X Jocs Florals

Na semana passada, aconteceu aqui em La Seu D’Urgell a 10ª edição dos Jogos Florais (ou X Jocs Florals). Os Jogos Florais acompanham o dia de Sant Jordi (dia de São Jorge), que foi comemorado no domingo mesmo, e na segunda-feira seguinte, realizaram a cerimônia de premiação dos jogos. Esse evento é um dos mais famosos da cidade, e ainda que a cidade seja pequena, atraiu muita gente. Os Jogos Florais são uma competição literária, que acontece por várias partes da Europa, em especial a Espanha e a França. Aconteciam em Occitane, quando esse era falado, e tanto na França quanto na Espanha, acontecem em catalão nas regiões onde esse é o idioma cotidiano.

Além de enaltecer a literatura local, os Jogos têm o intuito de estimular e preservar a língua catalã, tornando-se, por isso, bastante importante para seus falantes. Em La Seu, esse foi o décimo ano dos Jogos e a cidade estava ainda mais animada. A Escola de  Formação de Adultos e Idiomas Oficial de La Seu – CFA La Seu, promove os Jogos e é lá que estudamos catalão.

Em março, quando eu e o André estávamos estudando essa língua há apenas 3 meses, nossa professora, Marta, nos convidou para participar, pois nessa décima edição incluíram uma categoria para iniciantes. OS Jocs Florals contam com 5 categorias: Englantina (relatos de até 3 páginas), Flor Natural (Poesia), Grandalla (Foto seguida de um título/comentário), Rosa (iniciantes) e Viola (micro contos, contos de cerca de 10 linhas). As categorias Grandalla e Rosa foram novidade.

No início estávamos bastante reticentes com a ideia de participar, pois mesmo considerando que a categoria é para iniciantes, estávamos estudando há apenas 3 meses, e a pouco mais que isso na cidade. Alguns dos nosso colegas já estão aqui há anos, ainda que estejam no nível inicial da língua catalã, uma vez que também é possível se comunicar em castelhano. Mas nossa professora insistiu, e acabamos enviando textos.

Cerca de um mês se passou, e então veio o dia da premiação. O espaço, uma antiga igreja, hoje um centro cívico e auditório, estava muito bonito, e chegamos cedo. Encontramos alguns colegas, alguns amigos da cidade e todo o evento começou. A diretora da escola e outros professores apresentaram, o prefeito teve sua fala, e uma convidada, doutora em língua catalã também. Comentaram as edições anteriores, o significado dos Jogos para a cidade e para o idioma. Trechos de poesia e literatura catalã famosos foram lidos, enfim, tudo conforme manda o figurino de um evento desse tipo.

Por fim, começaram a chamar as premiações, e faziam da seguinte forma, apresentavam um pequeno trecho do texto, e depois falavam o título e nome do autor, em seguida convidando-o para o palco e premiando-o. Cada categoria premiou 3 textos, menos a Englantina, que contemplou 4 ganhadores. OS prêmios de acesso e o primeiro prêmio. Aplaudíamos a cada nome revelado e estávamos bastante tranquilos.

Até a categoria Rosa começar. Revelaram o último prêmio acesso (equivalente ao 3º lugar), aplaudimos uma colega da outra classe. E aí, eis que reconheci na tela, desde a primeira palavra, o texto do André. Antes mesmo do nome ser revelado, eu já estava aplaudindo. Segundo prêmio acesso (2º lugar) na categoria Rosa. Fiquei emocionada e orgulhosa. Me imaginei da platéia tirando fotos dele! E antes mesmo que eu pudesse pensar nessas tais fotos ou em alcançar o celular, mudaram a tela, e li as primeiras frases do meu texto lá. Assim, na frente de todo mundo.

Pode parecer bem besta, pra quem tem um blog, ter vergonha de ver seu texto à mostra daquele jeito, mas confesso que mesmo depois de 3 anos de blog, cada publicar que eu clico vem com um frio na barriga! E ver aquela exposição pessoalmente foi um senhor desafio! Daqui eu sei que algumas pessoas me leem, mas eu não tô vendo vocês fazendo isso!

Fui receber meu prêmio, 1º lugar da categoria Rosa. Tiramos as devidas fotos oficiais. E voltei a me sentar com o coração disparado! Assistimos às demais premiações e ao final , chamaram todos os que inscreveram textos, em todas as categorias, para receber um pequeno vaso de flor (afinal, Jocs Florals, né) e tirar uma foto coletiva. Nesse ponto tive mais uma surpresa, pois logo na primeira categoria, Englantina (de relatos mais longos), me chamaram como participante. Eita! Descobri que meu texto concorreu também na outra categoria (a séria! hahahaha). De novo um disparada de batimentos, mas logo o palco encheu de gente, e eu fiquei “escondida” e mais tranquila, na multidão. Via o rosto do André lá do outro lado do palco e só pensava: “em que a gente se meteu?!”

Para encerar ouvimos a apresentação do coral local, do qual nossa professora faz parte, e foi muito bonito, e compartilhamos uns petiscos com os presentes. Voltamos pra casa incrédulos, e fomos revirar nossos prêmios, muito bons. Alguns livros, livreto do evento com os textos, o prêmio do André: duas entradas para um show de comédia, e o meu: um jantar para dois no restaurante do hotel chique local.

Ainda estamos processando. Mas a melhor parte foi ver nossa professora feliz. Me identifiquei. Agora quero poder compartilhar esse momento com meus alunos e ex(eternos)alunos. Se arrisquem! Mesmo em outro idioma! Faz um bem danado! A gente cresce, evolui, aprende! E a questão não é ganhar, mas o tempo que a gente dedicou, traduzindo, procurando palavras, corrigindo com a professora, percebendo que fizemos traduções literais e surreais de expressões em português, buscando entender como poderíamos fazer essas mesmas manobras no outro idioma.

Além da experiência de se sentir parte da comunidade local, conhecer uma tradição da cidade e fazer parte dela. Viver fora é também abraçar essas coisas, por menores ou maiores que sejam. E descobrir nos detalhes, nossas paixões.

Vou copiar os textos em catalão mesmo aqui, usem o tradutor ou mandem mensagens em caso de dúvidas!

Ambos são ficções. O do André ao estilo dele, com humor, sarcasmo e ironia. O meu, bem, como reminiscências “da menina”, histórias de Alice, de Clarice, histórias de mulher, de detalhes da vida cotidiana, de diário, de blog!

 

La cua i el drac 

André Pereira Paduan

Beowulf esperava el seu torn per ser atès, tiquet de tanda en mà. Els números avançaven, un per un, en una lentitud més aterridora que quasevol dels monstres amb què mai s’havia enfrontat. El futur en el qual de cop i volta havia despertat era molt diferent del seu temps primerenc, a la mateixa terra, mil·lennis abans. Tot eren regles, ordres i papers, molts papers. Va haver de canviar el seu mantell de pell per un abric sintètic, degut a la pressió dels defensors dels drets animals. Va haver de deixar la seva espasa i el seu escut perquè no tenia una llicència d’ús. I va haver de fer-se la documentacció perquè presentar-se com el rei de Gautas ja no era suficient o adequat. Trobava a faltar enfrontar-se a dracs i beure cervesa amb els seus soldats. Però, sobretot, sobretot, trobava a faltar no haver de fer cua.

 

El blog de la dona de ells molt bons ulls

Juliana de Almeida Reis Marra

Es van casar fa molt poc temps. El festeig havia estat molt curt. Es van conèixer en un viatge. Aviat van estar junts. S’estimaven molt. Ell era molt tranquil, no bevia, no fumava, no sortia. A l’inici, tots dos eren feliços amb poc, una pel·lícula, crispetes de blat de moro, un gos en un coixí, una xocolata compartida. Tots dos passaven molt de temps a l’ordinador. Treballaven amb l’internet. Llargues hores junts, però separats. Només el so ràpid de les tecles, d’ambdós costats. Feien passejades, viatges curts, campaments. Plaers petits i barats de la vida. Un gelat. Un posta del sol. Parlaven molt, i els temes de conversa fluien molt bé, i tot semblava tan correcte i tan simple, que no semblava real.

Un dia, a la recerca de noves lectures a Internet, ell es va trobar amb un blog fantàstic! Era el diari d’una dona aventurera. La forma descrivia el seu dia a dia el va fer somiar! A poc a poc la dona es va mostrar molt forta, independent, valenta, audaç, interessant, plena d’opinions polítiques, històries, viatges. Que increïble seria veure la seva vida! Semblava tan simple, però tan impressionant! El meravellós que seria viure la vida d’aquesta dona!

Ell va començar a somiar amb les aventures increïbles del blog i es va anar distanciant de la seva dona. Va començar a buscar a la seva pròpria vida aquestes petits coses emocionant, tot era tan bonic, però simple. On eren aquestes increïbles emocions que llegia al blog?

Un dia, sense poder-se aguantar més, va dir a la seva dona que necessitava parlar. No li havia dit res encara, però estava inquiet i necessitava saber l’autor misteriós, que amb simples paraules havia guanyat el seu cor. Ell mai l’havia vist, però l’admirava molt. Encara estimava la seva dona, però les llargues hores a l’ordinador no podien competir amb les meravelles que es descrivien al blog.

Ell va advertir-la que volia tenir una conversa seriosa, ella li va demanar uns minuts per acabar un text, feina que la va ocupar durant hores. Es va posar dreta darrere d’ella, i va llegir de dalt a baix el que estava escrivint.

En acabar, una mica espantat, ella li va preguntar a què es referia, de què volia parlar. Només li va prendre la mà i se’n van anar a menjar un gelat. Per el camí li va dir el molt que l’estimava i que mai havia conegut a ningú que veiés la vida amb tan bons ulls!

 

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