Balzac

**Spoiler alert**

Geralmente faço referências difusas em meus reflexos, mas hoje receio citar a frase final de um livro, então, embora não seja novidade e nem capítulo da última série do momento, aviso, para aqueles que preferirem não ler o texto sem ter lido o livro.

Foi no ônibus. Embora seja final de setembro, em São Paulo ainda faz frio. Mas hoje fazia sol, apesar do vento cortante. Quem me lê com frequência sabe como aprendi a amar os poucos e raros dias frios porém ensolarados de SP. São meus novos dias preferidos. E acabo lendo muito no ônibus, melhor jeito que encontrei de lidar com as horas de trânsito dessa cidade. Minha combinação de fone de ouvido anti-ruído + músicas preferidas + livro me transporta para um mundo paralelo e me tira do caos e do stress dessa vida excessivamente urbana.

A trilha hoje era Travis. Estava lendo em português, e para não me distrair sempre inverto o idioma da música com o da leitura, ou ouço instrumentais enquanto leio. O cheiro que me invadia era o dos meus próprios sapatos, botas de chuva da Melissa, pois apesar da tarde ensolarada o dia amanheceu fechado. O sol na nuca, refletido do livro, a música e o cheiro de plástico foram meus companheiros das últimas páginas dessa leitura: A Mulher de Trinta Anos.

Uma gestação. Nove meses. O livro foi adquirido em dezembro de 2015, quando fui a Brasília no fim do ano, para as logo antes das festas. Agora em vinte e poucos de setembro, com os nove meses completos, eis que minha saga chegou ao fim, terminei a leitura. Não pense que demorei tudo isso para ler. Li em cerca de 5 ou 7 dias. O total que consegui em 9 meses dedicar para essa leitura tão pessoal. A vida não é mais a dos meus 13 anos, quando lia 30 livros em 9 meses por gosto. Aos quase 30, devo tempo à vida, enquanto mais um ano se passa.

Mais alguns dias e serei balzaquiana. Já que assim a vida é, e que já compartilhamos tantos verões, decidi lê-lo. O livro é um belo retrato de sua época, ilustrado por alguém muito à frente de seu tempo. Pensando no que era o papel da mulher no século XIX, ler a palavras de um homem que nos admirava e que escreveu uma personagem forte e sofrida, mas com empatia pelo seu sofrimento, é, na minha opinião, algo digno de nota.

De certa maneira me lembrou Chico Buarque, com sua capacidade incrível de ter eu líricos tão distintos e que expressam sentimentos coletivos tão bem. De certa maneira me lembrou Clarice Lispector, com suas personagens introspectivas, que vivem mil infernos enquanto compram ovos para a família. Pensando assim, a mulher do século XIX e a do XX mudaram a roupa e a roupagem, mas nem sempre o sentimento. Acho que a do século XXI está começando a mudar. Sou filha do século passado, da transição entre séculos, mas acho que as filhas desse século já estão mudando mais ainda.

Parei a 3 páginas do fim. Olhei a passagem, tive meu cheiro de Melissa brevemente suplantado pelo fedor do Rio Pinheiros enquanto o ônibus cruzava a marginal. O sol baixando. Uma pausa dramática? A vontade de prolongar os últimos momentos? Não. Apenas muitas reflexões. Eu sou daquelas que demora para entrar nos livros às vezes. Alguns me ganham na primeira página, outros só no terço final. Esse são os que gasto 4 meses para ler o primeiro capítulo, 1 mês para ler os capítulos todos até o meio e 3 dias para terminar. Balzac foi assim. Um pouco pior.

A literatura é definitivamente uma conversa. Nunca um livro é igual para duas pessoas diferentes, ou a mesma pessoa em duas épocas da vida, porque somo pessoas diferentes. E eu quis conversar com Balzac nessa virada para meus trinta anos, porque queria conversar com Balzac nos mesmos termos. Já fui Julie, já fui Juju. Talvez seja sra. d’Aiglemont, ou senhora Marra algum dia. Hoje conversamos de Jurema para Juliette. De Jurema para Hélene. De Jurema para Moina.

Em outro dia, um dia cinza, num outro ônibus da mesma linha, cheguei a sublinhar em caneta laranja as passagens mais significativas sobre a Juliette. Aquelas que estou segura são as mais conhecidas. Aquelas nas quais Balzac descreve e define a mulher de trinta anos. São passagens bonitas. Passagens que mostram uma Juliette com a qual a Jurema certamente conversa. Hoje, posso completar meus trinta verões segura de que compreendo Balzac. Certamente a mulher de trinta anos que sou partilha da força e da superação da inocência tal qual a balzaquiana:

“{…} porque nessa bela idade de trinta anos, auge poético da vida das mulheres, elas podem abarcar todo o seu curso, tanto passado como futuro. As mulheres conhecem então todo o preço do amor, do qual desfrutam com o temor de perdê-lo: então sua alma ainda tem a beleza da juventude que as abandona, e sua paixão vai se fortalecendo sempre com um futuro que as apavora”.

Mais como a literatura é uma conversa única e pessoal, a parte que mais conversamos sobre, Balzac e eu, não foi sobre a mulher de trinta anos. Nisso concordamos, dado as diferenças de contexto histórico e sócio-cultural, e seguimos em frente. Paramos para filosofar na frase final. E aqui entra o grande spoiler, meus caros.

“- Perdi minha mãe!”

Foi aqui, na última frase do livro, que ele foi inteiramente resinificado, foi aqui, na última página, que nossa longa conversa começou. Foi aqui, onde a vida de Julie acabou, que a Jurema se viu. Não na Moina. A Moina é ainda a jovem, a mulher, talvez, de vinte anos. Eu provavelmente já fui um pouco Moina, e juntas perdemos nossas mães. Inclusive porque quando a perdi não era ainda a Jurema de trinta anos. A Jurema nasceu exatamente do luto. A Jurema conversa com Balzac depois que o livro acaba.

Claro que os trechos como “Suas dores secretas pairam sempre sobre sua alegria artificial como uma nuvem leve que esconde imperfeitamente o sol”, já estavam grifados em caneta laranja antes do fim, bem como “Será a tristeza, será a felicidade que confere à mulher de trinta anos, à mulher feliz ou infeliz, o segredo da presença eloquente?”. Jurema e Balzac já estavam conversando sobre a tristeza e a felicidade bem antes do fim. E embora a Jurema tenha tido lá suas dores de amores, elas foram pequenas perto das dores da perda, da morte, da ausência e da saudade, então esse diálogo, desde o começo, tinha um quê de unilateral, só para ao final se descobrir compreendido.

Baixando o livro de novo e contemplando o já quase pôr-do-sol, pensei nas minhas mulheres. Eu sou filha de uma mulher de trinta anos. Nasci nesse período. Venho de alguém que já tinha suas dores e decepções. Crescemos juntas. Na verdade, passamos pela perda da mãe juntas três vezes, pois venho de uma família matriarcal, onde mães e filhas muito compartilham. A primeira morte que vivi foi a da minha bisa, Vó Santinha, aos doze, e vi os efeitos aterradores que se abateram sobre minha vó, senhora soberana de nossa casa e família. Foi a primeira vez que acompanhei um enterro, e que vivi um luto dentro de casa. Minha festa de 13 foi cancela, e virou festa surpresa na casa de amigas.

Aos 23 vivi o luto da minha avó, e ouvi da boca da minha mãe a frase final de Balzac. Foi um período intenso. Desde a morte do meu avô, vivemos as três em casa, já três adultas, a de 20, a de 50, e a de 80. Foi uma convivência muito intensa. Com todos os trinta anos que separavam cada uma de nós, uma da outra. Se eu sou filha de uma mulher de trinta anos, minha mãe também foi. E essa diferença nos fez amigas ao longo das gerações, embora impossibilitadas de entender as dores de cada uma.

Tenho desse período da nossa vida a três memórias muito doces e memórias muito amargas. As brigas foram privadas e doloridas. As acusações cruéis. As dores reveladas, foram aquelas que elas nunca tinham revelado para ninguém. E apesar dos nossos duplos trinta anos de diferença conversamos sobre homens, sobre sexo, sobre amor, sobre casamento, sobre aborto, sobre liberdade, como nunca antes. Sem filtros, sem amarras. Às vezes com muito ódio, às vezes com muita dor. Naquele período eu conheci mulheres. Eu vi a face que não era da mãe e muito menos da avó. Eu conheci dores para as quais ainda não estava preparada.

Olhei para cima para os olhos beberem as lágrimas que os olhos marejados ameaçavam derramar em pleno ônibus e pedi perdão àquelas mulheres fortes que me criaram. Eu, com a inocência e a intolerância dos meus vinte anos não soube respeitar, admirar e compreender suficientemente suas dores. Fui Moina. Fui até Helene. Espero que elas saibam. Sei que no fundo sabem, pois eu é que nunca tinha sido uma mulher de trinta, e ainda não sou de 50 ou 80, elas já tinham sido mulheres de 20 anos. E nos momentos mãe e avó, me amaram e me perdoaram. Mas guardo na alma os momentos mulher, em que apenas nos odiamos, ameaçamos, machucamos.

Hoje, se tenho algo com que conversar com Balzac é sobre essa dor. A dor da incompreensão entre as mulheres de distintas gerações. Queria tê-las hoje vivas para dizer que começo a compreender. Mas tudo que posso dizer para Balzac hoje, é que perdi minha mãe. Faço o compromisso de reler aos 50, para conversarmos de novo, sobre Bia, sobre Zilah, sobre a senhora d’Aiglemont. E quiçá aos 80, quando nem Balzac mais me compreenderá. A única certeza é que a perda me ensinou muito. Principalmente sobre essa incompreensão.

Não sei se conseguirei conversar com o devido respeito, admiração e dedicação com as mulheres de outras gerações de seus 30 a mais, mas certamente conseguirei conversar com as de 30 a menos, alunas, sobrinhas, amigas, e perceber que se elas não me compreendem, pelo menos não precisam me perder por isso. Assim, espero, Balzac. Ou que no momento inevitável da perda, tenham pelo menos seus 30 anos, e que comecem a compreender.

Dos elogios feitos à mulher de 30 anos nada tenho a agradecer, nem reconhecer. No máximo concordar. Coloco meu pé nos 30 com a certeza de me sentir plena e feliz, embora sinta a exata sensação da felicidade sendo o sol, e das minhas dores sendo as leves nuvens, que perpassam os olhos em breves momentos do dia, às vezes chovendo nas noites, calada. Não sofro mais do que devo e me considero uma mulher livre, independente e muito feliz. Mas uma mulher não chega aos 30 anos sem conhecer pelo menos uma dor, nisso, concordamos, Balzac e eu. O peso que cada uma decide dar a essas dores, contudo, varia. A Jurema sugere que a mulher de 30, embora conhecedora das dores, seja leve, e livre.

Bem vindos, trinta! ❤

Spiritual

Faz tempo que não entro aqui. Faz tempo que não me escuto. Ocupada? Sim. Mas é mais que isso, é uma agitação e uma ansiedade que me fazem evitar o contato íntimo com a minha alma. Semana passada ouvi de uma amiga e professora, uma frase que ouvia da minha mãe com alguma frequência: “Ju, você precisa prestar mais atenção na respiração!”. É incrível como quando me abalo o que primeiro sofre é a respiração. Fico desequilibrada, desconectada, física, emocional e mentalmente.

Nas últimas semanas o tempo passou, e eu não. Ou eu passei, e o tempo não. Parece que eu e o tempo estamos desencaixados, descompassados. Ele não sobra, mas também não falta, e ainda assim não consigo cumpri-lo, cumprimenta-lo, olha-lo nos olhos. Estamos em vibrações diferentes. O desejo de dormir, de apagar, de vê-lo passar sem minha participação, aumenta.

Mas quando isso acontece nos distanciamos cada vez mais, fico fora do eixo, fora de mim, fora do tempo. Hoje isso chegou num pico. Percebo meu desequilíbrio. Tive vários pesadelos. Chorei algumas vezes, por cada besteira, ao longo do dia. Agora mesmo sinto meus olhos marejarem e as letras na tela embaçam por alguns segundos. Bebo mais um gole do chá, canela e gengibre, e volto a enxergar.

E o que há de errado, você me pergunta? E eu te digo, nada! E eu me pergunto, o que há de errado, Jurema? E me respondo: o mundo! Decepções, ansiedades, prazos, a loucura das pessoas. Existe algo de muito libertador em trabalhar de casa, estudar, fazer seu horário. E existe algo de muito tedioso, brochante e carregado em expectativas frustradas e ansiedades em escrever e reescrever o mesmo texto por dois anos. Em marcar e ter aulas particulares desmarcadas, em planejar breves viagens de fim de semana e ver a chuva cair, e a mochila voltar pro armário intacta, em fazer planos e eles serem esmagados pelo dia-a-dia inescrupuloso da vida na cidade grande, a cidade que não dorme, onde ninguém tem tempo, ninguém se vê, e um simples café é remarcado 3 ou 4 vezes antes de dar certo, se é que vai dar.

O celular vibra, incessantemente, 24h por dia, 7 dias na semana. Quantas mensagens e ligações são de fato, mensagens para você? Amigos, conversas, familiares? 2 ou 3 talvez, em uma semana boa. Trabalho, negócios, prazos, congressos, eventos, discussões nulas, negociações, preços, consultas, essas ocupam as outras horas todas. Mais uma vibrada, e eis que às vezes são familiares ou amigos de verdade. Pontos de luz. Problemas que se destravam, amizades que se renovam.

Alguns dias são tranquilos, e estar em casa é estar em paz. Alguns dias são angustiantes. Alguns dias são tristes e chuvosos. Alguns dias são de picnic no parque e caminhadas que renovam o amor pela vida. O chá, sempre fiel, ajuda. E a música, essa cura, resolve, acalma a respiração, me traz pro eixo de novo. Se escrevo isso agora é só porque fiz uso do meu remédio preferido, acabei de ouvir Beyonde the Missouri Sky inteirinho de novo. Mais uma vez. Só assim pra conseguir ao menos desabafar. Já compartilhei esse remédio dos anjos mil vezes com vocês. Deixo aqui de novo, novamente, sempre, e pra sempre, a música que me acalma, me traz pro eixo, de um tanto que a tenho na pele!

Que amanhã possa ser um dia de mais eu e menos mundo!

Ando tão à flor da pele

O sol bate em meu rosto. Depois de hesitar algumas vezes, verifico que o ônibus está quase vazio. Uma moça no banco do outro lado do corredor, comendo uma maçã, dois senhores na parte da frente. Um homem de terno uns três bancos à frente. Ninguém atrás. Ninguém pra me observar. Pego finalmente o celular e começo a digitar o texto. Esse é daqueles que vem me consumindo há dias, talvez semanas. Esse é daqueles que preciso cuspir. Vomitar palavras pelas pontas dos dedos. Pauso pra tirar o cabelo do rosto, observo o MIS ao lado. O sol bate gostoso, ainda é inverno e dias de sol são tão raros em SP! Essa é a combinação que me exige expor o texto agora, o sol, que alimenta a vontade de sair por aí, e a música, sempre no fone, onde o Zeca Baleiro afirma sua vontade de chorar e nesse ponto eu percebo o quanto estou à flor da pele! Não vejo novela, mas qualquer demonstração de emoção tem me feito chorar! Seja uma reunião de orientação, uma conversa com o marido (ainda é muito curioso chamá-lo assim), um e-mail, um sonho de padoca, adicionado da culpa por o ter ingerido, ou o brigadeiro negado! Tudo me faz chorar, ou pelo menos ter vontade de chorar. Sim, estou à flor da pele.
O trânsito empacou! Checo o relógio e me pergunto se chegarei na USP a tempo de tudo o que preciso. Não aguento mais precisar tanto de tantas coisas. Como diz o Zeca na minha orelha, não preciso de muito dinheiro, Graças a Deus! Mas cumpro meus compromissos, e agora são 4 meses pela frente de compromisso! Amanhã defendo a quali! Estou mais calma do que esperava. Só torço para não chorar! Essa flor da pele toda me complica muito às vezes!
As passagens estão compradas! Vou ficar quase um mês longe do meu amor, o que aperta o coração com antecedência! Mas vou ficar sabe-se lá quanto tempo longe de todo o resto. E isso aperta mais a boca do estômago do que o coração. Ansiedade! Vontade de ir logo! E ao mesmo tempo aquela expectativa adiantada.
Não é a primeira vez que vou! Longe disso! Sei bem, desde os 11 anos de idade, depois reforçado aos 15, que uma vez que essa mosquinha da viagem pica a gente, já era. É uma doença pra vida. Chega uma mensagem. Paro para responder. É justamente ele, pedindo informações sobre documentos que estamos organizando para as burocracias. That’s it! Agora é diferente. Por vários motivos. Vou sem saber de muita coisa. Quase sem certezas! Mas não vou só! Como a vida da voltas. Já fui várias vezes e todas com a estadia, a volta, todos os detalhes nas mãos. Mas geralmente sozinha. Às vezes até tinha um grupo, mas o sentimento foi encarado só. Nem todos nos grupos são picados pela mosquinha da viagem. Nem todos voltam sem saber seu lugar no mundo, pelo contrário. Para alguns ir mostra exatamente qual o lugar que esse ser de insere, seja aqui ou lá. Alguns são nômades, aliens, E.T.s, peças sem quebra-cabeça. Às vezes acho que quebrei uma parte da minha peça e por isso não me encaixo em lugar algum. Depois lembro que não foi um acidente, fui criada assim. Nessas horas sou Mafalda.
Paro pra pegar um mini Halls cereja sem açúcar. Ainda estamos no trânsito. Essa cidade me envolveu de uma forma inexplicável, viciante, encantadora e desesperadora ao mesmo tempo. Às vezes só quero fugir, ir embora, não ter que enfrentar o trânsito, as horas no ônibus cheio, os preços altos, a pressão inerente à tal da “locomotiva do país”. Às vezes tenho medo desse lugar e das pessoas daqui. Às vezes amo! Amo todas as padocas portuguesas com PFs em toda esquina. Os salgados veganos espelhados por aí aos montes, os casarões velhos, os museus, as exposições, o centro, os imigrantes, os refugiados, a miríade de línguas ouvidas numa volta pra casa de 15 min a pé passando pela Paulista, e, principalmente as pessoas. Amo as pessoas desse lugar! Pessoas inteligentíssimas que conheci aqui, gente com muito amor pra compartilhar, dispostos a ser família um dos outros, já que tantos nesse caos urbano deixaram suas famílias pra trás. Os serviços bem prestados. A Augusta cheia na hora de voltar pra casa a pé à meia noite sem medo!
São tantas sensações! Às vezes não consigo lidar! Bate um sono! Uma preguiça, uma vontade de chorar, um amor, uma liberdade, um medo.
Daqui a pouco o ônibus chega e as palavras ainda não saíram todas. Talvez tenha que acabar de escrever depois. E aí já não sei se as palavras vão colaborar.
Hoje me peguei pensando enquanto fazia o almoço “amanhã é a quali, será que minha mãe vai querer assistir…” E nem consegui terminar o pensamento. Às vezes eu ainda esqueço. Mesmo que seja por 1 segundo. E aí tem as emoções. Sabe, a parte mais importante de ter emoções e poder compartilha-las! E por mais que eu tenha um companheiro maravilhoso, amigos incríveis, uma família unida, tenha acesso frequente a todos graças a tecnologia, e além de tudo o blog, pra compartilhar com o mundo, ainda assim faz falta. Não ter minha mãe, meus avós, meu pai. E os momentos mais felizes são aqueles que projetam as sombras mais longas. No dia-a-dia já nem penso. E quando penso é leve. Tranquilo. Mas nesses meses tenho sentido uma falta que não dói, não gera choro de desespero, é só uma ausência tão presente! E entre uma feira e outra, um almoço e outro, uma aula e outra, a ausência está lá, ao meu lado. Mostrando toda sua falta! E quando recebo um abraço, um elogio, ou uma crítica, vem as lágrimas, tão à flor da pele. Bom, cheguei, melhor guardar o celular e descer do ônibus. Deu tempo, e agora não tenho tempo pras minhas flores e peles. Elas ficam pro próximo devaneio. Pro próximo dia de sol, pra próxima vez que ouvir Cássia Eller, cantando 1 de julho e acrescentando o “meu Chicao” depois de “meu amor”! Só sei que meu desejo é tão grande que nem sei o que. Flores pra nós!

(*texto de 04/08/16, que tava entalado até hoje no celular, eu na dúvida se publicava ou não, por isso o blog acabou sem post na última terça. Ficou pra hoje. Dia de sol e sombras longas. Feliz dia dos Pais ❤ !)

(Vídeos: Ando tão à Flor da Pele – Zeca Baleiro;  1 de Julho – Cássia Eller – acústico MTV)

Chá

Eu amo chá! ❤

cha + chaleira

Pouso a xícara e venho escrever esse parágrafo. Aqui minhas reminiscências são expostas por sua matéria-prima, seu combustível básico, o meu chá diário. Se tem algo que não dispenso é o chá. Então resolvi compartilhar um pouco com vocês sobre essa paixão. Afinal, beber chá é mais do que só beber algo, é um ritual. Meu dia começa com a água na chaleira. O fato de ter que esperar ela ferver, enquanto seleciono o sabor e preparo os infusores, depois de colocar a água, ter que esperar o chá ficar pronto, depois esperar esfriar, faz com que não seja um ato desconectado, só servir e beber, o chá exige atenção e um tempo próprio. Só dele. Que ninguém apressa, nem a correria dos dias atuais. E o meu acordar vai no ritmo do chá. O dormir também. Ficar aqueles 15 min com o chá na mão, esperando a temperatura certa, é o tempo exato para acalmar a mente, desconectar. Para mim, tomar chá é também meu momento de introspecção, de pensar nos pensamentos. De me planejar para o dia, ou de revisar o dia antes de dormir. É realmente um ritual!

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Chás, tal como os chamamos em geral, são a infusão de folhas de uma planta, e suas variedades, das quais fazemos o chá preto, o verde, o branco, etc. Mas chás também podem ser resultado das infusões de outras ervas, sementes, folhas, e mesmo incluir outros processos como a fervura de raízes e cascas, ou mesmo a fermentação, como no caso do kombucha.

O que mais faço no meu dia-a-dia são as infusões de ervas, e fervura de raízes e cascas, mas às vezes faço também o chá propriamente dito, seja o verde, ou o preto, ou o mate. Chá é muito simples e gostoso, basta ferver a água e colocar sobre o famoso saquinho de chá, mas como boa apreciadora, isso é muito básico. Existem vários detalhes que permeiam a arte do chá. A primeira é nunca despejar sobre as folhas de infusão a água fervendo, o ideal é algo em torno de 95 graus celsius. Na falta de um termômetro só pra isso, deixe a água ferver, apitar a chaleira, soltar fumaça, desligue o fogo e espere cerca de 2 a 3 min antes de despejá-la sobre a infusão.

Outra dica boa é evitar os famosos saquinhos. No exterior é comum conseguirmos comprar pelo mesmo preço chás embalados em saquinhos de tule costurado, mas aqui no Brasil a regra é o saquinho de um papel fino, parecido com o do coador de café, que é colado. Para quem toma chá de vez em quando, isso não faz diferença, mas pra quem toma com frequência é bom evitar. Com a água muito quente parte dessa cola se dissolve, e com o tempo ingerimos mais dela do que seria recomendado.

Outro bom motivo é você poder fazer suas próprias combinações. Aqui em São Paulo tenho comprado minhas folhas secas na zona cerealista, mas muitas lojas de produtos naturais vendem o chá à granel ou mesmo em embalagens, mas ele vem por peso e não em saquinhos. Aí convém você ter alguns tipo de infusores em casa. Eu tenho o individual, em formato de folhas, a garrafa de vidro e o bule para duas xícaras e meia, ou quatro servidas sem ser cheias. Quando faço com gengibre e canela, em vez de usar chaleiras e bules, fervo a raiz e a casca com a água, coo e coloco em uma garrafa térmica, para ir tomando ao longo do dia.

Às vezes faço com flor de hibisco e canela, para tomar quente, ou hibisco e limão, e deixo na geladeira para esfriar, também conhecida como água de jamaica. Às vezes faço o mate cozido, bato com limão e hortelã e deixo esfriar. Nunca adoço meus chás com nada, pois prefiro puro, amo doces, mas não gosto de bebidas doces (exceção só pro chocolate-quente do inverno).

Algumas das minhas combinações preferidas incluem: cidreira + chá verde + hortelã; cidreira + camomila + hortelã, são dois ótimos digestivo. Cidreira + camomila + erva-doce é meu preferido antes de dormir e é conhecido como meu chá esquenta coração. Mate + limão + hortelã gosto frio como refresco! Hibisco + canela e gengibre + canela são meus preferidos para tomar ao longo do dia. Hibisco + limão gelado (água de jamaica) também é ótimo em dias quentes.

chás gelados

Entre os clássicos, dos que a gente já compra pronto amo o Earl Grey e Lady Grey, English Breakfast. Entre marcas amo Lipton, Twinings, Tribal Brasil, Celestial Seasonings, e os herbais da Bio2. Se algum dia você estiver em Paris, vá a Mariage Fréres, uma loja de chá incrível, com vários tipo de chás, bules, chaleiras e infusores. E eles tem um cardápio só de chás! Em São Paulo recomendo a Tea Connections. Mas a verdade é que existem poucos chá que eu não gosto! E amo experimentar as novas combinações! Isso sem falar que eles são os companheiros de leitura, trabalho e estudos perfeitos!

cha _ walden

Uma coisa que aprendi com a cultura do chá chinesa é porque as xícaras chinesas não possuem “asas”. E a dica é importante. Quando seguramos a xícara pela alça, diminuímos o contato do calor com o corpo, e assim perdemos nosso termômetro mais importante! Para saber se a bebida quente está na temperatura ideal para o consumo, sem danificar tecidos internos e nem machucar as mucosas, basta segurar a xícara com as duas mãos, sem se machucar e sem sentir necessidade de soltar. Pronto, pode beber eu chá em paz!

É sempre bom lembrar que chás possuem efeitos variados no corpo, alguns possuem cafeína, outros são diuréticos, outros termogênicos, então sempre consulte um profissional e evite tomar em quantidade exagerada. Como sempre, o bom senso imperando, dá tudo certo.

Espero que os chás consigam aquecer o coração de vocês tanto quanto o meu!

cha vidro

 

Barcelona and more

Nossa trilha. Minha trilha. Para variar, começou com Skank, e todo o clima bom, de férias, de verão, de Barceloneta, que o Velocia me trouxe, antes mesmo de sair do Brasil. Depois passamos pelas longas distâncias, enquanto descobrindo as proximidades incríveis que parecem até de outras vidas. Vieram as cidades novas para mim, e agora virão para você também. E a cada passo vamos construindo esse caminho eterno. E não se engane, eu sempre registro nossa trilha e posso contar nossa história por meio da música, afinal, “os poetas não dizem nada que eu não possa dizer”, mas dizem com muito mais ritmo!

Para quem quiser ouvir nossa história, tem link da playlist no spotify, mas vou colocar os nomes e artistas, para quem preferir seguir de outras formas:

 

 

Aniversário – Skank (Velocia)

 

Everybody’s Free (To Wear Sunscream, Class 99′) – (Romeo and Juliet Soundtrack/ Baz Luhrmann Films)

 

Alexia – Skank (Velocia)

 

Ali – Skank (Ao Vivo MTV)

 

Macaé – Clarice Falcão (Monomania)

De Todos os Loucos do Mundo – Clarice Falcão (Monomania)

 

O Último Por do Sol – Lenine (MTV Acústico)

Por Onde Andei – Nando Reis (Ao Vivo)

Segredos – Frejat (Amor para Recomeçar)

 

Apenas Mais Uma de Amor – Lulu Santos (Toca Lulu)

Por Enquanto – Cássia Eller (MTV Acústico)

 

Seus Passos – Skank (Carrossel)

Fica – Skank (Maquinarama)

 

Telegrama – Zeca Baleiro (Pet Shop Mundo Cão)

 

Mapa Mundi – Tiê (A Coruja e o Coração)

Fotos na Estante – Skank (Multishow ao Vivo – Skank no Mineirão)

Índios – Legião Urbana (As Quatro Estações)

João e Maria – Nara Leão e Chico Buarque (20 Grandes Sucessos de Nara Leão)

Golden Slumbers – The Beatles (Abbey Road)

Can’t Keep It Inside – Benedict Cumberbach (August: Osage County Soundtrack)

Proibida pra Mim – Zeca Baleiro (Top Hits)

Comigo – Zeca Baleiro (Top Hits)

Malandragem – Cássia Eller (MTV Acústico)

Pra Alegrar meu Dia – Tiê (A Coruja e o Coração)

Soldier of Love – Pearl Jam (Last Kiss)

Black Bird – The Beatles (The Beatles)

Seja Como For – Banda do Mar (Banda do Mar)

Cidade Nova – Banda do Mar (Banda do Mar)

Te Mereço – Tiê (A Coruja e o Coração)

Longing to Belong – Eddie Vedder (Ukulele Songs)

Só Sei Dançar com Você – Tiê (A Coruja e o Coração)

Vamo Embora – Banda do Mar (Banda do Mar)

Society – Eddie Vedder (Into The Wild Soundtrack)

 

Os vídeos não são necessariamente as mesmas versões descritas por falta de disponibilidade. Espero que consigam acessar os vídeos, e a playlist completa no Spotify, mas caso não consigam, todas as músicas são conhecidas e de fácil acesso por pesquisa simples.

 

Aproveitem e vamos celebrar a vida! ❤

 

Brownie de Nutella

Esse mês inclui entre suas comemorações o dia dos namorados. Aqui em casa temos uma regra, só existem dois tipos de presentes aceitáveis, seja de aniversário, natal, datas comemorativas em geral, ou só pra agradar mesmo: comida e viagens! Ah, ocasionalmente livros também são aceitos.

Por isso, nesse dia dos namorados voltei pra casa com algumas prendas, um queijo brie, uma Nutella e fiz um brownie especial!

Essa receita é a básica de brownie, com algumas alterações. Eu sou uma pessoa que dificilmente se adapta à rotina, e sou péssima em repetir receitas. Sempre mudo alguma coisa. Ou porque estava sem aquele ingrediente em casa, ou pra testar uma versão vegan, ou simplesmente para ver como fica de outro jeito. Às vezes minhas invenções dão certo e às vezes errado. Ontem a noite mesmo fiz uma vitamina de abacate que ficou péssima. Muito ruim mesmo. Mas tenho uma outra versão dela maravilhosa! Enfim, a gente deixa pra compartilhar as que dão certo, né!

Esse da foto foi uma versão mais tradicional de brownie, embora sem glúten, mas as alterações para deixá-lo vegano e/ou mais saudável são totalmente válidas, e, eu pessoalmente, prefiro, porque gosto do brownie mais compacto. Na lista de ingredientes e no modo de fazer vou ressaltar as variações!

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Vou explicando como fazer, e no fim coloco a lista de ingredientes e um resumo do preparo, mas para observações, em especial para as variações de ingredientes, siga o texto.

Primeiro forre uma forma com papel manteiga ou tapete de silicone e jogue as 12 colheres de café de Nutella em pelotas separadas. Pode usar pasta de amendoim, ou outras oleaginosas, inclusive existem várias opções veganas, ou você pode fazer sua própria pasta de oleaginosas, deixando umas 2 xícaras da oleaginosa (macadâmia, castanha de caju, castanha do pará, amêndoas, avelã, amendoim, ou uma mistura de duas delas) de molho e depois processando com o mínimo de água, óleo de coco e o açúcar de sua preferência, ou sem açúcar.  Independentemente da pasta que usar, faça as pelotas e coloque no congelador por 30 minutos, apenas para conseguir posteriormente enfeitar a massa com elas e também para que não derretam imediatamente no forno, ficando apenas em algumas regiões do brownie.

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Depois ligue o forno médio para ir pré-aquecendo e comece a massa.

Se for usar ovos, separe-os numa tigela a parte e bata, claras e gemas juntas, como para fazer omelete. Se for utilizar a linhaça, coloque numa tigela e cubra de água, mexa e deixe descansando para hidratar e criar a liga.

Derreta o chocolate amargo em banho maria ou no microondas (30 segundos por vez, mexendo nos intervalos). Eu usei essa marca, Divine, que é brasileira, e eles tem opções ótimas, inclusive uma de chocolate 70% sem açúcar. Usem a que preferirem. Só realmente recomendo que seja no  mínimo meio amargo.

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Adicione o óleo de coco ou a manteiga derretidos, e mexa bem com o chocolate já derretido. O meu óleo de coco tava no final e tive que fazer uma mistura com margarina, e o ideal não é misturar, mas usar apenas um dos dois. Mas até que deu certo.

Depois acrescente o melado (ou açúcar), o cacau em pó, as duas colheres de sopa de Nutella, ou outra pasta de oleaginosa, a baunilha e mexa bem. Se você estiver num lugar frio, aqueça bem essa mistura, sem ferver, para que ela fique mais líquida do que cremosa, mas não totalmente líquida.

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Misture ou os ovos batidos, ou a linhaça hidratada e com liga, nessa mistura, e mexa bem. Eu prefiro fazer toda essa parte com fué, já que não tenho batedeira, mas quem tem pode usar, e quem não tem nada pode fazer no garfo, embora aí eu recomende que você mexa bem para não empelotar.

Depois jogo os secos, a farinha de arroz (ou trigo), e o amido. E mexa muuuuito bem. Essa parte é a que as quantidades da receitas terão de ser testadas por vocês, pois tudo pode variar nesse momento de acordo com marca, opções de ingredientes, etc. A mistura não pode ficar seca. Então dependendo das farinhas que você use, coloque um pouco mais de óleo se achar necessário (eu achei na minha). Se usar a linhaça, talvez a farinha de arroz fique em grande quantidade, para essa proporção, então coloque aos poucos e vá sentindo a massa. Ela deve ficar como uma pasta cremosa e oleosa, mas não oleosa demais. O óleo não pode ser visível, mas tem que desgrudar do fundo da tigela com facilidade. Coloque o fermento e mexa suavemente para incorporar.

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Unte a forma (manteiga, margarina, ou óleo de coco). Se for antiaderente não precisa enfarinhar, só untar. Se a quantidade de óleo da massa estiver certa também não precisa enfarinhar, só untar. E despeje a massa, espalhe com a colher para cobrir o fundo todo. Eu usei uma forma pequena, então ele ficou um pouco mais alto, se usar uma muito grande ele vai ficar muito fino, então planeje bem essa parte.

Quando já estiver na forma, espalhe as colheradas de geleia de framboesa pela massa e afunde-as um pouco. Quando esquentarem vão molhar a massa um pouco mais, então o ideal é estarem envoltas por massa. Eu uso essa marca, St. Dalfour, porque é sem açúcar, eles adoçam as geleias apenas com as frutas e tâmaras. Mas pode usar a que você quiser, inclusive de fabricação caseira. Eu sugiro os sabores mais cítricos ou as frutas vermelhas, para quebrar um pouco com o chocolate todo da massa.

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Por fim, retire do congelador as pelotas de Nutella e coloque sobre a massa, afundando apenas um pouco. Como estarão mais frias, você conseguirá segurá-las com as mãos, mas não segure por muito tempo ou derreterão. Só coloque na massa.

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Vai ficar assim:

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Coloque no forno médio por 25 minutos. Se a forma for muito grande, por menos, 15 ou 20 minutos. De novo, aqui vale o bom senso e a personalização. Fornos reagem de maneiras diferentes e formas também. Use seu bom senso e vigie depois de 15 minutos. Espete com palito ou garfo, tem que sair limpo. Não deixe secar demais, brownie é bom um pouco molhado, mas não pode ficar cru. Pela própria característica dos alimentos, se você usar ovos, tende a ficar mais alto do que com linhaça e com farinhas cm glúten tende a ficar mais molhado do que com farinhas sem glúten. Leve tudo isso em consideração ao calcular o tempo no forno.

Se quiser fazer uma versão mais light, use tudo sem açúcar (o chocolate, a geleia), e adoce apenas com açúcar de coco, que tem um índice glicêmico mais baixo. Pode cortar a farinha também e deixar apenas o amido de milho. Fiz uma vez assim, com linhaça, óleo de coco, sem farinha e tudo sem açúcar, e fica muito bom, embora bem mais compacto! Aí tem que deixar pouco no forno, uns 12 minutinhos só!

Enjoy! Aqui em casa foi o maior sucesso!

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Brownie de Nutella com geleia de framboesa

Ingredientes: 

1 barra (100g) de chocolate amargo (70% ou mais, preferencialmente)

3 colheres de sopa de cacau em pó (não adoçado)

3 ovos (#vegan : 3 colheres de sopa de farinha de linhaça dourada para cada ovo)

3/4 xícara (150ml, aproximadamente) de óleo de coco em estado líquido (ou manteiga/margarina derretida) (se usar farinha de trigo, pode usar só 1/2 xícara)

3 colheres de sopa de amido de milho

3 colheres de sopa de farinha de arroz (pode usar a de trigo. Usando a de arroz ele fica sem glúten, e um pouco mais seco)

1 colher de chá de fermento (químico em pó)

1/2 xícara de café de essência de baunilha

1/2 xícara de melado de cana (pode usar açúcar mascavo ou de coco)

12 colheres de café (enfeite) + 2 colheres de sopa (massa) de Nutella (pode usar pasta de amendoim ou de outra oleaginosa)

6 colheres de café de geleia de framboesa (ou outra a sua escolha, ou nenhuma)

Modo de fazer (resumido):

Faça as pelotas de Nutella numa forma com papel manteiga e coloque no congelador por 30 min. Derreta o chocolate. Misture o cacau em pó, o óleo de coco, mais Nutella, a baunilha, o melado (e/ou açúcar), os ovos (ou linhaça), a essência de baunilha e bata bem. Adicione a farinha, o amido e mexa bem. Adicione o fermento e mexa suavemente. Coloque na forma untada e acrescente as colheres de geleia de framboesa e as pelotas de Nutella congeladas. Coloque no forno pré-aquecido por cerca de 20 minutos.

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Obs: as fotos são da minha casa e minha cozinha num dia de bagunça. Não sou chef e nem nutricionista. Não vendo alimentos. As informações obtidas não são científicas e não me comprometo a passar dietas. Apenas compartilho com vocês uma parte das coisas gostosas da minha vida!

obs 2: o passo a passo estava no dia no snapchat! Quem quiser, pode me adicionar lá! (JuMarra)

 

Phoebe

Eu sempre odiei esportes! Que frase forte, né?! Tão categórica. Tá, na verdade eu não odiava, tive um breve período de ódio, mas logo virou uma certa indiferença e mais tarde uma fuga deliberada. Mas deixa eu contar a história direito, porque estou pondo os carros na frente dos bois (será que essa minha “expressão de vó” ainda faz sentido?).

Quando eu era pequena, bem pequena, desde que consigo andar sozinha, eu ando. Eu odiava ficar em carrinhos de bebê, e tenho até uma história (previamente comentada aqui nos posts do blog) sobre quando luxei o calcanhar com dois anos recém completos e destruí o gesso em uma semana. O médico não quis por salto porque eu era muito pequena e cairia sem saber andar com o gesso e que deviam me deixar no carrinho de bebê, e eu fugia o tempo todo, obviamente, só andava e o plano do médico foi por água abaixo, enfim, esse meu pé esquerdo nunca foi meu melhor, talvez por isso.

Minha mãe tinha o hábito de fazer longas caminhadas e desde essa época eu andava com ela. Às vezes de bicicleta, outras a pé, às vezes levando o cachorro, às vezes sozinhas. Quando fiquei mais velha, às vezes voltava da escola a pé, e muitas, mas muitas vezes mesmo, economizei o dinheiro do ônibus e gastei minhas pernas mesmo. Inclusive eu sempre tinha um dinheirinho sobrando para fazer minhas vontades e minha mãe se perguntava de onde eu tirava “tanto” dinheiro, e um dos motivos era esse, vários ônibus economizados, e alguns almoços também. Eu fui dessas adolescentes que pulava café da manhã e às vezes até o almoço (infelizmente depois me enchia de besteiras à tarde).

Mas o que isso tem com os esportes, bem, vamos falar da definição de esportes daqui a pouco. Enquanto isso eu devia mencionar que sou a pessoa mais descoordenada que eu mesma conheço. Nem bater palmas no ritmo eu consigo. Não, isso não é charme. Não é para falar, “ah, que isso”! É apenas verdade. E hoje em dia eu fiz as pazes com essa ideia. Embora seres inanimados como a cadeira e o guarda-chuva insistam em me atacar, volta e meia, e eu acabe a semana cheia de hematomas que nem eu mesma sei de onde vieram. Essa semana mesmo o guarda-chuva me atacou e me tirou uma pelinha do dedo, só porque abri ele na chuva.

Essa falta de coordenação tão evidente sempre me fez ir relativamente mal em esportes, especialmente os em time. A pressão só me faz ficar ainda mais descoordenada. Meus melhores momentos são aqueles quando não tem ninguém olhando, e justamente por isso fica difícil argumentar que eu até consigo ser um pouco mais coordenada do que parece. Correr para mim sempre foi o pior. Sinônimo de tortura, de vexame, de humilhação. Eu fico vermelha, sem ar, perco o folego, às pernas vacilam, os joelhos falham, eu caio, tropeço no meu próprio pé, esbarro um joelho na panturrilha da perna oposta e me derrubo, é uma cena circense do tipo trágica. Ou melhor, é a Phoebe correndo no parque!

E isso, com toda certeza, não em fez a pessoa mais competente em esportes. E eu sempre soube disso. Eu preferia não estar no time do que ver o time sofrer as consequências pela minha presença. Além disso eu sempre odiei competição. Eu não gosto de necessariamente ganhar, embora o reconhecimento seja geralmente prazeroso (até certo ponto, também não gosto de chamar muita atenção por esse motivo). Por outro lado, eu amo jogos! Jogos de tabuleiro, brincadeiras de criança, eu me divirto muito com essa interação prazerosa e relaxada da atmosfera dos jogos, onde o mais importante e brincar. É muito frequente, quando eu jogo algo em que um, ou um time, ganhe, que, se meu adversário for muito competitivo, eu deixe ele ganhar. Só para acabar mais rápido, ou só para o outro ficar feliz, afinal de contas para mim ganhar nunca foi tão importante. Outro motivo é que eu adoro testar estratégias novas, explorar dimensões novas do jogo, mesmo que algumas pareçam suicidas a princípio, e muitas vezes eu acabe perdendo com elas mesmo, mas gosto de testar, de descobrir o porquê delas não darem certo, eu gosto de aprender, de conhecer e de entender, muito mais do que de ganhar.

Então eu me voltei para esportes solitários, e por toda minha vida escolar fiz natação. Eu amo nadar. Nunca perco uma oportunidade de me jogar na água, especialmente quando estou viajando e posso nadar em lugares novos. Já nadei do Lago Paranoá em Brasília, até o Sylvan Lake, em South Dakota. Já nadei no rio São Francisco, na nascente, em Capitólio- São Roque de Minas e nele já largo, em Petrolina, depois da represa de Paulo Afonso. Já nadei em muito mar, da praia do Porto da Barra em Salvador, à Barceloneta, em Barcelona. Só não me joguei no Loch Ness porque era janeiro e aí realmente seria uma estratégia suicida, e na vida não dá para testar os limites da mesma maneira que no jogo.

Outra paixão são as longas caminhadas! Eu amo sair por aí, com ou sem rumo, amo fazer as coisas a pé, me sinto tão independente do mundo, é tão bom, tão libertador, simplesmente sair de casa e andar e pronto, sem pensar em trânsito, nem vaga, nem garagem, nem preço. Muitas vezes saio sem carteira, às vezes nem levo o celular. Vou com a roupa do corpo, um headphone no ouvido. Me basto! Essa sensação vale tanto. Gosto tanto dela. Amo também andar em meio a natureza, em parques, serras, montanhas, trilhas, cachoeiras. O ideal é combinar a caminhada com a natação e ter a oportunidade de nadar em algum ponto da caminhada mais longa!

Mais recentemente na vida, eu descobri as técnicas corporais que compõe a parte prática da filosofia do Yôga. E amo praticá-las! Sinto falta de não fazer todos os dias. Me sinto leve, livre e dona do meu corpo. Me lembro um pouco da época que fiz circo, duas vezes uma na infância, quando aprendi a andar de perna de pau, e a fazer mil tipos de cambalhotas. A proximidade com o chão era maior. E outra na adolescência, quando de novo fiz circo, mais dessa vez a proximidade era com o ar, entre malabares, e a lira voando no alto, e o fogo cuspido distante. Hoje, praticando essas técnicas do Yôga, vario entre a proximidade com o chão e com o ar, de uma forma tão desafiadora e gostosa.

Depois de tudo isso eu descobri, eu não odeio esportes. Eu odeio competição, comparação e necessidade de me enquadrar em moldes pré-estabelecidos. Não acho que eles sejam errados, pelo contrário, os esportes precisam de regras, e o circo tem muito mais regras do que vocês imaginam, e o Yôga também. Na verdade, essas coisas ficam muito mais perigosas sem regras, e é preciso saber fazê-las, aprender a fazê-las primeiro e com calma. Mas eu não acabo com a moral do meu time se eu for descoordenada. No máximo me engasgo numa cambalhota na piscina, ou caio de uma posição. Ninguém se machuca, geralmente nem eu. Não assim. E o mais importante, eu me supero. Eu descubro novos limites e cada vez que isso acontece, eu “ganho”! Sem precisar me comparar com o outro, sem precisar ser melhor, sem ninguém precisar perder. Todos que fazem ganham. Seja ganhar um corpo mais saudável, novos amigos e colegas, ou uma vista bonita numa caminhada, o encontro com animais, o sentimento de frescor ao se jogar na água. São tantas as delícias!

E aprendi a ter um enorme prazer nas coisas que eu faço. Amo andar, amo nadar, amo praticar. Tudo assim, do meu jeito, do jeito Phoebe. Um pouco fora dos moldes. Às vezes as pessoas até ficam um pouco desconfortáveis, eu sei. Eu falo coisas sem noção às vezes, interrompo com minhas reminiscências fora de hora, falo demais numa hora e de menos em outras. Me atropelo e me perco no raciocínio, “pago altos micos” por aí. Mas juro, sou feliz! E aprendi a amar, em vez de odiar. Então sigo assim, no meu jeito Phoebe de ser. Sei que sou estranha, e isso sempre me gerou poucos amigos de verdade, embora as pessoas em geral me achem uma companhia agradável. Os meus amigos, e o namorado, sabem que eu não sou uma estranha qualquer, sou a estranha deles, e todo mundo se diverte (e às vezes se exaspera) com minha descoordenação feliz e animada. E aí? Vamos dar uma corridinha no parque? Sem medo de ser feliz, ok?!

Pão da Isadora ou Pão das Paineiras

O ano era 2002, mas podia ser também 2003 e 2004. Em 2002 estava fazendo acompanhamento psicológico, e com o passar do tempo e do desenrolar do acompanhamento, migramos das questões mais primitivas e essenciais que me levaram lá, para novas, e começamos a trabalhar com a construção da Juliana adolescente, a construção da Juliana adulta. Nesse período, que vai aí de 2002 a 2004, minha psicóloga me passava “deveres de casa” e eu possuía uma caderneta amarela onde anotava sonhos, momentos importantes, coisas que queria discutir com ela numa sessão futura e outras ideias. Nesse período começarmos a discutir o conceito de prosperidade e algumas frustrações que eu carregava advindas da carga familiar, meus planos para o futuro, a vontade de ser independe, de viajar.

Nesse período comecei alguns trabalhos de férias, e meus “bicos” de adolescente, que incluíam fabricar e vender bijuteria, lavar os carros da casa e da vizinhança, fazer as unhas de familiares, e com um troco aqui, outro ali, somados a presentes de aniversário, acabava conseguindo fazer pelo menos uma viagem de um fim de semana por ano, com a escola ou amigos, para uma cachoeira próxima, sem depender dos meus pais. Essas conquistas entravam no meu caderno de “Prosperidade” e eram debatidas nas sessões, e nesse período aprendi muito sobre como gerenciar meu orçamento próprio, fazer economias, alcançar metas e, principalmente, a difícil tarefa de precificar meus produtos e serviços.

Um belo dia cheguei na consulta e na minha caderneta da prosperidade estava escrito: “Hoje aprendi a fazer pão!”. Minha psicóloga perguntou o porquê de eu ter anotado aquilo no caderno exclusivo para a “Prosperidade” e embora não tivesse vendido nenhum pão, e aquele ato não tenha me trazido rendimentos monetários, e ainda assim eu tive, e ainda tenho, a sensação de que foi um dos atos mais prósperos que já realizei. Juntar aquelas farinhas, um pouco de água e ver ao longo de horas de trabalho, suor (vai sovar a massa na mão pra ver o que é malhação) e a paciência de esperar o pão crescer e finalmente dividi-lo com os familiares, é uma experiência extremamente próspera.

Poucos atos trazem tantos ensinamentos intrínsecos quanto fazer pão. A pedagogia Waldorf inclui o ato de fazer pão na escola e depois dividi-lo com os amigos e familiares como parte do processo de ensino, e depois de ter aprendido, eu compreendo e concordo. Existe algo mágico em saber fazer pão! Exige paciência, dedicação, determinação, e, dependendo da receita, muita gente no fim, para saborear tudo aquilo.

Em 2002 chegou minha afilhada Nathalia, e nessa época eu passava muito tempo na casa do meu irmão e da minha cunhada. A mãe dos meus sobrinhos, a Isa, é chef, cozinheira de mão cheia, e sempre foi uma pessoa muito agregadora, que teve uma papel fundamental na minha convivência com meus irmão no período da adolescência, especialmente pela diferença de idade significativa entre nós. Entre 2002 e 2004, nas tarde após a escola, ficava por lá, ajudava com os pequenos, e aprendia um pouco, um pouco sobre ser tia, um pouco sobre ser irmã.

E a fazer pão! Umas férias de julho, quando estava por lá, Nati pequena, saímos para comprar as coisas e aprendi a fazer pão. Foi com eles que dividi esse pão pela primeira vez e depois reproduzi a receita e a experiência com minha família materna, com meus amigos de infância e ao longo da vida venho reproduzindo essa experiência tão próspera e deliciosa de fazer e dividir comida com todos os que amo e tenho a oportunidade de partilhar refeições.

Nesses anos minha alimentação mudou muito, primeiro me tornei vegetariana, depois passei a ter uma preocupação maior com a escolha dos ingredientes para manter uma alimentação mais saudável e inteligente. Nesse campo das receitas pretendo compartilhar coisas novas e velhas, e a receita de pão da Isa, embora não seja a primeira, está entre as históricas.

Então vamos lá: Pão da Isadora (como eu chamo) ou  Pão das Paineiras :

Ingredientes:

* 3 tabletes de fermento biológico fresco

* 3 colheres de sopa de açúcar

* 3 ovos

* 1 colher de manteiga

* 1 copo de óleo

* 3 copos de água

* 1 e 1/2 kg de farinha de trigo

Preparo:

Misturar o fermento com o açúcar até derreter. Colocar em uma vasilha funda 1kg de farinha e o sal. Faça um buraco no centro e adicione: manteiga, óleo, ovos, água e o fermento já derretido. Ir acrescentando, aos poucos, o restante da farinha de trigo (a quantidade de trigo suficiente se dá quando a massa não grudar em suas mãos). Sovar a massa por 5 min. Deixar crescer por 1:30 hora (ou até dobrar de volume). Dividir a massa em partes e moldar os pães. Levar ao forno pré-aquecido por mais ou menos 40 minutos.

Ah, e pode rechear com o que quiser antes de assar!

(contato: isadoramarar@hotmail.com )

E a Nati (que hoje é adolescente) fazendo pão até com os pés!

 

 

Sobre as viagens

 

Sempre tive esse coração nômade, minha casa é onde está meu coração (Skank – Nômade)

 

 

Durante minha infância e adolescência viajei com certa frequência, mas para poucos destinos. Eu e minha eterna companheira, minha mãe, dona Bia, viajávamos sozinhas, e com orçamento muito limitado, por isso nosso destino de férias era sempre a casa da família de coração na Bahia. Dona Bia garantia hospedagem e umas boas férias para nós duas, entre primas e amigas, sempre tínhamos companhia.

O cheiro do cuscus amarelinho, com leite de coco tirado do pé naquela manhã, as granolas caseiras, a maresia e as histórias do interior coronelista de Dona Zelita. Assim meus dias começavam a cada férias. O cheiro das algas na praia, as pegadas de tartaruga, a descoberta dos pequenos ovos. Eu não tinha mais do que 5 anos, e falei para minha mãe, com uma certa vergonha, que ela estava precisando de um banho, ao que indignadíssima ela retrucou perguntando se eu achava que aquele cheiro vinha dela. Eu fiquei meio sem graça e assim descobri o sargaço, ou a alga que apodrece na areia.

As conchas bolachas, o salvamento das caravela, o cuidado com os ouriço e a eterna caça aos tatuís. A água de coco, o picolé de acerola, mangaba ou umbu. O suco de mangaba que prega a boca. O bolinho frito de peixe, que na época ainda fazia parte da minha alimentação, e os acarajés ao por do sol. Todos compunham os cheiros, as cores, os sons, e os sabores das minhas férias.

Confesso que a primeira vez que presenciei uma caranguejada fiquei chocada, não quis participar e fui dormir mais cedo. Aos poucos a idade e a banalidade da vida me fizeram entender que aquilo fazia parte das iguarias da praia, mas nunca consegui concordar ou gostar. Os picolés, as frutas e o coco sempre foram mais meus amigos nesse ponto.

 

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Uma das melhores partes da praia era a pouca roupa. Nunca fui muito dada às mil camadas de roupas. Até hoje amo um shortinho, e passar a infância só de calcinha de biquíni fez parte. As queimaduras de sol, o ouvido cheio de água e os machucados também. Sempre fui muito desastrada. Mas algumas das melhores lembranças que tenho são do sentimento de aventura.

 

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Hoje em dia sei que essa aventura toda tinha muito mais relação com o orçamento limitado da minha mãe do que com um estilo de vida, embora ela sempre tenha sido hippie, e preferisse deliberadamente as cabanas de praia, os bangalôs, as pousadas, as redes na varanda, o chão de areia e as miçangas aos hotéis e resorts. Ouso dizer que havia até um certo ressentimento quanto aos últimos, que geralmente isolam parte das praias como se fossem privadas e cobram pelo uso, o que a deixava louca.

Seja como for, nós pegávamos os vôos da madrugada, porque eram consideravelmente mais baratos e ela não se arriscava a ir de carro sozinha, comigo pequena e o carro velho. Dormimos muito em aeroportos. As malas eram as que sobravam do resto da família. Aqueles sacolões que hoje em dia as pessoas usam para ir à academia, cilíndricos e grandes, com alças curtas e sem estrutura, além da minha fiel mochilinha. Tive a mesma mochila dos 7 aos 28. Isso somado ao fato de que minha mãe sempre levava os próprios travesseiros, então basicamente a imagem era a de uma mulher muito magra e sem força, chutando um cilindro enorme e pesado, difícil de carregar, cheio de roupas e roupas de cama, um travesseiro embaixo do braço, e uma menina muito curiosa, que precisa(va) ir ao banheiro muuuuito mais vezes que o conveniente, de mochila, uma Barbie na mão, um boné e uma garrafa de água, chutando a “mala” toda vez que ela caía no chão. Eramos quase uma trupe de circo.

Toda essa situação fez com que eu me acostumasse desde muito nova a viajar com pouco peso, dormir em aeroportos, portos, trens e ônibus. Sempre ter meu lanche, afinal comida nesses lugares é difícil de achar, cara e pouco saudável, e essas sempre foram três preocupações da minha mãe. Creio que podemos dizer que éramos farofeiras. Que bom! Isso fez de mim uma mochileira sem frescuras!

Além dessas, quase todo ano eu ia a Pirenópolis, cantinho maravilhoso, pertinho de Brasília, onde nasci e cresci. Os banhos de cachoeira, as trilhas, as pedras escorregadias, o sol inclemente nas trilhas longas, o choque térmico entre a temperatura do ar e da água, a seca, os animais, os insetos, as picadas que doíam por dias, os encontros com macacos, cobras, araras, mil outros pássaros, borboletas azuis gigantes (das quais sempre tive medo) e as bananas para os micos. Tudo isso aprendi lá. Foram inúmeras as viagens com primos, amigos, colegas, às vezes com a escola, às vezes com algum tio, e sempre, com quem estivesse indo. Até hoje não perco uma oportunidade.

Outro dia conto pra vocês as especificidades, tipo roteiro turístico mesmo, dessas viagens e localidades. Aqui, hoje, quero só abrir esse espaço, e contar um pouco da minha trajetória de viajante. Ou como sempre, fazer minhas reminiscências! Afinal, as viagens iam além da Bahia e de Pirenópolis. Eu cresci numa casa com um jardim enorme e uma área verde maior ainda. Cheio de árvores, muitas frutíferas, tínhamos amendoeiras e abacateiros, três variedades de manga distribuídas em seis pés, quatro jabuticabeiras, limoeiro, e também pitanga, acerola, amora, ameixa amarela, fruta-do-conde, e lima. Sem falar na erva-cidreira, hortelã, orégano, tomilho e manjericão. Cenoura, alface e couve. E a babosa, hoje conhecida de forma chique como aloe.

 

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E nesse jardim incrível eu viajava diariamente. Desde muito pequena, algo como meses de idade, frequentei a piscina e o balanço, fiz minhas festas, tomei banho de mangueira, aprendi a jogar vôlei, e a nadar. Compartilhei esse paraíso com primos e amigos, e muitas vezes, sozinha, com bonecas e livros. Sempre preferi ler em cima da árvore. E tinha minha mangueira preferida, com suas mangas espadas sem fiapo, maravilhosas, de lanche da tarde.

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Li O Mundo de Sophia inteiro emaranhada nesses galhos. Chorei todas as dores da adolescência aí também. Aprendi a respeitar os ciclos da natureza e aprendi a conhecer os meus.

 

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E ela foi minha companheira por muitos anos, até os 18, quando nos mudamos dessa casa!

 

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Seja pela família maravilhosa que sempre tive e que sempre me estimulou a ir mais longe e a sair para o mundo sempre, seja pelo orçamento restrito ou pela origem hippie, seja pela curiosidade intrínseca. Acabei mochileira. Ficou o amor intenso por explorar o mundo, por ir em busca do desconhecido.

Espero poder compartilhar outras viagens aqui. Algumas conterão mais memórias, reminiscências, outras serão relatos mais práticos.

Gostaria de ressaltar que essas fotos são do meu aquivo pessoal, tirei fotos das fotos, e a opção por não editá-las e deixar como foto de foto é uma opção consciente. Como se estivesse apenas colando recortes em meu diário. Sintam-se convidados a ler um diário pessoal e a conviver com um estilo pessoal.

Não inseri créditos pois não sei quem foi o fotógrafo de todas. Algumas foram tiradas pela minha mãe, outras por mim, outras por amigos, e familiares. Alguns mais profissionais e talentosos outros menos. Bem vindos a mais uma janela do meu mundo! E vamos viajar juntos!

 

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Of Monsters and Men

Não conhecia essa banda: Of Monsters and Men, ouvi num site e essa música me cativou. Não são aquelas músicas que amo para filosofar, são as boas para correr, andar na rua abafando o som do trânsito invencível de SP, para dar uma motivação na hora da faxina, ou de cozinhar, de sair da cama e ver o dia, ainda que esteja frio ou chuvoso.

Deixo aqui só esse pequeno reflexo, com uma única música. Não, não é um Bloquinho de 3. Vamos explorar mais o blog nos próximos tempos e essa é a novidade que quero dividir com vocês.

O blog ganhará duas novas sessões: Viagens e Comidinhas!

Em ambas vocês encontrarão relatos e fotos! Em Comidinhas, de comidas que marcaram minha vida, inclusive algumas que não como mais, e receitas novas, do meu dia a dia atual, sempre muito focadas em saúde e sabor. E na de Viagens a pegada segue, fotos e relatos de viagens antigas, e as novas também. Alguns colaboradores aparecerão nessas duas sessões, uma vez que as receitas às vezes são de outras pessoas ou blogs, e é sempre muito importante dar os créditos, e nas viagens às vezes referenciarei outros blogs, ou contarei com meu companheiro de vida e de viagens para dividir as anteriores dele também, além das que fizemos e faremos juntos. Mas não se preocupem, esse continua sendo o Blog da Jurema, e só. Apenas divido minha vida com algumas pessoas, afinal, a felicidade não precisa ser clandestina!

Espero que recebam bem e gostem das novas sessões. Enquanto isso curtam um som de novidades que virão correndo!

Of Monsters and Men – Mountain Sound