Sobre o amor

Sempre fui uma pessoa dada a resistência. Fui uma adolescente muito feliz, mas totalmente incrédula do amor. Não acreditava em amor. Não confessava isso a ninguém, pois pareceria que era uma adolescente problemática. Se tive meus problemas, todos tivemos, mas não foram dessa natureza. Simplesmente não acreditava no amor. Não no amor homem-mulher, ou enfim, não nesse amor dos contos de fadas. Sempre acreditei no amor da família e na amizade.

Ah… a amizade, essa sim, era meu norte, meu porto seguro. Tem gente que fala “irmãos por destino, amigos por opção”, tive a sorte de encontrar pessoas tão maravilhosas que pude dizer na minha vida “amigos por destino, irmãos por opção!”. Amor puro, não por afinidade, não por conveniência, simplesmente amor. Para mim, até hoje, essa é a forma de amor mais rara e especial de todas, a da amizade verdadeira e desinteressada. E me considero muito abençoada por ter tido a oportunidade de ter e desenvolver não uma, mas sete amizades desse tipo. Além de muitas outras amizades de tipos variados.

Bom, voltando a Juliana incrédula, minha visão do amor, tradicionalmente falando amor homem-mulher, não era uma visão pessimista, apenas uma visão muito realista, no conceito internacionalista de realismo, uma visão muito pragmática. Sempre acreditei que as pessoas pudessem se gostar muito, se admirar mutuamente, querer estar juntas. E, afinal, casando, barateariam as contas, tornariam mais prático a criação de filhos e a convivência. Reparem, não disse mais fácil, disse mais prático.

Pois bem, eis que aos meus mágicos dezoitos anos toda essa praticidade vai para o ralo quando da minha descoberta do amor. Foi amor à primeira vista? Não! Pelo menos de minha parte não! Confesso que a primeira vez que respondi o “eu te amo”, com um “eu também” era mentira, mas uma mentira que pela primeira vez eu quis acreditar. Esse meu amor foi um misto de primeiro amor com grande amor. Confesso que nunca quis, nem imaginava possível, mas como as coisas sempre vem para aqueles que menos esperam tive um amor que pude chamar de “my Knight in shinning armor and white horse”! Com direito a buque de rosas vermelhas e tudo mais que manda o figurino. Amor esse que me surpreendeu, me pegou desprevenida e me ensinou a ser boba. Passei a acreditar em amor, sim, amor aquele, na definição clássica dos contos de fadas.

Ah, e minha, “nossa”, vida, em longos oito anos, foi muito além da ficção, apresentando dragões daqueles que só se vê na vida real. E fui em cada pedacinho uma heroína de sagas e trilogias e tive ao meu lado meu cavaleiro sempre de espada em punhos, me surpreendendo ao enfrentar dragões que estavam muito além de nossas forças junto comigo. A tudo isso só tenho a agradecer. Agradecer a Deus e ao meu cavaleiro. Não foi lindo! Foi duro! Foi difícil! Foi quase insuportável! Mas não estava sozinha e isso contradisse todas as minhas crenças juvenis e me ensinou a amar e acreditar no impossível e nos contos de fadas.

Demorei muitos anos, em minha desconfiança e incredulidade eternas, para cogitar acrescentar um happily ever after nos créditos do filme da minha vida, afinal, nunca acreditei nessas coisas. Quando finalmente me convenci de que era possível, o the end chegou. E o ever after não estava lá! Aprendi a lição, demorei mais de um ano para aprende-la, e nunca fui uma aluna tão lenta, mas não sou incompetente e por fim, lá estava, o fim. Doeu, como era de se esperar, mas supreendentemente me fez retomar minhas origens, e logo o autocontrole e a praticidade retomaram as rédeas dessa vida. O sofrimento durou proporcionalmente muito pouco. Não que tenha acabado, não é bem assim, mas superado, isso podemos dizer.

E eis que me deparo com minhas velhas crenças e surge um dilema novo, antes não acreditava no amor. Agora seria, no mínimo, hipócrita de defender tal visão, uma vez que o vivenciei e comprovei empiricamente sua existência. Como conviver com essa dicotomia interna agora, entre a praticidade e a surrealidade, entre o realismo e o idealismo? Bom, meu lado cientista curiosa me urgiu a pratica empírica. Nada de elucubrar teorias sem vivenciar um pouco os efeitos.

Como disse no início, sempre fui dada a resistência! Caminho numa trilha de subir e descer montanhas um dia inteiro sem me cansar, mas perco o folego numa corrida de dois minutos na esteira. Gosto de ler sagas e trilogias, pois me apego aos personagens e um livro só me parece muito pouco tempo de companhia. Gosto do que dura, essa sempre foi minha tendência natural.

Contudo, tudo que é novo merece uma chance e ponderei a respeito de todos os clipes de não mais de três minutos que me tocaram tanto quanto longa metragens. Entre minhas leituras favoritas estão também contos e poemas e não só trilogias e sagas épicas. Afinal, as vezes um pequeno poema e tão épico quanto uma saga. Tudo depende do escritor e de seu leitor!

Passei a apreciar algo tão efêmero quanto um hai cai! E hoje aprendi que existe amor que é épico, mas também existe um amor que é diferente, e dura três linhas só. Ou o tempo de uma música! Isso não os desmerece em nada, afinal, se a felicidade é o conjunto de momentos felizes da vida, quero colecionar todos, qualquer que seja a duração deles. O segredo já tinha sido desvendado pelo mestre: “Que seja eterno, enquanto dure!”. E esse momento não me importo que dure uma fração de segundo sequer, desde que eu esteja disposta a vive-lo intensamente nesse instante.

Continuo crendo que o mais raro dos sentimentos é o da grande amizade! E que as pessoas deveriam parar de procurar por alguém com quem construir uma vida, uma família, e simplesmente se deixar viver. Um dia, se você der sorte e viver intensamente o suficiente, vai se deparar com uma situação na qual você se vera querendo construir mais com a pessoa que estará ali, assim, por acaso e não o contrário. Enquanto isso, viva! Intensamente todos os dias! Cumpra com suas obrigações, mas faça também tudo o que lhe dá vontade. Viva cada instante de forma eterna, enquanto ele dure! Não fantasie! Viva! Hoje e sempre, sozinho ou acompanhado. E seja feliz, curta a vida como se fosse uma só (vai saber se é mesmo uma só ou não, né?!)!

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