Mais Receitas Veganas para o Natal

Mais receitas veganas para o Natal, porque nunca é demais compartilhar inspiração para quem quiser ter um Natal sem carnes, lindo, saboroso e gostoso!

Eu ainda não sei como será nosso natal. Até ontem, e esse texto é de 08/12, nem casa nós tínhamos, hoje já temos! Yeyyyyy! Mas falta ter água, luz, internet, móveis, geladeira, comida na geladeira, fogão, etc. Nosso empenho nas próximas semanas vai ser organizar tudo e com sorte, e uma boa dose de trabalho duro talvez tenhamos algo para chamar de lar até o Natal. Se não, a gente enche os colchões de ar, liga o fogareiro e o lampião e faz um acampamento na sala de casa, e uma super ceia de feijões em lata e pepino em conserva, talvez pizza delivery! Huahauhauhua

Brincadeiras (e realidades) à parte, eu desejo a todos um Natal lindo, maravilhoso, aconchegante, cheio de amor, seja da família ou amigos, e espero que o ano novo traga novos ares, e novas decisões positivas para todos.

Fica minha dica de por onde começar: uma ceia vegana! Espero que gostem!

Feliz Natal! ❤

BPM Kids

Galera que aqui me acompanha sabe que eu estou colaborando com a plataforma Brasileiras Pelo Mundo – BPM, já fazem alguns meses, inclusive temos uma categoria aqui no Blog da JuReMa para os reposts dos meus textos de lá. Agora, o BPM ganhou seu primeiro filho, o Brasileirinhos Pelo Mundo – BPM Kids, e os textos de lá são lindos de ler! Nessa plataforma eu não colaboro como escritora, pois não sou mãe, mas colaboro como revisora e queria aproveitar para divulgar aqui e convidar vocês para ler e seguir esse blog lindo.

Meu lado professora, que não desliga nunca, ficou encantada com os textos sobre educação bilíngue, tema que me acompanha há anos, e no qual pretendo me especializar em breve. Nesse meio tempo, convido vocês a ler um texto sobre educação infantil na Suíça:

Educação Infantil na Suíça

Um assunto que sempre me preocupou em relação a nossa mudança para a Suíça, era de  como seria a adaptação dos meninos na escola. Isto porque eles não tinham nenhum conhecimento do idioma. O meu filho mais velho, chegou na Suíça com 5 anos e foi para o Kindergarten 2, enquanto o mais novo tinha acabado de completar 2 anos.

Nosso mais novo estava no mini maternal e frequentou a escola no Brasil por pouco tempo e, na Suíça, as crianças na idade dele não costumam ir para a escola. Nós optamos por colocá-lo na creche para que ele tivesse um contato maior com o idioma (no nosso canto da Suíça, a língua é o Alemão) e para que ele tivesse contato com outras crianças. Mas algumas coisas bem diferentes chamaram a minha atenção como, por exemplo:”
Para ler os exemplos e o texto na íntegra, clique aqui. Boa Leitura!

Receitas Veganas para o Natal

Me deparei com esse post na minha timeline, e apesar de achar que não são exatamente receitas de Natal, são boas recitas veganas para o dia-a-dia. Aproveito para compartilhar aqui e para inspirar um fim de ano diferente. Desde que eu virei vegetariana, meus pratos principais de festas tem sido risotos, prato que eu amo, mas desde criança minha avó sempre fez questão de muitas frutas e castanhas de diferentes tipos no dia do natal e costumávamos ir comendo ao longo da noite de tal forma que na hora da ceia mesmo eu nem estava mais com fome.

Ainda hoje amo essa combinação de fartura de frutas e castanhas, que dá pra ir beliscando, conversando, e saciam muito bem. Minhas dicas incluem nectarinas, ameixas de vários tipos, uvas de vários tipos, morangos, cerejas, pêssegos, essas todas são boas pois não precisa descascar e nem preparar, você só lava e deixa para as pessoas pegarem à vontade. Entre as castanhas gosto de amendoim, castanha de cajú, castanha do pará, amêndoas, nozes, macadâmia, avelãs, baru e mais as que você encontrar!

Se estiver em Brasília, a Feira dos Importados costumava ter castanhas com bom preço, não sei como está agora. Se estiver em São Paulo a Zona cerealistas é imbatível.

Sempre gostei também de arroz com amêndoas laminadas para a ceia! Fica super festivo e agrada sem entrar na discussão com ou sem passas.

Entre os pratos principais, além dos risotos, uma boa opção é o cuscus marroquino, que é super prático e pode ser feito com diferentes ingredientes.

Segue então o link com mais opções de receitas do Veganize.

Português X Português

Estando no meio da mudança para Portugal, me deparo com esse vídeo que já conhecia, mas que é absolutamente maravilhoso, do Gregório Duvivier conversando com Ricardo Araújo Pereira, ambos conhecidos por serem roteiristas, discutindo a língua portuguesa e suas nuances brasileiras e lusitanas!

É um pouco longo, mas vale a pena!

 

Transmitido ao vivo em 21 de jun de 2017 pela Unibes Cultural
Um Português e um Brasileiro entram num bar – Humor de Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier Experimenta Portugal 2017 Como parte da programação do Experimenta Portugal 2017, o humorista português Ricardo Araujo Pereira e o brasileiro Gregório Duvivier se encontram para um evento imperdível na Unibes Cultural, no dia 21 de junho de 2017, com muito humor, inteligência e a relação cultural entre os dois países.
Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Araújo Pereira nasceu em Lisboa, em 1974. Licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica, começou a carreira como jornalista no Jornal de Letras. É roteirista desde 1998. Em 2003, com Miguel Góis, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores, formou o grupo humorístico Gato Fedorento. Escreve semanalmente na revista Visão e é um dos elementos do programa da TSF Governo Sombra. Assinou, em 2012, a rubrica Mixórdia de Temáticas, na Rádio Comercial. Com a Tinta-da-china, publicou quatro livros de crónicas — Boca do Inferno (2007), Novas Crónicas da Boca do Inferno (2009), A Chama Imensa (2010) e Mixórdia de Temática (2012) —, além de Se não entenderes eu conto de novo, pá (Brasil, 2012). Coordena a Coleção de Clássicos de Literatura de Humor, que integra autores como Charles Dickens, Denis Diderot e Jaroslav Hasek.
Gregório Duvivier
Escritor, ator, roteirista e humorista, o carioca Gregório Duvivier é um dos criadores do coletivo de humor Porta dos Fundos e colunista do jornal Folha de S.Paulo. É autor de livros como “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora”, “Ligue os pontos – Poemas de amor e Big Bang” e “Put Some Farofa”. No cinema, contabiliza participações em mais de duas dezenas de filmes e tem na carreira peças de teatro, roteiros para a TV e séries para a web. Filho da cantora Olivia Byington e do músico Edgar Duvivier, é formado em Letras na PUC-Rio e começou a atuar aos nove anos no curso de teatro Tablado. Aos 17 formou o grupo que faria a peça Z.É., Zenas Emprovisadas, que ficou por seis anos em cartaz e em turnês pelo País. Em 2013 foi escolhido melhor ator do ano pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro pela atuação na peça Uma Noite na Lua.

 

Travessia Cap de Rec – L’Illa – Perafita – Pera – Cap de Rec

Essa travessia é uma que queríamos muito fazer desde antes de sair do Brasil. O André já tinha pesquisado muito sobre ela, mas quando chegamos aqui era inverno e essa travessia precisa ser feita em épocas sem neve, ou se torna impossível. Acabamos usando a primavera e o verão para outras viagens mais longas ou mais afastadas e por fim, agora no outono, no início de outubro, decidimos fazer finalmente essa travessia.

A preparação para essa trilha foi mais longa, pois originalmente estávamos seguindo uma trilha do wikiloc que infelizmente não encontrei agora para compartilhar com vocês, mas que saía de Viliella, passando pelo vale do Llosa, subindo o porto de montanha até o Refugí de L’Illa, no primeiro dia, no segundo ia até o Refugí de Perafita, passando pelo segundo porto de montanha e até o Refugí dos Estanys de La Pera (trilha que fizemos e pode ser conferida aqui), passando o terceiro porto de montanha no segundo dia e no terceiro descendo, passando pelo Cap de Rec e indo até Viliella. No total a trilha original tinha cerca de 48km em 3 dias, com todas essas subidas.

Por isso preparamos duas mochilas grandes, equipamento para dormir nos refúgios, muita comida enlatada, água, lanches, roupas extras para as noites fritas, comida do Picot e saímos. Resolvemos fazer um pouco diferente o caminho, deixando nosso carro no Refugí do Cap de Rec e de lá iniciar com a longa descida até o Vale do Llosa, que é um dos lugares mais lindos, e de lá seguir a trilha marcada no wikiloc.

Saímos de casa bem cedo, deixamos o carro no Cap de Rec, e saímos com tudo nas costas, preparados para só voltar ao carro na metade do terceiro dia. Desde o princípio acionei o app do wikiloc e comecei a gravar a trilha. Meu celular, entretanto, não tem a precisão de um GPS e fez uma marcação irreal de altitude no início, parecendo que tínhamos subido e descido um platô como uma chapada, mas depois passou a se comportar e registrar melhor.

A primeira parte envolveu uma descida bem dolorosa da qual meus joelhos ainda se lembravam 1 mês depois, até o Vale do Llosa, lá atravessamos o rio com muito frio, que água gelada! E seguimos rio acima. Em determinado momento meu sonho se realizou e vi uma marmota de vida livre gritando e correndo, infelizmente, fugindo do Picot. Chamamos ele apressados e ela conseguiu se esconder na toca. Apesar do susto foi um momento incrível ver a marmota.

Aí começou uma subida longa que nos acompanhou o resto do dia. Passamos por lugares muito lindos, sempre próximos aos rios, vimos alguns refúgios de caçadores, pequenos e apertados, mas que podem salvar vidas caso seja necessário se abrigar rapidamente. Paramos pouquíssimas vezes para comer e andamos muito. A última subida, depois de um vale cheio de vacas, foi sofrida, mas nos levou até um lago de barragem belíssimo, embora as nuvens o deixassem muito cinza e alcançamos o refugí de L’Illa, já em Andorra. Nesse primeiro dia andamos um pouco mais de 18km.

O Refugí de L’Illa é um dos poucos que possuem parte livre e parte paga. A parte paga era cara, cerca de 20,00 euros por pessoa somente para dormir. Com comida e banho já subia para 55,00 por pessoa, e a parte livre estava bem abandonada, mas nos instalamos na livre mesmo assim. Ali todos os suprimentos chegam apenas de helicóptero e as pessoas apenas após uma dura trilha. Descobrimos que um dos funcionários do Refugí era brasileiro, afinal estamos em todos os lugares, comemos, descansamos e tentamos nos acomodar na parte livre.

Acordamos a meia-noite quase congelando. A temperatura caiu bruscamente e deixou nossa noite muito desconfortável, impossível dormir, o corpo todo doía de frio. Acabei conseguindo fazer um fogo graças à um sachê de azeite deixado ali e umas madeiras velhas no antigo aquecedor de ferro, que nos salvou, mas foi uma noite dura, depois de um dia duro. Apesar do preço, recomendo que durmam na parte paga caso façam essa trilha.

Nosso segundo dia começou as 5h da manhã com muito frio, um novo fogo que nos descongelou de novo e esperamos o dia clarear um pouco. O sol só começou a sair às 7h e iniciamos nossa caminhada junto com  ele. O André, que sofreu um pouco mais que eu com a noite fria pois tinha levado menos roupas extras, sugeriu que andássemos mais e voltássemos pra casa direto. Essa ideia em assustou um pouco, porque faltavam cerca de 30km, e pelo menos mais 2 portos de montanha para atravessar a cerca de mais de 2500m cada.

Com isso em mente eu comecei o dia dando uma de sargento do batalhão e impus um ritmo de caminhada sofrido. Acabamos quase não tirando fotos, pois o tempo seria escasso para conseguirmos andar os 30km, com todas as variações de atitude em um dia só.

Esse segundo dia foi sofrido, os músculos estavam doídos da véspera e principalmente da noite fria, a mochila pesava e o pé reclamava, especialmente com a marcha forçada, mas avançamos por paisagens maravilhosas. Vimos vales, rios, cachoeiras e picos inacreditáveis no caminho todo! O Picot sempre com muito mais energia que nós deu ânimo por todo o dia. Alcançamos o Refugí de Perafita em torno das 13h e fiquei mais tranquila. Sabia que dalí o desafio maior era atravessar o último porto até o Refugí dos Estanys de la Pera e de lá seria só descida até o carro.

Minha bateria do celular acabou quando estávamos iniciando a subida para o último porto e com isso parou de registrar a trilha, os carregadores externos que eu levei não funcionaram, o que me deixou chateada, mas sem tempo para lidar com isso. Seguimos a subida e alcançamos o Refugí dos Estanys da la Pera às 15h, bem antes do esperado. O André até me chamou de exagerada pois com minha marcha forçada estávamos quase 2h adiantados, e acabamos não aproveitando muito o dia de trilha para apreciar as paisagens, mas meu medo de pegar a trilha no escuro tinha sido maior.

Nossa segunda surpresa foi encontrar o Refugí dos Estanys de la Pera maravilhoso, com uma parte livre aberta incrível, colchões bons, cobertores e uma lareira grande além de muita lenha acessível. Poderíamos ter dormido ali confortavelmente. O ideal teria sido fazer com bem mais calma esse trecho, chegar lá ao anoitecer e ter uma boa noite de sono reparador antes de continuar, mas como chegamos lá às 15h e ainda tínhamos cerca de 3h de sol, resolvemos seguir para o carro.

Esse último trecho, apesar de ser descida, foi excruciante, porque já estávamos muito cansados e a decida exigiu muito da minha sola do pé. A mochila nem era mais problema, mas os pés doíam muito e no último trechinho antes do carro senti bolhas estourarem e quase chorei, mas por fim, com certa ajuda do André, chegamos no carro, às 18h20.

Viemos direto para casa, onde um bom banho quente, um macarrão e uma noite de sono que durou das 20h30 às 12h do dia seguinte (que era sábado), nos colocou em forma de novo. Essa trilha é maravilhosa e recomendo a todos, mas recomendo que façam em 3 dias, durmam no L’Illa na parte paga e durmam no Estanys de La Pera antes de seguir viagem. Os pés agradecem. Não se esqueçam de confirmar se os refúgios estarão abertos e disponíveis antes de ir. Em certas épocas do ano eles fecham e em outras lotam. O ideal, além de conferir antes, é ir no meio da primavera ou no início do outono.

Não esqueçam roupas mais quentes para a noite e pares de meias extras para garantir pés quentes e acolchoados. A comida acho que vale a pena pagar no L’Illa para poder carregar menos peso, e levar só os lanches e para o jantar do segundo dia.

Foi uma experiência incrível, de superação, muito aprendizado e que valeu cada km, bolhas no pé e tudo!

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Trecho de carro, entre La Seu e o Cap de Rec. 

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Trecho que meu celular gravou, do Cap de Rec até pouco depois do Perafita. Como a rota foi circular, não fica muito difícil imaginar aí no mapa o trecho que faltou marcar de cerca de mais 22km.  

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Para mais fotos confira na Fã Page do Facebook!

O Silêncio e o Caminhar

Já falei algumas vezes aqui no blog sobre a importância do caminhar na minha vida. Sempre amei dar longos passeios a pé, fiz muito isso com minha mãe quando criança, continuei na adolescência, economizando nos ônibus e indo a pé sempre que possível. Quando estava no carro ou no ônibus, com frequencia via uma ruela, um morro, uma trilha que se perdia e me pegava sonhando em segui-la, em andar até descobrir o que tinha do outro lado. Sempre tive essa curiosidade e esse amor pela caminhada.

Além disso, desde cedo me acostumei com o fato de que ao andar, em silêncio, meus pensamentos se organizam, reorganizam e a vida fica mais fácil. O banho é também um bom momento, mas procuro não gastar muita água e em 5 ou 10 minutos não consigo fazer toda a reflexão de uma caminhada de 2h, ou mesmo uma de 5h ou 6h quando o corpo e a mente atingem um outro patamar.

Busco caminhar por prazer, mas se fico muito tempo sem, e esse muito tempo para mim hoje em dia é coisa se 4 dias, me sinto inquieta. Preciso nem que seja de uma volta de 1h. Sempre opto por sair para uma caminhada solitária quando estou com raiva, quando um desentendimento aconteceu. Sair de perto, acalmar as emoções, deixar o choro fluir e depois reorganizar os sentimentos e os pensamentos, alinhar a melhor forma de expôr e só depois voltar para uma conversa, faz parte de um procedimento que evita brigas e resolve desentendimentos muito bem.

A caminhada e o silêncio também me ajudam com a parte criativa, e muitas vezes volto cheia de ideias, desde pequenas coisas do dia-a-dia, passando por textos que compartilho aqui, até decisões importantes de mudança de vida.

Já comentei sobre o livro Caminhar, do Thoreau, e o Caminhar: Uma Filosofia do Gròs no post Sonhos e Aprendizados. Hoje compartilho com vocês o post “Ficar em silêncio e caminhar são hoje em dia duas formas de resistência política” do blog Desenhares, de Sílvio Diogo, no qual ele traduz para o português a entrevista homônima publicada originalmente em espanhol no Diario de Sevilla, do sociólogo e filósofo francês, David Le Breton. Espero que gostem da reflexão e fica também a dica de leitura dos livros do Le Breton, mencionados na entrevista, os quais ainda não li, mas já estão na minha lista.

Boa semana, e boas caminhadas e silêncios!

Pic de Salória

Sei que durante todo o mês de outubro e agora nesse começo de novembro estivemos sem posts do André na categoria Viagens, e para explicar queria dizer que em outubro recebemos a família do André aqui e também estamos organizando toda nossa mudança da Espanha para Portugal, que começará agora dia 15/11, o que o sobrecarregou, além de outros afazeres. Por hora vou deixar vocês com esse post, sobre o Pic de Salória, que fizemos em 28/09/17 e no próximo post vou falar sobre uma travessia longa de 3 dias, que acabaram sendo 2, na qual atravessamos vários Vales e Picos!

Esse mês, portanto, teremos esses 2 posts sobre trilhas, além dos outros sobre Andorra & Val D’Aran, que foi postado pelo BPM, e repliquei aqui na terça-feira, e o outro com Dicas de Roupas.

Em dezembro estaremos nos acomodando em Portugal e duvido que sobre tempo para escrever muito, mas assim que possível voltaremos a contar nossas aventuras

Bom chega de lenga-lenga, vamos à trilha. O Pic de Salória é o mais alto da comarca de Alt Urgell, onde fica a cidade na qual moramos, La Seu D’Urgell. O Pico chega a 2789m. Mas a trilha que fizemos possui um desnível de cerca de 600m, então foi mais tranquilo do que parece!

A parte mais assustadora foi a estrada que decidimos pegar para chegar lá. Não queríamos ir de carro por dentro de Andorra, o que seria o caminho mais curto, entre La Seu e Os de Cívis, e por isso acatei uma sugestão bem duvidosa do google maps de ir por uma estrada de terra, circundando a montanha. No início passamos por umas pequenas vilas bonitinhas, mas depois que entramos na estrada de terra ela começou a ficar difícil e diversas vezes o André me questionou o porque da escolha dessa trilha em claro desuso.  Eu também me questionei, mas mantive a banca porque alguém tinha que parecer confiante, né?!

Para resumir passamos por dentro de bosques, atravessamos dois rios com o carro, o que subiu muita fumaça e assustou o Picot, e pegamos um frio que não esperávamos para final de setembro. No fim deu tudo certo, graças a habilidade do André em estradas de terra, que é grande, e dessa vez foi testada como nunca, mas após algumas derrapadas estávamos no ponto esperado. Paramos o carro e começamos nossa subida bem íngreme morro acima.

A subida não era muito longa, mas extremamente verticalizada. Chegando à crista da cadeia montanhosa andamos por sobre a trilha na parte mais emocionante, talvez uma das mais emocionantes de todas as trilhas que fizemos, pois a crista era bem estreita e os penhascos bem íngremes de ambos os lados. Tenho vídeos desse trecho da trilha na fã page do facebook, em quatro partes (1/4, 2/4, 3/4 e 4/4), ou no instagram (1/4, 2/4, 3/4 e 4/4) e vocês podem acessar e ver lá.

Achávamos que já tínhamos subido tudo, mas que nada. Foi uma boa subida já na crista até atingirmos o Pico. Tivemos que parar várias vezes para recuperar o fôlego nesse trecho, mas por fim chegamos lá! Foi uma incrível sensação de conquista!

No caminho encontramos joaninhas, grilos coloridos, aves de rapina fazendo rasantes sobre nós e uma paisagem incrível. Chegando no topo o Picot ficou encantado e passou muito tempo observando a paisagem cuidadosamente de cada um dos vales para os quais tínhamos vista! Esse cachorro é um apaixonado por paisagens e a gente fica até sem graça de ver a dedicação dele em apreciar o momento!

Depois de brincar um pouco com a ideia de que eramos o homem, a mulher e o cachorro mais altos da comarca naquele momento, iniciamos a volta. Encontramos uma trilha um pouco menos íngreme na volta, o que facilitou um pouquinho, mas continuou emocionante.

Já no carro escolhemos voltar por outro caminho, passando por Andorra, conhecemos Os de Cívis e Cívis, e passamos por uma quantidade incrível de árvores vermelhas em um dos cenários de outono mais lindos que já vi!  Não deu pra tirar boas fotos de dentro do carro, mas foi inesquecível.

Fiz a trilha marcando nosso deslocamento com o wikiloc, mas como ainda estou aprendendo a usar o app, só lembrei de gravar a rota quando já estávamos na metade da subida, mas fica a foto para vocês terem uma ideia aproximada.

Mapa ida

Mapa da ida, o trecho marcado em vermelho foi o da estrada de terra assustadora.

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Mapa da volta, o trecho em zigzag antes de Os de Cívis é o das árvores vermelhas maravilhosas de outono!

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O que eu consegui gravar com o wikiloc da nossa trilha.

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JuReMa no BPM: Andorra & Val D’Aran

Nesse domingo, dia 05/11/17 foi publicado no BPM meu post sobre turismo, especificamente sobre o Andorra e o Val D’Arran. Muitas das trilha que comentei por cima lá, temos detalhadas aqui, lembrando que temos inúmeras fotos e videos na Fã Page do Facebook e no Instagram.

Vai lá no BPM e lê o texto, que dá muitas dicas legais! Não deixe de deixar sua curtida e um comentário! Sem falar que você também pode seguir a página no Facebook do BPM e o perfil no Insta.

E aproveita e veja aqui também algumas das citadas lá, como o Pic Negre, os Colomèrs e o Val D’Aran, Pic de Medecourbe, o Aiguestortes, entre tantas outras que você pode ver no nosso menu viagens!

“Quando me mudei para uma cidade nos Pirineus, na Catalunha, fiquei muito animada com a perspectiva de estar morando nas montanhas, uma vez que no Brasil não temos uma região de montanhas do mesmo tipo e eu amo natureza e estar ao ar livre.

Minha atividade favorita sempre foram as caminhadas, também conhecidas como trekkinghiking, em inglês, e senderismo, aqui na Espanha. No Brasil, embora muito praticada, não é tão comum, mas na Catalunha, o senderismo é uma espécie de esporte nacional. A prática, embora oficialmente não seja considerada um esporte, é muito comum, e os diferentes caminhos, ou senderos, são muito bem marcados, com placas, sinalizações em forma de setas (caminho correto) ou cruzes (caminho incorreto), em diferentes cores, uma para cada sendero, em árvores e pedras, marcando o caminho até mesmo quando tudo está coberto de neve.” Para continuar a leitura, clica aqui!

 

Dicas de Roupa

Eu decidi falar hoje de algo que entendo muito pouco, pouquíssimo, que é moda! Nunca me sinto segura para falar de algo que entendo pouco, mas não vou me fazer de blogueira de moda super entendida das trends, porque não sou. Vou fazer o que eu sei fazer, compartilhar minha experiência própria. Então já fica a dica, se você é da área de moda e acha que eu falei besteira, deixe uma contribuição construtiva nos comentário, combinado?!

Eu sempre gostei de me vestir com muito conforto, odeio usar salto, roupas muito justas e não tenho paciência para maquiagem. Também cresci com um guarda-roupa bem enxuto, composto em sua maioria de doações, aquelas roupas das primas e tias que me salvaram a infância e adolescência inteiras. Mas sempre fui fã de uma camiseta e jeans (short ou calça).

Depois comecei, até por pressão de trabalho e universidade, estágios, etc, a ter que amadurecer meu guarda-roupa. Mas a perspectiva das roupas formais sempre me assustou. Já tive terno, já usei em estágio, já usei em emprego. Pessoalmente, não gosto. Me sinto fantasiada. Tipo a “Barbie Escritório”. Mas quando tem que fazer a gente faz né.

Em outro momento me livrei do mundo mais formal e segui minha vida profissional dando aulas de idiomas, o que me permitiu manter um visual bem informal, e já tendo mais possibilidades financeiras, passei a investir em algumas roupas coloridas, já que amo cores, muitos vestidos e saias midi ou longos, para poder trabalhar mas também sobreviver no calor de Brasília, além de calças de panos leves, mais curtas, ou que ficassem bem com a barra dobrada. Enfim, roupas que pudessem ser vistas como “de trabalho” mas que eu também pudesse sentar no chão com alunos pequenos, cantar e dançar, e me manter sã no calor.

Quando fui pra São Paulo percebi que 99% do meu guarda-roupa era de verão. Muitos shorts, saias e vestidos esvoaçantes. Nada combinava com a cidade da garoa, com muita chuva, dias mais frescos e um inverno muito mais frio do que eu estava acostumada. Além disso sofri com os sapatos. Em Brasília usava muita sapatilha e tênis de tecido, estampado, coisas leves, muitas vezes com aberturas, ou seja, para um lugar onde o clima predominante é o seco e quente. Na Terra da Garoa, perdi alguns pares de sapato, ensopados de uma lama cinza-chumbo fuligem+poluição, até aprender que precisava de outro tipo de coisa.

Aí me desfiz de quase tudo e investi em um all star emborrachado, uns dois pares de Melissas e passei a usar no dia-a-dia minha galocha e as botas e casaco impermeáveis de trilha que antes eu só usava para trilha. No fim das contas, fora os dias mais quentes, que só me salvavam as Melissas, a bota de trilha virou minha melhor companheira, porque me aguentava andando o dia inteiro, pegando ônibus, indo a pé, sem sofrer, sem bolhas, sem pé molhado, sem ter que lavar o sapato da fuligem-lama-poluição no fim do dia. Virou uniforme!

Mais a alma nômade aqui não se aguenta e eis que vim parar nos Pirineus no início do inverno, com muita neve e vento frio. Apesar de dessa vez já ter me desfeito de quase todo o guarda-roupa, pra conseguir me mudar com duas malas apenas (que continham também panelas, toalhas, edredom, minha vida, etc), percebi que não tinha roupas adequadas pra esse clima. Corri para a Decathlon, em busca de uma salvação rápida e barata, pois tinha acabado de lidar com os custos todos da mudança e me virei com o que achei de menor preço.

Juntando essa história toda, minha paixão por cores, as muitas mudanças, os infinitos climas, os desapegos mais que necessários, os preços, a disponibilidade, a urgência, todos juntos, um dia entrei no elevador e ouvi do meu marido, a última pessoa que liga pra moda, um “mas você vai sair assim?”, estranhei e me olhei no espelho. Eu estava com um gorro laranja abóbora, camiseta térmica branca, casaco preto com zíper e detalhes rosa bem forte, legging cinza, meias tipo academia, daquelas que vão até o meio da canela por cima da legging rosa-choque, botas de neve com detalhes rosa forte, um cachecol azul. Tá, predominava o preto e rosa, combinação que já não é muito suave ou discreta, mas a adição de laranja, azul e até mesmo o cinza e branco, e as formas também, a legging muito justa, a meia muito longa por cima, o casaco um pouco curto, a camiseta aparecendo por baixo, bom basta dizer que podia até não estar muito feio, e estava quentinho, mas não era nada muito agradável aos olhos, que dirá fashion.

Depois desse dia parei para pensar e percebi que ao optar por roupas mais informais e esportivas, eu tinha conseguido várias peças muito confortáveis, por ótimo preço, mas que não necessariamente combinavam entre si, e que por isso, eu estava sempre me sentindo menos arrumada, como se tivesse me vestido às pressas, ou saído há pouco da academia e jogado uns casacos, cachecol e luvas por cima.

Comecei a pesquisar o que podia fazer a respeito, levando em conta minhas premissas: 1 – trabalho de casa, o que me permite me vestir informalmente, mas apresentável; 2 – faço trilhas com frequência, às vezes de dia todo, mas às vezes mais curtas, e tenho uma aula para dar antes ou depois; 3 – gosto de conforto e bom preço; 4 – queria um guarda-roupa minimalista, com menos peças, por questões ideológicas, menos consumismo, menos tralha na vida e facilidade nas mudanças.

A primeira sugestão veio do meu marido, a ideia de escolher uma a 3 cores principais e me manter nelas. Nada de ter uma peça de cada cor. Por mais que eu ame cores, essa sugestão foi uma das melhores da vida em termos de guarda-roupa até hoje e é imprescindível para um minimalista.

A segunda foi usar o pinterest e pesquisar moda por itens. Quando vemos blogs, sites e revistas de moda, o que está lá é a moda da vez, que muitas vezes não resolve o problema dos reles mortais no dia-a-dia. Mas no pinterest dá pra procurar por “botas de trilha + outfit”, por exemplo, e vão aparecer vários exemplos mais fashionable, fotos de revistas, ideias de como usar botas de trilha.

Depois de toda essa longuíssima reflexão, vamos as lições que eu aprendi, e que podem ser úteis pra outras pessoas:

1 – defina seu tipo de guarda-roupa, e quantos você precisa ter!

Ex: só posso trabalhar com roupas formais, mas amo usar jeans rasgado. Moro num local com inverno rigoroso e verão muito quente. Essas diferentes colocações vão te dar uma ideia do que é indispensável para você. Se seu guarda-roupa de trabalho e fora dele podem se misturar ou não, se você precisa de roupas para estações diferentes, ou se bastam alguns casacos, mas a base da pra manter, etc.

No meu caso eu posso usar as mesmas roupas para trabalhar, fazer trilha e minhas coisas de casa, desde que escolha bem as peças. Moro num local com 4 estações bem definidas, então preciso de 3 tipos de roupa, verão, inverno e primavera-outono.

2 – Escolha cerca de 3 cores e fique com elas! 

Essa parte é difícil, e estou numa transição porque não vou simplesmente jogar minhas coisas boas fora por conta da cor, mas o que adquirir de novo entra nesse esquema. Eu elegi o preto e o cinza como cores básicas e o azul como cor diferencial. O que me agradou nessa escolha é que tanto o cinza, mas principalmente o azul, possuem uma infinidade de tonalidades, que ficam muito bem entre-si. E mesmo que eu tenha peças que vão do azul-marinho mais escuro, ao azul-esverdeado mais claro, passando pelo turquesa, azul-céu, etc, elas combinam entre si e não preciso pensar muito a respeito.

Liberei o roxo e tons de lilás como uma cor terciária que pode aparecer com menor frequência, e alguns brancos. Amo roxo, já possuo muita coisa dessa cor, não queria desperdiçar e é uma cor que vai bem com as azuis, e aí só preciso pensar um pouquinho antes de vestir.

Ainda acho muito ruim o fato de as roupas esportivas femininas virem quase sempre com detalhes em rosa. É uma cor bonita, apesar de eu não gostar muito, mas é uma cor muito marcante e que não vai bem com todas, especialmente no tom forte, ou choque, que geralmente é usado nesse tipo de roupa. Muitas vezes tenho dificuldade em encontrar opções sem o rosa.

3 – Pare de usar roupas íntimas, meias e camisetas brancas. 

Essa acho que é uma das afirmações mais polêmicas, mas o motivo é simples, elas mancham muito mais fácil e rapidamente e exigem horas e custos extra em tira-manchas e lavagens para ficarem com aparência apresentável. Então preferi eliminar. Mantenho minhas roupas muito bem lavadas, mas não preciso ficar obcecada com manchas e nem me desgastar cuidando delas. Tenho uma bata e uma camisa de botão brancas poque são úteis no guarda-roupa minimalista e, por usar com menor frequência e não em ambiente de trilha, mancham menos.

4 – Use mais roupas masculinas. 

Essa também pode ser polêmica, mas explico. Primeiro tem essa mania das lojas, especialmente as de roupas esportivas, de colocar detalhes em rosa/laranja/amarelo berrantes em roupas femininas. Você quer um casaco preto discreto, ou um cinza, e acha, preto, cinza, azul, com todos os zíperes, elásticos e fechos em rosa/laranja/amarelo berrante. Oi??? Lojas, melhorem! Eu sou mulher e não vou deixar de ser feminina por usar uma roupa esportiva toda preta, cinza, azul ou bege, sem detalhes de nenhuma outra cor. Obrigada! E as masculinas são discretas, preto é só preto, cinza é só cinza, marrom é só marrom, ou as combinações são entre cores sóbrias e não fosforescentes.

Segundo, os bolsos são maiores, os casacos mais confortáveis, porque não são tão curtos, e se você conseguir uma loja masculina que tenha modelagens pequenas, geralmente encontra seu tamanho. Às vezes precisa de um pequeno ajuste na cintura, mas vale a pena.

Terceiro, infelizmente, muitas vezes, a roupa masculina equivalente a feminina é mais barata. A meia muitas vezes é mais grossa (do mesmo tamanho) e acomoda melhor no pé, protegendo melhor de bolhas e calos, o casaco tem mais bolsos, enfim. Experimenta e me conta depois.

5 – Dê uma atençãozinha para os detalhes! 

Muitas vezes a diferença entre uma roupa informal com cara de quem acordou atrasada e uma considerada “na moda” é um cinto, uma barra da calça ou das mangas da camiseta dobradas, uma faixa no cabelo, uma munhequeira bem colocada, a coordenação entre o formato da camiseta/alças/decote e o do top embaixo, entre outras. Para essas o Pinterest salva. Escolhe um item, mesmo que você ache que não tem nada a ver com moda, como botas de trilha, luvas de esqui e coloca lá. Vão aparecer fotos legais, com sugestões interessantes de uso.

6 – Tenha os acessórios em cor neutra!

Meias, luvas, cinto, munhequeira, faixa de cabelo, cachecol, gorro, esses itens eu hoje em dia tenho todos em preto e/ou cinza. Facilita, ninguém repara que você usa o mesmo todo dia, e combina com tudo.

Um cachecol ou outro numa das suas cores escolhidas vale também! Mas tenha o básico e se for ser minimalista à risca, só o básico.

Eu confesso que depois de fazer essas modificações, minha vida ficou mais simples, escolher roupas de manhã sem ter que pensar nas diversas atividades do dia e saber que qualquer uma vai servir para todos os casos; poder jogar na mochila quaisquer 5 camisetas e duas calças e saber que todas combinam entre-si; me sentir melhor, mais bonita e apresentável sem sofrer pra isso, são só algumas das vantagens que eu vi.

Ainda tenho algumas peças muito boas e que fogem à essas regras e uso bastante, como meu casaco impermeável vermelho, porque ele é ótimo e sou contra trocar estando bom. Vermelho e azul não ficam ruins, então vamos nessa. No dia que estragar, aí eu repenso. Essas conclusões e aprendizados vão muito além da moda, geram um pensamento em torno de sustentabilidade, meio-ambiente, e bem estar pessoal, independentemente da moda que muda toda semana. Quem sabe não te inspira também!

 

 

 

My life on the road

Esse fim de semana passado eu terminei de ler My Life on the Road, da Gloria Steinem. Eu já tinha lido pequenas coisas dela e já conhecia o nome, afinal, ela é uma ativista e tanto e uma das referência quando se fala em luta por direitos e questões de gênero. Esse livro faz parte da lista de leitura indicada pela Emma Watson no Goodreads, parte do programa pessoal dela de estudos de gênero e da iniciativa da ONU #HeForShe.

Mas o que me levantou a curiosidade a princípio foi a possibilidade de ouvir de alguém nômade, como foi essa vida na estrada. Muita gente já me questionou sobre minhas escolhas, sobre estar com 31 anos e ter feito 8 mudanças de casa, 3 de cidade, 2 de país, 1 de continente e estar com a próxima (de país de novo) agendada para o mês que vem. Nesse processo também já tive tantos empregos que minha carteira de trabalho zerou, se for contratada no Brasil de novo tenho que tirar uma nova, todas as páginas estão preenchidas. Isso fora os freelancers, traduções, aulas particulares, projetos, bolsas, voluntariados, etc, que me acompanham desde os 18 anos.

Já vi o olhar preocupado de familiares, já recebi carta dramática de amiga, já ouvi de ex-chefe que ia mudar “logo agora que você arrumou a casa toda, fez até chá de cozinha e tá com tudo tão organizado?”, já vi amiga surtando com minhas blusinhas pra doação dizendo que eu era louca de me desfazer de “tudo mais bonito que eu tinha”. De todos, já recebi muitos olhares saudosos! E de todos já senti muitas saudades! Já fiz também muito skype, já aprendi a viver com menos, já conheço os lugares pra comprar um novo edredom e jogo de cama mais barato, e muitas situações pouco usuais às vezes se tornam cotidianas, como ficar sem travesseiros, sair pra comprar e não achar no dia, improvisar e de repente me tocar que vivo a 11 meses sem travesseiro e não faz falta!

Por tudo isso e mais um pouco, quis ler da Gloria, como foi a experiencia da estrada dela. Foi bem diferente da minha, e ela nem sempre dá os detalhes sobre onde dorme, mas eu encontrei lá muito mais do que a história dela na estrada. Encontrei uma semelhante. Alguém que já está na parte final da curva e que portanto pode dizer, eu vivi a vida toda assim e deu certo. Alguém que ao contar sua história conta junto a história de um movimento, de um país, de uma geração. Tudo isso, já faz valer a leitura mil vezes.

Mas o ponto mais incrível pra mim de toda a leitura não foi nem (só) a questão de gênero e nem a estrada, mas foi a vivência de democracia dela! Eu fui envolvida com movimento estudantil, fui representante de turma, fiz parte de conselhos em tudo o que já participei na vida, e cada dia mais só me decepciono! Acho cada vez mais difícil encontrar pessoas abertas ao diálogo, esses supostos espaços de conversa viraram só espaços de ataque e na internet então nem se fala! Mas na vida dela eu li um relato bonito, duro e cheio de batalhas, mas com lições muito importantes. Lições que me levam a crer que não é o mundo ou a  humanidade que estão perdidos, é o sistema e a forma como vivemos.

Tudo o que eu queria é que cada ser humano pudesse entender e vivenciar uma verdadeira roda de conversa, estilo povos nativo-americanos, e recebesse no final um abraço. Quem sabe assim, talvez…

my life on the road