SP by JuReMa – Parques e Espaços Urbanos

Ainda na vibe de dicas de SP, vou entrar no meu segundo tópico preferido depois de comida, os parques. Nos quase dois anos que passei em São Paulo, moramos no centro, próximo ao metrô e eu realmente acho que a melhor forma de se locomover na cidade é usando o transporte público. O transito de Sampa é tão famoso que dispensa apresentação e explicações, e para uma brasiliense o transporte público da cidade é um sonho, embora saiba que dada às proporções da cidade ainda deixa a desejar. É possível chegar em muitos parques usando apenas o transporte público e em alguns casos um trecho a pé, mas em outros fica mais difícil. Caso tenha tempo livre, vá mesmo assim de transporte público. Em alguns casos eu ia a pé, mesmo com distâncias mais longas, pois já aproveitava a caminhada até o parque como parte do passeio e do exercício do dia. Fica o aviso de que São Paulo não é pedestre-friendly, ou seja, esteja preparado para ter seu caminho nas calçadas barrado por carros entrando e saindo de garagens, ou só estacionados em locais que deveriam ser de pedestres, além de locais com calçadas ruins ou inexistentes. Ainda assim, eu sempre gostei de andar, então preferia ir a pé sempre que possível.

Estando no centro, entre os que mais costumava ir a pé está o Buenos Aires, também chamado de praça Buenos Aires, em Higienópolis,  Av. Angélica, s/n – Higienópolis, São Paulo – SP, 01228-000, Brasil. Esse era o mais perto de casa. É um parque pequeno, e para os corredores não é dos melhores, a trilha é muito curta, e com subida, mas pode ser uma boa opção pela localização. Em São Paulo a boa localização é a mais perto de onde você está. O Buenos Aires é muito frequentado por bebês com babás, alguns caçadores de pokemon, no auge da febre, e alguns moradores e trabalhadores da região, que se sentam em bancos pra curtir um solzinho de fim de tarde. Há também uma área só para cães. 

Também a pé e a pouca distância estava o Trianon, Rua Peixoto Gomide, 949 – Cerqueira César, São Paulo – SP, 01310-100, Brasil. Localizado na Paulista, o Trianon é maior do que parece, e mais friendly para corredores e caminhantes, embora seja muito fechado e sombreado. O excesso de árvores faz dele um oásis na Paulista, e em dias de semana, em horário de almoço é possível ver muitas pessoas com roupas de trabalho almoçando, comida de rua ou marmitas, ali. No fim de semana lota, e com a Paulista aberta aos domingos, aumenta ainda mais o fluxo de pessoas, sejam os esportistas, as famílias, ou os que só buscam um pouco de verde na selva de concreto. Outra vantagem, além da localização, do metrô tão ao lado que tem até estação com o nome, é o MASP em frente. Para quem quer turistar já é um dois em um! Recomendo também descer até a Lillóri, já mencionada no post anterior, a padaria que contempla todas as restrições alimentares e que fica uma boa andada seguindo do Trianon na direção Jardins.

Ainda próximo ao centro, o Parque Água Branca, é uma boa opção, especialmente pela feira de orgânicos, Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca, São Paulo – SP, 01156-000, Brasil. O parque tem um parquinho grande, área e equipamento para exercícios, e um clima gostoso, embora bem urbano. Também costuma ficar muito cheio nos fins de semana, mas é um bom passeio, e é fácil chegar de transporte público.

Afastando um pouco do centro, indo pra zona sul, temos o maior e mais famoso parque urbano de São Paulo, o Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana, São Paulo – SP, 04002-010, Brasil. É relativamente fácil chegar de transporte público, ônibus, embora você saia em uma das grandes avenidas que circundam o parque e tenha que andar até lá dentro. O Ibira é grande e possui outras atrações lá, como a Bienal, Museu de Arte Moderna, Oca, entre outros. É possível alugar uma bicicleta para passeio, mas se for no fim de semana se prepare para 2h de fila. O parque é amplo, mas a quantidade de gente faz com que a visita seja mais agradável durante a semana, embora no fim de semana existam outras atrações, como diversas aulas gratuitas, de inúmeras atividades físicas e outras modalidades, shows e outras atrações culturais. Há também a feira de orgânicos do Ibira. Apesar de ter estacionamento, não recomendo ir de carro, pois a chance de não encontrar vagas é grande. Algumas vezes fiz o trecho a pé, do centro até lá, e confesso que gosto da caminhada. A ida é tranquila porque é descida, a volta subida, às vezes fazia de ônibus.

O meu preferido é longe, lá onde a cidade acaba, e ir de transporte público significa dedicar um dia à ele, é o Hortoflorestal, R. do Horto, 931 – Horto Florestal, São Paulo – SP, 02377-000, Brasil. Já no pé da Cantareira, o Horto é bem amplo, e mesmo em fins de semana não dá o ar superlotado dos de mais fácil acesso. É também por onde passa a linha do Trópico de Capricórnio, o que pode ser uma atração a parte, especialmente para sua amiga capricorniana que vai querer uma foto lá! Além do lago, existe área para piqueniques, quadras esportivas, e áreas mais amplas. É comum ver muitas famílias, crianças, mais até do que os esportistas. O caminho até la de transporte público envolve metrô até Santana, ônibus até a Rua do Horto e uma caminhadinha até o parque propriamente dito. Ir de carro é furada, pois estacionar perto é quase impossível e a rua de acesso fica completamente engarrafada no fim de semana.

Coladinho no Horto, subindo a mesma rua começa o Parque Nacional da Cantareira, que já é área de preservação, é enorme e incluiu toda uma outra gama de passeios não urbanos. Mas ali na Rua do Horto está o acesso para o Núcleo da Pedra Grande, R. do Horto, 1799 – Horto Florestal, São Paulo – SP, 02377-000, Brasil, que é um passeio mais urbano e pode (e deve) ser feito no mesmo dia do Horto. Esse tem uma taxa de entrada pois é parque nacional de preservação. Quando fui a última vez estava R$9,00 por pessoa. Entrando no parque existem várias trilhas possíveis, ainda nesse Núcleo, e algumas que levam por dentro do parque até outro núcleos, como o Núcleo engordador, mas são trilhas mais longas. Algumas podem ser feitas de bicicleta. A da Pedra Grande é a principal desse núcleo, não é demorada, e embora a subida seja inclinada, a trilha é asfaltada e não é difícil. Chegando lá em cima você é brindado com uma vista incrível da cidade toda. É possível pegar água em algumas bicas e torneiras e na parte baixa do parque há espaço para piquenique. Mas lembre-se que esse é um parque nacional, e são válidas as regras para áreas de preservação. Se você for animado para uma boa caminhada, saia de casa cedinho, vá direto até a Pedra Grande, aproveite a vista quando ainda não tem muita competição para a foto lá em cima, curta a cidade. Volte até o Horto e faça seu piquenique lá. Aproveite o segundo parque e volte no fim do dia! É um ótimo passeio, e pode ser feito com crianças! Caso seja mais aventureiro, vá cedo, e planeje uma das trilhas mais longas e mais naturais do Parque da Cantareira. Sempre se planeje para sair do parque de preservação até às 17h, pois após esse horário o parque fecha.

O Parque da Juventude é dos mais fáceis de ir de transporte público, pois o metrô para na porta, R. Manuel dos Santos Neto, 23 – Santana, São Paulo – SP, 02032-010, Brasil. Esse parque é gostoso, mas também impactante pela sua história, pois ali era o Carandiru. Para quem não conhece a história do famoso presídio, sugiro ler o livro Estação Carandiru, do Dr. Dráuzio Varella, que faz uma narrativa incrível dos anos que trabalhou lá. Há também o filme. A cidade cresceu, abraçou a área antigamente afastada e, eventualmente, o presídio foi demolido. Ainda é possível ver um trecho da muralha e uma parte dos pavilhões. Em 2015 cheguei a visitar a muralha, mas em 2016 ela estava fechada para visitação, podendo ser vista apenas. Há hoje uma biblioteca, um centro de ensino técnico, e uma vasta área aberta. Além da muita grama disponível, há área para cães, uma parte próxima das edificações tomada pelos skatistas, e quadras poliesportivas mais distantes.

O Parque da Independência é também um passeio histórico, pois lá estão as margens do Ipiranga, que foi canalizado, mas deixaram um pedacinho aberto no parque para vermos o “corguinho” da independência, Av. Nazareth, S/N – Ipiranga, São Paulo – SP, Brasil. Infelizmente o Museu da Independência está fechado há anos, mas vou tratar dos museus em outro post da série. É possível ver o prédio do museu por fora, e seus jardins, que são muito bonitos. O parque também conta com gramados e não é tão cheio nos fins de semana, apesar de não ser afastado. Para os mais animados é possível aproveitar as escadas para atividade física.

Existem vários outros parques em São Paulo, como o Villa-Lobos, Aclimação, Burle Marx, Parque do Carmo, mais afastado, mas onde acontece a famosa festa das cerejeiras (cheia, mas vale a pena conhecer), entre diversos outros. Minha dica é sempre levar água e comida estilo piquenique, pois nem todos possuem infra estrutura, e São Paulo tem tanto prédio, trânsito, poluição, gente se esbarrando na rua, que quando vou para parques quero sossego, então nada melhor que um piquenique, para ver o verde e desestressar!

Além dos parques, existem alguns outros passeio em áreas urbanas que valem a pena! A Praça Roosevelt, nicho dos skatistas, com os bares e teatros à noite, é um passeio indispensável. A Estação Luz, e os jardins da Pinacoteca, a Paulista aberta aos domingos (pros brasilienses acostumados com o Eixão é um balsamo de casa), o Minhocão (elevado), que também fecha no fim de semana e é ótimo para pedalar, a Praça da República, com as feirinhas, todos os imigrantes e a confluência de culturas. O Largo do Arouche, com as flores de dia e as baladas e barzinhos à noite. O Largo do Paissandu, com a Galeria do Rock, e os melhores mates com açaí e salgados veganos.

As opções são muitas e escrevendo de longe fico com saudades. Algumas coisas são importantes ressaltar, São Paulo é uma cidade imensa. Leve sempre em consideração o tempo de deslocamento e de trânsito. Se prepare para chuva, frio, calor, tudo junto e misturado. Tenha galochas, roupas leves e blusa de frio, além da água e comida. Não ostente, guarde o celular bem no fundo da mochila e fique atento. Já presenciei assaltos, tanto em lugares ermos quanto badalados. No Centro sempre redobre a atenção, bem como na Paulista. Redobre a atenção tanto para sua segurança, como para se maravilhar com os mil sotaques, mil Brasis, os estrangeiros, migrantes, refugiados, misto de culturas, cores e sabores. Sabe aquela história de que o bom de uma megalópole como São Paulo e poder pedir comida tailandesa na tele-entrega às 4 da manhã? Isso ninguém faz, o bom mesmo é poder ver todas as tribos e todas as cores. É se entregar ao desconhecido e presenciar todos os diferentes grupos que abundam pela cidade. É ter olhos e ouvidos atentos para se esbaldar com a variedade de desconhecidos. Essa foi a São Paulo que eu conheci, e espero que continue assim, ou até mais diversa!

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Parque Nacional da Cantareira – Núcleo da Pedra Grande

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Hortoflorestal

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Parque da Independência

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Ibirapuera

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Ibirapuera

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Parque do Carmo

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Paulista Aberta

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