Road trip de Julho – parte 4 – De Volta pra Casa

Veneza foi o ponto mais distante que visitamos. Esse post engloba o que foi praticamente uma viagem de volta. Eu pessoalmente sou muito fã de roteiros circulares, já que é possível aproveitar muito mais. Então nosso plano englobou a volta por outro caminho, ampliando bastante o que tivemos chance de conhecer. Vamos à viagem!

Dormimos duas noites no camping próximo de Veneza, e o dia que passamos ali reservamos inteiramente para a Sereníssima. Não andamos o dia todo na cidade, claro, ficamos um bom tempo descansando no camping e revisando mapas, além de sofrer com o calor, claro! Este camping era especialmente lotado, com divisões de parcelas (o espaço para cada grupo) muito apertadas, para maximizar a capacidade. O resultado disso foi muito barulho e banheiros muito cheios (apesar de não sujos) e sem papel disponível (sempre, sempre leve o seu!). O público do camping também não ajudou, sendo composto de muitos jovens, o que aumenta a tendência para gritaria e músicas altas, quase sempre de péssima qualidade. Se vocês desejam tranquilidade, busquem campings familiares!

Para sair do camping e chegar na cidade foi um sufoco. Veneza é um local de acesso muito difícil, ainda mais caso se queira levar um cachorro. Tentamos pegar um ônibus, mas como qualquer coisa na Itália, o processo é tão complicado que é melhor evitar (o bilhete tinha que ser comprado anteriormente, mas não havia onde comprá-lo). Resolvemos ir de carro, mesmo sabendo que seríamos roubados pelo estacionamento. E de fato fomos, pagamos 18 euros por 3h nas ilhas… Do estacionamentos seguimos a pé até a Piazalle Roma, onde começa a Veneza de fato. Tínhamos um mapa e queríamos chegar na Piazza San Marco, passando pela ponte Rialto. Mas andar pela cidade provou-se um grande desafio, mesmo com, ou por causa de, as placas que indicavam o caminho da maneira mais imprecisa possível. A cidade conta com uma quantidade absurda de becos, turistas e lojas caras, tudo junto. Muitas vezes a velocidade de caminhada não passa do equivalente de uma procissão, e encontramos muitos locais em que a mesma direção era apontada em caminhos opostos pela sinalização. Depois de algum sofrimento, chegamos na ponte Rialto, e nos arrependemos. A própria ponte possui lojas sobre ela e o que parece ser um destacamento permanente de madames revestidas de roupas de marca bloqueia a passagem. Depois de algum tempo, alcançamos a Piazza San Marco. De lá seguimos por uma rua que contorna o sul de Veneza, aberta para o mar por algum tempo. Mas logo não aguentamos o calor e nos embrenhamos novamente para dentro das vielas. A vantagem de ter passado a Piazza é que a quantidade de turistas diminuiu bruscamente, e então podemos aproveitar melhor o passeio. Também achamos uma fonte, e com isso acabamos nos molhando inteiros para nos refrescar (inclusive o Picot!). Dali, o passeio se tornou mais agradável. Seguimos até próximo do Arsenal, onde assumimos que estávamos cansados e resolvemos voltar. Acho que andamos coisa de 10km, sob calor intenso (nosso ponto fraco!).

Passando para nossas impressões da cidade, devo dizer que foi melhor do que o esperado. A quantidade de pessoas não é algo que seja possível culpá-la, claro, mas os prédios comuns não estão bem conservados, mesmo cada lugar ali custando uma fortuna, nós vimos em imobiliárias locais (a gente adora isso!). Mas de maneira geral a cidade é bastante única, com uma história muito rica. A Piazza San Marco é incrivelmente grande, o que eu não esperava, e muitíssimo bem trabalhada. Uma somatória de prédios importantes no local deve dar para os arquitetos um espetáculo a parte, mas eu como leigo só posso admirar a riqueza de detalhes e luxo, sem consideração pelos estilos. Tanto a catedral como o palácio do Duque são dignas do poder comercial que foi a cidade, definitivamente. Uma vantagem intrínseca da cidade é a ausência de carros. Isso iguala todos os turistas, democratizando o acesso e ampliando o compartilhamento dos espaços. E principalmente, a cidade não fede, como dizem as más línguas. De maneira geral, vale a visita, mas muito cuidado para a síndrome de Paris não se estender para Veneza!

Na manhã seguinte, depois de resolvermos um sumiço de passaporte que o camping mantém como refém quando você se hospeda e depois não sabe onde guardou, seguimos para oeste, na direção de casa! Passamos rapidamente por Pádua (pedido meu, por questões familiares), somente para perceber que não havia nada para se ver na cidade além da Basílica de Santo Antônio. Mas eu fiquei feliz de ter descoberto que o nome do lugar, e consequentemente o meu, vem da antiga vila de Patavium, anterior até ao domínio romano.

Seguimos para Milão, onde chegamos ainda cedo. Aqui gastamos mais tempo, primeiro rodando seu Parco Sempione e o Castello Sforzesco, depois andando até a Catedral. Como outros locais, esse eu já conhecia, mas achei que valia a pena uma segunda visita, além de levar a Ju até um ponto em que eu garantia que valia a pena! O Parque é bastante amplo e bem cuidado e o Castelo permite a visita de muitas áreas de maneira gratuita, além de ser um excelente exemplar de construção militar antiga. A cidade prova que continua sendo o destaque econômico no vale do Pó por seu tamanho, pela qualidade dos espaços públicos e pelo nível de suas construções. Na cidade, a maioria dos locais são bem preservados e cuidados, limpos e bem planejados. Eu acho uma cidade muito boa para se passar algum tempo caminhando a esmo, já que isso sempre te levará a algum lugar agradável e bonito.

De Milão fizemos o que deveria ser uma volta rápida pela cidade de Como, para que a Ju visse pelo menos uma parte de um lago na beira dos Alpes. A cidade em si foi tranquila de passar, apesar das ruas estreitas. O problema foi na volta, quando eu errei feio o caminho por ter acreditado nas placas e acabamos perdendo um tempo precioso indo para lugar nenhum… Eventualmente nos encontramos e seguimos a estrada para Aosta. Aqui neste caminho tivemos uma surpresa desagradável. Vimos uma placa que indicava um castelo próximo da estrada, inclusive o próprio castelo era visível e muito, muito bonito. Ficamos um tanto excitados com a ideia de visitá-lo mas, depois de muitas voltas em estradinhas confusas, e de pagar muitos pedágios, chegamos lá só para descobrir que hoje ele é um restaurante ultra-chique e a visitação é proibida. Minha vontade era arrancar todas as placas no caminho, para que ninguém mais fosse enganado como nós fomos… Saindo do “castelo” entramos logo no Vale de Aosta.

Depois de mais um erro de navegação nos custando um bom tempo, no qual a Ju empatou o placar de erros comigo, encontramos a pequena estrada que levava para o nosso camping. O problema é que parecia que todos os italianos resolveram subi-la ao mesmo tempo, e pegamos um transito absurdo por entre pequenas vilas de montanha. Apesar da desordem da estrada, aqui temos que admitir que a paisagem era deslumbrante, tendo até vista para montanhas com neve eterna dos alpes. As montanhas e vales dos Alpes italianos são bem diferentes do que estamos acostumados nos Pirineus, com formatos mais acentuados e rios mais caudalosos. Ou pelo menos foi o que eu senti. Pudemos aqui aproveitar uma noite de frio, além de conhecer um canto da Itália que mais parecia a Alemanha, inclusive com um dialeto que se assemelhava a línguas germânicas.

No dia seguinte, saimos cedo e tivemos nossa penúltima decepção com a Itália no pedágio de fronteira, que custava 45 euros! O rapaz que trabalhava ali, vendo minha indignação, me indicou outro caminho, por sobre os alpes. Voltamos na estrada e tivemos a última decepção quando depois de uma curva abrupta a estrada bifurcava, não dando tempo ao motorista de escolher o lado que seguir caso não soubesse disso de antemão (claro que não havia placas antes). Rodamos por mais de uma hora para fazer o retorno e desembolsamos mais 7 euros de pedágio. Por fim, acertamos a estrada e passamos pelo Col du Saint Bernard e descemos as montanhas em direção de Bourg Saint Maurice. O ponto importante aqui é que planejávamos visitar Chamonix e o Mont Blanc, mas não havia rota não pedagiada naquela direção. Resultado é que alteramos nosso caminho para não gastar todo nosso dinheiro no pedágio, mas acabamos tendo boas surpresas do “lado pobre” dos alpes.

Bourg Saint Maurice é uma cidade de montanha francesa bem parecida com as dos Pirineus. Muito simpática e simples. Aproveitamos a visita para reabastecer suprimentos. No inverno a região deve ficar tumultuada com o turismo de esqui, imagino eu, pela quantidade de lojas de turismo fechadas. Dali seguimos para Annecy, onde aproveitamos as belezas de um lago de um azul cristalino junto as montanhas e enfrentamos um trânsito bastante parado e agressivo. Seguimos direto para Lyon, onde só cruzamos a cidade de carro, gastando tempo até demais no caminho, e seguimos a estrada até Brive la Gaillarde, atravessando um imenso vazio demográfico no meio da França. Chegamos tão tarde no camping e saímos tão cedo que o atendente da recepção se recusou a cobrar nossa estadia!

Nossa última cidade visitada foi Rocamadour, um casarão sobre um penhasco, com a cidade e a igreja construída na encosta mais abaixo. O local é fortemente frequentado por católicos, como uma peregrinação, mas eles são extremamente simpáticos com turistas e suas igrejas ficam permanentemente abertas para visitação gratuita. O cenário de pedra, com uma dose imensa de verticalidade, impressiona bastante. Mesmo cansados da viagem toda, tendo dirigido por dezenas de horas em poucos dias e tendo visto muitos locais únicos, Rocamadour foi uma agradável surpresa para terminarmos bem. É um daqueles locais que as fotos não são muito aprimoradas ou tiradas de um jeito específico para ficarem boas, o lugar é exatamente aquilo que a foto mostra! Saindo dali, pegamos o caminho inteiro até a Catalunha, onde a Ju já ficou em Puigcerdà para pegar o trem para Barcelona e resolver algumas burocracias, enquanto eu vim para casa com o Picot. Ufa!

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Como prometido, farei uma relação de lugares da Itália que visitamos e outros locais mais bonitos e provavelmente mais baratos e acessíveis que são equivalentes. Isso por causa da chuva de críticas que fiz ao país, me sentindo na obrigação de dar alguma alternativa. Listei somente cidades que eu visitei.

Cinque Terre – No texto eu já disse que Paraty ou Trindade são melhores, mas uma opção européia é Cadaqués, com uma beleza natural e de construções superiores, um bom atrativo artístico com a presença forte de Dalí e ainda com crema catalana! (um crème brulée local)

Lucca – Apesar de seus muros convertidos em um parque serem especiais, esse talvez seja o único atrativo real da cidade. Carcassone também é murada, e ainda é fácil encontrar crepes de Nutella. Toledo ou Girona também são muradas e valem uma visita.

Pisa – Quer ver uma torre bem construída, com riqueza de detalhes, num local deslumbrante e que não entorta porque foi bem planejada? Vá para Lisboa e aproveite a Torre de Belém, aproveite para comer muitos doces portugueses!

Florença – Essa não tem substituição, admito.

Veneza – Apesar de bastante única, seu estilo não muda tanto assim de Amsterdã. Bruges também tem lindos canais, além de bons chocolates.

Gênova – A história de Gênova não pode ser substituída, mas no quesito agradabilidade e estilo, volto a sugerir Lisboa, outro porto importante com um destaque na época moderna. Também Londres, apesar de importante em diversos momentos, se superou na idade moderna e sua navegação, apesar de fluvial, foi de extrema importância.

Milão – Apesar de eu gostar muito dessa cidade, seu castelo não é melhor que o de Carcassone. Mantido o mesmo estilo, temos o de Perpignan também, feito de tijolinhos e com um grande pátio interno.

Vale de Aosta – Quando o assunto é montanha, eu sou um forte defensor dos Pirineus. O esquecido Val d’Aran é mais acessível (seu túnel não tem pedágio), mais tranquilo e incrivelmente bonito (vale conferir o post que fizemos!).

Acho que é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da viagem, e se precisarem de dicas, estamos sempre à disposição!

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Annecy (França)

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Annecy (França)

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Lion (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

Na fan page do blog no Facebook você pode conferir todas as fotos e vários videos sobre essa viagem completa!

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Dicas de trilha – mochilas e o que levar

Ainda na vibe da série Dicas de trilha ( Calçados para trilha , Dicas de trilha – vestuário , Dicas de trilha – alimentação ) hoje vou falar um pouco sobre mochilas e o que levar nas viagens e trilhas. Para entender porque eu insisto tanto em viajar com mochilas e não malas, leia mais sobre nosso estilo de viagem e vida em Passagens aéreas e custos de viagem e em Sonhos e aprendizado .

O equipamento mais importante é a mochila, afinal o que seria de nós, mochileiros, sem ela?! Já tive vários tipos de mochila, de vários tamanhos, preços e qualidades. Depois de muito experimentar, hoje em dia sugiro 3 bagagens que são tudo que um mochileiro precisa: A mochila de carga (45 a 70 Litros), a mochila de passeio/trilha (25 a 40 Litros) e uma bolsa tipo carteiro (10 a 20 litros). Para as mochilas cargueiro e de trilha/passeio, tenha uma capa de chuva impermeável de mochila. São baratas nas lojas esportivas e fazem muita diferença. Caso vá levar eletrônicos para uma viagem camping de muitos dias, convém ter também um saco estanque, ou mochila leve estanque e manter os itens mais sensíveis à água dentro dele, ainda que dentro das mochilas, para evitar desgostos.

Procure mochilas anatômicas, com bom apoio nas costas, e com tiras peitorais e de quadril, que auxiliem na distribuição do peso. Minha mochila cargueiro é uma de 55L da Norte Face, com tecido rip-stop, muito anatômica, e acho o tamanho dela ideal. Maior que isso já se tornaria um estovo para carregar, afinal não sou muito forte. A mochila cargueiro do André é de 65 ou 70L, da Trilhas&Rumos, bem maior, mas fica muito pesada. O bom da um pouco menor é que você se obriga a manter a viagem minimalista, com poucos itens. A minha de trilha é uma de 30L da Quechua (presente de casório lindo!), com um sistema de aumentar a ventilação nas costas, um E.V.A. poroso e bem anatônico, coberto de tecido telado, que faz milagres em dias quentes, evitando aquela sensação de costas cobertas pela mochila. Também temos uma mochila saco-estanque (outro presente de casamento mara!), que ainda não testamos do ponto de vista da impermeabilidade, mas que tem sido muito útil como mochila leve extra, de passeios pequenos, em viagens maiores.

mochila cargueiro

Exemplo de mochila cargueiro (alguns modelos mais novos, como esse da foto, possuem um zíper que dá acesso a mochila como uma tampa, facilitando o acesso as coisas colocadas no fundo). 

mochila trilha passeio

Exemplo de mochila trilha/passeio (essa é quase igual a minha, muda a cor dos detalhes só) 

mochila carteiro

Exemplo de bolsa carteiro

mochila impermeável estanque

Mochila impermeável/ estanque (essa é igual a nossa mesmo) 

mochila saco estanque

Exemplo de saco estanque

mochila capa de chuva

capa de chuva de mochila (tenho igual) – quando for comprar atente que algumas mochilas cargueiro já vem com capa e, se for comprar, elas possuem tamanhos diferentes, baseado nos litros das mochilas. 

Se você for fazer uma viagem internacional, ou nacional longa, coloque todos os itens de viagem, roupas, equipamento, etc na cargueiro e despache, mantenha os eletrônicos, uma troca de roupa emergencial e lanches na mochila de passeio, que vai como bagagem de mão e fica no compartimento superior no avião, e leve os documentos, uma leitura e água na bolsa carteiro, que fica no colo ou debaixo da cadeira em pouso e decolagem. Para chegar e sair dos aeroportos e estações de trem é possível encaixar as três, deixando a carteiro para frente, com fácil acesso aos documentos, a cargueiro atrás, maior peso e você só retira do corpo em caso de pausas longas, e a de passeio na frente, facilmente retirável para conversar em balcões, ir ao banheiro, com os itens que não devem ser perdidos de vista. Assim, você consegue carregar tudo o que precisa, e não briga com carrinhos, não precisa de táxi, e nem sofre com as rodinhas empacando em calçadas de pedra irregulares. Chegando no destino você pode deixar a cargueiro onde estiver hospedado, lembre-se de levar cadeado se ficar em hostels (eu sempre levo um cadeado extra), e utilizar somente a bolsa carteiro, se for fazer passeios urbanos, ou a mochila de passeios, para trilhas curtas de um dia, ou dia de compras (cuidado com as compras em viagem, lembre-se que se estiver mochilando, tudo deve caber nas 3 mochilas na ida e na volta). Aí você me pergunta, mas não fica pesado? Minha filosofia de viagem é: leve o que você consegue carregar. Ande a pé. Se não conseguir carregar é porque está levando mais do que devia. Viaje leve, bagagem leve, alma leve, vida leve.

Se for fazer uma viagem de até 7 a 10 dias, é possível levar só a mochila de trilha e a bolsa carteiro. Leve a roupa e equipamento na mochila de trilha, e um eletrônico leve (notebook pequeno ou tablet), documentos, leitura e água na carteiro.

Quando for fazer trilhas de um dia, leve apenas a mochila de passeio, trilha. Nela você consegue colocar um casaco impermeável, e/ou fleece se for inverno, um óculos de sol, protetor solar, mapa, comida do dia, lanterna pequena, bússola, GPS (caso tenha), máquina fotográfica e água. Evite levar outros itens. Coloque no próprio corpo, bolsos da roupa, cinto, os equipamentos de acesso rápido e constante. Se for época de sol forte, já saia com os óculos de sol e boné ou chapéu, lembre de passar um camada de protetor, mas leve para reaplicar.

Se for fazer trilha em região com lago, cachoeira, praia, leve roupa de banho. Eu não gosto de já fazer a trilha de biquíni, pois normalmente não são tao confortáveis para caminhar, nem dão tanta sustentação nos seios e nem o maior conforto por baixo das calças, por isso prefiro trocar só na hora de nadar. Quando acabar de nadar, troque de volta a roupa íntima seca. Caminhar com roupa de baixo molhada vai te deixar incomodado.

Se for fazer uma caminhada de vários dias, com camping, leve apenas a cargueiro. E seja extremamente cuidadoso com a quantidade de coisas, quanto mais leve melhor, mas não deixe de levar tudo o que precisa. Essa é a bagagem mais difícil de acertar! Encaixe a barraca, saco de dormir e mat na parte baixa e laterais da cargueiro. Dentro coloque as trocas de roupa, evite muitas roupas. Leve 2 calças transformáveis em short (das com zíper), e menos blusas que dias de trilha. Use a mesma blusa por 2 dias se não estiver imunda e lave quando possível deixando secar a noite. Uma legging pode servir de pijama e calça extra em caso de necessidade, inclusive sendo usada por baixo de outra em caso de frio. Roupas íntimas também podem ser lavadas e secarem overnight. Evite peso. Leve um casaco impermeável, e um outro casaco leve se for verão, e fleece se for inverno. Use o mesmo casaco todos os dias. Os demais equipamentos: GPS, bússola, mapa, lanterna, máquina fotográfica vão na cargueiro. Leve toda a comida que for precisar, e uma garrafa de água de o mínimo 1L. Conforme os dias passam o cansaço aumenta mas o peso diminui, conforme você vai comendo!

Para campings fixos, com passeios variados, leve a cargueiro, com tudo citado acima, e adicione a mochila de trilha/passeio. Depois de montar o acampamento, deixe a mochila cargueiro dentro da barraca trancada, ou em local seguro, e leve para os passeios do dia, sejam urbanos ou trilha, a mochila menor, com o que for precisar no dia. Se quiser economizar com a alimentação, use as mesmas dicas da alimentação de trilha para o passeio urbano, comendo apenas lanches leves e deixando para preparar uma refeição no camping a noite.

Sobre o que levar nas viagens:

Se for verão:

  • 2 calças transformáveis (zíper na perna) de tecido bem leve
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e coloque pelo menos uma manga longa leve)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece (se for muito friorento, ou tiver receio de a temperatura cair a noite)
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 pescoceira de tecido leve transformável em faixa pode ser útil (serve para proteção do pescoço, rosto, testa ou cabeça, contra sol, vento e poeira)
  • toalha

Se quiser sair a noite (não é meu forte), inclua um par de sandálias ou sapatos mais arrumados e um ou dois vestidos e/ou uma ou duas mudas de roupa de sair, mas lembre-se que quanto mais roupa levar maior o peso nas costas e menor o espaço para trazer coisas de volta).

Se for meia estação (primavera ou outono):

  • 1 calça transformável (zíper na perna) de tecido mais leve
  • 1 calça jeans, ou de um tecido mais robusto ou perlante
  • 1 calça impermeável
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e manga longa)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • toalha

Se for inverno:

  • 2 calças térmicas justas ( para serem usadas por baixo)
  • 1 calça perlante mais quente
  • 1 calça impermeável (pode ser usada sobre as térmicas e perlante)
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre térmicas, pra noite e passeios leves e manga-longa dri-fit pra trilhas e atividade física)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias longas de inverno, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco impermeável
  • 2 ou 3 fleeces de gramatura mais densa
  • 1 casaco tipo sobretudo (pode ser o próprio impermeável ou um mais quente, de preferencia que caiba sob o impermeável)
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 par de botas de neve pra trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • gorro
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • luvas
  • toalha

Adapte essa lista de itens, reduzindo-a em caso de camping travessia/caminhada de vários dias, no qual tudo vai nas costa sempre. Reduza o número reutilizando as roupas mais dias e lavando quando possível. Quanto a comida, não utilize embalagens de vidro, caso saiba que estará em local sem lixeiras, pois é inconcebível deixar o lixo na natureza, e carregar os vidros vazios é uma carga desnecessária. Nesse caso, opte por embalagens de plastico, que possam ser esvaziadas e dobradas, assim você mantém um pequeno saco de lixo em um dos bolsos externos e pode esvazia-lo quando houver a oportunidade, sem carregar peso além do necessário.

Em caso de camping livre, lembre-se que alimentos e lixo atraem animais selvagens, por isso junte toda a comida do grupo num fardo (saco plástico ou rede) e todo o lixo em outro e pendure em árvores afastadas das barracas. No dia seguinte recolha ambos. Caso algum animal tenha comido, você perde seus alimentos, mas pelo menos evita um ataque a sua barraca e a você.

Evite deixar alimentos dentro da barraca, mesmo em campings fechados. Além do risco de estragar, outros animais podem rasgar sua barraca tentando pegá-los. Se não for possível carregar tudo com você o tempo todo, veja a possibilidade de deixar uma parte na cozinha coletiva, devidamente etiquetado com seu nome, ou em local seguro na sede do camping.

 

 

Dicas de trilha – alimentação

Essa série das dicas de trilha já contou com dois outros posts, o Calçados para trilha e Dicas de trilha – vestuário, e agora resolvi falar um pouco sobre alimentação na trilha. Primeiro tenho que lembrar mais uma vez aqui que não sou nutricionista nem chef, e que você sempre deve consultar o seu profissional da saúde, especialmente se tiver restrições alimentares. Dito isso, lembro ainda que somos lacto-ovo-vegetarianos.

Quando fazemos trilhas costumamos sair cedo e eu sempre tive dificuldade para comer bem logo que acordo. Parece que meu estômago só acorda umas 2h horas depois do cérebro. A solução que encontrei foi ou comer um pouco mais tarde, quando possível, ou tomar uma vitamina se precisar comer algo e sair rápido. No caso das vitaminas gosto de bater uma fruta com chia, linhaça, aveia, ou uma combinação desses. Às vezes acrescento um scoop de proteína vegetal.

Para um dia de trilha levo um pão e queijo, ou já faço os sanduíches em casa ou levamos e fazemos na hora. Um pacote de castanhas, amendoins, amêndoas, etc. Aqui na Catalunha achei um mix maravilhoso, que inclui amendoins, amêndoas, milho peruano, flocos de arroz e outras misturas de nozes e cereais, salgadinho e baratinho! O pão com queijo é geralmente o “almoço” e as castanhas e cereais salgados o “lanche do fim da tarde”. Sempre levo também umas barrinhas de cereais, às vezes proteicas, doces. Para trilha, especificamente, gosto de levar as cobertas de chocolate, pois com a caminhada montanha acima, a gente precisa de uma energia extra e rápida. Umas frutas também costumam ir na mochila, secas ou frescas, uvas passas, damascos, ou maçãs e pêras (bananas eu amo, mas tendem a amassar muito ou estragar com o calor).

Uma outra coisa são biscoitos e bolachas, simples, doces ou salgadas. Eu sugiro evitar as recheadas, que além de serem muito doces, podem “derreter” o recheio ou estragar no calor. As salgadas tipo crakers são ótimas e as doces integrais, com aveia, tipo digestivas, também funcionam muito bem nas trilhas.

Nunca fazemos uma “refeição completa” na trilha, pois encher o estômago na caminhada é um erro. O corpo fica lento e pesado. E a chance de sentir enjoo, gases, e outros desconfortos aumenta. O esquema é comer de pouco em pouco, pequenas quantidades e menos durante a subida. Ao chegar la em cima dá pra fazer um pique-nique de reposição e depois descer, que tende a exigir menos do fôlego. De qualquer forma, a alimentação deve ser leve o dia todo.

Se o clima estiver quente e com sol forte, coma menos ainda. O calor deixa a digestão mais lenta. Nos dias mais quentes compensa levar uma bebida, ou pó de bebida, com reposição de sais, como um gatorade, ou pó de bebida de treino esportivo, que também confere um aporte de energia rápida e sem pesar o corpo.

Na volta, à noite, costumo fazer um macarrão, pois chegamos com bastante fome por ter comido pouco ao longo do dia de esforço. Ou um arroz com grão-de-bico. Às vezes omelete, quando voltamos pra casa no mesmo dia.

Quando acampamos o esquema é o mesmo. Convém lembrar que no acampamento as refeições da noite devem ser de preparo rápido, mas precisam alimentar bem, pois são a única refeição de fato do dia. Se você comer muito pela manhã, o corpo vai ficar pesado, se for pegar estrada de montanha de carro, antes do ponto da trilha, pode enjoar muito. Se tiver estrada de montanha, prefiro nem comer nada, e ao parar o carro, antes de começar a caminhada, tomo a vitamina, que já levo pronta, ou como algo.

Se tivermos fogareiro ou acesso à cozinha coletiva no camping, gosto de fazer macarrão, pois dá pra fazer em uma panela só. Costumo levar um molho pronto só pra colocar por cima. Se forem muitos dias de camping, vou variando com arroz. Levamos também as leguminosas do tipo já prontas, em latas, vidros, ou conserva, como grão-de-bico, feijões, ervilha.

Em caso de camping livre em local onde não é possível ou recomendado fazer fogo, o ideal é levar as leguminosas já prontas e comer frias mesmo. Nesses casos convém também levar mais pão, e comer um sanduíche extra a noite. Não sou a maior fã de “carnes” de soja, mas nesses casos de acampamento frio, elas podem ajudar muito, pois é possível compra-las já prontas, sem precisar cozinhar. Uma latinha de salsichas de soja pode virar um banquete numa noite fria e sem fogo no meio do mato. Lembre de levar um pouco de sal num pacote pequeno. É importante repor o sal e o açúcar do corpo após as caminhadas, especialmente se no dia seguinte tiver mais.

No caso do queijo, evite queijos frescos. Lembre-se, que estará sem geladeira. Prefira os queijos curados, mais duros e que podem ficar sem refrigeração por mais tempo. Para veganos, uma outra boa opção são as capsulas de algas em pó, como clorela e spirulina, que possuem muita proteína e vitaminas, inclusive várias do tipo B. As capsulas não estragam, e podem ser ingeridas como pílulas, para complementação alimentar, além das frutas, pães, barras, bebidas isotônicas, macarrão, arroz e leguminosas.

E água, claro! Não descuide da sua ingestão de água! Evite outros líquidos que não sejam água, ou eventualmente a bebida isotônica. Sucos e refrigerantes são muito doces e não vão saciar a sede. Pesquise as fontes de água natural próximas ao camping e pela trilha. Às vezes é possível pegar mais água em fontes, bicas, ou mesmo em rios e riachos. Nesses casos é possível levar apenas uma garrafa grande de água (entre 1L e 2,5L) e abastecê-la no caminho. Caso contrário você terá de carregar muito peso.

E claro, consulte seu médico sempre. Minhas dicas são só de trilheira pra trilheiros por esse mundão aí!

Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!

São Francisco Xavier

Esse fim de semana fomos acampar em São Francisco Xavier. Dessa vez fomos com alguns amigos, e em vez de fazer as trilhas de travessia, que tendem a ser mais puxadas, pois exigem que façamos a subida com o equipamento, água e comida, para acampar no meio da travessia, optamos por ficar em um camping local, e fazer trilhas mais curtas a partir dali.

São Francisco Xavier está bem próxima de São Paulo e é um excelente destino para uma viagem curta de fim de semana, uma vez que é possível chegar lá tanto de carro quanto de ônibus, em poucas horas. De carro fizemos em cerca de 3h00. Quando fomos de ônibus, no início do mês (ver post Pico da Onça) demoramos cerca de 5h00 para chegar, mas com tempo de espera entre os ônibus. Em qualquer das hipóteses, o caminho é por São José dos Campos. Saímos da Rodoviária Tiete (nosso ponto de encontro para o grupo) no sábado às 07h30 e não pegamos trânsito até o destino final. Convém lembrar, contudo, que o trecho entre São José dos Campos e São Francisco Xavier é feito em uma estrada estreita, de montanha, onde ultrapassagens são quase impossíveis e a velocidade é baixa, então não vá com pressa. Aproveite a paisagem, esse trecho já faz parte do passeio.

Nosso camping tinha diárias das 16h às 16h, e por isso, em vez de irmos direto para lá, seguimos de São José dos Campos para o Mirante da Pedra do Porquinho, o que alongou um pouco nosso tempo de ida, uma vez que o mirante fica um pouco além da cidade de São Francisco Xavier. Esse mirante tem uma vista muito bonita, com a vantagem de chegar de carro até a base dele, e assim não há caminhada exigida. Além disso há uma escada de madeira de conduz até o topo da pedra, facilitando muito o acesso ao mirante, sendo possível fazer esse passeio com crianças. A estrada que dá acesso ao mirante é de terra e ingrime, mas nada impossível de fazer. Como toda a viagem envolve estradas de terra e estradas na serra, convém sempre ir com o carro preparado, revisado, calibrado, e, se possível, não muito pesado. No nosso caso fizemos com cinco pessoas dentro, mais equipamento de camping para todos e conseguimos, então é tranquilo.

SP Mirante porquinho

Ao lado do “estacionamento” para o Mirante da Pedra do Porquinho, há uma casinha pequena, de moradoras do local, que funciona também como uma micro lanchonete. Elas oferecem tapiocas, suco verde e bebidas enlatadas. Pagamento só em dinheiro.

mirante porquinho

mirante

De lá descemos para o centro de São Francisco Xavier, para conhecer a cidade, rodar um pouco o centro à pé, e almoçar. No grupo eramos três, dos cinco, vegetarianos, e não tivemos dificuldades em encontrar opções. Os restaurantes são voltados para turistas e o preço é equivalente ao de São Paulo.

mirante canto dos passaros

Depois de almoço, seguido de café e chá com doces e bolos em uma doceria local, fomos finalmente para o camping. Ficamos no Canto dos Pássaros (http://www.cantodospassarossfx.com/) . O local é na beira da estrada, o acesso de carro é facílimo, e o camping possui boa estrutura, embora não seja muito grande. Existe a opção de ficar em chalés, ou em barracas (leve seu próprio equipamento). Em ambos os casos, os banheiros são coletivos, externos, com água quente. Há uma cozinha equipada, com churrasqueira e fogão à gás, comunitária. Além disso há um quiosque com local para uma fogueira grande coletiva.

Atrás do local para instalar as barracas passa um rio, dentro da propriedade do camping, com mata fechada ao redor, e é possível descê-lo com boias disponibilizadas no local. Pela manhã é possível tomar café da manhã na sede, feito na hora e com muitas receitas deliciosas. Os donos são um casal, e a Tainá é nutricionista, cuida desse café muito bem, e tem um blog (https://tainagaspar.com/)  que eu adorei com várias receitas ótimas. O café tem muitas opções veganas também.

No sábado à noite curtimos o camping, com jogos e cachorro-quente veggie que eu fiz para o grupo. Dormimos ao som do rio, o que é uma delícia. Apesar de ser inverno, o tempo não estava muito frio, e não ventou à noite, mas convém levar colchão e/ou isolante térmico, e roupas adequadas para frio, ou até mesmo cobertas, caso vá de carro.

No domingo, depois do café da manhã delicioso da Tainá, desmontamos acampamento, colocamos tudo no carro e fomos para uma pousada chamada Pouso do Rochedo (http://pousodorochedo.com.br/) para fazer a trilha. A trilha completa incluí oito quedas de água do mesmo rio (algumas são pequenas, mas a maior é incrível e tem até a possibilidade de rappel, se marcada com antecedência), e quatro mirantes, na crista da serra. Para os não-hóspedes há uma taxa de R$20,00, que dá direito a acesso à trilha e uso dos banheiros (que possuem chuveiros quentes).

canto dos passaros pouso do rochedo

A parte da trilha onde estão às cachoeiras é bem leve, acompanha o rio em descida, e é dentro da mata fechada. Os mirantes estão em uma bifurcação que sobe bastante, tornando a trilha um pouco mais puxada, mas nada impossível. Depois do acesso ao primeiro mirante, os outros dois seguintes ficam próximos e na sequência da trilha. O quarto mirante, do Cruzeiro, fica mais acima, e não chegamos a ir até lá, embora fosse só mais 200m de caminhada, morro acima. A trilha toda pode ser feita em cerca de 3h00. Demoramos um pouco mais porque paramos para comer, e também para nos aventurar nas águas geladíssimas de uma das cachoeiras. O banho quente na volta foi fundamental depois da água gelada, mas valeu a pena!

De lá voltamos direto para São Paulo. Como saímos do pousada às 17h00, pegamos trânsito na volta, especialmente entre São José dos Campos e São Paulo, mas ainda assim estávamos de volta em torno das 20h00.

A viagem foi leve e gostosa. As possibilidades de trilhas e travessias em São Francisco Xavier são muitas, e a vantagem é que mesmo sendo alta temporada no inverno, em especial em julho, com as férias, a cidade ainda tem um custo menor do que Monte Verde e Campos do Jordão, que são mais famosas e procuradíssimas nessa época. De qualquer modo, se for ficar em pousada ou camping, reserve com antecedência, ou pode ser que não encontre vaga.

O ponto alto desse passeio foi estar entre amigos e compartilhar a comida, o tempo, a vista maravilhosa de todos os mirantes, o cansaço das subidas, o gelo das água de rio e a beleza das cachoeiras!

cachoeira

Pico da Onça

O Pico da Onça faz parte da Serra da Mantiqueira, no trecho que separa o Vale do Paraíba, em São Paulo, de Minas Gerais. Certamente, ele não é o mais alto da região, mas sua posição privilegiada permite que se veja os dois lados da serra simultaneamente. É um dos poucos pontos nas redondezas da cidade de São Paulo que ainda se pode acampar em um local completamente livre de tarifas (e estrutura!).

Porque fazer:

Para quem gosta de aventura mas ainda não tem a confiança para viagens mais longas, esse passeio é perfeito, pois pode-se ir e voltar em um fim de semana só, e caso surja algum imprevisto, é possível em poucas horas de descida estar de volta à civilização!

Onde:
O Pico da Onça fica entre São Francisco Xavier (município de São José dos Campos-SP) e Monte Verde (município de Camanducaia-MG), na Serra da Mantiqueira. Atinge 1.942 m de altitude.

Quando:
Apesar de poder ser visitado o ano todo, cada época tem suas vantagens e desvantagens. Durante o verão, é preciso tomar cuidado com as chuvas mais agressivas. Durante o inverno, o tempo é mais estável, mas a noite castigará com um frio rigoroso!

Como chegar:
O acesso pode ser feito pelas duas vilas. A parte interessante é que é possível fazer a travessia, caso se chegue a uma das vilas de ônibus ou carona. Claro, alguém que vá de carro pode fazer a travessia, mas a volta até o automóvel será bem cansativa…

O lado paulista pode ser acessado a partir da Fazenda Monte Verde, em São Francisco Xavier. Quem vai de carro pode parar perto da entrada da fazenda, há um local para estacionar. Quem vai de ônibus a partir da capital tem que sair do terminal rodoviário Tietê em direção a São José dos Campos e de lá pegar um outro ônibus, no próprio terminal rodoviário de São José, em direção à vila de São Francisco Xavier. Este segundo ônibus irá parar na praça da cidade, e dali até a fazenda será uma tarefa à parte! Serão 5 km, a maior parte em subida, até o inicio da trilha em si!

O lado mineiro tem um acesso mais escondido, por trás do Hotel Guanxi, em Monte Verde. Não reparei em um local específico para carros, mas a rua é bastante larga e tranquila, então isso não deve ser um problema. Para acessar a trilha sem carro por este lado é preciso sair também da rodoviária Tietê em direção a Camanducaia e de lá pegar outro ônibus para Monte Verde. Por sorte, o segundo ônibus também sai de onde o primeiro para! Em Monte Verde já, será preciso atravessar a cidade à pé, mas a caminhada aqui é plana e bem agradável.

A trilha:
Esta é composta de 2 “partes”. O lado paulista tem um pouco mais de 4 km a partir da fazenda Monte Verde, com vários pontos de encontro com rios e fontes de água. Porém, a trilha toda é inclinada, exigindo um tanto de preparação física. Importante saber (poupa ter que carregar água em quantidade) que o último ponto para abastecer os cantis fica algumas centenas de metros depois de uma pequena cachoeira. Nesta fonte, abasteça seus cantis para o resto da viagem! Quase lá no topo, há uma bifurcação. Pela direita (norte) há o lado Mineiro, pela esquerda (oeste) o fim da trilha que leva ao topo. Dali ainda restará as ultimas centenas de metros, mas já é possível se animar com a chegada!

O lado mineiro tem 4,5 km saindo do Hotel Guanxi, mas a caminhada é muito mais suave. Como Monte Verde está a uma altitude superior a São Francisco, a inclinação é bem leve. Este lado, porém, só tem 2 pontos de água, então é preciso estar mais abastecido. Também há a beleza e o inconveniente do Bosque dos Duendes, uma região da trilha com uma mudança brusca na mata, onde as árvores são mais espaçadas e o chão não é recoberto por vegetação. A possibilidade de se caminhar livremente pelo bosque combinado com uma má marcação da trilha neste ponto dificulta a localização. Sugiro atenção especial para não se perder por aqui! Claro, se você acessar a trilha por Monte Verde, ao chegar na bifurcação o pico estará para a direita!

O Pico:

Lá no topo há uma área plana, onde é possível ficar talvez umas 15 barracas confortavelmente. Em cada lado há uma grande pedra que servirá de mirante. Não há fonte de água! Além da trilha que chegará dos pontos já indicados, há uma pequena caminhada de menos de 100 metros que leva até um mirante menor com um livro de registro. Do outro lado do pico outra trilha sai para o Pico da Pedra Partida, mas a trilha é bem fechada, não se aventure sem saber o que está fazendo!

Do lado paulista, é possível, em dias abertos, ver São José dos Campos e as cidades em volta, e ao fundo a Serra do Mar. Durante a noite, é possível avistar ao norte as luzes de uma cidade entre as montanhas, que desconfio ser Campos do Jordão, e os faróis dos carros na estrada próxima. Impressiona o tamanho e a altura desse lado, e quando o vale nubla (vimos pela manhã). A visão da Serra se levantando para além dos tapetes de nuvem é grandiosa!

nascer do sol

Do lado mineiro, o a serra se estende, fazendo a variação de altura bem menor. É possível ver o que eu imagino ser um bairro de Monte Verde a frente (noroeste) e o Pico da Pedra Partida para a esquerda (sudoeste). O por do sol desse lado é digno de final de filme romântico!

por do sol

Dicas:
– Não leve nada a mais e nem a menos que o essencial! Uma barraca com bons sacos de dormir e isolantes térmicos te salvarão do frio e do vento impiedoso à noite. Comida e água (essa última pode ser coletada na própria subida) para os dias de estadia, roupas adequadas para a caminhada e uma troca para a noite completam o pacote. Lembre-se que carregar tudo isso será um martírio!

– Ao montar a barraca, pense no vento. Fixe-a bem e procure um local mais protegido. Você não vai querer encontra-la voando no vale depois de voltar dos mirantes, mesmo!

– Nós subimos por São Paulo pelo único e exclusivo motivo de poder comer fondue em Monte Verde depois da trilha (recomendo o restaurante Galinha Caipira na entrada da cidade! Preços até 40% menor que no centro). Mas devo admitir que foi um erro. Pegamos uma subida de 1.200 metros verticais para descer 500m depois. Se você ama sua panturrilha, suba por Minas!

-Chegue cedo, programando pelo menos 4 horas de luz solar para a trilha. O lado paulista será ruim de fazer a noite, o mineiro será impossível. Ouvimos relatos de um rapaz que se perdeu no Bosque dos Duendes e teve que pernoitar ali mesmo.

-Nunca é demais ressaltar a importância de um calçado confiável. Nada do tênis que comprei novinho só para a trilha. Vá com um que você já conhece!

Mapas:

Aconselho que você crie seus próprios mapas dependendo de qual via opte por fazer, e se vai de carro ou transporte público.

A duração calculada pelo google maps nesses mapas que seguem não é exata, pois as de transporte público não estão considerando o horário e dia da semana em que fizemos. Nosso trajeto durou cerca 5h da porta de casa até o centro de São Francisco Xavier, incluindo pausas para a troca dos transportes públicos envolvidos e espera pelos horários de saída de cada. de São José dos Campos para São Francisco Xavier pegamos um ônibus de linha, que passa pela serra e, em parte por estradas de terra. Embora a viagem seja “com emoção”, chegamos em 2h, sem nenhum problema nem dificuldades.

SP SJC

SJC SFX

Do centro de São Francisco Xavier até o Pico da Onça fizemos em 3h30, considerando pequenas pausas para água, comida, fotos e recuperar o fôlego (essas ficaram mais frequentes no trecho final da trilha).

SFX pico da onça

A descida do Pico da Onça, passando pelo Vale dos Duendes (onde conhecemos o Avelã, um potro lindo, vivendo solto, e sua mãe, tímida, que não saiu nas fotos) até o centro de Monte Verde durou 2h30.

pico da onça MV

De Monte Verde para Camanducaia fomos de ônibus, mas o google maps não reconhece a opção por não ser um ônibus de linha regular e sim um serviço estabelecido entre as cidades. O ônibus passa em frente ao posto de gasolina, na entrada da cidade, em horários determinados ao longo do dia.

MV camanducaia

De Camanducaia para São Paulo pegamos um ônibus de viagem, que vai de uma rodoviária à outra, e embora o google maps não tenha identificado a opção, não tivemos nenhum problema em fazer esse trecho.

Camducaia SP