseiro. Com os quilos que ganhei de ansiedade. Com a crise de enxaqueca que durou uma semana por conta da crise de decepção com a vida acadêmica.

Ninguém contabiliza as horas que eu passo indo e vindo dos mercados, pesquisando, para garantir que a alimentação saudável caiba no orçamento reduzido. As horas planejando e preparando as refeições.

Quando sento para jogar e conversar com os amigos no fim de semana, ninguém sabe da saudade que me aperta o peito. Do vazio que me abraça de madrugada.

O sorriso das fotos esconde que nunca na vida tive um dia dos pais pleno. Sempre dividida entre o amor do que não era pai, mas me criou e a falta do que era e não foi.

E que todo ano agora o dia das mães entrou na lista de dores e não de amores. Quem comemora as datas e até reclama de ter que dar atenção para a família não sabe o que é se sentir desconectado da realidade, porque nenhuma data dessas faz mais sentido.

Eu sei que ainda assim está tudo bem. Ainda assim eu sou forte, independente e corajosa. Continuo sem dívidas nem problemas financeiros. Sigo sendo saudável. E minha alegria é sincera. Aliás, rio muito e quase todos os dias.

Não podia ser diferente, sendo que casei com o cara mais incrível que conheci. Nunca pensei que poderia dizer que se meu avô tivesse conhecido meu marido, não só aprovaria, mas se orgulharia. Mas posso!

Mas isso não diminui o fato de que às vezes eu só queria colo. Queria lembrar de como era aquela paciência eterna da minha mãe de pentear meu cabelo, com minha cabeça no colo, não pela beleza ou arrumação dos pelos, mas pelo amor, intimidade e cuidado, de ficar horas ali, ganhando atenção e carinho.

É claro que tenho tios e tias que sempre me apoiaram, e que, caso eu precise, não hesitarão em ajudar. Mas eu sei que eu não sou a constante preocupação, justificada ou não, de ninguém. Existe uma falta abissal no mundo, quando você percebe que é bom mesmo você não dar trabalho, porque você já não é o trabalho de ninguém mais ali.

E aí, toda a força, independência e coragem, perdem um tiquinho do brilho, pois passam a ser não só mérito, mas necessidade.

E se eu assim não fosse? Nem quero pensar nisso. Não posso me dar o luxo de não ser. Então, sim, respondendo à pergunta clássica de todos os dias, é claro que está tudo bem! Como não estaria?!

Sons novos e meus sons

Estou pela primeira vez escrevendo dentro da minha casa nova. Nossa. De verdade. Assim, tipo, de papel passado, que nem o casamento. Eu demorei quase um ano pra conseguir chamar o André de marido sem rir, ou me sentir uma dona de casa louca dos anos 50. Será que com o apê vai ser assim também? Ainda não me acostumei com os sons. Eles quase não existem, veja bem. Mais às vezes a porta do vizinho bate e eu não sei se foi aqui ou não. Sou de novo um alien, uma estranha, uma estrangeira, mesmo dentro da minha casa.

Olho um pouco pro lado e vejo meu cão, o Picot, esparramado no sofá. Temos um sofá esparramável agora. Isso também me assusta um pouco. Percebo que o som dos meus dedos nas teclas soam altos demais. A casa está silenciosa. O som é estranho. Parece que digito com mais força que o necessário. Parece que desaprendi a escrever. Esses sons, essa falta de som, vão me deixar louca. Pauso a escrita e aperto o play. Respiro, inspiro e expiro profundamente com as primeiras notas. Enya. É clichê. Eu sei. Mas as palavras voltam a fluir junto com o Oniroco nos meus ouvidos. Já não escuto meu pescoço estralando, a borracha das botas apitando no piso azulejado ou o som das minhas teclas ou das outras, pois em outro cômodo o André também está no computador dele. Dois mundos, duas vidas. Nessa nova casa cabem muitas.

É a segunda vez que mobílio uma casa quase que de uma vez só, considerando o básico. Isso sempre me assusta. Me sinto ousada demais, comprometida demais com essa vida, esse futuro. Mas aí lembro que não é a primeira vez que faço isso. Já aprendi que as coisas, os objetos, os móveis, as roupas, eles vêm e vão, com o vento, com a vida. E a minha é dessas. Às vezes me sinto abençoada até demais, e fico com medo do que espreita na próxima esquina. Em outras lembro de tudo o que já passei, e lembro que mesmo quando a onda sobe, consigo ver claramente, por baixo das espuma branca, o verde claro, o verde escuro e o azul profundo. Sim, eu conheço intimamente aquele azul profundo. Já estive lá tempo suficiente para aprender a respirar embaixo d’água. Para aprender que tenho nos meus braços fibra suficiente para retornar, quantas vezes forem necessárias. Sobrevivo ao mar porque sou maré. Vou e venho mais que ele, vou e venho porque sou quem o faz subir e descer.

Tinha esquecido do chá. Verde com raspas de laranja. Comprei em Granada. Que cidade maravilhosa. Estou devendo os detalhes dessa mudança louca e incrível. 2005, uma mudança de casa, a da infância para o purgatório. 2009, do purgatório para a (única de verdade) casa da minha mãe. 2012, fuga cega de lá, fugindo da morte e do futuro, refúgio no porto seguro da família. 2013, minha casa de bonecas, meu mundo turquesa, branco e lilás, com pássaros em todos os cantos! 2014/2015, um mês na casa do outro, descobrindo a vida a dois. 2015, a construção de um lar a dois. Pedacinhos da minha casa de boneca se fundiram com móveis de família, coisas que já estavam lá, novo e velho e sua síntese. 2016/2017, país, cidade, praticamente mundo novo. Nada meu, nada nosso. Nenhum direito à propriedade. Muito direito à liberdade. Neve e montanhas. Queijo de cabra e chocolate. Muita introspecção e muito saco de dormir, fogareiro e lampião. 2017/2018, ufa! Uma casa para chamar de nossa. Ikea. Espaço. Quartos. Assim, no plural. O barulho do trem na janela, e todos esses outros barulhos que ainda não sei nomear. 9 casas, e contando.

Só tive cortinas, dessa que se compra na loja, decorativa, em duas delas. As duas que mobiliei. As outras ou eram muito passageiras, ou não eram tão minhas. Quando pendurei aquelas cortinas turquesa, cheias de pássaros brancos, sabia que precisava daquela luz azul filtrada, e daqueles pássaros para decorar minha pequena gaiola de 20m2. Vivi empoleirada ali o tempo suficiente para aprender a voar. E voei muito. Muito mais longe do que imaginava. Só não tinha aprendido ainda, que para levar um coco, são necessárias duas andorinhas. Talvez por isso esse novo voo seja tão longo e as distâncias tão grandes. Agora somos duas andorinhas, levando esse coco pelo mundo. Olho minhas cortinas cinza. Penso nisso. Eu, que sempre fui fã das cores, de tudo junto e misturado, das casa de boneca, dos contos de fadas, agora tenho uma casa monocromática. Preto. Branco. Cinza. Talvez aqui eu perca o medo ou me acostume com a ideia de ser adulta. Não, o fato de 31 anos ainda não me fez aprender isso.

Ao mesmo tempo que vejo nesses muitos quartos, assim, no plural, e nos tons sérios, uma vida possivelmente mais adulta e muitas possibilidades e desafios incríveis, além de oportunidades muito boas e concretas, se abrindo nesse novo horizonte, sei que o armário da cozinha continua tendo cookies e chocolate cremoso. Que a faxina continua sendo postergada ao limite. Que nós ainda fazemos fortes de travesseiros, e todas essas almofadas desse enorme sofá somadas à mesa de centro só fazem isso ficar mais fácil.

Que parte da nossa decoração, a única do momento, se constitui em mini personagens de desenho animado, de plástico colorido, que ganhamos na promoção do supermercado. Agora nossos livros de filosofia e línguas dividem a prateleira com o Capitão Cueca, o burro do Sherk e a Zebra de Madagascar. Espero que essa síntese, das cortinas cinza e do burro de madagascar cueca me ajudem a continuar crescendo, a continuar mais próxima da espuma branca do que do azul profundo. Que eu não tenha medo dele, mas me lembre bem da sua cor e da sua falta total de sons para que os sons estranhos de agora não me assustem.

Lauper canta na minha orelha e eu lembro que é parte da vida só querer diversão. Que eu me autorizo a ter 31 anos, um apartamento digno de adultos e comer chocolate cremoso por cima dos cookies enquanto assisto maratonas do netflix debaixo do forte de travesseiros. Que eu me autorizo a me sentir soterrada pela burocracia, e que a vontade de jogar tudo pra cima não é só minha. Quem sabe um  pouco de som dos 80’s dançando na sala com o cachorro e rindo do marido não façam eu me acostumar com todo esse cinza, toda essa papelada e toda essa vida concreta da mesma forma que me acostumei com a palavra marido. Perdi o medo dela, depois de revirar que nem uma bala na boca, esperando derreter, que nem doce.

Continuo com medo dos ventos que me levam por aí em busca de novos sons e novos chocolates. Mas já sei que em vez de perder casas, vou colecionando elas. E pra deixar o momento mais perfeito a Salmazo me canta sobre a palhoça dela. Acho que vou lá tirar nossa fotografia do dia, e encher essa sala dos meus sons. Desconecto o fone de ouvido do computador e salvo o texto. Vou dançar comendo chocolate cremoso.

 

BPM no JuReMa: São Paulo X La Seu

Apesar de hoje já não estar mais morando em La Seu D’Urgell, a experiência de quase um ano nessa cidadezinha de apenas 12.500 habitantes marcou minha vida. Foi uma no off, pra descansar, colocar os pensamentos e sentimentos em dia, descobrir muito sobre meus gostos e vontades, repensar a vida e o mundo, e tentar achar meu lugar nessa interseção. Dia 19/12/17, o BPM publicou meu texto com esse comparativo absurdo entre viver numa das maiores cidades do mundo e numa pequenina.

Coloco aqui algumas frases para dar o gostinho e te convido a clicar aqui e ler o texto na íntegra.

“No Brasil eu já vivi em Brasília e em São Paulo, e embora as experiências tenham sido muito diferentes, são duas grandes cidades, com inúmeras oportunidades e problemas urbanos derivados de seus tamanhos e importância econômica e política. Nem eu nem meu marido nunca havíamos morado em uma cidade pequena, apenas passado algumas férias em lugares menores, mas sem a experiência da vida cotidiana, que é sempre muito diferente.

Quando estávamos avaliando nossas possibilidades de vir para a Europa essa dúvida, entre cidade grande e interior surgiu. Fizemos algumas listas de pontos positivos e negativos, e, por fim, e pelas necessidades e conveniências da vida acabamos parando em La Seu D’Urgell, uma cidade de aproximadamente 12.500 habitantes, na fronteira com Andorra. Para quem saiu direto do centro de São Paulo, uma anomalia em termos de tamanho, uma das maiores cidades do mundo, foi um choque e tanto. Já falei aqui um pouco sobre os choques culturais da chegada, mas dessa vez queria me atrever a fazer esse comparativo tão desproporcional entre as duas cidades.”

My life on the road

Esse fim de semana passado eu terminei de ler My Life on the Road, da Gloria Steinem. Eu já tinha lido pequenas coisas dela e já conhecia o nome, afinal, ela é uma ativista e tanto e uma das referência quando se fala em luta por direitos e questões de gênero. Esse livro faz parte da lista de leitura indicada pela Emma Watson no Goodreads, parte do programa pessoal dela de estudos de gênero e da iniciativa da ONU #HeForShe.

Mas o que me levantou a curiosidade a princípio foi a possibilidade de ouvir de alguém nômade, como foi essa vida na estrada. Muita gente já me questionou sobre minhas escolhas, sobre estar com 31 anos e ter feito 8 mudanças de casa, 3 de cidade, 2 de país, 1 de continente e estar com a próxima (de país de novo) agendada para o mês que vem. Nesse processo também já tive tantos empregos que minha carteira de trabalho zerou, se for contratada no Brasil de novo tenho que tirar uma nova, todas as páginas estão preenchidas. Isso fora os freelancers, traduções, aulas particulares, projetos, bolsas, voluntariados, etc, que me acompanham desde os 18 anos.

Já vi o olhar preocupado de familiares, já recebi carta dramática de amiga, já ouvi de ex-chefe que ia mudar “logo agora que você arrumou a casa toda, fez até chá de cozinha e tá com tudo tão organizado?”, já vi amiga surtando com minhas blusinhas pra doação dizendo que eu era louca de me desfazer de “tudo mais bonito que eu tinha”. De todos, já recebi muitos olhares saudosos! E de todos já senti muitas saudades! Já fiz também muito skype, já aprendi a viver com menos, já conheço os lugares pra comprar um novo edredom e jogo de cama mais barato, e muitas situações pouco usuais às vezes se tornam cotidianas, como ficar sem travesseiros, sair pra comprar e não achar no dia, improvisar e de repente me tocar que vivo a 11 meses sem travesseiro e não faz falta!

Por tudo isso e mais um pouco, quis ler da Gloria, como foi a experiencia da estrada dela. Foi bem diferente da minha, e ela nem sempre dá os detalhes sobre onde dorme, mas eu encontrei lá muito mais do que a história dela na estrada. Encontrei uma semelhante. Alguém que já está na parte final da curva e que portanto pode dizer, eu vivi a vida toda assim e deu certo. Alguém que ao contar sua história conta junto a história de um movimento, de um país, de uma geração. Tudo isso, já faz valer a leitura mil vezes.

Mas o ponto mais incrível pra mim de toda a leitura não foi nem (só) a questão de gênero e nem a estrada, mas foi a vivência de democracia dela! Eu fui envolvida com movimento estudantil, fui representante de turma, fiz parte de conselhos em tudo o que já participei na vida, e cada dia mais só me decepciono! Acho cada vez mais difícil encontrar pessoas abertas ao diálogo, esses supostos espaços de conversa viraram só espaços de ataque e na internet então nem se fala! Mas na vida dela eu li um relato bonito, duro e cheio de batalhas, mas com lições muito importantes. Lições que me levam a crer que não é o mundo ou a  humanidade que estão perdidos, é o sistema e a forma como vivemos.

Tudo o que eu queria é que cada ser humano pudesse entender e vivenciar uma verdadeira roda de conversa, estilo povos nativo-americanos, e recebesse no final um abraço. Quem sabe assim, talvez…

my life on the road

JuReMa no BPM: Choques Culturais e Horários

No dia 08 de outubro, saiu no BPM mais um texto meu, dessa vez falando sobre alguns choques culturais e adaptações relativas à horários, calendário laboral, formas de fazer contratos e vidas na cidade pequena no interior da Catalunha.

Vai lá, clicando aqui e lê o texto desse mês! Tanto eu quanto as Brasileiras do BPM nos sentiremos lisonjeadas. Aproveita e deixa aqui ou lá seu comentário com dúvidas ou contando situações similares!

Esse foi meu terceiro texto para o BPM. Dia 02 de setembro foi publicado meu primeiro texto, sobre os Desafios de ser vegetariana no interior da Catalunha. E em 01 de outubro entrou um texto extra sobre o Referendo de Independência da Catalunha, que já rendeu muitos comentários e pano pra manga lá. Se quiser, aproveita e entra pra ler e conhecer um pouco mais!

Estamos com poucos posts de viagens, mais só porque estamos viajando muito! Daqui a pouco o André volta a compartilhar nas sextas-feiras o que andamos fazendo com vocês. Enquanto isso aproveita e curte as fotos das paisagens lindas que vimos ao longo do último ano no Instagram e Fã Page do Facebook do blog!

 

Big Little Lies

Apesar do texto ir ao blog na terça, hoje é sábado. São quase 18h e eu estou atônita, olhando para a tela do meu computador depois de terminar de assistir Big Little Lies, sem saber o que pensar, o que sentir, além de que eu queria muuuuuuuuito nesse momento dar um abraço bem forte em todas as mulheres que eu conheço e dizer “Você não está sozinha! Está tudo bem!”

Eu não vou dar spoilers, e peço a gentileza que não deem, caso deixem comentários, mas recomendo fortemente que assistam! Especialmente se você for mulher. Não é um seriado leve. É forte, os temas são pesados. Mas fala muito profundamente com o âmago da realidade de ser mulher. Mesmo que seja de uma mulher linda, rica, californiana.

Esse seriado é extremamente relevante, embora possa não parecer a princípio, porque fala de algo que hoje em dia é norma: a falsa realidade, a vida aparente. Lembre-se sempre, sempre, que todas as pessoas do mundo, apesar das fotos de viagens, comidas lindas e gostosas, amorzinhos sem fim e tudo o mais que o facebook, instagram e mídias sociais representam hoje em dia, todos são humanos! E todos nós levamos uma bagagem bem pesada nas costas!

Algumas bagagens são mais violentas, outras mais amorosas, algumas mais sofridas em silêncio e outras aos berros, mas todos nós temos uma bagagem enorme. E todas as mulheres apendem desde cedo a sorrir, serem bonitas, apesar de, e justamente porquê possuem, suas bagagens.

Tratem as pessoas com amor, a gente nunca sabe o quanto o outro precisava daquele abraço, daquele elogio sincero, daquela pausa pro café, pra desabafar, pra sentir confiança em contar com o outro. E mulheres, minhas irmãs, sejam mais solidárias! A gente sabe o quanto cada uma sofre, e sabemos que por trás de cada sorriso existe muuuita bagagem! Vamos nos olhar nos olhos de forma a ir além dos sorrisos, e dar amparo à alma! É tudo que ofereço e peço!

De quebra, assista quando puder. São 7 episódios de aproximadamente 1h cada. Veja na ordem. Não veja o sétimo antes de nenhum outro. Você só respira aliviada nos últimos 10 minutos. Até lá, perceba na maldade humana o reflexo de outras maldades, e perceba que os ciclos não se rompem sem muito amor, muito apoio e muita sororidade!

Ah sim, aproveita e baixa também a trilha sonora, vale a pena!

Aproveito pra deixar aqui essa dose de amor bem nessa semana que completei meus 31 anos. Sim, eu amo ser uma mulher na casa dos 30! E sinto que ficará cada vez melhor! ❤

bll cafebll

 

Ferrante

Mês passado eu li a Série Napolitana da Helena Ferrante, primeira obra dela que leio. São 4 volumes que me absorveram e consumiram por completo. Ainda tô tentando digerir. Às vezes me pego pensando, me inspirando. De tudo, o que mais queria dizer é, obrigada! De tudo o que mais sou é grata por poder ler tal obra.

Os quatro volumes, que inspiram ares de uma longa saga, não poderiam estar mais distantes de todas as sagas heroicas que li e reli com tanto gosto e afinco na vida, e ao mesmo tempo nunca me senti tão inspirada por uma saga. Ferrante é mulher. Primeiro e acima de tudo! Depois é escritora, de porte e renome, e de uma escrita que só posso definir como verdadeira. Nessa obra, escrita entre 2012 e 2015, Helena nos presenteia com um relato detalhado de sua vida, já de uma perspectiva da autora idosa, podendo assim falar de começo, meio e ares de fim, numa história auto-biográfica com gostinho de auto-ficção.

Depois de terminar os quatro volumes só conseguia pensar, obrigada! Obrigada por me mostrar que ser escritora é mais que ser brilhante. Que a literatura é mais do que as sagas heroicas. Obrigada por ser mulher! Obrigada por me mostrar que ser mulher é viver uma saga heroica, digna de muitos volumes.

O estilo de escrita é ao mesmo tempo delicado, feminino, visceral, sujo, cheio de confissões, revelando medos, paixões e destinos. Helena nos mostra que ela é sim, ao mesmo tempo brilhante e como qualquer uma de nós. Nos mostra que mesmo uma ativista feminista, que escreveu e debateu sobre a situação da mulher ainda nas décadas de 1960 e 1970 na Itália, pode ser vítima de relações abusivas e más escolhas amorosas.

Helena nos mostra que criar filhas e ter uma carreira foçam a mulher a decisões dificílimas, que são tomadas sempre muito sozinha, mas cujos resultados são duramente julgados pela sociedade, pelos homens. Mostra também que “bons” homens não são necessariamente “bons” pais. Que intelectualidade não é sinônimo de inteligência emocional. E que as violências psicológicas impactam tanto a vida quanto às físicas.

Mas Helena mostra também que temos essa força para seguir a vida, a pesar, e por causa de tudo isso. E que as consequências são isso, consequências. Boas ou más é um julgamento individual, dos que conosco convivem e sofrem as bençãos e desgraças dessas consequências.

Ela nos mostra que tentar agradar é falhar. De ante mão! Sempre. E que ser “bem-sucedida” é um conceito tão vazio e vago quanto um pântano cheio de neblina. Família é um conceito abstrato, que se confunde com amizade, origens e empatia. E que ao longo da saga que é a vida de cada um de nós, as mesmas personagens assumem papeis diversos, de heróis à antagonistas, cada qual por sua vez. E aqui a protagonista não é protegida. Não existem os “bons” e os “maus”, existem nós. Todos nós.

Me chocou a violência doméstica estatizada italiana. Que incluí de estupros dentro do casamento à crianças defenestradas em surtos de raiva dos pais. Incluí também violências mais delicadas, como competições entre amigas e irmãs, desde por notas escolares e carreira profissional até namorados, maridos e amantes. A falta de sororidade é proporcional ao nível de violência machista. Acaso? Duvido, e Helena também.

Me choca também o desligamento do conhecimento acadêmico e da elite intelectual com o povo, às necessidades reais da sociedade e capacidade de comunicação bastante desgastada, se é que algum dia ela existiu de fato, entre os grupos. Seja quando ela relata a própria experiência acadêmica e a relação de desaprovação de seu trabalho em comparação inversa com a apreciação do público em geral pelo seu trabalho publicado. Seja entre os militantes partidários de esquerda bem estudados e os trabalhadores sofrendo as violências diárias nas fábricas. Seja entre o discurso do “bom moço” e suas ações práticas no trato com as mulheres.

Então, o que aprendi com Helena é que a vida é uma saga onde ninguém é herói, onde alguns conseguem tudo com pouco esforço, por nascimento ou influência e outros perdem sistematicamente tudo o que conseguem com muito esforço. Mas que no final, nem isso importa. Que se queremos algo devemos fazer nós mesmos, e que família são os amigos que construímos no caminho, assim mesmo dadas proporções. E que em meio a toda essa vasta solidão, basta amarmos a nós mesmas e seguir confiante. O não já temos, então por que tanto medo de tentar o sim?

Obrigada, Helena!

 

Road trip de Julho – parte 4 – De Volta pra Casa

Veneza foi o ponto mais distante que visitamos. Esse post engloba o que foi praticamente uma viagem de volta. Eu pessoalmente sou muito fã de roteiros circulares, já que é possível aproveitar muito mais. Então nosso plano englobou a volta por outro caminho, ampliando bastante o que tivemos chance de conhecer. Vamos à viagem!

Dormimos duas noites no camping próximo de Veneza, e o dia que passamos ali reservamos inteiramente para a Sereníssima. Não andamos o dia todo na cidade, claro, ficamos um bom tempo descansando no camping e revisando mapas, além de sofrer com o calor, claro! Este camping era especialmente lotado, com divisões de parcelas (o espaço para cada grupo) muito apertadas, para maximizar a capacidade. O resultado disso foi muito barulho e banheiros muito cheios (apesar de não sujos) e sem papel disponível (sempre, sempre leve o seu!). O público do camping também não ajudou, sendo composto de muitos jovens, o que aumenta a tendência para gritaria e músicas altas, quase sempre de péssima qualidade. Se vocês desejam tranquilidade, busquem campings familiares!

Para sair do camping e chegar na cidade foi um sufoco. Veneza é um local de acesso muito difícil, ainda mais caso se queira levar um cachorro. Tentamos pegar um ônibus, mas como qualquer coisa na Itália, o processo é tão complicado que é melhor evitar (o bilhete tinha que ser comprado anteriormente, mas não havia onde comprá-lo). Resolvemos ir de carro, mesmo sabendo que seríamos roubados pelo estacionamento. E de fato fomos, pagamos 18 euros por 3h nas ilhas… Do estacionamentos seguimos a pé até a Piazalle Roma, onde começa a Veneza de fato. Tínhamos um mapa e queríamos chegar na Piazza San Marco, passando pela ponte Rialto. Mas andar pela cidade provou-se um grande desafio, mesmo com, ou por causa de, as placas que indicavam o caminho da maneira mais imprecisa possível. A cidade conta com uma quantidade absurda de becos, turistas e lojas caras, tudo junto. Muitas vezes a velocidade de caminhada não passa do equivalente de uma procissão, e encontramos muitos locais em que a mesma direção era apontada em caminhos opostos pela sinalização. Depois de algum sofrimento, chegamos na ponte Rialto, e nos arrependemos. A própria ponte possui lojas sobre ela e o que parece ser um destacamento permanente de madames revestidas de roupas de marca bloqueia a passagem. Depois de algum tempo, alcançamos a Piazza San Marco. De lá seguimos por uma rua que contorna o sul de Veneza, aberta para o mar por algum tempo. Mas logo não aguentamos o calor e nos embrenhamos novamente para dentro das vielas. A vantagem de ter passado a Piazza é que a quantidade de turistas diminuiu bruscamente, e então podemos aproveitar melhor o passeio. Também achamos uma fonte, e com isso acabamos nos molhando inteiros para nos refrescar (inclusive o Picot!). Dali, o passeio se tornou mais agradável. Seguimos até próximo do Arsenal, onde assumimos que estávamos cansados e resolvemos voltar. Acho que andamos coisa de 10km, sob calor intenso (nosso ponto fraco!).

Passando para nossas impressões da cidade, devo dizer que foi melhor do que o esperado. A quantidade de pessoas não é algo que seja possível culpá-la, claro, mas os prédios comuns não estão bem conservados, mesmo cada lugar ali custando uma fortuna, nós vimos em imobiliárias locais (a gente adora isso!). Mas de maneira geral a cidade é bastante única, com uma história muito rica. A Piazza San Marco é incrivelmente grande, o que eu não esperava, e muitíssimo bem trabalhada. Uma somatória de prédios importantes no local deve dar para os arquitetos um espetáculo a parte, mas eu como leigo só posso admirar a riqueza de detalhes e luxo, sem consideração pelos estilos. Tanto a catedral como o palácio do Duque são dignas do poder comercial que foi a cidade, definitivamente. Uma vantagem intrínseca da cidade é a ausência de carros. Isso iguala todos os turistas, democratizando o acesso e ampliando o compartilhamento dos espaços. E principalmente, a cidade não fede, como dizem as más línguas. De maneira geral, vale a visita, mas muito cuidado para a síndrome de Paris não se estender para Veneza!

Na manhã seguinte, depois de resolvermos um sumiço de passaporte que o camping mantém como refém quando você se hospeda e depois não sabe onde guardou, seguimos para oeste, na direção de casa! Passamos rapidamente por Pádua (pedido meu, por questões familiares), somente para perceber que não havia nada para se ver na cidade além da Basílica de Santo Antônio. Mas eu fiquei feliz de ter descoberto que o nome do lugar, e consequentemente o meu, vem da antiga vila de Patavium, anterior até ao domínio romano.

Seguimos para Milão, onde chegamos ainda cedo. Aqui gastamos mais tempo, primeiro rodando seu Parco Sempione e o Castello Sforzesco, depois andando até a Catedral. Como outros locais, esse eu já conhecia, mas achei que valia a pena uma segunda visita, além de levar a Ju até um ponto em que eu garantia que valia a pena! O Parque é bastante amplo e bem cuidado e o Castelo permite a visita de muitas áreas de maneira gratuita, além de ser um excelente exemplar de construção militar antiga. A cidade prova que continua sendo o destaque econômico no vale do Pó por seu tamanho, pela qualidade dos espaços públicos e pelo nível de suas construções. Na cidade, a maioria dos locais são bem preservados e cuidados, limpos e bem planejados. Eu acho uma cidade muito boa para se passar algum tempo caminhando a esmo, já que isso sempre te levará a algum lugar agradável e bonito.

De Milão fizemos o que deveria ser uma volta rápida pela cidade de Como, para que a Ju visse pelo menos uma parte de um lago na beira dos Alpes. A cidade em si foi tranquila de passar, apesar das ruas estreitas. O problema foi na volta, quando eu errei feio o caminho por ter acreditado nas placas e acabamos perdendo um tempo precioso indo para lugar nenhum… Eventualmente nos encontramos e seguimos a estrada para Aosta. Aqui neste caminho tivemos uma surpresa desagradável. Vimos uma placa que indicava um castelo próximo da estrada, inclusive o próprio castelo era visível e muito, muito bonito. Ficamos um tanto excitados com a ideia de visitá-lo mas, depois de muitas voltas em estradinhas confusas, e de pagar muitos pedágios, chegamos lá só para descobrir que hoje ele é um restaurante ultra-chique e a visitação é proibida. Minha vontade era arrancar todas as placas no caminho, para que ninguém mais fosse enganado como nós fomos… Saindo do “castelo” entramos logo no Vale de Aosta.

Depois de mais um erro de navegação nos custando um bom tempo, no qual a Ju empatou o placar de erros comigo, encontramos a pequena estrada que levava para o nosso camping. O problema é que parecia que todos os italianos resolveram subi-la ao mesmo tempo, e pegamos um transito absurdo por entre pequenas vilas de montanha. Apesar da desordem da estrada, aqui temos que admitir que a paisagem era deslumbrante, tendo até vista para montanhas com neve eterna dos alpes. As montanhas e vales dos Alpes italianos são bem diferentes do que estamos acostumados nos Pirineus, com formatos mais acentuados e rios mais caudalosos. Ou pelo menos foi o que eu senti. Pudemos aqui aproveitar uma noite de frio, além de conhecer um canto da Itália que mais parecia a Alemanha, inclusive com um dialeto que se assemelhava a línguas germânicas.

No dia seguinte, saimos cedo e tivemos nossa penúltima decepção com a Itália no pedágio de fronteira, que custava 45 euros! O rapaz que trabalhava ali, vendo minha indignação, me indicou outro caminho, por sobre os alpes. Voltamos na estrada e tivemos a última decepção quando depois de uma curva abrupta a estrada bifurcava, não dando tempo ao motorista de escolher o lado que seguir caso não soubesse disso de antemão (claro que não havia placas antes). Rodamos por mais de uma hora para fazer o retorno e desembolsamos mais 7 euros de pedágio. Por fim, acertamos a estrada e passamos pelo Col du Saint Bernard e descemos as montanhas em direção de Bourg Saint Maurice. O ponto importante aqui é que planejávamos visitar Chamonix e o Mont Blanc, mas não havia rota não pedagiada naquela direção. Resultado é que alteramos nosso caminho para não gastar todo nosso dinheiro no pedágio, mas acabamos tendo boas surpresas do “lado pobre” dos alpes.

Bourg Saint Maurice é uma cidade de montanha francesa bem parecida com as dos Pirineus. Muito simpática e simples. Aproveitamos a visita para reabastecer suprimentos. No inverno a região deve ficar tumultuada com o turismo de esqui, imagino eu, pela quantidade de lojas de turismo fechadas. Dali seguimos para Annecy, onde aproveitamos as belezas de um lago de um azul cristalino junto as montanhas e enfrentamos um trânsito bastante parado e agressivo. Seguimos direto para Lyon, onde só cruzamos a cidade de carro, gastando tempo até demais no caminho, e seguimos a estrada até Brive la Gaillarde, atravessando um imenso vazio demográfico no meio da França. Chegamos tão tarde no camping e saímos tão cedo que o atendente da recepção se recusou a cobrar nossa estadia!

Nossa última cidade visitada foi Rocamadour, um casarão sobre um penhasco, com a cidade e a igreja construída na encosta mais abaixo. O local é fortemente frequentado por católicos, como uma peregrinação, mas eles são extremamente simpáticos com turistas e suas igrejas ficam permanentemente abertas para visitação gratuita. O cenário de pedra, com uma dose imensa de verticalidade, impressiona bastante. Mesmo cansados da viagem toda, tendo dirigido por dezenas de horas em poucos dias e tendo visto muitos locais únicos, Rocamadour foi uma agradável surpresa para terminarmos bem. É um daqueles locais que as fotos não são muito aprimoradas ou tiradas de um jeito específico para ficarem boas, o lugar é exatamente aquilo que a foto mostra! Saindo dali, pegamos o caminho inteiro até a Catalunha, onde a Ju já ficou em Puigcerdà para pegar o trem para Barcelona e resolver algumas burocracias, enquanto eu vim para casa com o Picot. Ufa!

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Como prometido, farei uma relação de lugares da Itália que visitamos e outros locais mais bonitos e provavelmente mais baratos e acessíveis que são equivalentes. Isso por causa da chuva de críticas que fiz ao país, me sentindo na obrigação de dar alguma alternativa. Listei somente cidades que eu visitei.

Cinque Terre – No texto eu já disse que Paraty ou Trindade são melhores, mas uma opção européia é Cadaqués, com uma beleza natural e de construções superiores, um bom atrativo artístico com a presença forte de Dalí e ainda com crema catalana! (um crème brulée local)

Lucca – Apesar de seus muros convertidos em um parque serem especiais, esse talvez seja o único atrativo real da cidade. Carcassone também é murada, e ainda é fácil encontrar crepes de Nutella. Toledo ou Girona também são muradas e valem uma visita.

Pisa – Quer ver uma torre bem construída, com riqueza de detalhes, num local deslumbrante e que não entorta porque foi bem planejada? Vá para Lisboa e aproveite a Torre de Belém, aproveite para comer muitos doces portugueses!

Florença – Essa não tem substituição, admito.

Veneza – Apesar de bastante única, seu estilo não muda tanto assim de Amsterdã. Bruges também tem lindos canais, além de bons chocolates.

Gênova – A história de Gênova não pode ser substituída, mas no quesito agradabilidade e estilo, volto a sugerir Lisboa, outro porto importante com um destaque na época moderna. Também Londres, apesar de importante em diversos momentos, se superou na idade moderna e sua navegação, apesar de fluvial, foi de extrema importância.

Milão – Apesar de eu gostar muito dessa cidade, seu castelo não é melhor que o de Carcassone. Mantido o mesmo estilo, temos o de Perpignan também, feito de tijolinhos e com um grande pátio interno.

Vale de Aosta – Quando o assunto é montanha, eu sou um forte defensor dos Pirineus. O esquecido Val d’Aran é mais acessível (seu túnel não tem pedágio), mais tranquilo e incrivelmente bonito (vale conferir o post que fizemos!).

Acho que é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da viagem, e se precisarem de dicas, estamos sempre à disposição!

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Annecy (França)

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Annecy (França)

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Lion (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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