Ariège (Parte II)

No segundo dia nosso grupo se viu reduzido, já que o Picot não tinha permissão para entrar em algumas cavernas. Felizmente a moça que nos hospedou era muito amistosa com os cães e ele ficou muito bem cuidado! Seguimos direto para Mas d’Azil, onde uma caverna de proporções absurdas serve também como túnel para acessar a vila! O complexo dessa caverna é usado desde sempre, mas alguns trechos mais isolados só foram explorados nos últimos 150 anos aproximadamente. Então é possível atravessá-la de carro, mas também entrar em uma área de exposição com um berçário de morcegos, crânios de ursos das cavernas e depósitos de ossos de rena caçadas por grupos de humanos que viveram ali uns 12.000 anos atrás!

Nessa caverna eles fizeram também um incrível jogo de luzes junto com o Réquiem de Mozart, dando um tom bem artístico para esse local. A visita certamente vale muito a pena, apesar de ser a mais isolada das cavernas que visitamos. O guia, que havia começado naquele mesmo dia, se esforçou para explicar algumas coisas em castelhano. Ele também parecia bem empolgado com o trabalho de temporada (no verão as visitas bombam!)! Fomos ao museu na vila de Mas d’Azil, mas este local é bem pequeno e com poucos artefatos. Ainda assim, o preço também é incluído na visita a caverna e não custa nada ir dar uma olhada nas miçangas mais antigas que eu já vi! Também tem algumas agulhas de ossos e eu fiquei bastante impressionado em como os humanos pré históricos eram de humanas…

Demos a volta no departamento de Ariège para pegar o tour das 13h30 na Grotte de Niaux, certamente a mais famosa de todas as cavernas. Aqui a visita é toda diferente. As proibições de não encostar em nada são as mesmas, mas a ênfase é consistentemente mais forte. Também possuem um tour por dia em inglês (não mais para não mimar os turistas!) e uma estética de visita que dá a sensação de exploração real, com lanternas para todos os visitantes e disciplina quase militar na hora de caminhar. Tudo isso é justificado pela raridade que se encontra lá dentro: Pinturas rupestres!

Uma abertura artificial foi feita nessa gruta, pois a original é muito estreita e de difícil acesso. Mas depois de um entrada semelhante a de um bunker, a caverna fica toda natural e muito, muito escura. Diferente da primeira que visitamos, essa possuía algumas estalactites, já que na primeira a água não infiltrava e nessa sim. Niaux também faz um corredor relativamente estreito, baixo e longo, quando comparada a Mas d’Azil. Depois de 800m de caminhada, com direito a passagens espremidas por sob pedras desabadas, chegamos em um salão onde se encontram as tais pinturas. São muitos bisões, cavalos e cabras montanhesas, mas curiosamente só isso. Não se sabe porque outros animais não foram representados, ou mesmo humanos, plantas, elementos geográficos ou astronômicos. Também não foram encontrados traços de habitação ou de entrerros lá dentro. Exitem teorias e tal, mas claro que eu e a Ju criamos as nossas, muito boas por sinal!

O que pensamos é que aquela caverna era específica para ritos de passagens, e as pinturas poderiam ser representações totêmicas de força, velocidade e sagacidade daqueles animais que os jovens pretendiam absorver. Exite uma distância de mil anos entre as primeiras e as últimas pinturas, e se eles fizessem isso frequentemente certamente faltaria parede! Discutimos muito sobre a constituição das sociedades antigas, o que fazia sentido naquelas tribos e os resquícios que seguem com a humanidade até hoje. Ou seja, uma conversa do nosso dia-a-dia. Depois disso voltamos para reencontrar o Picot, pois já estávamos com saudades!

No terceiro e último dia fomos de novo na caverna de Lombrives, e dessa vez pegamos ela aberta! Pegamos o primeiro tour e por causa de um trânsito massivo na estrada, fomos os únicos visitantes daquele horário. A guia também estava no primeiro dia e falava um bom castelhano, então pudemos aproveitar muito bem a visita. Para constar, o Picot tinha permissão para entrar nessa caverna e ele parece ter se divertido muito, apesar de ter ficado o tempo todo preso na coleira para não destruir o ambiente.

Essa caverna é a maior da Europa em volume, mas existem outras mais compridas, mesmo considerando os 7km dessa. A quantidade de estalactites, estalagmites e colunas supera as outras duas em peso, com formações imensas e abundantes! A proximidade do vale principal, aliado a entrada imensa da caverna, fez com que o local fosse usado diversas vezes em sua história para atividades bastante humanas, como falsificação moedas ou esconderijo de ladrões. Também houveram reuniões de cátaros, e até hoje algumas pessoas “peregrinam” até ali. No meio do tour, chegamos em um salão absolutamente gigantesco, com uma iluminação indireta muito bem feita que aumenta o esplendor do local e o assombro que sentimos ao entrar ali.

Do outro lado desse salão, escalamos umas escadas e rampas molhadas e saímos em um túnel mais elevado. As formas das pedras variavam muito e deram origem à diversas lendas daquele local. Paramos junto a um lago subterrâneo, pois a partir dali a caverna só é aberta para estudos. Fizemos 1km dos 7km totais, e só isso já me fazia ter um certo medo de que toda a iluminação falhasse. Seria quase impossível voltar por conta própria a entrada…

Essa foi nossa última visita em Ariège, e certamente a região causou boa impressão, apesar do despreparo dos franceses em receber estrangeiros… A região é rica em história de vários períodos distintos e marcantemente bonita pela natureza local. Recomendamos fortemente para aqueles que tenham a chance de dar uma passada!

Para mais sobre o que é um Urso das cavernas e sobre arte rupestre, veja os links.

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Entrada da Grotte du Mas d’Azil

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Mas d’Azil (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Niux

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Lombrives

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obs: com a go pro, sem flash, minhas fotos ficaram horríveis, mas coloco três delas aqui só pra vocês terem uma ideia.

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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