Pico da Onça

O Pico da Onça faz parte da Serra da Mantiqueira, no trecho que separa o Vale do Paraíba, em São Paulo, de Minas Gerais. Certamente, ele não é o mais alto da região, mas sua posição privilegiada permite que se veja os dois lados da serra simultaneamente. É um dos poucos pontos nas redondezas da cidade de São Paulo que ainda se pode acampar em um local completamente livre de tarifas (e estrutura!).

Porque fazer:

Para quem gosta de aventura mas ainda não tem a confiança para viagens mais longas, esse passeio é perfeito, pois pode-se ir e voltar em um fim de semana só, e caso surja algum imprevisto, é possível em poucas horas de descida estar de volta à civilização!

Onde:
O Pico da Onça fica entre São Francisco Xavier (município de São José dos Campos-SP) e Monte Verde (município de Camanducaia-MG), na Serra da Mantiqueira. Atinge 1.942 m de altitude.

Quando:
Apesar de poder ser visitado o ano todo, cada época tem suas vantagens e desvantagens. Durante o verão, é preciso tomar cuidado com as chuvas mais agressivas. Durante o inverno, o tempo é mais estável, mas a noite castigará com um frio rigoroso!

Como chegar:
O acesso pode ser feito pelas duas vilas. A parte interessante é que é possível fazer a travessia, caso se chegue a uma das vilas de ônibus ou carona. Claro, alguém que vá de carro pode fazer a travessia, mas a volta até o automóvel será bem cansativa…

O lado paulista pode ser acessado a partir da Fazenda Monte Verde, em São Francisco Xavier. Quem vai de carro pode parar perto da entrada da fazenda, há um local para estacionar. Quem vai de ônibus a partir da capital tem que sair do terminal rodoviário Tietê em direção a São José dos Campos e de lá pegar um outro ônibus, no próprio terminal rodoviário de São José, em direção à vila de São Francisco Xavier. Este segundo ônibus irá parar na praça da cidade, e dali até a fazenda será uma tarefa à parte! Serão 5 km, a maior parte em subida, até o inicio da trilha em si!

O lado mineiro tem um acesso mais escondido, por trás do Hotel Guanxi, em Monte Verde. Não reparei em um local específico para carros, mas a rua é bastante larga e tranquila, então isso não deve ser um problema. Para acessar a trilha sem carro por este lado é preciso sair também da rodoviária Tietê em direção a Camanducaia e de lá pegar outro ônibus para Monte Verde. Por sorte, o segundo ônibus também sai de onde o primeiro para! Em Monte Verde já, será preciso atravessar a cidade à pé, mas a caminhada aqui é plana e bem agradável.

A trilha:
Esta é composta de 2 “partes”. O lado paulista tem um pouco mais de 4 km a partir da fazenda Monte Verde, com vários pontos de encontro com rios e fontes de água. Porém, a trilha toda é inclinada, exigindo um tanto de preparação física. Importante saber (poupa ter que carregar água em quantidade) que o último ponto para abastecer os cantis fica algumas centenas de metros depois de uma pequena cachoeira. Nesta fonte, abasteça seus cantis para o resto da viagem! Quase lá no topo, há uma bifurcação. Pela direita (norte) há o lado Mineiro, pela esquerda (oeste) o fim da trilha que leva ao topo. Dali ainda restará as ultimas centenas de metros, mas já é possível se animar com a chegada!

O lado mineiro tem 4,5 km saindo do Hotel Guanxi, mas a caminhada é muito mais suave. Como Monte Verde está a uma altitude superior a São Francisco, a inclinação é bem leve. Este lado, porém, só tem 2 pontos de água, então é preciso estar mais abastecido. Também há a beleza e o inconveniente do Bosque dos Duendes, uma região da trilha com uma mudança brusca na mata, onde as árvores são mais espaçadas e o chão não é recoberto por vegetação. A possibilidade de se caminhar livremente pelo bosque combinado com uma má marcação da trilha neste ponto dificulta a localização. Sugiro atenção especial para não se perder por aqui! Claro, se você acessar a trilha por Monte Verde, ao chegar na bifurcação o pico estará para a direita!

O Pico:

Lá no topo há uma área plana, onde é possível ficar talvez umas 15 barracas confortavelmente. Em cada lado há uma grande pedra que servirá de mirante. Não há fonte de água! Além da trilha que chegará dos pontos já indicados, há uma pequena caminhada de menos de 100 metros que leva até um mirante menor com um livro de registro. Do outro lado do pico outra trilha sai para o Pico da Pedra Partida, mas a trilha é bem fechada, não se aventure sem saber o que está fazendo!

Do lado paulista, é possível, em dias abertos, ver São José dos Campos e as cidades em volta, e ao fundo a Serra do Mar. Durante a noite, é possível avistar ao norte as luzes de uma cidade entre as montanhas, que desconfio ser Campos do Jordão, e os faróis dos carros na estrada próxima. Impressiona o tamanho e a altura desse lado, e quando o vale nubla (vimos pela manhã). A visão da Serra se levantando para além dos tapetes de nuvem é grandiosa!

nascer do sol

Do lado mineiro, o a serra se estende, fazendo a variação de altura bem menor. É possível ver o que eu imagino ser um bairro de Monte Verde a frente (noroeste) e o Pico da Pedra Partida para a esquerda (sudoeste). O por do sol desse lado é digno de final de filme romântico!

por do sol

Dicas:
– Não leve nada a mais e nem a menos que o essencial! Uma barraca com bons sacos de dormir e isolantes térmicos te salvarão do frio e do vento impiedoso à noite. Comida e água (essa última pode ser coletada na própria subida) para os dias de estadia, roupas adequadas para a caminhada e uma troca para a noite completam o pacote. Lembre-se que carregar tudo isso será um martírio!

– Ao montar a barraca, pense no vento. Fixe-a bem e procure um local mais protegido. Você não vai querer encontra-la voando no vale depois de voltar dos mirantes, mesmo!

– Nós subimos por São Paulo pelo único e exclusivo motivo de poder comer fondue em Monte Verde depois da trilha (recomendo o restaurante Galinha Caipira na entrada da cidade! Preços até 40% menor que no centro). Mas devo admitir que foi um erro. Pegamos uma subida de 1.200 metros verticais para descer 500m depois. Se você ama sua panturrilha, suba por Minas!

-Chegue cedo, programando pelo menos 4 horas de luz solar para a trilha. O lado paulista será ruim de fazer a noite, o mineiro será impossível. Ouvimos relatos de um rapaz que se perdeu no Bosque dos Duendes e teve que pernoitar ali mesmo.

-Nunca é demais ressaltar a importância de um calçado confiável. Nada do tênis que comprei novinho só para a trilha. Vá com um que você já conhece!

Mapas:

Aconselho que você crie seus próprios mapas dependendo de qual via opte por fazer, e se vai de carro ou transporte público.

A duração calculada pelo google maps nesses mapas que seguem não é exata, pois as de transporte público não estão considerando o horário e dia da semana em que fizemos. Nosso trajeto durou cerca 5h da porta de casa até o centro de São Francisco Xavier, incluindo pausas para a troca dos transportes públicos envolvidos e espera pelos horários de saída de cada. de São José dos Campos para São Francisco Xavier pegamos um ônibus de linha, que passa pela serra e, em parte por estradas de terra. Embora a viagem seja “com emoção”, chegamos em 2h, sem nenhum problema nem dificuldades.

SP SJC

SJC SFX

Do centro de São Francisco Xavier até o Pico da Onça fizemos em 3h30, considerando pequenas pausas para água, comida, fotos e recuperar o fôlego (essas ficaram mais frequentes no trecho final da trilha).

SFX pico da onça

A descida do Pico da Onça, passando pelo Vale dos Duendes (onde conhecemos o Avelã, um potro lindo, vivendo solto, e sua mãe, tímida, que não saiu nas fotos) até o centro de Monte Verde durou 2h30.

pico da onça MV

De Monte Verde para Camanducaia fomos de ônibus, mas o google maps não reconhece a opção por não ser um ônibus de linha regular e sim um serviço estabelecido entre as cidades. O ônibus passa em frente ao posto de gasolina, na entrada da cidade, em horários determinados ao longo do dia.

MV camanducaia

De Camanducaia para São Paulo pegamos um ônibus de viagem, que vai de uma rodoviária à outra, e embora o google maps não tenha identificado a opção, não tivemos nenhum problema em fazer esse trecho.

Camducaia SP

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