JuReMa no BPM: Choques Culturais e Horários

No dia 08 de outubro, saiu no BPM mais um texto meu, dessa vez falando sobre alguns choques culturais e adaptações relativas à horários, calendário laboral, formas de fazer contratos e vidas na cidade pequena no interior da Catalunha.

Vai lá, clicando aqui e lê o texto desse mês! Tanto eu quanto as Brasileiras do BPM nos sentiremos lisonjeadas. Aproveita e deixa aqui ou lá seu comentário com dúvidas ou contando situações similares!

Esse foi meu terceiro texto para o BPM. Dia 02 de setembro foi publicado meu primeiro texto, sobre os Desafios de ser vegetariana no interior da Catalunha. E em 01 de outubro entrou um texto extra sobre o Referendo de Independência da Catalunha, que já rendeu muitos comentários e pano pra manga lá. Se quiser, aproveita e entra pra ler e conhecer um pouco mais!

Estamos com poucos posts de viagens, mais só porque estamos viajando muito! Daqui a pouco o André volta a compartilhar nas sextas-feiras o que andamos fazendo com vocês. Enquanto isso aproveita e curte as fotos das paisagens lindas que vimos ao longo do último ano no Instagram e Fã Page do Facebook do blog!

 

Big Little Lies

Apesar do texto ir ao blog na terça, hoje é sábado. São quase 18h e eu estou atônita, olhando para a tela do meu computador depois de terminar de assistir Big Little Lies, sem saber o que pensar, o que sentir, além de que eu queria muuuuuuuuito nesse momento dar um abraço bem forte em todas as mulheres que eu conheço e dizer “Você não está sozinha! Está tudo bem!”

Eu não vou dar spoilers, e peço a gentileza que não deem, caso deixem comentários, mas recomendo fortemente que assistam! Especialmente se você for mulher. Não é um seriado leve. É forte, os temas são pesados. Mas fala muito profundamente com o âmago da realidade de ser mulher. Mesmo que seja de uma mulher linda, rica, californiana.

Esse seriado é extremamente relevante, embora possa não parecer a princípio, porque fala de algo que hoje em dia é norma: a falsa realidade, a vida aparente. Lembre-se sempre, sempre, que todas as pessoas do mundo, apesar das fotos de viagens, comidas lindas e gostosas, amorzinhos sem fim e tudo o mais que o facebook, instagram e mídias sociais representam hoje em dia, todos são humanos! E todos nós levamos uma bagagem bem pesada nas costas!

Algumas bagagens são mais violentas, outras mais amorosas, algumas mais sofridas em silêncio e outras aos berros, mas todos nós temos uma bagagem enorme. E todas as mulheres apendem desde cedo a sorrir, serem bonitas, apesar de, e justamente porquê possuem, suas bagagens.

Tratem as pessoas com amor, a gente nunca sabe o quanto o outro precisava daquele abraço, daquele elogio sincero, daquela pausa pro café, pra desabafar, pra sentir confiança em contar com o outro. E mulheres, minhas irmãs, sejam mais solidárias! A gente sabe o quanto cada uma sofre, e sabemos que por trás de cada sorriso existe muuuita bagagem! Vamos nos olhar nos olhos de forma a ir além dos sorrisos, e dar amparo à alma! É tudo que ofereço e peço!

De quebra, assista quando puder. São 7 episódios de aproximadamente 1h cada. Veja na ordem. Não veja o sétimo antes de nenhum outro. Você só respira aliviada nos últimos 10 minutos. Até lá, perceba na maldade humana o reflexo de outras maldades, e perceba que os ciclos não se rompem sem muito amor, muito apoio e muita sororidade!

Ah sim, aproveita e baixa também a trilha sonora, vale a pena!

Aproveito pra deixar aqui essa dose de amor bem nessa semana que completei meus 31 anos. Sim, eu amo ser uma mulher na casa dos 30! E sinto que ficará cada vez melhor! ❤

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Aiguestortes

08/09/17

Um dos locais mais famosos dos Pirineus é o Parc Nacional d’Aiguestortes, localizado no Noroeste da Catalunha, entre Val d’Aran e Pallars Subirà. A região é bastante despovoada, com menos de 20 mil habitantes entre as duas comarcas. Isso ajuda tanto na preservação da natureza quanto na sensação de isolamento, já que para chegar lá é preciso passar por imensos vales com apenas algumas esparsas vilas. Claro, durante fins de semana e dias festivos os parques são muito visitados, os catalães dão o devido valor para a natureza, sendo o excursionismo uma atividade disseminada pela região. Nós resolvemos criar vergonha e ir conhecer o local, que fica a aproximadamente 1h30 de viagem de onde estamos, e onde não havíamos ido até semana passada… O parque engloba uma série de vales profundos, regiões altas de montanha e agrupamentos de lagos de degelo. Um dos agrupamentos nós já descrevemos na trilha sobre os Colomers, mas o lago mais famoso da região é o Estany Sant Maurici, ladeado por uma cadeia de montanhas onde se encontra os famosos Encantats. Fizemos nossa peregrinação ao local, aproveitando para passar um pouco desse ponto, incluindo mais lagos na nossa visita, além de uma bela cachoeira e um “refúgio” de montanha.

A estrada até lá está muito bem sinalizada e preservada, exceto pelo trecho final, mas nada que comprometa a passagem, pelo menos no período sem neve. O acesso se dá mais ao norte de Sort, por uma cidade chamada Espot, que concentra escritórios para atividades esportivas de natureza e hotéis em sua pequena área. Dali, logo se chega a uma portaria, onde fica o carro. Seguindo a pé, o caminho é bem preservado e fácil para quem tem algum preparo físico, subindo levemente por um bosque por alguns quilômetros até o tal lago. No caminho, já é possível avistar os Encantats, uma montanha gigantesca e bastante recortada.

O lago em si é bonito, mas certamente não o mais impressionante que vimos até agora. O que colabora muito para classificá-lo como o mais famoso lago de montanha da Catalunha é o ambiente no entorno, com bosques de pinheiro e montanhas altas, enquanto os outros lagos já estão muito mais altos, em regiões acima de onde crescem árvores e muito perto dos picos. Também colabora o fato de ser muito acessível, tendo pessoas idosas e crianças feito a caminhada sem nenhum problema, além de um acesso por estrada para deficientes. Isso democratiza bastante o acesso, certamente. O lago de Certascan é muito mais bonito, por exemplo, mas o seu entorno é muito estéril e o acesso é praticamente impossível para quem não tem uma boa condição física. De qualquer maneira, o Sant Maurici é um local que merece a fama que tem, sem dúvida. Um outro ponto interessante do lago é que ele foi ampliado artificialmente com uma barragem. Nestes pontos ele é igual ao Lac Major de Colomèrs, diferindo dos lagos mais “naturais” como os de Perafita e Malniu.

Continuamos a trilha contornando o lago pelo lado norte. O caminho sobe seguindo um pequeno rio, que logo forma uma bela cachoeira, também bastante acessível. Ela não é grande, e também não chega a fazer uma queda vertical, mais deslizando pela pedra do que propriamente caindo. Mas a vista dali é de tirar o fôlego, mais do que já foi tirado com a subida até ali! É possível ver trechos do lago mais abaixo, por entre a mata. O caminho continua e logo a frente passa a linha das árvores. Isso é uma coisa muito curiosa em montanhas, há uma linha bem definida acima da qual as árvores não crescem mais. A vista fica muito mais aberta, mas tanto o sol como a secura ficam impiedosos. De qualquer jeito, segue-se por esse trajeto, contornando a estrada de montanha até o refugio de caminhantes Amitges.

Este refúgio de caminhantes não é exatamente nem um refúgio e nem de caminhantes… Muitas pessoas menos preparadas fisicamente, mas que querem curtir a altitude, pagam os jipes em Espot para serem levadas até ali. O local se converteu em uma espécie de hotel rústico, com direito a carregadores de mala que, em vez de táxis, dirigem LandRovers. Veja bem, nada contra esse tipo de turismo, desde que ele respeite o ambiente. O problema, na minha opinião, é a elitização do acesso, fazendo com que os caminhantes reais não tenham um local acessível para descansar durante as trilhas de mais de um dia. Também deixa evidente o confronto entre duas visões opostas de mundo, a visão daqueles que querem desfrutar da natureza em seu estado mais real e bruto, misturando-se a ela durante dias de estoicismo, com a visão de quem acha (e está certo) de que o dinheiro pode comprar os melhores locais, com as melhores paisagens, sem esforço ou comprometimento físico e ideológico. Fica claro qual das visões está lentamente eliminando a outra…

Passando o refúgio, chegamos logo a mais dois lagos, estes já de alta montanha. aproveitamos para nós refrescar um pouco (eu e o Picot, a Ju não!) e apreciar a paisagem antes de descida de volta. Lagos bonitos, mas nada páreo aos Colomèrs, que estavam a uma curta distância de nós neste ponto, do outro lado dos picos que nos cercavam. Para quem gosta de caminhadas longas (e, principalmente, não deixou o carro no estacionamento) essas trilhas de travessia ainda são muito bem preservadas nos Pirineus, mas dá a impressão de que já houveram dias melhores para os caminhantes. O caminho de volta transcorreu muito mais rápido, pois não precisamos parar para descansar.

No geral, eu achei que o parque merece sim a fama, que seja pelo menos por tornar acessível à todas as pessoas as belezas das montanhas. Mas se alguém quiser conhecer aquele canto único, onde quase ninguém vai, a raridade, não deposite suas esperanças aqui. Em nenhum momento ficamos plenamente sós na trilha, o barulho de conversas era constante (inclusive as nossas) e os jipes passavam com frequência por nós. A quem procura um canto reservado, minha dica é abrir o google maps, procurar os lagos mais próximos dos topos das montanhas e mais distantes das estradas, e então descobrir por conta como chegar lá!

La seu - Parking Sant Maurici

La Seu – Espot – Parking Saint Maurici

trilha Sant Maurici - refugi amitges

Estany Saint Maurici – Refugì dels Amitges (Trilha disponível para download

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O Estany de Saint Maurici

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Els Encantats

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Continuamos a trilha

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Lagos acima do Refugì dels Amitges

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Ferrante

Mês passado eu li a Série Napolitana da Helena Ferrante, primeira obra dela que leio. São 4 volumes que me absorveram e consumiram por completo. Ainda tô tentando digerir. Às vezes me pego pensando, me inspirando. De tudo, o que mais queria dizer é, obrigada! De tudo o que mais sou é grata por poder ler tal obra.

Os quatro volumes, que inspiram ares de uma longa saga, não poderiam estar mais distantes de todas as sagas heroicas que li e reli com tanto gosto e afinco na vida, e ao mesmo tempo nunca me senti tão inspirada por uma saga. Ferrante é mulher. Primeiro e acima de tudo! Depois é escritora, de porte e renome, e de uma escrita que só posso definir como verdadeira. Nessa obra, escrita entre 2012 e 2015, Helena nos presenteia com um relato detalhado de sua vida, já de uma perspectiva da autora idosa, podendo assim falar de começo, meio e ares de fim, numa história auto-biográfica com gostinho de auto-ficção.

Depois de terminar os quatro volumes só conseguia pensar, obrigada! Obrigada por me mostrar que ser escritora é mais que ser brilhante. Que a literatura é mais do que as sagas heroicas. Obrigada por ser mulher! Obrigada por me mostrar que ser mulher é viver uma saga heroica, digna de muitos volumes.

O estilo de escrita é ao mesmo tempo delicado, feminino, visceral, sujo, cheio de confissões, revelando medos, paixões e destinos. Helena nos mostra que ela é sim, ao mesmo tempo brilhante e como qualquer uma de nós. Nos mostra que mesmo uma ativista feminista, que escreveu e debateu sobre a situação da mulher ainda nas décadas de 1960 e 1970 na Itália, pode ser vítima de relações abusivas e más escolhas amorosas.

Helena nos mostra que criar filhas e ter uma carreira foçam a mulher a decisões dificílimas, que são tomadas sempre muito sozinha, mas cujos resultados são duramente julgados pela sociedade, pelos homens. Mostra também que “bons” homens não são necessariamente “bons” pais. Que intelectualidade não é sinônimo de inteligência emocional. E que as violências psicológicas impactam tanto a vida quanto às físicas.

Mas Helena mostra também que temos essa força para seguir a vida, a pesar, e por causa de tudo isso. E que as consequências são isso, consequências. Boas ou más é um julgamento individual, dos que conosco convivem e sofrem as bençãos e desgraças dessas consequências.

Ela nos mostra que tentar agradar é falhar. De ante mão! Sempre. E que ser “bem-sucedida” é um conceito tão vazio e vago quanto um pântano cheio de neblina. Família é um conceito abstrato, que se confunde com amizade, origens e empatia. E que ao longo da saga que é a vida de cada um de nós, as mesmas personagens assumem papeis diversos, de heróis à antagonistas, cada qual por sua vez. E aqui a protagonista não é protegida. Não existem os “bons” e os “maus”, existem nós. Todos nós.

Me chocou a violência doméstica estatizada italiana. Que incluí de estupros dentro do casamento à crianças defenestradas em surtos de raiva dos pais. Incluí também violências mais delicadas, como competições entre amigas e irmãs, desde por notas escolares e carreira profissional até namorados, maridos e amantes. A falta de sororidade é proporcional ao nível de violência machista. Acaso? Duvido, e Helena também.

Me choca também o desligamento do conhecimento acadêmico e da elite intelectual com o povo, às necessidades reais da sociedade e capacidade de comunicação bastante desgastada, se é que algum dia ela existiu de fato, entre os grupos. Seja quando ela relata a própria experiência acadêmica e a relação de desaprovação de seu trabalho em comparação inversa com a apreciação do público em geral pelo seu trabalho publicado. Seja entre os militantes partidários de esquerda bem estudados e os trabalhadores sofrendo as violências diárias nas fábricas. Seja entre o discurso do “bom moço” e suas ações práticas no trato com as mulheres.

Então, o que aprendi com Helena é que a vida é uma saga onde ninguém é herói, onde alguns conseguem tudo com pouco esforço, por nascimento ou influência e outros perdem sistematicamente tudo o que conseguem com muito esforço. Mas que no final, nem isso importa. Que se queremos algo devemos fazer nós mesmos, e que família são os amigos que construímos no caminho, assim mesmo dadas proporções. E que em meio a toda essa vasta solidão, basta amarmos a nós mesmas e seguir confiante. O não já temos, então por que tanto medo de tentar o sim?

Obrigada, Helena!

 

Estany de Malniu

05/07/17

Em Agosto nós relaxamos um pouco e acabamos não fazendo trilhas originais. Repetimos algumas pequenas, até chegamos a dromir em um refúgio aberto, mas não havia nada de muito novo para contar. Até que na última terça resolvemos fazer uma caminhada pequena, mas nova, até o Estany de Malniu, só para aquecer e nos prepararmos para um grande plano que temos, de passar 2 dias e meio em trilha. Acontece que, como de costume, passamos do Estany e seguimos caminhando um tanto a mais, e tivemos que adiar nosso grande projeto porque nossas pernas não resistiriam… De qualquer jeito, acabamos fazendo uma boa caminhada em um local inusitado!

Começamos o dia um pouco tarde, já que não tínhamos nada planejado e acabamos fazendo isso pela manhã. Fomos com o carro até o Refugi Malniu, que fica a uma distância pequena do lago homônimo. A distância entre eles é de não mais do que 2,5 km de trilha, com uma subida leve. Este trecho estava bem movimentado, sendo constante a presença de pais e mães com suas crianças, deixando claro a facilidade do caminho. Contornamos o lago pelo lado oeste e começamos a subir novamente em direção ao Prat Fondal, uma área plana um pouco acima do lago. A trilha oficialmente acabaria aí, mas nós vimos a chance de subir a encosta mais alta, que divide a Catalunha da França. Tomamos coragem e, saindo da trilha demarcada, começamos a nossa escalada.

O caminho a partir deste ponto foi lento e bastante inclinado. Nós procurávamos a cada 50 ou 100 metros alternativas viáveis para a passagem, pois às vezes nos encontrávamos de frente com paredões de pedra imensos, brejos lamacentos ou vegetação volumosa demais para passarmos. Eventualmente chegamos em um local mais plano e, para nossa surpresa, o que achamos que seria o fim da trilha era na verdade a metade da subida. Não querendo desistir já tendo subido tanto, paramos para descansar um pouco e logo continuamos o caminho. Neste ponto, fomos surpreendidos por um barulho incomum, alguma coisa grande se movendo por perto. Porém não havia som de motor. A Ju avistou antes um imenso planador passando sobre nós, e da segunda vez que ele passou eu percebi que ele vinha acompanhado. Os dois planadores rodaram sobre nossas cabeças por algum tempo e depois desapareceram… Logo alcançamos uma passagem que dava uma vista melhor, e vimos que o resto da subida seria ainda pior. Só tínhamos uma alternativa, porque o vale a nossa frente era extremamente inóspito, e então contornamos a borda mais próxima de nós, que era menos escarpada. Depois de um trecho que oscilava entre caminhada e escalada, alcançamos o topo!

Para a nossa surpresa, quando conseguimos vista do topo, o local não era uma cadeia estreita de picos, como geralmente acontece. Demos de cara com um platô gigantesco e levemente ondulado, onde trechos de um pasto duro e áreas de pedra bruta se alternavam no terreno. Eu sabia onde nós estávamos, aproximadamente, e achei que seria proveitoso andar até a ponta oposta do platô, pois ali havia um imenso vale, já na França. Neste ponto, a vista aberta do local me enganou um bocado, e eu achei que as distâncias eram muito menores do que na realidade. No meio do caminho achamos um riacho tão limpo quanto frio, e aproveitamos para encher a garrafa, que já estava quase vazia (a Ju tinha uma segunda, mas ainda assim).

Durante esta parte toda pudemos apreciar manadas de vacas e cavalos, que eu imagino que estando ali fiquem fora do alcance dos fazendeiros da região, além de bandos de cervos selvagens. Assim que o Picot percebeu estes animais, saiu correndo o mais rápido possível atrás deles. Sendo a vista aberta, achei que não teria problema deixá-lo exercer seus instintos, sabendo que ele não alcançaria nada! Depois de muita corrida, ele voltou exausto, com um olhar satisfeito! Também vimos alguns locais onde pequenas flores vermelhas se alastravam pelo chão, formando vários pequenos núcleos coloridos ao nosso redor.

Ao chegarmos na ponta norte do platô, pudemos dizer que o esforço foi recompensado. A vista do vale é surpreendente, com uma pequena cadeia de picos dividindo-o no meio. Dali conseguimos ver duas cidades francesas e os caminhos que levam delas à área selvagem de Andorra, pela Portella Blanca. Neste ponto, tivemos o diálogo mais incomum do ano, sobre um helicóptero que passava voando a mais de 1km de altura abaixo de nós, de tão alto que estávamos. Descansamos um pouco neste local, apreciando a vista e o frio que fazia ali, antes de iniciar nossa volta.

Seguimos em direção ao lado catalão mais uma vez, passando por uma vaca morte, da qual só restava o couro e os ossos. Foi um pouco mórbido, mas nos mostrou como o local realmente é inóspito. Ao chegarmos nas escarpas do lado sul, demoramos um pouco para achar um ponto adequado para a descida. Mas eventualmente encontramos um caminho que se não foi fácil, também não foi impossível. Atravessamos depois da descida uma região dominada por grande pedras, sobre as quais tivemos que pular, para o desespero do Picot que muitas vezes não dava conta de escalá-las. Mas ele sempre achava um caminho alternativo e nos alcançava. Atravessamos alguns riachos que passavam por dentro de pedras e cavavam túneis no solo, de onde nós ouvíamos mas não víamos a água. Eventualmente chegamos de novo ao Prat Fondal e, desviando de algumas vacas, voltamos até o Lago. Dali, seguimos o mesmo caminho de volta para o carro.

Apesar do cansaço ter nos impedido de fazer a maior caminhada planejada até agora, que seria neste fim de semana, nós já traçamos outros planos e pretendemos fazê-la até o fim dom mês. E também não podemos dizer que não aproveitamos a trilha que nós mesmo inventamos!

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La Seu – Refugí Malniu

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Aproximadamente a trilha que fizemos

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Estany de Malniu

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Início da subida de fato, no Prat Fondal

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Ache o planador na foto!

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Nessa foto é possível reparar que o lado esquerdo, pelo qual subimos é menos escarpado e cheio de pedras, enquanto o direito é um paredão de areia, impossível de subir

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Atrás da pedra grande é possível ver a parede lisa e inclinada

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O grande platô

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Ache a cidade no vale lá em baixo! Era sobre ela que voava o helicóptero

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A descida foi em meio a essas pedras

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Picot vigiando a fronteira

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Só couro e ossos

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Vista dos lagos lá de cima

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Descemos esse paredão aí

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Bezerro no pasto ou “boi da cara branca”

 

Road trip de Julho – parte 4 – De Volta pra Casa

Veneza foi o ponto mais distante que visitamos. Esse post engloba o que foi praticamente uma viagem de volta. Eu pessoalmente sou muito fã de roteiros circulares, já que é possível aproveitar muito mais. Então nosso plano englobou a volta por outro caminho, ampliando bastante o que tivemos chance de conhecer. Vamos à viagem!

Dormimos duas noites no camping próximo de Veneza, e o dia que passamos ali reservamos inteiramente para a Sereníssima. Não andamos o dia todo na cidade, claro, ficamos um bom tempo descansando no camping e revisando mapas, além de sofrer com o calor, claro! Este camping era especialmente lotado, com divisões de parcelas (o espaço para cada grupo) muito apertadas, para maximizar a capacidade. O resultado disso foi muito barulho e banheiros muito cheios (apesar de não sujos) e sem papel disponível (sempre, sempre leve o seu!). O público do camping também não ajudou, sendo composto de muitos jovens, o que aumenta a tendência para gritaria e músicas altas, quase sempre de péssima qualidade. Se vocês desejam tranquilidade, busquem campings familiares!

Para sair do camping e chegar na cidade foi um sufoco. Veneza é um local de acesso muito difícil, ainda mais caso se queira levar um cachorro. Tentamos pegar um ônibus, mas como qualquer coisa na Itália, o processo é tão complicado que é melhor evitar (o bilhete tinha que ser comprado anteriormente, mas não havia onde comprá-lo). Resolvemos ir de carro, mesmo sabendo que seríamos roubados pelo estacionamento. E de fato fomos, pagamos 18 euros por 3h nas ilhas… Do estacionamentos seguimos a pé até a Piazalle Roma, onde começa a Veneza de fato. Tínhamos um mapa e queríamos chegar na Piazza San Marco, passando pela ponte Rialto. Mas andar pela cidade provou-se um grande desafio, mesmo com, ou por causa de, as placas que indicavam o caminho da maneira mais imprecisa possível. A cidade conta com uma quantidade absurda de becos, turistas e lojas caras, tudo junto. Muitas vezes a velocidade de caminhada não passa do equivalente de uma procissão, e encontramos muitos locais em que a mesma direção era apontada em caminhos opostos pela sinalização. Depois de algum sofrimento, chegamos na ponte Rialto, e nos arrependemos. A própria ponte possui lojas sobre ela e o que parece ser um destacamento permanente de madames revestidas de roupas de marca bloqueia a passagem. Depois de algum tempo, alcançamos a Piazza San Marco. De lá seguimos por uma rua que contorna o sul de Veneza, aberta para o mar por algum tempo. Mas logo não aguentamos o calor e nos embrenhamos novamente para dentro das vielas. A vantagem de ter passado a Piazza é que a quantidade de turistas diminuiu bruscamente, e então podemos aproveitar melhor o passeio. Também achamos uma fonte, e com isso acabamos nos molhando inteiros para nos refrescar (inclusive o Picot!). Dali, o passeio se tornou mais agradável. Seguimos até próximo do Arsenal, onde assumimos que estávamos cansados e resolvemos voltar. Acho que andamos coisa de 10km, sob calor intenso (nosso ponto fraco!).

Passando para nossas impressões da cidade, devo dizer que foi melhor do que o esperado. A quantidade de pessoas não é algo que seja possível culpá-la, claro, mas os prédios comuns não estão bem conservados, mesmo cada lugar ali custando uma fortuna, nós vimos em imobiliárias locais (a gente adora isso!). Mas de maneira geral a cidade é bastante única, com uma história muito rica. A Piazza San Marco é incrivelmente grande, o que eu não esperava, e muitíssimo bem trabalhada. Uma somatória de prédios importantes no local deve dar para os arquitetos um espetáculo a parte, mas eu como leigo só posso admirar a riqueza de detalhes e luxo, sem consideração pelos estilos. Tanto a catedral como o palácio do Duque são dignas do poder comercial que foi a cidade, definitivamente. Uma vantagem intrínseca da cidade é a ausência de carros. Isso iguala todos os turistas, democratizando o acesso e ampliando o compartilhamento dos espaços. E principalmente, a cidade não fede, como dizem as más línguas. De maneira geral, vale a visita, mas muito cuidado para a síndrome de Paris não se estender para Veneza!

Na manhã seguinte, depois de resolvermos um sumiço de passaporte que o camping mantém como refém quando você se hospeda e depois não sabe onde guardou, seguimos para oeste, na direção de casa! Passamos rapidamente por Pádua (pedido meu, por questões familiares), somente para perceber que não havia nada para se ver na cidade além da Basílica de Santo Antônio. Mas eu fiquei feliz de ter descoberto que o nome do lugar, e consequentemente o meu, vem da antiga vila de Patavium, anterior até ao domínio romano.

Seguimos para Milão, onde chegamos ainda cedo. Aqui gastamos mais tempo, primeiro rodando seu Parco Sempione e o Castello Sforzesco, depois andando até a Catedral. Como outros locais, esse eu já conhecia, mas achei que valia a pena uma segunda visita, além de levar a Ju até um ponto em que eu garantia que valia a pena! O Parque é bastante amplo e bem cuidado e o Castelo permite a visita de muitas áreas de maneira gratuita, além de ser um excelente exemplar de construção militar antiga. A cidade prova que continua sendo o destaque econômico no vale do Pó por seu tamanho, pela qualidade dos espaços públicos e pelo nível de suas construções. Na cidade, a maioria dos locais são bem preservados e cuidados, limpos e bem planejados. Eu acho uma cidade muito boa para se passar algum tempo caminhando a esmo, já que isso sempre te levará a algum lugar agradável e bonito.

De Milão fizemos o que deveria ser uma volta rápida pela cidade de Como, para que a Ju visse pelo menos uma parte de um lago na beira dos Alpes. A cidade em si foi tranquila de passar, apesar das ruas estreitas. O problema foi na volta, quando eu errei feio o caminho por ter acreditado nas placas e acabamos perdendo um tempo precioso indo para lugar nenhum… Eventualmente nos encontramos e seguimos a estrada para Aosta. Aqui neste caminho tivemos uma surpresa desagradável. Vimos uma placa que indicava um castelo próximo da estrada, inclusive o próprio castelo era visível e muito, muito bonito. Ficamos um tanto excitados com a ideia de visitá-lo mas, depois de muitas voltas em estradinhas confusas, e de pagar muitos pedágios, chegamos lá só para descobrir que hoje ele é um restaurante ultra-chique e a visitação é proibida. Minha vontade era arrancar todas as placas no caminho, para que ninguém mais fosse enganado como nós fomos… Saindo do “castelo” entramos logo no Vale de Aosta.

Depois de mais um erro de navegação nos custando um bom tempo, no qual a Ju empatou o placar de erros comigo, encontramos a pequena estrada que levava para o nosso camping. O problema é que parecia que todos os italianos resolveram subi-la ao mesmo tempo, e pegamos um transito absurdo por entre pequenas vilas de montanha. Apesar da desordem da estrada, aqui temos que admitir que a paisagem era deslumbrante, tendo até vista para montanhas com neve eterna dos alpes. As montanhas e vales dos Alpes italianos são bem diferentes do que estamos acostumados nos Pirineus, com formatos mais acentuados e rios mais caudalosos. Ou pelo menos foi o que eu senti. Pudemos aqui aproveitar uma noite de frio, além de conhecer um canto da Itália que mais parecia a Alemanha, inclusive com um dialeto que se assemelhava a línguas germânicas.

No dia seguinte, saimos cedo e tivemos nossa penúltima decepção com a Itália no pedágio de fronteira, que custava 45 euros! O rapaz que trabalhava ali, vendo minha indignação, me indicou outro caminho, por sobre os alpes. Voltamos na estrada e tivemos a última decepção quando depois de uma curva abrupta a estrada bifurcava, não dando tempo ao motorista de escolher o lado que seguir caso não soubesse disso de antemão (claro que não havia placas antes). Rodamos por mais de uma hora para fazer o retorno e desembolsamos mais 7 euros de pedágio. Por fim, acertamos a estrada e passamos pelo Col du Saint Bernard e descemos as montanhas em direção de Bourg Saint Maurice. O ponto importante aqui é que planejávamos visitar Chamonix e o Mont Blanc, mas não havia rota não pedagiada naquela direção. Resultado é que alteramos nosso caminho para não gastar todo nosso dinheiro no pedágio, mas acabamos tendo boas surpresas do “lado pobre” dos alpes.

Bourg Saint Maurice é uma cidade de montanha francesa bem parecida com as dos Pirineus. Muito simpática e simples. Aproveitamos a visita para reabastecer suprimentos. No inverno a região deve ficar tumultuada com o turismo de esqui, imagino eu, pela quantidade de lojas de turismo fechadas. Dali seguimos para Annecy, onde aproveitamos as belezas de um lago de um azul cristalino junto as montanhas e enfrentamos um trânsito bastante parado e agressivo. Seguimos direto para Lyon, onde só cruzamos a cidade de carro, gastando tempo até demais no caminho, e seguimos a estrada até Brive la Gaillarde, atravessando um imenso vazio demográfico no meio da França. Chegamos tão tarde no camping e saímos tão cedo que o atendente da recepção se recusou a cobrar nossa estadia!

Nossa última cidade visitada foi Rocamadour, um casarão sobre um penhasco, com a cidade e a igreja construída na encosta mais abaixo. O local é fortemente frequentado por católicos, como uma peregrinação, mas eles são extremamente simpáticos com turistas e suas igrejas ficam permanentemente abertas para visitação gratuita. O cenário de pedra, com uma dose imensa de verticalidade, impressiona bastante. Mesmo cansados da viagem toda, tendo dirigido por dezenas de horas em poucos dias e tendo visto muitos locais únicos, Rocamadour foi uma agradável surpresa para terminarmos bem. É um daqueles locais que as fotos não são muito aprimoradas ou tiradas de um jeito específico para ficarem boas, o lugar é exatamente aquilo que a foto mostra! Saindo dali, pegamos o caminho inteiro até a Catalunha, onde a Ju já ficou em Puigcerdà para pegar o trem para Barcelona e resolver algumas burocracias, enquanto eu vim para casa com o Picot. Ufa!

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Como prometido, farei uma relação de lugares da Itália que visitamos e outros locais mais bonitos e provavelmente mais baratos e acessíveis que são equivalentes. Isso por causa da chuva de críticas que fiz ao país, me sentindo na obrigação de dar alguma alternativa. Listei somente cidades que eu visitei.

Cinque Terre – No texto eu já disse que Paraty ou Trindade são melhores, mas uma opção européia é Cadaqués, com uma beleza natural e de construções superiores, um bom atrativo artístico com a presença forte de Dalí e ainda com crema catalana! (um crème brulée local)

Lucca – Apesar de seus muros convertidos em um parque serem especiais, esse talvez seja o único atrativo real da cidade. Carcassone também é murada, e ainda é fácil encontrar crepes de Nutella. Toledo ou Girona também são muradas e valem uma visita.

Pisa – Quer ver uma torre bem construída, com riqueza de detalhes, num local deslumbrante e que não entorta porque foi bem planejada? Vá para Lisboa e aproveite a Torre de Belém, aproveite para comer muitos doces portugueses!

Florença – Essa não tem substituição, admito.

Veneza – Apesar de bastante única, seu estilo não muda tanto assim de Amsterdã. Bruges também tem lindos canais, além de bons chocolates.

Gênova – A história de Gênova não pode ser substituída, mas no quesito agradabilidade e estilo, volto a sugerir Lisboa, outro porto importante com um destaque na época moderna. Também Londres, apesar de importante em diversos momentos, se superou na idade moderna e sua navegação, apesar de fluvial, foi de extrema importância.

Milão – Apesar de eu gostar muito dessa cidade, seu castelo não é melhor que o de Carcassone. Mantido o mesmo estilo, temos o de Perpignan também, feito de tijolinhos e com um grande pátio interno.

Vale de Aosta – Quando o assunto é montanha, eu sou um forte defensor dos Pirineus. O esquecido Val d’Aran é mais acessível (seu túnel não tem pedágio), mais tranquilo e incrivelmente bonito (vale conferir o post que fizemos!).

Acho que é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da viagem, e se precisarem de dicas, estamos sempre à disposição!

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Veneza (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Milão (Itália)

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Annecy (França)

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Annecy (França)

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Lion (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

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Rocamadour (França)

Na fan page do blog no Facebook você pode conferir todas as fotos e vários videos sobre essa viagem completa!

Saúde

Há uns tempos atrás uma amiga muito querida me pediu/sugeriu escrever um post sobre saúde. No começo resisti muito, pois não sou nada da área de saúde e não posso ficar dando conselhos sobre isso por aí. Mas depois reli a sugestão dela e me veio na cabeça escrever sobre o que sempre escrevo: sobre mim! Sobre minha experiência, minha história, meu diário.

Vou contar um pouquinho do meu histórico aqui: nasci prematura, de 7 meses, pesando pouquíssimo mais de 1kg, para o desespero da minha mãe. Mas não tive nenhuma sequela. Na verdade, menos de 12h depois do meu nascimento, já não precisava de nenhum cuidado especial, nem os que normalmente crianças de 9 meses precisam. Mas não conseguia me alimentar. Fui alimentada por sonda por 45 dias, com leite materno, da minha mãe e de muitas mães de leite que eu tive!

Esse fato poderia ser irrelevante não fosse o detalhe que ele provocou na minha mãe e na minha avó: as obsessões alimentares. Ambas sofriam de anorexia, não diagnosticada, mas bastante óbvia se acompanhada de perto. Acho que quando eu nasci ainda não sofriam, ou não estavam em período de crise, mas ambas tinham problemas com depressão, ansiedade, minha mãe teve em diversas ocasiões crises de pânico, e no final da vida de ambas a anorexia se tornou evidente.

Desde sempre lembro de minha avó fazer comentários um tanto quanto maldosos sobre o peso, dela, meu, de primas, da minha mãe, e outras pessoas. Então creio que mesmo que não estivessem sofrendo com o baixo peso excessivo naquele momento, o tópico dos transtornos alimentares sempre esteve ali, rondando, sabe?! Mas o fato de eu ter nascido prematura e muito pequena teve um efeito, positivo ou negativo é discutível, e ambas me empanturraram de comida na infância: óleo de fígado de bacalhau, Biotônico Fontoura com sementes de sucupira mergulhadas, pernas de rã (que eu não gostava), rins (sempre odiei), foram uma infinidade de suplementos famosos na época que fizeram parte da minha dieta.

Resultado: aos 8 anos deixei de ser a menininha magrela que tinha sido até então e entrei numa fase mais cheinha, que demorou pra acabar, e que se de um lado me superalimentavam, de outro faziam os comentários ácidos sobre peso e aparência, e isso gerou uma pré-adolescência bastante sofrida em termos de auto-imagem corporal. Isso vem, pra mim, do lado negativo.

Do lado positivo, vem a combinação de uma mãe hippie e uma avó criada em fazenda. Sempre comemos tudo feito em casa, com muuuuuita fruta, pomar em casa, horta, muita verdura, muita planta. A sobremesa de segunda a sexta era fruta. Durante as refeições só água. Sucos como lanche da manhã ou tarde. Nada industrializado. Nos fins de semana, às vezes um refrigerante ou uma sobremesa feita de chocolate, leite condensado, essas coisas, mas eram eventualidades. Nunca me foram proibidos, mas foram desencorajados. Até porque, lá em casa, o que era visto como relíquia, tesouro, algo a ser desejado, era uma boa goiabada com queijo de fazenda, doce de fruta em calda, pudim de leite, ou ambrosia goiana (a versão da família da minha avó, o famoso “doce de ovos”, era muito melhor que qualquer ambrosia que já tenha comido fora de casa!).

Com minha mãe veio o hábito das vitaminas, abacate, castanhas do pará (ou do Brasil, como tem sido chamadas), leite de soja. Além da babosa no cabelo, cultivada em casa (o famoso aloe vera), o creme de abacate no cabelo, o chá de camomila no meu cabelo loiro da infância, o óleo de uva na pele, e essas coisas que hoje em dia estão sendo consideradas o máximo em termos de produtos de beleza orgânicos e naturais, e que na minha infância eram apenas os reflexos hippies de quem acreditava num mundo mais natural e ao mesmo tempo não tinha grana pros produtos industrializados. Aliás, minha mãe ficaria entre o irônica e furiosa com os preços cobrados hoje em dia por uma vitamina de abacate ou um xampu de aloe vera.

Mas essa mistura me fez crescer num ambiente que foi marcado por uma alimentação saudável, em sua maior parte, e por pessoas que evitavam correr para os remédios convencionais. Minhas dores de ouvido eram tratadas com compressa de farinha de mandioca, e a dor de garganta com chá de gengibre, cravo e canela que dava suadouro. A tosse do inverno com café com uma colherinha de manteiga e mil outras crendices, que sem entrar na discussão de se funcionavam ou não, se são respaldadas pela medicina atual ou não, de fato, fizeram com que eu crescesse bem, saudável, com peso e altura sempre muito elogiados pelos pediatras e sem me entupir de remédios. Aliás, remédios eram vistos como última instância, e mesmo assim, na maioria dos casos, homeopáticos.

Eu cresci então com essa visão, mas só anos depois, e bem recentemente, percebi o impacto real dela em mim. Até hoje tenho mania de tentar resolver e definir tudo pela alimentação e hábitos relativos ao sono, controle do estress, cansaço, etc.

Em outros pontos a criação não ajudou muito. Embora meu avô tenha insistido que aprender a nadar era uma questão de sobrevivência, e antes dos 2 anos eu já nadasse sozinha e sem boias, numa piscina que não dava pé, e tenha feito natação até os 18, a prática de atividade física regular não era uma coisa vista como essencial. E demorei muito pra encontrar um jeito de manter o corpo em movimento na vida adulta que eu gostasse. Sempre odiei os esportes competitivos. É uma visão bem pessoal.

Mas o resumo é que nunca fumei, muitos em minha família fumaram e eu odiava com todas as minhas forças. Bebi muito pouco, em uma breve fase que logo abandonei, e agora já completo anos sem álcool. Nunca, Jurema? Nunca, nem uma tacinha, nem às vezes. Não!

Então, para falar de saúde, primeiro tenho que deixar isso claro. Nunca usei aparelhos dentários, nunca tive cáries, nunca fiz cirurgias, nunca fumei, não bebo uma gota há anos, não uso drogas e entorpecentes de nenhum tipo, cresci com uma alimentação bem saudável, que vem se tornando cada vez mais. Não como carnes de nenhum tipo há anos também. Sempre bebi muuuuuuita água, e chás!

Com meu marido, aprendi que o chá muito quente pode fazer mal ao estômago, por danificar aos poucos a mucosa, com o líquido muito quente. Fui pesquisar e descobri que é por isso que as xícaras de chá orientais não possuem local para segurar afastado do copo. Se estiver muito quente para segurar com a mão cheia, não deve ser ingerido, e passei a adotar a técnica. Só bebo o chá quando consigo segurar a xícara com ambas as mãos por pelo menos um minuto sem sentir incômodo.

Sempre que me sinto mal, o que não é frequente, analiso bem minha situação emocional, as mudanças de vida, a alimentação, e tento trabalhar isso antes de recorrer a remédios. Aprendi com o tempo os efeitos que o clima tem em mim, não lido bem com o calor forte, especialmente o mais úmido, tenho respeitado mais minha digestão, e meu corpo, meus horários naturais de sono, de ir ao banheiro, etc.

Algumas coisas e pessoas foram e são fundamentais nos meus processos de auto-conhecimento e saúde. Um dos que mudou minha vida foi um nutricionista, de Brasília, que me ajudou na transição para o vegetarianismo, e também me ajudou muuuuuito com auto-conhecimento. Foi uma das pessoas que mudou minha vida. Outra foi uma médica homeopata em São Paulo, a única que resolveu depois de 17 anos, meu problema com cólicas menstruais. Dos 12 aos 29 sofri horrores com cólicas, com mil histórias tensas, de ter que ir da escola para o hospital, de tomar superdose de medicamentos para cólica, enfim, sofrimentos variados, e infelizmente, considerados normais, por muitas mulheres. Há 2 anos e meio não sinto mais cólicas debilitantes, minha menstruação não é mais um período temido e sofrido, e embora às vezes ainda tenha cólicas leves, aprendi como resolvê-las e aprendi a me respeitar nesse período, me recolhendo mais, e respeitando minhas necessidades de descanso e paz!

Outra coisa que mudou minha vida e minha relação com meu corpo foi o Método DeRose! Pratico desde 2014 e cada vez aprendo mais, gosto mais, descubro mais. Ainda falta muito nessa jornada, mas nem consigo enumerar aqui tudo que ele me trouxe de bom, não só em termos de saúde, mas de autoconfiança, desenvoltura, e muitas, mas muitas ferramentas, pra lidar com o dia-a-dia, com minhas emoções, com a vida em geral.

Eu não sei se consegui, com esse post, responder pra minha amiga Nay como cuido da minha saúde, mas é isso aí. E sinto que ainda tenho tanto pra mudar, tanto pra aprender! Cada mês é uma nova descoberta sobre como lidar comigo mesma e com os outros. E me sinto cada vez melhor!

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

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Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

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Templo de Diana/Atemis em Nimes.

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Parque em Nimes.

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Torre romana em Nimes.

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Templo em Nimes.

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Catedral em Nimes.

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Arena de Nimes.

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Aqueduto de Pont du Gard.

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Avignon

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