Road trip de Julho – parte 4 – De Volta pra Casa

Veneza foi o ponto mais distante que visitamos. Esse post engloba o que foi praticamente uma viagem de volta. Eu pessoalmente sou muito fã de roteiros circulares, já que é possível aproveitar muito mais. Então nosso plano englobou a volta por outro caminho, ampliando bastante o que tivemos chance de conhecer. Vamos à viagem!

Dormimos duas noites no camping próximo de Veneza, e o dia que passamos ali reservamos inteiramente para a Sereníssima. Não andamos o dia todo na cidade, claro, ficamos um bom tempo descansando no camping e revisando mapas, além de sofrer com o calor, claro! Este camping era especialmente lotado, com divisões de parcelas (o espaço para cada grupo) muito apertadas, para maximizar a capacidade. O resultado disso foi muito barulho e banheiros muito cheios (apesar de não sujos) e sem papel disponível (sempre, sempre leve o seu!). O público do camping também não ajudou, sendo composto de muitos jovens, o que aumenta a tendência para gritaria e músicas altas, quase sempre de péssima qualidade. Se vocês desejam tranquilidade, busquem campings familiares!

Para sair do camping e chegar na cidade foi um sufoco. Veneza é um local de acesso muito difícil, ainda mais caso se queira levar um cachorro. Tentamos pegar um ônibus, mas como qualquer coisa na Itália, o processo é tão complicado que é melhor evitar (o bilhete tinha que ser comprado anteriormente, mas não havia onde comprá-lo). Resolvemos ir de carro, mesmo sabendo que seríamos roubados pelo estacionamento. E de fato fomos, pagamos 18 euros por 3h nas ilhas… Do estacionamentos seguimos a pé até a Piazalle Roma, onde começa a Veneza de fato. Tínhamos um mapa e queríamos chegar na Piazza San Marco, passando pela ponte Rialto. Mas andar pela cidade provou-se um grande desafio, mesmo com, ou por causa de, as placas que indicavam o caminho da maneira mais imprecisa possível. A cidade conta com uma quantidade absurda de becos, turistas e lojas caras, tudo junto. Muitas vezes a velocidade de caminhada não passa do equivalente de uma procissão, e encontramos muitos locais em que a mesma direção era apontada em caminhos opostos pela sinalização. Depois de algum sofrimento, chegamos na ponte Rialto, e nos arrependemos. A própria ponte possui lojas sobre ela e o que parece ser um destacamento permanente de madames revestidas de roupas de marca bloqueia a passagem. Depois de algum tempo, alcançamos a Piazza San Marco. De lá seguimos por uma rua que contorna o sul de Veneza, aberta para o mar por algum tempo. Mas logo não aguentamos o calor e nos embrenhamos novamente para dentro das vielas. A vantagem de ter passado a Piazza é que a quantidade de turistas diminuiu bruscamente, e então podemos aproveitar melhor o passeio. Também achamos uma fonte, e com isso acabamos nos molhando inteiros para nos refrescar (inclusive o Picot!). Dali, o passeio se tornou mais agradável. Seguimos até próximo do Arsenal, onde assumimos que estávamos cansados e resolvemos voltar. Acho que andamos coisa de 10km, sob calor intenso (nosso ponto fraco!).

Passando para nossas impressões da cidade, devo dizer que foi melhor do que o esperado. A quantidade de pessoas não é algo que seja possível culpá-la, claro, mas os prédios comuns não estão bem conservados, mesmo cada lugar ali custando uma fortuna, nós vimos em imobiliárias locais (a gente adora isso!). Mas de maneira geral a cidade é bastante única, com uma história muito rica. A Piazza San Marco é incrivelmente grande, o que eu não esperava, e muitíssimo bem trabalhada. Uma somatória de prédios importantes no local deve dar para os arquitetos um espetáculo a parte, mas eu como leigo só posso admirar a riqueza de detalhes e luxo, sem consideração pelos estilos. Tanto a catedral como o palácio do Duque são dignas do poder comercial que foi a cidade, definitivamente. Uma vantagem intrínseca da cidade é a ausência de carros. Isso iguala todos os turistas, democratizando o acesso e ampliando o compartilhamento dos espaços. E principalmente, a cidade não fede, como dizem as más línguas. De maneira geral, vale a visita, mas muito cuidado para a síndrome de Paris não se estender para Veneza!

Na manhã seguinte, depois de resolvermos um sumiço de passaporte que o camping mantém como refém quando você se hospeda e depois não sabe onde guardou, seguimos para oeste, na direção de casa! Passamos rapidamente por Pádua (pedido meu, por questões familiares), somente para perceber que não havia nada para se ver na cidade além da Basílica de Santo Antônio. Mas eu fiquei feliz de ter descoberto que o nome do lugar, e consequentemente o meu, vem da antiga vila de Patavium, anterior até ao domínio romano.

Seguimos para Milão, onde chegamos ainda cedo. Aqui gastamos mais tempo, primeiro rodando seu Parco Sempione e o Castello Sforzesco, depois andando até a Catedral. Como outros locais, esse eu já conhecia, mas achei que valia a pena uma segunda visita, além de levar a Ju até um ponto em que eu garantia que valia a pena! O Parque é bastante amplo e bem cuidado e o Castelo permite a visita de muitas áreas de maneira gratuita, além de ser um excelente exemplar de construção militar antiga. A cidade prova que continua sendo o destaque econômico no vale do Pó por seu tamanho, pela qualidade dos espaços públicos e pelo nível de suas construções. Na cidade, a maioria dos locais são bem preservados e cuidados, limpos e bem planejados. Eu acho uma cidade muito boa para se passar algum tempo caminhando a esmo, já que isso sempre te levará a algum lugar agradável e bonito.

De Milão fizemos o que deveria ser uma volta rápida pela cidade de Como, para que a Ju visse pelo menos uma parte de um lago na beira dos Alpes. A cidade em si foi tranquila de passar, apesar das ruas estreitas. O problema foi na volta, quando eu errei feio o caminho por ter acreditado nas placas e acabamos perdendo um tempo precioso indo para lugar nenhum… Eventualmente nos encontramos e seguimos a estrada para Aosta. Aqui neste caminho tivemos uma surpresa desagradável. Vimos uma placa que indicava um castelo próximo da estrada, inclusive o próprio castelo era visível e muito, muito bonito. Ficamos um tanto excitados com a ideia de visitá-lo mas, depois de muitas voltas em estradinhas confusas, e de pagar muitos pedágios, chegamos lá só para descobrir que hoje ele é um restaurante ultra-chique e a visitação é proibida. Minha vontade era arrancar todas as placas no caminho, para que ninguém mais fosse enganado como nós fomos… Saindo do “castelo” entramos logo no Vale de Aosta.

Depois de mais um erro de navegação nos custando um bom tempo, no qual a Ju empatou o placar de erros comigo, encontramos a pequena estrada que levava para o nosso camping. O problema é que parecia que todos os italianos resolveram subi-la ao mesmo tempo, e pegamos um transito absurdo por entre pequenas vilas de montanha. Apesar da desordem da estrada, aqui temos que admitir que a paisagem era deslumbrante, tendo até vista para montanhas com neve eterna dos alpes. As montanhas e vales dos Alpes italianos são bem diferentes do que estamos acostumados nos Pirineus, com formatos mais acentuados e rios mais caudalosos. Ou pelo menos foi o que eu senti. Pudemos aqui aproveitar uma noite de frio, além de conhecer um canto da Itália que mais parecia a Alemanha, inclusive com um dialeto que se assemelhava a línguas germânicas.

No dia seguinte, saimos cedo e tivemos nossa penúltima decepção com a Itália no pedágio de fronteira, que custava 45 euros! O rapaz que trabalhava ali, vendo minha indignação, me indicou outro caminho, por sobre os alpes. Voltamos na estrada e tivemos a última decepção quando depois de uma curva abrupta a estrada bifurcava, não dando tempo ao motorista de escolher o lado que seguir caso não soubesse disso de antemão (claro que não havia placas antes). Rodamos por mais de uma hora para fazer o retorno e desembolsamos mais 7 euros de pedágio. Por fim, acertamos a estrada e passamos pelo Col du Saint Bernard e descemos as montanhas em direção de Bourg Saint Maurice. O ponto importante aqui é que planejávamos visitar Chamonix e o Mont Blanc, mas não havia rota não pedagiada naquela direção. Resultado é que alteramos nosso caminho para não gastar todo nosso dinheiro no pedágio, mas acabamos tendo boas surpresas do “lado pobre” dos alpes.

Bourg Saint Maurice é uma cidade de montanha francesa bem parecida com as dos Pirineus. Muito simpática e simples. Aproveitamos a visita para reabastecer suprimentos. No inverno a região deve ficar tumultuada com o turismo de esqui, imagino eu, pela quantidade de lojas de turismo fechadas. Dali seguimos para Annecy, onde aproveitamos as belezas de um lago de um azul cristalino junto as montanhas e enfrentamos um trânsito bastante parado e agressivo. Seguimos direto para Lyon, onde só cruzamos a cidade de carro, gastando tempo até demais no caminho, e seguimos a estrada até Brive la Gaillarde, atravessando um imenso vazio demográfico no meio da França. Chegamos tão tarde no camping e saímos tão cedo que o atendente da recepção se recusou a cobrar nossa estadia!

Nossa última cidade visitada foi Rocamadour, um casarão sobre um penhasco, com a cidade e a igreja construída na encosta mais abaixo. O local é fortemente frequentado por católicos, como uma peregrinação, mas eles são extremamente simpáticos com turistas e suas igrejas ficam permanentemente abertas para visitação gratuita. O cenário de pedra, com uma dose imensa de verticalidade, impressiona bastante. Mesmo cansados da viagem toda, tendo dirigido por dezenas de horas em poucos dias e tendo visto muitos locais únicos, Rocamadour foi uma agradável surpresa para terminarmos bem. É um daqueles locais que as fotos não são muito aprimoradas ou tiradas de um jeito específico para ficarem boas, o lugar é exatamente aquilo que a foto mostra! Saindo dali, pegamos o caminho inteiro até a Catalunha, onde a Ju já ficou em Puigcerdà para pegar o trem para Barcelona e resolver algumas burocracias, enquanto eu vim para casa com o Picot. Ufa!

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Como prometido, farei uma relação de lugares da Itália que visitamos e outros locais mais bonitos e provavelmente mais baratos e acessíveis que são equivalentes. Isso por causa da chuva de críticas que fiz ao país, me sentindo na obrigação de dar alguma alternativa. Listei somente cidades que eu visitei.

Cinque Terre – No texto eu já disse que Paraty ou Trindade são melhores, mas uma opção européia é Cadaqués, com uma beleza natural e de construções superiores, um bom atrativo artístico com a presença forte de Dalí e ainda com crema catalana! (um crème brulée local)

Lucca – Apesar de seus muros convertidos em um parque serem especiais, esse talvez seja o único atrativo real da cidade. Carcassone também é murada, e ainda é fácil encontrar crepes de Nutella. Toledo ou Girona também são muradas e valem uma visita.

Pisa – Quer ver uma torre bem construída, com riqueza de detalhes, num local deslumbrante e que não entorta porque foi bem planejada? Vá para Lisboa e aproveite a Torre de Belém, aproveite para comer muitos doces portugueses!

Florença – Essa não tem substituição, admito.

Veneza – Apesar de bastante única, seu estilo não muda tanto assim de Amsterdã. Bruges também tem lindos canais, além de bons chocolates.

Gênova – A história de Gênova não pode ser substituída, mas no quesito agradabilidade e estilo, volto a sugerir Lisboa, outro porto importante com um destaque na época moderna. Também Londres, apesar de importante em diversos momentos, se superou na idade moderna e sua navegação, apesar de fluvial, foi de extrema importância.

Milão – Apesar de eu gostar muito dessa cidade, seu castelo não é melhor que o de Carcassone. Mantido o mesmo estilo, temos o de Perpignan também, feito de tijolinhos e com um grande pátio interno.

Vale de Aosta – Quando o assunto é montanha, eu sou um forte defensor dos Pirineus. O esquecido Val d’Aran é mais acessível (seu túnel não tem pedágio), mais tranquilo e incrivelmente bonito (vale conferir o post que fizemos!).

Acho que é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da viagem, e se precisarem de dicas, estamos sempre à disposição!

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Annecy (França)

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Annecy (França)

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Lion (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

Na fan page do blog no Facebook você pode conferir todas as fotos e vários videos sobre essa viagem completa!

Road Trip 1 – Parte 2

Road Trip 1 – Parte 2 – 16/02 a 19/02

Languedoc-Rousillon / Empordà / Girona

Dando prosseguimento ao relato de nossa viagem, conhecemos na manhã do segundo dia Perpignan. É uma cidade historicamente catalã, mas que em uma das muitas guerras foi cedida para a França, junto com a região em volta, o tal Rosilhão. Os catalães chamam também de Catalunya nord, ressaltando os laços culturais, mas por lá não vimos nenhuma “Estelada”, a bandeira independentista catalã, que abunda nos territórios sob domínio espanhol. Perpignan tem um lindo passeio ao longo do rio Basse, passando pelo centro histórico. O rio Tet, muito maior, divide a cidade não só fisicamente, mas também em estilo e aparentemente idade das construções. Há uma catedral imensa que, diferentemente das de Figueres, Girona ou mesmo de La Seu, é bastante iluminada e colorida (a torre me lembrou o Castelo Rá-Tim-Bum…). Destaca-se também nessa cidade um imenso forte que foi amplamente reformado durante sua história, devido as mudanças constantes de domínio sobre a cidade. É possível ver pelo menos 2 tipos diferentes de construção de pedra, além de trechos imensos de tijolos. A vista de cima do forte eu diria que é impagável, mas a entrada custa 4 euros, o que é bem pagável… O forte tem relação com algum palácio de Maiorca, pois houve um rei que teve os 2 territórios como domínio, mas a cidade trocou muitas vezes de mão, por diversos motivos, então é muito difícil mesmo descrever a cultura local em poucas palavras.

Saindo de Perpignan, seguimos sentido sudeste, chegando até as praias já quase na divisa com a Espanha. Paramos por um bom tempo em Port Vendres uma cidade muitíssimo charmosa, (*tipo Mônaco*) sem o problema de ter que lidar com ricaços. De fato, a cidade parece destino daqueles que realmente gostam de navegar mas só tem barcos pequeninos, além de aposentados. A marina da cidade possui uma grande quantidade de pequenas embarcações, mas poucas grandes e luxuosas. As construções são simples, mas bem preservadas, e também mantém um estilo coeso entre si. Demos uma boa volta pela cidade, até chegar a umas ruínas de fortes e bunkers na encosta de um penhasco. Além dos confrontos com a Espanha, ali também teve presença alemã na 2° guerra. Definitivamente um excelente lugar pra passar uma tarde despreocupada!

Seguimos a estrada passando por algumas outras cidades costeiras. Todas aqui seguem o padrão de além do litoral, por também estarem incrustadas nas montanhas, no trecho final dos Pirineus. As estradas são todas muito estreitas e os franceses dirigem assustadoramente mal por ali, mas a vista compensa. Eventualmente chegamos de volta a Catalunha, onde a gasolina é muito mais barata, mas não se encontra crepes de nutela… Na divisa, há um pequeno obelisco franquista, construído para marcar a vitória de seu golpe. Os catalães jogaram tinta vermelha no “monumento”, mas eu achei que ainda foi pouco… Por ali passaram muitos refugiados republicanos quando Franco tomou a Catalunha, tendo a França acolhido eles. Alguns inclusive lutaram pela França na segunda guerra, levando a Estelada para a batalha contra os nazistas. Claro, isso era proibido pelo governos francês, assim como outras línguas que não a oficial, mas catalães parecem não se preocupar com esses detalhes.

Seguimos pelo litoral até Cadaqués uma cidade absolutamente maravilhosa para se ver a distância, mas horrível para entrar. O cenário litorâneo e com construções todas brancas é magnífico, mas as ruas são todas muito estreitas e infestadas de carros. São pouquíssimos os pontos para se parar o carro fora da cidade e menos ainda para se parar dentro. De qualquer maneira, merece uma visita, principalmente para quem gosta do estilo da cidade de Paraty. Fomos até a vila de pescadores onde a Família do Salvador Dalí tinha uma casa. Lá tem um museu bem caro pro tamanho dele, e nós preferimos só ver de fora mesmo. Fomos a uma praia pequenina ali perto e quando criamos coragem para entrar na água gelada, percebemos que o mar estava infestado de águas vivas. Daí então mudamos nossos planos e fomos até um bairro com uns casarões no entorno da cidade e ficamos um bom tempo sentados assistindo ao mar se chocar contra os rochedos. Destacou-se nessa cidade uma “rua” com um rio no meio, que nos deixou muito confusos. Havia água correndo em quantidade no meio do caminho concretado, mas também haviam carros estacionados em volta. Sem saber se era uma rua alagada ou um canal quase vazio, resolvemos sair rápido dali.

Chegamos a Figueres no final do dia, desta vez com uma pousada agendada. *A pousada, chamada Don Pepe, é uma pequena hospedaria de um casal muito gentil, que vive no piso superior e aluga os quartos do piso intermediário. Por fora não daria nada pelo local, uma sobreloja numa avenida movimentada no perímetro da cidade, mas ao entrar nos deparamos com um local muito aconchegante, limpo, arrumado e confortável! Dormimos muitíssimo bem e aproveitamos os banhos quentes! Recomendo pra quem quiser se hospedar em Figueres. O preço é excelente e é possível reservar pelo booking.com, inclusive pelo app (http://hostaldonpepe.com/). Além disso está próxima da Decathlon local e de restaurantes mais baratos de rede, para os que preferem.*  Depois de um bom e necessário banho, andamos até o centro da cidade para ver a catedral e alguns marcos na frente do museu Dalí, que estava fechado pelo horário já. Figueres é uma cidade que eu acho bastante curiosa. Se situa entre as montanhas e o mar, então há opções para todos os gostos! Também é pequena sem ser provinciana, e a presença do Dalí certamente contribui demais para isso. É bastante quente, mesmo agora no inverno, mas quem está ali e deseja esquiar pode obter isso com algumas poucas horas de estrada. Uma excelente cidade para os amantes de surrealismo e natureza!

No terceiro dia da viagem, descansados e revigorados pela boa noite de sono, resolvemos nos desgastar de novo logo pela manhã! Seguimos pra vila de Albanya, encravada no vale do rio Muga, e de lá pegamos uma estrada de terra até o começo da trilha para Sant Joan Bossols (Mussols em algumas versões). Dali, foram uns 40 minutos de subida por uma trilha com muita pedra solta até chegarmos na igreja. A vista de cima do cume é bastante ampla, podendo ver, em dias limpos, Figueres tranquilamente, apesar dos mais de 20 km de distancia em linha reta. Ficamos um pouco ali apreciando a paisagem e a antiga construção de pedra em um lugar tão ermo. Dali, seguimos para a encosta do rio Muga, mas a água fria e a correnteza forte impediram de até pensar em nadar.

De Figueres seguimos direto para Girona, onde vimos as impressionantes construções do centro velho. É um distrito construído numa encosta, com direito a uma catedral de proporções absurdas, uma extensa muralha com torres em intervalos regulares e jardins muito bem cuidados. As construções, todas de pedra, somadas a falta de qualquer presença de cor, faz com que a região pareça sinistra. Ainda assim, é tudo muito imponente. Seu rio, o Oñar, é bastante limpo, e as pontes notáveis e os prédios construídos sobre as margens criam um cenário delicioso para um passeio. Girona é uma cidade de extrema importância cultural e histórica para a Catalunha. Suas muralhas, por exemplo, são da época carolíngia, e seu bairro judeu é um dos mais preservados da Europa. Aqui encontramos os amigos que foram o motivo original da viagem. Mas pelas circunstâncias, cada um voltou a seu próprio local para dormir. *Nós ficamos num hostel com infra estrutura muito boa, no centro velho de Girona, por preço imbatível. Ele faz parte de La Xarxa Nacional d’Albergs Socials de Catalunya (XANASCAT – https://www.xanascat.cat/), uma rede catalã muito interessante. O esquema é de hostel, com beliches e banheiros compartilhados, mas conseguimos um quarto apenas para nós dois.* 

No quarto e último dia seguimos todos para o litoral, passando por L´Estartit, onde almoçamos e passeamos pela marina da cidade, e depois indo até Begur, também no litoral, mas mais montanhosa. Ali subimos até uma pequena fortaleza no topo de uma colina, onde uma vista privilegiada para o mar aguardava, além de uma imensa e tremulante Estelada! Foi um dia mais tranquilo, mais focado nas refeições e nas conversas do que os anteriores e a volta nos tomou um tempo bastante longo, mas ainda assim foi uma viagem muito enriquecedora em todos os sentidos.

(*observações da JuReMa!As legendas das fotos também são by JuReMa)

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Perpignan

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Rio Basse

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Rio Tet

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Torre da Catedral

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Catedral

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Vista do forte

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Vista do Forte

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Forte

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Forte

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Forte

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Port Vendres

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Bunkers

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Cadaqués

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Vila onde está o Museu Dalí (casa onde ele viveu)

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Museu Casa Dalí

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Figueres Museu Dalí

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Albanya – Bifurcação próxima ao início da trilha, perto de onde deixamos o carro

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Ponto onde saímos da estrada pra entrar na trilha em subida abrupta.

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Igreja de St Joan de Mussols

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Ruínas de outra igreja, já próxima ao Rio Muga

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Rio Muga

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Girona

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os jardins são muitos e lindos

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parte de trás da catedral

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catedral

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vista de cima da muralha

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muralha

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L’Estartit

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Crédito da foto: Lívia Andrade

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Crédito da foto: Lívia Andrade

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Vista da subida pro forte de Begur

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Igrejinha no caminho – Sant Ramon Nonat

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Vista do alto da fortificação

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Estelada