Chocolate quente

Hoje vamos de receitinha básica! Já que aqui tá ficando frio, a bola da vez é o chocolate quente. A receita é tão simples e fácil que nem é receita mesmo, mas é uma delícia, cremosíssima e vegana!

Bom, vamos lá:

Ingredientes:

  •  2 xícaras de flocos grossos de aveia
  • 1 xícara de água quente ou leite vegetal de aveia (nesse caso a gente diminui meia xícara de flocos)
  • 2 colheres de sobremesa (ou 1 e 1/2 de sopa) de chocolate em pó (pode ser só cacau em pó também)
  • 1 colher de sopa rasa de açúcar mascavo (pode adoçar de outra forma ou não adoçar)
  • 1 pitada de gengibre e canela em pó (opcionais)

Preparo:

  • esquente num fervedor (ou microondas se preferir) a água ou o leite de aveia até quase ferver.
  • misture os flocos de aveia, o chocolate e o açúcar. Acrescente também a canela e gengibre caso vá utilizá-los.
  • bata com um mixer de mão ou coloque no liquidificador. A aveia, aquecida e triturada vai engrossar muito, pode acrescentar mais leite ou água quente, se quiser menos grosso. Quando começar a esfriar vai engrossar ainda mais, então deixe num ponto um pouco mais líquido do que você gostaria. Eu fiz para beber e acabei comendo de colher.

(*ps: não tem foto, porque eu comi tudo antes de conseguir pensar em escrever um post! Se eu fizer de novo esses dias – olha a desculpa – faço só para poder tirar a foto e colocar aqui).

Aproveite!

Outono

Tiro o casaco impermeável, mas fico com preguiça de tirar o gorrinho da cabeça. Passei o dia todo com as botas de caminhada nos pés, embora tenha saído só um pouco pela manhã e uma voltinha com o cachorro à noite. As meias que vinha usando já me parecem finas nos pés, oferecendo pouco volume entre meus dedos e as palmilhas, que ao caminhar esfriam rapidamente, apesar das solas grossas da bota. Ao tirar as botas os pés esfriam rápido demais, apesar das meias frias. No meia da tarde fui revirar meu saco de meias e puxar para o topo as meias grossas de inverno…

Coloco a xícara de chá na mesa. É a terceira do dia. Pela manhã tomei rooibos com framboesa. Após o almoço uma infusão de hortelã e agora à noite uma de camomila. Quando sentei para ler um pouco, no fim da tarde, me enrolei na manta peruana que mora no sofá. Conseguia sentir nos braços a na parte da baixo das canelas a diferença térmica das coxas e abdômen, aquecidos pela manta e o resto não. Ainda não é tão frio, não estou de casaco em casa, não tremo de frio sem essa roupa toda, mas a manta, o cachecol e o gorro me dão aquela relaxada extra, que só um toque morno, de carinho, de massagem, de amor, nos trazem. É outono.

Não oficialmente, ainda claro! Essa mudança oficial chega essa semana, mas o outono chegou uns dias antes, pra já ir avisando à que veio. Essa noite chegaremos a 0ºC na madrugadinha. Depois ainda vai esquentar um pouco, até o fim da semana o sol abre um pouquinho, entre nuvens, e ficaremos entre 22º e 8º, mas hoje a máxima foi 18º, com chuva fina, céu cinza. Mas não é o cinza que dói, que desanima. É o cinza mais caloroso que eu conheço. Aquele clima que faz a gente ficar feliz de estar junto, aconchegado no sofá, debaixo das cobertas! É o clima perfeito pra dormir de conchinha, pra ver filme debaixo das mantas comendo pipoca recém-feita, pra abraçar o cachorro e cochilar depois do almoço, sentindo o calor que emana de cada outro ser dentro da casa.

O outono pra mim é amor! É a estação mais calorosa! É quando estar junto é mais gostoso, mas não indispensável! No verão é quente demais para ficar tão junto, tão perto. No verão, quando o suor se mistura é por pouco tempo, e existe um calor que vem de fora, que nos faz precisar de um espaço, físico, mental e emocional para não derreter, sucumbir sob o mormaço. O inverno é quando estar junto é sobrevivência. É um tempo muito estéril, de muita reflexão, de mente solitária, ativa, afiada como o gelo sob a neve. O estar junto, quando possível, não é escolha, é necessidade. A primavera é quando a gente ganha a independência, e embora estar junto ainda não seja tão desafiador quanto durante o verão, já é possível estar longe e depois do longo inverno nada melhor que sair por aí, andar, respirar o ar fresco, e tomar o sol morno, ver as flores surgirem.

O outono não, não por acaso o mundo fica amarelo, laranja e vermelho. As luzes e as cores representam esse calor, tão humano, tão animal, tão do aconchego, tão do outono. As mãos agradecem a xícara de chá quente nas mãos, as orelhas agradecem o gorro na cabeça e os pés ficam gratos pelas meias grossas. Mas ainda não é necessidade, sobrevivência, é amor, afago, aconchego! É quando tudo fica propício para o carinho e o cafuné, uma conversa um volta da fogueira, uma lareira, um chocolate-quente.

O gorro finalmente sai da cabeça e as botas dos pés, quando com uma mão vou despindo-os e com a outra bato no teclado, pois é dia das palavras saírem. o chá já acabou, e a louça ainda precisa ser lavada. Com água morna. O cabelo só vou lavar amanhã. Começou aquela época da minha predileção de banhos no meio do dia, quando ainda é quente e não preciso do secador.

Ah, meu querido outono, que bom que você chegou! A gente vai se amar muito nesse aconchego de carinhos e cores mornas, enquanto a chuva vai acalmando os ânimos lá fora, limpando as farras do verão, e preparando o mundo pra neve do inverno. Enquanto isso os livros, os chás, os chocolates, as pipocas quentinhas vão se tornando tão especiais! Ler um livro debaixo das mantas passa a ser o melhor hobby do mundo, e o banho morno devolve a sensibilidade dos dedos dos pés e das mãos, transformando esse simples hábito higiênico diário em mais um ato de auto-amor!

Agora vou para minha ducha quentinha, e o pijama vai ser completado com as meias grossas e um casaco molengo bem enrolado no corpo. Depois quem sabe, mais um chá ou um chocolate-quente antes de dormir.

Vem, outono! Vamos se amar muito! ❤

Sobre querer abraçar o mundo com as pernas (mais uma vez)

Bebo água. Hoje não está tão frio, apesar de estar de calça, a camiseta é de mangas curtas e os pés no chinelo dispensaram as meias. Onde estão meus muitos shorts? Em Brasília nunca fiquei em casa estudando, lendo, trabalhando, cozinhando, de calças. Sempre short. Até no inverno. Inverno de frio leve à noite. Inverno de short e suéter. Setembro. Setembro nunca fez frio. É a época da seca desesperadora. Do calor seco que me fazia dançar a dança da chuva. De noites insones, banhos na madrugada, fins de semana no lago.

Lavei roupa, mas não consegui pendurar direito, pois as meias que estão no varal a três dias ainda não secaram. Choveu muito e fez muito frio nos últimos dias. Fiquei em casa, entre a T.V., o computador, o videogame, os amigos, os livros, os estudos, e as canecas de chá. Setembro frio e úmido. Semana da Pátria. Folga inesperada. Novidades sem fim. Em outubro lamentarei a falta da Semana do Saco Cheio. Cada cidade, suas folgas.

Na tela do notebook dois documentos do word superpostos, cinco pdfs, chrome com 6 abas abertas: email, facebook, email usp, plataforma online de materiais das disciplinas, google maps, decolar.com. A falta dos amigos, de saber notícias da cidade não me deixa deletar o facebook, nem deixar de abri-lo o tempo todo. A falta de tempo para estudar não me deixa ir vê-los. Três viagens sendo planejadas. Será que vai dar tempo de fazer todas? Será que vão caber no orçamento? Será que a bolsa vai sair?

Um dia pensei que os adultos tinham todas as respostas. Um dia pensei que mesmo que os adultos não as tivessem eu as teria. Passei os primeiros anos da minha vida adulta trabalhando e estudando como uma louca. Chorava de sono. Chorava pelas perdas. Nunca pelas incertezas. Eu sempre soube que ‘daria certo’. A vida vira de cabeça pra baixo. Quando tudo parecia que finalmente estava ‘dando certo’, cai na toca do coelho. Não quis mais. Não quero ser desses adultos que sabem tudo e ‘deram certo’. Não quero que minha vida seja sinônimo do meu trabalho ou mesmo da profissão.

Persigo já faz uns três anos o caminho dos loucos. Das Alices que caem em tocas de coelho. Das metamorfoses ambulantes. Dos Dom Quixotes que enfrentam moinhos urbanos. Das amantes de chocolate que se mudam quando bate o vento certo. E que ficam quando aparece o pirata certo. Que fazem suas próprias cores, seus próprios sabores, redefinem seus destinos. Eu definitivamente prefiro ser essa metamorfose ambulante. E além de não ter as mesmas opiniões formadas sobre tudo, abri mão das certezas e das respostas também. Quero ser feliz. Sou feliz.

Do meu jeito. Às vezes me sinto incrivelmente independente e competente. Aquela que lava, arruma, cozinha, estuda, faz dieta, escreve, disserta, opina, orienta, corrige, prepara aulas, faz traduções, lê cinco livros ao mesmo tempo, se depila, escolhe uma roupa bonita, pega o metrô, o ônibus, anda a pé, pratica a atividade física. Aquela que migra da legging pra camisa social, pra lingerie de renda, pro moletom da universidade com a fluidez de uma dessas supermulheres de anúncios fantasiosos. Sonho feminista.

Em outras sou ainda aquela adolescente, aquela criança, que só queria jogar jogos, dormir na casa da vó com os primos, na casa das amigas com o grupo infalível, andar de bicicleta, tomar um sorvete, comer qualquer coisa, dormir 12h por dia, trocar o dia pela noite, perder tempo, pedir uma pizza, dormir com a blusa do dia e sem as calças, deixar a louça na pia, esquecer que a louça e a pia existem. Perder as horas. Esquecer o relógio. Não abrir o email. Não desejar parabéns a ninguém. Nem falar muito com os outros. Aquela adolescente que ainda cultiva o seu lado egoísta sem culpa. Que faz porque é bom. Que se prioriza. Seus desejos. Sonho niilista.

Em outras horas bate o wonderlust. A vontade de fazer todas as mil viagens que já planejei. A vontade de não ter horários nem obrigações. Vender tudo, arrombar a poupança e sair por aí. Veja bem, muitas pessoas conseguem trabalhar loucamente, juntar dinheiro e passar um fim de semana da praia, outro na cachoeira, ir ver a família num feriado, e quem sabe até numas férias mais longas, de quinze ou vinte dias, fazer uma viagem internacional. Eu já fiz e faço todas essas. Mas não é dessas que eu sinto falta. Sinto também. Mas quando bate esse bichinho, o que queria era a loucura. Era ser Walden no mato, ser Supertramp a caminho do Alasca.

Aquelas viagens de quem se resumiu a uma mochila, ou uma kombi, e que não tem dia para acabar. As viagens de quem aboliu o sonho consumista. De quem não quer ter. Quer viver. Uma grande aventura. Aquelas viagens que vão tentar me deixar mais perto da carta de Hogwarts que não veio, quando eu caminhar pelo interior do Reino Unido a pé. Que vão me deixar mais perto Macondo quando eu atravessar a Colômbia no melhor estilo Diários de Motocicleta. Aquela viagem que vai revelar as profecias Incas e os segredos espiritualizados de quem ronda Bolívia e Peru até Machu Picchu. A transiberiana. Berlim-Bagdá. A transamazônica. O roteiro dos Hobbits da Nova Zelândia. O mundo como meu país das maravilhas. Sonho Alice.

E quando bebo mais um gole de água, no meu belo copinho florido. E levanto a cabeça para ver os livros me esperando enquanto continuo os estudos. Quando checo as abas do chrome e me lembro que tenho que começar a selecionar os programas de doutorado que gostaria de aplicar, pois ano que vem será importante já ficar de olho nas datas. E olho os amigos e a família no facebook e me lembro que ainda não planejei o natal desse ano. Quando olho o namorado deitado no sofá em frente, concentrado entre ligações de consultas, livros de estudo e jogos de computador. Percebo que sou mesmo é uma Menina Maluquinha, que quer abraçar o mundo com as pernas. E ser cada dia um pouco desses sonhos. Cada minuto do dia uma dessas mulheres.

E sabe qual a melhor parte? Cada dia encontro mais Maluquinhos por aí. Sofredores desses sonhos de incompletude, de metamorfoses ambulantes. Outros adultos que guardaram suas crianças e adolescentes com tanto carinho que nunca se despedirão delas, e assim seguirão com essa nossa esquizofrenia de ser tantos em um só. De alimentar esses sonhos todos. E enquanto isso sigo assim, estudando depois da faxina, escrevendo antes de jogar videogame, comendo chocolate hoje e vitamina de chia e linhaça amanhã, economizando enquanto espero a bolsa, e planejando a próxima grande viagem. Vivendo essa vida. Essa vida dos novos adultos que não encontraram as respostas certas. Ou talvez ainda não tenham encontrado a pergunta, mas sim algumas respostas. Vamos assim então, de mochila nas costas, livros debaixo do braço, toalha no ombro, em busca da pergunta do nosso 42.  Abraçar o mundo com as pernas.