Procrastinação ou cansaço

Alt + tab. Mudei as telas mais uma vez. Olhei aqueles mesmos blogs, li mais um artigo muito interessante, mas não sobre minha pesquisa. Troquei do notebook para o ipad. Joguei 10 minutos de Plants vs. Zoombies. Falei para mim mesma que essa pausa de 10 minutos é saudável. Abri o Facebook. Erro mortal. Guerra para todo lado. Polarização, emoção descontrolada, pessoas descontroladas, políticos descontrolados. Ódio. Ódio em todos os cantos. Fechei. Abri um vídeo inspirador. Sentei no EVA azul. 5 minutos de concentração e respiração. Troquei a legging. 30 min de prática. Fiz um chá. Enquanto ele descansava, fiz uma vitamina. Tomei a vitamina. Lavei a louça. Levei um copo de água fresca e o chá ainda quente para a escrivaninha. O computador tinha resolvido fazer uma atualização automática impossivelmente longa sozinho. Reiniciou. Alt + tab. 5 vezes Alt + tab. Circulei por todas minhas abas. Por todas as minhas pastas. 6 e-mails novos. Limpei a caixa de spam. Deletei as fotos e vídeos velhos do celular. O chá acabou. Os últimos goles já estavam frios. Repassei em minha mente a lista de compras para amanhã. Hoje já fiz feira. Já cozinhei. Tem sopa pronta. Tem sopa para os próximos dias, e mais congelada. Tem verdura fresca, folhas verdes, muitas frutas.

Olhei pela janela. Atendi dois telefonemas. Li mais e-mails. Respondi alguns. Organizei uma nova pasta com ensaios para corrigir. Certifiquei-me se tinha respondido todos os e-mails relativos ao recebimento daqueles ensaios, confirmando-os. Um gole d´água. Repassei mentalmente todas as atividades que tenho, todos os prazos. Em sete dias tenho que entregar muita coisa. O dia parece não render. Me sinto como a última das procrastinadoras. Abrindo as mesmas abas, vendo os mesmos sites, olhando o whatsapp. Saudade dos amigos. Saudades da minha cidade por uns dias. Amo Brasília nesse início de dezembro, chove muito. Quero visitar meus primos. Dezembro é mês de visitar os primos. Mesmo ainda sem férias, é aquela época que podia fazer minhas caminhadas observando as luzes de natal nas janelas e árvores depois do entardecer. Comer um doce com cara natalina com as primas. Planejar os presentes de natal, ainda que esses fossem caixinhas feitas à mão, artesanatos, biscoitos. Visitar alguém. Faze cartões de natal caseiros.

Mas eu tenho prazos, e me sinto atrasada e inútil. Me sinto culpada. E quando paro para pensar, sem razão. Esse ano eu me mudei de cidade, em um mês estava no apartamento novo, em mais duas semanas a casa estava arrumada. Eu fiz várias pequenas viagens de fim de semana para locais que sempre quis conhecer, cidades que estavam no meu roteiro há quase quinze anos Me tornei voluntária da ONU On Line contribuindo com traduções, que inclusive foram publicadas no site. Participei de um cursinho popular voluntário. Fiz uma apostila de ensino de português brasileiro para refugiados com caráter social, juntamente com outras pessoas maravilhosas que conheci, de conhecimento autoral e livre. Está disponível para download já. Livre. Para todos. Me tornei voluntária numa ONG como facilitadora de reintegração social de refugiados. Mas essas são atividades de tempo livre. Extras.

Fiz um curso paralelo, com muita leitura, vídeo-aulas, e aumentei minha prática de Método DeRose. Aprendi muito dessa filosofia. Impulsionada pelas aulas li sobre a civilização hindu. Emagreci. Me tornei mais forte, mas centrada, mais equilibrada. Muito feliz. Viajei. Ri muito. Fiz inúmeros novos amigos. Conheci mais pessoas maravilhosas. Reforcei minha mudança alimentar. Faço compra na feira, na porta de casa. Vou até a Zona Cerealista (amor no coração) por cereais e grão a preços incríveis. Vendi meu carro. Ando muito mais a pé. Cada volta da prática à noite me rende uma caminhada deliciosa.

Não tenho funcionários, ou faxineira. Lavamos nossa roupa, compramos e cozinhamos nossa própria comida aqui em casa. As tarefas domésticas ocupam um bom tempo, e estão presentes todos os dias. Claro que tem dias que a casa fica suja, porque simplesmente temos mais o que fazer. A comida é feita a cada dois ou três dias, e vamos esquentando. Mas todo dia tem alguma coisa que não dá para deixar de fazer. Além disso, desde que me mudei já entrei num emprego, saí seis meses depois. Tive alunos particulares, estagiei. Corrijo provas, ensaios. Escrevo.

Já fiz todas as matérias obrigatórias do mestrado e quase todas as optativas. Estou adiantada nos créditos e no cronograma. Mas ano que vem tem qualificação. Mas eu tenho prazos. Mas a bolsa não saiu. Mas eu sento aqui, faltando uma semana para meus prazos finais, e Alt + tab. Me sinto procrastinadora. Me sinto culpada. Li recentemente um artigo que fala dos danos psicológicos de uma pós-graduação. Não chego a classifica-los em danos, até porque isso varia muito do emocional de cada um, dos níveis de ansiedade, exigência pessoal e capacidade de organização de cada um. Mas é fato. Esse sentimento de que não fiz nada e estou sempre devendo está ali. O relógio é acionado como cronômetro no dia da matrícula e você vê os dias sendo comidos em direção ao prazo.

E enquanto isso a vida segue. Os dias vão sumindo do calendário. Eu vou ficando mais velha. Mas a vida não para. E acho que o segredo é esse. Viver entre as metas. Não vou parar de ir à feira, nem de cozinhar. A roupa suja vai continuar se enchendo num processo louco e infinito. Vou viajar quando der. Trabalhar muito. Estudar no meio tempo. Ler no ônibus. Virar algumas noites. Dormir em outras exausta. E aprender a lidar com esse sentimento de dívida, de procrastinadora como um sentimento de fundo, tipo música de fundo. Está ali, mas não vou para a vida por isso. Tenho uma vida a viver, apesar da pós. Por causa da pós. Sou estudante, sou trabalhadora, sou de certa forma esposa, sou cozinheira, sou faxineira, sou chef, sou mulher.

Alt + tab. Leio sobre a violência e a polarização política. Meu coração encolhe. Alt + tab, planejo as compras de natal. Alt + tab, falo com os amigos sobre a ida à Brasília. Alt + tab, planejo o natal antecipado em família. Alt + tab, vejo um vídeo sobre como fazer o tradicional panetone de Milão em casa. Alt + tab, leio dois parágrafos sobre o Impeachment. Alt + tab, respondo cinco e-mails. O telefone toca duas vezes. Respondo. Aceito um trabalho. Alt + tab. Escrevo para o blog. Alt + tab. Mais cinco ensaios corrigidos. Alt + tab, meio artigo pronto. Alt + tab, ainda me sinto procrastinadora. Alt + tab, mudo a música de fundo. Fecho as abas. 5 minutos de meditação. Me sinto bem de novo. Vamos trabalhar, seja contra ou a favor do relógio.

Escrevo tudo. Ponho a alma para fora em palavras. Vejo que não sou inútil. Escrever: minha melhor terapia. Me sinto produtiva. Vejo que já fiz muito esse ano. Poderia ter feito ainda mais? Sempre! Ainda tenho alguns dias antes do fim do ano. Dá para terminar. Dá para fazer ainda mais. Tudo? Não sei. Tudo que eu puder. E vamos feliz. Sigo com um sorriso nos lábios cada vez que vejo as horas e percebo que mais um dia passou. Vou lá tirar a roupa da máquina agora. Daqui a pouco tem mais artigo para escrever. Mais ensaio para corrigir. E nesse meio tempo o telefone vai tocar. As abas do navegador vão ser alternadas mais algumas vezes. Vou me sentir procrastinadora. Vou me sentir cansada no fim do dia, e muito, mas muito feliz no fim do ano.

Sobre querer abraçar o mundo com as pernas (mais uma vez)

Bebo água. Hoje não está tão frio, apesar de estar de calça, a camiseta é de mangas curtas e os pés no chinelo dispensaram as meias. Onde estão meus muitos shorts? Em Brasília nunca fiquei em casa estudando, lendo, trabalhando, cozinhando, de calças. Sempre short. Até no inverno. Inverno de frio leve à noite. Inverno de short e suéter. Setembro. Setembro nunca fez frio. É a época da seca desesperadora. Do calor seco que me fazia dançar a dança da chuva. De noites insones, banhos na madrugada, fins de semana no lago.

Lavei roupa, mas não consegui pendurar direito, pois as meias que estão no varal a três dias ainda não secaram. Choveu muito e fez muito frio nos últimos dias. Fiquei em casa, entre a T.V., o computador, o videogame, os amigos, os livros, os estudos, e as canecas de chá. Setembro frio e úmido. Semana da Pátria. Folga inesperada. Novidades sem fim. Em outubro lamentarei a falta da Semana do Saco Cheio. Cada cidade, suas folgas.

Na tela do notebook dois documentos do word superpostos, cinco pdfs, chrome com 6 abas abertas: email, facebook, email usp, plataforma online de materiais das disciplinas, google maps, decolar.com. A falta dos amigos, de saber notícias da cidade não me deixa deletar o facebook, nem deixar de abri-lo o tempo todo. A falta de tempo para estudar não me deixa ir vê-los. Três viagens sendo planejadas. Será que vai dar tempo de fazer todas? Será que vão caber no orçamento? Será que a bolsa vai sair?

Um dia pensei que os adultos tinham todas as respostas. Um dia pensei que mesmo que os adultos não as tivessem eu as teria. Passei os primeiros anos da minha vida adulta trabalhando e estudando como uma louca. Chorava de sono. Chorava pelas perdas. Nunca pelas incertezas. Eu sempre soube que ‘daria certo’. A vida vira de cabeça pra baixo. Quando tudo parecia que finalmente estava ‘dando certo’, cai na toca do coelho. Não quis mais. Não quero ser desses adultos que sabem tudo e ‘deram certo’. Não quero que minha vida seja sinônimo do meu trabalho ou mesmo da profissão.

Persigo já faz uns três anos o caminho dos loucos. Das Alices que caem em tocas de coelho. Das metamorfoses ambulantes. Dos Dom Quixotes que enfrentam moinhos urbanos. Das amantes de chocolate que se mudam quando bate o vento certo. E que ficam quando aparece o pirata certo. Que fazem suas próprias cores, seus próprios sabores, redefinem seus destinos. Eu definitivamente prefiro ser essa metamorfose ambulante. E além de não ter as mesmas opiniões formadas sobre tudo, abri mão das certezas e das respostas também. Quero ser feliz. Sou feliz.

Do meu jeito. Às vezes me sinto incrivelmente independente e competente. Aquela que lava, arruma, cozinha, estuda, faz dieta, escreve, disserta, opina, orienta, corrige, prepara aulas, faz traduções, lê cinco livros ao mesmo tempo, se depila, escolhe uma roupa bonita, pega o metrô, o ônibus, anda a pé, pratica a atividade física. Aquela que migra da legging pra camisa social, pra lingerie de renda, pro moletom da universidade com a fluidez de uma dessas supermulheres de anúncios fantasiosos. Sonho feminista.

Em outras sou ainda aquela adolescente, aquela criança, que só queria jogar jogos, dormir na casa da vó com os primos, na casa das amigas com o grupo infalível, andar de bicicleta, tomar um sorvete, comer qualquer coisa, dormir 12h por dia, trocar o dia pela noite, perder tempo, pedir uma pizza, dormir com a blusa do dia e sem as calças, deixar a louça na pia, esquecer que a louça e a pia existem. Perder as horas. Esquecer o relógio. Não abrir o email. Não desejar parabéns a ninguém. Nem falar muito com os outros. Aquela adolescente que ainda cultiva o seu lado egoísta sem culpa. Que faz porque é bom. Que se prioriza. Seus desejos. Sonho niilista.

Em outras horas bate o wonderlust. A vontade de fazer todas as mil viagens que já planejei. A vontade de não ter horários nem obrigações. Vender tudo, arrombar a poupança e sair por aí. Veja bem, muitas pessoas conseguem trabalhar loucamente, juntar dinheiro e passar um fim de semana da praia, outro na cachoeira, ir ver a família num feriado, e quem sabe até numas férias mais longas, de quinze ou vinte dias, fazer uma viagem internacional. Eu já fiz e faço todas essas. Mas não é dessas que eu sinto falta. Sinto também. Mas quando bate esse bichinho, o que queria era a loucura. Era ser Walden no mato, ser Supertramp a caminho do Alasca.

Aquelas viagens de quem se resumiu a uma mochila, ou uma kombi, e que não tem dia para acabar. As viagens de quem aboliu o sonho consumista. De quem não quer ter. Quer viver. Uma grande aventura. Aquelas viagens que vão tentar me deixar mais perto da carta de Hogwarts que não veio, quando eu caminhar pelo interior do Reino Unido a pé. Que vão me deixar mais perto Macondo quando eu atravessar a Colômbia no melhor estilo Diários de Motocicleta. Aquela viagem que vai revelar as profecias Incas e os segredos espiritualizados de quem ronda Bolívia e Peru até Machu Picchu. A transiberiana. Berlim-Bagdá. A transamazônica. O roteiro dos Hobbits da Nova Zelândia. O mundo como meu país das maravilhas. Sonho Alice.

E quando bebo mais um gole de água, no meu belo copinho florido. E levanto a cabeça para ver os livros me esperando enquanto continuo os estudos. Quando checo as abas do chrome e me lembro que tenho que começar a selecionar os programas de doutorado que gostaria de aplicar, pois ano que vem será importante já ficar de olho nas datas. E olho os amigos e a família no facebook e me lembro que ainda não planejei o natal desse ano. Quando olho o namorado deitado no sofá em frente, concentrado entre ligações de consultas, livros de estudo e jogos de computador. Percebo que sou mesmo é uma Menina Maluquinha, que quer abraçar o mundo com as pernas. E ser cada dia um pouco desses sonhos. Cada minuto do dia uma dessas mulheres.

E sabe qual a melhor parte? Cada dia encontro mais Maluquinhos por aí. Sofredores desses sonhos de incompletude, de metamorfoses ambulantes. Outros adultos que guardaram suas crianças e adolescentes com tanto carinho que nunca se despedirão delas, e assim seguirão com essa nossa esquizofrenia de ser tantos em um só. De alimentar esses sonhos todos. E enquanto isso sigo assim, estudando depois da faxina, escrevendo antes de jogar videogame, comendo chocolate hoje e vitamina de chia e linhaça amanhã, economizando enquanto espero a bolsa, e planejando a próxima grande viagem. Vivendo essa vida. Essa vida dos novos adultos que não encontraram as respostas certas. Ou talvez ainda não tenham encontrado a pergunta, mas sim algumas respostas. Vamos assim então, de mochila nas costas, livros debaixo do braço, toalha no ombro, em busca da pergunta do nosso 42.  Abraçar o mundo com as pernas.

Bananas no centro de mesa e flores na parede

Os últimos meses têm sido impossíveis de tempo. Nem ler as mil mensagens do WhatsApp, nem fazer as unhas, nem mesmo escrever e me compartilhar em palavrinhas de alma, apenas aquela bolinha vermelha acusadora com um número de mais de três dígitos me encarando na tela do celular. Às vezes consigo aguar minha flor de maio. E pelo menos uma vez por mês meu momento preferido acontece: o sábado de manhã sozinha em casa! O café da manhã tomado de pijama, tarde, já para lá do meio da manhã, com música tocando. E eu posso olhar minha própria sala, e reparar no prato azul com o cacho de bananas amadurecendo em cima, tomar um gole de chá, e observar as flores de metal retorcido de Ouro Preto, enfeitando diagonalmente minha parede. A assinatura perfeita do meu conto de fadas. A flor que enfeita a primeira letra do meu Era Uma Vez.

Mesmo sabendo que ter levantado tarde me custou uma manhã sem estudar e que isso se tornará uma noite longa de estudos para compensar. Mesmo incluindo na minha manhã de paz a arrumação da baguncinha de ontem, da louça do jantar das visitas, mesmo sabendo que almoçarei tarde por tomar café tarde, vale a pena. É minha manhã de alma. Eu estou amando muito dividir casa. É muito gostoso chegar do trabalho cansada e poder conversar sobre as bobagens do dia, a melhor parte é não comer sozinha. Alguém que te espera para jantar, e muitas vezes quando você chega a comida já está pronta e quentinha. Compartilhar um ombro vendo um filme antes de dormir, ou um jogo de tabuleiro depois do jantar quando sobra uma horinha a mais, ou, mais verdadeiramente, quando ignoro os compromissos de estudo e me dou, nos dou, essa horinha de jogo ou filme, simplesmente porque não vale a pena perder essa convivência e minha cabeça pede pausa.

Mas mesmo com minhas meditações, e com as pequenas pausas do dia-a-dia, eu sou daquelas pessoas estranhas que precisa de um período que seja sozinha. Arrumar meus próprios pensamentos, ouvir minha música sem ninguém falar nada durante o processo, simplesmente olhar pela janela, ou deitar no sofá e pensar. E, quem sabe num dia de sorte, depois dessa introspecção ainda ter tempo de pegar o computador e cuspir toda essa reflexão em palavras, pedações de alma postos para fora.

Acho que hoje mesmo não vou conseguir escrever tudo o que gostaria. Já estou relativamente atrasada. Já troquei os estudos e sei que a noite será longa. Já passei a manhã de pijama, e por mais acolhedoras que as bananas e as flores na parede sejam, meus minutos de paz estão contados e a vida urge lá fora. Ruge, e pede pressa, enquanto eu só peço calma. Viver em outra cidade, e trabalhar e fazer um mestrado ao mesmo tempo, além de ter levado um relacionamento sério para outro nível de convivência, morando junto, tem castigado minha vida social. Me sinto sempre em dívida, com todos, comigo mesma. Não consigo estudar nem de longe tudo o que precisava, e vamos e convenhamos, essa é a prioridade número um, também não consigo dedicar-me quase nada ao trabalho, e na prática ele é o que mais consome meu tempo. Apesar das pausas forçadas, consigo dar menos de um quinto da atenção mínima ideal ao relacionamento. A casa nem se fala. Mercado e limpeza acontecem quando possível, às vezes de quinze em quinze dias. Às vezes nem falo…

Os amigos me consideram desaparecida. Ainda assim os dias que separo para vê-los me custam noites insones de estudos depois. E nesse malabarismo circense de tempo, me aparecem aqui e ali uma manhã de sábado abençoada. E quando respiro fundo, sentada na mesa da sala, dou o último gole do chá, sinto o cheiro adstringente das bananas ainda meio verdes, e olho as flores na parede, lembro que estou vivendo meu conto de fadas. Porque os contos de fadas reais são assim, maravilhosos, incríveis, cheios de oportunidades perfeitas, e exigem das suas personagens muito esforço, e não dão trégua nem tempo. Nos contos de fadas reais, não existe felizes para sempre, mas podem existir bananas no centro da mesa, um bolinho de mandioca com coco, feito ontem, esperando o lanche da tarde com chá, a louça do jantar com amigos lavada pingando na cozinha, uma música gostosa tocando, e flores na parede. E uma manhã gostosa de sábado entre o sem tempo de hoje e a pressa do amanhã.